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  REFLEXÕES SOBRE A LEITURA EM UMA SALA DE ALFABETIZAÇÃO

Fátima Aparecida Soares – UNESP/Rio Claro IB Depto. Educação
Natália Kneipp Ribeiro Gonçalves – UNESP/Rio Claro IB Depto. Educação

Lemos para saber, para compreender, para refletir. Lemos também pela beleza da linguagem, para nossa emoção, para nossa perturbação. Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a sonhar. (...) Ler é pastar, é digerir, ler é também respirar. (...) O texto transforma-se em ser vivo. Ele respira, transpira, aceita ser lido ou se recusa.

José Morais

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo analisar atos de leitura desenvolvidos na prática de uma professora alfabetizadora da rede pública de Rio Claro, a fim de problematizar e refletir sobre esses atos, em seus múltiplos significados. Por meio da discussão das atividades de leitura dessa professora, torna-se possível perceber quais concepções estão presentes no ato de ler; bem como o papel do leitor, do texto e do contexto na construção de sentidos. Assim, a leitura, componente essencial no processo de alfabetização, pode apresentar um caráter de exclusão, se perpetuar práticas de decodificação e aceitação de sentidos pré-determinados; ou um caráter de inclusão, se permitir a inserção de novos olhares, como uma prática de leiturização.

Palavras-chave: Leitura. Alfabetização. Leiturização.

A leitura constitui-se freqüentemente em uma das principais preocupações do ensino, sobretudo, no que diz respeito ao processo de alfabetização. Com isso, a discussão dessa temática vem ocupando espaços cada vez mais amplos, evidenciando um desencontro entre as práticas de leitura comumente desenvolvidas nas salas de alfabetização e aquelas que, embora ocorram no interior da mesma instituição, se realizem de forma diferente, seguindo outros princípios e outras concepções em relação ao ato de ler e escrever.

Essas práticas de leitura desenvolvidas na escola, que buscam alçar vôos, merecem nossa atenção nesse estudo. Intencionamos diferenciar a leitura que privilegia o caráter de decodificação, com o foco na aprendizagem das letras e sons, daquela leitura que questiona, explora, antecipa, estabelece significados e que, segundo Focambert (1994, p. 108), pode ser denominada leiturização.

Assim, a partir da análise dos atos de leitura, observados na prática de uma professora alfabetizadora da rede pública de ensino, temos como objetivo discutir e problematizar esses atos, em seus múltiplos significados, na intenção de compreender qual é a idéia de leitura que está presente em suas atividades voltadas à alfabetização.

Metodologia

O estudo foi realizado em uma sala de alfabetização da rede pública, localizada em Rio Claro, no estado de São Paulo.

A classe observada foi indicada pela direção da escola. O período de observação ocorreu durante cinco dias consecutivos (de segunda à sexta-feira), com o acompanhamento das atividades do início ao final do turno, totalizando 25 horas. Optou-se pela observação sistemática, seguida pelas anotações de todo trabalho realizado, postura do professor e participação dos alunos nas tarefas.

Dentre todas as atividades desenvolvidas, selecionamos para nossa discussão aquelas voltadas ao ensino da língua materna e que se aproximavam do que estamos compreendendo como práticas de leiturização. Essas atividades não ocorreram ininterruptamente, pois a professora dividiu o tempo diário não apenas para as atividades destinadas ao ensino da língua, como também para as atividades de matemática, artes e educação física. Assim, dentre as atividades voltadas ao ensino da língua materna, reunimos as atividades de leitura, que foram sendo desenvolvidas ao longo do período observado, e as dividimos em três momentos, para que fossem analisadas frente ao objetivo desse trabalho.

Resultados e Discussão

As atividades que serão apresentadas a seguir foram desenvolvidas pela professora com base no livro “O palhaço espalhafato”, de Ana Maria Machado.

Primeiro momento:

A professora iniciou a atividade instigando seus alunos com questionamentos referentes a um espantalho.

Professora: Quem já viu um espantalho?

Alunos: Eu!

Professora: Como a gente faz um espantalho?

