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  ENCONTRO DE NARRATIVAS: O PROGRAMA LEITURA E CIÊNCIA DO MUSEU DA VIDA

Carla Gruzman e Adriana M. de Assumpção - carlag@coc.fiocruz.br; assumpcao@coc.fiocruz.br - Museu da Vida / Casa de Oswaldo Cruz / FIOCRUZ

Antes de serem escritores, fundadores de um espaço próprio, herdeiros dos lavradores de outrora, porém, no solo da linguagem, escavadores de poços e construtores de casas, os leitores são viajantes; circulam pelas terras alheias, nômades caçando furtivamente pelos campos que não escreveram...
Michel de Certeau

A Leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados
Roger Chartier

I – Introdução

O que podemos dizer das cidades? A cidade pode ser retratada de diferentes maneiras. Numa primeira concepção podemos identificar o conjunto de habitantes, suas edificações na delimitação de tempo/espaço e as relações sociais e econômicas tecidas entre eles. Na contemporaneidade compreende ainda, uma complexa rede de interações formada pela diversidade da vida social e cultural, lugar de circulação de saberes e poderes, além de servir como cenário para o surgimento de sonhos e conflitos. A cidade é também das crianças e dos jovens. Daquelas e daqueles que moram em bairros ou em comunidades; que andam em bandos e precisam estar atentos a fronteiras invisíveis; crianças que brincam sozinhas em casa e outras que se divertem com os mais diferentes artefatos presentes no seu cotidiano; crianças e jovens que calam e outras que se manifestam nas escritas por aí – nas paredes da cidade. Em meio às intensas mudanças que estão ocorrendo no mundo, onde a idéia de globalização vem sendo apresentada como uma maior oportunidade de participação dos indivíduos na sociedade, observamos a convivência de realidades diversas, expressão da pluralidade social e cultural. Por tudo isso, pensar na Rosa de Hiroxima, poesia de Vinícius de Moraes, é também refletir sobre a necessidade de confrontar conhecimentos produzidos na cidade e que aparecem nas atuais antinomias, tais como: particular/global, acolhimento/distanciamento, esperança/desespero, pertencimento/exclusão, apropriação/mudez.
Deixamos marcas na cidade. Sinais que revelam a estreita ligação dos dias atuais com a história. No livro intitulado As Cidades Invisíveis o escritor Ítalo Calvino (2002) nos traz o fascínio que sente pelo simbolismo da cidade. Aborda a singularidade de cada uma delas aos olhos do viajante Marco Pólo que, por sua vez, ocupa-se em apresentá-las situando-as no imenso império do conquistador mongol Kublai Khan. Zaíra é a escolhida para falar sobre As Cidades e a Memória. O viajante afirma ser inútil descrevê-la. Continua sua narrativa ponderando que se para uns a cidade constitui-se de ruas, pórticos, tetos recobertos de zinco e palácios, no seu entendimento a cidade é feita das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado: a distância do solo até um lampião e os pés pendentes de um usurpador enforcado, o fio esticado do lampião à balaustrada em frente e os festões que empavesavam o percurso do cortejo nupcial da rainha... os rasgos nas redes de pesca e os três velhos remendando as redes, que, sentados no molhe, contam pela milésima vez a história da canhoneira do usurpador, que dizem ser o filho ilegítimo da rainha abandonado de cueiro ali sobre o molhe. Assim, por meio de diferentes textos, Calvino expõe a dificuldade de retratar a complexidade das cidades apresentando somente as suas linhas geométricas. Em sua narrativa evidencia as alegrias e tristezas, as diferentes épocas, os símbolos, as várias histórias presentes em cada canto e nos objetos, os conflitos e esperanças, a relação entre os grupos, enfim, as intrincadas relações humanas que se fazem presente.
Se a literatura nos evoca a reflexão por meio da imaginação, as considerações do geógrafo Milton Santos (2000) sobre a dimensão histórica do desenvolvimento das cidades nos levam por outros caminhos. O autor entende que o atual processo de globalização é excludente e esclarece que a distorção da noção de tempo e espaço criou uma falsa impressão de igualdade, onde os indivíduos teriam a mesma oportunidade de participação como se todos tivessem acesso aos avanços da ciência e da técnica. Argumenta ainda que somente a partir de uma outra percepção deste universalismo, que admita a instabilidade do momento atual, as mudanças permanentes, o enfeixe das contradições presentes na realidade e que contenha as condições de transformações ainda não previstas, será possível iluminar o caminho para a disseminação de ideais mais democráticos e participativos.
Por outro lado, a cidade também se constitui de bens culturais, concretos e simbólicos, que originam o patrimônio cultural de determinada localidade. Como um fluxo dinâmico, orientado por determinados valores e interpretações, a cada época a compreensão de patrimônio cultural é redefinida. Ao tratar da herança cultural de diferentes lugares em todo o mundo, a Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura – UNESCO – destacou, em relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas (2001), a importância de proteger e promover, tanto os aspectos tangíveis quanto os intangíveis dos povos. Referindo-se não somente aos aspectos físicos/materiais, como também às manifestações contidas nas tradições, nos saberes, nas línguas, nas festas, enfim, em várias formas de conhecimento transmitidas, recriadas coletivamente e modificadas ao longo do tempo. Com esta declaração ampliou as possibilidades de resguardar e dar continuidade às manifestações de determinadas comunidades e promover a re-ligação destas com a sua história e identidade.
O acesso aos bens culturais diz respeito a todos nós educadores. Com relação ao acesso à leitura e à escrita, podemos dizer que durante milhares de anos estes bens culturais foram monopolizados pelas elites e inalcançáveis para a grande maioria da população. A apropriação da leitura e da escrita se dá no contato permanente com o material escrito e de qualidade; na variedade dos modos de ler; na compreensão e familiaridade com os suportes utilizados; e no usufruto dos lugares dedicados à leitura, que por sua vez, vão sendo modificados e reinventados de acordo com o contexto histórico e social em que se inserem.
O foco deste trabalho volta-se para as práticas de leitura, mais especificamente para as ações que envolvem a leitura literária e a formação de leitores no âmbito de um espaço não-formal de educação – o museu de ciências. Apresenta a constituição do Programa Leitura e Ciência no contexto do Museu da Vida – seus objetivos, metodologia e organização –, assim como busca destacar algumas das narrativas, que integram o momento do debate do evento mensal, onde participam pesquisadores, o grupo de contadores de histórias e o público visitante.

