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  CONTOS INFANTIS: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DO ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA NOS CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA

Marilda Pinheiro Costa - Secretaria Municipal de Educação de Goiânia- SME-GO

No hay destino más triste que un libro que esté todo el tiempo cerrado, bien paradito, formadito, con buena conducta -porque no se mueve-, absolutamente quieto sin que nadie los hojee. Es lo peor que le puede pasar a un libro. No hagan ustedes que los libros estén tristes, háganlos que canten. Los libros cantan si cuando ustedes los leen imaginan cosas nuevas.
Heraclio Cepeda

APRESENTAÇÃO

Os ciclos de formação humana têm por princípio a organização da escola a partir dos tempos da vida e constituem a proposta político-pedagógica para a Educação Fundamental da Infância e da Adolescência na Rede Municipal de Ensino de Goiânia (RME). Esta proposta, em desenvolvimento desde 1998, tem implicado em alterações nos tempos e espaços escolares, na organização do trabalho pedagógico, do currículo e da avaliação no ensino fundamental. As escolas organizadas em ciclos têm como preceitos básicos:

• A prática educativa voltada para a formação integral do ser humano e sua inclusão social;
• O educando como centro do processo educativo;
• O respeito pelas diferentes fases de desenvolvimento humano;
• A organização de atividades escolares que levem em conta essas diferentes fases;
• A garantia e o respeito ao ritmo do aluno e a redução da exclusão social;
• A formação do sujeito de forma global, buscando o desenvolvimento do educando em suas várias dimensões: física, psíquica,cognitiva, afetiva, social e emocional, entre outras;
• O agrupamento dos alunos por idade respeitando os ritmos de desenvolvimento físico, social e emocional.

Organização das turmas em Ciclos

• Ciclo da Infância- dos 6 aos 8 anos (CICLO I)
• Ciclo da Pré-Adolescência – dos 09 aos 11 anos (CICLO II)
• Ciclo da Adolescência- dos 12 aos 14 anos (CICLO III)

Acredita-se que os alunos que integram cada um destes ciclos partilham momentos semelhantes de suas vidas, como interesses por certos tipos de brincadeiras, jogos, curiosidades, além de interesses e possibilidades para participarem de determinadas atividades físicas, esportivas, culturais, etc.
A convivência diária com os colegas, com os professores e com o ambiente escolar contribui para a formação do aluno, estudos recentes ressaltam que o “saber conviver” é algo imprescindível na formação dos indivíduos; logo, este aspecto é algo extremamente importante a ser considerado. Assim deve-se procurar descobrir formas de garantir que todos os alunos tenham a oportunidade de aprender conteúdos que sejam importantes em sua vida como cidadão e como incorporar o que o aluno já sabe na construção de novos conhecimentos; superar a visão competitiva que destaca o “melhor”, melhor em quê? Geralmente o destaque vai para o melhor em conteúdos. se o aluno é o melhor em esporte, em teatro, em criatividade artística, em expressão corporal, em música, em mímica, em respeito, em solidariedade, em participação na vida política e cultural do bairro , para uma concepção tradicional e competitiva pouco importa, o conteúdo é importante, mas ele não compõe, sozinho, a formação dos seres humanos.

A Língua Espanhola no Ciclo

A aprendizagem de uma língua estrangeira proporciona ao indivíduo a oportunidade de vivência de novas situações, favorecendo um aprofundamento das relações em situações de comunicação, o que é importante para a formação integral do aluno.
Quando o educando passa a descobrir e valorizar o outro e a si mesmo em suas relações como ser social isso possibilita a compreensão das diferenças entre os povos e aquisição de uma consciência crítica com vistas a ressaltar sua própria cultura.
Neste sentido, como professora de Língua Espanhola do Ciclo II (Ciclo da Pré-Adolescência) da Rede Municipal de ensino desde janeiro de 2000, pretendo demonstrar a participação principal que o trabalho com textos literários, neste caso, contos infantis, pode ter no desenvolvimento do processo de ensino/aprendizagem do Espanhol como Língua Estrangeira, o que pode ser verificado neste relato de experiência realizada com um grupo de alunos do Ciclo II, da Escola Municipal Professor Percival Xavier Rebelo.

