Voltar    
  CONTANDO HISTÓRIA E (RE) ESCREVENDO MUNDOS: A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NO COTIDIANO ESCOLAR

Aline de Mello Dias / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Giselle Cristina Menezes / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mariana Cardoso de Melo / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Roberta Machado de Sousa / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Viviane Torres Offrede / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Introdução

“Conte-me e eu esquecerei; ensina-me e eu me lembrarei; envolva-me e eu aprenderei”
Benjamin Franklin

O presente trabalho é fruto de uma experiência realizada por nós, graduandas em pedagogia, na “15ª UERJ sem muros” , onde apresentamos a oficina “O encantador mundo da leitura”. Nosso principal objetivo era pôr em prática tudo aquilo que aprendemos e refletimos em nosso curso, contribuindo para que professores e professoras da educação infantil e das séries iniciais pudessem partilhar dos encantos da leitura infanto-juvenil e compreender a importância da contação de histórias no cotidiano escolar, além de propor ferramentas, através das diversas linguagens utilizadas, para a efetiva ação desta prática. Desta forma pode-se utilizar esta ferramenta de aprendizagem para dinamizar os processos educacionais trabalhando a abstração a partir da escuta, a criatividade, a concentração e, principalmente, oportunizando a leitura e escrita em sala de aula.
A idéia de criar uma oficina tratando da contação de história surgiu ao percebermos as diversas formas de utilizar os contos de fadas, principalmente, em sala de aula e, por outro lado, o pouco uso deste como suporte pedagógico efetivamente, tendo em vista que este material é utilizado, na maioria das vezes, como leitura de histórias. Entretanto, a contação de histórias é mais que isso, é a “vivência” da história, com espontaneidade, naturalidade e adequação desta ao público ouvinte. Decidimos montar a oficina para professores e futuros professores que, partindo da sala de aula, possibilitasse o diálogo com seus alunos e consigo mesmo, tendo presente suas histórias de leitores/escritores. Desde o começo, quando produzimos o encontro, procuramos considerar cada etapa a ser realizada como elemento que pudesse ajudar no processo constitutivo de sujeitos autônomos, para que os professores pudessem falar de si mesmos, de seus feitos sem medo de ter sua fala interrompida. Em termos específicos, objetivamos criar um espaço coletivo para que cada um pudesse tomar a palavra para discutir sua prática falando, escrevendo e escutando e a partir disto construir uma comunidade de leitores/escritores.
Pensamos em trabalhar o conto de fadas aliado as atividades lúdicas na esperança delas mediarem de alguma forma, a significação na construção do conhecimento. Surge a ludicidade como uma forma não mágica, mas, mais atraente, estimuladora para a construção do conhecimento usando o brinquedo, a brincadeira, a música, a imagem, as histórias, sendo possível desenvolver nos educadores a percepção de que a aprendizagem pode se dar de forma diferente, com prazer ao construir o próprio aprendizado, fazendo com que estes levem essas experiências para o cotidiano escolar. Sendo o caráter lúdico ligado a questão do ambiente alfabetizador da sala de aula, estimulando a imaginação e a criatividade levando a um maior interesse e curiosidade por parte do aluno em relação às tarefas e assuntos abordados.
As atividades lúdicas, quando bem exploradas, oportunizam a interlocução de saberes, a socialização e o desenvolvimento pessoal, social, cognitivo e psicomotor. São excelentes subsídios capazes de promover e desencadear a construção do conhecimento.
Não tínhamos dúvida a respeito das dificuldades, da resistência, dos medos que teríamos que enfrentar, tanto da parte dos professores como da nossa. Porém, estes mesmos desafios nos fizeram prosseguir com mais vontade que antes. Queríamos deixar claro que a oficina não era resultado de uma mágica, ou privilégio de seres iluminados, que tiveram melhores condições do que outros, mas que ela foi fruto de muito trabalho atrelado à pesquisa.

Ambientação lúdica

Recursos:

Tapete / Cortina colorida de TNT / Almofadas / Bolas de aniversário com fitilhos amarrados / Cartazes com frases de pensadores

Objetivo:

Oportunizar o conhecimento de si mesmo e facilitar melhor relacionamento e integração interpessoal; Criar um clima de confiança e de comunicação interpessoal; tomar consciência do significado de cada pessoa dentro do grupo; aprender a desenvolver atividade extra classes de forma simples, fácil e prazerosa; desenvolver a dramatização como instrumento que relacione a realidade do contexto sócio cultural da comunidade local , do curso acadêmico e do discente.

