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  A VIOLÊNCIA NA ESCOLA: UMA ANÁLISE DE DIFERENTES VOZES E POSIÇÕES SOCIAIS

Aline Luci Inácio Caprera
Ana Luíza Bustamante Smolka

O tema da violência tornou-se um dos mais preocupantes, nas últimas décadas, quando passou a ocupar um espaço de destaque no debate público da imprensa, dos acadêmicos em seminários e congresso. Atingindo as conversas cotidianas nas casas, na rua, na escola, nas rádios, nos jornais, nos canais de televisão, ou seja, passou a fazer parte das interações sociais.

Hoje, o espaço conquistado pela mídia em torno do tema fez com que as notícias virassem mercadorias e o próprio conceito de violência fosse confundido com questões sociais, vistas como ruins ou condenáveis, a saber: a desigualdade social, a miséria, as vulnerabilidades, dentre outras. O discurso da mídia fica evidentemente ideológico quando o adjetivo violento é utilizado para caracterizar o ‘outro’, o que não faz parte da cidade, da classe social, da família, etc.

A violência está por toda parte, ela não tem nem sujeitos reconhecíveis, nem ‘origens’ facilmente delimitáveis e inteligíveis, perpassa as diferentes relações sociais e aparece de forma explícita nos meios de comunicação de massa, principalmente na mídia televisiva. Assim, questões relativas à segurança têm se deslocado para áreas centrais das discussões públicas no Brasil. O crescimento das taxas de crime, bem como o aumento da percepção subjetiva do fenômeno, influem diretamente nas condutas dos diversos sujeitos. Neste contexto, escolas, bem como os demais sujeitos envolvidos na esfera educacional/pedagógica, volta-se de um modo ou de outro para as mais diversas formas de negociação com a violência, seja na própria instituição escolar, seja na comunidade onde estas escolas se inserem. A violência na escola, amplamente divulgada e explorada pelos meios de comunicação, tem se constituído em um problema social.

Existem várias possibilidades de estudo e os modos de análise que se abrem quando nos deparamos, quer empiricamente, quer teoricamente, com a questão da violência na escola, principalmente através de seus efeitos, que se apresentam também das mais variadas formas: desde as agressões físicas ou verbais explícitas, a depredação, as diversas ameaças, a indisciplina, até apatia nas relações, os confrontos velados, os muros (reais e simbólicos), os processos de exclusão, dentre outros. As concepções atuais deixam de relacioná-la a criminalidade e a ação policial, passando a ser foco de questões relacionadas à miséria e ao desamparo político, pois conduz a novas formas de organizações sociais imbricadas com a exclusão social e institucional. Esse projeto de pesquisa teve como objetivos analisar o que sujeitos em campos distintos e interconectados de ação, têm a dizer sobre a violência na escola: profissionais da academia; reportagens em revistas de divulgação na área de Educação; alunos da 4ª série do Ensino Fundamental.

Para atingir tais objetivos realizamos o levantamento e a análise de seis textos acadêmicos; a análise de reportagens sobre a violência na escola, que tenham constituído reportagem de capa, da Revista Nova Escola e a pesquisa empírica, envolvendo projeto de participação, intervenção e interação com 110 alunos em escola da rede pública de ensino.

Em termos de descrição e de diagnóstico, os textos acadêmicos falam de uma realidade vivenciada pela sociedade, conseguindo identificar um movimento que transcende realmente a instituição escolar. Dentre os fatores e formas de manifestação da violência que emergiram como possíveis origens da violência na escola o que se destaca nestes são: vulnerabilidade social - pobreza, desemprego, falta de perspectiva, falta de sentido na escola; incivilidades - desobediência, provocação, depredação, a indisciplina; declínio da autoridade dos pais; democratização do ensino público e declínio da autoridade docente. Alguns destes textos propõem algumas possíveis formas de resolução do fenômeno: o aprender a conviver, a retomada da autoridade docente, a abertura das escolas para a comunidade, com projetos que visem o desenvolvimento da cidadania, da participação e da gestão democrática, se destaca como uma possível forma, embora nenhum dos autores tenha ido ao âmago da questão, as condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, dos professores, dentre outros. Alguns pontos destacados pelos acadêmicos, como origem do problema da violência na escola, compõem o que vivenciamos e ouvimos na escola durante o desenvolvimento da pesquisa empírica.