JUSTIFICATIVA

Partindo-se do princípio que estudar uma língua estrangeira vai mais além de conhecer seu sistema gramatical e lexical, a escolha de se trabalhar com contos infantis nas aulas de espanhol como língua estrangeira (doravante E/LE) se deu ao perceber que o texto, seja ele qual for, é o material por excelência a ser utilizado em sala de aula, neste caso os contos infantis, que por si já possuem seu encanto natural, foram ferramentas de apoio para o ensino da língua espanhola nas etapas correspondentes ao ciclo II.
A compreensão leitora na aprendizagem de línguas estrangeiras é fundamental para o desenvolvimento da autonomia do aprendiz, tanto na própria aprendizagem, como para sua utilização da língua. Tratando-se da aprendizagem de uma língua próxima como é o caso do espanhol para brasileiros, o processo de ensino aprendizagem se assemelha à situação da aprendizagem da língua materna, levando-se em conta os fatores que intervêm em toda situação de aprendizagem.
A semelhança entre o português e o espanhol, juntamente com o fato de que os que têm um ou o outro como língua materna compartilham amplos espaços culturais, permite o acesso ao sentido do texto escrito desde os primeiros níveis de aprendizagem.
Nos níveis iniciais da aprendizagem de LE as atividades didáticas se dirigem fundamentalmente ao desenvolvimento da compreensão tanto escrita como oral do aprendiz. Para os falantes da língua portuguesa o processo de aprendizagem da língua espanhola já começa com um aspecto positivo, a semelhança entre elas pode permitir ao aluno compreender sem grandes dificuldades desde os primeiros momentos da aprendizagem, deixa-se ressaltado aqui que nem todos os aprendizes se aproximam da mesma forma da nova língua, e o sentimento de proximidade e distanciamento dependerá de diversos fatores tanto lingüísticos como extralingüísticos: consciência metalingüística e meta-cognitiva, relação com a própria língua, conhecimento de outras línguas e crenças sobre a língua a ser estudada, experiência de vida e conhecimento de mundo.
Assim, percebeu-se que não é produtivo que o aluno de E/LE das séries iniciais do ensino fundamental tenha automaticamente acesso ao desenvolvimento de textos escritos na língua estudada, pois seria conveniente trabalhar em sala de aula atividades que tenham como objetivo central o desenvolvimento da compreensão leitora.
Os contos podem servir como um meio direto desta aprendizagem, já que podem transportar a criança a uma temporalidade fictícia e a um espaço interior maravilhoso, daí a importância do papel da linguagem imaginativa dentro da estrutura pedagógica nas aulas de Espanhol como Língua Estrangeira o que propõe o projeto relatado.

OBJETIVOS

A linguagem dos contos infantis é a linguagem da imaginação que leva a mente infantil em direção a caminhos que conduzem a outros tempos e espaços. É uma linguagem viva que permite descobrir realidades insuspeitas e mundos novos em cuja superfície são forjados os contos.
Nas séries iniciais do Ensino Fundamental o trabalho com contos infantis nas aulas de Espanhol como Língua Estrangeira levaria os alunos a se aproximarem mais da língua estudada tendo em conta:

• Leitura e interpretação;
• Desenvolvimento do senso crítico;
• Relação texto-contexto e intertexto;
• Enriquecimento do vocabulário;
• Compreensão auditiva;
• Expressão oral;
• Aplicação prática da gramática.

