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  DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS AO LETRAMENTO: UM CAMINHO POSSÍVEL?

Sandra Regina Rossito Ferraz Pinto - Mestranda em Lingüística Aplicada – UNITAU - Professora da rede pública estadual e municipal – Botucatu - Professora da Faculdade Sudoeste Paulista – FSP - Avaré

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa teve por objetivo levantar as diretrizes fundamentais para o desenvolvimento do processo de leitura como prática social, em sala de aula de alunos de 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental e apresentar uma proposta de letramento por meio das histórias em quadrinhos de Maurício de Sousa.
Um dos pontos que desencadearam a realização deste trabalho foi agir com base em resultados que apontam para o desinteresse do aluno pela leitura acarretado pela má utilização dos gêneros discursivos, bem como por atividades que envolvam leitura.
Apesar de os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), doravante denominados de PCNs, terem sido implantados já há algum tempo, observa-se que um pequeno número de gêneros textuais é abordado pela escola, tomando-se por hipótese que, se a criança tiver maior contato com materiais de leitura atrativos, seu interesse será desperto, podendo tornar-se um leitor proficiente.
Durante muito tempo, o processo de ensino-aprendizagem da língua escrita foi marcado por uma grande preocupação com a relação fonema-grafema, com o desenho das letras, com o tipo de letra a ser utilizado, constituindo-se numa visão da língua em que se destacavam exercícios para separação de sílabas, substituição de letras e sílabas na formação de novas palavras e frases, exercícios voltados para o treino ortográfico e para estudos gramaticais normativistas, como número e gênero de substantivos, grau de adjetivos, o uso de formas verbais, no singular e no plural, no presente, pretérito e futuro.
Assim, a língua fora trabalhada de forma fragmentada e deslocada de seus usos e funções sociais. De um modo geral, o estudo de aspectos discursivos da linguagem escrita tinham sido deixados para uma fase escolar posterior, acreditando-se que primeiramente a criança devesse aprender a escrita para, em seguida, aprender a fazer uso da linguagem escrita. O uso da língua ficara, então, subordinado à análise estrutural da língua.
A teoria da enunciação de Bakhtin, entre outros autores, tem sido uma fonte importante para o aprofundamento da compreensão das especificidades do processo de alfabetização na dimensão do letramento, ou seja, mais especificamente, para o entendimento dos macro-aspectos desse processo.
Com Bakhtin (1988, p. 121), verifica-se que “o centro organizador de toda enunciação, de toda expressão, não é interior, mas exterior: está situado no meio social que envolve o indivíduo”. A noção de polifonia que se entrelaça com a de letramento e leiturização se organiza a partir desse centro organizador, desse exterior, que é povoado de muitas visões de mundo, muitas palavras, muitas histórias, que dialogicamente se fundam no social, um social ideologicamente constituído de signos.
Dessa forma, a noção de letramento ganha relevância na relação com o processo de alfabetização, principalmente porque dá destaque aos usos e funções sociais da linguagem escrita, ao atravessamento da linguagem escrita na fala de quem é letrado, aos modos como instituições, objetos, situações, procedimentos, de vários tipos, estão impregnados das marcas da escrita e de seus valores sociais.
O espaço da sala de aula pode ser visto como um espaço discursivo e polifônico; discursivo, por se caracterizar pela produção de linguagem verbal de diferentes sujeitos: professores, alunos, autores de livros e materiais escritos, em geral, e polifônico, na mesma direção, já que muitas vozes povoam este espaço de várias maneiras. Nesse sentido, letramento e leiturização podem ser vistos como o conjunto de práticas sociais, orais e escritas, relacionados à formação dos diferentes campos de conhecimento e das linguagens sociais associadas e dos diferentes gêneros do discurso. A condição de letrado é pressuposto intimamente relacionado tanto aos discursos que se elaboram nas diferentes instituições e práticas sociais orais e escritas quanto aos muitos objetos e formas de expressão sociais, entre elas a expressão em língua escrita.
Conceber a alfabetização na dimensão de letramento possibilita aliar os aspectos relacionados com o conhecimento da organização discursiva dos textos, das instituições, das atividades e das situações sociais que são marcadas pela linguagem em diferentes esferas sociais de conhecimento, de gêneros discursivos e de suas particularidades e usos, entre outros aspectos. A aliança entre diversos aspectos do processo de aprendizagem da linguagem escrita vem merecendo a atenção de pesquisadores e professores, já que se observa uma tendência para ou se privilegiarem uns, ou outros, e de uma forma e de outra se deixarem conhecimentos importantes para aquela aprendizagem de lado. Segundo Soares (2003), os processos da alfabetização, de letramento e de leiturização, embora processos distintos, são interdependentes e indissociáveis.
A linguagem sendo aprendida por meio de velhos ou novos instrumentos deve se preocupar em primeiro plano com a aprendizagem do mundo, da convivência, da comunicação para depois se preocupar com a aprendizagem das regras.
Os novos instrumentos de leitura e escrita requerem uma concentração diferente, uma coordenação viso-motora distinta, uma coordenação motora digital, uma agilidade diferenciada.
Portanto, investigar a linguagem para que possamos ensiná-la é um ato importante do professor e passa pela investigação dos hábitos de leitura e de escrita que fazem parte da vida dos alunos, do nível cultural dos mesmos, dos recursos de leitura e escrita existentes na comunidade e do nível de apropriação da língua por seus alunos. É preciso investigar tanto os aspectos ligados ao conhecimento notacional (escrita alfabética), quanto à linguagem usada para ler e escrever.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs (1997), a conquista da escrita alfabética não garante ao aluno a compreensão e a produção de textos escritos