II – Práticas de Leitura e Educação Não-Formal

A preocupação com a leitura e a formação do leitor tem sido expressa ao longo dos últimos anos, tanto no âmbito escolar, a partir de diferentes ações que integram professores, pais e alunos, quanto na esfera da educação não-formal, onde iniciativas preciosas buscam alcançar leitores de diferentes faixas etárias, grupos com interesses específicos e comunidades de um modo geral.
No campo da educação formal os estudos abordam os saberes envolvidos no cotidiano do ensinar e aprender, as múltiplas linguagens que permeiam as práticas de leitura e as diferentes dimensões que atuam na difusão da literatura e formação do seu público, entre outros (Lajolo, 2002; Paiva, 2003; Soares, 2003). Em outra esfera de ação, iniciativas preciosas de incentivo à leitura promovidas pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/FNLIJ e PROLER/Biblioteca Nacional, buscam alcançar leitores de diferentes faixas etárias, grupos com interesses específicos e comunidades de um modo geral (Serra, 1999).
Agenciais internacionais como a UNESCO também tem contribuído com estas reflexões. Novos delineamentos do campo da educação discutem ferramentas e conteúdos essenciais para a aprendizagem, assim como os valores e atitudes para viver e desenvolver a capacidade humana no mundo atual. As diretrizes e recomendações geradas por estas organizações apontam não somente para a erradicação do analfabetismo como prioridade máxima, mas também buscam garantir principalmente a educação continuada para todos e por toda a vida (Delors, 1998; Morin, 2000).
A relevância do ato de ler não está relacionada somente à capacidade de reconhecer palavras e decodificar determinados caracteres. Muito além dessa possibilidade, a leitura se relaciona à capacidade de atribuir sentido aquilo que se lê. Numa visão mais ampla, ler é compreender e interpretar o ambiente que nos cerca, o mundo em que vivemos, a partir das informações obtidas ou diante dos acontecimentos do dia-a-dia e com isso participar de forma mais crítica e plena na sociedade (Freire, 1983). Estes atributos relacionam a formação do leitor ao exercício da cidadania. Assim, promover a leitura é poder compartilhar com o outro não somente os aspectos estéticos e afetivos do gosto pela leitura, que deixam nossos olhos brilhando, mas também agir de maneira ativa no desenvolvimento dos aspectos cognitivos que se relacionam ao conhecimento, possibilitando o desenvolvimento da capacidade de análise e de crítica.
A partir deste contexto surgem algumas questões: a quem cabe a tarefa de promover a leitura? Que contribuições um museu de ciências pode trazer para este debate? Que ações podem favorecer o gosto pela leitura? Como potencializar o diálogo entre a literatura e a ciência? Será o museu um local próprio para estas reflexões?
O museu é atualmente reconhecido por sua missão cultural, que une as funções de preservar, conservar, pesquisar e expor, às práticas educativas. O compromisso de colocar-se a serviço de uma sociedade em constante transformação orienta os trabalhos desenvolvidos, a fim de sensibilizar os indivíduos sobre o seu patrimônio cultural, universal e local e empreender um diálogo constante com os diferentes públicos que o freqüentam. Desta maneira, o museu volta-se também para a diversidade de expressões culturais no interior de cada comunidade, orientando suas ações visando um mundo plural.
A profissionalização do museu e as práticas museológicas que se firmaram no decorrer do desenvolvimento destas instituições impulsionaram uma série de iniciativas de âmbito internacional para a constituição de órgãos que dispõem sobre as suas atividades: o Conselho Internacional de Museus – ICOM – está entre eles. Sua finalidade é norteada para a promoção e desenvolvimento tanto institucional como da profissão museal, conduzindo as suas ações a partir de uma museologia pautada no desenvolvimento social.
Os debates mais recentes do ICOM mostram que suas preocupações não se restringem às funções e organicidade da instituição museal. Suas atenções voltam-se, também, para os conceitos com os quais o museu vem trabalhando, visando uma maior interação com o contexto social e com o patrimônio cultural (Studart et al, 2002).
Caminhando neste mesmo sentido, as conferencias anuais do Comitê Internacional para Ação Educativa e Cultura – CECA/ICOM – constituem-se como importantes fóruns de discussão, estratégia de atualização e intercâmbio profissional. Segundo o texto elaborado pelo CECA/Brasil para a Conferência Anual na cidade de Nairobi, no Quênia em 2002, destaca-se a preocupação com o binômio inclusão-exclusão social no que diz respeito à instituição museal: como organização cultural, tanto pode executar um papel numa rede de elementos excludentes ou, por oposição, servir de ferramenta para a inclusão social. Neste sentido, postula que o espaço museal deve se voltar para a participação ativa dos indivíduos e para o compromisso de uma ação educativa transformadora (Studart et al apud Aidar, 2002).
No Brasil, um importante passo foi dado ao se aprovar em 2003 as bases para uma Política Nacional de Museus. De acordo com o documento sua implementação deve ter como premissa a democratização do acesso aos bens culturais produzidos, bem como a democratização dos dispositivos de estímulo e incentivo à dinâmica de produção de bens culturais representativos de diferentes grupos sociais e étnicos, de diferentes regiões e localidades existentes no País (Departamento de Museus e Centros Culturais, 2005).
No cumprimento desta missão, os museus buscam oferecer um variado leque de oportunidades para explorar suas exposições e espaços museográficos, propondo à audiência atividades para os diferentes públicos que o freqüentam (estudantes, professores, famílias, especialistas, pesquisadores, comunidades etc.). Reconhecidos como espaços de educação não-formal, os museus são considerados como locus privilegiado para a aproximação entre os aspectos afetivos, cognitivos, sensoriais, do conhecimento concreto e abstrato, bem como da produção de saberes.
A educação não-formal, tal qual a educação formal, tem como função a socialização do indivíduo, mas se diferencia desta última na forma como são aplicados seus objetivos. Atualmente, no museu de ciência, as ações educativas visam oferecer distintas formas de comunicação, colocam à disposição informações sobre o patrimônio cultural, favorecem a relação de diálogo entre educador/educando, buscam instigar a curiosidade e o deleite do público visitante e almejam o debate sobre ciência e cotidiano. Neste sentido, várias práticas direcionadas à educação e à divulgação científica vêm sendo empreendidas junto ao público infanto-juvenil - a articulação entre leitura, literatura e ciência pode estar entre elas.