(Todos os alunos falaram juntos)

Professora: Um de cada vez!

Aluno1: Uma cruz atrás, com bexiga...

Professora: Não é muito resistente não é?

Alunos: De palha.

Professora: Vamos ver...(colou a figura do espantalho na lousa)

Alunos: Olha! Que legal!

Professora: (escreveu na lousa ESPANTALHO): Do que é feito mesmo o espantalho?

Aluno2: De palha, tecido e acabou.

Professora: Acabou não, todos podem participar...Onde o espantalho está?

Aluno3: Na plantação.

Aluno4: No milharal.

Professora: Do que ele é feito?

Aluno2: De palha.

(Professora escreveu na figura PALHA)

Professora: O que mais?

Aluno1: Tecido.

(Professora escreveu na figura TECIDO)

Professora: O que mais?

Aluno5: Madeira, atrás.

(Professora escreveu na figura MADEIRA)

Professora: Se eu não tiver palha, tecido, o que mais posso usar? Encher do quê?

Aluno6: Papel.

Professora: Como?

Aluno6: Amassando.

Professora: E o chapéu?

Alunos: De palha.

Aluno6: Do que é feita a cara dele?

Professora: Tem vários espantalhos por aí.

Professora: Do que mesmo a gente pode fazer o espantalho?

Aluno1: Bexiga.

Aluno6: Mas pode estourar.

Professora: E os olhos dele?

Aluno6: Cenoura (risos).

Professora: Botão...(escreveu na figura BOTÕES)

Professora: Alguém falou para mim que os olhos podem ser feitos de tampinhas. (escreveu na figura TAMPINHAS) Do que mais?

(Alunos falavam todos juntos)

Professora: Um de cada vez, a boca pode ser feita do quê?

Aluno7: Banana...

Aluno8: Salsicha...

(Risos)

Professora: Mas a comida não vai atrair os pássaros? O que mais?

Aluno6: Pintar a boca com sorvete derretido...

Aluno9: Pega o barbante, pinta de vermelho e cola.

(Professora escreveu na figura TINTA)

Professora: No nosso projeto estão todos os materiais para fazer o espantalho e no final vocês trarão o espantalho pronto para mim.

(Agitação da classe)

Professora: Vamos ter muito tempo para falar sobre como fazer o espantalho, não é hoje, nem amanhã.

Aluno6: E se não tiver palha?

Professora: Pode ser feito de outros materiais lembra? Papel amassado...

Aluno5: Madeira é fácil conseguir.

Professora: Depois falaremos sobre isso. Agora vamos fazer a primeira atividade sobre o espantalho.

Essa atividade revela um enfoque direcionado à oralidade, motivando a espontaneidade dos alunos, a discussão, a criatividade e o raciocínio, pois a professora os questionava e os desestabilizava o tempo todo. Assim, questionando e explorando a oralidade de seus alunos, a professora ultrapassa os objetivos de uma leitura limitada à localização e cópia de informações do texto, aproximando-se de uma prática de leiturização.

Segundo momento:

A professora preparou as figuras ampliadas do livro O palhaço espalhafato em sua mesa, escreveu “Lendo a história” na lousa e iniciou a colagem da primeira figura abaixo desse título. Nesta atividade, tinha a intenção de colar as figuras uma a uma, conforme os alunos fossem contando suas próprias histórias, imaginadas através das figuras.

Professora: O que vocês vêem?

Alunos: Espantalho.

Professora: O que mais?

Aluno1: O espantalho no milharal.

Professora: Contem a história...

Alunos: Era uma vez um espantalho no milharal.

(A segunda figura é colada)

Professora: E agora?

Aluno2: Têm urubus.

Aluno3: O espantalho era tão feio que espantava até urubu.

Professora: O que mais?

Aluno3: Um dia apareceram pássaros e o espantalho espantou.

(A terceira figura é colada)

Professora: E então?

Aluno4: O passarinho olhou para o espantalho.

Aluno2: Não, o urubu olhou.

Professora: Você sabe que cor é o urubu?

Aluno2: Preto.

