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  A TRANSIÇÃO CURRICULAR DO CURSO DE PEDAGOGIA: EXPECTATIVAS E DESAFIOS VIVENCIADOS NO CAMPUS DE CATALÃO (UFG)

Aparecida Maria Almeida Barros - Universidade Federal de Goiás/ Campus de Catalão

Introdução

Historicamente construído na década de oitenta, apoiado no movimento de valorização da Escola Pública e a conseqüente formação de profissionais docentes para nela atuar, o currículo do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Goiás (Resolução 207/84), habilitava o Pedagogo para a docência nas séries iniciais do Ensino Fundamental e para as disciplinas pedagógicas do antigo Magistério do II Grau. Estas habilitações atenderam a uma opção da universidade em priorizar a docência como base para a formação do profissional da educação, suprimindo as habilitações específicas para a orientação, supervisão, administração escolar ainda presentes em várias instituições do país. À época, a UFG foi pioneira na implantação da proposta em 1984. Na composição do currículo do Curso de Pedagogia, esta trajetória histórica foi destacada no projeto político pedagógico da recente mudança curricular:
Uma das características do currículo implantado em 1984 e ainda em vigor é a definição de poucas disciplinas como componentes curriculares, deixando às ementas e aos docentes um campo de possibilidades para a incorporação crítica da esfera sociocultural na dinâmica da educação e da escola, e aos discentes, mais tempo para o estudo pessoal e a possibilidade de uma formação teórica mais sólida. As “Atividades Complementares” surgiram como abertura de horizontes culturais e humanos no processo de formação.(2003: 5)
Em Catalão, o Curso de Pedagogia foi implantado no Campus Avançado da UFG a partir de 1988. Com a extinção do curso normal (Magistério), este currículo ficou com apenas a habilitação para as séries iniciais, havendo, portanto, necessidade de atualização das áreas e a definição das habilitações, o que implicou na reformulação do formato do Curso oferecido: se licenciatura, se bacharelado ou ambos, dentro das determinações vigentes no Ministério da Educação para a formação de profissionais do Ensino. As discussões e debates que deram impulso à reforma curricular no Curso de Pedagogia são igualmente historicizadas no Projeto Político Pedagógico/2003:
Ao longo dos últimos anos vários embates se efetivaram no campo dos dispositivos da LDB/1996 e da legislação complementar que regulamentam a educação básica e a formação de professores e explicitam novas bases para a formação e a profissionalização de professores para a educação básica e a formação do pedagogo. Considerando a legislação em vigor, os embates na área da formação de professores, a opção institucional da FE/UFG e o Regulamento Geral de Cursos de Graduação/UFG, foram elaborados os princípios norteadores deste projeto curricular, que, ao sistematizar e contribuir para o debate na área mantém pressupostos fundamentais do currículo atual, dentre os quais: a definição de um projeto que assume a docência como a base da formação do professor, a sólida formação teórica, o compromisso social e político do educador e a consolidação da formação de professores para os níveis iniciais de ensino em curso de nível superior.(2003: 9)
Assim, nos últimos dois anos, ocorreram no interior da Faculdade de Educação e do Fórum de Licenciatura da UFG, diversos momentos (encontros, reuniões e seminários) para a apresentação de propostas, discussões e debates, tendo como foco a Reforma Curricular dos Cursos de Graduação, com a participação de representantes das diversas unidades da instituição, havendo momentos com a contribuição de intelectuais, entidades e instituições que têm a questão do Currículo e das Licenciaturas como objeto de estudos e pesquisas. Foi esse processo que deu origem à nova proposta que será implantada simultaneamente em todas as unidades da UFG que oferecem o Curso de Graduação em Pedagogia, desenhando novos contornos para a habilitação de professores para atuarem na Educação Infantil e nas Séries Iniciais, mesmo sem a aprovação das diretrizes curriculares pelo MEC. O Projeto Político Pedagógico da nova Proposta Curricular do Curso de Pedagogia, na sua introdução, assim contextualiza o momento atual:
As mudanças ocorridas no contexto das políticas educacionais brasileiras, na última década, em especial a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N.º 9394/96, de 20/12/96, a aprovação pelo Conselho Nacional de Educação do Parecer/Projeto de Resolução que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura e graduação plena, CNE/CP Nº 28/2001, a implantação do novo Regulamento Geral de Cursos de Graduação da Universidade Federal de Goiás, aprovado pelo CONSUNI em setembro/2002, contribuíram para a constituição desta proposta de alteração do currículo do curso de Pedagogia.(2003: 1)
Na nova proposta curricular, o Curso de Pedagogia busca ajustar às novas exigências colocadas pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9.394/96), pelo Ministério da Educação no que diz respeito à formação de Profissionais do Ensino e ao novo Regimento Geral dos Cursos da UFG.
Ao proclamar a docência como eixo da formação do pedagogo, o novo currículo define o perfil de profissional que se deseja qualificar:
Essa proposta curricular, centrada na docência da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, pretende formar o educador capaz de pensar a prática, a existência humana, a educação, a escola e o saber historicamente produzido. Nesse sentido e tendo em vista a legislação em vigor, o Curso de Pedagogia proposto tem como finalidade estimular: a) a reflexão, entendida como compreensão crítica, radical e rigorosa, do sentido e da gênese da esfera da existência humana, social e pessoal, da esfera da cultura, da educação, da escola e do saber; b) a criação cultural e a formação de docentes e discentes como sujeitos da cultura; c) a ação como atividade criadora, transformadora, e afirmação da autonomia e da liberdade; d) dos sujeitos e das instituições, em todas as suas dimensões; e) a articulação de todos os componentes curriculares, fecundando o trabalho educativo. (2003: 11)
Outro destaque do novo currículo é a garantia das áreas que compõem o eixo de formação de todos os Cursos de Licenciaturas, quais sejam: Políticas Públicas, Gestão e Organização do Trabalho Pedagógico, Educação Comunicação e Mídias e as áreas de fundamentos: Psicologia, Sociologia e Filosofia, confirmando o exposto na Resolução CEPEC 635/2003.
Ao observarmos a nova proposta curricular é possível visualizar a ampliação da carga horária total e das áreas, bem como a verticalização e aprofundamento de estudos para as duas habilitações. Na opinião de alguns alunos e professores, esta ainda não é a proposta ideal para a formação do pedagogo; apesar de suprimir algumas áreas consideradas importantes (a biologia, a língua portuguesa) e deixar de fora a lingüística, por exemplo, já apresenta alguns avanços em relação à proposta anterior. Mais que alterar o currículo até então existente, retirando, trocando ou acrescentando áreas, é bom que se considere o elemento político da Reforma Curricular orientada pelas diretrizes do Ministério da Educação e da legislação educacional em vigor:
No momento atual consolidam-se as reformas educacionais no país, em estreita vinculação com os novos padrões de regulação estatal derivados dos re-ordenamentos mundiais. Neste contexto, são estabelecidas medidas de políticas pelo poder federal que, entre outros aspectos, determinam novas configurações nos padrões curriculares, os quais, até recentemente, estavam em vigor em todos os níveis e modalidades de ensino. Estas iniciativas têm seu contraponto em movimentos da sociedade civil que vão se expressar, no campo específico da educação, no que diz respeito ao ensino superior, através das manifestações e posicionamentos públicos das entidades representativas dos educadores, comprometidas com a defesa da educação pública brasileira e que buscam influir na definição das políticas específicas direcionadas a este setor. (documento ANFOPE/ANPED/CEDES/2004)
No caso específico de Catalão, após um estudo interno das condições estruturais do Campus e a disponibilidade de professores para atuarem nas áreas e disciplinas curriculares, verificou-se que a alternativa possível para proceder à mudança curricular seria a implantação gradativa, com a transição apenas dos alunos que concluíram a primeira série no ano de 2003, através do aproveitamento e equivalência de disciplinas.
Os primeiros contornos do Novo Currículo do Curso de Pedagogia, indicam que, em meio às dúvidas suscitadas pela Reforma Curricular, há um novo campo de interesses e expectativas formuladas por alunos e professores em torno da transição curricular e da implantação de um novo currículo no Curso de Pedagogia. Isso sinaliza para algumas questões: as possibilidades concretas que a instituição apresenta para a implantação do novo currículo em termos estruturais, pedagógicos e administrativos; as expectativas de alunos e professores que participam desse momento de transição no caso específico do Campus de Catalão, considerando suas singularidades e especificidades; formas como processo de transição curricular está sendo interpretado, discutido, apreendido e avaliado no espaço acadêmico pelos diferentes pares.
A pesquisa foi orientada pelos pressupostos da pesquisa-ação, por se tratar de um processo investigativo com sujeitos (professores e alunos) envolvidos nas situações de debate, estudo e avaliação das primeiras experiências vivenciadas no CAC/UFG a partir de 2004. Para o levantamento de dados selecionamos eventos e situações específicas organizadas pelo Curso de Pedagogia que sinalizaram o registro e avaliação do processo de transição curricular e a implantação do novo currículo. Utilizou-se na coleta de dados, instrumentos de pesquisa como: entrevistas, questionários, observação dirigida e registro.
Em princípio os sujeitos participantes seriam os professores e alunos das turmas iniciais do Curso de Pedagogia, quais sejam: os ingressantes de 2004, que cursaram o 1º e 2º períodos, respectivamente, com turma única, e os alunos que estão em processo de transição, os quais tendo concluído o lº ano do currículo anual em 2003, fizeram a adesão ao novo currículo, cursando o 3º e 4º períodos do currículo novo em 2004. A colaboração principal na pesquisa foi iniciada através desta turma, uma vez que estes alunos vivenciaram durante o biênio 2003/2004, as situações em que a Reforma Curricular esteve em pauta nos eventos e atividades do Curso no Campus de Catalão.
Na fase de levantamento de dados foram selecionados eventos e situações específicas organizadas pelo Curso de Pedagogia que sinalizam o registro e avaliação do processo de transição curricular e implantação do novo currículo. Em particular: debates e mesas organizadas pelo Centro Acadêmico, Comissão de Educação da Câmara de Vereadores; eventos de extensão realizados pelo Curso (Simpósio, seminários temáticos: Conversa Pedagógica, palestras, reuniões de séries e grupos de estudos).
De posse dos dados, optamos por organizar os elementos de análise agrupando as variáveis semelhantes, a partir das quais procedemos à interpretação e releitura das questões geradoras da pesquisa, conforme o exposto a seguir.