III – O Museu da Vida

O Museu da Vida integra a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ -, instituição vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil, que desenvolve ações na área da ciência e tecnologia em saúde.
O Museu da Vida tem por objetivo informar e educar em ciência, saúde e tecnologia de forma lúdica e criativa, garantindo o acesso do público a seus espaços museológicos, por meio de exposições temporárias e itinerantes, atividades culturais, multimídias, teatro, vídeo, jogos etc. Visa ainda o desenvolvimento de atividades de ensino, formação e capacitação de recursos humanos e atividades de pesquisa em suas áreas de competência. Por ser um Departamento da Casa de Oswaldo Cruz , o Museu assume características únicas, refletindo a cultura, a missão e o compromisso social da instituição. Seus temas centrais são a vida enquanto objeto do conhecimento, saúde como qualidade de vida e a intervenção do homem sobre a vida.
Localizado no campus da FIOCRUZ no bairro de Manguinhos – Zona Norte do município do Rio de Janeiro, o Museu situa-se numa área verde às margens da Avenida Brasil. Esta região é rodeada por bairros populares que formam o Complexo de Manguinhos e o Complexo da Maré. Área densamente habitada e conhecida por sua situação de alto risco social, concentra ainda grande número de escolas públicas que atendem ao ensino fundamental e médio, subordinadas às Secretarias Municipal e Estadual de Educação.
Nos idos da década de 1990, a comunidade da FIOCRUZ deliberou a favor da criação de um museu de ciência e tecnologia a ser implementado no campus de Manguinhos. Tal iniciativa foi respaldada pelo conjunto de atividades que a instituição já vinha desenvolvendo no campo da divulgação e educação em ciências. De modo que a idéia central desta resolução foi sistematizar e ampliar as diferentes ações empreendidas, buscando estruturá-las e organizá-las em torno de um espaço museológico. (Fundação Oswaldo Cruz, 1994).
A aprovação do projeto do Espaço Museu da Vida (como foi nomeado inicialmente) deu início ao desenvolvimento de seus espaços museográficos, constituído por áreas temáticas, visando à integração de diferentes campos do conhecimento. A inauguração do Museu da Vida ocorreu em 25 de Maio de 1999, data na qual a Fundação Oswaldo Cruz iniciou as comemorações de seu centenário (1900-2000). Atualmente, o circuito de visitação do Museu da Vida integra o Centro de Recepção, destinado a informar e orientar o visitante, e quatro áreas de exposição permanente: a Biodescoberta, que aborda o conhecimento científico a respeito da vida e da biodiversidade; o Parque da Ciência, que discute a energia, a comunicação e a organização dos fenômenos vitais; o Ciência em Cena, dedicado à articulação entre os campos da arte e ciência e o Espaço Passado e Presente, voltado para a história institucional e para a arquitetura do Castelo Mourisco – parte do conjunto de construções históricas da FIOCRUZ. Compreendendo um total de 25.000m2, ocupa diferentes edificações e espaços do campus de Manguinhos.
No que tange aos aspectos pedagógicos, as atividades do Museu tomam por base os trabalhos do Centro de Educação em Ciências - CEC. Mesmo antes da inauguração de seus espaços expositivos, o Museu da Vida já contava com o setor. Concebido como área de articulação de saberes da pedagogia museal, contribui para promover a integração dos diferentes espaços temáticos do Museu da Vida na realização de suas atividades.
Inicialmente responsável pela construção da unidade pedagógica do Museu e por atividades de educação continuada para professores e alunos do curso de formação de professores , o Centro de Educação em Ciências hoje tem como missão (Fundação Oswaldo Cruz, 2002):

