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  RELAÇÕES ENTRE ORIENTAÇÕES MOTIVACIONAIS E O DESEMPENHO ESCOLAR DE ALUNOS DA SÉTIMA SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL, EM MATEMÁTICA, NA RESOLUÇÃO DE EQUAÇÕES DO PRIMEIRO GRAU”.

Gislaine Donizeti Fagnani da Costa /FE-UNICAMP.


DESEMPENHO ESCOLAR EM MATEMÁTICA E MOTIVAÇÃO

O desempenho em disciplinas escolares, apesar de controvérsias e críticas, tem sido avaliado por meio de diferentes procedimentos, segundo Brito (1984), sendo os mais comuns às provas e os trabalhos individuais. O que o professor avalia na sala de aula, em especial, mas também em tarefas de casa, é denominado o desempenho da escola. A literatura em Psicologia mostra que o tema desempenho é complexo e é bastante amplo o conjunto de trabalhos que tratam desse tema.

No presente trabalho, embora o desempenho em Matemática, não constitua o tema específico a ser analisado, considera-se como desempenho a nota do aluno em provas escolares, para fins da investigação sobre possíveis relações entre as orientações motivacionais e o desempenho de alunos em Matemática. O desempenho é identificado por meio de aplicação de uma prova de Matemática elaborada pela pesquisadora, sendo, além dela, também considerada a nota atribuída pela professora, na disciplina de Matemática.

Araújo (1999) aponta pesquisas que comparam o desempenho matemático de alunos de diferentes países, mostrando a preocupação de pesquisadores em relação ao ensino de Matemática. A autora afirma que, a partir dos anos sessenta do século passado, vários países passaram a avaliar os alunos, utilizando e aplicando provas e comparando resultados. Mostra que o baixo rendimento em Matemática preocupa muitos os Estados Unidos da América, e inúmeros fatores passaram a ser analisados, em busca da compreensão dos resultados alcançados pelos alunos.

O sucesso do aluno no processo de ensino aprendizagem pode ser afetado por uma gama ampla e complexa de fatores que podem, mais tarde, resultar num panorama de fracassos e frustrações para professores e alunos. Dentre tais fatores, merecem atenção os aspectos psicológicos, os estados afetivos e motivacionais, reconhecidos como fatores relevantes que influenciam o sucesso e o fracasso escolar, especialmente no caso de alunos que, embora possuam capacidades intelectuais médias ou acima da média, apresentam um baixo rendimento escolar (BZUNECK, 2001).

A revisão de pesquisas, efetuada por Bzuneck (2001), mostra que o desempenho escolar em Matemática sofre influência de variáveis cognitivas e motivacionais. Relações entre atitudes em relação à Matemática e desempenho têm sido focalizadas por pesquisadores tais como Gonçalez (1995), Utsumi (2000), Gonçalez e Brito (2001).

Gonçalez (1995) verificou que a matéria que os estudantes de uma escola elementar mais gostavam de estudar era a Matemática, e investigando alunos entre a segunda, terceira e quarta séries, verificou que as atitudes se modificavam ao longo dos anos escolares. Brito (1996) acentua que é um engano a idéia de que a Matemática apenas desperta ansiedade e medo nos alunos. Gonçalez e Brito (2001) verificaram que alunos do início do curso de magistério apresentam atitudes menos positivas em relação à Matemática do que como professores em exercício, depois de tal curso. As autoras assinalam que o curso poderia ter favorecido a modificação das atitudes, o que seria importante já que atitudes de professores influenciam as dos alunos e o desempenho escolar.
Gonçalez (2000) constatou que alunos com atitudes mais favoráveis em relação à Matemática eram os mais confiantes e, também, os que apresentavam melhor desempenho na disciplina. Segundo Gonçalez (2001), as pesquisas apontam a existência de uma possível correlação entre confiança em aprender Matemática e o desempenho nesta disciplina. Seria responsabilidade do professor desenvolver a confiança do aluno em suas próprias capacidades e incentivar um processo de auto-avaliação de alunos, prestando atenção aos resultados desse processo.

Segundo Neves (2001):

"... no processo ensino-aprendizagem de Matemática, o desempenho não é determinado somente pelas capacidades cognitivas dos alunos, mas sim, é resultante da interação entre fatores cognitivos e afetivos ( p. 23)”.

