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  INGLÊS INSTRUMENTAL – UM INSTRUMENTO EFICIENTE NO EXAME VESTIBULAR

Cleia Ferreira Vasconcelos Campos - Centro Federal de Educação Tecnológica–Goiás (CEFET-GO)

O desejo de tornar o ensino e, conseqüentemente, a aprendizagem da língua estrangeira algo não só agradável, mas também prático e que conseguisse alcançar a velocidade das necessidades do aluno trouxe a abordagem instrumental como estratégia.
Baseada em profundos estudos da análise do discurso, da psicologia cognitiva, da psicolingüística, sociolingüística e da lingüística aplicada, a abordagem instrumental traz ao aluno o prazer da experiência com o texto. Propicia uma atitude não passiva diante do texto. Tira informações experiências; instrumentaliza-o com as estratégias, dá independência àquele que, diante de novas informações ou instruções, pode aprender, questionar e crescer.
O Inglês Instrumental tem como objetivo preparar o aluno - futuro profssional - como um leitor inteligente, capaz de não apenas ler, mas perceber as entrelinhas, as relações implícitas, separar informação de opinião.Tal objetivo encontrou ressonância nos cursos técnicos e tecnológicos oferecidos pelo CEFET em Goiás. Preparamos jovens e adultos para o mercado de trabalho, no qual devem apresentar-se aptos a absorver novas idéias, teorias, métodos, mesmo que se lhe apresentem em língua estrangeira.

O vestibular entra em pauta principalmente quando analisamos duas questões básicas a seu respeito.

A primeira é que a seleção para um curso tecnológico de nível superior ou mesmo pós-médio tem poder de influenciar na metodologia aplicada pelas escolas de ensino médio. Da mesma forma como a ênfase na prova de redação fez mudar o conceito da Língua Portuguesa em muitas escolas, a ênfase no Inglês Instrumental tem mudado o ensino da língua inglesa. Isso pode ser notado já nas novas edições de livros didáticos a que temos acesso.
A outra questão a respeito do Vestibular é que a prova deve partir do perfil do aluno que a instituição quer para seu corpo discente. No que se refere ao CEFET e a seus cursos tecnológicos, o aluno ideal é o analítico-crítico e não um “memorizador de regras”. O CEFET precisa da inteligência, da perspicácia, da inventividade do aluno para poder “imprimir” nele o criador de soluções em vez do “autômato”. Então, novamente encontramos no Inglês Instrumental um dispositivo eficaz para se selecionar o aluno com o perfil desejado.
Depois de algumas experiências com a metodologia nos vestibulares de 2000 a 2002, foi possível detectar que a prova elaborada a partir do instrumental poderia discriminar melhor. Por causa dos níveis de leitura e das estratégias as questões naturalmente apresentavam-se como fáceis (como uma idéia geral que o texto pudesse apresentar-skimming), ou mais difíceis (que exigissem mais interpretação - intensive reading).
O estilo também diminui a possibilidade de chute pois aumenta a probabilidade de resolução, o que mais uma vez reforça o maior poder discriminativo do Inglês Instrumental sobre o tradicional. Talvez porque a prova tenha ficado mais atraente (os textos são autênticos e, quase todos, com presença de linguagem não-verbal) ou porque a própria metodologia tirou do aluno alguns medos e mitos (principalmente aquele de acreditar que todas as palavras no texto têm de ser “traduzida”).
Para demonstrar a aplicação que o Vestibular CEFET deu à abordagem instrumental, escolhemos duas das provas mais recentes: 2004 e 2005 ( em anexo)

Na prova de 2004 exploramos o gênero carta, publicado numa revista de vôo da TAM. A primeira questão (08) explora justamente a estrutura do texto e um pouco de leitura da parte do candidato. Na segunda questão (09), já é cobrada do candidato uma leitura mais atenta com julgamento no que se refere à opinião do locutor expressa na carta. E a terceira questão (10) trabalha a interpretação. Para responder corretamente às assertivas era exigido do candidato o levantamento de inferências, um aprofundamento na leitura.
Com as três questões pode-se avaliar a capacidade do aluno-leitor de lançar olhares diferenciados sobre o texto. Em contrapartida, o avaliador tem como medir essa capacidade já que os níveis de inferência (literal, literal-contextual e contextual) são explorados de forma gradativa nas questões.

