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  ALFABETIZAÇÃO – A PRÁTICA PEDAGÓGICA DE UMA PROFESSORA ALFABETIZADORA

Juliana Maria Lima Coelho - Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Andréa Tereza de Brito - Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Eliana Borges Correia de Albuquerque - Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

Resumo

Essa pesquisa teve como objetivo analisar as mudanças ocorridas nas práticas de alfabetização de uma professora da Rede Municipal da cidade do Recife e o uso que ela faz do livro didático adotado na referida rede. Para isso, realizamos observações semanais das aulas da professora e percebemos que a mesma concentrava sua prática pedagógica em atividades de leitura e interpretação de textos e os exercícios que possibilitariam que os alunos se apropriassem da escrita alfabética eram pouco realizados. No que concerne ao uso do livro didático, este não foi observado no decorrer da investigação.

Introdução

As discussões mais recentes sobre a aquisição do sistema de Escrita Alfabética têm influenciado uma série de mudanças que, de certo modo, têm sido incorporadas aos novos livros de alfabetização. Com isso, os autores dos livros didáticos vêm promovendo tais alterações visando atender às exigências do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD).
Para investigar os resultados dessas modificações, presentes nos livros didáticos de alfabetização e na prática docente, é que este trabalho buscou analisar a prática pedagógica de uma professora alfabetizadora mediante o uso desse importante instrumento de apoio pedagógico.
A pesquisa se inscreve no que podemos chamar de estudo de caso, o qual buscou conhecer o trabalho que uma professora de alfabetização, da rede municipal da cidade do Recife, desenvolvia com o livro didático, adotado por esta rede de ensino. Vale ressaltar que o livro didático adotado pela rede é o livro Português - Uma proposta para o letramento de autoria de Gladys Rocha.
A pesquisa se constituiu de dois momentos: o primeiro foi dedicado ao estudo e análise das atividades propostas no livro de ROCHA, onde foi priorizado como foco de estudo, as atividades de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética. O segundo momento foi direcionado à análise da prática pedagógica da professora alfabetizadora com o uso do livro adotado pela rede.
Para analisar a prática de uso do livro pela professora, utilizamos uma tabela de análise com diversas atividades, pois percebemos que muitos dos exercícios que a alfabetizadora propôs, durante as aulas observadas, eram sem a utilização do livro. Porém, elas tinham semelhanças com as tarefas que apareciam também no livro didático analisado.
Desse modo, foi possível, por meio da análise dos dados, oriundos deste estudo, refletir sobre a prática dos professores alfabetizadores, no sentido de entender como eles estão modificando, ou não, as suas práticas, a partir das atividades que são propostas pelos livros didáticos. Ou seja, entender até que ponto as alterações presentes nos novos livros didáticos estão motivando as alterações necessárias à prática de alfabetização, a fim de atender às novas concepções didático-pedagógicas, deste nível de ensino.
Vale ressaltar que, cada aula observada da professora alfabetizadora foi categorizada segundo a proposição das atividades. No entanto, será exposto, nesse trabalho, um quadro de atividades relativo à prática predominante da professora alfabetizadora, o que proporcionará uma visão geral acerca do trabalho desenvolvido pela alfabetizadora, em parceria com o instrumento de trabalho - o livro didático.
Essa pesquisa se integra a um grande projeto intitulado: “Mudanças didáticas e pedagógicas nas práticas de alfabetização: O que sugerem os novos livros didáticos? O que dizem/fazem os professores?”. A participação no referido projeto nos proporcionou uma visão mais ampla a respeito das mudanças nos materiais de apoio didático do professor e conseqüentemente na prática pedagógica do mesmo.
A pesquisa integrada envolveu a observação de dez professoras que lecionavam na rede Municipal de ensino da cidade do Recife, ou seja, no total, foram observadas dez aulas de cada professora alfabetizadora. Como também, foram realizados encontros pedagógicos (grupos focais), nos quais as professoras participavam relatando e discutindo sobre as suas práticas pedagógicas.
Neste trabalho, especificamente, trataremos da prática de uso do livro didático de apenas uma das professoras do projeto.