Enquanto a academia está identificando as possíveis origens da violência na escola e trazendo algumas possíveis propostas para a resolução de tal fenômeno, as reportagens – 1ª Portas Abertas para a Paz, maio de 2002 e a 2ª O desarme da violência, setembro 1999 – da revista Nova Escola trazem relatos de escolas que sofriam com o problema da violência na escola. Os dois textos apresentam argumentos bastante diferenciados com relação à violência e à escola usando fundamentos e argumentos, às vezes, opostos. Mas o foco das reportagens da Revista Nova Escola é trazer relatos de escolas que sofriam com o problema e através de algumas medidas como abertura da escola para a participação efetiva da comunidade; diálogo entre pais, direção, professores e alunos; negociação de direitos e deveres; corpo docente estável, estão resolvendo o fenômeno dentro da própria escola.

Simultaneamente à pesquisa bibliográfica e ao aprofundamento teórico, desenvolvemos um trabalho de campo, o terceiro momento de investigação, que diz respeito à questão do trabalho com os alunos de uma EMEF de Campinas.

Para o desenvolvimento desse trabalho empírico retomamos o contato com a escola para a apresentação e discussão do pré-projeto de pesquisa. Foram vários os contatos realizados envolvendo a direção, a coordenação pedagógica, ex-professoras e o corpo docente atual de primeira à quarta série.

Na discussão desta proposta com os professores, o trabalho com a informática foi ganhando relevância especial. Havia por parte das professoras e dos alunos a expectativa de retomada, uma implementação e expansão do trabalho com as crianças e com os computadores. O desafio que se colocava para a equipe do projeto neste momento era como conciliar os objetivos da investigação com a demanda de intervenção solicitada pela escola.

A proposta de trabalho na sala de informática foi ganhando contornos relevantes, e com isso fomos estudando uma forma de acolher no projeto os 110 alunos das três 4ª séries da escola. O projeto de atuação junto aos alunos foi sendo desenvolvido passo à passo. As aulas nessa sala se configuraram como um espaço diferenciado de aprendizagem, um espaço no qual os alunos não tinham a obrigação de estar.

Ao final do projeto, que teve duração de oito semanas, tínhamos desenvolvido as seguintes atividades: confecção de crachás (feitos pelos alunos), trabalho no paint, releitura de Picasso e Miro, produção de textos (sobre o bairro em que as crianças vivem), fotos, confecções de livretos, exposição na escola (das atividades realizadas pelos alunos) e gravações em vídeo.

O trabalho de produção de textos nos possibilitou um contato com a temática do projeto de pesquisa, ou seja, falar do bairro é falar de violência. Na sistematização do material, pudemos constatar a referencia a diversas formas de violência física como atropelamentos, brigas, mortes por assassinatos, tiroteios, utilização de drogas, dentre outras. A atividade de texto gerou 62 produções, algumas em duplas e outras individuais. Para visualizarmos melhor o que foi produzido, num geral, iremos indicar alguns gráficos:

(I)

P. C.

Eu não gosto da violência e das drogas.

A violência traz morte e destrói os homens.

Eu gosto de brincar na rua com meus amigos de bola e muitas outras coisas.

JSGF

(II)

S. M.

EU GOSTO DE DANÇAR AXÉ E HIP HOP, NÓS MORAMOS NO S. M. E NÃO GOSTAMOS, PORQUE NÃO TEM LUGAR NENHUM, ONDE PODERÍAMOS BRINCAR...

NOS GOSTARIAMOS DE MORAR NO J. S. M., PORQUE GOSTAMOS DE LÁ.

