Voltar    
  PEDAGOGIA DE PROJETOS E EJA (EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS): OS CAMINHOS DO PEJA (PROGRAMA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - UNESP) NA FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICO-REFLEXIVOS


Cláudia Cristina De Oliveira Pereira – Faculdade de Filosofia e Ciências – Unesp/Marília


Introdução

Inserida numa política global, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) visa à universalização da educação básica como um compromisso com o desenvolvimento humano, social, político, econômico, cultural e ético.

Sua importância é relevante para o fortalecimento da cidadania, da formação cultural e para um melhor desenvolvimento na qualidade de vida da população em geral, visto que sua preocupação recai fundamentalmente sobre seus setores mais pobres.

Nessa perspectiva, o presente estudo intenta relatar a experiência desenvolvida pelo Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) realizado na Universidade Estadual Paulista – Unesp – Campus de Marília, discorrendo sobre uma das alternativas metodológicas adotadas no processo de ensino-aprendizagem: os projetos de trabalho.


Analisando a Educação de Jovens e Adultos

A educação, enquanto processo contínuo, reflete as condições sociais, econômicas e políticas da sociedade. Suas características acompanham os movimentos históricos e as transformações ocasionadas por eles.

Atualmente, a sociedade vivência a fase mais rica de sua existência e mais plena de possibilidades, porém, seus membros muitas vezes desconhecem a importância que possuem dentro dela.

Do ponto de vista sociológico, a Educação de Jovens e Adultos consiste na formação do educando para o meio que o cerca, preparando-o para que desfrute e usufrua – com espírito crítico – das inovações introduzidas pela tecnologia. Por isso, a necessidade de educar jovens e adultos faz-se, principalmente, em relação às modificações aceleradas no sistema produtivo, exigindo dos educandos flexibilidade, capacidade de comunicação e criticidade para que haja a sua integração efetiva neste sistema.

O desenvolvimento social dá-se pela relação dinâmica e recíproca entre a sociedade e a escolarização, que tem por finalidade desenvolver todas as potencialidades de acordo com as transformações sociais típicas das sociedades modernas que exigem novos modos de pensar e agir, onde a instrução caracteriza-se como fim último para o êxito econômico e social.

Dessa forma, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) deve ser analisada e avaliada pelo impacto gerado na qualidade de vida da população atingida e pelas transformações reais das condições de vida do educando. Deve, também, fortalecer a pluralidade cultural, desenvolvendo o conhecimento e a integração na diversidade para a compreensão mútua contra a exclusão, além de estimular as potencialidades do povo através da conscientização, da capacitação e da ampla participação social.

Conforme bem define Vieira Pinto,“A educação é uma atividade teleológica. A formação do indivíduo sempre visa a um fim. Está sempre ‘dirigida para’. No sentido, geral esse fim é a conversão do educando em membro útil da comunidade.” (PINTO, 2001,p.32)
Por revelar-se na dinâmica existente entre a riqueza de uma sociedade e a oferta de oportunidades educacionais, as desigualdades sociais e os interesses das classes dominantes, além da sua utilização como instrumento para reagir às pressões econômicas, sociais e políticas, a educação depende do contexto no qual se desenvolve pois é somente um dos fatores que, somado a outros, constituem o verdadeiro processo de educação.

Do ponto de vista pedagógico, as práticas na EJA referem-se às tentativas de tornar a leitura e a escrita processos com significados e sentido de seu uso social . O não domínio da leitura e escrita restringe o campo de decisões e apresentação de melhores soluções, além de impedir que o sujeito conheça e compreenda o mundo que o cerca através da “decifração” das mensagens que o mesmo possui.

Levando-se em conta que os sujeitos que procuram os programas de alfabetização pertencem a diferentes grupos socioculturais, a EJA tem por finalidade pedagógica capacitá-los com recursos essenciais para a participação no seu mundo, a fim de aprimorar-lhes as condições de vida. Constitui-se numa possibilidade de desenvolvimento individual e social, considerando fatores essenciais como interesse, capacidade, energia e tempo – aspectos importantes nas situações de aprendizagem.

Os aspectos didáticos são caracterizados pelos métodos e objetivos específicos, próprios para atender as diferentes necessidades e situações concretas da vida da população, respeitando suas características. A instrução do educando deve ao menos importância às respostas verbais e prestar mais atenção ao grau de assimilação prática dos conhecimentos, uma vez que a especificidade da EJA está na capacidade de reconhecê-los como construtores de conhecimentos, interagindo com a natureza e o mundo social, tendo como ponto fundamental o respeito à cultura dos sujeitos.