Impasses, desafios e expectativas de alunos em transição

Ao compor o estudo sobre os impasses, expectativas e desafios vivenciados pelo Curso de Pedagogia no Campus de Catalão, partimos da motivação inicial que os cursistas tiveram na escolha do Curso, por considerar que a expectativa de entrada poderá motivar a seqüência dos estudos e os resultados qualitativos da sua finalização. Por isso indagamos sobre o por que escolheu fazer o Curso de Pedagogia?
Um entrevistado respondeu que era o curso que sempre quis fazer, que atende às suas expectativas. Dois disseram que a princípio, por falta de opção na faculdade, escolheram Pedagogia, pois não havia o curso que queriam. Outros dois afirmaram: “Porque preciso de um curso superior e o curso de Pedagogia não estava tão concorrido”. Quatro entrevistados responderam que: “Por estar trabalhando na área de educação e para ter conteúdos pedagógicos ajudando a lidar com as crianças”. Outros dois disseram: “Porque gosto de trabalhar com crianças e também porque é o único curso na UFG que me agradou e não posso sair da cidade para fazer Psicologia que é o meu sonho”. Três responderam: “Por sua habilitação pretendo exercer a profissão pela qual o curso habilita”. Outros três deram a seguinte resposta: “Escolhi o curso de Pedagogia por me identificar bastante com o trabalho de educação infantil”. Cinco responderam: “Escolhi o curso de Pedagogia porque gosto de trabalhar com crianças e este curso de Pedagogia, na minha opinião é a base”. Outros Cinco afirmaram: “Porque dentre os cursos oferecidos pela UFG, o curso de Pedagogia foi o que mais me chamou a atenção. O meu objetivo é trabalhar com criança”. Três entrevistados fizeram a opção por pedagogia “através de meus familiares e no vestibular sempre foi a minha primeira opção”. Houve outro que respondeu: “Sempre gostei de outras línguas e pretendo dar aulas de inglês quando terminar o curso ou, se Deus quiser vou abrir minha própria escola de línguas”. Apenas um disse: “Eu escolhi por impulso sem saber direito o que seria o curso”. E, por fim: “É o curso mais próximo ao que eu queria e, por eu morar em Catalão onde a UFG se localiza”. Os demais responderam que: “Desde criança fui muito observadora. Vendo a maneira e a forma como os professores ensinavam, resolvi estudar Pedagogia para fazer a diferença”.
Observa-se ao agrupar as respostas semelhantes que, embora não haja uma adesão incondicional ao Curso pela sua proposta e currículo, logo no primeiro momento de escolha, há um número expressivo de respostas que indicam a opção pelo curso por se aproximar do ideal de formação buscado pelo acadêmico, por qualificar o profissional para atuar na Educação Infantil e nas séries iniciais. Apenas um respondente assume ter permanecido no curso por falta de opção, enquanto os demais atribuíram algum tipo de preferência que definiu a escolha pelo e a permanência no Curso de Pedagogia.
Mergulhando diretamente nas situações em que alunos e professores trataram da mudança curricular, começamos por perguntar: Como soube da mudança curricular do Curso de Pedagogia? Quando?
Nesta questão, sete entrevistados responderam ter tomado conhecimento da mudança curricular através da coordenação do curso no final do ano 2003; cinco disseram: “Pela coordenadora e pelos professores durante o primeiro ano do curso 2003”. Quatro disseram que as informações da coordenação chegaram até eles no dia da matrícula. Nove responderam que: “Soube através de algumas pequenas reuniões, que não esclareciam minhas dúvidas, isto aconteceu no final do lº ano de Pedagogia. Mas a confirmação da mudança curricular só aconteceu no ato da matrícula”. Nesta mesma direção, outras respostas também afirmam ter tomado conhecimento da mudança curricular ao longo do ano de 2003, em diferentes momentos: “Através de informações da própria faculdade, isso aconteceu no segundo semestre do ano anterior (2003)”. ... “primeiro por boatos na faculdade, depois a coordenadora nos avisou. Fui avisado quando estava terminando o 1º ano do curso”. Outros dois responderam que: “Soube da mudança nos primeiros dias de aula no início do ano, quando a coordenadora veio na sala nos explicar”.
Prevalece nas respostas dos alunos um indicativo de que a comunicação sobre a mudança curricular aconteceu de forma tardia para todos os que estavam cursando o primeiro ano em 2003 e confusa para alguns que não compreendiam em profundidade o processo de Reforma Curricular na Universidade. Reclamam ainda da falta de opção e das dúvidas quanto a permanecer no currículo escolhido no ato de ingresso na universidade via vestibular ou migrar para a nova proposta, ficando claro que o mergulho na transição foi, para muitos, mais que um desafio, um mergulho no desconhecido. Além disso, há manifestações claras de que a instituição não ofereceram alternativas para esses alunos, devido às limitadas condições estruturais que não possibilitaram a oferta de turmas nos dois currículos, seja pela falta de recursos humanos (professores), seja pela escassez de espaço físico.
Na tentativa de confirmar as respostas da questão anterior e ainda, na expectativa de verificar o nível de participação e envolvimento dos alunos nas situações em que a pauta foi a Reforma Curricular, solicitamos que os entrevistados indicassem se Você participou das discussões sobre a mudança curricular? E em quais situações?
As respostas alusivas à participação tiveram 50% de afirmação e 50% de negação, isto é, uma metade participou das discussões enquanto a outra metade disse não ter participado. Quanto às situações em que ocorrem, ninguém soube opinar, limitando-se a dizer ‘não’. Um dado interessante é que, para esta questão, não houve nenhuma resposta em ‘branco’, mesmo não indicando as situações e negando ter participado das discussões. Um dado curioso: todos responderam.
Se comparadas as respostas da participação nas discussões sobre a mudança curricular com as respostas da questão anterior (como os alunos souberam da mudança curricular), ambas traduzem o não envolvimento direto e aprofundado dos alunos enquanto sujeitos e partícipes da Reforma Curricular na UFG no ano de 2003. Isto revela que, na opinião dos alunos, as discussões internas na instituição, no caso do CAC, ficaram segregadas a outras instâncias e não chegaram até eles. Na verdade, alegam os alunos que não ocorreram discussões sobre a gênese da nova proposta, apenas foram informados de que o currículo estava mudando e que deveriam fazer uma opção por permanecer no segundo ano do currículo em curso ou migrar para o novo, compondo a turma de transição.
Ao serem indagados sobre as preocupações e expectativas em relação ao novo currículo do Curso? Os alunos da turma em transição, assim se posicionaram a respeito:

