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  UMA LEITURA DE SAUDADE (1919) DE THALES CASTANHO DE ANDRADE

Cleila de Fátima Siqueira Stanislavski - Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília - Universidade Estadual Paulista - UNESP

INTRODUÇÃO

Para compreender melhor o aparecimento de uma literatura infantil brasileira e os problemas envolvidos na sua constituição, apresento neste texto um estudo sobre o livro Saudade (1919), do autor Thales Castanho de Andrade e as principais idéias sobre sua utilização na escola. Este livro pode ser considerado representante da transição entre a fase final da literatura escolar e o início da literatura infantil brasileira. Foi utilizado na atividade didática-escolar das escolas primárias brasileiras no início do século XX e enfatizava a vida rural no país.
Quanto ao método, utilizo neste trabalho procedimentos metodológicos de pesquisa documental e bibliográfica, com contribuições de fontes primárias e secundárias. Essa abordagem histórica está centrada, sob a ótica metodológica, nas idéias desenvolvidas por Roger Chartier numa abordagem identificada como “história cultural”. Segundo Roger Chartier (1991) esta metodologia está focada na compreensão, manipulação e estudo de textos, impressos de formas variadas, em seu contexto histórico e social.

A FORMAÇÃO DA LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA

Na sociedade em que vivemos, a leitura é fundamental no trabalho do professor para desenvolver em sala de aula o processo de ensino-aprendizagem. Os textos de literatura infantil desempenham uma função importante na formação das crianças, e, de acordo com estudiosos do tema , deve ocupar um espaço privilegiado no processo de ensino-aprendizagem especialmente no início da escolarização de crianças.
De acordo com leituras e estudos preliminares que fiz de textos de alguns estudiosos do tema, no entanto, é relativamente recente o reconhecimento dessa função e importância da literatura infantil, a produção de livros para esse público leitor e de estudos sobre textos do gênero. Para o educador Lourenço Filho (1943), desde os tempos mais remotos existia literatura infantil na forma da tradição oral, embora não fosse denominada como tal.
Segundo o historiador e escritor Leonardo Arroyo (1968, p. 26-28), a necessidade de leituras destinadas às crianças, sejam elas educativas, didáticas, informativas ou recreativas, é muito recente, datando dos fins do século XVII, quando, principalmente nos países europeus, procurou-se diversificar as tradicionais leituras de livros com histórias de santos e das sagradas escrituras, buscando proporcionar uma leitura adequada à idade e interesses intelectuais da infância.
Acrescentando às idéias de Lourenço Filho e Arroyo, para as pesquisadoras Lajolo e Zilberman (1999), as primeiras obras de literatura infantil européia apareceram na primeira metade do século XVIII, que foi assinalado pela industrialização e pelo surgimento de novas concepções de família, criança e escola, surgindo no século XIX os contos de fadas e iniciando uma definição dos livros que agradam mais às crianças.
Conforme as idéias de Lajolo e Zilberman (1999), no Brasil, a literatura infantil tem início no século XIX com a mudança do regime monárquico para o republicano, com a crescente urbanização e com o aparecimento e implantação da imprensa editorial de livros. As primeiras obras do gênero eram traduzidas ou adaptadas de obras estrangeiras, modeladas à imagem nacional, como a natureza, os costumes, a língua, a pátria e a sociedade brasileira, e destinadas ao uso das escolas. Somente no início do século XX surgem autores nacionais de literatura infantil, a partir da produção de Monteiro Lobato e outros autores, como Viriato Correia e Thales Castanho de Andrade, que, nas décadas de 1930, 1940 e 1950, revelam tendências regionalistas, nacionalistas e rurais com ênfase na tradição oral e popular, indicando uma integração entre a escola e a literatura.
Considerando então a trajetória e constituição de uma literatura infantil brasileira, há a necessidade de buscar o conceito de literatura infantil que, segundo Arroyo (1968, p. 65), varia muito no espaço e no tempo e tem ligações com a escola. No caso brasileiro, especialmente a partir da proclamação da República, o desenvolvimento da instrução pública, a criação de escolas primárias e de formação de professores e o uso de livros-texto na atividade didática, são fatores que possibilitaram condições para o surgimento de uma “literatura escolar”, constituída de livros traduzidos e/ou produzidos por brasileiros, dedicados à infância, no entanto, para o uso vinculado à escola, com finalidade de ensinar valores morais e sociais, de forma agradável. Ainda segundo Arroyo (1968), é dessa “literatura escolar” que se origina a literatura infantil brasileira, a qual se desenvolve e se consolida como gênero literário a partir da produção de Monteiro Lobato, nos anos de 1920 e seguintes.
Nas décadas de 1940 e 1960 houve um grande crescimento da produção de literatura infantil, devido ao aumento do mercado consumidor, e da dinamização da produção e circulação de livros. Segundo estudiosos do tema, como Lajolo e Zilberman (1999, p. 124) e Magnani (1998, p. 248) somente a partir dos anos de 1970 que se tem, em nosso país, o início de uma produção em massa de livros para crianças e jovens, e um aumento de número de pesquisas e estudos acadêmicos sobre literatura infantil e juvenil .

