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  APRENDENDO A REDESCOBRIR O BRASIL: UMA NOVA EXPÊRIENCIA EM EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Marco Aurélio Lourenço - UERJ

O PROALFA- Programa de Alfabetização, Documentação e Informação, é um programa extensionista, localizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro ( UERJ). Dentre suas metas está a inserção e a orientação às pessoas idosas e jovens num universo de leitura e escrita, contribuindo, assim, para a formação social do indivíduo, levando em consideração que muitos destes não tiveram ou não puderam dar continuidade aos estudos enquanto jovens e/ ou crianças.

O PROALFA desenvolve cinco projetos:

Projeto I - Classes de Alfabetização e Letramento - Oferece aulas para idosos, adultos e jovens com objetivo de proporcionar o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos alunos no ato de leitura, escrita e matemática, atendendo em média 90 alunos por mês, distribuídos em 4 classes, sendo que as aulas acontecem no próprio espaço da Universidade, três vezes por semana, de 14.00 às 17.00horas. Cada classe possui dois professores regentes que acompanham o desempenho de seus alunos.

Complementando este trabalho, há as Oficinas de: Leitura, Produção de texto e de Matemática, sendo que os professores dessas oficinas atuam em todas as turmas, dividindo o conteúdo com os professores regentes e aprendendo a desenvolver atividades em equipe. É importante ressaltar que os professores que atuam em todas estas atividades, são graduando em Pedagogia, Letras e Matemática.

Projeto II - Apoio Educacional à Enfermaria Pediátrica do HUPE - Visa incentivar crianças internadas na enfermaria pediátrica do Hospital Universitário Pedro Ernesto, a dar início ou continuidade em atividades escolares.. As crianças são orientadas por duas graduandas em Pedagogia que desenvolvem atividades como: dinâmicas, leituras de contos e historias, desenhos, de modo a ensinar através de brincadeiras educativas.

Projeto III - Ciclo de Estudos em Alfabetização – evento voltado para estudantes e profissionais da área de educação, com intuito de debater temas relacionados à alfabetização. Os Ciclos acontecem mensalmente e são ministrados por profissionais gabaritados em suas áreas. Além de divulgar conceitos novos e relevantes para os participantes, têm função de socialização da informação e o aperfeiçoamento dos mesmos.

Projeto IV - Acervo Especializado "Emília Ferreiro" - Conta com livros, periódicos, monografias, teses e material audiovisual, disponibilizando a todos os interessados, materiais sobre educação, psicologia, matemática, lingüística, etc...

Projeto V - Alfabetização de Jovens de Classes Populares - Parceria com o Abrigo Ayrton Sena, voltado para jovens na faixa etária entre 10 e 16 anos, moradores em abrigos, apresentando dificuldades escolares.

RELATO DE EXPERIÊNCIA

“ Aprendendo a re-descobrir o Brasil: uma nova experiência em EJA”

Esta apresentação tem por objetivo compartilhar as atividades pedagógicas desenvolvidas nas Classes de Alfabetização do Proalfa, na turma Unati I.

O tema do módulo e o assunto abordado:

“Ressignificando o passado, compreendendo o presente e construindo o futuro”, esse foi o tema escolhido pelos professores, juntamente com os orientadores pedagógicos para ser desenvolvido durante o ano, abordando conteúdos sobre a História do Brasil e a Literatura Brasileira. A partir daí, nas reuniões semanais de planejamento, foram elaboradas atividades a serem apresentadas aos alunos, como: os vários movimentos históricos e Estilos Literários - Barroco, Arcadismo, e Romantismo, contextualizando-os sobre os fatos e movimentos ocorridos em cada época, dando sentido ao estudo da história para conhecer melhor e ressignificar o presente.

Atividade que foi desenvolvida

Através da leitura da carta de Pero Vaz de Caminha e textos sobre a descoberta do Brasil pelos portugueses, foi criado um espaço para reflexão, debate e, após, escrita a respeito da chegada dos europeus e a forma como eles fizeram a nossa história, observando o ponto de vista do colonizador (português), e o ponto de vista do colonizado (índio), de modo a desenvolver um novo olhar para a História do Brasil que também deveria ser contada pelo índio.

Desenvolvimento

A atividade iniciou com leituras conforme acima citado. Quando cada aluno teve a oportunidade de fazer a sua leitura reflexiva silenciosa algumas alunas disseram que o Brasil não foi descoberto pelos portugueses, pois o Brasil já existia para os índios. Outros contribuíram dizendo que na época da catequisação dos índios, o ensino se dava através da escrita na areia. Após a leitura ( em parágrafos) da carta de Caminha (foram lidos cerca de doze parágrafos), foi sugerida a seguinte dinâmica:

- Pensar qual seria o impacto do índio chegando à Europa

- O que ele esperaria encontrar lá

- Deveriam se imaginar como índios chegando à Europa

- De que modo fariam para descrever essa nova aventura.

O interessante foi que algumas alunas fizeram muito bem a descrição, só que deveriam pensar e se imaginar enquanto índio, sendo assim de modo algum elas poderiam saber o nome dos objetos e coisas, como prédios enormes e carros, mas com o conhecimento somente indígena deveriam descrever como se não conhecessem a cidade grande; tudo deveria ser novidade e espanto. Alguns dos alunos fizeram a descrição como se tudo fosse novidade, outros sem que pudessem perceber começaram escrevendo o nome de vários objetos e citando para que serviam estes.

Após eles entregarem as atividades, nós professores compartilhamos a atividade desenvolvida na reunião e orientação pedagógica (para nós professores-bolsistas), que ocorre toda segunda-feira das 14:00 às 18:00 hs, conforme foi citado acima, na aula seguinte pedimos para que eles lessem o seu texto e após isto deveriam reescrever a mesma atividade, desta vez os que tiveram dúvidas enquanto produziam o primeiro texto, deveriam novamente se imaginar enquanto índio chegando à Portugal sem conhecimento algum sobre o local e a linguagem . A segunda atividade foi refeita e obtivemos êxito, uma vez que todos puderam participar e compreender o dinâmica realizada.

Conclusão

Diante da atividade desenvolvida e com o resultado que obtivemos, foi possível para nós professores avaliarmos o conhecimento dos alunos acerca da história, além de possibilitá-los um olhar crítico sobre a história que lhes foi contada. Após a dinâmica todos foram incentivados a ler suas escritas produzidas, almejando ampliar seus horizontes e perceber através da escrita do colega um novo ponto de vista que foi compartilhado, e que é possível ressignificar a historia. Tanto os alunos quanto os professores tiveram o privilegio de absorver essa troca de conhecimento e experiência .Isso tudo serviu para nós professores que trabalhamos com educação de jovens e adultos, conhecer um pouco das experiências históricas de nossos alunos, o que eles pensam sobre nossa historia. Esperamos ter aguçado ainda mais a vontade de nossos alunos de estarem lendo e de buscarem novas informações com a finalidade de os mesmos estejam contextualizando um fato histórico e de uma possível “re-descoberta”.


 
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