P E A

Dos 40 textos que tratavam, especificamente, da violência, tivemos trabalhos que utilizavam a palavra (violência) e outros que tratavam da temática, mas não utilizavam os termos:

Encontramos, nos trabalhos, várias formas de classificação das violências vividas:

Dos trabalhos em geral, ou seja, dos 62 textos, encontramos também alguns problemas dos bairros, que atentam as condições concretas de vida dos alunos e também constituí um quadro de vulnerabilidade social existente nos bairros, que a escola atende:

Das reflexões propostas pelos autores na academia temos como pontos de possível origem da violência na escola, a vulnerabilidade social, as incivilidades, o declínio da autoridade dos pais, o declínio da autoridade do professor e por fim a democratização do ensino. Na relação com as crianças alguns destes pontos são evidenciados (como desenvolvemos uma pesquisa de participação, intervenção e interação, na sala de informática, não tivemos um contato direto com as professoras). Analisando algumas atitudes dos alunos e da instituição, pensamos que as relações sociais, a convivência e os problemas existentes na escola vão muito além do declínio da autoridade de pais e do declínio da autoridade dos professores, da democratização do ensino e, principalmente, do ensinar a conviver. Alguns fatos têm seu centro irradiador nas vulnerabilidades sociais, uma vez que as práticas sociais nos remetem não apenas as regras da instituição, mas também àquelas que perpassam o cotidiano escolar.

Nas falas e escritas das crianças não há menção explicita à vulnerabilidade social, mas podemos encontrar nos textos as condições existentes com relação a isso:

“As necessidades para as pessoas que não tem estudos e não conseguem arrumar trabalhos, para eles terem uma casa boa, terem alimentos para as pessoas não morrer de fome”.

V.S. E J.A. DATA:08/11/2004

Observa-se neste a preocupação com o desemprego, com a fome, a falta de os estudos, a falta de moradia. Estas estão diretamente relacionadas com a questão da vulnerabilidade social, as quais as crianças estão se constituindo social e culturalmente, ou seja, fazem parte das condições concretas de vida. Num bairro onde a vulnerabilidade impera, onde predomina a pobreza, o desemprego, a falta de perspectiva e a falta de sentido na escola, uma vez que, para muitos alunos, a escolaridade tem uma finalidade que se encerra nela mesma.

Com relação as possíveis resoluções do fenômeno da violência na escola, uma que se destaca é a questão do ‘aprender a conviver‘, levantada por Abramovay (2004) Avancini (2004) e Pinheiro (2004), podemos observar a convivência das crianças com o tráfico de drogas, com as brigas entre gangues, com os assassinatos, com os tiroteios, dentre outros, fatos que ficam evidenciados na fala e na escrita:

(I)

T. – Meu tio morreu!

Al – Morreu, como assim?

T. – Lá perto da minha casa.

Al. – Como assim morreu? Mataram ele?

(...)

T. – Eu só queira que mudasse a violência, lá perto de casa.

A. – Por que?

T. - Mataram meu tio, na esquina da minha casa, com um tiro!

A. - Tinha um por que?

T. – Por causa de menina.

Al – Por causa de mulher?

T. – É!

(...)

T. – Quem matou meu tio conhece meu pai, minha mãe, minha avó, tudo mundo e ainda passa e cumprimenta.

A. – Amigo da família?

T. – É, ainda foi no enterro!

(II)

R. – O cara tava lá na esquina, aí passou dois caras de moto e baleou o cara.

A. – Ninguém sabe por que?

R. – Ninguém sabe porque. Dizem que é por causa de briga de gangue.

A. – Tem muita gangue aqui?

Vários – Tem.

Al. – Vocês conhecem alguém de gangue?

R– Conheço

(I)

P.C.

Campinas, 2004.

Eu não gosto dos travestis e da violência, no meu bairro tem muita arma de fogo, muitas brigas de gangue, muitas drogas e um estuprador.

O que eu mais gosto é de brincar com meu irmão de pular rampa de bicicleta, no pasto perto da minha casa.

RLOS é nois na fita

(II)

P. C.

Eu não gosto da minha rua, porque tem muito ladrão e não tem asfalto, quando chove é muito ruim, fica com muito barro; também tem muita violência no meu bairro.