Estudando atitudes em relação à Matemática, Brito (1996) comenta:

“Os professores parecem esquecer que os afetos desempenham um papel fundamental na aprendizagem de Matemática e que o desempenho não pode ser medido e avaliado apenas por provas que, muitas vezes, não verificam se o aluno aprendeu significativamente ( p. 53)”.

Zanin (2004), ressalta que,


“ o sucesso no processo de ensino e de aprendizagem não é determinado pelo método de ensino. É ilusão esperar que o uso de livros. Apostilas, jogos, calculadoras, computadores, Internet, resolução de problemas, projetos inter ou transdiciplinares vão sempre dar certo ou resolver todas as dificuldades no ensino e na aprendizagem da Matemática. Qualquer método, com qualquer recurso didático, funciona para o aluno motivado e então o professor conseguirá ensinar os conteúdos matemáticos e atingir seus objetivos.“

Considerando as colocações de Neves (2001), Brito (1996) e Zanin (2004), podemos inferir que, para o bom ensino da Matemática, não se pode descartar as contribuições dos estudos e pesquisas sobre motivação, assim como podemos considerar que levar em conta as relações entre desempenho e motivação pode esclarecer alguns aspectos da aprendizagem em Matemática.

De acordo com Martini e Boruchovitch (2001) existe um consenso generalizado entre as pessoas acerca daquilo que se entende por motivação: quando o ser humano está motivado a realizar uma determinada atividade, sua persistência aumenta, bem como o tempo dedicado a essa atividade, mesmo diante de dificuldades ou obstáculos encontrados. Ainda segundo a autora, o sucesso na realização da tarefa aumenta a autoconfiança e a auto-estima das pessoas, uma vez que, a partir daí, saberão que podem obter sucesso numa tarefa em que o seu esforço for envolvido.

Pode-se indagar se problemas de menor motivação em relação à Matemática seriam inerentes ao aluno. Mas, como considerar o aluno o único responsável por uma condição de pouca motivação em relação à Matemática? Segundo Bzuneck (2001), existe uma convergência de resultados de pesquisas que atestam que tanto a motivação positiva e desejável como sua ausência ou distorção têm a ver com determinadas condições ambientais (estrutura física do prédio escolar, cultura da região em que se localiza a escola), resultando, assim, em complexas interações entre características do aluno e fatores de contexto, incluindo a atuação do professor em sala de aula. A motivação do aluno em sala de aula depende de um conjunto de medidas educacionais, de estratégias de ensino ou eventos sobre os quais todo professor tem um amplo poder de decisão.

Como comenta Bzuneck (2001), os professores observam comportamentos de indisciplina, falta de atenção nas aulas e em tarefas escolares, resultados não satisfatórios em tarefas e provas e afirmam que os alunos não são motivados. O autor afirma que problemas de motivação podem existir, mas é preciso uma análise mais cautelosa da situação.

Motivação em sala de aula implica no envolvimento do aluno com as tarefas propostas, investindo recursos pessoais (esforço) e persistência diante dos obstáculos que impeçam ou dificultem a realização da tarefa. A teoria construtivista destaca que o aluno é o sujeito ativo da própria aprendizagem, enfatizando que nenhuma outra pessoa pode realizar determinados processos cognitivos por ele (SALVADOR E COLABORADORES, 2000).

Bzuneck (2001) assinala que:

"No contexto específico de sala de aula o aluno deve executar tarefas que implicam em atenção, concentração, persistência e que são, em grande parte, tarefas de natureza cognitiva. Essas tarefas, na maior parte, envolvem processos de elaboração, integração de informação, raciocínio e resolução de problemas, como afirma o autor. Destaca ainda, que na perspectiva construtivista é o aluno o sujeito do processo e a quem cabe realizar processos cognitivos que ninguém pode fazer por ele” ( p.11).

