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  A VOZ DO PASSADO E A MEMÓRIA DOS HOMENS

Ena Nunes da Costa Tassinari, dissertação de Mestrado - UPM – Universidade Presbiteriana Mackenzie
Ubiratan D’Ambrosio - Orientador

Nesta dissertação investigamos as razões de uma revista pedagógica ser editada, logo é uma pesquisa etnográfica. Como não contássemos com nenhum trabalho dessa linha, que focalizasse documentos orais, fomos compondo a metodologia necessária: das seis virtudes apontadas por Ítalo Calvino,(1990) tomamos a leveza, a rapidez e a exatidão; de James Spradley (1980) citado por Vera Mellis, (1995), tomamos O circulo de pesquisa etnográfica, o qual re-elaboramos com base em D’Ambrosio (1996:103-104) assim, compusemos a metodologia.

No primeiro capítulo analisamos as publicações pedagógicas anteriores ao BOLEMA, que é a publicação oficial da Pós-Graduação em Educação Matemática do IGCE/UNESP, de Rio Claro, pesquisa que cobre de 1974 até 1979, ou seja: o Boletim do SAPO, o SAPEANDO, os Gibis e as Histórias Narradas na forma de textos e outros. São mentores do grupo, nesse período, Mario Tourasse Teixeira e Luiz Roberto Dante, eles são a voz do passado no presente, ficando-se na memória dos homens.

Em continuidade, no capítulo II, investigamos o Ciclo de Vida do BOLEMA e fizemos a Análise Temática do conteúdo. Para tanto, levantamos uma palavra-chave, palavras-tema e palavras de caracterização. Essa divisão semântica foi tomada de Vera Lucia Grando (1995). O período coberto data desde o aparecimento do Boletim de Educação Matemática – BOLEMA, até 1994.

As palavras-tema ensejaram seis estudos e, dentro do “Educação Matemática e os Textos Oficiais” elaboramos duas cronologias, uma, da Educação no Brasil e a outra dos Atos Institucionais da Ditadura de 1964, na tentativa de oferecer mais elementos justificadores dos conteúdos dos Gibis.

Procurando responder o “para quê” efetivamos pesquisa de campo em uma escola pública do município de São Paulo, cujos resultados nos sugerem alguns indícios sobre o porquê das revistas pedagógicas, bem como das dissertações e teses produzidas a partir da escola pública básica, geralmente não chegarem nas mãos dos docentes.

Nessa análise mapeamos e resenhamos todo o conteúdo dos anos investigados e também a estrutura formal do BOLEMA, e fizemos sua ficha técnica.Assim, também foram analisados três números especiais – Seminários Avançados. O primeiro registrando a presença de Paulus Gerdes no Brasil; o segundo que versou sobre, Escola de História da Matemática e o terceiro, sobre Representação do Conhecimento ou Conhecimento da Representação.

Já, no terceiro capítulo, apontamos algumas das razões que nos parecem importantes sempre que se toma a escola básica, professores e alunos, como objeto de investigação e, o importante papel para a formação continuada dos docentes que as revistas pedagógicas teriam caso chegassem regularmente nessas escolas, pois na história e na memória dos homens não lugar para ponto final, reticência, talvez, para então, no quarto capítulo, fazermos algumas sínteses: - Por que, para que, se lança uma revista pedagógica? – Porque ela é uma via privilegiada de acesso às mais variadas informações, como por exemplo, à história da educação.Daí que, o estilo usado na formatação dos conteúdos para comunicar as pesquisas e idéias influe na circulação e na aceitação da revista, como é o caso da coleção “Raízes e Asas”.

Nesta altura, retomamos o primeiro capítulo, pois aquelas publicações anteriores ao BOLEMA institucionalizado e referendado por indicador internacional, atendiam muito mais às necessidades de formação continuada dos professores da escola básica do que o BOLEMA, referente àquele lapso de tempo das nossas investigações. O BOLEMA ABNT é tão somente mais uma revista acadêmica para acadêmicos que usa a escola básica como campo de pesquisa, mas que na prática nada lhe oferece. Já a coleção “Raízes e Asas”, em seus oito fascículos, são como quis Mario Tourasse Teixeira, chaves para as muitas portas da escola.

Chaves abrem portas. Portas fecham casas. Casas são abrigos. Escola é casa, casa de um tipo especial, que muitas vezes desvirtuam-se em prisões ou em senzalas... A Educação, principal ferramenta da Paz, torna-se objeto de opressão e de discriminação, porque o sistema é gerontocrático.

Sugerimos, então, algumas portas e chaves: parceria/revalorização, comunicação/respeito, reflexão/organização, flexibilidade/...., porta sem chave, pois a escola, em todos seus segmentos, continua carrancuda, reprovadora, ineficiente e discriminadora.

No percurso criamos um modelo básico para análise de revistas pedagógicas, até então inexistente, o qual está disponibilizado na dissertação.

Fizemos nosso trabalho sob a orientação do Professor Dr. Ubiratan D’Ambrosio, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1999, uma escola privada, o qual foi apresentado em 2000, no III Seminário Luso-Brasileiro de História da Matemática, em Coimbra, porque a academia pública não nos quis; uma delas nos disse que éramos muito velha e que as vagas eram reservadas para os jovens que poderiam produzir bons frutos, outra, que nosso projeto não era projeto. Todavia, como relato na Trajetória Pessoal Rumo ao Presente Estudo, nós, trabalhamos mais de trinta anos em escola pública básica estadual e outros trinta em municipal.

Toda vinheta que abre cada capítulo é de nossa autoria e procura dar conta desse percurso profissional de mais de setenta anos, embora não tenhamos essa idade. Esta é a razão do A Voz do Passado e a Memória dos Homens: Nenhum acadêmico chega onde está sem ter passado pela base. Nós somos professora alfabetizadora por opção e conhecimento.

Finalizando, sugerimos que procurem conhecer e ler o gibi O Figurinha Difícil” que, como tudo parece indicar, é de autoria do Professor Mario Tourasse Teixeira, o qual foi publicado em 1975, setembro, n o.9, um dos anexos. A dissertação tem 339 páginas e está ricamente documentada com anexos.

 
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