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  CRIANÇA LEITORA NUMA BIBLIOTECA PÚBLICA DE CUIABÁ/MT: BUSCAS, ENCONTROS E DESENCONTROS

Leila Aparecida de Souza - Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT/ PPGE/ GPLL

Profª Drª Ana Arlinda de Oliveira - Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT/ PPGE/ GPLL

Introdução

Abordada sob muitos focos, a leitura parece ser fonte inesgotável de estudos. Por outro lado, pesquisas que considerem o relato do sujeito infans (etimologicamente: privado de palavra) como fonte primordial de análise não têm sido tão constantes quanto as que tratam de relatos sobre as crianças ou de relatos sobre a infância. A respeito disso, Demartini reitera “a importância cada vez maior, em nossos dias, de aprender a ouvir as crianças e os jovens”, partindo do princípio de que “uma criança, de qualquer grupo social, após breves espaços de tempo, já construiu um tipo de identidade, tem uma memória construída”; contudo, ressalta que “a construção dessa identidade não pode ser pensada sem se considerar o processo de socialização da criança com o outro com quem convive”.

Assim sendo, pensou-se num espaço em que o muito explorado e o pouco considerado se encontrassem de modo a se somarem em experiências nas quais a criança, numa relação de interação supostamente ativa com o bem artístico cultural – livro literário infantil/juvenil – revelasse, pelo seu discurso, sentido e significado de leitura, tomados aqui pelas definições de Ricouer : aquele é “o deciframento operado durante a leitura” e este é “o que vai mudar graças a esse sentido na existência do sujeito”.

Daí que a biblioteca pública municipal Saber com Sabor foi adentrada, seus sujeitos infans leitores ouvidos, a fim de que, traçado um roteiro de investigação, a pesquisa procurasse responder ao problema esboçado:

O que crianças freqüentadoras da biblioteca pública Saber com Sabor, em Cuiabá/MT, revelam sobre suas noções de leitura, seus critérios de escolha do livro literário infantil/ juvenil e a constituição delas como leitoras?

Descrever e analisar o que disseram essas crianças é o que objetiva essa pesquisa ainda em andamento.

Considerações teóricas

Como o enfoque do estudo é a relação criança - livro literário infantil/juvenil, a motivação está na Literatura Infantil/Juvenil, razão pela qual aceito e destaco alguns pressupostos propostos por Nelly Novaes Coelho para um projeto de estudo da Literatura Infantil:

1. Concepção de criança como ser educável: o ser humano é (ou deve ser) um aprendiz de cultura, enquanto dura o seu ciclo vital.
2.
3. Compreensão da leitura como um diálogo entre leitor e texto, atividade fundamental que estimula o ser em sua globalidade (emoções, intelecto, imaginário, etc.), e pode levá-lo da informação imediata (através da “história”, “situação” ou “conflito”...) à formação interior, a curto, médio ou longo prazo (pela fruição dos valores e desvalores que se defrontam no convívio social).
4.
5. Concepção de literatura como um fenômeno de linguagem resultante de uma experiência existência/social/cultural.
6.
7. Valorização das relações existentes entre literatura, história e cultura.
8.


A criança

O percurso traçado, a partir desses pressupostos, parte do ponto de discórdia entre Áries (1981) e o registro que faz sobre a ausência do sentimento da infância na Idade Média e os historiadores da infância que discursam como Gélis (1991):

o interesse ou a indiferença em relação à criança não são realmente característica desse ou daquele período da historia. As duas atitudes coexistem no seio de uma mesma sociedade, uma prevalecendo sobre a outra em determinado momento por motivos culturais e sociais que nem sempre é fácil distinguir.

Por isso, fontes da historiografia, cuja concepção de infância é apresentada como “representação que os adultos fazem sobre o período inicial da vida” e de criança como “realidade psicobiológia referenciada ao indivíduo (...) inventada no decorrer da história” .são referências, a fim de que representação e invenção sejam denominadas a partir desses discursos:

Após os conceitos, necessário destacar a relação criança/sociedade em registro histórico-sociológico da infância no Brasil, apresentando o modo como, sob forte influência de interesses políticos, a criança assistida pelo filantropismo de voluntariado é promovida ao estágio de sujeito com direitos declarados em Estatuto a serem garantidos pela sociedade, conforme referenciam estudos organizados na História Social da Infância no Brasil, por Marcos Cezar de Freitas (1997).