Considerações:

A sala foi decorada de forma a refletir um ambiente aconchegante e lúdico, pois a ludicidade deve ser a “escuta” sensível norteadoras das atividades didáticas. Foram usados objetos com cores fortes e alegres com o objetivo de remeter a infância de cada um dos participantes.
No fundo da sala foi utilizado um tapete com almofadas com o intuito de “quebrar” a rotina da sala de aula onde as crianças, normalmente, são dispostas em carteiras organizadas em fileiras. O chão, ao nosso ver, transmite a liberdade, revelando o desprendimento e a espontaneidade das crianças. Entretanto, para que fosse respeitada a liberdade de cada um, utilizamos carteiras dispostas em um semicírculo. Para complementar o clima aconchegante utilizamos uma cortina bastante colorida e bolas de aniversário com fitilhos coladas no teto.
Para fomentar a reflexão, nas paredes haviam frases de pensadores da educação, como Paulo Freire, pois acreditamos que é importante uma reflexão profunda sobre a educação para que ela seja efetivamente modificada.
O professor ao se conscientizar das vantagens do lúdico, o adequará em suas práticas de ensino, utilizando-as de acordo com suas necessidades, assim, o aprendizado se dará em um ambiente mais agradável estimulando professores e alunos a não terem medo de sonhar.

Caracterização

Chaupezinho vermelho / Bela adormecida / Menino maluquinho / Emília / Índia / Fada / Bruxa / Cinderela

Aos nos caracterizarmos pretendíamos trazer os personagens do mundo infanto-juvenil, para, junto dos participantes mergulhar no mundo da imaginação e da fantasia.

Os Tubarões

Recursos:

Jornais / Aparelho de som / CD ou fita cassete com músicas relacionadas ao tema trabalhado na oficina / Crachá com o nome de cada participante

Objetivo:

Trabalhar a relação interpessoal, a imaginação e a observação do outro, a cooperação, visando a socialização dos indivíduos. Além da lateralidade, expressão oral, memorização, equilíbrio corporal e noção de espaço.

Sinopse:

As folhas de jornais são espalhadas pelo chão, sendo o número destas igual ao número de participantes. Estes jornais representam botes.
Ao iniciar a dinâmica é contada uma história fazendo com que os participantes imaginem que são náufragos, pois por estarem em um mar muito perigoso e sobre fortes ondas, seus botes viraram. Pede-se então que estes andem, ocupando todo o espaço da sala, como se estivessem nadando em alto mar, enquanto houver música tocando. Dois ministrantes da oficina representam tubarões e, no momento em que a música parar, os náufragos deverão procurar seus botes (jornais) para se refugiarem dos tubarões que atacarão dois botes. Os participantes destes deverão pular para o bote vizinho enquanto se apresentam, desta forma vão se destruindo os botes (retirando os jornais) até sobrar apenas o mínimo de botes possíveis, que devem ser maiores que os demais. Ao final, cada participante deverá relatar a experiência que teve em relação a divisão de seu bote, já que deveria ajudar ao outro a fugir do perigo.
Após se organizarem em uma grande roda cada participante lembrará de alguém que estava em seu bote, colocando o crachá com seu nome, que será entregue pelo ministrante, no participante lembrado. Possibilitando, assim, maior interação entre eles.

Considerações:

Essa dinâmica permitiu que refletíssemos sobre a individualidade, coletividade e liberdade, questões ligadas a uma análise mais ampla na sociedade, como modo de produção capitalista que vai muitas vezes, criando uma barreira entre os indivíduos, e a solidariedade fica fadada ao desaparecimento, fazendo com que haja um distanciamento entre as pessoas.

O Baú das memórias

Recurso:

Baú , saco plástico ou saco de pano / Boneca / Bola / Corda / Bola de gude / Galho de árvore / Elástico (pular elástico) / Capinha vermelha

Objetivo:

Visava despertar a memória da infância, remetendo ao lado afetivo, além de criar pequenas narrativas de história vividas por cada um dos participantes da oficina, trabalhando a oralidade.

Sinopse:

Colocamos dentro de um saco de pano (baú) os objetos que remetiam a infância, que foram retirados um a um e, a cada objeto mostrado, os participantes contavam suas experiências, boas ou ruins, que aquele objeto fazia reviver.
Seqüenciamos estes objetos, com o intuito de finalizar com a capinha vermelha para fazer ligação com a atividade subseqüente.

Considerações:

Tínhamos a intenção de despertar a memória infantil, com ênfase na memória escolar, sensibilizando os participantes, através destas lembranças, a estarem mais receptivos a toda experiência que eles viriam a ter.
Tivemos o cuidado de escolher objetos que estivessem encharcados de significados, ou seja, objetos que estão presentes em todas as infâncias independente de sua situação financeira.