As questões que se seguem (11 e 12), referentes ao mesmo texto, abordam a aplicação da palavra dentro do contexto.

No item 01, por exemplo:

01 ( ) O pronome “I” (linha 7) refere-se ao locutor do texto. No caso, o Daniel Mandelli Martin.

A palavra “I” não é questionada apenas como pronome ou sujeito de uma frase. É explorada sua função no todo do texto, a saber, a carta. O candidato precisaria conhecer a estrutura do gênero, relacioná-la aos elementos da comunicação e também, através da leitura, aplicar os conceitos ao texto. Conceitos que ele já deve dominar em Língua Portuguesa, reiterados no Inglês.

O item 02 da questão 11

02 ( ) “Its” (linha 24) é usado como elemento de retomada e repete a palavra TAM.

Também explora a utilização do pronome já em outra função, a de elemento de retomada, de anafórico. Novamente é requerido do candidato o conhecimento do conceito e a leitura interpretativa.

Assim também foram trabalhadas as circunstâncias estabelecidas pelos elementos de coesão e seu papel como marcadores no discurso, alguma significação em contexto. Estes itens exigiram uma certa competência lingüística ou um bom senso de observação (significação pelo contexto). De qualquer forma a simples memorização de pronomes e conectivos jamais tornaria apto um candidato a resolver de forma acertada a estas questões.

A prova de 2005 trabalha relativamente a mesma seqüência e objetivos. Entretanto ela foi avaliada como mais “difícil” pelos vestibulandos e comentários da mídia. Imaginamos que isso se deve ao texto que, além de mais extenso, oferece maior dificuldade de leitura: mais informações, umas relacionadas a outras, sendo comparadas.
O objetivo das questões era verificar a habilidade do leitor em separar as informações e entender as comparações.
A charge em português dá um alento ao candidato, mas o teor da questão ( 14 – 2005 ) é fortemente interpretativo, estabelecendo paralelo temático entre os textos (verbal e charge) utilizados na prova.

A ênfase na leitura vai ao encontro do objetivo da instituição,que é encontrar o aluno crítico-analítico junto com o homem comum – aquele que acessa a internet, que lê a camiseta, que precisa do manual e da instrução da máquina, que canta a música, que vive.

Através de nossos exames vestibulares, procuramos sinalizar nessa direção. De forma sutil e didática, tentamos encaminhar o ensino médio a que ele permita a existência desse tipo de profissional e cidadão. Afinal, o vestibular não é apenas um instrumento de avaliação e seleção, é também um exercício de ensino-aprendizagem.

PROVA DE INGLÊS - CEFET – 2004

Texto I
Negotiations between TAM and VARIG

Due to the conflicting and erroneous information published in newspapers and magazines regarding the merger between TAM and V ARIG, I decided a few days ago to provide all our employees with some clarification via an in¬ house memorandum.
Today I deem it necessary to repeat these clarifications in this letter, as a tribute to millions of passengers who place their trust in TAM daily when they fly with us.
In fact, we have tried to arrive at the best understanding possible in the negotiations that are under way, so that they may truly serve the country' s air transportation industry while maintaining TAM's principal values: rigor in its commercial, financial and fiscal commitments, respect for its employees and the company's, perennation project. TAM’s goals is to build a new, efficient, competitive, strong company, with a consistent business plan and high standards of corporate governance. We will not accept anything that jeopardizes these principles.
On the other hand, TAM continues to dedicate its best efforts to its restructuring process, irrespective of any negotiations, with the main purpose of continuously improving its activities. At the same time, we are carrying on with our efforts to permanently strengthen our service-oriented spirit in order to win over our clients even more completely.
As regards the TAM and VARIG negotiations, we hope common sense prevails so that the best interests of Brazilian air transportation may be preserved and strengthened at the end of this operation.
Have a nice trip.

Daniel Mandelli Martin
President
(Classe - TAM Inflight Magazine)
QUESTÃO 08

Segundo evidências presentes no texto I, pode-se firmar que

01- ( ) trata-se de uma correspondência dirigida aos funcionários de uma empresa;
02- (. ) vem a ser um oficio enviado pela TAM à VARIG;
03- ( ) trata-se de uma carta destinada aos passageiros da TAM;
04- ( ) trata-se de um documento escrito pelo presidente da V ARIG.

