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  A IMPORTÂNCIA DE UM ACERVO ESPECIALIZADO EM UM PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO

Tatyanne Christina Gonçalves Ferreira - PROALFA - UERJ

Resumo

Relato de experiência resultante de trabalho desenvolvido no Acervo Especializado em Alfabetização Emília Ferreiro, que se constitui em um dos projetos do Programa de Alfabetização, Documentação e Informação – PROALFA, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Enfoca questões pertinentes ao histórico do Acervo, seus objetivos, público alvo do projeto, atividades realizadas pelo estagiário de biblioteconomia e a sua abrangência na área de educação. Enfatiza-se, ainda, a importância de um Acervo Especializado como parte integrante de um programa de alfabetização para a socialização do conhecimento.

Introdução

O estágio em biblioteconomia no Acervo Especializado em Alfabetização Emilia Ferreiro proporcionou a produção deste relato de experiência. Tal acervo é um projeto que faz parte do PROALFA – Programa de Alfabetização, Documentação e Informação. Este é um programa de Extensão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Através deste trabalho será apresentada a história do Acervo, os seus objetivos gerais e específicos, o seu público alvo, as atividades realizadas e as suas coleções. Tais elementos são fundamentais para o estudo e a compreensão da importância de um acervo especializado integrado em um programa de alfabetização.

História do Acervo

O acervo possui um dado histórico que faz parte de sua origem. Em 1990, ao ser criado o CPM (Curso de Graduação de Professores do Município), uma parceria UERJ e SME, a atual coordenadora do PROALFA era uma das professoras da disciplina Alfabetização. Ao recomendar a bibliografia, foram constatados os seguintes obstáculos: inexistência em sua maioria, de tais livros na Biblioteca Setorial da Faculdade de Educação e dificuldade dos professores na aquisição dos mesmos. Tal fato estimulou o PROALFA a criar um espaço destinado a consultas e empréstimos de materiais para auxiliar as pesquisas e os estudos do Programa. Com o decorrer do tempo, ao serem criados demais projetos do PROALFA, como o de “Classes de Alfabetização e Letramento” e o aumento do número de bolsista, o Acervo passou a ser fundamental para estimular a leitura e socializar o conhecimento na área de educação.

Os Objetivos do Acervo e o seu Público Alvo

O objetivo geral do Acervo Especializado em Alfabetização “Emília Ferreiro”é disponibilizar aos usuários informações contidas nos livros e em outros documentos e oferecer subsídios teóricos para os professores (bolsistas de extensão) que atuam em nossos projetos, tais como: “ Classes de alfabetização e Letramento”, “Alfabetização de jovens das Classes Populares” e “ Apoio Educacional à Enfermaria Pediátrica do HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto”. Os objetivos específicos são socializar documentos sobre alfabetização, tais como: teses, monografias, livros, revistas, artigos de jornais, vídeos e CD-ROM e entre outros; divulgar artigos de jornais e/ou revistas impressos ou eletrônicos, sobre alfabetização e outros assuntos; incentivar a leitura dos bolsistas e dos alunos das classes; informar aos usuários sobre atualizações de documentos do Acervo; auxiliar os professores na pesquisa e na produção dos conteúdos das aulas.

O público alvo, ou seja, os usuários do Acervo são os professores, os alunos do PROALFA e o público interno e externo da UERJ. Sendo que muitos alunos (Pedagogia, Letras, Matemática e Psicologia) da UERJ têm acesso ao Acervo para consultar e pesquisar documentos para o Trabalho de Conclusão de Curso (monografia). Os usuários reais do acervo são os inscritos, no momento existe 87 cadastrados.

Atividades Realizadas no Acervo

As atividades realizadas no Acervo, entre Julho de 2004 a Junho de 2005, são feitas pelo estagiário de biblioteconomia, que organiza e orienta as pesquisas e as consultas dos usuários. Abaixo estão descritas as atividades enumeradas:

1. Organização dos livros na estante;

2. Atender aos usuários e controlar o empréstimo através de fichas e caderno. Sendo que está em fase de experiência um programa freeware, Minibiblio, para então implantar o controle de empréstimo de livros e outros documentos.O empréstimo é feito por dez dias corridos, podendo renovar ou reservar e o usuário pode pegar emprestado até três itens, tais como: livros, fitas de vídeo, apostilas, revistas etc. As monografias não podem ser emprestadas por não possuírem cópias. Neste período foram feitos, aproximadamente, 600 empréstimos;

3. Colocação dos textos, recortes de jornais, documentos da internet em fichários separando-os por assunto;

4. Classificação e catalogação dos livros novos e monografias através, respectivamente da CDU e do ISIS. Registro das revistas no Kardex;

