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  CONSELHO DE ESCOLA: COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO DOCENTE!

Luciano Marcos da Silva - Professor na Secretaria Municipal de Educação de Campinas e Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)

“(...)Se a Educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda.Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, não temos outro caminho, senão viver plenamente a nossa opção.
Encarná-la, diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos”
Paulo Freire

Primeiramente é necessário partir do principio de que “os alunos provem de diferentes contextos e incorporam diferentes experiências, práticas lingüísticas, culturas e talentos”.(GIROUX. 1988, p.19).
Temos que trabalhar atendendo todas necessidades, para que isto aconteça é necessário que nas nossas reuniões e outros espaços de formação, haja a intenção de formar educadores como intelectuais que visam a construção de uma nova sociedade.
As reuniões do Conselho de Escola não podem se ater a passar receitas, aprovar balancetes, trata-se de um espaço de formação que visa a participação dinâmica, uma participação que preconiza, que transforma a realidade, invertendo essa lógica autoritária, fortalecendo o coletivo, democratizando as informações, viabilizando a cada segmento a construção de suas vozes. Isto se materializa com o exercício de poderes compartilhados, respeitando as diferenças, os diferentes saberes, a pluralidade das idéias dos diferentes sujeitos sociais, protagonistas da gestão participativa.
O discurso político tem que tomar conta da escola, os profissionais não podem dissociar o pedagógico do político e vice e versa.
Os profissionais, “(...) deve ser sujeito politicamente comprometido não apenas com a educação, mas com toda a sociedade da educação(...)Existem portanto, pesos e atos políticos em nosso trabalho político.(BRANDÃO, 1982, p.78.)
Contudo não podemos correr o risco de cairmos nos modismos da vida, pois por melhor que sejam se não forem previamente analisados e avaliados corre-se o risco de destruir o já existente.
“A teoria educacional deve também ser compreendida como tendo um profundo compromisso em desenvolver a escola como espaço que prepare os estudantes para participar e lutar por esferas públicas democráticas. Isto significa que as teorias e as praticas educacionais devem ser avaliadas de acordo com seu potencial de fornecer condições para que os professores e alunos compreendam a escola como esfera pública dedicada a formas de fortalecimento pessoal e social. Isto também significa definir o trabalho docente como comprometido com o imperativo de desenvolver conhecimento e habilidades que dêem aos estudantes as ferramentas e não simplesmente gerentes ou empregados qualificados. Igualmente, isto significa lutar contra as praticas materiais e ideológicas que reproduzem os privilégios de poucos e a subordinação social e econômica de muitos.” (GIROUX, 1988,p.25)
Todavia, sabemos que é muito difícil trabalhar nessa realidade, pois os Conselhos de Escola nunca foram vistos como espaços para produção e socialização de conhecimento, as eleições dos mesmos, nunca foram encaradas como um ato pedagógico.
Contudo, propomos uma discussão mais pautada nas divergências sociais, pois acreditamos que a partir do momento em que a sociedade não mais discriminar as pessoas devido a sua religião, cor, raça ou identidade sexual, caberá dentro dela todas diferenças e o debate estará posto dentro do Conselho de Escola e conseqüentemente na escola.
Sendo assim, temos que trabalhar para formar um “educador também político e inovador, integrado conscientemente e ativamente no social onde sua escola esta inserida.” (VIANNA, 1986,p.48)
A necessidade de ser superior a seu colega de trabalho, permeia a cabeça de muitos. Uma alienação com relação ao mundo adequando-se a um sistema neoliberal onde o individualismo é o fator principal que vem tomando conta da sociedade e é contra isso que temos que lutar.
“O neoliberalismo privatiza tudo, inclusive também o êxito e o fracasso social”.(GENTILI,1996,p.22)
A necessidade de haver concorrência na sociedade imposta pelo projeto neoliberal, faz com que os indivíduos se distanciem cada vez mais de uma sociedade justa e igualitária, promovendo as diferenças entre os indivíduos “O conceito de equidade articula-se assim com um conceito de justiça que reconhece a necessidade de respeitar, e inclusive promover, as diferenças naturais existentes entre as pessoas(HONDERICH,1993). Justo é o sistema social onde tais diferenças são respeitados contra toda pretensão arbitraria(política) por garantir uma suposta igualdade, equidade e igualdade contrapõem-se, sendo a primeira uma noção que promove as diferenças produtivas entre os indivíduos, enquanto que a segunda tende a reproduzir um critério homogeneizador de caráter artificial, a serviço de aparentes interesses coletivos que negam as diferenças mencionadas e, conseqüentemente a própria individualidade das pessoas”. (GENTILI, 1996.p43)não correspondendo às propostas de garantir a hegemonia da classe dominadora.
A necessidade de trabalhar nas pessoas o construir em conjunto, é necessário, não podemos nos ater às propostas de gestão centralizadoras, individualistas, pois senão corremos o risco de não mais viver para transformar a sociedade mais sim aperfeiçoar esse modelo destruidor de relações humanas.
Para isso acontecer é necessário sermos intelectuais transformadores, comprometidos político socialmente, radicais nas nossas posições ideológicas, acreditando que conhecimento e poder estão ligados, não conseguindo ver a educação fora da esfera política onde o conhecimento adquirido tem por obrigação libertar os alunos, fazendo com que estes sejam cidadãos democráticos que lutem para combater as injustiças sociais, construindo um projeto social para vencê-la. Enfim, “não é possível transitar da” consciência ingênua”para um processo de “conscientização”e para o exercício da “consciência crítica”a não ser pela experiência da participação crítica e da “verdadeira participação”.”(LIMA,2002, p.32)

BIBLIOGRAFIA

BRANDÃO,Carlos Rodrigues.Refletir, discutir, propor. As dimensões da militância intelectual que há no educador. In: O Educador: Vida e Morte, Rio de Janeiro, Graal,1982.

GIROUX, Henry. Escola Crítica e Política Cultural. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1988.

LIMA, Licínio C. Organização escolar e democracia radical: Paulo Freire e a governação democrática da escola pública.São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2002.-(Guia da Escola Cidadã-v. 04)

SILVA, Tomaz Tadeu e GENTILI, Pablo (orgs). Escola S.A-Quem ganha e quem deve no mercado educacional do neoliberalismo. Brasília DF: CNTE, 1996.

VIANNA, Ilca Oliveira de Almeida. Planejamento Participativo na Escola:Um desafio ao educador. São Paulo. EPV, 1986

 
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