1) Implementar, subsidiar e avaliar as diretrizes pedagógicas do Museu da Vida, atuando como promotor de intercâmbio e reflexão conjunta entre os diversos espaços e áreas do museu, contribuindo para a formulação, a realização e a avaliação de suas atividades educativas;
2) Formar e capacitar quadros, no âmbito de suas competências, para a atuação neste Museu;
3) Desenvolver a articulação com o sistema formal de educação, propondo, implementando e avaliando as atividades e produtos destinados ao público docente e discente;
4) Produzir conhecimento na sua área de competência;

Além destas atribuições, o Centro de Educação em Ciências também é responsável pela condução e desenvolvimento da Biblioteca do Museu.

IV – O Programa Leitura e Ciência

A proposta do Programa Leitura e Ciência surge da iniciativa do Centro de Educação em Ciências do Museu da Vida em sensibilizar e fundamentar a sua equipe de profissionais para o desenvolvimento de atividades voltadas à promoção da leitura, a partir da literatura.
A intenção de entrelaçar as práticas de leitura e, mais especificamente, o texto literário com as temáticas da ciência e da saúde, implica em desfrutar com outros a convivência com textos variados, e, ainda, trazer para a discussão temas de interesse geral do público que necessitam ser questionados para serem melhor compreendidos. Ler e contar histórias instiga a imaginação e a curiosidade, agrega pessoas e suscita uma gama de emoções em quem as ouve ou as lê. No decorrer do encontro, desperta interesses, favorece a troca de idéias, permite identificar questões relevantes e contribui para melhor compreender o mundo que nos cerca, base para a formação de um leitor. No Museu de Ciências, este processo busca fomentar o debate sobre ciência e cotidiano com os visitantes. Ancorado nas atividades voltadas à divulgação e educação em ciências propostas pela instituição, transforma-se numa estratégia educativa. (Gruzman et al, 2004)
Este Programa integra um dos eixos de atuação do Centro de Educação em Ciências designado como Linguagens, Processos e Produtos e direcionado, mais especificamente, para a elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de atividades centradas na mediação cultural. O Programa estrutura-se em três linhas de ação: 1) Participação da equipe de Contadores de Histórias nas atividades do Museu da Vida; 2) Formação e capacitação de mediadores em leitura; 3) Pesquisa sobre leitura e ciência em contextos de educação não-formal. Sua proposta de trabalho baseia-se na articulação entre literatura infanto-juvenil e ciência a partir das temáticas relacionadas à saúde e ambiente contempladas pelo Museu e pela Fiocruz.


Participação da Equipe de Contadores de Histórias nas Atividades do Museu da Vida