Eu gosto de ir para a escola, pois é muito legal, dos meus amigos da escola e da minha rua, eles são legais e brincalhões.

Ass: JRS

Os textos e as falas vão mostrando com o que as crianças convivem no seu cotidiano, com essa convivência, nos indagamos o que seria ‘o aprender a conviver’, levantado como possível solução para o fenômeno da violência, as crianças convivem entre si, na escola ou no bairro, com a violência social escancarada, isso não é um modo de conviver? Como a violência se inscreve nos modos de convivência?

(I)

M.

Não se pode mais ficar na rua.

Dois meses atrás eu estava na rua andando de bicicleta quando dispararam seis tiros e minha mãe me chamou. Eu não tinha para onde me esconder.

Eu fui para rua de cima me esconder, esperei tudo acabar para depois ir embora para casa.

Depois que dispararam os seis tiros em uma menina de três anos, foram pedir socorro. Pediram emprestado o carro do meu tio, mas inventaram uma mentira para não emprestar o carro para levar a menina para o hospital.

Depois de um tempo a ambulância chegou, a menina estava viva. Eles levaram a menina para o hospital e só chegaram a noite.

W.

Os sujeitos participam do que dizem, vivem dramas ou situações rotineiras, estabelecem, reforçam ou rompem relações sociais entre si, definem posições sociais, investem ou desinvestem o poder, mantêm ou modificam normas sociais. “Sua linguagem não é, pois, mero instrumento ou meio de comunicação, ela é constitutiva de suas relações sociais”. (ZALUAR, 2000:58). Acreditamos que as crianças já convivem e não é, somente, através da simples abertura das escolas nos finais de semana ou do aprender a conviver, que os problemas da comunidade vão se resolver. Ou seja, os problemas social-econômico-político e o fenômeno da violência que têm raízes sociais, uma vez que a instituição escolar não é um espaço livre da violência, pois o que se passa dentro deste local, o que ocorre cotidianamente, vem de fora, do meio social onde as crianças se desenvolvem e vivem. Podemos verificar essa convivência social, nas falas das crianças .

(I)

G. – Já teve na minha rua dois, já teve tiro também.

J. – Já vi, na esquina da minha casa, cinco homens mortos de tiro.

?? – Na minha rua, nunca morreu ninguém!

A. – Mas, por quê?
B.
G. – Não morreu, levou cinco tiros, mas não morreu.

Nos textos, dos acadêmicos, não conseguimos identificar o que os autores estão entendendo por ‘conviver’, ou seja, como conviver? Qual o modo? Em que prática social se dá esse conviver, proposto por eles? Assim, nos indagamos se esse ‘aprender a conviver’ dos autores não perpassa pela questão da educação domesticando a natureza humana, ou seja, a homogeneização dos comportamentos. Nos textos produzidos pelas crianças temos um certo conceito de conviver, que passam pela questão do respeito ao espaço do outro e do fim da violência e o outro por uma convivência com a natureza, assim o ‘aprender a conviver’ tem um caráter abstrato, a saber: relações pessoais, sócias, com a natureza, dentre outros.

(I)

P. C. Campinas

O nosso bairro é muito legal e divertido, nós queremos melhorar a convivência nos bairros, como não jogar lixo nos rios, e não poluir o ar, não cortar as árvores.

Nós queremos que acabem as drogas, as armas. Nós queremos os asfaltos.

Nome: Th. e L.

(II)

A.

Onde moro é muito legal, tem rio, peixe, e tem muitas coisas: mangueiras, salsa, jabuticabeira, pé de caju, laranja para fazer bolo, seriguela; plantas como: couve, cebola, berinjela. Eu adoro onde eu moro. Lá tem um riozinho menor e é lá que eu nado.

No dia 2/10/2004/ cortaram uma mangueira que fez sitio parecer diferente. Perto das arvores tem 52 cachorros e só uma mulher para cuidar deles.

É neste lugar que eu moro; meu padrinho também tem um sitio com um mata burro; e o meu amigo Guilherme caiu lá dentro quando foi lá eu acho que conviver com a natureza é muito bom.

V.

