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  COLUNAS METALINGÜÍSTICAS: UM CASO DE INTOLERÊNCIA?

Pedro Luís Rodrigues - UIRAPURU SUPERIOR/ISEU

Para Habermas (2003:10), há dois significados para tolerância: um relaciona-se à ordem jurídica, que preserva o direito de exercer diferentes atividades (principalmente a religiosa) praticadas por várias comunidades humanas; outro, à expectativa de um relacionamento tolerante, que nada mais é do que a virtude de tratar o outro com paciência. Para o autor, a tolerância é componente central de uma cultura política liberal.
Contudo, na medida em que o comportamento tolerante não se aplica em determinadas situações porque alguns não aceitam as diferenças dos outros, tem-se instalada a intolerância que, segundo Rouanet (2003:10), é “uma atitude de ódio sistemático e de agressividade irracional com relação a indivíduos e grupos específicos , à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções. Essa atitude genérica se atualiza em manifestações múltiplas, de caráter religioso, nacional, racial, étnico e outros.”
De acordo com as idéias de Rouanet (op. cit.), a intolerância se funda quando determinado indivíduo, convicto de que ele é o detentor da verdade, afirma um só ponto de vista para a humanidade inteira e passa a rejeitar e excluir outros pontos, o que pode assumir formas virulentas e autoritárias, como as da intolerância religiosa, por exemplo. A intolerância caracteriza-se pela incapacidade de descentramento, de empatia com o ponto de vista do outro e pode operar por meio de estigmatizações e de atribuições de estereótipos. O intolerante acredita que há apenas uma verdade pela qual se deve lutar. É, de certa forma, um fanático, pois considera errados todos os que pensam diferentemente.
Ainda segundo o autor há várias razões para a intolerância. Uma delas se enraíza na própria natureza humana. Ao identificar-se com o grupo a que pertence e amá-lo de forma narcísica, pois o considera a soma de todas as perfeições, o indivíduo passa a odiar tudo o que está de fora do grupo a que pertence. Este, ao idealizar os valores do seu grupo, tende a sobrevalorizá-lo e a desprezar a alteridade.
Sobre o mesmo assunto Bobbio (1992:210) lembra-nos que os termos tolerância e intolerância possuem um sentido positivo e outro negativo. Em sentido positivo, tolerância vai se opor à intolerância em sentido negativo; e, vice-versa, “ao sentido negativo de tolerância se contrapõe o sentido positivo de intolerância” (op. cit.). Assim, em sentido positivo o intolerante é severo, rígido, firme; já em sentido negativo ele é condescendente.
De acordo com as idéias desse mesmo autor, os que são intolerantes se valem do que chama de sentido negativo da tolerância, que seria “indulgência culposa, condescendência com o mal, com o erro.” (Bobbio, 1992:211). Ao denegrirem essa chamada tolerância negativa, passam a praticar a intolerância como sinônimo de severidade, rigor, firmeza.
Por a intolerância se caracterizar como um sistema daqueles que não admitem opiniões divergentes das suas, em questões sociais, políticas ou religiosas ela tende a gerar um julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste, uma idéia preconcebida, conformando o fenômeno conhecido como preconceito.
Diante do exposto, verificamos que a tolerância se faz necessária quando recusamos o diferente, quando discordamos das concepções e atitudes do outro. Já a intolerância se manifesta porque alguns indivíduos acreditam num único ponto de vista e antipatizam-se com o ponto de vista do outro. Os intolerantes, por odiarem sistematicamente aqueles que têm convicções contrárias às deles, passam a rechaçar, autoritariamente, os outros por meio de estigmatizações e preconceitos.
Pode-se dizer que, sob o ponto de vista da linguagem, o que se assemelha à lei do subsistema jurídico, é a norma prescritiva, uma vez que ela se constitui como um conjunto de regras que tem de ser seguido pelos usuários pertencentes aos chamados segmentos cultos da sociedade, sob pena de, se não a praticarem, sofrerem uma sanção social.
Porém, em algumas situações, essas regras não são seguidas, quando os usuários praticam outras normas lingüísticas. Algumas pessoas, não aceitando a variação normativa, mostram-se intolerantes e assumem uma atitude agressiva em relação aos “infratores”, porque julgam mal todas as normas que divergem da prescritiva e as consideram como um uso espúrio da língua. Esse tipo de atitude pode ser comparada, conforme Rouanet (2003), à atitude de ódio sistemático dos intolerantes.