O Programa Leitura e Ciência, hoje, conjuga as demandas identificadas pelo Circuito de Visitação do Museu à orientação pedagógica do Centro de Educação em Ciências, reunindo os seguintes grupos de atividades:
? Histórias no Fim de Semana – integram o conjunto de atividades que abordam arte e ciência previstas para ocorrer a cada terceiro sábado do mês. O fio condutor da atividade está pautado na possibilidade de articular literatura, ciência e cotidiano a partir de temáticas que se relacionam aos conteúdos gerais de nossa instituição – ciência, saúde e tecnologia. Sua concepção consiste na formação e atuação de um grupo de contadores de histórias que aborda o tema em destaque; a contribuição de um pesquisador que traz o depoimento sobre o seu trabalho cotidiano; seguido de um momento de debate com o público e a presença de todos os participantes.
? Eventos Especiais – os contadores de histórias participam de eventos na própria FIOCRUZ como o Dia D de Combate à Dengue, Dia das Crianças no Museu, Paixão de Ler, Fiocruz prá você, Aniversário do Museu, Dia do Meio Ambiente, Alimentação Saudável, Genes no Parque, Aniversário do Instituto Fernandes Figueira, etc. O público desses eventos é composto principalmente por moradores das comunidades do entorno da FIOCRUZ. Além de eventos externos como Tudo ao mesmo tempo no Rio (4ª CRE/ Prefeitura do Rio), Natal no Hospital Geral de Bonsucesso.
? Atuação nas Exposições Itinerantes – em algumas exposições a equipe do Programa Leitura e Ciência é solicitada a elaborar uma estratégia pedagógica, com a participação dos contadores de histórias, visando a temática central da exposição. Em 2003 os Contadores participaram da Exposição Dengue (inaugurada no Centro Cultural da Saúde), além de realizar um mini – curso para mediadores em leitura oferecido aos monitores da exposição. No mesmo ano, com a exposição Baleia à Vista a participação da equipe do Programa deu-se em dois momentos: primeiro na concepção de um módulo interativo (composto por dois expositores interativos de poesia) visando a articulação de textos literários com a temática da exposição e depois com uma programação dos Contadores de Histórias – Na Onda das Baleias – destinada a tratar do tema e com apresentações durante o período de quatro meses.
Projetos em fase de implementação
? Era uma vez – programa de rádio que irá ao ar pela Rádio Maré-Manguinhos (ainda em caráter experimental) transmitindo para as comunidades da Maré e Manguinhos histórias selecionadas para integrarem os eventos dos Contadores de Histórias do Museu da Vida.
? Biblioteca Móvel – A idéia de uma Biblioteca Móvel nasceu do desejo de facilitar o acesso aos livros de literatura infanto-juvenil para o público que participa da programação dos Contadores de Histórias do Museu da Vida. Esta iniciativa irá contemplar tanto os eventos que acontecem no campus de Manguinhos, quanto àqueles realizados em parceria com outras instituições. A Biblioteca Móvel compõe-se de um armário para guarda, exposição e transporte de livros e jogos.