“Chapeuzinho Vermelho” – contação da história

Objetivo:

Apresentar uma versão do conto “Chapeuzinho Vermelho”, utilizando a dramatização.
Análise do conto

Ao pensar a oficina “O encantador mundo da leitura” optamos por trabalhar com o conto da chapeuzinho vermelho, mas essa escolha não foi por acaso. Percebemos que os chamados contos de fadas, como os clássicos Branca de neve, Cinderela, Bela adormecida, dentre outros, já por séculos fascinam várias gerações em diferentes países e culturas e entendemos que essas histórias carregam uma força profunda, que não se deve apenas à mera função de distrair ou embalar o sono das crianças; mas o grande poder dos contos está na magia que apresentam e na fantasia que despertam.
Achamos interessante, então, destinar um espaço na oficina para a explicação do conto de fadas, pois cremos que o professor deve ter uma visão ampla dos temas que abordará em sala. Cabe a nós entendermos que essas histórias possuem em si o lado imaginativo e fantástico dos contos maravilhosos, mas que também há muito de conceitos moralizadores.
Existem três níveis de interpretação de textos, e esses devem ser ferramentas do professor para que saia do mesmo patamar pueril de seus alunos.
Aliando essas preocupações com a emergência dos múltiplos valores que a literatura infantil encerra, é importante revitalizar a capacidade de fabular, mergulhar na atmosfera do fantasioso, para melhor compreender as próprias lembranças de histórias contadas, ouvidas e lidas em nossa infância. Sobretudo por acreditarmos que, recuperando o passado, compreendendo-o, é possível escrever uma outra história, mais conscientemente vivida e pensada.
Sabemos que o conto pode trazer embutida algumas morais, mas que essas morais não devem ser impostas, e sim trabalhadas a partir da fala dos seus alunos, já que os mesmo desenvolvem um nível de interpretação diferente com o passar dos anos e do amadurecimento.
Para ferramentar a ação dos professores, usamos em nossa pesquisa o livro “A psicanálise dos contos de fada” de Bruno Bettelheim , que nos forneceu dados psicanalíticos sobre os contos.
Segundo a psicanálise, os humanos são seres “desejantes”, ou seja, perseguem objetos de desejo que estão fadados a não alcançar e seguem incompletos. O maravilhoso é o contra ponto dessa incompletude, pois é justamente nele que o homem, através do símbolo, encontra um apaziguamento para as ansiedades geradas pela impossibilidade de se completar no plano real. Mas o maravilhoso nunca está no cotidiano real e sim no imaginário e no simbólico.
O autor Bruno Bettelheim procurou revelar em seu livro, o conteúdo psicológico dos contos e sua importância no desenvolvimento das crianças, segundo ele os mitos e contos de fadas “nos falam na linguagem dos símbolos, representando conteúdos inconscientes”.
A partir do que foi mencionado, chegamos a uma indagação: Como podemos nós, professoras e professores, exploramos o conteúdo dos contos, de modo a não domesticarmos as crianças, e nem dirigir-lhes moralismos?
O primeiro ponto que foi ressaltado, é que em diferentes lugares e épocas os finais das histórias sofreram modificações. Essa análise das várias versões para um mesmo conto, possibilita observar que todo texto está vinculado aos problemas de sua época: de um lado, há aqueles que tentam impor normas e valores de uma classe dominante; de outro lado, há os que rompem essas normas e valores e propõem a autonomia do leitor. Os primeiros constituem um tipo de literatura que chamaríamos de conformista. Os outros configuram a literatura transgressora/emancipatória No caso da história da chapeuzinho vermelho suas versões vem sempre atravessadas por princípios estruturadores de personalidade, que denota sobriedade, honradez e honestidade, trabalhando com temáticas ligadas à nossa própria condição de seres humanos, com suas contradições e sentimentos e principalmente com questões sexuais e comportamentais das mulheres.
O segundo ponto que ressaltamos, foi o de descaracterizar a chapeuzinho vermelho como é entendida numa interpretação superficial ou intermediária. Procuramos desvendar a “carga” mitológica que vem com o “Mito de Elektra”, segundo o qual a filha se apaixona pelo próprio pai, e como o mesmo não cede aos seus encantos, ela conspira pela sua morte.
Através da simbologia das cores temos o vermelho, não como referência à inocência da infância, mas sim a uma alusão à menarca de toda menina-moça. Em outras palavras, temos em “Chapeuzinho Vermelho” o “mito” da descoberta da sexualidade feminina.
Quando iniciamos a pesquisa já tínhamos uma breve noção sobre alguns significados que vinham implícitos na história, mas ao realizarmos uma interpretação profunda nos surpreendemos com a quantidade de mensagens subliminares que constavam no material pesquisado.
O que nos chamou a atenção quando terminamos de realizar esta etapa, foi à reação de alguns participantes, eles estavam perplexos e estagnados diante de tais observações. Uma fala que nos chamou muita atenção foi de uma participante que disse: “Nunca imaginei que a história da chapeuzinho tivesse tantas mensagens que não se referem ao mundo infantil, não lerei mais os contos de fada com a mesma inocência de antes”, esta fala nos fez perceber o quanto a simbologia e a significação dos contos é trabalhada de maneira superficial.