Fundamentação Teórica

Com os estudos de Ferreiro & Teberosky (1982), direcionados à aquisição do Sistema de Escrita Alfabética, percebemos que para a apropriação do sistema, pelo o indivíduo, passa por vários processos que representam diferentes fases e que, cada uma delas é caracterizada pelas aprendizagens adquiridas em cada etapa.
A partir das pesquisas aplicadas no início da década de 80 por Ferreiro & Teberosky foi divulgada a teoria da psicogênese da Língua Escrita (Ferreiro & Teberosky, 1982), estudo que possibilitou muitas reflexões acerca da prática pedagógica – e também sobre o instrumento de suporte didático do professor - o livro didático.
Entende-se que o trabalho desenvolvido pelo educador está relacionado ao seu instrumento de apoio pedagógico, o que inclui o livro didático. Diante disso, percebemos a necessidade de repensar as atividades propostas nos livros de alfabetização.
Concomitantemente às alterações sugeridas para atender às exigências das mudanças didáticas e pedagógicas, nos novos livros de alfabetização, vêm se intensificando uma discussão sobre as práticas sociais da leitura e escrita.
Na década de 90 ganhou força uma corrente de pensamento que já havia se consolidado na Europa e em alguns países da América do Norte, durante a Segunda Guerra Mundial, a questão da função social da leitura e da escrita, o qual foi denominado de “literacy” que significa “estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e a escrever”(Borges & Morais p. 63). Em português o termo literacy seria traduzido para a palavra letramento, que segundo o dicionário Houaiss (2001), é definido como sendo “o conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito”. (Houaiss Apud Borges & Morais p. 63).
Estudiosos dividem suas opiniões quanto à utilização dos termos alfabetizar e letrar. SOARES (2003) faz distinção entre os dois termos alfabetização e letramento. Para a autora, alfabetizar “corresponde ao processo pelo qual se adquire uma tecnologia, a escrita alfabética e as habilidades de utilizá-la para ler e para escrever. Já o letramento relaciona-se ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita. Segundo a autora alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis”. (SOARES, 1998 a, 47).
Sabe-se que, para atender às novas exigências colocadas pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), buscou-se modificar a estrutura das proposições de atividades dos livros didáticos a fim de contemplar os conhecimentos prévios dos alunos e introduzir atividades que colocassem os alunos em contato com uma diversidade de gêneros textuais, promovendo assim, o letramento, uma vez que o aluno passa a sistematizar os conhecimentos sobre a prática social da escrita.
Um aspecto destacado por SOARES, em seu livro Letramento um tema em três gêneros, diz respeito às condições para o letramento. A autora, acima citada, coloca que o ambiente desfavorável (poucas bibliotecas, livros revistas e outros materiais impressos disponíveis) é um fator que dificulta os alunos o acesso à leitura, tornando ainda mais deficiente o contato dos aprendizes com a leitura e a escrita. Assim, a autora considera que as condições para o letramento, ou seja, o acesso à leitura, é de extrema importância para que o indivíduo possa ser inserido nas práticas sociais de leitura e escrita.
Com isso, acredita-se que a função do livro didático seja promover a aquisição do Sistema de Escrita Alfabética associado às práticas do letramento, o que torna ainda mais evidente que os livros didáticos estão sujeitos às mudanças para atender a essas novas concepções de alfabetização.

Objetivo geral

• Analisar a natureza das mudanças didáticas presentes na prática de uso dos livros de alfabetização de uma professora alfabetizadora que atua em uma escola pública da cidade do Recife.

Objetos específicos

- Investigar o uso que a professora faz de livros de alfabetização;

- Refletir sobre como a professora (re) constrói sua prática de ensino de alfabetização a partir das experiências as quais teve acesso (leituras diversas, cursos de capacitação, formação etc).
- Analisar a natureza das atividades de ensino de leitura e escrita presentes na sala de aula da professora, e como elas se relacionam com as abordagens teóricas sobre alfabetização discutidas nas duas últimas décadas;