Os professores, de maneira geral, têm apresentado, nestes últimos vinte anos, preocupação com a baixa motivação de alunos pelos estudos, sendo o assunto motivação colocado no centro das discussões acerca do que vai mal nas escolas, como mostra revisão realizada por Bzuneck (2001). O autor afirma que alunos desmotivados apresentam rendimento escolar insatisfatório, estudam pouco e, como conseqüência, aprendem quase nada; além disso, apresentam crenças distorcidas quanto à sua própria capacidade de realizar tarefas escolares com sucesso e pouco domínio de estratégias de aprendizagem (cognitivas e metacognitivas).
Como afirma Bzuneck (2001), com bastante consistência, seja em escolas de ensino fundamental, seja de ensino fundamental ou de ensino médio, os professores queixam-se com freqüência, de alunos desmotivados. A tendência dos professores é considerar que, se os alunos não revelam dedicação desejável aos estudos e rendimento escolar satisfatório, os alunos são desmotivados. Tais queixas, segundo o autor, apoiam-se em observação de alunos e não é possível saber se professores conseguem identificar com rigor e interpretar corretamente as ocorrências em sala de aula, o que indica a necessidade de pesquisas sobre o assunto.
A atividade desenvolvida pela pesquisadora, como professora em escolas da rede pública, no interior de São Paulo e nos últimos anos, tem mostrado em conversas informais com os colegas que os professores não poucas vezes atribuem à falta de motivação de alunos um rendimento não satisfatório nas atividades escolares.
No ensino da Matemática, ainda que se possa, por vezes, verificar uma tendência em especial de professores do ensino fundamental e do ensino médio, para enfatizar de maneira considerável a questão do raciocínio e do pensamento lógico, as variáveis afetivas, dentre elas a motivação também são consideradas como influências importantes em relação aos resultados escolares dos alunos.
Quando se trata de investir na qualidade do trabalho na escola, principalmente quando o rendimento de alunos não é satisfatório, é interessante que se considere que os fatores que influenciam o processo de ensino aprendizagem podem não ser estritamente cognitivos ou metacognitivos, mas também de natureza afetiva. Os estados afetivos e motivacionais são fatores que podem afetar o sucesso e o fracasso escolar de alunos que, embora tenham capacidades, apresentam rendimento não satisfatório em matemática.

Motivação para a Aprendizagem
Nas últimas décadas verifica-se um considerável número de trabalhos sobre motivação, a maioria desses desenvolvida na perspectiva das teorias cognitivistas. Nessa perspectiva a motivação tem sido estudada e percebida em termos de crenças gerais, valores, atribuições causais, metas e objetivos.
Trabalhos e pesquisas, indicam que, entendida como um fator, ou como um processo, a motivação influencia o comportamento de alunos levando a e escolhas, instigando o aluno a prestar atenção, a investir esforço especial e a persistir diante dos obstáculos na realização das tarefas.

"mediante seus efeitos imediatos de escolha, investimento de esforço com perseverança e de envolvimento de qualidade conduz igualmente a um resultado final que são os conhecimentos construídos e habilidades adquiridas, ou seja, em última instância, ela assegura a ocorrência de produtos de aprendizagem ou tipos de desempenho socialmente valorizados.``
(Bzuneck, 2001, p. 12)

Professores preocupam-se com a seguinte questão: No contexto escolar porque alguns alunos completam as atividades apesar do enorme grau de dificuldade, enquanto outros desistem no primeiro obstáculo? No contexto escolar, reconhece-se que cada aluno constrói seu próprio conhecimento, transformando e modificando as informações que recebem.
Segundo as teorias cognitivistas a análise da motivação e do desempenho, os processos de mediação cognitiva, leva em conta a influência de crenças pessoais, tais como a auto-avaliação que o aluno faz de si mesmo; do seu trabalho: de suas habilidades e competências; a suas atribuições de causalidade; e suas expectativas de sucessos e fracassos futuros.
Será que motivação é um dos elementos que influencia o comportamento do aluno?Pesquisas têm mostrado que variáveis afetivas podem influenciar o sucesso e o fracasso de alunos nas atividades escolares como assinalam, dentre muitos outros estudiosos Bzuneck (2001), Borutchovith (2001), Brito(2002), Utsumi(2000).
Dentre as inúmeras variáveis afetivas que podem influenciar o desempenho, neste trabalho optou-se por estudar as relações entre a motivação e o desempenho de alunos de 7ª série do Ensino Fundamental em Matemática, na perspectiva da Psicologia Cognitiva e considerando-se o campo da Psicologia da Educação Matemática. A pesquisa foi desenvolvida considerando a perspectiva dos autores que focalizam e estudam influências da motivação intrínseca e extrínseca em relação ao desempenho acadêmico.

