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  TEMÁTICA DA REPRESENTAÇÃO PATERNA NA NARRATIVA DE HELENA PARENTE CUNHA

Diogo Fagundes Figueiredo e Silva - PUC-Campinas.
Iniciação Científica. FAPESP

O estudo de contos da poetisa, contista, ensaísta e romancista brasileira da chamada geração de 1960, Helena Parente Cunha - selecionados entre as quatro coletâneas publicadas nas duas últimas décadas do século passado: Os provisórios (1980), Cem mentiras de verdade (1985), A casa e as casas (1996), Vento ventania vendaval: contos (1998) - a partir da temática da representação da mulher, sua posição, expectativas e comportamento, em oposição a figura paterna.

Introdução

A razão pela qual abordamos a narrativa de Helena Parente Cunha a partir da temática da representação paterna se dá, acima de tudo, por sua preferência pelo questionamento das relações de gênero e o rompimento de códigos de honra na sociedade patriarcal. Tal preferência - juntamente com a linguagem concisa e os procedimentos utilizados em seu discurso narrativo - fez com que a narrativa da poetisa, ensaísta e romancista da chamada geração de 1960, fosse perpassada pelo signo da transgressão.

Nascida em 1929 em Salvador, onde se formou em Letras neo-latinas, a autora, transferindo-se para o Rio de Janeiro, cursou mestrado e doutorado, chegando à livre-docência na área de Literatura na UFRJ. O marco de sua vida literária é o romance Mulher no espelho - premiado em 1983 no Concurso Nacional do Romance do Governo de Santa Catarina - que representa o exemplo mais forte de sua preferência pelo questionamento das relações hierarquizantes de gênero no contexto social e familiar, mesmo já preponderantes nos seus primeiros contos.

O projeto

O projeto consiste na análise de 17 contos da autora, selecionados entre as quatro coletâneas publicadas nas duas últimas décadas do século passado: Os provisórios (1980), Cem mentiras de verdade (1985), A casa e as casas (1996) e Vento ventania vendaval: contos (1998).

A partir da mesma temática - a representação da mulher, sua posição, expectativas e comportamento, em oposição a figura paterna - procuramos quantificar e apontar os fatores que mais influenciam na formação da figura paterna como elemento de dominação, anulação e exclusão social da mulher.

Por fim, de acordo com a quantificação dos fatores - o enredo, a personagem, a focalização, o espaço, o tempo, o discurso reportado e a concisão narrativa - concluímos que a maioria das personagens presentes nas narrativas consiste em arquétipos sociais de mulheres, inseridas em uma sociedade patriarcal machista, e que a perspectiva das ações resultantes entre essas mulheres e a figura paterna opressora é transmitida ao leitor, por meio da focalização centrada, principalmente, nessas personagens oprimidas. Entretanto a transcrição do discurso reportado, em que se observa a predominância de uma das formas, o discurso direto livre, e a extrema concisão das narrativas são os dois fatores que mais reforçam a intenção da autora, de traduzir a realidade de mulheres oprimidas pela figura paterna.

Metodologia

O projeto foi dividido em duas etapas. A primeira, iniciada em agosto de 2004 e finalizada em janeiro de 2005, foi dividida em duas fases. A primeira fase compreendeu a leitura crítica e o fichamento de bibliografia específica sobre o discurso narrativo. Já na segunda fase, foi realizada a leitura crítica e o fichamento de bibliografia introdutória sobre aspectos do pós-modernismo na literatura e também sobre aspectos da crítica feminista na literatura. Ao término da primeira etapa, foi enviado à FAPESP um relatório parcial resumindo as atividades concluídas.

A segunda, com início em fevereiro de 2005 e término em julho de 2005, consistiu na análise dos dezessete contos da autora a partir da mesma temática: a representação da mulher, sua posição, expectativas e comportamento, em oposição a figura paterna.

 
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