“Preocupo-me com a correria, tem que passar por cima de muitas coisas que deveríamos ter um mínimo de aproveitamento”. ... Outro afirmou: “Entendo que os conteúdos são repassados com bastante rapidez, pelo fato de terem que cumprir os conteúdos. São estudadas várias disciplinas, o que amplia nossos conhecimentos”. Onze entrevistados responderam que “As preocupações estão relacionados com o tempo. As aulas ficam muito corridas, e mesmo com o problema do tempo tenho grandes expectativas com relação a minha formação como professora. Creio que o corpo docente do curso de pedagogia e muito bem qualificado para isso”. Quatro disseram que “As preocupações se caso os alunos ficarem de dependência em algumas matérias como e quando repomos aquela matéria perdida. As expectativas que seria um curso semestral mais proveitoso do que o anual”. Outros dois apontaram “Preocupações: que até o presente momento não nos foi passado nada que nos orientassem em relação à monografia; ao estágio e o currículo por enquanto não ofereceu nenhum subsídio para tal. Expectativas: que até o término do curso tenhamos obtido o verdadeiro significado do que é ensinar e o melhor método a ensinar”. Dois entrevistados expressaram a preocupação “que as disciplinas seriam aplicadas em pouco tempo. A nova grade curricular oferece ao pedagogo uma classificação específica para educação infantil e séries iniciais”. Um lembra: “Bom, seremos a primeira turma a se formar com essa grade nova. Com certeza sairá ótimos profissionais. Minha preocupação é se o mercado aprovará este novo Currículo, e até mesmo se o que está sendo ensinado não comprometerá nosso desenvolvimento a respeito do que o curso é realmente. Minhas expectativas é que este novo currículo mos dê benefício. Passando pelas preocupações, acredito que se chegou a ponto de uma mudança, com certeza é que será para melhor”. Outro diz que: “Tenho a preocupação de não me adaptar bem e de que os conteúdos sejam fragmentados. Que eu consiga me sair bem nos próximos semestres e tenha um bom aproveitamento”. Um entrevistado disse que: “A minha maior preocupação é com a adaptação do novo currículo, e a expectativa é a melhor possível, principalmente para que se valorize mais o curso de Pedagogia”. Mais um afirmar que a sua preocupação é “Com a área de atuação do Pedagogo. A valorização do profissional na área da educação”. Mais um diz que: “Minha grande preocupação é alcançar o mercado de trabalho. Minha expectativa é que os municípios aceitem em seus concursos apenas pedagogos e não professores das áreas específicas”. De um total de 34 alunos, apenas 5 não opinaram sobre o assunto, deixando a resposta em branco.
Em síntese, as maiores preocupações giram em torno do aproveitamento e desempenho qualitativo do curso: dependências, cumprimento do conteúdo curricular; tempo: anual/semestral; dúvida quanto a qualidade e viabilidade do novo currículo; reprovação sem alternativa de prova final ou 2ª época; fragmentação dos conteúdos; tempo curto para integralizar os estudos em uma disciplina ou área; risco de fragmentação e não atendimento das ementas do currículo; trabalho de conclusão de curso e a definição das orientações. Já as expectativas apontam aspectos positivos em relação a habilitação do Curso: docência como eixo e possibilidades de atuação na Educação Infantil e Séries Iniciais. Melhoria e qualidade da formação docente. Estar mais atualizada, sabendo lidar com as mudanças do nosso tempo. Relação teoria e prática na formação do pedagogo; valorização do profissional da educação, conforme as expectativas do mercado; indissociabilidade entre a sólida formação teórica e a competência técnico-metodológica para atuar na Educação Infantil.
“Agora o currículo ficou mais específico para a formação em educação infantil. Com novas matérias, mais praticas e dinâmicas”.... “Espero que traga conhecimentos diferenciados e que não fiquem somente na teoria busquem aplicar aulas mais práticas e que tenham relação com nossa profissão na prática e não somente na teoria”... “Espero que tire um pouco de teoria do curso e passe a ser um pouco mais prático”. (Aluna da turma de transição)

Verifica-se que as preocupações com o tempo semestral é superior às expectativas. Há indícios de que as disciplinas semestrais correm o risco de ficarem aligeiradas e atropeladas devido à quantidade de conteúdos estudados em um curto espaço, ou seja, a organização e sistematização dos conhecimentos neste novo regime estão alterando a dinâmica escolar dos alunos na universidade. Nesta primeira experiência tem ocorrido mais dúvida e angústia do que elevado as expectativas para as diversas possibilidades que o currículo oferece.