 

 

A pesquisa foi realizada com alunos de 7a série do Ensino Fundamental da rede pública de São Paulo, da cidade de Nova Odessa.Considerou-se, segundo a revisão bibliográfica que um indivíduo com orientação motivacional intrínseca realiza uma atividade por satisfação e interesse, sendo movido a agir pelo desafio da atividade e não por pressões ou recompensas (Ryan e Deci, 2000).O desempenho foi identificado por meio da aplicação de uma prova de matemática elaborada pela pesquisadora e também será considerada a nota atribuída pela da classe professora e por ela computada ao aluno em matemática.
Questões que foram investigadas:
• A motivação e o interesse influenciam o desempenho escolar do aluno na disciplina de Matemática?
• Como as orientações motivacionais de alunos da 7a série do ensino fundamental, se relacionam com o desempenho escolar no estudo de equações do 1o grau?
Instrumentos
1.Prova - Teste matemático, tipo escolar, lápis e papel a ser aplicado coletivamente em sala de aula, sobre equações do 1o grau.
2. Questionário informativo para caracterização do aluno.
Pranchas para Avaliação das Orientações Motivacionais de alunos do Ensino Fundamental ( Instrumento desenvolvido e organizado por Neves e Boruchovitch, 2001).
3.Documentos da escola – notas dos alunos( desempenho dos alunos ( notas dos alunos na disciplina de matemática em provas realizadas pela escola).
Principais Resultados
As justificativas das respostas das pranchas, mostrou que os entrevistados apontam o estudo, o aprender, o interesse, o esforço, a persistência, a curiosidade, a novidade e o desafio como importantes e, também como um valor um valor especial, para que a aprendizagem ocorra.
No que diz respeito análise das justificativas para as pranchas, mostrou que os entrevistados apontam o estudo, o aprender, o interesse, o esforço, a persistência, a curiosidade, a novidade e o desafio como importantes e como um valor especial, para que a aprendizagem ocorra. Apenas alguns dos alunos entrevistados parecem ter consciência de que foi implantado sistema de progressão continuada na escola e também que poucos conhecem o alcance e do significado de tal sistema em relação à avaliação e implicações para aprovação de uma série para outra. Esses resultados estão de acordo com outros estudos já realizados, como o estudo realizado por Neves (2002 a), que apresentou dados semelhantes.
Na opinião apresentada pelos alunos, caberia à escola reprovar esse aluno, para que mais tarde ele não viesse a ter dificuldades, por exemplo, quando cursasse as séries mais avançadas e o ensino universitário. Os alunos avaliam que, no caso citado que seria o de reprovação, ao passar para as séries seguintes, o sujeito teria dificuldades até mesmo para fazer cálculos simples, necessários no seu cotidiano.
No caso de justificativas que indicam conhecimento, por parte dos participantes foram apontadas implicações e efeitos da progressão continuada na escola, nas respostas foram identificadas críticas dos alunos, ao fato de não mais ocorrerem casos de reprovação em cada série. Isto porque, segundo os sujeitos dessa pesquisa, o aluno que não aprendeu os conteúdos focalizados em determinada série, não teria condições de avançar para a série seguinte, pois teria, no caso, sérias dificuldades para acompanhar as aulas e assimilar os conteúdos que seriam trabalhados na série seguinte.
Os resultados apontam que a maioria dos sujeitos dessa pesquisa não apresenta tendência motivacional extrínseca, mas sim, apresentam uma tendência a serem intrinsecamente motivados.De um modo geral, em todas as histórias nas quais o personagem expressava tendência para motivação extrínseca, predominou a discordância.Nas histórias relacionadas à motivação intrínseca, os sujeitos concordaram, em sua maioria, com o personagem da história. Independentemente do conteúdo das pranchas apontarem mais diretamente tendência à motivação extrínseca ou intrínseca, a análise dos dados revelou que na maioria das respostas dos alunos verificou-se que justificativas relacionadas aos benefícios, vantagens e aspectos positivos que estudo e a aprendizagem podem propiciar aos alunos no futuro, por parte dos sujeitos em relação ao personagem.,tais como: conseguir um bom emprego; a possibilidade de cursar uma boa faculdade; melhorar sua condição social; ganhar dinheiro e ser capaz oferecer melhor condição financeira a seus familiares.
A análise estatística dos resultados da presente pesquisa não mostrou relações significativas entre o desempenho em matemática dos sujeitos e o tipo de motivação predominante, de maneira diferente do constatado em estudos realizados por Gottfried (1985,1990).
De acordo com estudos revistos da literatura da área um número considerável de estudos demonstraram que, crianças com alto nível de motivação intrínseca apresentam melhor desempenho na escola do que o de alunos com baixo nível de motivação intrínseca. Revisão de Bzuneck (2001) mostrou que, segundo a literatura, o envolvimento em uma atividade por razões intrínsecas facilita a aprendizagem e o desempenho, assim como gera maior satisfação.
Cabe ressaltar ainda, que segundo a revisão da literatura da área, a motivação intrínseca esta ligada aos fatores externos como recompensas materiais e sociais e demonstração de competência ou habilidades em relação a outras pessoas, a motivação intrínseca está associada a fatores internos e pessoais como o interesse, a curiosidade e a satisfação.No entanto, apesar dos alunos terem apresentado uma orientação motivacional predominantemente intrínseca, em suas justificativas apareceram indícios de motivação extrínseca como, por exemplo, estudo como necessário para: ``conseguir um bom emprego``; ``ganhar dinheiro``; ou para melhorar sua condição social e se tornar ``alguém na vida``.Perrenoud (1999) assinala que, pode-se considerar a aprendizagem do que chama a profissão de aluno, no qual a criança e o jovem logo aprendem a mostrar reações, comportamentos que seriam os esperados pelos adultos e educadores.
Considerações Finais
A Psicologia Educacional mostra que é importante, no caso da Matemática, que o professor possa compreender os processos e mecanismos de aprendizagem, além dos inúmeros fatores que influenciam esse processo, como influencia da motivação no comportamento dos alunos, para que se possa desenvolver um bom trabalho. Nem sempre o professor conhece as maneiras mais adequadas para desenvolver o trabalho em sala de aula, ou não conhece o melhor método para ensinar determinados assuntos. Selecionar material, ou encadear a apresentação de conteúdos com o apoio da lógica, não garante o sucesso do seu trabalho. Para ter sucesso no seu trabalho, o professor precisa compreender os processos de desenvolvimento psicológico, cognitivo, motor e afetivo. Além disso, deve ter em vista que é preciso transmitir aos seus alunos um entusiasmo pelo conhecimento que ultrapasse a sala de aula, dando aos alunos a oportunidade de se tornarem agentes da construção do seu conhecimento.
A literatura da área aponta que em algumas escolas brasileiras o desempenho tem sido analisado em relação à motivação do aluno para a aprendizagem escolar.Os professores mais avisados bem sabem o quanto é importante informar ao estudante o que ele será capaz de realizar quando dominar o conteúdo e qual são os significado de determinados conteúdos programáticos da série que ele irá cursar. Além disso, o professor deve fornecer aos alunos diferentes meios de observar e avaliar os resultados de sua atividade para que eles recebam do ambiente de aprendizagem informações claras que os tornem capazes de identificar se o próprio desempenho é correto.