Professora: (Apontando para o pássaro colorido da história) Então esse não é um urubu, né?

(A quarta figura é colada)

Aluno1: O passarinho fez um ninho no espantalho.

Professora: Vamos retomar a história, desde o começo?

Alunos: Era uma vez um espantalho, ele espantava os passarinhos...

Professora: Mas como ele espantava se esse passarinho fez ninho na cabeça dele?

Aluno5: Ele não tinha medo.

(A quinta figura é colada)

Aluno1: Ele está dando tchau para o passarinho.

Aluno2: Eu acho que o passarinho foi buscar comida, isso sim.

Professora: Vamos fazer a leitura da próxima.(cola a sexta figura na lousa)

Aluno6: É um caminhão de circo. E este homem parou por quê?

Aluno5: Porque furou o pneu, olha.

Professora: Agora vamos retomar (os alunos repetem a história).

Aluno2: Mas como o espantalho deu tchau se ele não é vivo?

Professora: E aí?

Aluno5: Não, ele está de braços abertos, parece que está dando tchau.

Aluno7: É faz de conta, de mentirinha.

(A sétima figura é colada)

Aluno5: O homem do circo estava olhando o espantalho.

Aluno1: E o passarinho também.

Aluno6: O passarinho está falando para o espantalho que o homem do circo está olhando para ele.

(A oitava figura é colada)

Aluno4: O espantalho virou palhaço!

Aluno2: Não estou entendendo nada, como o espantalho virou homem?

(A professora cola a nona figura)

Aluno3: Ele virou palhaço e foi para o circo.

Aluno8: O palhaço ficou muito feio.

Aluno9: Antes ele não era palhaço, ele pensava que ia ser palhaço.

Aluno10: O cara do circo trocou a roupa dele.

Aluno1: O homem do circo chamou o mágico para o espantalho virar palhaço e se mexer.

Aluno2: Mas não é possível?!

Aluno7: Na história! Na vida real não, né!

(A décima figura é colada)

Aluno2: Essa história é louca mesmo, ele vira palhaço, troca de roupa e agora volta a ser palhaço. Não estou entendendo nada!

Professora: Calma, agora a última (cola a décima primeira figura).

Aluno5: É uma pegadinha! A professora fez para gente. Tem alguma que não está no lugar certo.

Professora: Qual vocês acham?

Aluno5: Esta daqui (aponta para a décima figura) tem que ficar aqui (aponta para ser colocada depois da terceira figura e antes da quarta).

(Vários alunos vão à frente da classe e pedem para trocar de posição, a professora pede para sentarem)

Professora: Calma, vocês leram a história, deram sua opinião (a professora completa o título inicial “Lendo a história através das imagens”). Agora quero um aluno na frente para ler a história que vocês falaram, olhando nas imagens.

Aluno7: Mas eu não lembro tudo.

Professora: Conta com as suas palavras. Quem quer? (escolhe os alunos 1 e 5, eles recontam desde o início). Agora, escutem a história com as palavras do texto.

A leitura teve algumas interrupções por parte dos alunos, para que fizessem seus comentários e inferências sobre o que iria acontecer. Em um certo momento da atividade, os alunos acreditaram que havia uma ordem diferente na disposição das figuras, pedindo à professora que fizesse essa inversão. Entretanto, mesmo sem a professora ter efetivado a troca de ordem das figuras na lousa, como desejavam os alunos, mudando a décima figura para o quarto lugar, eles leram a história como se essa troca tivesse sido feita; leram segundo essa nova ordem, criada por eles. Assim, os alunos leram as imagens de acordo com suas apropriações, conferindo seus próprios sentidos à história.

Isso mostra que as relações existentes nas práticas de leitura e escrita implicam em compreender suas associações frente às intenções dos sujeitos que as produzem, daqueles que as difundem e daqueles a quem elas estão sendo destinadas, além do espaço cultural onde são encarnadas e apropriadas essas mesmas práticas. Chartier (1990) nos auxilia a pensar nessas questões quando afirma que o leitor encontra-se inscrito no texto e que são indicados a ele os caminhos para uma compreensão, seja pela escrita, seja pelo seu suporte. Entretanto, a leitura produz sentidos e significações singulares, é atividade criadora, suas interpretações e sentidos originam-se das apropriações pelos sujeitos em um determinado espaço e tempo.