QUESTÃO 09

Assinale V para os itens que, de acordo com o texto I, referem-se aos valores e lou objetivos da T AM e F para aqueles que os ferem.

01- ( ) Respeito aos funcionários.
02- ( ) Rigor em seu .de9comprometimento fiscal, comercial e financeiro.
03- ( ) Manutenção do projeto da companhia até 2005.
04- ( ) Construção de uma companhia eficiente, forte e competitiva.

QUESÃO 10

Pela leitura ,do texto I, pode-se dizer que ele foi construí do com a intenção de

01- ( ) fornecer infonnações quanto às negociações entre as empresas T AM e V ARIG; .
02- ( ) criar um ambiente tranquilizador para os passageiros em relação à segurança dos vôos;
03- ( ) prestar esclarecimentos quanto a boatos publicados em jornais e revistas;
04- ( ) informar que aTAM espera que os interesses do transporte aéreo sejam preservados e reforçados ao final das negociações.

QUESTÃO 11

Quanto ao aspecto formal do texto I, pode-se afirmar que:

01- ( ) o pronome "I" (linha 07) refere-se ao locutor do texto. No caso, a Daniel Mandelli Martins.
02- ( ) "Its'" (linha 24) é usado como elemento de retomada e repete a palavra T AM.
03- ( ) "at the same time", (linhas 26 e 27) funciona como elemento de coesão e estabelece uma relação de seqüência temporal.
04- ( ) "Have a nice trip", no final do texto, é uma frase no imperativo, com interlocutor implícito.
QUESTÃO 12

Ainda com relação ao texto I, analise as afirmativas a seguir.

'01- ( ) As palavras "conflicting" e "erroneous" (linha 01) caracterizam as informações encontradas nos jornais. Em oposição à idéia expressa por elas, encontra-se a idéia expressa pela palavra "clarification" (linha 05).
02- ( ) Os termos "a few days ago" (linha 04) e "today" (linha 07) expressam idéia de tempo.
03- ( ) A expressão" on the other hand" (linha 23) indica que a frase que se segue está ligada à anterior por uma relação de complementaridade.
04- ( ) O termo "hope" (linha 32) denota a idéia de compromisso, certeza.

Texto 11

Society is discovering that the time has come to listen to children and youngsters if we want to change the world.

It is impossible to talk about democracy without taking into consideration what children and youngsters are thinking worldwide. This is the conclusion reached by the United Nations Children's Fund (UNICEF) in its State of the World's Children 2003 Report, released last December. The central theme is the participation and the impact that the different actions coordinated and headed by children and youngsters have had upon the many different aspects of their lives.
(Classe - TAM Inflight Magazine)

QUESTÃO 13

Pelo conteúdo do texto lI, pode-se relacioná-lo ao(s) seguinte(s) tópicos:

01. ( )one needs to listen to children and youngsters;
02. ( ) UNICEF's latest conclusion;
03. ( )juvenile protagonism;
04. ( ) youngsters can't make changes.

QUESTÃO 14

Os verbos "reached" e "released" apresentam, em suas estruturas, marcas que

01. ( ) denotam tempo decorrido;
02. ( ) expressam a idéia de futuro;
03. ( ) caracterizam um tempo verbal específico;
04. ( ) diferenciam-se semanticamente das marcas encontradas em "coordinated" e "headed".

