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  LETRAVIVA: EDUCAÇÃO COMO DIREITO SOCIAL E HUMANO


Dulcinéia Ferreira
Ana Maria de Campos
Fernanda Maria de Lima
Vera Lúcia Martins
Maria Iva L. Silva
Tiago Duque
Fabiana Aparecida de Albuquerque
Creusa da Silva Vieira.

A experiência de Alfabetização de Jovens e Adultos desenvolvida por um grupo de educadores/as reunidos em torno do PROJETO LETRAVIVA, durante os anos de 2003 e 2004 na cidade de Campinas/S.P., teve como tema central “a vida” nas suas múltiplas manifestações e o eixo de produção do conhecimento fundado no princípio da autonomia e liberdade de criação de todos os sujeitos envolvidos.
Assim, é impossível falar dessa experiência no singular. Ela só pode ser apresentada no coletivo, pois é fruto da contínua construção vivenciada em cada um dos múltiplos espaços nos quais foi gestada, alimentada e desenvolvida.
O Projeto LETRAVIVA tem a sua identidade associada à Educação Popular, contudo teve o seu início no campo institucional , no interior da Secretaria Municipal de Educação de Campinas, sendo viabilizado através de um convênio firmado com o Governo Federal, MEC/FNDE no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado.
Para que o desafio de alfabetizar jovens e adultos ultrapassasse os espaços escolarizados geridos pelo poder público municipal, foi empreendida uma campanha de mobilização dos setores organizados da sociedade civil campineira. Vários grupos colocaram-se à disposição para o trabalho. Assim, surgiu uma parceria entre os representantes das diferentes organizações sociais e o Governo Municipal, nesse período sob o comando do Partido dos Trabalhadores.
Também foram convidadas para esse trabalho as pessoas ligadas aos diferentes movimentos sociais e populares existentes no município. Assim, a maioria dos/das educadores/as populares são constituídos de pessoas representativas dos setores organizados e, fundamentalmente, ligados aos grupos mais empobrecidos da população, para os quais os governos quase nunca oferecem oportunidades de educação de qualidade
O LETRAVIVA teve a sua criação e sustentação metodológica no princípio da autonomia e incalculável criatividade de sujeitos que se reúnem com a finalidade de ampliar as possibilidades da existência humana, experimentando no espaço/tempo da aula novas possibilidades de ser e estar no mundo, reinventando alternativas de sobrevivência e ressignificando a própria vida.
O trabalho de Formação Inicial e Continuada dos/as Educadores/as Populares desenvolvido pela Coordenação do Projeto nos anos de 2003 e 2004 buscou alimentar e sustentar o tom da criatividade a serviço da vida. A Formação Continuada procurou incentivar os/as Educadores/as a usarem da sua criatividade e inventividade para, fazendo uso de seu vasto repertório cultural, criar juntamente com os/as educandos/as o seu melhor e mais eficiente “método” de trabalho. Em nenhum momento foi oferecida a solução fácil da utilização de cartilhas ou regras universalizantes, fato que gerou muita angústia e desassossego no início do processo, mas que foi sendo superado e ultrapassado através das vivências compartilhadas entre os muitos/as educadores/as. Dessa maneira, toda a riqueza e expressividade dos sujeitos foi acolhida e compartilhada nos grupos de alfabetização, sendo demonstrada pelas inúmeras manifestações e resultados provenientes do trabalho em grupo. São inúmeras poesias, músicas, paródias, cartas e histórias de vida criadas e escritas pelos/educandos/as do LETRAVIVA. Muitos se descobriram capazes de alçar vôos nunca dantes imaginados. A vida em toda a sua plenitude foi como que desabrochando no interior dos pequenos grupos de pessoas que tornaram-se amigas e companheiras na recriação da vida cotidiana.
LETRAVIVA porque a vida está em primeiro lugar e acreditamos que o espaço/tempo de cuidar da aquisição da leitura e da escrita também se apresente como um tempo e lugar para a produção e divulgação do novo. Um tempo e lugar onde se faça possível a construção de novos saberes, de novas possibilidades de vida.
O grupo que vem a esse 15º COLE deseja apresentar por meio de uma VIVÊNCIA uma das inúmeras possibilidades de alfabetização de Jovens e Adultos instigadas pela leitura apaixonada do mestre Paulo Freire.