Elaboração de história

Recursos:

Papel ofício / Letras recortadas de jornais e revistas / Tesoura / Cola / Hidrocor

Objetivo:

Desenvolver a criatividade, expressão oral e verbal, imaginação, texto coletivo.

Sinopse:

Deverá ser entregue aos grupos duas folhas de papel oficio e todas as letras do alfabeto cortados de revistas e jornais, cada grupo deverá escolher no máximo três palavras da história que foi contada, a partir das letras destas palavras deverão ser criadas novas palavras. E destas palavras novas, os grupos deverão criar uma nova história, sendo ela crítica, temas da atualidade paródia da história original ou uma história sem preocupação social,os educandos construirão texto narrativos, poemas, dramatização e outras histórias, ampliando, assim, seu contato com várias estruturas textuais e com diferentes possibilidades da língua, desenvolvendo sua criatividade e autonomia. Rompendo desta forma, com as marcas da educação passiva.

Considerações:

Dar subsídio aos professores para que através dessa atividade as crianças liberem suas capacidades de criar e de escrever e reinventar novos mundos, liberar a afetividade e de suas fantasias aceitas e exercitadas para que através do mundo mágico do “faz de conta”, possam explorar seus próprios conhecimentos.
Nos deparamos muitas vezes com um ensino mecanicista, no qual as crianças são meros repetidores, copiam o que a professora dita. Copiam do quadro frases soltas que não tem, sentido para as crianças, como o Pato Pito e o Gato Guto, e essas atividades tem como proposta trazer um sentido para a criança, pois acreditamos que as práticas educacionais deve ser constituída de sentido para o educando. “a alfabetização implica, desde a sua gênese, a constituição do sentido” (Smolka, p. 69)
O professor deve fazer com que o seu ambiente escolar se torne um local cheio de emoções, conquistando as crianças para o mundo da leitura e escrita. Assim, elas se apoderarão de um instrumento de afirmação pessoal e social, formando leitores críticos, autores e não copiadores.

Aquarela

Recurso:

Figuras confeccionadas a mão em cartolina: Guarda-chuva; Sol; Castelo; Barco; Luva; Astronave; Mundo; Aquarela; Gaivota; Navio / Som / Música Aquarela de Toquinho / Letra da música

Objetivo:

Oferecer ferramentas para que professores e futuros professores possam utilizar as diversas linguagens no ambiente escolar, dando ênfase a linguagem visual e musical.

Sinopse:

No quadro fixamos desenhos e solicitamos aos participantes a cantarem músicas que remetessem as figuras expostas. Entretanto, nossa proposta era trabalhar a música “Aquarela” de Toquinho, deste modo utilizamos figuras que faziam referência a ela.
Ao alcançarmos este objetivo, distribuímos a cada participante uma folha que continha a letra da música, que foi cantada em forma de jogral, onde cada grupo pré-estabelecido, era responsável por uma estrofe.

Considerações:

O trabalho com as linguagens visual e musical estabelece uma comunicação mais facilitada entre o homem e o mundo, visto que são linguagens do cotidiano de professores e alunos que ultrapassam as barreiras da sala de aula.
A utilização destas linguagens no cotidiano escolar torna o ambiente mais significativo para a criança, tendo em vista que essas são instrumentos que levam ao conhecimento e a uma possível interpretação de mundo.

A oficina foi...

Recurso:

Cartolina / Cola / Tesoura / Revistas / Hidrocor.

Objetivo:

Trabalhar a linguagem visual, expressão oral e problematizar o sentindo da oficina.

Sinopse:

Foram formados pequenos grupos, que tinham como tarefa relatar sua a experiência vivida na oficina através de gravuras e palavras. Depois de formarem seus pôsteres compartilharam suas impressões com os demais grupos.