Plena de direitos, ao menos no que diz a lei e não efetivamente no seu cumprimento, a compreensão de criança, enfatizando fragilidade e desproteção e desconsiderando a dinamicidade de sua relação com o meio natural, histórico-social e cultural, reproduz contradições da sociedade contemporânea. No caso específico da relação que a criança tem com a produção cultural a ela destinada. Vale citar Perrotti (1982):

Discutir produção cultural para crianças requer definir o lugar da criança na cultura, assim como a definição da própria cultura. Se vista como acúmulo de experiência, a criança tem nela um papel passivo, se processo de criação-recriação de si, do outro e do mundo, não se aceita que seres humanos sejam transformados em objeto de cultura erigida em sujeito.

Considerar a discussão nesse nível requer crítica, análise e reflexão, por meio de uma visão que desfaz mitos em relação à criança e à leitura, por isso preocupada com fundamentos teóricos para ser engajada e não ativista.

A leitura

Quanto a esse pressuposto, destacar momentos em que predominou uma concepção estruturalista da linguagem serve para mostrar modos de conceber o ato de ler com vistas a enfatizar a oralização, a correta pronúncia das palavras, à compreensão centrada na atribuição de sentido dada pelo autor e não estabelecida pelo diálogo entre texto e leitor. A esse momento soma-se outro, cuja tendência enfatiza a linguagem como processo de interação, possibilitando que a atribuição de sentido à leitura seja ativada por conhecimentos prévios do leitor que formula previsões de leitura para apreensão de significado, de acordo com Goodman (1996) e Smith (1989).

O olhar da pesquisa quer acompanhar o modo pelo qual o discurso teórico, de tendência estruturalista ou interacionista se institucionaliza, da instituição chega aos mediadores de leitura e dos mediadores para os leitores; a ponto de fazer com que as suas noções de leitura interfiram na sua constituição como leitores, mesmo quando desfrutam de “autonomia” para, por vontade própria, irem à biblioteca escolherem o que querem ler, nos limites do acervo da biblioteca.

Para isso, remete a discursos destes estudos já feitos, avançando quando da necessidade de alcançar o objetivado.

O estudo de Vidal serviu para mostrar como os divulgadores brasileiros (Campos, Azevedo, Maranhão, Backeuser, Padilha, Rosa e Souza) fizeram uso das teorias de Gray, Hardy, Shipley, Adams e Dewey para implementar a Reforma na Instituição Pública, apresentando uma Escola Nova de ressignificação do livro de leitura e da biblioteca escolar, logo do modo de ler. Ressalta-se ainda, nesse período, (a partir de 1920), o despontamento de Lobato com um modo, até então, diferente de representar a criança na literatura e com uma proposta de relação criança/ texto literário destinado a ela também diferenciada. Para essa alusão são referências: Coelho (1991; 2000) e Zilberman (2002).

A organização de um quadro a partir de um estudo que Perrotti (1990) faz na obra Confinamento cultural, infância e leitura,consultando os Boletins Informativos (BI) da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, entre 1968 e 1985) serviu para destacar, dentre outras questões importantes e, por isso. também abordadas, crenças e concepções de leitura veiculadas nos BI.. Pela conclusão que faz Perrotti com críticas à visão filantrópica, embora “competente”, no trabalho com a leitura e pelo que Orlandi, em publicação de 1986, sobre lingüística, afirma quanto à predominância da linha formalista-logicista, recolho de BI publicados em 1997, 1998, 1999 e 2001, informes que se constituem em registro de tendência da leitura interação, e, da interferência de mudanças sociais na produção cultural e na relação homem/ bens culturais.

Por fim, dois espaços de promoção da leitura, biblioteca e escola, são enfocados de modo a verificar como suas práticas de leitura estão sendo referendadas pelo discurso teórico, sob perspectiva de que concepção de linguagem e com que intensidade se aprova ou se reprova o que tem sido feito por eles.