Ao serem indagados sobre a organização do Currículo em disciplinas semestrais e o desempenho individual, as opiniões são diversificadas, conforme o descrito a seguir. Dois acham “Melhor, porém acho, que os professores estão mais preocupado com o tempo do que com o conteúdo”. Treze afirmaram que “Por enquanto estou me saindo bem, porém não sei se vai continuar assim, pois já começo a perceber que o andamento das matérias está sendo encaminhado de maneira mais corrida que o anterior (regime anual)”. Três consideram que “Apesar de ter encontrado algumas dificuldades tenho conseguido alcançar a minha meta com relação ao curso”. Outros três afirmaram ser “Muito bom, mas de acordo com o tempo que temos, até aqui estou indo bem”. Um assume que “No começo foi muito confuso e confesso ainda ter dúvidas em relação ao currículo novo. Mas, estou me empenhando para conseguir me enquadrar ao que o curso pede”. Dois responderam que: “Bom, mas com mais dificuldade que no outro currículo.” Três responderam que: “O meu desempenho está normal como no 1º ano exceto pelo fato de não contar com a “ajuda” da 5ª prova”. Enquanto outros quatro consideram “razoável, médio, em adaptação”. Um entrevistado falou: “Estou gostando, é melhor que o anual.” Outro diz que está “ótimo”. Um entrevistado respondeu que: “No começo foi difícil de me adaptar, mas agora está dando para acompanhar as disciplinas”.
A variação das respostas confirma o que disseram nas questões anteriores a respeito do novo currículo, a situação de mudança que estão vivenciado, o ajuste do tempo e o aproveitamento das disciplinas curriculares ministradas a cada semestre, o ritmo de estudo e o cumprimento de uma carga horária que, antes no currículo anual se estendia durante o ano letivo, como é o caso de disciplinas com duas (2) horas semanais e carga horária anual de sessenta e quatro (64) horas, agora realizada em um semestre com setenta e duas (72) horas. E mais, é um outro tempo para cumprir as atividades regulares da vida acadêmica como leituras, aprofundamento de estudos e avaliações.

No que diz respeito às expectativas dos alunos em relação à nova proposta curricular e o perfil esperado para a formação do pedagogo, sete entrevistados disseram que: “Em relação a nova proposta minhas expectativas são de que se cumpra todas as propostas e que realmente encontremos espaços institucionais para exercer a nossa profissão”. Um entrevistado afirmou: “Que junto com o campus vocês consigam que este regime semestral traga consigo apenas boas novas, e que ninguém saia prejudicado nesta história”. Dois entrevistados disseram: “Minhas expectativas não são boas, espero que a nova proposta seja de fundamental importância para a nossa formação”. Dois responderam: “Em relação à nova proposta espero que ela supere as minhas expectativas que são muitas em relação à educação infantil”. Um disse: “Nenhuma, pois os professores não nos deixaram confiantes”. Outro disse: “Que o curso só ganha com a mudança”. Um entrevistado respondeu: “Em relação à nova proposta, espero que o cada novo semestre tenhamos a possibilidade de aprender diversas matérias, conteúdos, para que no futuro tenhamos a chance de optar pelo melhor, julgamos nos enquadrar ao que se pede”. Dois esclareceram que “Até o momento foi positiva, daqui pra frente não sei”. Outros dois disseram: “Não tem nada a ser feito para que volte como era, portanto, tenho que ter boas expectativas”. Um entrevistado disse: “Espero que o departamento de pedagogia possa nos mostrar que o curso traga motivação e interesse para o curso de pedagogia”. Outro afirmou: “A minha expectativa em relação à nova proposta é boa. Acredito que vou conseguir alcançar a maioria dos meus objetivos”. Outro ainda falou: “Que possamos inovar as técnicas de ensino”. Um respondeu que: “Com a nova proposta seremos habilitados para a educação infantil e pré-escolas”. Outro expressou: “Disseram que seria melhor para nós, minha expectativa é de que fosse realmente”. Dois responderam: “Espero que traga conhecimentos diferenciados e que não fiquem somente na teoria, busquem aplicar aulas mais práticas e que tenham relação com nossa profissão na prática e não somente na teoria”. Um entrevistado respondeu que: “Se for feita e colocado em prática uma política de democratização, maior participação dos alunos, nos assuntos referentes ao curso, juntamente com um política de acesso e permanência na universidade, em que a intenção de regime semestral ser de distância ou/e cortar, vincular objetivos dos estudantes, a proposta será bem encaminhada”. Outro disse que: “Até o momento foi positiva, daqui pra frente não sei”. Um outro profetiza: “Que seja a melhor possível”. De um total de 34 alunos, apenas 5 não opinaram sobre o assunto deixando a resposta em branco.
Ao analisar a regularidade das respostas para esta questão observa-se que, aqui, as expectativas presentes e futuras aparecem. A exemplo do que ocorre na opção pelo curso de pedagogia, os alunos manifestam o desejo de serem qualificados através de uma sólida formação intelectual (teórica) e metodológica (técnica), considerada como requisito para atuar na educação infantil e nas séries iniciais e é isso que esperam do novo currículo ativo do curso de pedagogia.

