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  A NOTÍCIA COMO FONTE DE EDUCAÇÃO

Vania Ribeiro - Centro de Multimeios e Tecnologia Educacional

“Prosseguimos, reinauguramos.
abrimos olhos gulosos ao um sol
diferente que nos acorda
para os descobrimentos.
Esta é a magia do tempo!”

Carlos Drummond de Andrade

Os Meios de Comunicação estão cada vez mais presentes no cotidiano pós-moderno. Aparecem nas salas de aula através da influência valorativa que promovem a utilização dos produtos midiáticos pelos professores como complemento ao conteúdo das disciplinas.
Nos projetos de formação sobre Comunicação Educacional, voltada para a formação de professores reflexivos, a idéia é despertar nos professores o interesse pelo “aprender a aprender” através dos meios midiáticos. Os meios são instrumentos para repensar a própria prática, visando a sua atuação dentro e fora da instituição educacional.
Na perspectiva de formação de professores reflexivos o Centro de Multimeios e Tecnologia Educacional de Francisco Morato tem suas atividades voltadas para a análise crítica da mídia, interagindo com os diferentes meios de comunicação, interpretando e dialogando com o modo com que estes veículos transmitem as mensagens, articulando a leitura e a escrita nestes processos comunicativos e fazendo a leitura crítica das informações midiáticas.

A RESSIGNIFICAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR

“A escola tem a função mediadora entre a cultura hegemônica da sociedade
e as exigências educativas de promoção do pensamento reflexivo,
devendo sempre questionar: o que e como se ensina na escola?”
( Prof. Dr. Sérgio Ferreira do Amaral)

Os Meios de Comunicação estão cada vez mais presentes no cotidiano pós-moderno. Aparecem nas salas de aula através da influência valorativa que promovem a utilização dos produtos midiáticos pelos professores como complemento ao conteúdo das disciplinas.
A Educação é o mais antigo espaço de Comunicação existente e só pode existir no espaço dialógico, não sendo possível dentro de um espaço autoritário. A dialogicidade se constrói pela disposição de facilitar que as pessoas em seus vários pólos da educação possam interagir, e principalmente, que a produção de significados possa ser repartida, ou seja, não só o professor produzir, mas o aluno também. A sociedade vive uma revolução de paradigmas, ideias e valores, exigindo cada vez mais um alto grau de conhecimento. A educação possui um papel diferenciado e importante na criação de novos modelos de comunicação, sendo o seu principal enfoque a sociabilização dos conhecimentos e informações.
A comunicação na educação exige uma aprendizagem significativa, transformando os alunos em indivíduos autônomos e que saibam buscar seu próprio conhecimento. O uso da mídia tem que ser encarado como uma ferramenta de ensino, ressignificando as informações e resgatando o seu lado lúdico e pedagógico.
Quando uma disciplina é agregada à grade curricular, sem a preocupação de integrá-la aos conhecimentos, uma vez que a concepção que permeia toda a grade é fragmentada, os programas de ensino seguem a mesma perspectiva do currículo que encontram-se tão cristalizados que não deixam espaço para questionar se o programa prepara o aluno para o futuro ou passado.
Nesta análise há fatores relacionados ao modo de vida institucional que podem impedir o desenvolvimento de processos inovadores. É preciso que o projeto pedagógico seja flexível para possibilitar a agregação e articulação das atividades a serem desenvolvidas no estudo de temas. É necessário também que gere uma conscientização sobre as necessidades de reestruturar a prática de sala de aula e redefinir os papéis do professor, do aluno e dos demais atores educacionais.
Na elaboração de projetos pedagógicos, as mudanças produzidas em seu desenvolvimento tendem a traduzir-se em novas gestões de tempo, espaço, estratégias, flexibilidade e permeabilidade entre as disciplinas. Multiplicam-se as situações de interação entre aluno-aluno e aluno-professor, que envolvem muitas vezes os pais, outros membros da comunidade e até outras instituições educacionais.
Nos projetos de formação sobre Comunicação Educacional, voltados para a formação de professores reflexivos, a idéia é despertar nos professores o interesse pelo “aprender a aprender” através da mídia. Os meios são instrumentos para repensar a própria prática, visando a sua atuação dentro e fora da instituição educacional.
Na perspectiva de formação de professores reflexivos, o Centro de Multimeios e Tecnologia Educacional de Francisco Morato tem suas atividades voltadas para a análise crítica da mídia, interagindo com os diferentes veículos, interpretando e dialogando com o modo com que os meios de comunicação transmitem as mensagens, articulando a leitura e a escrita nestes processos comunicativos e fazendo a leitura crítica das informações contidas nestes meios midiáticos.
Essa associação entre comunicação/educação faz com que verifiquemos como a criança vê o mundo e como faz a leitura do seu contexto social. Esse caráter mídiático-educativo contribui com algo novo em relação a prática. Além do aprendizado, a criança cria e ensina, interagindo com seus próprios saberes e informações.
Os projetos de Comunicação e Educação desenvolvidos pelo Centro de Multimeios vêm de encontro à expectativa de uma aprendizagem para a cidadania criatividade e vivência da democracia e liberdade. Nesse plano os jovens poderão encontrar o caminho da construção de uma sociedade mais digna de ser vivida. A pedagogia de educação para os meios é um instrumento para a inovação para o trabalho pedagógico, facilitando a criação de propostas inovadoras de aprendizagens.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, abriu caminhos para essas inovações, facilitando as novas práticas dos educadores. O trabalho com os meios é uma perspectiva mais abrangente do que a simples crítica da mídia, ou um modismo vazio e isolado. As atividades estão articuladas com as diversas propostas da escola, permitindo articular as disciplinas, buscando e analisando os problemas sociais e contribuindo para a busca de uma solução inovadora por meio da prática concreta dos alunos e da comunidade escolar.
A proposta é fazer com que a escola atue em cooperação com os Meios de Comunicação, não criando programas de educação por meio desses veículos, mas sim, utilizando seus produtos como fonte de informação e como tema para debate. Neste sentido, há que se desenvolver um projeto de educação para a mídia, em que o professor deve atuar como referencial problematizador. Para tanto, seria necessário que os professores fossem "comunicólogos", ou tivessem um amplo conhecimento sobre o funcionamento dos Meios de Comunicação, e aplicassem projetos de educação para a mídia em sala de aula.
Conhecendo mais profundamente a realidade midiática, os professores saberiam, por exemplo, que de acordo com uma corrente de pensamento, as produções são guiadas, em primeiro lugar, pelo aspecto mercadológíco, que exerce influência sobre todos os campos da sua produção cultural, inclusive o jornalístico, como ressalta Pierre Bourdieu (1997). Entretanto, Michael Schudson (1988) considera a notícia como resultado da ação simultânea de três categorias: a ação pessoal, social e cultural. Esta observação pode, contudo, ser estendida a outros produtos midiáticos além da notícia. Desta forma, cada produto jornalístico, cada obra de ficção, cada peça publicitária, sofreria influência das pessoas que as produzem, das organizações das quais essas pessoas fazem parte e da configuração cultural em que estão inseridas.