SOBRE A LEITURA ESCOLAR

Segundo Leonardo Arroyo (1988, p. 65), a literatura infantil tem ligações com a escola, principalmente no caso brasileiro, que a partir da criação de escolas primárias e de formação de professores, e o uso de livros-texto na atividade didática, possibilitaram o surgimento de uma “literatura escolar”, constituída de livros traduzidos e/ou produzidos por brasileiros para o público infantil e com uso vinculado à escola, com finalidade de ensinar valores morais e sociais, de forma agradável.
Ainda segundo Arroyo (1988), é dessa “literatura escolar” que se origina a literatura infantil brasileira, a qual se desenvolve e se consolida como gênero literário a partir da produção de Monteiro Lobato, nos anos de 1920 e seguintes.
A literatura escolar surgiu como reação às traduções de livros vindos de outros países, e “caracterizou-se este período por uma farta literatura dedicada à infância, mas comprometida com o sistema pedagógico então vigorante, sem o descompromisso da literatura infantil que a caracteriza hoje, no campo da pura ficção” (ARROYO, 1968, p. 24). Deste período é grande a quantidade de livros para as crianças abordando temas patrióticos, aventuras, poesias, teatro, contos, todos de autores nacionais, ao mesmo tempo que as editoras da época começavam apresentar traduções dos clássicos da literatura infantil.
O livro Saudade (1919) escrito por Thales Castanho de Andrade, segundo Arroyo (1968) pode ser considerado representante do momento inicial de formação da literatura infantil brasileira. Esse livro foi escrito em um momento histórico em que, de acordo com Arroyo (1988), inicia-se a publicação de uma “literatura escolar”; dentre outras obras, segundo Lajolo e Zilberman (1999, p. 30), Saudade estava disponível para a leitura da infância brasileira, em particular das crianças que freqüentavam a escola.
O livro Saudade (1919) de Thales de Andrade é considerado por Leonardo Arroyo (1988, p. 65) um livro clássico:

Desse prolífico período da literatura escolar, enquanto reação brasileira às traduções e originais portugueses, e que cobriu vários anos no panorama cultural brasileiro e dentro do qual todo professor se sentiu na obrigação de fazer pelo menos um livro – ao final de tanto papel gasto, de tantas edições, de tanto esforço, restaram apenas dois livros superiores: Através do Brasil, de Manuel Bonfim e Olavo Bilac, Saudade, de Tales de Andrade. (ARROYO, 1988, p. 187)

No período da literatura escolar todo professor, segundo Arroyo (1988), sentia-se na obrigação de escrever pelo menos um livro, assim, Thales de Andrade escreveu Saudade (1919) que é considerado, dentre outros livros escritos, como um livro superior. Os livros escritos nesse período eram para uso didático e eram sobrecarregados de idéias nacionalistas, as quais muitas vezes não condiziam com os verdadeiros sentimentos que as pessoas tinham por sua pátria. (ARROYO, 1988, p. 188).

Esta obra de Tales [sic] de Andrade, na verdade, em que pesem suas excelentes qualidades literárias, inaugurava, na área escolar, um esforço concentrado, aplaudido pelo Governo, de retorno ao campo, à mentalidade de país essencialmente agrícola (...) (ARROYO, 1988, p.188)

