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  PRODUÇÃO CIENTÍFICA NA GRADUAÇÃO DE DIREITO E LETRAS

Gilkerson Pequeno Bandeira - UFCG- Universidade Federal de Campina Grande

Todo o esforço para a conclusão de uma graduação é louvável, pois se enfrenta obstáculos durante o decorrer de 5 anos, em média, desde a falta de recursos financeiros até a pouca estrutura das universidades, essa luta diária faz com que o aluno tenha o curso como uma barreira a ser vencida e não como um passo para o seu crescimento intelectual. Os alunos do curso de Direito e a graduação não fogem as regras implantadas pelo sistema, de forma que as problemáticas refletem na conclusão do curso. A realidade dos cursos aos quais cederam nossa pesquisa é a da preparação para o concurso da OAB e a busca do concurso público, que transforma a graduação em um "pré–vestibular", o que deforma seu verdadeiro papel que é a busca do conhecimento científico.No afã de finalizar o curso e sem o preparo intelectual necessário o aluno recorre a todos os meios possíveis para concretizar seu "sonho" e um deles é que o seu trabalho monográfico de conclusão seja apenas uma formalidade e esse posicionamento tem como norte tornar a monografia um objeto sem valor para que ele, aluno, possa "escrever" um trabalho monográfico a partir de outros, sem realizar pesquisa, sem conhecer o que está escrevendo, e ao mesmo tempo cumprir a exigência curricular. O grave é que na nossa pesquisa detectamos que há trabalhos nos quais pode se ver, de forma grosseira, que é um trabalho plagiado e tão despreparado é o plagiador que no “tira daqui, bota pr’ali” ele deturpa a idéia do autor original e noutras, assumidas como há casos em que o aluno, logo na introdução, inicia seu trabalho abrindo aspas e transcrevendo, na íntegra, texto do autor de um livro por ele citado e, no corpo, propriamente dito, da monografia o livro está todo lá, hora aspado, hora transcrito de forma inversa ou com sinonímia, e, mesmo assim, mereceu nota de louvor, quando na verdade não poderia nem ser recebido. Por essa razão perguntamos: A Banca Examinadora que avaliou o aluno e o conceituou como excelente, assim procedeu por não conhecer a matéria? Ou por comungar com o aluno, de também ter o trabalho monográfico apenas como um cumprimento burocrático sem o compromisso de trazer para o aluno e para o mundo acadêmico um novo conhecimento ou, na melhor das hipóteses, um novo questionamento que proporcione a reflexão? Por fim, e diante do que já falamos atrás, temos que esses trabalhos padecem de compromisso acadêmico e de ciência; não têm a essência necessária a demonstrar que são resultados de pesquisas. No entanto, observamos que culpar apenas os graduandos é ser bastante simplistas, pois, o problema surge já no momento que a Universidade oferece a disciplina de metodologia, ela é colocada na grade curricular como um fechamento de créditos em aberto no decorrer do curso, ela não é trabalhada em etapas definidoras de conteúdo para a produção textual, não se tem a preocupação com a lógica necessária em uma pesquisa e com a formação de um pesquisador.
Lendo esses trabalhos e observando o conceitos que lhes foram atribuídos dá a impressão que a universidade está tal qual o aluno, apenas por uma perspectiva diferente, querendo que ele conclua o curso e passe de imediato a engordar suas estatísticas. O trabalho científico; que padece de pessoas comprometidas com a ciência, o ensino e a pesquisa está em segundo plano e nesse norte a monografia de conclusão de curso que foi estabelecida para proporcionar ao graduando, além de demonstrar sua capacidade intelectual e suas habilidades como pesquisador, trazer novos conhecimentos, tornou-se numa peça sem valor haja vista que são, em sua grande maioria, apenas réplicas e nada mais que isso.

 
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