Metodologia

A pesquisa abrangeu duas etapas: a primeira etapa da pesquisa foi constituída de uma análise documental, na qual foi analisado o livro didático de alfabetização adotado pela rede municipal da cidade do Recife: Português – Uma proposta para o letramento - ROCHA, Gladys.
Para realizar a análise do livro didático foram criadas categorias que estavam relacionadas às atividades de alfabetização, principalmente no que se refere à apropriação do Sistema de Escrita Alfabética. A segunda etapa da pesquisa foi o estudo de caso da prática de uma professora alfabetizadora. Foram realizadas observações de aulas durante seis meses do ano letivo, que foram iniciadas em abril e se estenderam até dezembro do ano de 2004, contabilizando um total de nove observações.
Todas as aulas observadas foram gravadas para que não fossem perdidos dados relevantes para análise dos resultados. Para realizar a análise da prática pedagógica da alfabetizadora, foi mantida a categorização das atividades do livro didático analisado, uma vez que algumas das atividades propostas pela professora possuíam a estrutura muito parecida com os exercícios propostos no livro didático utilizado pela professora.
A alfabetizadora que teve as suas aulas observadas era formada em Pedagogia e lecionava na rede estadual de ensino e ainda na rede municipal da cidade do Recife. A professora ensinava em turmas de alfabetização há mais de dez anos.

Resultados

A partir das observações de aula da professora alfabetizadora, alguns aspectos que foram relevantes em sua prática, uma vez que compõem a sua rotina de trabalho:
A aula tinha início com a leitura, de um texto que era sempre realizada pela alfabetizadora. Em seguida, a professora promovia uma discussão com os alunos explorando o assunto central do texto e depois fazia perguntas que envolviam interpretação textual.
No que concerne à Apropriação do Sistema de Escrita Alfabética, as atividades propostas pela alfabetizadora priorizavam a escrita de letras para completar palavras, a escrita de palavras que começassem com a letra X. Houve ainda momentos em que a alfabetizadora propôs atividades de partição oral de palavras em sílabas.
A produção de texto individual foi um fator de menor destaque na prática da professora, uma vez que esse exercício não foi realizado com regularidade nas aulas que foram observadas. No decorrer da pesquisa, percebeu-se um trabalho mais sistematizado referente à produção de texto coletivo. Nesse exercício, a alfabetizadora atuava como escriba, isto é, a professora registrava na lousa as idéias que eram colocadas oralmente pelos alunos. Vale ressaltar ainda, em relação às atividades de Apropriação do Sistema de Escrita Alfabética, que a alfabetizadora, que teve as suas aulas observadas, sugeria muitos exercícios que solicitavam dos alunos a produção de desenho. Assim, nessas atividades que envolviam o desenho, a alfabetizadora solicitava que o aluno desenhasse e em seguida, escrevesse sobre o que havia desenhado.
Percebemos também a preocupação da professora em diferenciar as atividades para os alunos que se encontram menos avançados no processo de aquisição, em relação à maioria dos colegas da classe. Essa preocupação foi demonstrada nos momentos em que a professora solicitou que os alunos pré-silábicos se utilizassem do alfabeto móvel para formar as palavras.
Todos os textos trazidos pela alfabetizadora foram lidos pela mesma. Em algumas situações, a professora leu os textos em parceria com os alunos. No entanto, não houve, no decorrer das aulas observadas leituras individuais por parte dos alunos.
Outro exercício também enfatizado pela professora era o de completar. Em alguns casos completar palavras usando letras e em outros, completar palavras se utilizando de sílabas.
Diante dessa exposição a respeito da prática pedagógica da alfabetizadora, percebemos algumas características próprias de seu trabalho. Pudemos perceber que a rotina das aulas da professora não era estável, pois, as modificações na seqüência das atividades eram constantes. Assim, observamos que a alfabetizadora seguia um planejamento de aula, ou seja, as atividades que a mesma planejava para apresentar aos alunos nem sempre seguia uma freqüência diária ou semanal.
Diante disso, supomos que a professora planejava a aula e o seguimento do planejamento dependia, em parte, da aceitação dos alunos às propostas de atividades trazidas pela alfabetizadora.
Um aspecto que deve ser ressaltado na prática da professora é a freqüência da solicitação dos desenhos, ou seja, os alunos, durante todas as nove observações de aula da professora, realizaram alguma atividade que envolvia a produção de um desenho.