PROVA DE INGLÊS - CEFET – 2005

Texto I

22 candidates dig deep into fortunes; only one wins

COLUMBUS, Ohio (AP) - Of the 22 candidates who each spent more than $1 million of their own money trying to win their first election to Congress, only one made it.
The lesson, say analysts, is that ready cash is less important than experience and whether voters perceive wealthy candidates as "one of them." "Millionaires don't automatically win," said Herb Asher, a political science professor at Ohio State University. "The money just gives them instant credibility and puts them in the position to be able to run in the first place."
The sole victor was former federal prosecutor Michael McCaul, who won in a Texas district once represented by Lyndon Johnson. The biggest loser -in terms of money down the drain - was securities trader Blair Hull, who spent nearly $29 million trying for a Senate seat but lost in the Illinois Democratic primary to Barrack Obama.
Jack Davis, a New York businessman, said the reasons for running made the money well spent. Davis, who changed parties to become a Democrat so he could run against incumbent Republican Tom Reynolds, said the $1.2 million he spent was worth it just to get his message out that free trade policies are costing American jobs. He lost to Reynolds 44% to 56%.
"I don't feel it's wasted. It was something that I had to do," Davis said. "What I did was to prove a point. "
A campaign finance rule that went into effect this year helped the incumbents by allowing those running against millionaires to raise from donors up to $6,000 a person - three times the normal ceiling on individual contributions to a single candidate.
Open races often present the best possibility for millionaire candidates, but even then, it helps to have experience, Asher said.
In Texas, McCaul, a former counterterrorism specialist in the Justice Department, had the experience - and the cash. His wife, Linda, is the daughter of Lowry Mays, chairman of the board of Clear Channel Communications Inc. McCaul spent $4 million to defeat millionaire Ben Streusand, a Houston-area mortgage banker, in a Republican runoff primary election. Since there was no Democratic candidate, McCaul won election to the House.
At least one millionaire candidate started his Senate race with a well-known name - beer executive Pete Coors of Colorado. Coors spent $950,000 of his fortune but came up short against Democrat Ken Salazar, the state's attorney general.
Stanley Renshon, a. political psychologist at the City University of New York, said it often comes down to whether voters perceive the millionaires as one of them. "There are millionaires of the people and then there are just millionaires," Renshon said. We don't mind people making money, but we don't like people who make money and think they are better than us. The secret is to be rich but not snobby."
(Texto adaptado - retirado do jornal americano 'USA TODAY' -ed. 10/11/04)

Vocabulary:

wealthy (rico),
down the drain (descer pelo ralo),
worth (valer a pena),
defeat (derrotar),
attorney (procurador)

Com referência ao texto, responda as questões a seguir.

QUESTÃO 08

Quanto aos gastos dos candidatos, é correto afirmar que

01- ( ) Blair Hull gastou cerca de 29 milhões de dólares tentando uma vaga no senado;
02- ( ) Tom Reynolds gastou 1,2 milhões de dólares;
03- ( ) milionários doaram menos de 6 mil dólares cada um;
04- ( ) Pete Coors gastou 950 mil dólares de sua fortuna.

QUESTÃO 09

No texto, que frases expressam a opinião dos eleitores?

01- ( ) Ready cash is less important than experience.
02- ( ) The money just gives them instant credibility.
03- ( ) Open races often present the best possibility.
04- ( ) The secret is to be rich but not snobby.

QUESTÃO 10

Na linha 31, a palavra 'ceiling' teria como idéia(s) correta(s):

01- ( ) O teto mínimo política;
02- ( ) O teto de contribuição.
03- ( ) O teto normal de contribuição que uma pessoa pode dar para o partido;
04- ( ) O valor médio de contribuição para uma campanha política.

QUESTÃO 11

Nas linhas 25 e 26, a frase dita por Jack Davis: "What I did was to prove a point" pode ser corretamente transformada, para a voz passiva, em:

01- ( ) The point was proved by me;
02- ( ) The point was proved by him;
03- ( ) Proved the point was what he did;
04- ( ) What he did was. to prove the point.

QUESTÃO 12

Com relação aos pronomes utilizados no texto, analise as colocações a seguir.

01- ( ) "Them" (linha 03) refere-se a "candidates".
02- ( ) "That" (linha 27) retoma a expressão que a antecede e tem como núcleo (headword) a palavra "campaing".
03- ( ) "It" (linha 34) recupera a idéia de "best possibility".
04- ( ) "We" (linha 56) faz referência às pessoas que votam.

QUESTÃO 13

Pode-se apontar como idéias defendidas no texto:

01- ( ) os valores para uma campanha política são altos e nem sempre o gasto é certeza de resultados;
02- ( ) o texto deixa claro que candidatos ricos só conseguem se eleger quando gastam muito dinheiro em suas campanhas;
03- ( ) os eleitores se preocupam mais com a experiência do candidato do que com o poder financeiro dele;
04- ( ) em campanhas eleitorais, o poder do dinheiro conta mais para quem pode gastar mais.

QUESTÃO 14

Quais das alternativas a seguir associam acharge ao texto I ?

01- ( ) The text and the charge talk about the necessity of money in election.
02- ( ) The charge and the text present millionaire candidates.
03- ( ) Both texts ta1k about campaing finance.
04- ( ) In Brazil as in the United States millionaires authomatically win.

 
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