Os contos infantis jogam com palavras, idéias e ideais. Linguagem e realidade se relacionam dinamicamente, a compreensão do texto a ser alcançada pela leitura crítica deste, implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. A complexidade e a sutileza dos contos infantis é um meio muito interessante de se estudar uma língua. Imagem e texto se complementam em busca do significado.
A linguagem, além da significação gramatical tem outra que é a que rompe com a norma convencional, e nela as palavras perdem sua representação estrita para adquirir outra mais profunda, que deve elevar o leitor do plano habitual e envolvê-lo numa atmosfera encantada.
A preocupação generalizada na sociedade pela falta do hábito da leitura em crianças e jovens, nos leva a aguçar a imaginação com a finalidade de encontrar estratégias cada vez mais variadas e eficazes para o encontro prazeroso com o livro. Por essa razão é que, sem abandonar a narração por parte do professor, intensifica-se a leitura de livros por parte dos alunos. Isto permite observar a reação dos alunos que requerem de imediato o livro cuja história o professor acabou de narrar.
Por outro lado, a excepcional produção editorial de literatura infantil e juvenil na atualidade (tanto em língua portuguesa quanto em língua espanhola), oferece fascinantes e diversos livros que, os que amamos a tarefa de ensinar, sentimos a imperiosa necessidade de compartilhar com os alunos esse maravilhoso feito estético que une o auditivo e o visual. Esta é uma forma de incorporar o mundo da imagem que as crianças de hoje manejam como próprio, em vez de tentar enfrentá-lo ou competir com ele, o que é inútil com esta realidade instalada a partir dos meios de comunicação.
O objetivo é comprovar concretamente que o trabalho com contos infantis nas aulas de E/LE das séries iniciais do Ensino Fundamental pode levar o aluno ao conhecimento das experiências trazidas por ele, para que possa apreender novos sentidos em outra língua, entender melhor e ler na entrelinhas, motivar o aluno a desenvolver de forma fluida e espontânea a aquisição do E/LE.
Pretende-se ainda proporcionar um contato inicial do aluno com textos literários em espanhol, especificamente contos infantis. Desta forma serão facilitadas futuras leituras de diversos tipos de textos na língua estudada.

METODOLOGIA

Para realizar esta pesquisa no campo do E/LE, estabeleceu-se como teoria aplicável o enfoque comunicativo. Assim foram trabalhadas as áreas de habilidades que integram a competência comunicativa, ou seja, a competência lingüística, a competência discursiva, a competência estratégica, a competência sociolingüística e a sócio-cultural.
No enfoque comunicativo o desenvolvimento das quatro destrezas lingüísticas (compreensão leitora, compreensão auditiva, expressão oral e expressão escrita) adquire uma importância explícita e integrada.

Passos necessários para a compreensão leitora:

PRÉ-LEITURA:

• Ativar o conhecimento prévio;
• Estabelecer prognósticos a partir de aspectos do texto e da própria experiência de leitura.

LEITURA:

• Formular hipóteses sobre o que se está lendo;
• Fazer perguntas aos companheiros sobre o texto: cenário, personagens, problema, ação, resolução do problema;
• Esclarecer possíveis dúvidas relativas ao texto: comprovar a compreensão do texto;
• Resumir as idéias essenciais do texto.

PÓS-LEITURA:

• Comprovar as hipóteses formuladas durante a pré-leitura e a pós-leitura;
• Recapitular - expor sucintamente o texto lido;
• Identificar o tema e a idéia principal do texto;
• Elaborar um final diferente do original.