Transpondo as idéias de Rouanet (2003) para o campo da linguagem e, de acordo com as idéias gerais acerca dos conceitos de tolerância/intolerância, podemos dizer que a intolerância lingüística se manifesta quando determinados usuários da língua são discriminados e, conseqüentemente, sancionados por não utilizarem a “norma culta”, considerada por eles como a ideal. Esse tipo de intolerância advém do fato de determinados indivíduos não considerarem o processo de variação lingüística e da constituição das línguas naturais. Essa atitude discriminatória frente à língua leva os intolerantes a elegerem a “norma culta” como a única realização não passível de sanções.
Paralelamente à idéia de Rouanet de que, politicamente, o nacionalismo é a principal matriz da intolerância, podemos afirmar que, no âmbito da lingüística, a “norma culta” seria a matriz da intolerância lingüística. Como o conceito de norma culta é carregado de ambigüidades, de um lado pode-se entendê-la como a norma tradicional e, de outro lado, como a linguagem praticada pelos falantes cultos, mesmo que essa linguagem esteja ou não de acordo com a prescrição. Disso surge o dualismo norma culta X outras normas, simplificador e alimentador de estereótipos do tipo “fala bem” quem segue os preceitos da norma prescritiva, que estão presentes nas gramáticas normativas. Para os “lingüisticamente intolerantes” quem não “fala bem” está excluído das “benesses” da sociedade.
Aquele que pratica a intolerância lingüística acredita que a verdadeira língua, a língua “politicamente correta”, é a que segue as regras constantes da gramática tradicional. Ao desconsiderar que as regras básicas da língua são apreendidas, assimiladas naturalmente, pois são pertinentes ao funcionamento global da língua, o “lingüisticamente intolerante” cria formas de intolerância porque baseia seu julgamento apenas em uma das possibilidades de realização da língua – a culta – esquecendo-se de que ao lado dessa existem outras realizações também legítimas. Isso leva o intolerante a julgar que os falantes, por não seguirem os preceitos da norma prescritiva, não sabem usar bem a língua, ou porque não são escolarizados, ou porque são pobres.
Os “lingüisticamente intolerantes” são adeptos da idéia de que a língua portuguesa é uma entidade monolítica, pois consideram que só há uma possibilidade de realizá-la e esta realização é determinada pela norma prescritiva, e fugir disso significará “não saber utilizar bem a língua portuguesa”. Os usuários que não realizam a norma mais próxima da tradição da língua são rechaçados, são discriminados, são estigmatizados e serão sempre sancionados. A língua de que esses se utilizam é considerada “pobre”, é um “português esquisito”. Como nos lembra Leite (2003:84), ao criticar as idéias de Reinaldo Polito sobre língua , para quem aquele que não “fala bem” peca à moda da moral religiosa e o que usa bem a língua pertence ao grupo dos virtuosos e é aceito nas mais altas esferas da sociedade.
Os lingüisticamente intolerantes tendem a interpretar a atitude dos especialistas no estudo da linguagem, os lingüistas, como uma forma de tolerância negativa, já que esses não se preocupam em julgar essa ou aquela norma, preocupam-se apenas em descrevê-las. Acreditamos seja esta a posição do autor das colunas que constam do corpus que analisamos. Ele interpreta a atitude descritiva dos profissionais da linguagem como “condescendência com o mal, com o erro”.
O comportamento dos autores das colunas pode ser interpretado como intolerante e é decorrente do seu preconceito em relação às realizações que não estão em consonância com o que prescreve a gramática tradicional. Ao construírem seus comentários sobre a língua, os colunistas baseiam-se nas prescrições que constam da gramática tradicional e, por considerá-la como um conjunto de dogmas irrefutáveis, elegem-na como sua ”verdade lingüística”. Em linhas gerais, o que configura a norma culta, nas colunas, são apenas as realizações abonadas pela gramática tradicional. Segundo os colunistas, hoje, no Brasil, fala bem o usuário que segue as regras prescritas pela gramática tradicional. Os autores mostram-se também intolerantes nos momentos em que, numa perspectiva exclusivamente de língua escrita, rechaçam usos específicos da língua oral.
Passemos à análise de alguns fragmentos das colunas metalingüísticas de Pasquale Cipro Neto: no exemplo (01) é possível perceber a intolerância do autor em não reconhecer determinados usos, ainda que sejam realizações escritas de autores consagrados:

01)
Contextualização: discussão sobre alguns casos de regência verbal.