... a ênfase que se está dando ao conhecimento sobre as características discursivas da linguagem – que hoje sabe-se essencial para a participação no mundo letrado – não significa que a aquisição da escrita alfabética deixe de ser importante. A capacidade de decifrar o escrito é não só condição para a leitura independente como – verdadeiro rito de passagem – um saber de grande valor social. (PCNs Língua Portuguesa, 1997, p. 34)

Se o papel da escola é o de mediadora do conhecimento historicamente acumulado pela sociedade e se esse processo se realiza quase que exclusivamente por meio dos livros, fazer de cada aluno um leitor é caminho obrigatório para atingir tal meta. Alfabetizar é o primeiro passo, mas letramento é imprescindível.
Por ser a escola uma agência de letramento, cabe a ela trazer para o espaço escolar os usos sociais da leitura e escrita e considerar que a vivência e participação em atos de leitura podem alterar as condições de alfabetização. Segundo Soares (2002, p. 47), letramento “é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva as práticas sociais que usam a escrita”.

ESCOLHA DO GÊNERO HQ

O gênero discursivo a ser explorado nas aulas de leitura deve constituir um texto social que circule na esfera social da criança e atenda a seus objetivos de leitura. Os textos chamados escolares, aqueles que só circulam na escola, como o livro didático, atribuem à leitura o caráter de um processo artificial porque desvincula o ato de ler da capacidade de viver no mundo real.
As histórias em quadrinhos, por sua vez, configuram-se em um gênero atrativo, por apresentar muitos aspectos lúdicos, como as cores, os desenhos, as histórias engraçadas que prendem a atenção da criança e fazem-na sonhar, ajudando-a a construir um mundo de fantasia e diversão. A leitura de histórias em quadrinhos sugere uma forma de desenvolver a competência genérica de leitura, uma vez que mesmo a criança não-alfabetizada constrói significados para elas, desde que a escolha desse gênero textual leve em conta os objetivos de leitura da criança e o conhecimento que ela construiu até o momento, enquanto membro de um mundo letrado.

ANÁLISE DE DADOS

1 O professor e os gêneros discursivos

Questionando-se o modo como as histórias em quadrinhos são utilizadas no ambiente escolar, optou-se por interpelar o contingente de catorze professoras de duas escolas do município de Botucatu que atuam de primeira à quarta séries do ensino fundamental, quanto à forma como o referido gênero vem sendo inserido e abordado nas aulas de leitura. Para tanto, fora elaborado um questionário subdividido em duas partes: na primeira questionou-se sobre o tempo de serviço e formação das professoras e, em um segundo momento, especificamente quanto à utilização das HQs.
As escolas pesquisadas (uma municipal e outra estadual), não têm por prática adotar metodologias específicas, deixando que o professor siga a que mais lhe ofereça segurança. Neste sentido, pode-se evidenciar, no trabalho das professoras, uma tendência empírica com enfoque tradicional, na qual o conhecimento é adquirido pelo “ver e ouvir” e permanece pelo treino e repetição.