Primeiramente foram trabalhados os contos infantis clássicos, já conhecidos pelas crianças em sua língua materna. Assim, Chapeuzinho Vermelho, A Cinderela, Branca de Neve e outros tantos contos passaram a ter novo significado agora em outra língua.
Os contos foram lidos para a turma mostrando-lhes as ilustrações dos livros, o que facilitou o entendimento e o primeiro contato com as histórias em espanhol, trabalhando assim a compreensão auditiva. A narração e leitura dos contos se complementam , se nutrem uma à outra, enriquecendo o vínculo com as crianças.
Depois os livros foram distribuídos para que fizessem a leitura individual, desta vez focalizando a compreensão leitora. Momento em que os alunos faziam perguntas sobre palavras desconhecidas, questionavam a história e opinavam sobre a facilidade ou dificuldade em se fazer a leitura em espanhol. Tendo como enfoque a expressão oral. Deste modo, notou-se as diferenças significativas entre a expressão das imagens de um e de outro aluno: as cores, a localização dos objetos, a fisionomia dos personagens costumam ser uma fonte riquíssima para a conversação e o intercâmbio. Para estimular a expressão oral, primeiramente deve-se requerer sempre o parecer dos alunos, respeitando suas opiniões. Além disso, estimular o respeito mútuo das opiniões entre eles. Uma prática interessante realizada foi a de debater a respeito da conduta dos personagens dos contos. É importante que os alunos se acostumem a fundamentar suas opiniões, dizer porque, “me gustó” ou “no me gustó”. Isso, além de tudo, desenvolve o sentido crítico.
Levou-se a gravação das histórias, onde os alunos mais uma vez escutavam os contos e trabalhavam a compreensão auditiva, depois foram projetados filmes para que a relação texto/imagem fosse discutida.
A partir desta introdução à leitura em língua espanhola, levou-se outros títulos, de histórias não conhecidas por eles, e algumas traduções de autores conhecidos como Ruth Rocha e Ziraldo.
Foi realizada, também, a encenação de alguns contos como Os três porquinhos e Chapeuzinho Vermelho. Os alunos se revezavam entre os personagens e improvisavam o cenário dos contos. Outra atividade realizada foi a narração do conto pelo aluno, indicando sua assimilação e reconstrução da informação textual. Todas estas estratégias foram realizadas levando em conta, o uso da expressão oral e o desenvolvimento crítico da compreensão leitora em espanhol.
Não somente a sala de aula foi utilizada para a realização do projeto, a biblioteca teve um papel essencial para a leitura. Os livros eram distribuídos para cada aluno e conforme terminassem a leitura iam trocando por outro título, assim, em 1 semestre cada aluno pode ler aproximadamente 10 livros em língua espanhola. Para complementar os alunos participaram da Bienal do Livro de Goiás, o que os fez analisar que os livros em língua estrangeira, além de serem poucos, não têm tanta divulgação. Deixa-se esclarecido aqui que dos livros utilizados neste projeto, alguns fazem parte do cantinho da leitura da escola, outros foram comprados pela diretora com uma verba destinada à compra de livros literários e outros pertencem ao meu acervo particular. (Anexo 1)
Atualmente as editoras brasileiras estão publicando títulos em espanhol direcionados ao público infanto-juvenil o que facilita o trabalho com a leitura em língua estrangeira.

CONCLUSÃO

Percebeu-se, com este projeto, que se deve apresentar às crianças a possibilidade de passar de meros ouvintes dependentes e passivos, a ser usuários autônomos da língua estrangeira estudada: acessar a informação, literária neste caso, e voltar a ela tantas vezes seja necessário; compartilhá-la com seus companheiros sem a intermediação do adulto, desfrutando diretamente da história. Isto se consegue quando entre o adulto leitor e a criança está o livro. Notou-se que a atividade interior da criança durante a leitura é intensa e riquíssima porque a imaginação é levada a lugares e tempos insuspeitos, possibilitando a abertura de novos caminhos independentes, conquistados através da prática constante da leitura.
De acordo com Lesley Morrow (1991), desde perspectivas teóricas, sugere-se que a leitura de contos às crianças lhes ajuda a aprender características da língua escrita. Aprendem que a língua escrita é diferente da oral, que a letra impressa gera significado e que as palavras estampadas em uma página têm som.
Assim, a leitura de contos infantis deve ter um lugar de destaque nas aulas de E/LE, deve ser prazerosa e a escola pode ser um âmbito para isso, onde o estético e o ético ocupem um lugar importante. Estimular a imaginação, expressar os sentimentos e produzir belas mensagens criativas pode se converter em objetivos primordiais das aulas.
Para os pragmáticos o homem é a soma total da realidade que pode chegar a experimentar. Assumem que a realidade não é exterior ao homem e que o mundo só é significativo para o sujeito se este exprime nele significado. Assim as aulas de E/LE para o grupo de alunos do Ciclo II da escola mencionada, passaram a ter sentido, já que os próprios alunos participaram de seu processo de ensino-aprendizagem, utilizando a leitura dos contos, com toda a sua simbologia, como um fenômeno criativo. Ressalta-se que foram percebidos os seguintes aspectos que serviram também para consolidar a auto-estima e a segurança necessárias no processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira.

• Desenvolvimento da concentração e da prática de leitura em língua espanhola;
• Estímulo da comunicação;
• Intensificação da capacidade expressiva e espontânea;
• Desenvolvimento da socialização;
• Motivação para o despertar da curiosidade e da capacidade de imaginação;
• Diminuição da agressividade;
• Capacidade de discussão e de argumentação;
• Preparação para o desenvolvimento da etapa individual da leitura em língua estrangeira;
• Intensificação da interação afetiva mediante a promoção de atitudes comunicativas e valores sociais.

