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FORMAÇÃO DO EDUCADOR PARA A TV DIGITAL INTERATIVA

Karla Isabel de Souza - Lantec- FE- Unicamp

A implantação da Televisão Digital Interativa está sendo discutida. Sua potencialidade total ainda é uma incógnita, bem como qual será o padrão a ser utilizado no sistema. Os padrões que estão sendo discutidos são basicamente três (americano, japonês e europeu), e dizem respeito a como a informação irá circular.
A questão primeira é qual sistema se adapta às características brasileiras. No caso americano, como já há cabeamento em quase todo o território, não há discussão. No entanto, a escolha deste padrão para o Brasil pode implicar em uma restrição ao acesso de informação por parte da maioria da população brasileira.
Se o padrão escolhido fosse então o que utiliza cabos telefônicos, o Brasil ainda assim teria problemas, já que a rede atual talvez não suportasse o volume de informações que circularia. É claro que a questão do padrão tem grande importância, no entanto, é necessário também pensar nas potencialidades que a Televisão Digital Interativa vai trazer.
Com essa novíssima tecnologia uma das áreas mais beneficiadas poderá ser a da educação. Inicialmente o professor terá mais possibilidades de pesquisa e até de produzir seu material, inclusive sistematizando em arquivos pessoais. Os estudantes poderão realizar pesquisas e trocar informações. E a comunidade, participar de todos os movimentos da escola.
É importante então que a comunidade educacional (pais, educadores, estudantes e comunidade) esteja preparada para essa nova realidade tecnológica e comunicacional, pensando em uma nova formação que privilegie a gestão dos conhecimentos.

Formação de Educador para TV Digital Interativa

O principal objetivo do projeto foi o de capacitar os professores na utilização da tecnologia de comunicação digital interativa em sala de aula, de forma gradativa e deixando o professor à vontade para decidir o que é relevante e principalmente como poderia ocorrer o desenvolvimento da produção do conteúdo para ser utilizado em sala de aula. Como desafio, as 03 professoras envolvidos no projeto, deveriam desenvolver 3 projetos com seus estudantes, podendo haver a troca de materiais, ou seja, os 3 materiais produzidos por uma professora poderia ser usados pelas outras.
O desenvolvimento do projeto foi totalmente discutido coletivamente com o grupo envolvido: os 03 professoras das 02 escolas envolvidas e a equipe do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação da Faculdade de Educação da UNICAMP - LANTEC composto de 03 pessoas entre alunos da pós graduação e 01 professor da Faculdade de Educação da UNICAMP.
O segundo desafio dado às professoras dizia respeito ao papel delas, propusemos uma função a mais, além de pesquisadoras, que fossem produtoras do próprio material, caraterizando como eixo norteador à partir de agora a figura do professor- pesquisador- produtor. Quando este novo professor estiver produzindo o seu próprio material utilizando-se da linguagem do vídeo, estará tomando conhecimento do que são os recursos tecnológicos de comunicação, como eles podem ser usados e qual a sua abrangência, procurando uma caracterização mencionada por Baccega (2002): "gente livre significa gente capaz de saber ler a publicidade e entender para que serve, e não gente que deixa massagear o próprio cérebro; gente que seja capaz de distanciar-se da arte que está na moda, dos livros que estão na moda, gente que pense com a sua cabeça e não com as idéias que circulam ao seu redor”.
Existe aqui algo diferente sendo discutido, não se trata de aula técnica de informática ou de recursos audiovisuais digital, trata-se de construção de conhecimento produzido pelo próprio professor, através de atividades práticas mediatizada pela linguagem da TV em sala de aula.