O estudo de equações do primeiro grau, por exemplo, pode gerar desequilíbrio nas concepções Matemáticas já existentes como mostram LOOS, FALCÃO E ACYOLY-RÉGNIER (2001), e requer um certo cuidado especial parte do professor quando inicia esse assunto. Somando-se as nossas observações feitas em sala de aula como professora de Matemática às colocações feitas pelos autores, podemos inferir que o estudo de equações do primeiro grau corresponde a um momento no qual o estudante de Matemática, que até então era acostumado a usar apenas cálculos aritméticos na resolução de problemas e exercícios de Matemática, é obrigado a ampliar seus conhecimentos para entrar em um novo campo conceitual, o do cálculo algébrico, denominado pelos alunos “como aprender a fazer contas com letras”. Para os aprendizes, muitas vezes, deparar-se com o “novo” pode gerar reações emocionais e cognitivas; isso ocorre porque ao adquirirmos novos conhecimentos necessitamos levar em conta certas informações que incomodam ou confundem, e que podem influenciar a motivação do aluno para a aprendizagem na disciplina de Matemática. No entanto, segundo os autores citados anteriormente, os riscos aos quais os alunos se expõem quando se engajam em uma nova aprendizagem passam, freqüentemente, despercebidos pelos professores.

Algumas sugestões relacionadas à prática do trabalho em sala de aula podem ser destacadas, levando-se em conta a literatura revista nesse estudo e também a experiência profissional da pesquisadora, prevendo-se um ambiente que promova a motivação dos alunos frente às atividades escolares.