“Ensinam as gramáticas tradicionais que o verbo ‘esquecer’ se constrói de três maneiras. Duas delas são muito conhecidas e bastante palatáveis: ‘Ela esqueceu o livro’/‘Ela se esqueceu do livro’; ’Não esqueço aquelas palavras’/’Não me esqueço daquelas palavras’ (...).
Na língua do Brasil, no entanto, surgiu uma fusão dessas duas possibilidades: esquecer de algo ou de alguém. Essa forma é usadíssima na fala e encontra registro na escrita, sobretudo quando o complemento de ‘esquecer’ é um infinitivo: ‘Ia esquecendo de fazer uma confidência importante’ (Érico Veríssimo). (...)
Sou obrigado a dizer a você que, se participar de um concurso público, de um vestibular, de uma prova tradicional, você deve considerar erradas as construções do parágrafo anterior, apesar de serem comuns na fala e na escrita brasileiras.” (Cipro Neto, Cult nº 25, GN).
Ainda que aceite a existência de usos desviantes ao que prescreve a gramática, tanto na língua falada quanto na escrita, o autor aceita-os com restrições e tende a considerá-los como “desvios à norma tradicional”. Para ele a autoridade máxima será sempre a gramática em todas as circunstâncias.
Sobre esse ponto, contudo, podemos recorrer ao que diz um dicionarista muito citado pelo colunista, em cuja obra ele busca encontrar abonações. Trata-se de Luft (1987:277) que, ao tratar dessa questão, traz o seguinte: “o brasileirismo esquecer de pode derivar de esquecer-se de, por despronominação (...). Tal construção, considerada viciosa pelos gramáticos [cf. Cegalla:416], mas muito freqüente no colóquio diário dos brasileiros, já se vem insinuando na linguagem literária, principalmente quando o complemento de esquecer é um infinitivo.”
Vale ressaltar o fato de o dicionarista referir-se a um gramático muito citado nas décadas de 70 e 80, que considerou todos os usos “novos” uma aberração. Essa referência ao gramático é proposital, pois o objetivo de Luft é mostrar-se em dia com certos usos e, ao reconhecê-los, demonstrar uma visão um pouco diferente da dos gramáticos. Isso prova que, apesar de ser um dicionarista, Luft dobra-se ao fenômeno do uso.
Também Neves (2003:313), afirma que o verbo esquecer, na acepção de “perder a lembrança de”, num registro mais informal pode ser usado com a preposição de: “Parece que o cronometrista esqueceu do tempo.” (Diário de Pernambuco).
Como vimos, as opiniões do colunista nem sempre estão em consonância com o que dizem gramáticos e dicionaristas mais tradicionais, pois, algumas vezes, eles mesmos reconhecem que a força de lei em termos de língua está exatamente no uso que músicos e literatos fazem dela.
Vejamos no exemplo a seguir como o autor tece seus comentários sobre a língua sem considerar o gênero em que o enunciado foi produzido:

02)
Contextualização: comentários sobre a ambigüidade presente na linguagem publicitária.
“Uma fábrica de telefones celulares está fazendo uma propaganda, cujo texto diz: ‘O mundo inteiro só fala nele’. Talvez tenha havido a intenção de criar a ambigüidade. Como se pode falar de algo ou em algo, um dos sentidos da frase é que o telefone é o único assunto das pessoas. Mas o outro sentido pretendido esbarra num problema de regência: as gramáticas dizem que se fala ao telefone, e não no telefone. Para a gramática normativa, a frase tem apenas um sentido. É isso.” (Cipro Neto, Falamos desde, p.82, GN).
Segundo Preti (1997:19), a linguagem da propaganda mesmo que seja escrita, traz associados o oral e o escrito. Ela se vale das estruturas da fala espontânea e associa-as aos preceitos da gramática tradicional, o que se transformou em norma na linguagem urbana comum. O vocabulário da linguagem da propaganda é uma mistura de vocábulos cultos com vocábulos populares e gírios. Isso pode ser comprovado pelo exemplo acima, pois o que a agência publicitária de fato pretende com a utilização de uma regência em desacordo com as prescrições da gramática é obter uma interação imediata com os consumidores.
Fica evidente que a intenção do colunista é apenas a de analisar as construções sob um enfoque meramente gramatical e, por isso, deixa de considerar o aspecto pragmático e o gênero em que o enunciado foi construído.
No exemplo (03) poderemos perceber como a excessiva preocupação prescritivista do autor gera uma certa confusão de sentimentos em relação aos usos da língua:

(03)
Contextualização: discussão sobre um caso de variação regional.