Para finalizar esta exposição considera-se necessário esclarecer que todo projeto deve fazer parte de uma ação pedagógica amparada por uma concepção teórico-metodológica, por uma pesquisa prévia na área e, principalmente, pelo ânimo de buscar outras possibilidades para o processo de ensino-aprendizagem.

BIBLIOGRAFIA

ARCHANCO, Pámela. FINOCCHIO, Ana María & YUJNOVSKY, Carlos. Enseñar Lengua y Literatura- Actividades que favorecen el aprendizaje. Buenos Aires: LUGAR, 2003.
BARALO, Marta. La adquisición del español como lengua extranjera. Cuadernos de Didáctica del Español
E/LE.Madrid: Arco/Libros, 1999.
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
BRAGGIO, Silvia Lúcia B. Leitura e alfabetização na escola: da concepção mecanicista a sociopsicolingüística. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
CASTRONOVO, Adela & MARTIGNOMI, Alicia. Caminos hacia el libro. Narración y lecturas de cuentos. Buenos Aires: Edicones Colihue, 2000.
CERVERA, Juan. La literatura infantil en la educación básica. Madrid: Cincel, 1985. In: Actas del V Seminario de dificultades específicas para la enseñanza del español a lusohablantes. Consejería de Educación de la Embajada de España en Brasil. São Paulo, 1997.
JEAN, Georges. Los senderos de la imaginación infantil. Los cuentos. Los poemas. La realidad. México: Fondo de Cultura Económica, 1990.
MORROW, Lesley Mandel. El empleo de la re-narración para desarrollar la comprensión-El Texto Narrativo, Buenos Aires: AIQUE, 1991.
VILLENA< Hugo. Títeres en la escuela. Buenos Aires: Ediciones Colihue, 2001.