1.1 Formação do professor

Quanto à formação acadêmica, constatou-se que a maioria é portadora de ensino superior (92%), abrangendo diferentes áreas do conhecimento (Pedagogia, Matemática, Psicologia, Letras, Física, História), além de as mesmas terem freqüentado o curso de Magistério em nível de segundo grau, como demonstra o gráfico 1.

Gráfico 1. Formação acadêmica - Qual sua formação? Possui curso de graduação?Em que área?

1.2 Utilização de gêneros discursivos

Analisando-se a utilização das HQs em sala de aula, verificou-se que todas as professoras responderam afirmativamente quanto à inserção do gênero em aulas de leitura. Observou-se, também, que as mesmas são utilizadas para enfocar aspectos relacionados às falas apresentadas pelas personagens através de balões, sua transcrição para textos estruturalmente elaborados (com parágrafo, travessão e indicação dos interlocutores), para a criação de textos similares, interpretação dos textos apresentados pelo livro didático e estudos relativos à gramática, como pode ser comprovado pelo gráfico 2.


Gráfico 2. Utilização do gênero - Que atividades são desenvolvidas a partir das HQs?

Quanto à aceitação das HQs, como era esperado, foi unânime, pois todas afirmaram que há, por parte dos alunos interesse e motivação na realização de atividades de leitura. Como afirma a professora 1 - (P1), “a história em quadrinhos é a literatura que mais gostam; acredito que é a que tenha significado” e, também nas palavras da professora 2 - (P2), ao dizer que as crianças apresentam “entusiasmo por se tratar de algo que lhes prenda a atenção.”
Observou-se, ainda, que as professoras utilizam uma gama de histórias em quadrinhos muito restrita, como justifica a professora 3 - (P3), ao dizer que “as crianças gostam bastante, mas nas escolas, não temos tantas histórias em quadrinhos”, concentrando-se nas HQs apresentadas pelo livro didático e em exercícios pré-estabelecidos pelo mesmo material, expondo, assim, a criança a uma fragmentação da língua e a sentenças padronizadas que devem ser copiadas pela classe.
Ao serem questionadas sobre possíveis dúvidas quanto ao uso e estrutura das HQs, a resposta, unânime, foi que há o domínio dos conceitos e das especificidades apresentadas pelo gênero discursivo, apesar de não se observar por parte das professoras, enfoque aos aspectos relacionados à polifonia, à metalinguagem ou intertextualidade presentes no gênero, bem como ao equívoco referente à denominação ou classificação das HQs, considerando-as como tipo de texto com suas características próprias.

2 Uma proposta de letramento por meio de HQs de Maurício de Sousa

2.1 Apresentação e caracterização do gênero HQ

2.2 Apresentação de texto transcrito da HQ, sob a forma de diálogo

Iniciou-se o trabalho pela apresentação da transcrição da história em quadrinhos “Um beijinho, por favor!”, sem as imagens, como consta no anexo 1, para que os alunos fizessem a leitura silenciosa. Após a leitura do referido texto, foram solicitados que registrassem por escrito o conto de fadas que teria originado a história constante na HQ, sem maiores informações por parte da professora.
Durante a leitura muitos alunos faziam comentários que davam pistas da inter-relação entre os elementos constituintes da HQ e dos contos de fadas, como se pode observar pela fala do aluno de 3ª série E.R.C (9 anos):
? “Ah professora, eu conheço uma história parecida com essa, mas não tinha nem a Mônica, nem a Magali!”.
Vale ressaltar que esta sala já havia sido inserida no trabalho com HQs da Turma da Mônica.
Outras crianças, durante a leitura diziam:
? “Professora, eu tenho esse livro na minha casa.” (M. D.V. – 9 anos)
? “Eu conheço essa história, também!” (R. Z. – 9 anos)
Apesar dos comentários realizados durante a leitura, a professora solicitava que os não fossem dados maiores detalhes sobre a história original:
? “Que bom que você conhece, mas não conte a história!” (S.C.R.B.)
Como mencionado anteriormente, após a leitura foi solicitado às crianças fizessem o registro por escrito da história original, da forma como se recordavam de tê-la lido ou ouvido, anteriormente. Algumas crianças afirmaram não se recordar da mesma.

