Voltar    
  O SIGNIFICADO DA LEITURA E DA ESCRITA NA FORMAÇÃO DO PSICANALISTA.

Maria Noemi de Araújo - DEME-UFSCAR e Clínica de Pesquisa em Psicanálise (CLIPP) - noemi.araujo@globo.com

Como é do nosso conhecimento, além da análise pessoal e do trabalho de supervisão, a formação do analista implica numa construção de um conhecimento (corpus) teórico. Não distante da experiência do poeta com as palavras à luz da sua cultura, sabe-se que tanto Freud como Lacan foram construindo suas teorias a cerca da psicanálise a partir de suas experiências clínicas (escutando, lendo, vendo e escrevendo). Além disso recorreram à literatura, filosofia, artes, linguagem e a própria ciência biológica, entre outras. Desse modo o corpus teórico da psicanálise exige um leitor ativo ou diabólico . Não dogmático, a posição desse leitor é de analisante no sentido de se permitir imaginar, interagir criativamente com as idéias e pensamentos, suportar o não saber, procurar significados, organizar suas questões, buscar a estranheza do texto. Diante da leitura de um poema como: “QUER VER?/Escuta” (Francisco Alvim,) o analista-leitor precisa “esquecer” as teorias para estranhá-lo, seguindo a trilha de Freud diante de um paciente novo ou de um impasse? Isso por crer na experiência e no pensamento psicanalítico como uma busca do que parece estranho, ou provoca estranheza. Causa nos estranheza quando Roberto Schwarz, em “O País dos Elefantes”, se refere a Alvim como o “poeta dos outros” cujo essencial da sua posição “cabe em poucas palavras”. E ainda, como uma leitura de um livro com tão poucas palavras, capaz de mobilizar Schwarz, ou o Espelho, conto de Machado de Assis, poderiam provocar estranheza num aluno do curso de formação em psicanálise, ou em um psicanalista?

 
Voltar