As atividades propostas pela professora aparecem distribuídas na tabela abaixo.
Observe a tabela para visualizar a freqüência das atividades sugeridas pela alfabetizadora:

Categorias

Ocorrência das atividades

l. Cópia de tarefa de casa/ classe

6

2. Correção de tarefa de casa/ classe

1

3. Escrita de letra

2

4. Escrita de sílaba (inicial, medial e final) de palavra

3

5. Identificação de palavras que possuam a letra X (em posição X -inicial, medial e final)

2

6. Formação de palavras com o uso do alfabeto móvel

1

7. Exploração dos diferentes tipos de letras

2

8. Leitura do texto pela professora

4

9. Leitura de texto com auxílio

1

10. Produção de texto

1

11. Produção de texto coletivo

2

12. Desenho gratuito

3

13. Desenho demonstrando leitura

5

Análise dos Resultados

Ao analisar a prática da professora alfabetizadora, pudemos traçar o perfil do trabalho pedagógico da mesma. Acreditamos que a alfabetizadora concentrava a sua prática em dois eixos de enfoque: o primeiro eixo seria representado pela leitura, na qual a alfabetização demonstra conduzir a sua atuação, uma vez que a leitura aparecia acompanhada de questionamentos que norteiam a interpretação textual. O segundo eixo de trabalho da professora, em sala de aula, foi a produção de desenho. Percebemos, no decorrer das aulas, que a professora introduziu o desenho em quase todos os exercícios. No entanto, em alguns momentos o comando para a produção do desenho surgia com um fim explícito, por exemplo, ao colocar um exercício para o aluno em que ele precisava ler para descobrir o objeto que estava lá e para depois desenhar.
A função do desenho não aparecia com consistência no momento em que a professora solicitava que a partir do desenho, por exemplo, do curupira, o aluno deveria escrever um texto. Nesse caso, torna-se perceptível a idéia da alfabetizadora de que o aluno, para produzir um texto, necessita de um apoio visual.
No que concerne ao trabalho realizado com cada aprendiz em processo de alfabetização, percebemos uma preocupação da alfabetizadora em atender, com atividades diferenciadas aos alunos que apresentam ainda maiores dificuldades no processo de Aquisição do Sistema de Escrita Alfabética. Porém, no caso dos alunos pré-silábicos, a professora se utilizou das práticas que enfatizam o trabalho com as famílias silábicas. Todavia, como a professora mesmo coloca: “são as que dão certo”.
Por outro lado, algo que pode ser tratado com uma reflexão da educadora que se reverte em mudanças em sua prática e ainda referentes, a seu trabalho com as dificuldades de cada aluno, pode ser colocado no momento em que a alfabetizadora recorre ao uso do alfabeto móvel para que os alunos pré-silábicos tentem formar algumas palavras ditadas por ela.
A freqüência da atividade de produção de texto coletivo também expressa a tentativa da alfabetizadora em adequar a sua prática às inovações propostas pelos livros didáticos. Essa atividade de produção de texto coletivo era realizada pela professora considerando a diversidade de linguagens utilizadas pelos alunos no momento da produção oral do texto. Porém, ao término da exposição das idéias dos alunos, a professora acordava com eles as modificações necessárias para tornar o texto mais coeso. Com isso, eram realizadas, pequenas mudanças, uma vez que a estrutura do texto permanecia a mesma, pois, as palavras muitas vezes eram substituídas por expressões sugeridas pelos próprios alunos.
As atividades de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética estavam concentradas, basicamente, na identificação de letras iniciais em palavras e ainda completar palavras se utilizando para isso de letras ou sílabas. Nesses casos os aluno tinham o apoio da figura. Acreditamos que essas atividades são importantes para a aquisição do Sistema de Escrita Alfabética, uma vez que proporciona para o indivíduo, respectivamente a percepção do som inicial da palavra e ainda a reflexão acerca das unidades menores que compõem a palavra (letras e sílabas).
No que concerne ao uso do livro didático, esse aspecto não foi observado nas aulas gravadas. Ao discutir a questão do não uso do livro didático adotado pela rede, a alfabetizadora justificou que, ao utilizar o livro didático na sala de aula, percebeu que, para fazer as atividades, os alunos copiavam uns dos outros. E expôs ainda que “fazer as atividades sem compreensão não valia a pena”.
Diante disso, percebemos que a professora ainda apresenta resistência ao uso dos novos livros didáticos de alfabetização. Essa resistência é perceptível até no discurso da professora ao colocar que preferiam utilizar outros livros para alfabetizar, livros estes que possuem uma estrutura de organização das atividades que muito lembram antigas cartilhas de alfabetização.
Supomos que a resistência ao uso dos novos livros didáticos esteja relacionada à prioridade expostas nesses livros que é a de colocar o aluno em contato com uma ampla variedade de gêneros textuais, ou seja, valorizando a proposta do letramento. Todavia, o trabalho com as atividades de Apropriação do Sistema de Escrita Alfabética parece estar sendo secundarizado.