“Em entrevista que me concedeu em sua casa, o poeta mineiro Fernando Brant, autor de letras primorosas, como a de ‘Travessia’, disse, mineirissimamente: ‘Eu formei em direito, mas...’. Dizem que mineiro é mão fechada e que economiza até nas palavras. (...)
Particularmente, acho uma delícia. Exulto quando ouço um mineiro, com aquele sotaque cordial, gentil, doce, dizer ‘Ele desesperou e acabou precipitando’. Porém, como diria Chico Buarque, ‘mas eis que chega a roda-viva’ e acaba com a festa. A roda-viva, no caso, é a gramática normativa, obrigada – por sua própria função – a estabelecer um padrão transregional. (Cipro Neto, Ela arrependeu, p.46, GN).
Nesse exemplo, o colunista analisa o fenômeno da variação lingüística, mas o faz sob o enfoque ainda de quem é detentor do saber do que é “certo”, manifestado de modo pedante. O autor mostra-se contraditório também nos comentários que faz sobre usos regionais, pois, ao mesmo tempo em que diz apreciá-los, deprecia-os por considerá-los em desacordo com as prescrições da gramática tradicional. De forma irônica, ele diz que o poeta disse ‘mineiramente’, porém há nesse comentário uma confusão de julgamento, já que não há, por parte do colunista, um parâmetro de julgamento para as modalidades e situações de uso da língua. De um lado vê-se a cortesia e gentileza que o colunista tem de ter com o poeta citado; de outro, vê-se a crítica, o “poder do gramático”.
De acordo com Camacho (1988:29), a língua é um objeto histórico e está sujeita a transformações no tempo e pode se diversificar no espaço. Conseqüentemente, em uma comunidade lingüística relativamente extensa como a do Brasil notam-se variações de caráter regional, em todos os níveis de análise lingüístico-discursiva, que acabam por criar outras comunidades lingüísticas geograficamente delimitadas.
Pelo exemplo (03), percebemos que, ainda que as gramáticas regulamentem um uso comum aos falantes de uma língua histórica e que sejam imparciais quanto às diferenças regionais, as suas regras prescritivas não impedem que determinada língua se transforme geograficamente. É de extrema importância atentar para o fato de que a norma prescritiva, como todas as normas é fator de unificação, contudo, “seu poder’ se faz sentir mais fortemente em certos gêneros da modalidade escrita da língua.
De acordo com Preti (2000:48), a oposição diversidade/uniformidade mantém a língua num fluxo e refluxo constante: há uma força diversificadora de um lado e uma disciplinadora, de outro. Ambas tentam se manter e abrem concessões mútuas de um modo que o usuário da língua tende a controlar sua criatividade em função de suas necessidades comunicativas, para enquadrar-se na linguagem de sua comunidade. Essa, por sua vez, admite criações individuais e incorpora, mais ou menos rapidamente, criações lingüísticas atualizadas nas falas individuais e que se vão incorporando à fala coletiva que, assim, vai se transformando. No próximo exemplo, é possível perceber o modo inconsistente com que o autor trata usos mais coloquiais:

(04)
Contextualização: comentários sobre o emprego do pronome “lhe” como objeto direto.
“(...) Para a gramática normativa, o pronome ‘lhe’ só deve ser usado com verbos que pedem preposição. (...)”.
Não cabe a um gramático castrar hábitos lingüísticos diferentes dos que prega a norma. Cabe-lhe mostrar no que os vários padrões coloquiais diferem do padrão culto. E cabe-lhe, também, a obrigação de ressaltar que, em certos casos, o conhecimento e o emprego da norma culta são desejáveis e imprescindíveis.” (Cipro Neto, Quero-a, p.124,GN).

Pelo exemplo, observamos que o colunista emprega o qualificativo culto em oposição a coloquial. Assim padrão culto seria aquele utilizado por usuários que, em todos os contextos de interação, sabem se utilizar das regras prescritas pela gramática tradicional e padrão coloquial o praticado pelos usuários que não sabem ou não se utilizam dessas mesmas regras. Portanto, para o autor, o padrão culto está diretamente relacionado à norma prescritiva. O autor desqualifica, evidentemente, a possibilidade da prática coloquial da norma culta.
Essa perspectiva, segundo as idéias de Faraco (2002:39) , está presente no universo dos falantes cultos que julgam os falantes de outras normas, que não a considerada culta, como “maus falantes”, nesse caso, do português do Brasil. Como o colunista vê na norma prescritiva a única possibilidade de realização da língua, os desvios ao que prescreve essa norma são tratados por ele como erros. Conseqüentemente, há a tendência de os leitores julgarem que, se não seguirem as prescrições normativistas não estarão usando “bem” a língua.