Depois disso, a professora leu a história do livro e escolheu um aluno para recontar, seguindo e apontando as figuras coladas na lousa.

Professora: O que acharam da história que os dois primeiros contaram e a que ele contou sozinho?

Alunos: Legais.

Professora: Vocês perceberam diferenças?

Alunos: Não.

Professora: Quem percebeu diferenças?

Aluno5: Eles não usaram as mesmas palavras.

Professora: O que mais?

Aluno1: Eles contaram cada um do seu jeito.

Aluno3: Foi diferente, o segundo contou com mais detalhes.

Professora: Quando eu comecei a contar a história vocês imaginaram que o espantalho ia virar palhaço?

Aluno2: Eu sim, eu até sonhei com isso.

Professora: Legal! Até sonhou?

É possível observar que a leitura feita pelas crianças conferiu ao texto um sentido diferente daquele realizado pela leitura do livro pela professora. Isso indica que o significado não está somente no texto, mas também no contexto e nos leitores e são eles que imprimem os sentidos ao suporte, já que o texto possui pluri-significação (CARDOSO, 2000).

Assim, a leitura envolve uma compreensão crítica do ato de ler, não se resumindo à decodificação da linguagem escrita. Quando a professora explora as diferentes leituras das imagens com seus alunos realiza uma leitura de mundo, anterior àquela do texto. Diante disso, o processo de alfabetização que considera o aluno como o sujeito desse processo constitui-se em um ato de conhecimento e um ato criador, executados por aquele que aprende, que age. Alfabetizador e alfabetizando ao interagirem com o texto, são capazes de criar uma relação de leitura que não está predeterminada. O significado dessa leitura será construído no ato da própria leitura (FREIRE, 1997).

Terceiro momento:

Como finalização, a professora distribuiu o texto na íntegra aos alunos para que fosse realizada uma leitura individual. A seguir, propôs que eles recontassem a história por meio de uma peça de teatro a ser apresentada aos demais alunos da escola. Durante a preparação e montagem da peça a professora atuou como diretora e narradora, além de auxiliar os alunos que apresentavam dificuldades na leitura.

O palhaço espalhafato

Autores: Ana Maria Machado e Claudius

Espantalho vivia cheio de palha, no meio da roça de milho.

Passava moço com enxada, passava moça com feixe de lenha, passava menino que ia dar milho para as galinhas.

_Bom dia! – falava o espantalho.

Ninguém respondia, ninguém falava com ele, ninguém sorria.

E o espantalho vivia sozinho, sem amigos, quieto e sossegado no seu canto.

Era um bom espantalho.

Assustava todos os pássaros.

E tinha muito passarinho por ali. Tinha sanhaço e tico-tico, tinha rolinha e sabiá, tinha pardal e bem-te-vi.

Mas nenhum chegava perto do espantalho.

Um dia, um passarinho chegou. Chegou e falou:

_Espantalho, quero fazer um ninho. Você me ajuda?

_Ajudo sim. Pode pegar a palha do meu recheio e fazer ninho no meu chapéu.

Passarinho fez. Depois, falou no ouvido do espantalho:

_Que bom! Você me ajudou, agora eu ajudo você.

Meu nome é matitaperê.

Mas tem gente que me chama de saci-pererê e diz que sou mágico. Faça um pedido.

_Um pedido?

_É... Escolha o que você quer.

O espantalho nem pensou, porque já tinha escolhido.

E disse:

_Quero uma porção de amigos.

Todos rindo, cantando e se divertindo comigo.

_Vou dar um jeito – disse matitaperê.

E parece que deu mesmo.

No dia seguinte parou ali perto um caminhão de circo, para consertar uma roda.

Dele saiu um moço, que olhou o espantalho e falou:

_Que boneco colorido! Que pena que ele não pe de verdade...