Segundo Pino (1989), a convivência é estabelecida através de regras socialmente definidas e respeitas, mas nada impede que elas sejam transgredidas, ou seja, a sua violação é condição de existência dessa convivência, pois acreditamos que o ser humano é constituído a partir das relações sociais. Assim, os valores que nos parecem estritamente individuais, na verdade têm um fundamento social distinguível, uma vez que o homem se estabeleceu por meio de suas relações com o mundo natural e social, modificando-se ao longo do desenvolvimento de sua vida e de sua espécie, de biológico em sócio-histórico através de um processo em que a cultura é parte fundamental da construção da natureza humana. Vigotski inferiu, tendo por base o materialismo histórico-dialético, que as origens das formas superiores de comportamento consciente deveriam ser entendidas nas relações sociais que o sujeito estabelece com o mundo. O autor afirma que “o homem não é apenas um produto de seu ambiente, é também um agente ativo no processo de criação deste meio” (apud Luria, 1988:25).

A convivência em bairros violentos nos leva a questionar o que seria o ‘aprender a conviver’, levantado como possível solução para o fenômeno da violência, o que os autores estão entendo por convivência? Como ensinar a conviver? Já não convivem? O que esse ‘conviver’ implica? Quais os sentidos desse ‘conviver’? Afinal, professores, alunos, já não convivem? As crianças convivem entre si, na escola ou no bairro, com a violência social escancarada, isso não é um modo de conviver? Como a violência se inscreve nos modos de convivência? Essa proposta, do nosso ponto de vista, é conflituosa, já que a violência não se reduz ao espaço escolar, ela afeta o todo; uma vez que a instituição escolar não está desvinculada da sociedade, ou seja, é parte complementar dela, ocorrendo um significativo aumento da violência na meio social, poderá haver um aumento da violência no ambiente escolar.

Vemos no trabalho com os alunos que falam de dentro da dinâmica social, teorizada pela academia, que eles falam e escrevem do âmago da questão, falam do lugar de quem vive e sofre, de que convive com a violência. A força dos textos, produzidos pelas crianças, e a convivência com elas, dentro da sala de informática, vai nos mostrando a dramaticidade da questão.

Os modos de conviver com e na violência, nos dá elementos para questionar uma proposta para a resolução do fenômeno, que vem da academia, ou seja, quando propõe o “aprender a conviver”, desconsidera que as crianças aprendem a conviver com a violência, pois esta se insinua e penetra, está no cotidiano, nas mais ínfimas relações, é isso que observamos e o que as crianças tematizaram e tematizam sobre a violência vivida, apesar de estarem envoltos nas relações com tudo o que a sociedade produz e pode produzir e avaliar como bom, como válido, ou seja, o conhecimento, o jogo, as brincadeiras, a família nos seus aspectos positivos e negativos.

Considerações Finais

Os textos acadêmicos buscam analisar a violência na escola, em termos de descrições e de diagnósticos que transcendem a instituição escolar e evidenciam as questões estruturais e conjunturais da sociedade, propondo, no entanto, o encaminhamento de ações que ficam muitas vezes circunscritas ao âmbito da escola, ou seja, parecem tomar a escola como um lugar de solução do problema da violência.

Nos artigos da revista Nova Escola existe a visibilidade de alguns modos das instituições escolares lidarem com a problemática da violência, através de depoimentos de vários participantes, em diferentes lugares e posições sociais, mostrando a possibilidade de projetos e formas de atuação dentro da escola, reforçando, portanto, de certa forma, as indicações dos textos acadêmicos.

Já os textos produzidos pelos alunos sobre o bairro em que moram deixam explícitas as relações das crianças com a violência vivida, não somente na escola, mas na vida cotidiana. Permeando as brincadeiras, os desejos, as vontades, está à precariedade das condições de vida, a desatenção do poder público no tratamento dessas condições, mostrando a convivência cotidiana com a violência (drogas, tiroteios, gangues, assassinatos, falta de saneamento básico, posto de saúde, espaço para lazer) e a naturalização desta nos modos de conviver das crianças.

Bibliografia Básica

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