Perguntamos aos alunos: Até agora, quais foram as suas experiências com as disciplinas do novo currículo (no primeiro e segundo semestres de 2004)? Gostaria de saber se já é possível indicar algumas experiências bem sucedidas e algumas as dificuldades observadas neste início?
Assim se posicionaram sobre as experiências e dificuldades: oito entrevistados disseram que: “Até agora não obtive experiência alguma, pois além das aulas serem poucas, alguns professores não são claros suficientemente para eu ter alguma experiência... As dificuldades observadas neste início são as que já citei anteriormente: falta de clareza, objetividade, tempo curto, etc...”. Dois entrevistados afirmaram: “No primeiro semestre foi um período de adaptação de algumas disciplinas foi bastante complicado e agora no início do segundo semestre não estamos com tanta dificuldade quanto no primeiro”. Cinco entrevistados disseram que: “O conteúdo está sendo dado de forma mais rápida, mas estou gostando do novo currículo”. Um falou que “As disciplinas foram bastante interessantes, alguns professores fizeram aulas praticas (artes e F. M. da Mat. II”. Outros cinco assumiram ter tido “dificuldades em relação ao tempo e o conteúdo me parece, muito corrido. A proposta de núcleo livre me parece muito boa”. Quatro reconhecem que: “Sim, é possível indicar experiências bem sucedidas e as dificuldades também”. Uma entrevistada falou: “O que me deixa insegura é a questão de ter apenas uma nota se não conseguir obter a nota, você não tem nenhuma opção. Mas é bom este currículo, pois você não perde o 1º ano, caso seja reprovado”. Outro disse que: “Dificuldade-Didática e formação de professores, principalmente. Na maioria das disciplinas as formas de avaliação não me agradavam, uma vez que quase não houve seminários, a maioria eram provas valendo um alto valor e só esse tipo de avaliação aumenta as dificuldades”. De 34 entrevistados, apenas seis não optaram sobre o assunto, deixando a resposta em branco.
A freqüência das respostas para esta questão aponta para as angústias, dificuldades, dúvidas e incertezas vividas neste primeiro momento na turma de transição. É possível que, devido ao curto espaço/tempo em que se efetivou a mudança curricular, os alunos ainda não consigam visualizar o que estamos chamando de ‘experiências bem sucedidas’, limitando-se a considerarem-nas pelo desempenho acadêmico, traduzido em boas notas, freqüência, acompanhamento dos conteúdos, aprovação nas disciplinas curriculares. Estes indicativos apontam para a necessária continuidade da presente pesquisa que, ao acompanhar os próximos passos desta transição (inclusive com as experiências dos próximos semestres e a conclusão dos estudos desta turma), possa dimensionar as experiências bem sucedidas e as dificuldades superadas pelos alunos, numa nova leitura desse processo.

Indagamos se O Campus de Catalão oferece estrutura física, equipamentos, atualização tecnológica, condições de trabalho e acervo bibliográfico, adequados e suficientes para a implantação da proposta curricular?
A maioria dos entrevistados, 27 responderam que: “Não, o campus está precisando de investimentos, novos materiais. A biblioteca é um exemplo disso. A maioria das referências bibliográficas dadas pelos professores não se encontra lá”. Dois disseram que: “Sim”. Um que: “Com certeza está muito longe, mas acredito em mudanças”. Um disse que “Até agora no meu curso não tive problemas”. Outro reconhece: “Muito mais, muito pouco mesmo”. Outro disse que: “Nem todos, deixa a desejar”. De 34 entrevistados, apenas um não opinou sobre o assunto, deixando a resposta em branco.

O que você tem a dizer sobre a habilitação do novo currículo?
Nesta questão, seis responderam que “apenas tenho a dizer que gostaria, assim como muitos, que este novo currículo trouxesse melhorias para o nosso futuro profissional, pois quanto melhor ele for, melhor serão as nossas chances no mercado de trabalho”. Um disse que “particularmente não sei dizer sobre as vantagens da habilitação do novo currículo porque não me foi passado”. Um outro respondeu: “acho que o novo currículo poderia nos proporcionar uma habilitação melhor onde pudéssemos desenvolver nosso trabalho com mais segurança, pois apenas o pré-escolar não é suficiente para demonstrar nosso conhecimento e o novo currículo nos permite trabalhar em outras áreas”. Um entrevistado disse que “o tempo fica muito curto para trabalhar os conteúdos que poderiam ser mais aprofundados”. Dois falaram: “acho que ainda é muito cedo para avaliar”. Três consideram que “no início do ano quando nos matriculamos no curso já caímos diretamente neste cerco pelo pouco tempo de adaptação não tenho nada a reclamar quem sabe a escolha obrigatória se tornou algo fabuloso”. Dois falaram que: “como disse anteriormente espero que sejam cumpridas todas propostas, que possamos participar dos concursos e não ser apenas tapa buracos”. Três disseram que: “até o momento estou gostando sinto mais segurança ao ano anterior”. Três responderam que: “ainda tem que melhorar muito o 1º seria quando foi mudado para o semestral tinha que ser avisado não no ato da matrícula, o curso em si é bom onde temos mais oportunidades com outras disciplinas isoladas como no núcleo livre”. Quatro falaram que: “achei ótimo, pois oferece maiores possibilidades no campo da educação”. Um disse que: “seria necessário que as universidades, primeiramente fossem equipadas ao mesmo tempo em que fossem construídas novas universidades que antecedessem uma quantidade maior de pessoas para depois se pensarem em mudança de currículo”. Um falou que: “não acho que mudou tanto do antigo para o novo currículo como era dito”. De 34 entrevistados apenas quatro não opinaram sobre o assunto deixando a resposta em branco.

Ao avaliar a nova proposta curricular existe alguma área do conhecimento que não foi inserida, e que você considera importante para a formação do pedagogo?
Os alunos entrevistados não manifestaram opinião sobre estes aspectos alusivos a outras áreas do conhecimento que deveriam constar no novo currículo do Curso de Pedagogia.

Há alguma alteração ou ajuste da nova proposta curricular que poderá (ou precisa) ser feito pela instituição local?
Nesta questão, três alunos consideram importante que a instituição, de alguma maneira, garantisse que o acadêmico fosse encaminhado para as escolas de Educação Infantil e Séries Iniciais mais cedo, para realizar estágios logo no início do curso, para observação e aproximação com a realidade profissional e seu campo de atuação. Oito disseram que por ser uma experiência nova, será necessário fazer os ajustes no currículo na medida em que as dificuldades surgirem. Para quatro entrevistados, ainda há muitas dúvidas com relação a este currículo e que não houve tempo para avaliar as necessidades de ajustes. Dois afirmaram que as necessidades são estruturais: faltam salas e laboratórios para a execução de atividades, além de um número reduzido de professores, o que limita a oferta de núcleos livres para escolha dos alunos. Outros dois reafirmaram o cansaço das aulas com horários fechados, com as disciplinas sendo oferecidas num único dia da semana (indicam também a possibilidade de dividir as disciplinas em dias e horários alternados durante a semana). Um entrevistado disse que as avaliações deveriam ser mudadas através de um acordo entre os professores e os alunos para que não fossem acumuladas em uma única semana no mês ou bimestre, procedimento que prejudica o desempenho dos alunos e interfere negativamente no resultado final, ou seja, nas notas obtidas. De trinta e quatro respondentes nove não opinaram sobre esta questão, um respondeu “não sei” e outro disse sim, sem especificar as mudanças desejadas.

Impasses, desafios e expectativas dos professores

As informações constantes na coleta de dados dos professores resultam de uma amostragem, pois não foi possível ouvir a todos os profissionais que integram o quadro do Departamento de Pedagogia. Diante das experiências iniciais dos professores na efetivação da nova proposta curricular nesta instituição, tomamos as contribuições a seguir apenas como uma amostragem inicial, uma vez que o trabalho de pesquisa continuará em 2005 com estudos mais aprofundados, envolvendo estes sujeitos.

