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  LER SEM SABER LER

Cristhiane de Souza - EMEF “Visconde de Taunay” – São Paulo

RESUMO DA ATIVIDADE

Leitura e Escrita da Música – São João
A proposta apresentada aos alunos do 1º ano, no mês de junho, no ano de 2004 foi a escrita da música São João. Propomos que escrevessem a música em duplas, utilizando letras móveis ou palavras fragmentadas do texto, considerando o seguinte critério: o nível de desenvolvimento, ou seja, o conhecimento prévio de leitura e escrita individual, dependendo da hipótese de escrita que se encontravam no momento.
Escolhida a música a ser trabalhada, planejamos como seria encaminhada a atividade, juntamente com a nossa professora formadora, Sílvia Moretti Ferrari, do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (PROFA).
A atividade foi filmada, fotografada e possuímos a fita editada em DOT.

JUSTIFICATIVA E DIAGNÓSTICO INICIAL

Para que a aprendizagem tenha sentido para a criança e o ensino da linguagem seja significativo, é necessário trabalharmos com textos que tenham sentido e sejam significativos para a criança.
Pensando numa atividade que favorecesse a apreciação da cultura popular, no momento, a festa junina, já que encontrávamos envolvidas com a festa de nossa escola, que aconteceria na próxima semana, propomos aos alunos, a escolha de uma música, relativa ao tema proposto, que todos soubessem a letra de cor.
Propomos, então, a escrita da música escolhida, com o intuito de estabelecer um vínculo prazeroso com a leitura e a escrita, e principalmente, possibilitar avanços nas hipóteses dos alunos a respeito da língua escrita, que se daria, enquanto as crianças refletissem, e fossem concomitantemente, fazendo os ajustes oral e escrito necessários às palavras ou letras na leitura e escrita da música.
Nesta fase inicial da alfabetização é de fundamental importância, trabalhar textos que as crianças já saibam de memória, despertando assim, a reflexão e o interesse sobre a linguagem oral e escrita.

OBJETIVO GERAL

• Utilizar a leitura e a escrita como fonte de prazer, de informação e de aprendizagem, e como meio de aperfeiçoamento e enriquecimento lingüístico e pessoal.
• Refletir sobre o uso da língua, estabelecendo relações entre os aspectos formais e os contextos e intenções comunicativas.

OBJETIVO ESPECÍFICO

• Utilizar a língua oral e escrita como instrumento de aprendizagem, fazendo os ajustes necessários à escrita ordenada da música proposta.
• Descobrir a relação fonema/grafia; descobrir novas letras desconhecidas.
• Descobrir que uma palavra contém mais letras do que se imaginam numa hipótese silábica.
• Permitir que a criança se aproprie de modelos de escrita.

METODOLOGIA E ESTRATÉGIAS

Após organizarmos os alunos em duplas, cantamos a música São João, e em seguida foi explicada, como a atividade seria desenvolvida. Utilizamos letras móveis na escrita da música, para as crianças em hipóteses de escrita mais avançadas, e palavras móveis, para as crianças em hipóteses silábicas e silábicas-alfabéticas.
Cada dupla recebeu seu envelope, contendo a música fragmentada em palavras ou letras, dependendo de seu nível de conhecimento que se encontravam no momento. Algumas crianças receberam a música inteira, enquanto outras receberam somente a primeira estrofe.
É importante destacar que as crianças já dominavam este tipo de atividade, sabendo de sua importância na construção e na finalização da atividade, portanto, cada criança já sabia a sua vez de participar e colaborar com seu colega.
A intervenção do professor se deu através de questões, durante o desenvolvimento da atividade, a fim de potencializar a reflexão dos alunos. Aqui, algumas questões primordiais entre outras, que foram surgindo na interação professor-aluno, para o avanço das crianças nas hipóteses que elas se encontravam, e principalmente para auxiliar os ajustes necessários entre o oral e o escrito.

Com que letra começa a palavra balão?
Com que letra termina?
O que está escrito aqui?
Leiam os trechos da música que vocês organizaram.


ORGANIZAÇÃO DA ROTINA

Encaminhamento da Atividade

Proposta 1

- Silábicos com silábicos mais avançados ou silábicos-alfabéticos;
Distribuiu-se para cada dupla um envelope contendo a música fragmentada em palavras.

Proposta 2

- Silábicos-alfabéticos com silábicos-alfabéticos mais avançados ou alfabéticos;
- Alfabéticos com alfabéticos.
Distribuiu-se para cada dupla um envelope contendo a música fragmentada em letras.