A Literatura Infantil/Juvenil

Contradições que envolvem terminologia, finalidades, concepção do objeto artístico cultural e o modo como poderá ser lida pela criança são todas questões de um estudo que recupera, de acordo com Becker (2002), a transposição de um período em que a ênfase era dada ao adjetivo para um período em que a ênfase no substantivo deixou de relegar elementos imaginativos e estéticos em detrimento dos didáticos-moralistas.

Os envolvidos na produção da obra têm essa preocupação, conforme se vê em trecho de opinião expedida em manifesto denominado Cria livros, assinado por Ciça Fittipaldi, Cristina Porto, Tatiana Belinky, Ruth Rocha, Luís Galdino e outros:

O livro infantil mudou como produto. Vivemos numa era onde o apelo visual das novas tecnologias responde também pela criação de novos valores estéticos. Escritores e ilustradores são igualmente autores dos livros. Portanto, interessa mais que nunca o design, o projeto gráfico, a palavra como reunião da busca formal e poética traduzida em obras que fortaleçam texto e imagem como elementos que dialogam e que permitam múltiplas leituras.

(BI nº 5, v. 19, maio de 1997, p.4)

Porém, se a essa preocupação não se agregar à dos mediadores de leitura na escola e na biblioteca, a leitura literária, que permite a desconstrução do texto para que múltiplas leituras aflorem, poderá deixar de oportunizar que muitos se tornem leitores.

O método

Segue abordagem qualitativa interpretativa, Bogdan e Biklen (1994), Ludke e André (1986). Então delimito:

O espaço da pesquisa

A Biblioteca pública municipal Saber com Sabor, localizada na praça Clóvis Cardoso, região central de Cuiabá/MT.

Seleção dos sujeitos

Participam como sujeitos desta pesquisa, 15 crianças entre 9 e 12 anos, freqüentadoras da biblioteca Saber com Sabor da praça. Foram assim selecionados por já estarem numa fase em que se espera que dominem com facilidade os mecanismos da leitura. Os dados foram coletados entre novembro de 2004 e abril de 2005, mas os contatos com a biblioteca e, inclusive, a participação em eventos e programas promovidos por ela, já acontecem desde abril de 2004.

Além das crianças, foram entrevistadas quatro atendentes da biblioteca e a coordenadora do projeto, a fim de que informes sobre programação, acervo, clientela mais assídua, obras mais solicitadas pelas crianças pudessem ser registrados, não se constituindo, entretanto, pontos de análise, mas subsídios para confirmar dados e informações sobre a biblioteca e o trabalho que ela desempenha.

As entrevistas realizadas

Foram entrevistas semi-estruturadas, todas gravadas em fita cassete. As questões direcionadas às crianças foram organizadas em duas etapas, com vistas a recolher conteúdo que desse conta de mostrar noções de leitura, critérios de escolha do livro literário e constituição do leitor.

As entrevistas foram transcritas, procurando preservar ao máximo as marcas lingüísticas dos sujeitos a fim de que o seu discurso não fosse descaracterizado.

Pré-análise dos dados para amostragem

Após as transcrições das entrevistas, para organizar os dados obtidos, foram selecionadas respostas dadas às questões que dessem conta de mostrar (1) Noções de leitura, (2) Critérios de escolha e (3) Constituição do leitor.

Para amostragem de noções de leitura: pré-analiso dois pares de noções que se apresentaram por oposição e por compatibilidade.

Ler é aprender/ Ler é divertir – por compatibilidade

Questões: 1. Você gosta de ler? Por quê?