Encontro de Narrativas

Interessa-nos aqui abordar um dos eixos de atuação do Programa Leitura e Ciência, que caracteriza-se pela atuação do Grupo de Contadores de Histórias do Museu da Vida no evento mensal de final de semana. Algumas questões nortearam a elaboração e desenvolvimento da proposta do trabalho: Qual seria o fio condutor da atividade? Como se daria a identificação do repertório de histórias a ser selecionado? Como viabilizar a comunicação com o público no intuito de propiciar um espaço para o diálogo?
No planejamento anual dos Contadores de Histórias no Museu da Vida realizado pelo Centro de Educação em Ciências, buscamos apontar as temáticas a serem desenvolvidas no período, assim como os possíveis pesquisadores-colaboradores. Contudo, a construção da agenda é feita com certa flexibilidade, a fim de permitir a incorporação de novos temas identificados pelo Museu ou sinalizados pela própria Fiocruz no decorrer do ano.
A cada mês, a equipe responsável planeja, produz, e avalia as atividades. Num primeiro momento, buscamos, na literatura, uma variada gama de textos (contos, poesias, lendas, cordel, crônicas etc.) que se relacionam com o tema do mês. Estes são lidos, saboreados e analisados, de maneira a focalizar os principais aspectos abordados. Em uma ação coordenada, voltamos nossos esforços para identificar e contactar os pesquisadores que venham a contribuir no evento. Somente após a definição do pesquisador e sua área de atuação é que escolhemos o grupo de histórias a serem contadas.
Segundo a metodologia desenvolvida no Programa Leitura e Ciência, as histórias contextualizam a temática, favorecendo a inclusão de diferentes olhares e pensamentos sobre o assunto. Por exemplo, quando organizamos a temática Águas de Março, para falar da importância do saneamento básico, nos permitimos trazer Enchente de Cecília Meireles para abrir a programação – quando a tempestade se forma no céu, o coração da gente fica apertado de preocupação com as crianças e familiares que ainda estão na rua. A sensibilidade da poetisa nos coloca no clima do aguaceiro. A Prova D´água de Moacyr Scliar, fala de forma bem humorada sobre aquela fase do garoto em que odeia tomar banho. Aproveita também para contar como o banho surge em determinado período como símbolo de status, possibilitando ao pesquisador relacionar a história à sua prática profissional.
Em seguida apresentamos Gotuchinha, conto de Carolina Salles (integrante do grupo e bolsista de graduação) e Um Pipi Choveu Aqui, de Sylvia Orthof. Ambas as histórias vão tratar do ciclo da água. O ritmo leve, trazendo a perspectiva do aluno na aula de ciências, faz com que o texto de Orthof seja muito bem acolhido por ouvintes de todas as idades. Ao final, oferecemos um contraponto ao tema com o ABC do Nordeste Flagelado, onde o cordel de Patativa do Assaré evoca nossa imaginação descrevendo as dificuldades da vida no sertão nordestino.
A experiência de contar com a participação de pesquisadores de diferentes Unidades da Fundação Oswaldo Cruz tem sido bastante enriquecedora para todos. Especialistas em sua área de atuação possuem vasta experiência profissional no tema indicado. Alguns trabalham ou já trabalharam com grande público, mas todos buscaram uma forma particular de aproximação no relato de sua experiência, seja trazendo imagens ilustrativas, objetos, folders explicativos, música ou mesmo dramatizando situações. Muitas vezes o próprio pesquisador traça algumas relações entre as histórias contadas e o seu campo de atuação, de maneira a estabelecer um diálogo inicial entre fantasia e realidade, sublinhar os impasses apresentados ou destacar aspectos de um personagem. O depoimento sobre o exercício de sua prática cotidiana tem contribuído para ampliar o diálogo sobre os aspectos da ciência e cotidiano, colaborando também com a democratização do saber científico.
Em todos os eventos que o grupo de Contadores de Histórias realiza, os livros estão sempre presentes. Não somente aqueles que integram o conjunto de histórias contadas, mas outros livros que podem despertar interesse entre os diferentes assuntos abordados. Acreditamos que esta é uma forma de ampliar o contato com livros variados, e permitir também que o público participante busque por estes ou outros livros nos diferentes espaços dedicados à leitura. Em alguns relatos observamos tanto o interesse do público, quanto o pouco conhecimento da literatura a respeito de determinada temática. Outras vezes colhemos depoimentos afetivos declarando como pode ser prazeroso ouvir alguém ler uma história, um poema, um conto ou uma crônica. Percebe-se a importância do uso do livro como principal componente do ato de contar histórias. Aqui o livro representa o elemento de grande importância nesse processo e isso é ressaltado a partir de uma leitura dramatizada e, não de teatralização do texto. Tão importante quanto ler um texto corretamente, segundo as regras gramaticais, é preciso senti-lo verdadeiramente, para que esse ato passe de simples leitura para um ato de “saborear” cada palavra do texto lido.
Elaboramos também uma filipeta informativa que é entregue ao público. Nela consta o tema do mês, as histórias com seus respectivos autores, o nome de cada mediador de leitura, a identificação do pesquisador convidado e o seu tema específico. Esta apresentação permite que, ao final do debate, todos possam encontrar nos livros disponíveis as histórias de maior interesse.
O público nos finais de semana é composto principalmente de famílias com filhos, crianças ou jovens. Recebemos também alguns grupos organizados de escolas, grupos de turismo, grupos religiosos e grupos de idosos. As intervenções durante o debate partem tanto do público infantil quanto dos adultos. A partir das gravações dos debates e das observações realizadas durante os eventos, podemos perceber que a participação do público acontece de maneira muito espontânea e, inúmeras vezes, registramos o interesse das crianças presentes, tanto quanto dos jovens e adultos, dependendo do assunto tratado.
Uma conversa recorrente entre os pesquisadores e o público diz respeito à curiosidade que as pessoas têm a respeito do Castelo Mourisco, que pode ser visto da Avenida Brasil. Algumas relatam que descobriram há pouco tempo que o Castelo é aberto à visitação e se constitui também numa das áreas temáticas do Museu da Vida. Assim afirmam que, num primeiro momento, vem conhecer o Museu levados pela curiosidade em torno do Castelo, com um misto de encantamento e curiosidade devido a mitificação em torno desse prédio – representado como símbolo da ciência e lugar de importantes pesquisadores.
Tema do Evento: Castelos e suas Histórias (em 15.05.04)
– Pesquisador L. T – Quando eu era pequeno, quando eu ia com meu pai na cidade, eu passava pela Avenida Brasil e via de longe e perguntava pro meu pai o que era aquele castelo. E ele respondia: - Não sei, é um castelo. E eu ficava curioso. (....) Em 1904 Oswaldo Cruz mandou construir o castelo onde ele iria trabalhar. Na época em que o castelo começou a ser construído o tipo de arquitetura era diferente da de hoje. Ele se chama Castelo Mourisco, porque ele tem uma arquitetura típica de uma região da Espanha onde os árabes, quando passaram pela Espanha, deixaram aquele tipo de arquitetura. Ele é muito parecido com um castelo espanhol chamado Alhambra.
– H. 42 anos – Eu vim aqui por que meus filhos vieram com a escola e gostaram, então eu voltei aqui hoje. Eu queria saber por que vocês não fazem uma divulgação para abrir para o público. Por que é super interessante, a paisagem é linda, porque não divulgam mais para o público?