Por esse motivo, a ênfase desloca-se da apropriação do código alfabético para a busca do sentido em situações significativas e procura ressaltar que a EJA não se restringe a alfabetização mas, enquanto processo – e como direito – deve dar-se ao longo da vida.

O problema dos programas de alfabetização no Brasil e no mundo centra-se na necessidade de uma nova maneira de olhar e de pensar a questão da EJA. Segundo Vieira Pinto,“O que distingue uma modalidade de educação de outra não é, portanto o conteúdo, os métodos, as técnicas de instruir (isto é o secundário, o reflexo) e sim os motivos, os interesses que a sociedade, como um todo, tem quando educa a criança ou o adulto.” (Idem, ibid., p. 72)

São inúmeros os pontos a serem revistos, de forma a contemplar a demanda existente digna e qualitativamente.

A falta de políticas sérias de apoio no campo econômico e cultural e, por conseguinte, a mobilização de recursos financeiros, privados e voluntários para a educação básica e para a formação de professores são aspectos fundamentais para que haja o cumprimento das metas de expansão, acesso universal à educação e melhoria nos resultados de aprendizagem – fatores que implicam diretamente na redução das taxas de analfabetismo dos jovens e adultos

Serviços precários, recursos incipientes e pedagogicamente inconsistentes perpetuam a reprodução inadequada do ensino regular, exigindo medidas pedagógicas adequadas à educação escolar dos sujeitos , medidas que possam alterar radicalmente os quadros de progresso da “alfabetização”. Os avanços nas práticas escolares com alfabetização dependem de análises mais detalhadas sobre os problemas que estes educandos devem resolver para dominar a leitura e a escrita da língua materna, além da necessidade de sistematizar os conhecimentos na área de modo que estes possam efetivamente subsidiar a prática pedagógica.

Em vista desses e de muitos outros fatores que impedem a progressão dos aspectos relativos à educação no país, o desafio está em oferecer oportunidades educacionais a todos, buscando o equilíbrio entre as necessidades e disponibilidades reais de atendimento e a perspectiva consiste em estabelecer um plano de ação que garanta o alcance, a penetração e a avaliação crítica que a EJA merece.

Nesse sentido, o PEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos) visa promover o desenvolvimento integral dos seus educandos articulando as dimensões teórica e prática em busca de soluções mais pragmáticas e consistentes para as dificuldades encontradas na EJA, conforme explicita-se a seguir.


O PEJA(Programa de Educação de Jovens e Adultos) e a Pedagogia de Projetos

Criado em 2001 e desenvolvido em sete campus da Universidade Estadual Paulista – UNESP – o PEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos), inicialmente constituía-se num projeto cujo objetivo principal era oferecer escolarização formal à população mais carente das cidades onde foram instituídos.

Com o passar do tempo, seus objetivos foram ganhando força e expressividade junto à comunidade acadêmica, até que tornou-se um programa institucionalizado, gerido pela Pró-Reitoria de Extensão da Unesp.

Especificamente no campus de Marília, iniciou-se no ano de 2001 sob a coordenação do professor Dr. José Carlos Miguel em colaboração com outros professores da unidade, tendo como meta o letramento de sujeitos por meio da escolarização de jovens e adultos.

Atualmente, coordenado pela professora Dr.ª Cyntia Graziella Guizelim Simões Girotto , atende cerca de 60 (sessenta) educandos distribuídos em 5 (cinco) salas de aula localizadas em bairros periféricos da cidade de Marília. As aulas são ministradas por 5 (cinco) bolsistas auxiliados por voluntários, todos graduandos da Faculdade.

O PEJA/Marília visa à construção coletiva de uma proposta educativa diferenciada dos demais programas destinados à EJA, investindo no resgate da identidade cultural dos sujeitos a partir de ações de permanente interação e resolução de problemas. Investe, também, na pesquisa de metodologias alternativas para a EJA, buscando na reflexão, na discussão coletiva e nas teorias elementos que possibilitem uma melhor compreensão dos problemas educacionais bem como subsídios para a elaboração e realização de ações que possam suprir as dificuldades encontradas.

Dentre as metodologias adotadas pelo programa figura a Pedagogia de Projetos, baseada nas pesquisas e propostas do educador espanhol Fernando Hernández.

Há cerca de duas décadas pesquisando sobre a utilização dos projetos de trabalho no ambiente escolar, o interesse pelo tema surgiu de uma experiência prática vivenciada pelo próprio pesquisador, a qual acabou instigando-lhe a tal ponto que o impulsionou a buscar respostas – também práticas – para os problemas relativos ao ensino- aprendizagem. Assim, HERNÁNDEZ buscou entender de que modo os projetos podem atuar como um instrumento facilitador na organização e sistematização dos saberes escolares.