Proposta pedagógica para TV Digital Interativa

Quando o trabalho iniciou utilizamos os PCNs, o projeto pedagógico das escolas, o planejamento anual de cada professora e começamos a discutir qual seria a primeira produção, foi então que o grupo constatou que na prática não tinham certeza sobre o que era o projeto e precisavam explicar para os estudantes do que se tratava.
Decidimos então, fazer uma produção coletiva que explicaria o que é o projeto para todos os membros da comunidade educativa. O primeiro trabalho iniciava com uma apresentação aos recursos tecnológicos, a equipe LANTEC organizou o estúdio enquanto as professoras escreviam os roteiros e faziam pesquisas, principalmente na internet, sobre o assunto. Assim, iniciava o processo de capacitação dos professores na utilização da na rede, inclusive com a criação de E-mail, alguns materiais foram encontrados na Internet, e a equipe LANTEC garantiu toda a assistência para as professoras coletarem o que lhes fossem interessante.
O material inicialmente escolhido pelos professores foi um vídeo produzido pelo MEC – TV escola, que contava a história da televisão e introduzia a Televisão Digital Interativa. O vídeo, uma animação de 4 minutos e 36 segundos de duração foi selecionado pelas professoras para complementar seus roteiros.
A primeira produção/edição teve as professoras como apresentadora seguindo uma roteirização elaborada pelas próprias professoras, e, em seguida, apresentando a “Kika”, personagem principal da animação. A produção continuou em outros momentos de encontros. Coletivamente foi decidido apresentar as 02 escolas envolvidas, usando fotos, produzimos um vídeo mostrando o ambiente escolar.
Foi escolhido como plataforma de apresentação visual a linguagem do vídeo interativo baseado na plataforma de DVD , isto é, a apresentação do vídeo com escolha de entradas de conteúdo conforme a opção do usuário, diferentemente da produção de vídeo convencional, onde o usuário assiste um vídeo linearmente.
O desenvolvimento de um conteúdo educacional é um processo complexo onde vários fatores entram em jogo, além de significativas as variantes conforme o gênero e o estilo adotado. Utilizaremos como metodologia para a realização do roteiro para a produção dos programas o modelo sugerido por Ferrés onde o processo de criação foi estruturado conforme é mostrado na tabela 3.

Atividades Básicas

Atividades Complementares

Atividades Organizadas

Delimitação do Projeto

Busca de Documentação

Previsão de Necessidades

Sinopse

 

 

Roteiro Literário

 

 

Roteiro Técnico

 

 

Realização

 

 

 

Roteiro Didático

 

Tabela 3: Processo de realização de um programa de vídeo

O design do primeiro DVD ficou com a seguinte característica:

A produção é composta de 4 vídeos. O primeiro (o projeto) são depoimentos das professoras coletados, roteirizados e gravados pelas próprias professoras.
O segundo vídeo (As Escolas) são fotos das escolas postas numa seqüência, com legendas curtas explicativas e uma música de fundo. O terceiro vídeo (As Professoras) são recortes de vídeos do acervo do projeto, onde mostra a capacitação das professoras, foi inserida uma música de fundo. O último vídeo é uma animação “Kika - De onde vem”, na integra, da TV Escola, que fala da televisão.
Segundo Ferres (1995), O vídeo ‘O Projeto’ tem características de videoaula, pois, abre a questão da TV Digital na Educação. Por ser um assunto novo ele inicia a reflexão sobre o tema. Já os vídeos “As Escolas” e “As Professoras” busca motivar as crianças a discutir o assunto tomando-se assim um videomotivador. E o vídeo “ Kika - De onde vem” pode ser colocado como uma videolição por reforçar os conceitos.
Todos os vídeo são disponibilizados em um menu principal onde o seu acesso é feito de forma não linear. O DVD foi levado à escola, apresentado aos estudantes pelas professoras e discutido.
Na avaliação desta primeira fase e produção, foi possível verificar que o programa de capacitação da linguagem de produção junto aos professores foi concluído satisfatoriamente, compreendendo tanto os recursos instrumentais de produção como a linguagem.

4.2. As produções dos professores
As outras produções foram realizadas com tema e conteúdo individual, escolhido por cada professor conforme o seu projeto pedagógico de sala de aula. Para os 03 professores, se fez necessário alem da reunião coletiva de duas horas semanalmente, uma árdua pesquisa de campo, tendo como base, principalmente a internet.
Nas reuniões, nas quais o grupo trocava experiências, ficaram claras as diferenças metodológicas entre as professoras-produtoras. Uma das professoras trabalhou muitas horas fazendo pesquisas na internet, seu tema era “índios” para ela o conteúdo precisava ser atualizado, e muito bem embasado, com informações atualizadas, já a produção de outra professora “sistema locomotor”, segundo ela, não precisava de muitas pesquisas, mas sim de uma boa organização, dessa forma, essa professora concentrou muitas horas de trabalho na criação de roteiros para gravação. A terceira professora concentrou seu trabalho em questões técnicas, seu tema folclore, não exigia pesquisa, preferia aproveitar o material que possuía, mas queria dar uma apresentação especial a seu conteúdo. A tabela 4 nos apresenta a distribuição quantitativa do envolvimento necessário dos 03 professores na produção.