Segundo Arroyo (1988) o livro Saudade (1919) foi influente no panorama da literatura infantil brasileira: “(...) é um rasgo do gênio” (ARROYO, 1988, p. 191), pois nasceu e surpreendeu muitos escritos na fase da literatura escolar. Muitos dos livros utilizados nas leituras escolares começaram, inclusive, a invadir o campo da ficção, dentre eles ficaram alguns livros que se destacaram, como por exemplo, o Através do Brasil, de Manuel Bonfim e Olavo Bilac, Saudade, de Thales de Andrade, ambos, contudo, com fundamentos na realidade. (ARROYO, 1988, p. 163)
Um dos aspectos que diferenciava Saudade de outros livros, era a linguagem que Thales de Andrade utilizava, sendo vista como “a língua que todas as crianças deste país falam, que do Norte ao Sul todos nós falamos [...]” (ARROYO, 1988, p.188), ou seja, o livro mostra através de sua linguagem a realidade do país na época em que foi escrito, de maneira reveladora, destacando o espaço e as características ainda agrícolas que havia na população. No livro de Thales Castanho de Andrade via Monteiro Lobato a coragem de contrariar os “moldes estabelecidos e aborrecidos” somada à sua originalidade e audácia “pela língua em que está vazado”. (ARROYO, 1988, p. 188)
Além do livro Saudade, outros livros apareciam com as mesmas características, entre eles: Sombras que vivem escrito por João de Toledo, Coração Brasileiro de Faria Neto, Campos e Arrebóis escrito por Túlio Espíndola de Castro, e As Férias no Pontal de Rodolfo von Ihering.
Leonardo Arroyo (1988, p. 189) aponta críticas feitas por Monteiro Lobato ao livro Saudade (1919) de Thales de Andrade: “ é um livro para a infância das escolas que cai em nossos meios pedagógicos com o fulgor e o estrondo de um raio”; e por Sud Mennucci que o consagrou como “padrão da nossa literatura didática”.
Assim Saudade (1919), escrito por Thales de Andrade, é considerado um dos três grandes livros da literatura escolar brasileira, entre outros dois: Através do Brasil escrito por Manuel Bonfim e Olavo Bilac, e Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato.

O NACIONALISMO E O RURALISMO

No campo educacional brasileiro, após a Proclamação da República e o desenvolvimento da instrução pública, no início do século XX, foi sendo introduzida nas escolas uma nova concepção de ensino chamada de Escola Nova. Conhecida e difundida mundialmente, a Escola Nova refere-se ao conjunto de princípios que buscavam rever as formas tradicionais do ensino, com base numa nova compreensão das necessidades da infância e da sociedade em reação à função da escola, para reajustar a educação de modo geral aos novos fins e objetivos da realidade social.
Com as novas mudanças ocorrendo no âmbito escolar advindo dos pressupostos de uma nova concepção de ensino aparece o fenômeno do nacionalismo e do ruralismo no âmbito social, que são refletidos no campo educacional.
O fenômeno do nacionalismo que se estruturava sob a forma de uma corrente de idéias sistematizada num amplo movimento político-social e que se baseava no fenômeno de exaltação do homem e das coisas brasileiras, também penetrou no pensamento sobre educação, mas não com tanta intensidade, o fenômeno do ruralismo, que influenciou parcialmente a legislação e as práticas escolares, e que se constituía numa ideologia de desenvolvimento. (NAGLE, 1976, p. 231)
Muitos aspectos do fenômeno ruralismo e do nacionalismo cruzaram-se, ocorrendo principalmente quando o nacionalismo tratava da exaltação da “terra” e da gente brasileira. Assim “terra” se traduziu em “ produtos da terra” e tornou-se sinônimo de “agricultura”.

É por esse caminho que a ruralização do ensino significou, na década de vinte, a colaboração da escola na tarefa de formar a mentalidade de acordo com as características da ideologia do “Brasil-país-essencialmente-agrícola”, o que importava, também, em operar como instrumento de fixação do homem no campo. (NAGLE, 1976, p . 234)

Alguns livros de leitura deixaram transparecer um comprometimento com o ruralismo e o nacionalismo, como o livro Saudade, de Thales Castanho de Andrade:

Saudade é um romance para crianças. (...) É história de uma família que abandonou a vida da fazenda pela da cidade e que, reconhecendo as vantagens daquela em face dos prejuízos desta, retorna ao campo e prospera admiravelmente. Tem, pois, intuitos mais elevados que o simples ensino da leitura. Incute, na criança, o amor pelo cultivo da terra, de que tanto carecemos. (NAGLE, 1976, p. 360)

No estado de São Paulo, o livro Saudade, que sendo uma obra didática para o ensino da leitura, estava comprometido com o processo de ruralização de ensino.