Conclusões

As aulas observadas nos mostram que a prática da alfabetizadora, nesse caso está em um momento de reflexões e já de introdução de posturas e atitudes mais voltadas para as inovações das práticas pedagógicas, um reflexo das mudanças sobre a sua concepção de ensino - aprendizagem.
Contudo, devemos atentar para os resquícios das práticas que ainda são realizadas de forma descontextualizada, pois isso pode ser resultado da tentativa de incorporar algumas atividades que os professores consideram importantes para a apropriação do Sistema de Escrita Alfabética, porém que estão pouco contempladas nos novos livros didáticos.
Percebemos que a participação da alfabetizadora nos encontros pedagógicos viabilizou algumas alterações na sua prática, um exemplo dessas modificações pode ser citada como a tentativa da professora estabelecer uma rotina de trabalho pedagógico, aspecto que ela expressa de forma sistemática em uma de suas aulas.
Vale salientar que a prática da professora alfabetizadora, estava direcionada a atividades envolvendo a leitura, produção de texto coletivo com exercícios envolvendo a produção de desenho. Porém, nas atividades de leitura, a figura central era a professora que lia em todos os momentos, o que pressupõe que a mesma acreditava ser indispensável a atuação de um leitor fluente para realizar as atividades de leitura.
A ênfase nos exercícios acima destacados pode refletir as prioridades colocadas pelos novos livros didáticos, pois a professora utiliza, com mais freqüência, atividades que enfatizam a leitura e a produção de texto coletivo frente aos exercícios que trabalham mais a Apropriação do Sistema de Escrita Alfabética.
Todavia, acreditamos que as aulas observadas constituem uma amostra do trabalho desenvolvido pela professora. Nesse período de observação o livro didático não foi um recurso utilizado na sala de aula. O que foi explicado pela alfabetizadora, para ela: usando o livro didático os alunos copiavam uns dos outros e fazer as atividades sem compreensão não valia a pena. Esse discurso demonstra a tentativa da mesma em trazer as atividades do livro para o cotidiano dos alunos.
Diante das características colocadas da prática da alfabetizadora podemos avaliar a influência do livro didático na estrutura e organização de sua prática em sala de aula. Portanto, o livro didático servirá como suporte para o trabalho a ser desenvolvido pelo educador, isso decidirá os enfoques que esses darão em seu trabalho pedagógico.
Ao analisar a prática da professora que leciona em turmas de alfabetização há mais de dez anos obtemos dados que representam a tentativa de mudança da prática, a partir das reflexões oriundas das discussões que vêm ocorrendo desde a década de 80 e que vêm se refletindo nos livros didáticos. Espera-se que essas mudanças ocorram de forma sistematizada a fim de obter resultados mais significativos na prática pedagógica desses professores.

Referências Bibliográficas

MORAIS, Artur, Gomes e BORGES, Eliana Correia de Albuquerque. Em FERRAZ, Telma (org) A alfabetização de jovens e adultos em uma perspectiva de letramento. Belo Horizonte: Autêntica. . p. 59 –76. 2005.
CHARTIER, Anne-Marie. Réussite, échec et ambivalence de l’innovation pédagogique: le cas de l’enseignement de
la lecture. Recherche et Formation pour les professions de l’éducation. Innovation et réseaux sociaux, INRP, n. 34,
p. 41-56, 2000.
FERREIRO, Emília E TEBEROSKY, Ana. A psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998a.
SOARES, Magda. Concepções de linguagem e o ensino da Língua Portuguesa. Em BASTOS, Neusa Barbosa (org.). Língua Portuguesa: História, Perspectivas, Ensino. São Paulo: EDUC, 1998b.