Observamos que o momento de apresentação para o público cria grande expectativa no pesquisador. Inicialmente alguns pensam em se apresentar como palestrantes, mas após os encontros com a equipe, se estruturam para uma apresentação mais informal. Em várias ocasiões os convidados optaram por se apresentar falando um pouco sobre sua trajetória pessoal e o que o levou a seguir tal carreira ou como trilhou seu caminho até ali.
Tema do Evento: Águas de Março (em 20.03.04)
– Pesquisadora R. – Eu nasci em Pindamonhangaba, acho que as crianças ouvem essa palavra em programas de comédia, mas eu nasci em Pindamonhangaba, que fica no Vale do Paraíba. Nasci às margens de um rio que na época que eu nasci, em 1959, era um rio que ainda não estava contaminado. Quer dizer, a água sempre esteve muito presente na minha vida e eu entre 5 ou 6 anos de idade eu fui morar em Mato Grosso, numa cidade chamada Aquidauana, que fica no Pantanal. Sempre estive rodeada de água, e de água limpa. Nunca durante essa vivência minha toda, apesar de vir de uma família humilde, eu nunca tive necessidade de pensar sobre viver sem água. Pra mim a água estava presente na minha vida, então pensar que as pessoas podem não ter água e que isso é uma necessidade fundamental para ter saúde foi o que me mobilizou a fazer as pesquisas que faço hoje. Atualmente trabalho no Departamento de Endemias Samuel Pessoa, que pesquisa as doenças transmissíveis (...) O meu papel é buscar entender a relação que existe entre a ausência de água de boa qualidade, a ausência de serviços para a população e o fato de estar ocorrendo determinadas doenças.
Surgiram inúmeras perguntas:
– Quem manda a chuva? (G., menino de 5 anos)
– Como a chuva vira gelo? (M., menino de 5 anos)
– O que acontece com a sujeira dos esgotos? (M., menino de10 anos)
– Como surgiu a idéia de que antigamente a água penetrava no homem e causava aquela doença? (G., menino de 11 anos)
– Gostaria de saber se os poluentes retidos com as nuvens, quando cai a chuva, se eles são devolvidos a nós? (S., 30 anos)
– Eu queria saber como a gotinha foi parar no oceano de novo. Porque quando agente faz pipi, a gotinha ela fica no vaso, como ela voltou para o oceano? Eu queria saber isso. (A. C., menina de 10 anos)

As perguntas e o interesse do público também podem variar segundo o tema escolhido. Algumas temáticas suscitam muitas perguntas por estarem aparecendo na mídia, outras por afinidade com problemas comuns a muitas pessoas. A maneira pela qual determinados assuntos são abordados possibilita ao público uma percepção mais clara das relações entre ciência e cotidiano. A utilização de exemplos bem contextualizados e/ ou relacionados a fatos que aconteceram recentemente também é um dos artifícios utilizados pelos pesquisadores para que seu discurso seja mais compreensível.
Tema do Evento: Curiosidade leva aonde? (em 17.07.04)
– Professor S .O.– Pediram que eu contasse algumas coisas aqui para vocês, embora eu prefira o diálogo, prefiro que vocês perguntem coisas e eu respondo. Mas se eu fosse vocês, uma das perguntas que eu faria era como é que eu comecei a trabalhar com insetos. (...) eu queria contar umas duas ou três curiosidades sobre os insetos, e uma delas é a seguinte: algum de vocês viu o programa da tv Globo, ou Faustão ou Fantástico, que trouxe uma notícia que na cidade de Nova York estavam aparecendo milhares de cigarras? Eram milhares de insetos que estavam assustando o pessoal, invadindo as casas, aquela coisa toda... Essa cigarra que existe no EUA, tem o nome popular de “Cigarra dos 17 anos”. Sabem porquê? Por que ela só aparece de 17 em 17 anos.
– Porque a cigarra canta? (R.,menina de, 9 anos)
– Professor S .O.– É uma boa pergunta. Quem canta é o macho. O macho está atraindo a fêmea, então ele canta para dar a posição de onde ele está, assim a fêmea voa até onde ele está.
– R. 38 anos – Prazer em conhecê-lo... na minha infância eu morei na roça e brinquei com muita cigarra e ficava curioso, pois de vez em quando eu via uma cigarra encascada na árvore e eu nunca tive uma explicação o porquê... algumas vezes já me disseram que ela encascava pra poder voltar, voltar a vida numa outra vida sei lá eu... não entendia muito bem.
– Porque o vaga-lume acende? (F., menina de 4 anos)
– Na minha escola meus colegas dizem que o grilo muda de cor. É verdade? (R., menino de 9anos)

Tema do Evento: Confabulando com Saúde (em 16/08/2003)
– Pesquisadora M.B. – Vocês entendem o que é estresse? Já ouviram falar ? Hoje as pessoas estão mais interessadas em ver a doença, mas há doenças que não põem ser vistas, doenças do psíquico, da alma. Dizem que a pessoa deu piti ou mesmo que está doente dos nervos. Hoje as pessoas sofrem por problemas como a falta de trabalho e dinheiro, o que acaba por influenciar diversas situações do cotidiano.
– Criança tem estresse quando briga com o irmão... (menina da platéia).