Quanto ao fato lingüístico que gerou a avaliação do colunista, é possível dizer que a utilização, cada vez mais freqüente, do pronome lhe com função de objeto direto pode ser analisada numa perspectiva mais funcionalista, como a de Possenti (2001:98), quando afirma o fato de que “são cada vez mais raras as ocorrências das formas-padrão ‘o, a, os, as’ em posição de objeto direto. E é cada vez mais freqüente que ‘lhe’, ‘lhes’ ocorram com essa função, sendo que os objetos indiretos acabam sendo expressos através das formas ‘a ele/a’, ‘para ele/a’.”
Para explicar as causas desse uso, Possenti recorre ao texto de Mattoso Câmara, intitulado “Ele como acusativo no português do Brasil”, publicado em Dispersos. Nesse texto, Mattoso explica o fato por meio de dois argumentos: (1) o pronome ele está voltando a comportar-se como um demonstrativo e (2) os pronomes me e te formam com lhe uma família fonologicamente simétrica, o que não acontece com me, te, o/a. Isso nos leva a considerar que até mesmo os usuários considerados falantes cultos, em alguns momentos, não seguem fielmente o preceptismo presente na “norma culta”.
Neves também trata desse uso em sua Gramática de usos, uma obra que tem como objetivo “propor uma descrição do uso efetivo dos itens da língua, compondo uma gramática referencial do português” de forma prática, mas de orientação teórica segura. A autora, apesar de afirmar o fato de que “construções com o pronome LHE funcionando como complemento de verbos que se constroem com objeto direto não são aceitas como de norma culta”, traz alguns exemplos como: “Nunca LHE vi desse jeito. Que foi, afinal? (DZ)”. (2000:454)
Devido à inconsistência teórica e também ao fato de suas observações carecerem de maior aprofundamento nos termos lingüísticos, o colunista faz a oposição padrões coloquiais x padrão culto e tenta relacionar os padrões coloquiais a desvios da norma prescritiva.
Acreditamos que o conceito de padrão coloquial utilizado pelo colunista coincide com o que Halliday (1974) chama estilo – formal e informal – ligado ao registro. No corpus, o termo padrão coloquial é utilizado para marcar expressões desviantes das que prescreve a norma tradicional . Isso nos faz pensar que, para o autor, o padrão coloquial é sempre “gramaticalmente incorreto”. Como a idéia de padrão culto remete-nos à idéia de falante culto, acreditamos que o colunista não reconhece o fato de que, segundo as idéias de Leite (2001:3), “o domínio de várias normas lingüísticas, inclusive a prescritiva, configura o falante culto” e que, por isso mesmo, o fato de às vezes o usuário não estar, exatamente, alinhado à prescrição não o destitui da condição de “falante culto”.
Como nos adverte Faraco (2002:38), numa sociedade diversificada e estratificada como a nossa sempre haverá a concorrência de inúmeras normas: a norma típica de comunidades rurais, a norma de grupos juvenis urbanos, a norma das periferias urbanas, a norma informal da classe média urbana e tantas outras. O que determinará um uso específico será sempre o contexto situacional, os papéis sociais que os envolvidos na interação representam, bem como suas intenções comunicativas, além, é claro, do gênero em que o enunciado (oral ou escrito) é produzido.
Como se pode perceber, o colunista não considera como norma culta um uso mais elaborado da língua, mais próximo da tradição, se não corresponder, exatamente, à norma prescritiva. Para ele, a realização culta é aquela que representa o domínio completo, total, das regras prescritivas da gramática tradicional.
A sua intransigência e não aceitação de outras normas de uso da língua faz o colunista interpretar a língua de forma intolerante.
Vejamos no exemplo (05) como o colunista analisa os usos da língua sem considerar as variações de linguagem presentes nas classes sociais:

(05)
Contextualização: discussão sobre a concordância verbal com sujeito
posposto
“Na língua do dia-a-dia, é muito comum que o verbo ser apareça na terceira pessoa do singular, em frases como ‘Não foi eu que fiz’, ou simplesmente ‘Não foi nós’. Essa concordância – gramaticalmente errada – talvez se explique pelo uso generalizado da terceira pessoa (‘Cabe dez’; ‘Falta quinze’; ‘Acabou as fichas’; ‘Sobrou vinte’; ‘Chegou os manuais’, o que é comum em todas as classes sociais.