Tempo de atuação no Campus de Catalão

Os professores do Curso de Pedagogia, diretamente envolvidos com os primeiros passos desta mudança curricular, dezoito são efetivos e dois substitutos. Com exceção destes últimos, os demais têm uma média de dez anos de atuação na instituição. Estes dados revelam a permanência dos professores no Campus e a conseqüente composição de um quadro estruturado em termos profissionais. Corrobora para isso um outro dado que é a crescente qualificação de mestres e doutores vinculados a diversos programas de pós-graduação do país. Outro dado recorrente é que em virtude da política de incentivo à qualificação, esse número de vinte professores é insuficiente para abrigar a todas as atividades requeridas nesta Reforma Curricular, uma vez que, além da coexistência de turmas em duas propostas de formação do pedagogo, também o Departamento de Pedagogia é o responsável pelas disciplinas pedagógicas nos demais cursos de licenciatura do campus de Catalão. Além disso, com a implantação do novo currículo, algumas áreas como Arte e Educação, Metodologias e Estágios não possuem profissionais em quantidade suficiente para atender à demanda crescente. Logo, um dos problemas vivenciados pelo Curso é o déficit de professores.

Em relação ao currículo anterior quais foram os problemas observados, que indicavam a necessidade de reformulação?
A amostra coletada junto aos professores sobre esta questão destaca dois fatores: alteração no ensino médio com a extinção do Curso Normal e a ausência da pesquisa, entendida como necessária e fundamental na formação do profissional da Educação:
“Bom, o primeiro problema foi a própria mudança no ensino secundário que extinguiu o curso normal, foi um dos problemas, (...) que fez com que o curso tivesse que reformular algumas disciplinas voltadas para o curso normal. Além disso, a necessidade de introduzir no curso de pedagogia a prática da pesquisa... acho que foram esses os principais problemas que indicaram a necessidade de reformulação”. (P2) .

“Eu penso que o currículo antigo foi modificado, principalmente na questão da monografia no curso. Acho também que algumas questões didáticas, estou convencido que o aluno tem que experimentar mais intensivamente no 3º e 4º ano, talvez experimente um pouco mais desde o 1º ano do curso. A monografia penso que é um produto interessante na academia principalmente para a graduação. É um momento ímpar do aluno aprender a organizar as idéias tanto no pensamento, quanto no papel também a produção escrita.”(P1).

“Olha, do ponto de vista do currículo escrito, que a gente considera currículo ativo eu (...) avalio que uma das questões que sempre me incomodou no currículo foi a ausência de um conteúdo que levasse os alunos a aprenderem a organizar projetos de pesquisa, não só organizar projetos de pesquisa, mas trabalhar com a pesquisa, entender esse processo, essa dinâmica do que seja ir a campo pra fazer uma pesquisa ou a elaborar um texto técnico bem fundamentado, analisando a coleta de dados e tudo o mais... (P3)

Aliada à mudança da habilitação, que inclui a Educação Infantil além das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, a nova proposta curricular acrescenta um elemento novo na formação do pedagogo que é a pesquisa. Na verdade, este ajuste vem oficializar o que na prática já se realiza nos últimos cinco anos, quando a disciplina Didática e Prática de Ensino oferecida no último ano, passou a justificar a sua ementa e inserir exercícios de pesquisa devido a extinção de seu campo de atuação que era o Curso Normal.

Ao serem perguntados sobre a participação de alguma forma da elaboração da nova proposta curricular para o curso de pedagogia que resultou no projeto político pedagógico 2002/2003 da FE/UFG, os professores responderam que esta participação nas discussões aconteceu em nível direto e indireto:

“Não. Praticamente as únicas informações que tivemos foram as que a professora Juçara que participou da comissão em Goiânia trouxe para as reuniões de Departamento aqui em Catalão”. (P1)

“Eu participei de algumas discussões, inclusive em Goiânia nessa nova proposta curricular”. (P2)

“Sim. Eu desde que me formei neste currículo que você tá considerando currículo antigo”. (P3)

No sentido de visualizar os aspectos específicos da realidade local, perguntamos: Em qual (ou quais) momento(s) essa nova proposta curricular foi discutida em Catalão?
“Nas reuniões de Curso, mas discutindo muito mais os resultados das reuniões de Goiânia que propriamente a gestão de uma nova proposta de acordo com a realidade local. Nós chegamos até a elaborar alguma coisa pra mandar pra lá, mas pelo o que eu fiquei sabendo, não teve nenhum resultado eficiente no sentido de interferir no resultado final da proposta”. (P1)

“Ela foi discutida principalmente em reuniões de curso, do Departamento de Pedagogia do CAC”. (P2)

A exemplo das manifestações dos alunos sobre a participação e envolvimento na formulação da nova proposta curricular, também os professores expressam que esta está sendo efetivada de forma compulsória, na medida em que adota um único modelo de curso para a Universidade, sem considerar as especificidades locais, as características do campus de Catalão. Em outras palavras, não houve investimento na formulação de uma proposta diferenciada para a instituição local, antes, discutiu-se mais a adequação e implantação de uma proposta única dentro da universidade independente das especificidades locais e regionais.

Indagados sobre o projeto político pedagógico e as expectativa com relação à nova proposta curricular do Curso de Pedagogia. A amostra das respostas direcionam opiniões e posicionamentos importantes dos professores a esse respeito:
“Eu (...) não vi o Projeto Político Pedagógico escrito ainda é (...) ainda não dá para a gente perceber como eu disse anteriormente, não dá para a gente perceber o resultado propriamente dito do programa, do currículo, porque é o primeiro ano, agora que nós estamos terminando o primeiro ano, as dificuldades dos alunos permanecem as mesmas: falta de tempo, etc, falta de se organizar para as disciplinas. As disciplinas de núcleo livre, inclusive eu estou trabalhando com uma, elas apresentam e´(...) oportunidade também diferenciada nos (...) no currículo antigo, em relação ao currículo antigo, principalmente porque oferece (...) são temáticas diferentes, de abordagens diferentes para os alunos, isso tem sido interessante. Estou dando uma disciplina no período matutino e isso tem chamado muito a atenção....”( P1).

“Eu acredito que a nova proposta tem alguns avanços como a questão da monografia de final de curso que realmente institui a pesquisa no curso, mas ela também tem alguns retrocessos como a diminuição de carga horária para a questão da leitura e da redação, que existiam no currículo anterior, a divisão da didática e do estágio e a conseqüente redução da carga horária destas áreas”. (P2)

“Eu sou otimista de natureza, então eu penso que (risos) eu acho que os alunos poderão ter oportunidades diferenciadas como os professores também. Agora, nada nenhuma (...) atividade nova pra mim, ela pode ser concretizada positivamente sem planejamento, sem medidas dos resultados, né, sem avaliação”. (P1).