ANEXO 1

ALCÁNTARA, Ricardo. El Hijo del Viento. São Paulo: Scipione, 2003.
____. Martín y la Princesa Ylady. São Paulo: Scipione, 2003.
ANDRADE, Telma Guimarães Castro & CÉSARIS, Delia María de. Iván, el terrible. São Paulo: Moderna, 2001.
____. Neruda@ Hamlet. São Paulo: Moderna, 2001
____. Mi Buenos Aires Querido. São Paulo: Moderna, 2001.
____. Misterio en el Museo. São Paulo: Moderna, 2001.
AQUINO, Pancho. Cuentos para niños de 8 a 108 –I. Buenos Aires: D’Aversas, 2003.
CALDERÓN, Emilio. El Fantasma de Cera. São Paulo: Scipione, 2003.
CANO, Carles. El último de los dragones. São Paulo: Scipione, 2003.
CEVANTES, Miguel. Don Quijote de la Mancha. São Paulo: Scipione, 2000.
CLIMENT, Paco. Juana Calamidad y la casa encantada. São Paulo: Scipione, 2003
____. La Gitanilla. São Paulo: Scipione, 1999.
DÍAZ, Gloria Cecilia. Óyeme con los ojos. São Paulo: Editora Ática, 2003.
DOMÍNGUEZ, Gerardo. JARA, Fátima de la & LUENGO, Rosa. La Sorpresal. São Paulo: FTD, 2002.
____. Las Estrellasl. São Paulo: FTD, 2002.
____. Los Gabaratos del Sol. São Paulo: FTD, 2002.
FERNÁNDEZ, Gretel Eres & FLAVIAN, Eugenia. El Pirata Amorix. São Paulo: Editora Ática, 2003.
____. Felices para siempre. São Paulo: Editora Ática, 2003.
____ Viajar es lindo...a veces. São Paulo: Editora Ática, 1999.
FERNÁNDEZ, Josefina & VILLANUEVA, Clara. De fiesta en Invierno. Madrid: Difusión, 1995.
____. De fiesta en Otoño. Madrid: Difusión, 1995.
____ De fiesta en Primavera. Madrid: Difusión, 1995.
____ De fiesta en Verano. Madrid: Difusión, 1995
FERREIRA, Marcelo. Pedro el perezoso. São Paulo: Enterprise, 1999.
GARCÍA, María de los Ángeles Jiménez. & HERNÁNDEZ, Josephine Sánchez. El Banco de Piedra. São Paulo: Editora Ática, 2002.
____. El Tercero A. São Paulo: Editora Ática, 2002.
GUERRERO, Andrés. Una Jirafa de Otoño. São Paulo: Scipione, 2003.
IGLESIAS, Carmen García. Las novias de Rufo y Trufo. São Paulo: FTD, 2002.
____. Rufo y Trufo cambian de casa. São Paulo: FTD, 2002.
____. Aventuras de Rufo y Trufo. São Paulo: FTD, 2002.
KESELMAN, Gabriela. Cinco Enfados. São Paulo: Editora Ática, 2003.
LIGUORI, Julio Diego Domingos. Iniciación. São Paulo: Saraiva, 2000.
LINDO, Elvira. Los trapos sucios. Manolito Gafotas. Buenos Aires: Alfaguay, 1999.
LÓPEZ, Horacio. La milonga del último Tatú. Buenos Aires: Alfaguara, 1999.
MATEOS, Pilar. La princesa que perdió su nombre. São Paulo: FTD, 2002.
MIGUEL, Loreto & SANTOS, Alba. El hombre que veía demasiado. Madrid: Edelsa, 1990.
MIGUEL, Lourdes & SANS, Neus. Vacaciones al Sol. Barcelona: Difusión, 1994.
MONREAL, Violeta. No quiero un dragón en mi clase . São Paulo: Scipione, 2003
NARVÁEZ, Concha López. Memorias de una Gallina. São Paulo: Editora Ática, 2002.
PACHELLA, Paulo Roberto. El castigo del sapo. São Paulo: Enterprise, 1999.
PINTO, Ziraldo Alves. Como llegar al mundo de la luna. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. El chico de la historieta. São Paulo: Melhoramentos, 2002
____. El gusanito de la manzana. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. El polilla. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. Este mundo es un balón. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. Juanito y la Geografía. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. Las flores de la primavera. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. Los colores y los días. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. Una maestra macanuda. São Paulo: Melhoramentos, 2002
PUELLES, Vicente Muñoz. Óscar y el león de Correos. São Paulo: Editora Ática, 2002.
ROCHA, Ruth. El libro de la escritura. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. El libro de las letras. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. El libro de las tintas. São Paulo: Melhoramentos, 2002
____. El libro de los idiomas. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
____. El libro del lápiz. São Paulo: Melhoramentos, 2002
____. El libro del papel. São Paulo: Melhoramentos, 2002
RODARI, Gianni. Cuentos para jugar. Madrid: Alfaguara, 2000.
RODRÍGUEZ, Jonh Lionel O’ Kuinghttons. La blanca señora de mi barrio. São Paulo: Saraiva, 2000.
RUIZ, Guillermo Gustavo Loyola Ruiz. Perro. São Paulo: Saraiva, 2000.
SAINT EXUPÉRY, Antoine de. El Principito. Barcelona: Salamandra, 2001.
SAYALERO, Myriam. El ratón de campo y el ratón de la ciudad. León: EVEREST, 1998.
____El ratón y el gato. León: EVEREST, 1998.
____La compra del asno. León: EVEREST, 1998.
____La discordia de los relojes. León: EVEREST, 1998.
____. La Lechera. León: EVEREST, 1998.
____La liebre y la tortuga. León: EVEREST, 1998.

COLEÇÃO : CUENTOS EN IMÁGENES. Barcelona: Peralt Montagut

Alicia en el país de las maravillas
Blancanieves y los Siete Enanitos
Caperucita Roja
Cascanueces
El Flautista de Hamelín
El Gato con Botas
El Hombrecito de Mazapán
El Lobo y las Siete Cabritas
El Ratón de la Ciudad y el Ratón del Campo
El Patito Feo
El Soldadito de Plomo
La Bella Durmiente
La Bella y la Bestia
La Cenicienta
La Gallina Trulla
La Sirenita
Los tres Cabritillos Traviesos
Los Tres Cerditos
Mogli
Pinocho
Ricitos de Oro y lo Tres Osos

 
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