Segundo fundamenta o próprio autor,

“Essa modalidade de articulação dos conhecimentos escolares é uma forma de organizar a atividade de ensino e aprendizagem, que implica considerar que tais conhecimentos não se ordenam para sua compreensão de forma rígida, nem em função de algumas referências disciplinares preestabelecidas onde há uma homogeneização dos alunos.” (HERNÁNDEZ, 1998, p. 61)

Dois princípios permeiam essa nova metodologia: 1) o docente no papel de pesquisador-mediador dos conhecimentos a serem construídos e transmitidos; e 2) o aluno como sujeito do seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. Contudo, sabe-se que essa proposta de “sujeitos ativamente envolvidos” no processo educativo tem suas origens nas idéias do educador norte-americano John Dewey, o qual preocupou-se com o lado prático – pragmático – da educação, principalmente com a adequação desta ao meio e à evolução social.

Nesse sentido, HERNÁNDEZ parte do conceito de educação pragmática – preconizado por Dewey no começo do século XX – e o reformula, adaptando-o as mudanças sociais, políticas, históricas, culturais e econômicas que influenciavam o contexto escolar, exigindo desse uma revisão dos seus parâmetros, normas e metodologias.

A situação na qual se encontrava o mundo na década de 80 – quando o educador espanhol deparou-se com a problemática das técnicas de ensino-aprendizagem – era de transição e progresso, principalmente na área da tecnologia e dos meios de comunicação. Imersa nesse ambiente em transformação, a escola já não cumpria mais com eficácia o seu papel de detentora dos saberes historicamente acumulados. Mas, por ainda constituir-se numa forte instituição social, teve de adaptar-se as modificações do mundo moderno para continuar desenvolvendo a sua função de “modeladora dos padrões socialmente aceitáveis”.

Diante desse contexto, o educador propôs uma metodologia que, significativamente, contribuísse para o desenvolvimento dos alunos, sem deixar de lado as determinações da escola, conforme pode constatar-se na seguinte afirmação


“Definitivamente, a organização dos Projetos de trabalho se baseia fundamentalmente numa concepção da globalização entendida como um processo muito mais interno do que externo, no qual as relações entre os conteúdos e áreas de conhecimento tem lugar em função das necessidades que traz consigo o fato de resolver uma série e problemas que subjazem na aprendizagem.”(Idem, ibid., p.63)


Embora tais idéias tenham sido desenvolvidas pensando-se no processo de aprendizagem e desenvolvimento de crianças em idade escolar, são perfeitamente aplicáveis e adaptáveis ao contexto de EJA. Aliás, esse é um dos grandes problemas enfrentados pelos educadores pois, a falta de materiais didático-pedagógicos, especificamente, voltados para os jovens e adultos, impelem-nos a buscar alternativas nos materiais já existentes, os quais – em sua maioria – referem-se ao mundo e as necessidades infantis.

Esta realidade é uma situação perigosa e – infelizmente – muito comum nos dias atuais, resultando em propostas e práticas infantilizadas e mecanicistas. Ações como estas representam um dos fatores responsáveis pelo grande número de evasão escolar que se presencia nos cursos destinados aos jovens e adultos.

Considerando tais situações, como as descritas anteriormente, e almejando melhores resultados em relação à EJA, o PEJA prima pelo desenvolvimento e aplicação de atividades que sejam verdadeiramente significativas para seus educandos, respondendo aos seus desejos, motivos e interesses.

MELLO, referindo-se ao conceito de atividade mencionado por Leontiev, afirma que “(...)se a pessoa atua porque está interessada, necessitada ou motivada pelo resultado que alcançará no final da atividade, então a atividade tem um sentido para ela.” (MELLO,2004, p. 147) Ou seja, quando os educandos são expostos a condições favoráveis e concretas, é grande a probabilidade de se promover o que compreendemos por aprendizagem significativa.
Os projetos de trabalho, nesse sentido, são viáveis pois auxiliam na realização de propostas educativas melhor planejadas e problematizadas, uma vez que


“A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação a:1) o tratamento da informação, e 2) a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio.” (HERNÁNDEZ, 1998, p.61)


A classe da 3ª Igreja Batista: um relato de experiência

Em atividade desde o ano de 2003, a classe do PEJA sediada na 3ª Igreja Batista de Marília é constituída por educandas entre 30 e 80 anos de idade.