2.3 Registro escrito de uma história semelhante

Ao efetuar-se a leitura da produção das crianças, deparou-se com um fato interessante - algumas crianças reescreveram outros contos de fadas conhecidos por elas, que apesar de não estarem relacionados com o enredo original, remetiam ao universo dos contos de fadas pelos elementos constitutivos do gênero discursivo.
Analisando-se o gráfico a seguir, observa-se que dos setenta e oito alunos envolvidos nesta atividade, apenas 8% (6 alunos) desconheciam totalmente o gênero discursivo, enquanto que 51% reescreveram o texto original e 41% associaram-no a outros contos de fadas.

Gráfico 1. Reescrita do conto

Outro aspecto relevante fora a forma como as crianças deixaram aflorar a sua subjetividade buscando alternativas para demonstrar que, apesar de não terem informações sobre a referida história, possuíam o conhecimento de outras que se relacionavam de “alguma maneira”, por meio de elementos como “Era uma vez...”, a presença da “bruxa, da princesa, do príncipe, do palácio” e do final “viveram felizes para sempre!”, que apareceram em todas as produções, caracterizando o domínio do gênero, como pode ser observado na produção escrita do aluno L.B.A. (3ª série).

Assim é possível perceber que haviam incorporado os elementos básicos de um conto de fadas, indo ao encontro do que afirma Brandão (2002, p. 38) sobre a formação discursiva e histórica da memória.
Como segunda etapa, apresentou-se a história original com o objetivo de proporcionar o conhecimento do mesmo a todas as crianças.

2.5 Projeção de transparências com a HQ de Maurício de Sousa

Num terceiro momento optou-se por apresentar a HQ, por meio de transparências, visto que os alunos não tinham acesso ao material impresso, uma vez que na biblioteca da escola havia somente um exemplar do livro.

A leitura da história em quadrinhos em transparência assegura a atenção de todas as crianças a um mesmo texto, a intervenção do professor pode-se fazer por meio de questionamentos, permitindo que as crianças sejam exigentes e não se contentem com o saber aproximativo, que estruturem suas aquisições e que utilizem as aquisições de maneira mais operatória e mais autônoma possível, tendo uma atividade reflexiva sobre suas estratégias para torná-las mais eficientes, melhorando seu desempenho de leitor por meio do exercício da automatização da aplicação das competências próprias do ato lexical: antecipação, discriminação visual, etc., recapitularem de maneira metódica, à medida que as observações são feitas, tudo quanto foi descoberto sobre o próprio funcionamento da língua.
Tal estratégia permite ao professor também deve apoiar as crianças durante a compreensão imediata: momento em que uma criança ou um grupo de crianças está questionando um texto e construindo seu sentido por meio de indícios coletados, hipóteses formuladas e verificadas, partindo do contexto.
Durante a elucidação das estratégias acontece o momento em que o professor ajuda as crianças a entender em como elas agem para chegar aos sentidos do texto, fazendo com que elas expliquem suas hipóteses e os indícios sobre os quais se apóiam, e a descobrir e utilizar elementos constitutivos do gênero discursivo, cabendo ao professor, destacar elementos que auxiliam a criança na compreensão da mensagem, tais como: forma e organização dos quadros, utilização de onomatopéias, ideogramas e balões.
A leitura de histórias em quadrinhos sugere uma forma de desenvolver a competência genérica na prática de leitura, uma vez que mesmo a criança não-alfabetizada constrói significados para elas, desde que a escolha desse gênero textual leve em conta os objetivos de leitura da criança e o conhecimento que ela construiu até o momento, enquanto membro de um mundo letrado.