“Não sei ainda. Eu tenho um certo receio da fragmentação do curso no que se refere a semestralidade das disciplinas. No entanto, acho que ela (a proposta curricular) vai trazer ganhos na medida em que vai proporcionar aos alunos uma formação no que se refere à pesquisa”. (P2)

Também nestas questões, as respostas dadas pelos professores entrevistados revelam preocupações e expectativas semelhantes às dos alunos, especialmente no tocante à fragmentação do conhecimento, ao tempo, à carga horária e à organização da vida acadêmica pelo aluno.

Quais são as possibilidades que o novo currículo aponta para a formação e a atuação do pedagogo?
“Então (...) isso aí também teoricamente ele apresenta possibilidades diferentes em relação ao currículo anterior no sentido de que o aluno vai ter contato maior, ao menos parece, com a didática, com a monografia. São dois elementos que eu, na minha opinião, são fundamentais hoje na formação. Acho também que os núcleos livres também oportunizam ao aluno (....) uma educação pouco mais geral, ele pode optar na medida em que isso aqui também crescer por novos ou pode ter acesso por exemplo porque um aluno de Pedagogia não vai fazer uma disciplina de Física, né, uma disciplina de Física Quântica, sei lá, alguma coisa assim. O aluno pode ter a oportunidade de ver outras coisas também que indicam, ele vai conhecer novas o que a atividade complementar é no currículo anterior, a idéia de complementar a formação dele”.(P1)

“A principal questão que se refere à atuação aponta para a atuação e formação do pedagogo para atuar na educação infantil... Acho que é um grande ganho, além de abrir perspectiva do professor pesquisador”. (P2)

Um ponto importante é a habilitação do pedagogo para atuar na Educação Infantil. Embora corresponda a um percentual mínimo na validade dos estudos curriculares, a possibilidade abertura que o novo currículo oferece com a instituição dos núcleos livres é vista como aspecto positivo pelos professores. Ao cruzarmos este dado com as respostas dos alunos, é possível observar que, apesar as experiências serem iniciais permeadas por dúvidas e incertezas, os acadêmicos tem apresentado boa receptividade em relação aos núcleos livres e considerado a habilitação para a Educação Infantil como um ponto forte deste novo currículo.

Até agora, quais foram as suas experiências com as disciplinas do novo currículo (no primeiro e segundo semestre de 2004)? Gostaria de saber se já é possível indicar algumas experiências bem sucedidas e algumas as dificuldades observadas neste início?
“(...) as dificuldades dos alunos permanecem as mesmas. Falta tempo: tempo pra ler, tempo até ás vezes para vir pra aula.No núcleo livre matutino, os alunos têm faltado muito e (...) Quanto a experiência bem sucedida, talvez seja o núcleo livre, deu uma liberdade maior de programar e planejar temáticas. Sobre os resultados, eu não vou ter o resultado que eu achei que teria mas (...) eu acho que o núcleo livre é uma atividade diferenciada para o aluno”. (P1)

“A principal dificuldade e com relação à carga horária que é (...) acho difícil por ser cumprida em apenas quatro aulas semanais durante um semestre”. (P2)

“Eu penso que não dá pra responder isso precisamente porque este ano é o primeiro ano do currículo novo. Neste currículo eu começo a perceber que o tempo das disciplinas está menor, principalmente na área com a qual trabalho...”. (P1)

O Campus de Catalão oferece estrutura física, equipamentos, atualização tecnológica, condições de trabalho e acervo bibliográfico, adequados e suficientes para a implantação da proposta curricular?

“Acredito que ainda não se pode dizer que ele oferece uma estrutura adequada e suficiente não. Ainda nos faltam laboratórios, uma biblioteca atualizada no que se refere, por exemplo, a educação infantil, mas acredito que o curso está trabalhando para suprir essas dificuldades”. (P2).

Neste aspecto, as respostas dos alunos confirmam o que apontam a amostra dos professores, para o que é visível: a instituição não foi preparada e adequada, do ponto de vista estrutural e pedagógico para subsidiar a Reforma Curricular. Há um esforço profissional restrito do Departamento de Pedagogia em assumir e dar visibilidade à mudança curricular sem, contudo, alterar os espaços e a estrutura do campus. Em outras palavras, professores e alunos foram conclamados a assumirem uma mudança curricular sem que a instituição oferecesse uma contrapartida em termos estruturais e pedagógicos. Estes entendidos como a oferta de espaço físico adequado e suficiente para as atividades acadêmicas do curso, equipamentos, laboratórios, enfim, sem garantir uma infra-estrutura suficiente para abrigar as atuais e novas demandas que o curso requer. Neste momento, com a coexistência de turmas de duas propostas curriculares, é freqüente encontrarmos professores e alunos improvisando espaços para cumprirem atividades de ensino, pesquisa, extensão e estágios, devido à falta de salas em quantidade suficiente. Isto é, um novo currículo implantado no cenário de antigos problemas.
A realidade local de materialização da nova proposta curricular contrapõe com o que propõe Freitas (2004), ao indicar os requisitos para a definição das novas diretrizes da formação de professores:
É necessário também que o governo atual e próprio Ministério da Educação a quem cabe zelar pela educação básica e superior em nosso país, tenham como política a efetiva elevação da qualidade de vida de nosso povo, a qualidade da educação básica e a qualidade dos cursos superiores mediante processos de autorização de criação e recredenciamento, estabeleça com clareza processos de acompanhamento e incentivo às IES públicas que formam profissionais da educação, oferecendo-lhes plenas condições de funcionamento provendo-as de infra-estrutura necessária, profissionais docentes e ténico-administrativos e um amplo programa de incentivo a todos os estudantes que se preparam, por sua opção de vida, para serem educadores das novas gerações, das crianças, jovens e adultos do nosso país . E mais, que garanta, neste momento conjuntural privilegiado, a possibilidade das formulações históricas no campo da formação, a formação do educador de caráter sócio-histórico, abandonadas na formulação das políticas educacionais da década de 90 e não suficientemente contempladas nos documentos normativos produzidos até agora. (p. 6)

Ao que parece, os primeiros passos da reformulação curricular nesta instituição, está ocorrendo sem estes cuidados, uma vez que a precariedade das condições estruturais, acabam por limitar as ações de diferentes sujeitos neste processo.

Ao avaliar a nova proposta curricular existe alguma área do conhecimento que não foi inserida, e que você considera importante para a formação do pedagogo?

Enquanto nas informações dos alunos a ausência de outras áreas do conhecimento não foi revelada, na opinião dos professores esse dado teve o seguinte destaque:
“Eu penso que antropologia deveria compor o currículo do curso. (...) Eu ainda penso que antropologia cultural é uma disciplina de fundamental importância na formação de um acadêmico, principalmente na área de ciências humanas” .(P1).

“Eu acredito que o que faltou somente nessa proposta curricular é o trabalho com as atividades de leitura e produção de texto na universidade, que é uma área do conhecimento que ainda pode ser inserida nos núcleos livres ao longo dos semestres”. (P2).