SOBRE O AUTOR THALES CASTANHO DE ANDRADE

Thales Castanho de Andrade nasceu em Piracicaba, Estado de São Paulo, no dia 15 de agosto de 1890. Filho de um industrial dono de fábrica de bebidas, José Miguel de Andrade e de sua esposa Castorina Castanho de Andrade. Seus avós paternos eram Antônio Pinto de Andrade, natural de Itaquiri, Rio Claro, Estado de São Paulo, e Luisa Maria Andrade, natural de São Pedro, Estado de São Paulo, e os avós maternos eram Augusto César de Arruda Castanho e Theodora Marins Bonilha, naturais de Capivari.
Foi batizado na Matriz de Santo Antonio pelo padre Franscico Galvão Pais de Barros, e em 1912 casou-se nesta mesma igreja com Maria Garcia de Toledo, sua colega, amiga e conterrânea e o celebrante foi o Padre Manuel da Rosa.
Thales Castanho de Andrade estudou no curso denominado na época de Pré-primário, no Kindergarten do Colégio Americano, hoje Colégio Piracicabano, e o curso Primário no primeiro Grupo Escolar “Barão de Rio Branco” de Piracicaba, e no Grupo Moraes Barros, hoje Escola Estadual Barão do Rio Branco e Escola Estadual Moraes Barros. Fez o curso normal na antiga Escola Complementar, posteriormente chamada Escola Normal Primária de Piracicaba e atualmente, Escola Estadual Sud Mennucci.
Residiu em Rio das Pedras, Capivari, Piracicaba e São Paulo, e possivelmente em Porto Ferreira, pois nessa cidade há uma placa na casa onde ele escreveu o livro Saudade.
Quando rapaz trabalhou como tipógrafo na Gazeta de Piracicaba e também aprendeu com o pai a fabricar licores, refrigerantes, vinagres, enlatados, doces e caramelos. Obteve carta de habilitação para dirigir carro de tração animal através de um exame realizado em praça pública. Assim, foi vendedor de bebidas na cidade, percorrendo de trem e a cavalo as cidades de Capivari, Rio das Pedras, São Pedro, Torrinha e Santa Bárbara. Foi industrial de fábrica de bebidas e inventor do refrigerante com o nome Cotubaína.
Iniciou sua carreira no Magistério em Jaú, na Escola Rural de Banharão, posteriormente chamada de Escola da Saudade, e que hoje está abandonada. Foi professor adjunto do Grupo Escolar de Porto Ferreira, adjunto do Grupo Escolar Modelo anexo à Normal Oficial de Piracicaba, professor de História da Civilização e do Brasil e diretor dessa escola. Lecionou também História da América, História Geral, Direito Geral, Pedagogia, Psicologia e Prática de Ensino. Foi inspetor e assistente técnico de ensino rural nomeado no ano de 1943, diretor geral do Departamento de Educação do Estado de São Paulo – nomeado em 16 de setembro de 1947 - e Secretário da Educação do Estado aposentando-se com mais de 47 anos de serviço ao Estado.
Também lecionou Filosofia, História da Civilização e do Brasil no Ginásio Piracicabano e na Escola de Comércio Cristóvão Colombo, que eram escolas de ensino privado.
Colaborou com os jornais, a Gazeta de Piracicaba, Jornal de Piracicaba, Folha Ferreirense e Diário Carioca, e com revistas Vida Moderna, Revista da Educação da Escola Normal de Piracicaba e A Cigarra.
Thales Castanho de Andrade foi eleito vereador da Câmara de Piracicaba entre os anos de 1920-1922, e o seu primeiro Projeto de Lei propunha a criação de um parque infantil, causando espanto e risos entre os seus colegas vereadores. Em 1932 foi integrante do M.M.D.C. como voluntário, e serviu no Batalhão dos Professores, durante o Período da Revolução Constitucionalista de 1932 (CARRADORE, 2004, p. 33), participando, também, do Partido Republicano Paulista e depois do Partido Constitucionalista.
Thales Castanho de Andrade (CARRADORE, 2004, p. 33) destacou-se na educação, e participou de entidades de classe, esportivas e culturais. Foi presidente do XV de Novembro de Piracicaba , do Centro do Professorado Piracicabano, do Grêmio Normalista de Bola ao Cesto. Participou ativamente nos Congressos Normalistas de Educação Rural em Campinas, Piracicaba e Casa Branca. Pertenceu à Academia Piracicabana de Letras, União Brasileira de Escritores e foi sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Participante da vida rural de sua época foi iniciador dos clubes de horticultura com o apoio da Sociedade Amigos de Alberto Tôrres, participando, também, do 1º Congresso Normalista de Ensino Rural realizado em Campinas. Foi fundador da instituição nacional dos Clubes Agrícolas Escolares e promotor da primeira Festa do Milho, da Uva, do Pêssego e do Vinho.