No momento do debate, algumas pessoas aproveitam para tratar de questões relacionadas à sua experiência pessoal com a leitura, outros para discutir com o (a) pesquisador (a) questões polêmicas relacionadas à leitura. Nesse sentido, sempre surgem questionamentos a respeito do estímulo à leitura por parte dos pais e da família, a maneira como a leitura é tratada na escola e como nós, do Museu da Vida, buscamos apoiar e realizar ações de promoção à leitura. Outra questão recorrente é a dificuldade em fazer com que crianças e jovens leiam, quando existem tantos outros estímulos relacionados com recursos da mídia e da tecnologia.
Tema do Evento: Rachel com Vida (Semana do Paixão de Ler em 20.11.04)
– Pofissional de Museu, A. P. Eu tenho vários sobrinhos e eu escuto muito por aí, que menino não gosta de ler, não gosta de histórias, porque as histórias são só sobre princesas ou sobre natureza, mas têm todo tipo de histórias: histórias de princesa, de natureza, história de monstros, cada um tem que descobrir o tipo de história que gosta e o tipo que gosta de escrever ou contar, seja uma história de princesa, de monstro, o importante é você descobrir o tipo de história que você quer ler ou contar.

Em nossas avaliações relacionamos comentários sobre as histórias, dúvidas sobre a postura de personagens, posicionamentos afetivos, questões sobre o trabalho do pesquisador, perguntas sobre situações-problema, informações em geral. Buscamos no momento do debate relacionar cultura, ciência e cotidiano a partir das questões levantadas, a fim de favorecer a troca de conhecimentos entre os participantes.

V – Considerações Finais

Este estudo apresenta a leitura a partir de uma visão ampliada, que vai além da decodificação de palavras, encontrando nas experiências cotidianas a sua principal significação. Neste sentido, o ato de ler propicia uma ação criadora, pois permite a crianças e jovens relacionar fantasia e realidade. A leitura crítica implica numa participação ativa dos sujeitos que, num movimento constante, atribuem novos significados ao ambiente e a si próprios, favorecendo a sua participação no contexto social.
A proposta de elaboração do evento do grupo de Contadores de Histórias no Museu da Vida vem ao encontro destas proposições. A organização das atividades a partir de temas facilitou a convergência dos debates e potencializou a troca de idéias entre o público, pesquisadores e os contadores de histórias. Desta forma, ressaltamos o papel do Museu da Vida como espaço singular para o desenvolvimento de programas voltados para a promoção da leitura e da educação em ciência.
Os museus de ciência podem se caracterizar como importante espaço para as práticas de promoção à leitura, instigando a curiosidade, a reflexão do público visitante e colaborando também com a democratização do saber científico. Se entendemos com Chartier (1999) que leitura é apropriação, invenção, produção de significados, esperamos que esses leitores, possam se “apropriar” dos diferentes temas da literatura e da ciência, de modo a favorecer a sua participação nas discussões que envolvam ciência e cotidiano. Que possam ser caçadores que percorrem terras alheias (Chartier apud Certeau, 1999) a fim de encontrar suas próprias respostas, mesmo que cercados por limitações impostas pela sociedade.

VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALVINO, I. (2002). As Cidades Invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras

CAVALLO, G. & CHARTIER, R. 1999. História da Leitura no Mundo Ocidental. São Paulo: Ática, 1999.

CHARTIER, R. 1999. A Aventura do Livro – do leitor ao navegador. São Paulo: UNESP.

DELORS, J. 1998. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo: UNESCO/MEC/Cortez.

DEPARTAMENTO DE MUSEUS E CENTROS CULTURAIS, 2005. Política Nacional de Muse us – Relatório de Gestão 2003/2004. Ministério da Cultura / IPHAN / DEMU.

FREIRE, P. 1983. A importância do ato de ler. São Paulo: Autores Associados; Cortez.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. 1994. Casa de Oswaldo Cruz. Projeto de Criação do Espaço Museu da Vida. Rio de Janeiro. mimeo.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. 2002. Casa de Oswaldo Cruz. Relatório Museu da Vida. Rio de Janeiro. mimeo.

GRUZMAN, C. et al. 2004. Relatório do Programa Leitura e Ciência. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz/Casa de Oswaldo Cruz/Museu da Vida. mimeo.

LAJOLO, M. 2002. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Editora Ática.

MORIN E. 2000. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO.

PAIVA, J. 2003. Literatura e Neoleitores Jovens e Adultos – Encontros possíveis no currículo? In Paiva, A.; Martins, A.; Paulino, G.; Versiani, Z (Orgs). Literatura e Letramento: Espaços, Suportes e Interfaces – o jogo do livro. Belo Horizonte: Autêntica.

SANTOS, M. (2000) Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. p. 17-36. Rio de Janeiro: Record.

SERRA, E. D.;1999. O Direito à Leitura Literária. In A Formação do Leitor: Pontos de Vista Prado, J. e Condini, P. (Orgs). Rio de Janeiro: Editora Argus.

SOARES, M. 2003. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica.

STUDART, D.C et al. 2002. Educação em Museus: produto ou processo? Documento do CECA-Brasil para a Conferência Anual do CECA. Nairobi, Quênia.

UNESCO. 2001. Relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas. Resolução 56/8, adotada em 21 de Novembro. Proclamação: 2002 – Ano Internacional das Nações Unidas Para a Herança Cultural.

 
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