Caracterizada pela heterogeneidade presente entre os sujeitos, desde o princípio optou-se pelo ensino por meio dos projetos de trabalho, já que estes possibilitam que todos recebam um tratamento adequado as suas especificidades de forma significativa.

Assim, constituindo-se na diretriz norteadora dos estudos da classe, os projetos são escolhidos e estruturados junto e a partir das idéias e interesses próprios das educandas logo nos primeiros dias de aula. Contudo, por tratar-se de um “processo”, de acordo com a necessidade, são feitas alterações no corpo do mesmo ao longo do ano letivo.

Os principais objetivos definidos pelo grupo são: 1) aprender a ler e escrever; 2) entender e compreender as múltiplas informações veiculadas no mundo atual; e 3) ampliar e melhorar o relacionamento com as pessoas. São utilizados métodos e técnicas diversificadas – envolvendo leitura e interpretação de diferentes tipos de textos, exercícios escritos, sínteses textuais, situações-problema, discussões em sala de aula, etc. – na tentativa de concretizar tais intenções. Para tanto, recorre-se aos seguintes recursos: letras móveis, quadros-síntese, material dourado, cédulas monetárias, dentre outros.

Como exemplo, a proposta desenvolvida no ano de 2004 referiu-se ao tema “Direitos Humanos”. Dentro deste foram abordados a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuo do Idoso e o Código de Defesa do Consumidor.

Sempre articulados aos conteúdos curriculares, a organização dos projetos de trabalho também baseiam-se na proposta preconizada por Josette Jolibert e colaboradores, que os distinguem em três tipos principais:


“-Projetos de organização da vida cotidiana: (...) abarcam todas as decisões relacionadas com a existência e o funcionamento da vida de uma coletividade de crianças ou jovens e adultos(...);
-Projetos de realização: (...) atividades complexas em torno de um objetivo preciso, de uma certa amplitude(...);
-Projetos de aprendizagens(...) coloca ao alcance dos alunos, como objetivo de trabalho do ano, como meta conhecida, o currículo que lhes corresponde, as competências que cada um deva ter construído para si(...)” (JOLIBERT, 1994, p.107-8)


De acordo com tais propostas e buscando vincular os conteúdos escolares à realidade social, o grupo chegou até a realizar uma visita/pesquisa num supermercado de um bairro da cidade. Tal experiência, prevista no que Jolibert denomina “projetos de realizações”, permitiu às educandas estabelecer uma relação mais significativa para o seu aprendizado e sintetizar os estudos realizados em sala de aula sobre o Código de Defesa do Consumidor.

Nesse sentido, as propostas são desenvolvidas na perspectiva de contemplar a todos os sujeitos, independente do seu grau de aprendizagem e a sua condição de sujeito construtor-transformador de conhecimentos – o que se constata na própria postura das educandas que se apresentam cada vez mais desinibidas, seguras e conscientes de seus papéis sociais.


Considerações finais

A diversidade, natureza e complexidade das necessidades básicas de aprendizagem de jovens e adultos exigem a ampliação e redefinição do conceito de educação básica que ocorre ao longo da vida, em múltiplos ambientes de aprendizagem e não só na educação escolar. A necessidade do fortalecimento da família, da comunidade, dos meios de comunicação e de trabalho faz-se presente em ambientes de desenvolvimento humano onde pode ocorrer a satisfação das necessidades de aprendizagem.

A Educação de Jovens e Adultos constitui-se, assim, como um importante fator para o desenvolvimento e consolidação da cidadania e da formação cultural da população, seja resgatando a dignidade através da construção da cidadania crítica e participativa, aumentando a auto-estima ou construindo a identidade dos sujeitos.

Dessa forma, com este relato objetivou-se apresentar uma proposta alternativa de intervenção pedagógica que vem sendo utilizada pelo PEJA realizado na Unesp de Marília. Por meio de situações de aprendizagem reais e diversificadas, essa metodologia busca dar um novo sentido a prática desenvolvida na Educação de Jovens e Adultos, propiciando experiências mais significativas, consistentes e prazerosas aos sujeitos envolvidos.

REFERÊNCIAS:

HERNÁNDEZ, F. Os projetos de trabalho: uma forma de organizar os conhecimentos escolares. IN: HERNÁNDEZ, F. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. (p.61-84)
JOLIBERT, J. Aprender a formar crianças leitoras e escritoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. (p 103-109)
MELLO, S. A escola de Vygotsky. IN: CARRARA, K. Introdução à psicologia da educação. São Paulo: Avercamp, 2004. (p. 135-155)
PINTO, A.V. Sete lições sobre educação de adultos. 12.ed. São Paulo: Cortez, 2001.

 
Voltar