 

Projeto

Pesquisa na Internet

Criação de Roteiro

Atividade Técnica

Gravação em Estúdio

 

Total

 

Índios

 

9

 

5

 

2

 

2

 

18 horas

 

Sistema Locomotor

 

5

 

9

 

2

 

5

 

21 horas

 

Folclore

 

2

 

5

 

6

 

4

 

17 horas

 

Tabela 4 – Horas de trabalho:
Os trabalhos seguintes tiveram os seguintes designs e características:

 

Baseado em Ferrés (1995), o vídeo Introdução tem características de videoaula, com objetivo realizar uma reflexão sobre os índios. A fala da professora na leitura da carta de Pero Vaz de Caminha com a composição de imagens indígenas sincronizadas temporalmente aflora a discussão sobre a situação indígena.
Os vídeos Índios e Lendas são videolição, ou seja, contextualiza o conteúdo problematizado do tema índio. Procura reforçar os valores, cultura e tradições indígenas. No vídeo Criança do Brasil já é proposto um videomotivador, onde as crianças em seu imaginário contribuem para uma identidade cultural. Procura através do depoimento do aluno Natã uma aproximação temporal e motivadora para a discussão sobre o tema índio.

Como características temos o vídeo “Introdução” e “Esqueleto” de videoaula, introduzindo o assunto e dando as primeiras definições, também permite uma ligação com os outros vídeos.
Os vídeos que compõe o “Eixo do corpo” são característicos de videomotivador por motivar o interesse dos estudantes no assunto. Já os vídeos que compõe a serie “A aula é nossa”, por reforçar os conceitos e ter os estudantes participando ativamente, trata-se de videolição

Como roteiro didático tem as seguintes característica de vídeos. O vídeo “Folclore” é uma videoaula, pois introduz o assunto e dá as primeiras definições. Também se caracterizam como videoaula os vídeos “As Regiões” com apresentações sucintas de características das diferentes regiões.
Os vídeos “Personagens” são videolições, pois permite a apresentação de um personagem, em duas visões, levando a discussões a respeito de cultura, valores e identidade.
E os vídeos da parte “Brincadeiras” são vídeos motivadores, principalmente pela participação dos estudantes.
Á partir das produções, começa a ficar claro o papel do professor-pesquisador-produtor e, graças à qualidade dessas profissionais, sua dedicação e empenho muitas boas criações ainda estão para ocorrer, sem contar que houve a introdução e maior envolvimento dos estudantes graças a sensibilidade das professoras.
Nas produções que se seguiram, as habilidades tecnológicas de edição/roteirização das professoras foram aumentando. Esse aumento se deu principalmente no campo do roteiro, pois no momento de pensar como seria a produção, elas já sabiam o que os recursos tecnológicos podiam oferecer. Já podiam dialogar com a equipe técnica do LANTEC discutindo e organizando seus trabalhos.
Um outro fato importante a destacar, é a participação dos estudantes que também foi aumentado, e cada professora abrindo a participação de uma forma diferente.
Como o objetivo do projeto era introduzir as novas tecnologias de comunicação digital interativa na sala de aula de forma gradativa com conteúdo desenvolvido pelos próprios professores, ao final do período letivo de 2004, foi organizado um encontro na UNICAMP, onde as 03 professoras, puderam assistir as suas produções como as das outras objetivando realizar uma avaliação de conteúdo.
Já os estudantes neste momento fizeram intercâmbio de produções entre as duas escolas assistindo as suas produções e conhecendo aos colegas.
Até o momento, já foram produzidos os seguintes materiais:
- 10 DVD com conteúdo programático produzido e editado pelos próprios professores;
- 28 produções dos estudantes em respostas aos programas produzidos pelas professoras;
- fotos das atividades;
12 vídeos mostrando as atividades desenvolvidas pelos professores dentro do LANTEC.

 
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