ANEXO 1

Categorias

Ocorrência das atividades

a. Música

 

b. Oração

 

c. Calendário

 

d. Contagem de alunos

 

e. Ajudante

 

f. Jogo entre atividades

 

g. Leitura de “livrinhos” entre atividades

 

h. Lanche

 

i. Jogos pós-lanche

 

j. Recreio

 

l. Cópia de tarefa de casa/ classe

 

m. Correção de tarefa de casa/ classe

 

 

 

1. Leitura de letras / alfabeto com auxílio

 

2. Leitura de letras / alfabeto sem auxílio

 

3. Leitura de sílabas

 

4. Leitura de palavras

 

5. Leitura de palavras com auxílio

 

6. Leitura / descoberta de palavras

 

7. Leitura de frases

 

7a.  Leitura de frases com auxílio

 

50. Escrita de letra

 

51. Escrita de sílaba (inicial, medial e final) de palavra

 

52. Escrita de palavra

 

52a. Escrita de palavras a partir de letra/ sílaba dada

 

53. Escrita de palavra como souber

 

54. Escrita de palavra com auxílio do professor

 

55. Escrita de palavra com aliteração

 

56. Escrita de palavra com rima

 

57. Escrita de frase

 

57ª Escrita de frase como souber

 

45. Cópia de letra

 

46. Cópia de sílaba

 

47. Cópia de palavra

 

48. Cópia de frase

 

30. Contagem de letras de sílabas

 

31. Contagem de letras de palavras

 

32. Contagem de sílabas de palavras

 

33. Contagem de palavras

 

34. Partição oral de palavras em sílabas

 

35. Partição escrita de palavra em letras

 

36. Partição escrita de palavra em sílabas

 

37. Partição escrita de frase em palavras

 

11. Diferenciação de letras/ palavras/  números/ outros

 

12. Identificação de letras em posição X (inicial, medial e final)

 

12a. Identificação de letras (iguais) em palavras

 

12b. Identificação de letras (iguais) em sílabas

 

12c. Identificação de letras

 

13. Identificação de sílabas (em posição X - inicial, medial e final) com correspondência escrita

 

14. Identificação de sílabas em (posição X - -inicial, medial e final) sem correspondência escrita

 

15. Identificação de palavras “outros”

 

16. Identificação de palavras que possuam a letra X (em posição X -inicial, medial e final)

 

17. Identificação de palavras que possuam a sílaba X

 

n. Identificação de rima/ aliteração com correspondência escrita

 

o. Identificação de rima/ aliteração sem correspondência escrita

 

p. Produção de rima/ aliteração com correspondência escrita

 

q. Produção de rima/ aliteração sem correspondência escrita

 

24. Comparação de sílabas quanto ao número de letras

 

25. Comparação de palavras quanto ao número de letras

 

26. Comparação de palavras quanto ao número de sílabas

 

27. Comparação de palavras quanto à presença de letras iguais / diferentes

 

28. Comparação de palavras quanto à presença de sílabas iguais / diferentes

 

29. Comparação com escrita convencional para auto-avaliação

 

38. Formação de palavras a partir de letras dadas

 

38a. Formação de palavras com o uso do alfabeto móvel

 

39. Formação de palavras a partir de sílabas dadas

 

40. Formação de palavras “outros”

 

41. Exploração dos diferentes tipos de letras

 

42. Exploração da ordem alfabética

 

43. Exploração da segmentação das palavras

 

43a. Exploração da relação som/ grafia

 

44. Exploração da pontuação

 

r. Professora lê o texto para turma

 

s. Professora lê o texto e os alunos vão complementando

 

t. Interpretação/ reconstituição do texto

 

8. Leitura de texto

 

9. Leitura de texto com auxílio

 

u. Hora de relatos/ vivências/ novidades

 

v. Professora conta história para turma

 

58. Produção de texto como souber

 

59. Produção de texto com auxílio do professor

 

60. Produção de texto

 

60a. Produção de texto coletivo

 

x. Desenho gratuito

 

z. Desenho demonstrando leitura

 

Outros

 

 
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