“Sinto a ausência da Lingüística e da Estatística, já que o pedagogo deverá lidar com situações de pesquisa, diagnóstico, sistematização do conhecimento científico”. (P4)

A exemplo de algumas áreas do conhecimento que permanecem apenas na proposta inicial, porque ainda não foram vivenciadas pelas turmas em transição, como é o caso dos Estágios, a necessidade de ajuste de algumas áreas, bem como a ausência de outras serão perceptíveis neste currículo, na medida em que o processo de Reforma Curricular for materializado com a oferta e a demanda de turmas em todos os períodos e a conclusão dos estudos das primeiras turmas qualificadas conforme os parâmetros desta nova proposta.

No tocante às alterações, ajustes e avaliação da proposta curricular, considerando a realidade local, os professores afirmam que, em virtude de ser o primeiro ano e implantação e vivência desta nova proposta curricular, ainda é prematura indicar elementos de mudança. Quanto a avaliação, embora o curso não tenha discutido sobre isso, é necessária e requer um esforço conjunto de alunos, professores e instâncias administrativas, no sentido de acompanhar esse processo e dimensionar as experiências bem sucedidas, as dificuldades e adequações.
A esse respeito, julgamos pertinente registrar que, diante da nova regulamentação dos Estágios no âmbito da Universidade Federal de Goiás, é urgente que seja formulada uma proposta local que contemple o Estágio no Curso de Pedagogia, previsto a partir do 5º período, considerando questões como: especificidades locais, convênio com as instituições educacionais públicas e outros espaços não escolares, termo de ajuste entre a universidade e as instituições, dentre outros, levantados conforme as expectativas e interesses dos sujeitos envolvidos.

Considerações (In) Conclusivas.

As análises parciais até o momento sistematizadas, traduzem as dificuldades, impasses, incertezas e conflitos vivenciados por alunos e professores na implantação do novo currículo do Curso de Pedagogia no Campus de Catalão, dentre as quais destacamos: ausência de estudo de impacto estrutural e pedagógico sobre a mudança curricular na universidade, que considere a realidade diversa e específica de cada unidade; falta de adequação das condições dos departamentos, como contratação de professores para áreas específicas, adequação de espaço físico, recursos materiais e financeiros para que as novas propostas correspondam, de fato, a uma reorientação na formação de professores.
A partir de 2005 os demais cursos de licenciatura na UFG aderem ao processo de Reforma Curricular. Com isso, nos próximos dois anos haverá um impacto na oferta e demanda de disciplinas pedagógicas, com o encontro destas áreas em pelo menos duas turmas de cada curso. Em relação ao curso de Pedagogia, a partir do 5º período, o fluxo de disciplinas inclui a oferta do Estágio Supervisionado na Educação Infantil e Séries Iniciais, dentre outras especificidades, como as primeiras experiências de pesquisa através do trabalho de conclusão de curso. Há, ainda a indefinição quanto às diretrizes curriculares do curso de pedagogia, o que poderá acarretar em novos ajustes em breve numa proposta ainda em implantação. Tudo isso confere novas leituras, novos desafios e expectativas diante da afirmação e contornos da nova proposta curricular.

Referências Bibliográficas

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______. CNE/CP. Resolução nº1/2002. Institui Diretrizes Curriculares nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Disponível: http://www.mec.gov.br

CAMPOS, Roselane F. A reforma da formação inicial dos professores da educação básica nos anos de 1990 – desvelando as tessituras da proposta governamental. 2002. Tese (Doutorado) – PPGE/CED/Universidade Federal de Santa catarina. Florianópolis, 2002.

CAMPOS Roselane Fátima. O CENÁRIO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL – analisando os impactos da reforma da formação de professores (versão preliminar). Mimeo.

CURY, C. R. J. LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação: (Lei 9.394/96).Rio de Janeiro, DP&A, 2002.

DOURADO Luiz Fernandes. A reformulação do Curso de Pedagogia da FE/UFG: um olhar comprometido com a docência-Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental (Versão Preliminar). Goiânia, GO, 2001.

DOURADO, Luiz Fernandes. Reforma do Estado e as políticas para a educação superior no Brasil nos anos 90. Educ. Soc. [online]. set.
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GARCIA, Regina Leite & MOREIRA, Antônio Flávio B. (orgs. ) Currículos na Contemporaneidade. SP, Cortez: 2004.

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SILVA Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do Currículo. SP, Autêntica, 2001.

Fluxo da Matriz Curricular do Curso de Pedagogia – 2004

1º SEMESTRE

CARGA HORÁRIA

2º SEMESTRE

CARGA HORÁRIA

História da Educação I

72 h

História da Educação II

72 h

Sociologia da Educação I

72 h

Sociologia da Educação II

72 h

Arte e Educação I

72 h

Arte e Educação II

72 h

Sociedade, Cultura e Infância

72 h

Psicologia da Educação II

72 h

Psicologia da Educação I

72 h

Núcleo livre

64 h

TOTAL

360 h

TOTAL

352 h

 

 

 

 

 

3º SEMESTRE

 

 

4º SEMESTRE

 

Fundamentos e Metodologia de Matemática I

72 h

Fundamentos e Metodologia de Matemática  II

72 h

Fundamentos e Metodologia de Ciências Humanas  I

72 h

Fundamentos e Metodologia de Ciências Humanas  II

72 h

Did. e Formação de Professores

72 h

Fundamentos e Metodologia de Ciências Naturais I

72 h

Alfabetização e Letramento

72 h

Fundamentos e Metodologia de Língua Portuguesa I

72 h

Núcleo livre

64 h

Núcleo livre

64 h

TOTAL

352 h

TOTAL

352 h

 

 

 

 

 

5º SEMESTRE

 

 

6º SEMESTRE

 

Políticas Educacionais e Educação Básica

72 h

Cultura, Currículo e Avaliação

72 h

Estágio em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental I

72 h +28 h

Estágio em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental II

72 h + 28 h

Fundamentos e Metodologia de Língua Portuguesa II

72 h

Filosofia da Educação I

72 h

Fundamentos e Metodologia de Ciências Naturais II

72 h

Núcleo livre

64 h

Núcleo livre

64 h

Núcleo livre

64 h

TOTAL

380 h

TOTAL

372 h

 

 

 

 

 

7º SEMESTRE

 

 

8º SEMESTRE

 

Filosofia da Educação II

72 h

Educação, Comunicação e Mídias 

72 h

Estágio em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental III

72 h +28 h

Estágio em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental IV

72 h + 28 h

Gestão e Organização do Trabalho Pedagógico

72 h

Trabalho de Conclusão de Curso II

72 h

Trabalho de Conclusão de Curso I

72 h

Núcleo livre

64 h

Núcleo livre

64 h

Núcleo livre

64 h

TOTAL

380 h

TOTAL

372 h

 

 

 

 

TOTAL PARCIAL                                                                                                                                            2.920 h

ATIVIDADE COMPLEMENTAR/ATIVIDADES

ACADÊMICO-CIENTÍFICO-CULTURAIS                                                                                                         200 h

TOTAL GERAL                                                                                                                                               3.120 h

 
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