Os mais velhos devem lembrar-se de uma canção da década de 70, ‘Última forma’, de Baden Powel e Paulo César Pinheiro, cuja letra diz: ‘E graças a Deus não vai ser eu quem vai mudar’.
(...) No padrão coloquial, quando o verbo vem na frente, lasca-se a terceira do singular. A correção é muito simples: ‘Não vou ser eu quem vai mudar’. Essa música foi gravada pelo MPB-4 e pela cantora Márcia, que não perceberam o problema e mantiveram a concordância errada”. (Cipro Neto: Não sou eu, p. 10, GN).
Percebe-se, pelo exemplo acima, que há uma tentativa de se definirem comportamentos lingüísticos da sociedade em geral, mas sem referência aos dialetos, como uma variação que ocorre devida a fatores relacionados ao próprio usuário da língua e não ao seu uso. As noções de dialeto e registro estão subjacentes no discurso do colunista, mas, em seus comentários, ele não as legitima, e trata as expressões oriundas do registro (Acabou as ficha, por exemplo) simplesmente como “gramaticalmente erradas”. Essas expressões poderiam, por exemplo, ser consideradas como representantes de dialetos sociais.
O vocábulo “lasca-se”, próprio de gêneros discursivos mais informais, pode ser considerado como manifestação da intolerância do colunista frente a usos diferentes do que prescreve a norma, porque é grosseiro. A idéia de correção gramatical também está presente quando o autor propõe uma outra construção para a letra da música, sem considerar que, talvez, no plano da musicalidade, a forma escolhida pelos letristas tenha sido a melhor. Trata-se de uma canção popular e, como o que o povo espera ouvir nessas canções é a língua de que ele se utiliza cotidianamente, talvez se possa dizer que os autores da letra estejam, justamente, querendo registrar um uso de uma comunidade lingüística específica.
O colunista e a intolerância com os lingüistas
De acordo com François (1979:92), assumir uma atitude descritivista para analisar a língua significa não se esforçar em fixar-lhe um padrão ideal, mas apenas observá-la e mostrá-la como um instrumento dinâmico em incessante transformação. Essa é a atitude dos lingüistas quando discutem as questões da língua. Eles assumem um ponto de vista científico, o que implica não negligenciar as formas orais e nem priorizar a escrita, mas, antes, analisar as manifestações da linguagem humana.
Quando analisam os usos da língua, os lingüistas não estão interessados em julgar, avaliar, mas em descrever os usos apropriados a um ou outro ambiente social, o que justifica o fato de não proporem noções de correção.
Para Preti (1984:79), os lingüistas, como observadores científicos, não consideram haver o problema da correção numa língua, pois acreditam que algumas formas ou estruturas não são melhores que outras. A linguagem popular, para os lingüistas, é “tão correta quanto a culta” e suas análises “limitam-se a constatar ocorrências na língua, relatá-las, submetê-las a estatísticas.” (Op.cit.:79). É justamente esse fato de os lingüistas tratarem a questão da correção com relativo desinteresse que não é tolerado pelo autor das colunas.
O colunista, em vários momentos, por acreditar que qualquer uso desviante da tradição gramatical implica “erro”, desvaloriza o trabalho dos lingüistas, critica-os e julga negativamente a visão que estes têm de língua.
No exemplo que segue, o autor, ao criticar o uso excessivo dos dequeísmos, considerado por ele uma “aberração lingüística”, mostra-se intolerante em relação aos que, supostamente, não compartilham de sua opinião:

(06)
Contextualização: discussão sobre os dequeísmos.
“(...) Quem assistiu à entrevista coletiva concedida pela equipe econômica (...).
Um dos membros da equipe, cujo nome é melhor não citar, abusou do direito de usar a bendita expressão: ‘O governo considera de que’; ‘Não nos parece de que’; ‘Penso de que não será’ etc. (...)
Alguns lingüistas (alguns), idiotas, dirão que a língua falada não merece reparo, que a fala é sempre boa etc. Esses ociosos não conseguem perceber que os homens não estavam na mesa de um boteco, batendo papo. Estavam falando para o país, sobre um assunto técnico [o plano econômico], usando linguagem teoricamente culta.” (Cipro Neto, O pacotaço e o, p.14, GN).