2. Qual o significado da leitura pra você?

Respostas

1. “Gosto, porque é muito legal, diverte.”
2.
3. “Significado... que... o que é que eu posso dizer... eu aprendo mais também... É diversão.”
4.
(Tathyane. – 11 anos)

1. “Gosto. Ah! É bem legal, a gente aprende muita coisa e também por muitas histórias assim diferentes, a gente fica pensando de onde que esse cara tirou essa idéia assim pra... pra mostrar aquilo que ele pensa. Bem Legal!”
2.
3. “Tem, assim ... como assim um significado especial? (O que significa ler pra você?) Significa... ler é... um jeito de se divertir. (Quando você lê, você sempre lê pensando que é m lazer, uma diversão?) Uhum, e também pra aprende mais, estudar. (Ler também é uma fonte de informação...) É, não só internet.”
4.
(Amanda – 11 anos)

É muito significativo o “também” empregado por elas, porque aponta para uma relação de não exclusão entre prazer e aprendizagem, revelando um leitor, cuja noção de leitura, principalmente no discurso de Amanda, que, de repente, já descobriu que o prazer maior está na desconstrução do texto para ver além, além do prazer desfrutado por qualquer leitor.

Ler é aprender/ Gosto de ler – em oposição

1.“Mais ou menos. Depende do livro.”

2.“.É... lendo a gente aprende a filosofar e com a filosofia a gente aprende o significado das palavras.”

(Vítor. – 10 anos)

1. “Gosto, é porque sou meio, mais ou menos bom de Português, que não leio muito não, mais ou menos.”
2.
3. “Uma coisa que você pode aprender no futuro.”
4.
(Ricardo – 12 anos)

1. “Gosto. Ai , eu gosto pra mim saber mais, né? Saber falar mais as palavras, acho que é por isso só também.”
2.
3. “Ah, ai, ah, assim, eu não acho que... ler assim ajuda a você falar melhor, se expressar melhor, assim, só que motivo assim pra ler... (Então ler pra você significa aprendizagem) Isso. (Aprende a falar bem) É, expressar melhor. (Só isso?) É, e conviver o dia-a-dia com as palavras, às vezes você tem que falar bem correto, a leitura ajuda você a fazer isso também.”
4.
(Paola – 12 anos)

O gostar de Ricardo e Paola deve-se muito à noção de funcionalidade da leitura, bastante ligada à escolaridade, ao domínio da língua padrão. É possível que o “gosto” deles seja o mesmo “mais ou menos” de Vítor, que num outro momento revela sua preferência pelos gibis. Nada contra os quadrinhos, só que o “depende do livro”, pode não depender só do livro, mas do modo como eles se colocam ante a leitura ou como ela lhes foi colocada.

O utilitarismo da leitura não permite que o “também” de Paola seja de fato fruição, crítica, emocional, pluralista, autorizada, etc., etc., etc.; do mesmo modo que faz com que Ricardo por ser “mais ou menos bom de Português” veja a atribuição de significado para leitura como o que “pode ser aprendido no futuro”.Sobre os critérios de escolha do livro literário infantil/juvenil, apresento, resumidamente, respostas que foram dadas por todos para a questão: O que mais chama sua atenção na hora de escolher o livro pra ler?

Foram citados:

Assunto: 3 vezes

Título: 6 vezes

Espessura: 1 vez

Desenho: 6 vezes

Capa: 4 vezes

Resumo: 3 vezes

A predominância do título e do desenho, verbal e não verbal, de maneira equilibrada, mostra que não ocorreu o apagamento da imagem, ou seja, ela continua a ser elemento fundamenta no diálogo leitor - texto literário infantil/juvenil.

Assunto e resumo já revelam preferências quanto à categoria narrativa ou gênero textual, possivelmente indício de que uma condição de recepção foi ativada na busca da produção de sentido.

A citação da capa como leitura que atenta para os vários elementos que a constituem, sugere leitores sensíveis à apreciação do objeto artístico cultural. A conclusão da análise poderá mostrar se a educação tem mérito nisso ou se as crianças resistem, insistindo em ler o que muitas vezes se ignora nas aulas de leitura.

Por fim, o critério da espessura foi quase irrelevante, mostrando que o bem artístico cultural é fundamentalmente significação e não mercadoria.

As considerações para a questão– tornar-se leitor – demandam um trabalho no qual o agrupamento temático das questões já esteja devidamente encadeado, acrescido de uma criteriosa análise do que dizem as crianças na 2ª etapa da entrevista. Como isso ainda é processo, não pude exemplificá-la ainda, contudo espero que o exposto seja válido como noção do que busco.

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