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  CAIXA MÁGICA – CONTADORES DE HISTÓRIAS

Danusia Apparecida Silva - Universidade do Planalto Catarinense - Área Temática – Comunicação, Cultura e Saúde. (Coor.)- Literatura Infanto-Juvenil. danusia@uniplac.net

Darcy de Liz Biffi – Universidade do Planalto Catarinense Formação de Professores.- darcy@uniplac.net
Alunos extensionistas (12) de diversos cursos

Ouvir histórias consiste numa das realizações mais prazerosas de que o homem é capaz. Entre o eu contador e o eu ouvinte trama-se uma rede de complementariedade, de preenchimento de vazios emocionais que povoam o imaginário, curam e resgatam a memória. Quem conta histórias transmite um saber ancestral, reorganiza a informação em conhecimento, transforma a palavra em bálsamo medicinal, e o receptor a interpreta, segundo sua necessidade. Uma história contada cria constelações de magia, transforma o mundo em múltiplos universos, leva as criaturas por caminhos infinitos de descobertas. Cada história ouvida permite ao receptor transcender os estreitos limites da sua existência, imaginar horizontes, e compreender os problemas, no dizer de Bettelheim, sempre novos, porém velhíssimos para a humanidade. Na concepção de Estés, contar histórias é um processo misterioso de preservar a tradição, um permanente desafio. No sentido mais antigo elas são uma arte medicinal, transitando pelas veredas do imaginário infantil, pelo desejo de cura da criança enferma, pela memória difusa do idoso. O “Caixa Mágica”- contadores de histórias apresenta-se como um projeto de Extensão da UNIPLAC – Universidade do Planalto Catarinense. De caráter permanente e de assistência social tem como objetivo promover o desenvolvimento emocional e social da criança economicamente carente, o bem-estar da criança hospitalizada, o entretenimento e o resgate da memória do idoso. O Caixa Mágica vem operando desde 2001, com evidente dinamismo em escolas da rede pública, creches, Hospital Seara do Bem e em eventos promovidos na Universidade do Planalto Catarinense, como Semana do Livro Infantil, Seminários e outros. O trabalho já ultrapassa as fronteiras de Lages, pois, atendendo inúmeras solicitações, o Grupo tem se apresentado nas cidades de: Urubici, Rio Rufino, Campo Belo, Otacílio Costa, Correia Pinto, Bom Retiro. O preparo do Grupo faz-se através da fundamentação teórica e do conhecimento sobre histórias clássicas, contemporâneas e populares, sob a orientação das professoras coordenadoras. Semanalmente cerca de duzentas (200) crianças economicamente carentes ouvem, lêem histórias, fazem oficinas, sob a orientação dos alunos bolsistas. A continuidade do projeto Caixa Mágica–contadores de histórias espera despertar cada vez mais nas crianças o gosto pelo ouvir e ler histórias, bem como reduzir o índice de horas consumidas em frente à TV, assistindo a programas que lhes são, muitas vezes, nocivos. As histórias contadas e teatralizadas podem contribuir no processo de recuperação das crianças hospitalizadas e pela via do entretenimento proporcionar aos idosos asilados oportunidades para resgatar as memórias do vivido. Dos acadêmicos envolvidos no projeto espera-se o desenvolvimento da oralidade e o prazer de contar histórias.

Bibliografia

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BETTELHEIM, Bruno.A psicanálise dos contos de fada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

ESTÉS, Clarisse Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1965.

SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó: Argos, 2001.

 
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