Pelo exemplo acima, observa-se que, inicialmente, o colunista faz uma alusão genérica ao lingüistas e, depois, utiliza-se de uma estratégia discursiva para preservar a face, estratégia essa representada pela repetição do pronome indefinido alguns entre parênteses. A repetição marca a exceção, sinaliza ao leitor que ele se refere a alguém em específico.
Quem conhece os bastidores da discussão metalingüística sabe que o colunista, ao atacar a figura dos lingüistas, está se referindo a um texto de Possenti (2001:15) em que comenta uma passagem do texto teatral A vida de Galileu, de Brecht. Nesse texto, os filósofos são convidados por Galileu a ver as luas de Júpiter com sua luneta, mas antes de correrem para ver a maravilha, os filósofos propuseram que, antes, discutissem filosoficamente sobre a necessidade das luas. Galileu, então, perguntou se eles não acreditavam em seus olhos. Um deles respondeu que acreditava, tanto que relera Aristóteles, e este nunca falara na existência dessas luas. Possenti resgata essa passagem a fim de comparar a atitude dos filósofos à atitude dos gramáticos que se negam em aceitar os usos lingüísticos que se afastam da tradição e diz que estes “pensam que uma língua é uniforme, sem variedades”. (op. cit.:16).
O autor da coluna é intolerante com relação aos lingüistas porque tem uma visão conservadora em relação a fatos da língua e se recusa a aceitar como normais, em enunciados cultos, orais e escritos, certas variações que “saltam aos olhos e aos ouvidos”. Ele prefere manter-se inflexível na sua posição de defensor do “bom uso” da língua, como a dos filósofos de Galileu.
No exemplo (07) é possível verificar como a intransigência do colunista impede que faça uma interpretação clara do discurso dos lingüistas:

(07)
Contextualização: comentários sobre o uso das formas tu e vós.
“Convidado pela Câmara Rio-Grandense do Livro, estive em Porto Alegre, no fim do ano passado, para participar da importante Feira que lá se organiza. O presidente da Câmara, professor Paulo Flavio Ledur, disse-me que no Rio Grande algumas escolas adotam livros de língua portuguesa que simplesmente eliminaram os pronomes ‘tu’ e ‘vós’. O verbo é conjugado sem essas flexões. O motivo? ‘São brontossauros lingüísticos’, afirmam os defensores da tese.
Ostentando a bandeira da libertação das gramatiquices – representadas no caso pela insistência da escola em incluir tu e vós na conjugação verbal - , um grupo de lingüistas defende solução radical: cortar o ‘mal’ pela raiz.
Quem disse que o pronome tu é um brontossauro lingüístico? Logo em Porto Alegre, onde muita gente ainda usa tu, às vezes com todos os esses das formas verbais?(...) O que deve fazer o professor de português equilibrado? Tratar os alunos como papagaios e fazê-los participar mecanicamente da ladainha da conjugação (...) Ou, levando em conta que tu e vós são ‘brontossauros lingüísticos’, eliminar esses pronomes pura e simplesmente?” (Cipro Neto, Cult nº 34, GN).
No exemplo acima a crítica é novamente endereçada a Possenti, autor de um artigo intitulado “Dinossauros”, em que critica o fato de as gramáticas listarem o pronome vós como de uso corrente. Para Possenti, esse pronome, desaparecido do uso, deveria constar em um estudo da história da língua e não em uma descrição gramatical sincrônica ou em um uma gramática normativa,“ao lado de outros de uso notório e evidente.” (Possenti, 2002:49). Numa outra perspectiva, Neves (2000:461), aponta os usos desse pronome e afirma que ele é usado em estilo cerimonioso e arrola todas as possibilidades de uso: o pronome, entre outros usos, aparece no gênero oratório, no gênero literário quando um escritor deseja dirigir-se a seu leitor, na linguagem bíblica ou religiosa oficial, no gênero dramático e em preces ou invocações a Deus, o que comprova seu uso restrito a contextos específicos.
Para fazer sua crítica, o colunista, de forma agressiva, por não compreender a declaração de Possenti, ataca-o e transfere esse ataque ao próprio uso dos pronomes tu e vós, chamando-os de brontossauros. Segundo Borba (2003), brontossauro é um vocábulo utilizado para designar uma espécie de dinossauro muito grande. A utilização do termo como adjetivo serve, então, para designar algo que já é muito antigo e ultrapassado, uma vez que essa espécie de dinossauro habitou o planeta há milhões de anos.