Considerando o nível de conhecimento de nossos alunos e definindo as duplas de trabalho a partir do que eles sabiam a respeito da escrita, propusemos então, atividades diferenciadas, com diferentes níveis de desafios, para que todos fossem capazes de desenvolvê-las.

RESULTADOS ALCANÇADOS

Refletindo a respeito dos resultados positivos alcançados, devido à motivação e ao interesse mútuo pela atividade, percebemos a importância do planejamento em qualquer atividade, mesmo, que aparentemente seja tão simples. Quando uma atividade é pensada, escolhida e discutida em grupo, fica muito mais fácil aplica-la, desenvolve-la e avalia-la.
A escrita de textos memorizados tem um grau menor de complexidade.As crianças não precisam pensar o que escrever, mas sim, como escrever. Ao concentrar a atenção da criança nestes aspectos, trabalhamos especificamente com a aprendizagem e as dificuldades da língua escrita.
Neste sentido, buscamos de uma forma ou de outra, o avanço dos alunos, em sua hipótese de escrita, na análise fonética, na correspondência entre o som segmentado e a grafia, e nas dúvidas ortográficas. É importante salientar, que todas as crianças concluíram com êxito, a proposta da tarefa.
Conseguimos alcançar os objetivos propostos da atividade, em diferentes graus, dependendo do nível de conhecimento do agrupamento das duplas.
Ao optarmos por músicas, entre outras atividades também fundamentais, o avanço na apropriação do código escrito, pela criança, é mais rápido, e especialmente mais atraente, mais significativo, pois estamos apresentando a função social da língua.
Queremos salientar, que apesar da quantidade de alunos por turma (37 alunos), esta é uma atividade possível de ser aplicada. Desde que, saibamos já no planejamento, quais duplas serão priorizadas com a intervenção direta do professor, para que haja um avanço mais significativo e quais serão atendidas em outro momento, ou outra atividade oportuna.

PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

Avaliando o trabalho proposto aos alunos, destacamos a seguir, os objetivos que foram alcançados, durante o desenvolvimento da atividade, considerado por todos; alunos e professoras, como sendo, uma atividade prazerosa:
• Observação e participação dos alunos;
• Ajuste entre a fala e a escrita;
• Avanço nas hipóteses de escrita;
• Conclusão da tarefa.

A avaliação da atividade foi feita por meio de algumas perguntas:

• Quanto ao grau de significatividade:

- O professor e os alunos tinham claro o que se tratava de ensinar/ aprender durante a atividade?
- A dificuldade da tarefa estava ajustada às características do grupo? Era demasiado fácil? Demasiado difícil?
- Apareceram situações de conflito cognitivo que tenham favorecido novas aprendizagens? Houve discussão, intercâmbio, troca de idéias, opiniões, argumentos?

• Grau de adaptação à diversidade:

- Todos os alunos puderam responder reflexivamente?
- A organização da atividade permitiu ao professor ajudar adequadamente aos alunos?

• Motivação e clima de trabalho:

- Estava claro o sentido da atividade, o porquê e para que se fazia?
- Notou-se entusiasmo, participação, interesse?
- Houve condutas de desligamento, de perturbar a ordem, de falta de vontade?

• Nível de realização da atividade:

- Ficou clara a conexão da tarefa com o tema de trabalho?
- O tempo se ajustou à atividade?
- Os grupos funcionaram bem? Os materiais se ajustaram bem à atividade?

• Intervenção do professor:

- Ele pôde acompanhar de perto o processo de realização da atividade pelos alunos?
-A ajuda que prestou aos alunos foi suficiente? Foi excessiva? Fomentou a autonomia de trabalho dos alunos?

Refletindo o trabalho realizado, avaliamos positivamente, em algumas duplas percebemos um desenvolvimento maior, especialmente por conta da interação mais direta entre professor e aluno.
A avaliação do processo de ensino é muito enriquecida, quando é feita de forma compartilhada, com a presença de um colaborador, que enriquece a observação do que aconteceu.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CURTO, MORILLO & TEIXIDÓ. Escrever e Ler: Como as crianças aprendem e como o professor pode ensina-las a escrever e ler.Vol.1. Porto Alegre: Artmed Editora,2000.

______________. Escrever e Ler: Materiais e recursos para a sala de aula.Vol.2. Porto Alegre: Artmed Editora, 2000.

Material Apostilado do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (PROFA).Módulo 2.

KRAMER, Sônia. Alfabetização, Leitura e escrita formação de professores em curso.São Paulo: Ática, 2002.
WEISZ, Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Ática, 2003.

 
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