Nessa interatividade comunicativa citamos Paulo Freire:

"As relações dialógicas só têm sentido para a sociedade se o que vier for algo criativo."

Com base nestas reflexões, o trabalho com a mídia na educação em Francisco Morato segue os seguintes princípios:
• Os meios de comunicação devem servir como meio e não como fim;
• Os professores envolvidos devem ter atuação participativa durante o percurso comunicativo;
• Todas as ações midiáticas devem estar plantadas em uma proposta pedagógica de projetos, voltadas para a prática Educacional e social;
• Estar em pró-atividade da comunidade;
• Comunicar para a cidadania;
• Elaborar projetos que venham suprir as necessidades do educando e da comunidade;
• Extrapolar o nível individual transformando para o coletivo;
• Fazer com objetivos pré-estabelecidos.
A interpretação da sociedade da informação e comunicação nos projetos desenvolvidos pelo Centro de Multimeios e Tecnologia Educacional, vão além das palavras e verificam os contextos em que estão inseridos. 0 uso midiático na ação educativa cria uma teia de significações, à medida em que estão em um contexto histórico, repleto de tradições e valores que determinam uma comunidade.
Isso media o conhecimento e as informações, levando aprendizagens significativas para a sala de aula. Essa harmonia cria significados pedagógicos, utilizando a comunicação como ferramenta de ensino. E assim, obtemos uma maior democratização e cooperação na construção do conhecimento, uma vez que o acesso aos meios devem estar a serviço da cidadania.
Diante dessas novas perspectivas , o aluno transforma seu conhecimento em saber, reconhecendo que não existe conhecimento sem aprendizagem. A sala de aula deixa de ser o lugar onde o conhecimento é transmitido para ser o lugar onde ele é produzido.
A necessidade de um amplo conhecimento dos professores a respeito dos Meios de Comunicação, que englobe correntes de pensamento, não permitiria que o conhecimento repassado aos alunos ficasse restrito a visões antagónicas sobre a atividade da mídia na sociedade: uma que entende a mídia como um processo intencional de manipulação dos indivíduos para que esses permaneçam passivos diante das contradições sociais; outra que é absolutamente crédula aos conteúdos repassados e que por isso, gera uma recepção quase sem questionamentos.
Por isso, noções sobre o funcionamento dos Meios de Comunicação são extremamente importantes para que os professores, os quais são mediadores no processo de apropriação das mensagens midiáticas pelos seus alunos, repassem esse conhecimento de uma maneira clara, livre de idéias que são de senso-comum. Portanto, para que se desenvolva uma política de educação para a utilização da mídia é preciso que estas questões estejam presentes e os equívocos a respeito do funcionamento dos meios massivos sejam esclarecidos. Em um primeiro momento é necessário que se investigue quais são as dúvidas mais frequentes, qual o papel da mídia na vida de professores e alunos e como se dá a utilização dos produtos e modelos midiáticos como complemento e suporte pedagógico.
Sendo assim, ao pensar na Comunicação, no âmbito educacional, como possibilidade de transformação social, torna-se imperativo levantar mais um questionamento: ao ser introduzidas a mídia no processo educativo, levam-se em conta as necessidades do sujeito.
Quaisquer que sejam as relações entre educação e a mídia contemporânea, não é possível perder de vista as finalidades da primeira, enquanto processo de humanização do homem e preparação para o mundo do trabalho. A educação continua sendo, ou pelo menos deveria ser não mero reflexo das demandas da sociedade, mas reflexão de suas próprias contradições, buscando transformá-la em espaço de realização de justiça social e enriquecimento cultural, pois