LETRAVIVA: POSSIBILIDADES E DESAFIOS CONSTRUÍDOS E COMPARTILHADOS ENTRE INSTITUIÇÃO PÚBLICA E MOVIMENTOS POPULARES DE CAMPINAS.
DULCINÉIA FERREIRA E ANA MARIA DE CAMPOS
A criação e desenvolvimento de uma experiência em Educação Popular para além da alfabetização de jovens e adultos, informada pelos conhecimentos freireanos e os modos criativos de reinvenção da realidade dos Movimentos Populares se deu na Sec.Mun.Educação de Campinas por opção de governo do PT(2001/2004). Financiado com recursos Municipais e Federais (Programa Brasil Alfabetizado) e executado em parceria com instituições da sociedade civil.Todas e todos puderam mergulhar no movimento de criação, execução e avaliação do Projeto LETRAVIVA. Afetamos e fomos afetados e sem fazer barulho pudemos reinventar o jeito de ser e estar no mundo, criando uma vivência de empoderamento daqueles que pensam que nada sabem e nada podem.

FORMAÇÃO CONTINUADA: A PRODUÇÃO COLETIVA DO CONHECIMENTO.
FERNANDA MARIA DE LIMA, VERA LÚCIA MARTIS E MARIA IVA L. SILVA
O desafio de produzir conhecimento no e para o grupo mostrou-se desde o início do Projeto LETRAVIVA como a principal tarefa da Coordenação voltada aos/as Educadores/as. Para a sua concretização tentamos nos despir dos vícios acumulados durante anos de educação autoritária e diretiva. Assim, a atitude de acolhida e escuta forjou o ambiente propício para a construção do conhecimento a partir do diálogo e da troca de experiências, instigando a criatividade dos membros do grupo.Esse processo sugeria aos Educadores/as as possibilidades a serem desenvolvidas nos grupos de alfabetização, com ênfase no cuidado para com o educando e o respeito pela sua cultura, pois acreditamos que há um universo para além da mera decodificação de letras e sílabas.

ESTÁGIO: CRIAÇÃO E RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA.
TIAGO DUQUE E FABIANA APARECIDA DE ALBUQUERQUE:
O período do Estágio dos universitários no Projeto LETRAVIVA foi desde a entrevista de seleção pautado pela colaboração e autoria. A Coordenação optou pela constituição de uma equipe multidisciplinar formada por estudantes de Pedagogia, Ciências Sociais, Administração de Empresas, Informática, Biblioteconomia e Propaganda e Marketing possibilitando a troca de experiências e complemantariedade nas ações. O grande desafio foi o de atuar junto com a Coordenação compartilhando a autoria do Projeto, o seu modo de ser diário, as demandas e tarefas advindas das diferentes frentes de ação, como a mobilização social, divulgação, Cursos de Formação, atendimento dos Educadores/as e Educandos/as, envio de relatórios para o MEC e SME, entre outros.

GRUPO DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DESAFIO COTIDIANO.
CREUSA DA SILVA VIEIRA
A vivência diária de um grupo de Alfabetização de Jovens e Adultos foi para mim uma experiência riquíssima que mudou o meu modo de estar no mundo. Fui desafiada desde o princípio a buscar as soluções para minhas interrogações no próprio convívio com os Educandos/as. Compreendi que é possível alfabetizar a partir das necessidades e do repertório cultural que os Educandos/as trazem consigo. Precisei ir além de meus limitados conhecimentos da linguagem Braile para acolher e responder às necessidades de um Educando com Deficiência Visual, que se recusava a freqüentar uma escola especializada. Cada Educando trouxe um desafio diferente e ao mesmo tempo a força e a solidariedade para procurarmos juntos as melhores opções de trabalho e convivência.

 
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