Na realidade, a irritação do colunista prende-se exatamente ao fato de os lingüistas nunca proporem soluções drásticas para a explicação de determinados fenômenos da língua. O que ocorre é que os lingüistas, ao analisarem algumas questões lingüísticas, examinam também as condições de produção do enunciado e assumem uma posição pragmática quanto ao funcionamento da língua. As análises de lingüistas não têm como parâmetro a norma prescritiva. Esse é o ponto de divergência entre o colunista e os lingüistas.
No exemplo (08) o colunista discute um caso de regência verbal e aproveita para criticar os lingüistas que, segundo ele, “aceitam os erros”:

(08)
Contextualização: comentários sobre o uso do verbo extorquir.
“Um verbo que talvez resolvesse o problema [regência do verbo extorquir], sob todos os aspectos, é ‘achacar’. (...) O verbo é dado como transitivo direto (‘achacar alguém/ achacá-lo’). Volto a dizer que a coluna deve indicar o uso culto. Por mais que alguns lingüistas expliquem o motivo do erro, o que também fiz, o erro existe e deve ser combatido.” (Cipro Neto, O verbo extorquir, p.38, GN).
É claro que a noção de erro do colunista não coincide com a dos lingüistas, fato evidenciado no exemplo acima. Como os lingüistas, em seus comentários, não se prendem à tradição gramatical e reconhecem a existência de outras normas, com o que não concorda o colunista, este tende a desqualificar o papel dos lingüistas. Na sua opinião, são os gramáticos (provavelmente ele seja um representante desse grupo) que possuem o “discurso da autoridade” em termos de língua. Eles é que devem explicar e combater os erros. Para o autor só explicar o erro sem tentar combatê-lo invalida qualquer possibilidade de o usuário “aprender a usar bem a língua”.
A noção de erro, segundo Savioli (2000:317), pode ser analisada como um fenômeno lingüístico ou como um fato social. Como fenômeno lingüístico, a noção de erro está condicionada à noção de variabilidade. O fato de existirem várias normas dentro de um único sistema levanta a possibilidade de uma delas “ser mais correta, mais elegante, mais lógica, mais evoluída que outra” (op.cit.). O certo e o errado pressupõem que existam, pelo menos, duas variantes ou dois modos de falar diverso. O erro como fato social faz com que alguns usuários da norma culta, por questões de natureza social, considerem-na superior às outras. Para o autor, a idéia de certo e de errado não é só uma questão extralingüística, mera convenção social. É social, mas é também de natureza lingüística. A variabilidade de normas dentro de um único sistema, e a assimetria entre as classes sociais são as condições para que a noção de erro passe a existir.
Toda noção de erro é prejudicial à língua. “A prescrição de correto ou incorreto aumenta a separação entre classe superior e inferior precisamente quando necessitamos de maior unidade”. (Rosenblat, 1967 apud Cunha, 1976). Se não há comprometimento da comunicação entre os interlocutores, não há erro.
O que fica evidente nos comentários do colunista é que sua coluna tem como tarefa apontar e combater todos os erros de linguagem. Já os lingüistas pautam seus comentários sobre a língua no que ela tem de diverso. Essa diversidade sofre a interferência das variedades que se devem tanto ao usuário (dialetos sociais e regionais) quanto ao uso da língua (níveis de linguagem). Leite (1999:206), quando discute sobre o uso lingüístico, comenta o que diz Jespersen, sobre ser o uso “o mais alto tribunal que decide o que é ou não correto.”
Esse trabalho visou a demonstrar os níveis de intolerância presentes nas colunas metalingüísticas veiculadas pela mídia, por meio de um estudo de caso.
Essas colunas exercem um vigor e fascínio nos leitores de forma espantosa. Embora aparentem ter uma atitude descritivista porque comentam fenômenos lingüísticos coletados no dia-a-dia, veiculados pela imprensa ou presentes nas letras de músicas de cantores populares e de poetas da nossa literatura, são essencialmente prescritivistas. Os comentários são analisados exclusivamente do ponto de vista da gramática tradicional com a intenção de incutir nos leitores a sensação de que são “maus falantes” da língua.

Considerações finais

Como demonstramos, não há por parte dos autores dessas colunas uma atitude de pesquisa lingüística mais criteriosa, mais científica e estes só consideram dignos do rótulo “bom uso” os fenômenos lingüísticos que estão em consonância com os preceitos da norma tradicional. Assim, muitos dos comentários sobre fenômenos de variação e/ou mudança lingüística, perfeitamente explicáveis cientificamente, são tratados como erros. Há subjacente um discurso ideológico que tem a pretensão de fazer com que o leitor sinta-se portador de um grande déficit lingüístico.

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