"A educação, enquanto reflexo, retrai e reproduz a sociedade, mas também projeta a sociedade que se quer. Por isso vincula-se profundamente ao processo civilizatório e humano" (Pimenta, 2002:97).

Outro problema identificado nasce de uma certa visão equivocada que equipara os conceitos de informação e conhecimento. Não raro, observa-se a utilização de expressões como "sociedade do conhecimento" e "sociedade da informação" como sinônimos, tanto por pesquisadores quanto pela mídia.Indo de encontro a esta visão, Pimenta (2002) chama a atenção para a necessidade de distinguir epistemologicamente os dois termos – informação e conhecimento - uma vez que, para que o primeiro se transforme no segundo, torna-se imperativo a ação educativa do sujeito, pois

"Conhecer significa trabalhar as informações. Ou seja, analisar, organizar, identificar suas fontes, estabelecer as diferenças destas na produção da informação, contextualizar, relacionar as informações e a organização da sociedadel". (Pimenta, 2002:100).

Cabe ao professor desenvolver a competência (saber-fazer), mobilizando os saberes e a capacidade de analisar criticamente os fatos que rodeiam.
Na interação/aluno/conhecimento é essencial que o professor relacione a informação gerada pela sociedade, o saber e o uso desse saber, filtrando e selecionando cada mensagem que chega à sala de aula.
Para isso é necessário ter um quadro docente atualizado e reflexivo sobre a sua prática e conhecedor do mundo que o cerca, lembrando que o conhecimento é resultado da compreensão das informações.
O docente não pode atuar isoladamente, sendo fundamental saber fazer a ponte entre a escola, o aluno e a comunidade. Esta inter-relação contextualiza a cultura local dentro do currículo, ao mesmo tempo que articula o contexto nacional e global aos novos saberes.
O novo perfil de profissional requer criatividade, ou melhor, ter a capacidade de encontrar um meio próprio de interagir na vida social, de forma autônoma e sistemática. O docente reflexivo sabe tirar proveito dos meios de comunicação, transformando-os em úteis ferramentas de pesquisa, ampliando a capacidade de contextualizar a si mesmo.
Subjacente a esta questão está a preocupação em tomo das formas de apropriação dos meios comunicacionais contemporâneos pelos sujeitos do processo educativo. Assim cabe conceber a sua apropriação não enquanto extensão ou seja, transferência de técnica, de conteúdo, treinamento ou adestramento, mas sim como comunicação, entendendo esta enquanto diálogo entre sujeitos interlocutores, que
buscam significar e ressignificar, construir e reconstruir os conhecimentos e a sua própria vida cotidiana (Freire, 2001).
Esta formação não se encerra com a conclusão do projeto, tendo um caráter de continuidade que se concretizará por meio de reuniões periódicas, seminários, debates, encontros e oficinas.
Quaisquer que sejam as modalidades de formação escolhida, sua concretização é coerente com as necessidades do grupo em formação e prevê espaços para o estabelecimento de conexões entre teoria, prática e domínio de recursos comunicacionais. Isso promove uma reorganização e uma transformação da prática pedagógica.
Como o desenvolvimento ocorre durente todo o processo de formação, a avaliação coerente com a abordagem deve estar presente todo o tempo, dado o caráter de processo de avaliação, não se quantificam trabalhos. Os resultados obtidos são frutos de todo o processo de formação e não um produto elaborado para a conclusão dos projetos.
A avaliação das atividades incidem sobre as condições apresentadas pelos professores e encadeiam coerentemente suas idéias e não pela pertinência do conteúdo abordado.
Ao longo do processo, o professor juntamente com o formador, têm uma atitude de avaliação, refletindo continuamente sobre o que já sabiam a respeito do tema de estudo, sobre as novas descobertas, as dificuldades que enfrentam, as estratégias que estão empregando e as relações interdisciplinares que estão estabelecendo. Ao final da implantação do projeto, faz-se uma reflexão sobre o que foi aprendido em relação aos conhecimentos iniciais, quanto aos conceitos, estruturas, vivência do grupo, trabalho individual e outros aspectos propícios para a formação do grupo.

 
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