Quando o professor deve dar início a um novo conteúdo, levar em conta situações do cotidiano e experiências relacionadas ao dia-a-dia do aluno pode contribuir para que a Matemática não pareça tão abstrata e sem sentido como alguns alunos comentam. Os conteúdos escolares podem ser articulados com situações da vida dos alunos, e, a partir delas podem ser apresentados os conceitos e a teoria, e permitir abstrações e generalizações, conjecturas e conclusões apresentadas pelos próprios alunos pode tornar o trabalho mais significativo.

A ênfase em situação-problema para apresentar conteúdos novos para os alunos é destacada por diferentes estudiosos, em especial no caso da Matemática. A busca de soluções, com orientação e apoio do professor, pode ser um processo realizado individualmente ou em grupo. O confronto e análise de resultados e procedimentos apresentados pelos diferentes alunos e grupos de alunos, na classe, contribuem para que compreendam a Matemática. Cabe ao professor colocar novos desafios para os alunos solicitando que resolvam determinados problemas da mesma forma que resolveram outros anteriormente, ou que procurem soluções diferentes. Caso os alunos concluam que não existe essa possibilidade, pode-se pedir para apresentarem suas razões e confrontarem argumentos.

Atividades desafiadoras, condizentes com a faixa etária e o nível de desenvolvimento dos alunos, podem estimular a participação de todos e permitir o desenvolvimento do raciocínio lógico, além da assimilação de conteúdos, por meio de atividades que propiciem aos alunos oportunidade de analisar dados, sintetizar, propor e comprovar hipóteses, tomar decisões, elaborar conceitos, fazer estimativas, classificações, observações, comparações, seriações, avaliações, julgamentos e realizar operações numéricas a partir da manipulação de materiais concretos.

Incentivar o aluno a se auto-superar gradualmente, através de atividades desafiadoras que apresentem situações sucessivas de progressiva dificuldade, é um procedimento importante, bem como elogiar o esforço realizado e o progresso alcançado inspirando-lhe confiança na própria capacidade de aprender e fazer progressos. Se necessário, apresentar ao aluno com compreensão, formas de melhorar o seu desempenho nos estudos. É importante lembrar que não se deve rotular o desempenho dos alunos, dando ênfase a notas, já que a expectativa do professor, em relação ao que espera dele, tem um papel decisivo em relação ao aproveitamento escolar.

Estabelecer um clima agradável em sala de aula, permitindo e estimulando a participação dos alunos e a apresentação de dúvidas, estimulando a cooperação entre todos, orientando e supervisionando as atividades, dando a assistência e acompanhamento necessário aos alunos que precisarem, deve ser uma preocupação constante do professor. Essa orientação do trabalho em sala de aula pode influenciar e facilitar a aprendizagem em Matemática. Cabe lembrar ainda que o professor deve considerar as emoções e sentimentos de ambos (professor e aluno), que se concretiza no saber ouvir e poder falar, em respeitar, opinar e argumentar. Se o aluno sentir que o professor o considera como ser humano capaz de aprender e de crescer, ele vai estabelecer laços de confiança com o professor, indispensáveis para a motivação e, conseqüentemente, para aprender o conteúdo matemático ou qualquer tipo de conteúdo.

É de suma importância que o professor torne claros os resultados que os alunos estão conseguindo, analisando e informando os avanços e as dificuldades encontradas no processo de aprendizagem. O professor pode estimular o aluno a continuar progredindo, a valorizar o esforço pessoal, encarar os erros como uma maneira de aprender e de aperfeiçoar seus conhecimentos, sugerindo a seus alunos uma auto-avaliação de seus resultados, verificando seus pontos fortes e fracos, em relação ao seu próprio desempenho, apontando as dificuldades que foram superadas e os aspectos que ainda precisam ser melhorados.

Enfim, como revela Zanin (2004), a relação afetiva que o professor estabelece com seus alunos deve também permitir o resgate da importância da escola e dos conteúdos curriculares, construindo o compromisso de busca do conhecimento e possibilitando que a escola faça parte do mundo do aluno. Se o aluno consegue entender o que é uma raiz quadrada, independentemente deste assunto estar contextualizado ou não e se um dia vai usá-la para alguma coisa, não importa, só isso basta. O que importa é a satisfação que o aluno sente ao conseguir atribuir significado ao que está fazendo, pela simples compreensão do conceito. O fato de conseguir compreender o objeto de estudo gera satisfação e a necessidade de querer aprender mais, pois agora sabe que é capaz disso.