RESULTADOS :

A realização das atividades propiciou perceber que os gêneros utilizados como corpus, fomentam o imaginário infantil e constituem rica fonte de pesquisa e análise.
As HQs por suas características, atraem o interesse da criança mesmo antes destas manterem contato com a escola e aprenderem a ler e escrever, sendo portanto um gênero que não apresenta um caráter estritamente pedagógico, sendo assim o professor pode lançar mão desse interesse que a criança apresenta, trazendo-o para a sala de aula e, a partir dele avançar para que seus alunos tornem-se letrados, precisando porém, estar consciente das especificidades do gênero para poder abordá-lo em toda a sua amplitude.
O trabalho com as HQs pretendeu despertar o interesse dos alunos por outros gêneros textuais, ampliando seu conhecimento. Quando os professores se derem conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano é massacrado pela escola, e por suas equivocadas práticas de ensino, estarão aptos a promover o letramento.
Analisando-se os questionários ficou evidente que as professoras abordadas, apesar de utilizarem o gênero discursivo, precisam adquirir novas informações de conceitos pertinentes ao gênero, bem como ampliar as opções de aplicabilidade deste em aulas de leitura e, assim, proporcionar ampliação da compreensão leitora de seus alunos, assim, na intenção de propiciar-lhes uma leitura que faça parte de seu ambiente cultural, propõe-se que se construa, juntamente com a turma, uma lista de HQs que eles mais apreciem, propiciando uma interação entre os alunos através da troca de HQs, privilegiando assim, o diálogo, a troca de experiência e de material de leitura. Percebe-se, pela atividade desenvolvida, uma participação efetiva por parte dos alunos que explicaram, com muita propriedade, suas escolhas.
Os ambientes educacionais precisam reconhecer e apoiar a profusão de várias possibilidades de atuação dos indivíduos. Há uma necessidade de se diversificar em propostas de trabalho, materiais e meios nos contextos educacionais. Porém, mesmo que esse fato seja suficiente, para que a criança se interesse em criar sentidos para as HQs, é necessário que a escolha desse gênero textual esteja relacionada a um projeto pedagógico da escola, uma vez que isso pode ampliar a prática social da criança de forma que ela passe a ter outros objetivos de leitura (como se informar, refletir sobre um tema), que também poderão ser atendidos pela leitura deste gênero.
O profissional de educação precisa ser capaz de fazer sua interferência na realidade, o que certamente, gerará novos conhecimentos, e isto, é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. Contudo, as insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada, nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino” (KLEIMAN, 1995, p. 47), pois essas falhas são mais enraizadas, porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino. A responsabilidade não deve recair apenas no professor. Muitas orientações técnico-pedagógicas que se destinam ao aprimoramento profissional nada ou muito pouco contribuem para o desenvolvimento e atualização do docente, visto que, em muitos casos nem mesmo o próprio Assistente Técnico-Pedagógico – ATP, “domina” o conteúdo que está abordando.
Finalmente, cabe apontar que este estudo permite constatar que a força criadora e a sabedoria profunda, presentes nos contos de fadas e seu conteúdo arquetípico, podem ajudar as crianças a enfrentar seus medos, despertando seu poder criativo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. Estética da criação verbal. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes: 1997.

________. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Editora Hucitec,1986.

BRANDÃO, H. H. N. Introdução à Análise do Discurso. 8ª Ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2002.

BRASIL. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL/ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. (1997) Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa – 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental, vol. 2. Brasília/DF: SEF/MEC.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 7ª ed. São Paulo: Ática, 1999.

KLEIMAN, Â. B. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995.
________ Oficina de leitura: teoria e prática. Campinas, SP: Pontes, 1993.

KLEIN, L.R. Proposta Metodológica de Língua Portuguesa. 1 ed. Secretaria de Estado de Educação. Governo Popular de Mato Grosso do Sul. Série Fundamentos Político-Pedagógicos. Mato Grosso do Sul, 2000.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2ªed. 6ª reimpr. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
SOUSA, M. de. Mônica: fábulas. São Paulo: Globo, 2003.

TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e alfabetização. 6ª ed. São Paulo: Cortez, 2004.
www.contosdefadas.com.br

 
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