Considerações:

Através das atividades vivenciadas tínhamos o intuito de proporcionar instrumentos que fossem capazes de solidificar a percepção dos professores, fazendo com que esses se percebam como agentes fomentadores da leitura crítica, que utilizam o mesmo para uma releitura de mundo através da troca de experiências. Entendendo que a construção do conhecimento sustenta a ação-prática.
A leitura deve proporcionar ao indivíduo liberdade, autonomia que lhe permita alcançar horizontes ainda não experimentados.
“(...) a leitura é um dos caminhos para a construção de uma educação emancipatória: “É preciso saber, ou seja, é preciso ler criticamente o mundo e os livros que o refletem e mostram como a realidade poderia ser de outra maneira: humanizada, democratizada, com novos valores, concepções, relações de produção e de convivência social” (Luzia de Maria, p. 165)
Colocamos esta proposta em discussão, pois o primeiro passo é perceber que existem outras possibilidades de trabalhar a leitura, não tínhamos como intenção de qualificar ou desqualificar as práticas pedagógicas que tradicionalmente são adotadas. O que propomos é que haja um diálogo com todas as maneiras que pudemos aliar para ampliar nossa leitura de mundo.

Depende de nós

Recursos:

Som / CD com a música “Depende de nós” de Toquinho / Letra da música

Objetivo:

Gerar uma possível reflexão sobre a educação de nosso país e a atuação do(a) professor(a) neste processo.

Sinopse:

Entregamos uma folha com a letra da música para que cada participante a acompanhasse. Logo após ouvi-la, cantamos todos juntos a capela.
Propomos que cada um ali presente refletisse sobre a educação, completando a frase título da música: “Depende de nós...”

Considerações:

Foi importante este momento, pois houve uma conscientização, a partir da reflexão, sobre a educação em nosso país e sobre a prática docente, isto foi percebido por nós a partir da fala dos professores e futuros professores ali presentes. Desta forma, pudemos renovar nossas esperanças de uma educação como práxis, uma educação baseada na ação e reflexão.

Conclusão

Com base em tudo que foi vivenciado partindo de um referencial teórico, percebemos que os contos de fadas não são apenas uma simples forma de literatura, mas são obras integralmente compreensíveis para as crianças, pois utilizam a imaginação e a fantasia como nenhuma outra forma de arte o faz. Assim torna-se mais fácil a sua utilização para desenvolver toda atividade intelectual e a partir daí estimular o gosto pela leitura na criança.
Com a troca de experiências e dos diálogos que ocorreram durante o encontro ficou claro para nós que a relação pedagógica se baseia na troca e que essa troca vem acompanhada da dialogia entre o ensinar e o aprender, e que ela só faz sentido quando leva em consideração os aspectos vividos no cotidiano. Partindo deste princípio percebemos que o aluno, o professor e o saber não devem ser considerados como elementos que se dispõem de maneira individualizada no processo de aquisição do conhecimento, visto que ações fragmentadas (que não possuem nenhuma conexão com a realidade) são inúteis na construção deste processo.
O educador deve perceber de que forma pode auxiliar a criança na construção de conceitos básicos como: diálogo e comunhão, para que elas possam tomar consciência de que são interventoras no mundo. Segundo Freire “O diálogo, como encontro dos homens para a “pronúncia” do mundo, é uma condição fundamental para sua real humanização” (Freire, p. 134)
E, partindo deste princípio, transformar em palavras os seus sonhos e encontrar, desta forma, na palavra do outro a sua própria voz.
A formação do educador deve oportunizar um saber que ultrapasse as paredes da sala de aula, analisando desta forma as questões educacionais e sociais, partindo de uma perspectiva histórica, objetivando o conhecimento comunitário que não pode ser produzido individualmente.

Bibliografia:

Alfabetização dos alunos das classes populares, ainda um desafio / Regina Leite Garcia (org.); Anne Marie Milon de Oliveira... [et al.], 5ª ed., São Paulo: Cortez, 2001.

Bettelheim, Bruno. A psicanálise dos contos de fada, Tradução de Arlene Caetano, 6ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

Smolka, Ana Luiza Bustamante. A criança na fase inicial da escrita: A alfabetização como processo discursivo, 11ª ed., São Paulo: Cortez, 2003 (Coleção Passando a Limpo)

Maria, Luzia de. Leitura & colheita: Livros, leitura e formação de leitores, Petrópolis – RJ: Vozes, 2002.
Freire, Paulo. Pedagogia do oprimido, 17ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

 
Voltar