Conforme citado anteriormente, Bzuneck (2001) assinala que a possibilidade de mudança do quadro que a escola pública atravessa implica em uma tarefa árdua que exige dos professores conhecimentos, habilidades, e compromisso com o processo de ensino-aprendizagem. No entanto, muitos educadores desistem precocemente, limitando-se a atribuir a culpa pela desmotivação dos alunos a fatores externos, como família ou o sistema educacional, que seriam responsáveis por não proporcionar condições adequadas para um bom trabalho docente.

Segundo estudos revistos nessa pesquisa, a percepção de que é possível motivar os alunos nasce de um senso de compromisso pessoal com a educação: mais ainda, de um entusiasmo e até de uma paixão pelo trabalho. Resultados de pesquisas podem contribuir para que o professor compreenda como proporcionar situações favoráveis para que o aluno aprenda, como fazer intervenções necessárias ao nível da motivação, como aumentar o recurso a diferentes estratégias de aprendizagem.

Para a melhoria do trabalho na escola, faz-se necessário a implantação de mudanças importantes, como, por exemplo, o investimento das autoridades competentes em condições gerais que possam garantir condições essenciais para uma efetiva democratização da escolaridade. Essas mudanças transcendem a aplicação de conhecimentos técnico-pedagógicos em sala de aula e requerem intervenções na dimensão política, social, econômica e cultural. Pesquisas mostram que existem inúmeros problemas que dificultam ao professor conseguir sucesso no trabalho realizado em sala de aula, desde os relacionados à formação de professores, problemas estruturais da escola, a desvalorização da carreira docente, dentre muitos outros.

Para que se possa caminhar a passos largos rumo ao sucesso, com vistas à melhoria do trabalho na escola, são necessários investimentos especiais que possibilitem a implantação de mudanças que possam garantir um ensino de qualidade, tais como o desenvolvimento de projetos especiais que permitam condições de trabalho, a formação continuada dos professores e que forneçam aos professores a assessoria necessária. No entanto, para o sucesso da implantação e desenvolvimento de qualquer projeto pedagógico, também é essencial contar com o empenho de todos os profissionais da educação.

A motivação dos alunos pode ser assegurada por meio da ação preventiva dos professores. A prática pedagógica pode tornar-se mais significativa e consistente quando o professor compreende como diferentes fatores podem influenciar o processo de ensino-aprendizagem. Outros estudos e pesquisas sobre a motivação devem ser conduzidos com a finalidade de trazer contribuições importantes para a melhoria do trabalho docente, para que se possa compreender melhor a orientação motivacional de alunos brasileiros.
Compreender as contribuições da Psicologia Educacional e compreender os fatores afetivos motivacionais seria apenas um dos elementos que se deve levar em conta quando se considera a melhoria do trabalho na escola. A Psicologia Educacional mostra que é importante que o professor de Matemática possa compreender os processos e mecanismos de aprendizagem, além dos inúmeros fatores que influenciam esse processo, para que possa desenvolver um bom trabalho, dentre eles a motivação do aluno.
Os resultados da presente pesquisa não podem, como se sabe, serem considerados conclusivos, e também, não podem ser generalizados para todos os alunos e todas as situações. A expectativa, no entanto é de que possam contribuir para orientar a reflexão dos professores sobre o trabalho na escola, apontar alguns caminhos para outras pesquisas a serem desenvolvidas e elementos que contribuam para a definição de perspectivas para a análise do que acontece nas escolas brasileiras. Cabe ressaltar, ainda, a necessidade de outras pesquisas na área para ampliar os conhecimentos sobre a realidade das escolas brasileiras e para contribuir com o planejamento e desenvolvimento de projetos pedagógicos que visem melhorias no processo de ensino-aprendizagem.
Inúmeros outros fatores, diferentes dos investigados na presente pesquisa, também merecem ser estudados tais como a motivação do professor, as estratégias de aprendizagem, crenças, o reconhecimento e a valorização do progresso alcançado pelo aluno, bem como, o planejamento das atividades escolares e a prática pedagógica em sala de aula poderiam ser investigados visando compreender o processo ensino aprendizagem e visando melhoria na qualidade de ensino.


 
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