5. Divulgação dos livros novos no Acervo, notícias e artigos de jornais sobre educação e outros assuntos da área pelo mural. Colocação dos sumários dos livros seletivos no mural, oferecendo um acesso rápido ao conteúdo e circulação da informação;

6. Difusão dos livros novos aos usuários pelo e-mail;

7. Buscar editoras, instituições para doações;

8. Divulgação do Acervo através das atividades feitas pelo PROALFA, como a UERJ sem Muros e a Culminância com os trabalhos realizados pelos alunos dos projetos do PROALFA;

9. Interação com as turmas das Classes de Alfabetização, tais como: visita ao acervo, apresentando-o e orientando-o para o uso; recitação de um poema sobre A bibliotecária, na culminância; Contação de história, na festa de final de ano; livros na classe, nesta atividade os professores levam uma grande quantidade de livros para os alunos pegarem emprestados;

10. Entrosamento com a Biblioteca Comunitária da UERJ para o empréstimo de livros, uso do espaço e materiais audiovisuais;

11. Levantamento Bibliográfico para os usuários;

12. Pesquisas na internet.

As Coleções do Acervo

O acervo adotou a CDU como sistema de classificação por ser um Acervo Especializado. A catalogação é feita através do programa CD-ISIS. As revistas estão registradas no Kardex e os fichários são utilizados para guardar textos, folhetos e artigos de jornais. O acervo abrange diversos assuntos, tais como: Alfabetização, Ensino, Leitura, Avaliação, Educação de jovens e adultos, Educação Especial, Literatura, Literatura Infantil e Juvenil, Psicologia da Educação, Ensino da Literatura. Também faz parte da coleção obras de referência, tais como: periódicos, livros didáticos, mapas, Atlas, boletins, guias, folhetos, catálogos, enciclopédias, dicionários, cartazes, materiais audiovisuais. O acervo ainda possui documentos antigos para pesquisa e uma caixa de revistas e jornais antigos para recortar. No momento existem 1500 livros, 120 monografias e teses e 560 periódicos.

Conclusão

Portanto, um Acervo Especializado serve de suporte aos projetos educacionais de um Programa de Alfabetização, sendo assim, um espaço onde o aluno pode usufruir a leitura e a escrita e o professor obter os materiais necessários para empregar na prática educacional. O bibliotecário, o intermediário entre a informação e o usuário, terá um importante papel como dinamizador do acervo, possibilitando o acesso aos livros e procurando interagir sempre com o Programa de Alfabetização, disseminando e socializando o conhecimento entre os usuários. De acordo com isso, pode-se ressaltar a 1º lei da Biblioteconomia de Ranganathan: “Os livros são para serem usados”. Campos diz em seu artigo que “para democratizar o uso da informação, é necessário empreender esforços políticos visando a educação irrestrita (...) assim, todo homem tem o direito de ser um leitor em potencial...” (CAMPOS, 2003) Mas, para ser um “leitor em potencial”, o usuário precisa ser alfabetizado e letrado, ou seja, estar incluso em um Programa de Alfabetização para então, usufruir dos espaços culturais que é direito de todos os homens. Já Freire diz que “é preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história”. (FREIRE, 1980)

Uma biblioteca ou um acervo especializado, como este relatado, é fonte de cultura, produção de conhecimento e criação artística tanto para o professor como para o aluno e qualquer outro usuário. O bibliotecário deve interagir com os professores no apoio ao trabalho pedagógico e também com os alunos no tocante ao incentivo à leitura; as atividades do bibliotecário devem contribuir no processo ensino-aprendizagem.

O Acervo Especializado em Alfabetização “Emília Ferreiro” busca interagir com o Programa e satisfazer as necessidades dos usuários, concretizando um espaço de aprendizado para o estagiário de biblioteconomia. O Acervo tem que crescer e melhorar cada vez mais, mas é um processo assim como é a alfabetização e não depende de uma só pessoa, e sim de muitas. Assim, sabendo onde se quer chegar, o caminho fica mais fácil de ser percorrido.

“A tão famosa maturidade para a leitura e escrita depende muito mais das ocasiões sociais de estar em contato com a linguagem escrita do que qualquer outro fator que se invoque”.

Emília Ferreiro

Referências Bibliográficas:

CAMPOS, Maria Luiza de Almeida. As cinco leis da biblioteconomia e o exercício profissional. Disponível em: <http://www.conexaorio.com/biti/mluiza/index.htm >Acesso em: 01 de agosto de 2003.

FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. 3. ed. São Paulo: Moraes, 1980.

 
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