Podia vir a ser um palhaço de circo.

Aí o matitaperê falou de novo no ouvido do espantalho:

_É a sua chance.

Vamos!

Coragem!

O espantalho se soltou, deixou no chão com cuidado o chapéu onde estava o ninho de matitaperê e lá se foi, pulando e fazendo barulho para junto do caminhão:

_Bom dia, garotada! Venham ver o Palhaço Espalhafato!

O que tem palha de fato, que pula feito macaco e fala que nem um pato!

E foi dizendo bobagem...

E de cambalhota em cambalhota e de palhaçada em palhaçada, foi ficando com cara de palhaço, roupa de palhaço e jeito de palhaço.

Agora no milharal, só ficou matitaperê chocando sua ninhada de filhotes, no mais elegante ninho da vizinhança, feito de palha, na aba de um chapéu.

E o velho espantalho está no circo, no meio de muitos meninos e meninas, amigos que dão gargalhadas com ele e batem palmas berrando:

_Viva o Palhaço Espalhafato!

O processo de aquisição da leitura e escrita por meio da construção de hipóteses, tentativas e comparações pode ser desenvolvido quando se possibilita ao aluno arriscar-se, quando há interação nos mais diversos contextos, quando são propostos desafios cognitivos pelo professor e, no caso da atividade descrita acima, quando é explicitado o uso social da leitura. Quanto a esse aspecto, Ferreiro (1993) aponta a leitura compreensiva de diferentes portadores de textos e a compreensão das funções sociais da escrita como aspectos importantes para uma alfabetização efetiva. Ao sugerir o ensaio e a apresentação da peça à comunidade escolar, a professora possibilitou que a leitura ultrapassasse os limites da sala de aula, revestindo-a de uma linguagem corporal e ampliando o próprio ato de ler. Dessa forma, a leitura e a escrita podem ser vistas como objetos sobre os quais é possível se atuar, modificando-os para compreendê-los.

Considerações finais

Retomando o objetivo de compreender os atos de leitura voltados à alfabetização, por meio das atividades realizadas por uma professora alfabetizadora, percebemos que o papel do aluno, o trabalho docente e a visão do processo ensino-aprendizagem assumem formas diferentes de acordo com o desenvolvimento das atividades de leitura propostas. Esse aspecto é que possibilita a distinção entre o que denominamos leitura decodificadora e leiturização.

Enquanto a primeira leitura enfoca apenas a aprendizagem das letras e sons; a leiturização, além de incluir esses aspectos, permite a descoberta de vários sentidos e significações do texto, bem como o desenvolvimento da criatividade e do raciocínio, pela discussão e negociação constantes.

Nesse estudo foi possível identificar esse processo de leiturização, tanto nos materiais, quanto na forma de condução das atividades e na possibilidade de ampliação do ato de ler. Assim, com base nas atividades realizadas pela professora, podemos perceber três etapas para esse ato.

A primeira refere-se à leitura por imagem, que permitiu aos alunos diferentes apropriações e sentidos do texto, sem que tivessem contato com a linguagem escrita.

A segunda ocorreu quando os alunos tiveram acesso ao texto do autor para uma leitura individual, que, também, pode propiciar a concretização de diferentes sentidos.

A terceira etapa realizou-se através da leitura do texto transformada em expressão corporal, durante o ato de fazer a peça teatral. Essa leitura não se encontra predeterminada. Seu significado será construído no ato da própria leitura, seja por aquele que está atuando e transformando a palavra escrita em falas e gestos; seja pelo leitor que vai se formando no contato com a linguagem expressa pela peça, como expectador que também atua sobre o objeto apresentado e realiza suas próprias leituras.

Referências

CARDOSO, C. J. Da oralidade à escrita: a produção do texto narrativo no contexto escolar. Cuiabá: UFMT/INEP.MEC, 2000.

CHARTIER, R. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990.

FERREIRO, E. Com todas as letras. São Paulo: Cortez, 1993.

FOCAMBERT, J. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1997.

MORAIS, J. A arte de ler. São Paulo, Ed. Unesp, 1996.

 
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