Thales Castanho de Andrade foi criador do Método Brasileiro da Alfabetização pela Imagem – a figura ensina, destacado através da cartilha Ler e Brincando. Enquanto foi Secretário da Educação do Estado de São Paulo, criou os cursos de Alfabetização de Adulto.
Thales Castanho de Andrade ingressou no Magistério em 08/02/1912 e aposentou-se em 07/03/1955. Trabalhou 43 anos e para completar o tempo para aposentar-se foram considerados como prêmios o Ano da Gripe, Revolução Constitucionalista e Tempo em Dobro. Foram 8 anos no Ensino Primário nas escolas: Grupo Escolar Modelo de Piracicaba, Grupo Escolar Porto Ferreira e Escola Isolada de Banharão em Jaú; 23 anos lecionando no Ensino Secundário e Normal; 4 anos e meio de Assistente Técnico do Ensino Rural; 7 anos e meio como Diretor Geral do Departamento de Educação.
Segundo Carradore (2004, p. 13), Thales Castanho de Andrade foi um “notável educador, pioneiro e expoente da literatura infanto-juvenil brasileira, sendo a educação e a literatura marcos na vida do autor. Foi reconhecido e premiado como educador, literato, folclorista, sociólogo e pioneiro na luta ecológica em defesa da natureza.
Segundo o mesmo autor, Thales Castanho de Andrade foi um dos pioneiros do modernismo e seus livros referiam-se à interpretação da realidade brasileira pois tratava de assuntos do campo, do folclore e da história nacional, sendo marcados pela intencionalidade ecológica, e todos os seus livros são marcados pela intencionalidade ecológica regionalista.
Thales Castanho de Andrade considerava, segundo o autor, a amizade entre os maiores bens da terra, e disse em uma das ocasiões que estiveram juntos “A amizade não se adquire, senão pelo amor!” (CARRADORE, 2004, p. 3).
Além de exercer o magistério em escolas da zona urbana, o autor também foi professor de escolas em zona rural, as quais lhe permitiram a proximidade com questões de ordem agrária e rural, possibilitando, mais tarde, o aparecimento do seu livro Saudade. Ele utilizou a sua convivência e aproximação com as pessoas e o cotidiano rural para escrever o livro Saudade, no qual mostrava a realidade com muita clareza e assim satisfazia os seus leitores.
Thales de Andrade publicou Saudade com muito sucesso no país, e despertou muitas críticas a respeito do seu livro, influenciando mesmo Monteiro Lobato, atualmente considerado uma das celebridades na literatura infantil brasileira. Segundo Arroyo (1988), Thales de Andrade, com Saudade, marcou e delimitou a fase da literatura escolar, especialmente porque seu livro promoveu uma nova visão de como escrever a literatura infantil, enfatizando a vida rural do país.
Segundo Carradore (2004, p. 69), Thales Castanho de Andrade recebeu muitas homenagens, sendo que muitas delas enquanto era vivo. Algumas delas, citadas abaixo, estão descritas pela ordem das datas em que ocorreram:
Em 24 de junho de 1967, durante o Bicentenário de Piracicaba, o prefeito da cidade, Luciano Guidotti, sancionou a Lei 1.486, de autoria do vereador Elias Jorge, aprovando que fosse erguida a Herma Thales Castanho de Andrade, na praça Jorge Tibiriçá. Atualmente a herma do autor está sob a seguinte frase: “A Thales Castanho de Andrade / A maior criança-grande do Brasil.”
No dia 15 de julho de 1967, às 10 horas, na livraria Pilão de propriedade de João Chiarini , Thales concedeu uma manhã de autógrafos em todos os seus livros já editados.
No dia 22 de julho de 1967, com a presença de Thales, às 20:30 horas, no Salão Nobre do Instituto Educacional Piracicabano aconteceu o Recital de Canções em Homenagem à Thales de Andrade, com a participação de Otávio Righetto, Alcides Zagatto e Antonio Carlos Coimbra.
No dia 23 de agosto de 1967, às 15 horas, foi inaugurada a exposição Vida e Obra de Thales de Andrade na Galeria Lúcia Cristina, localizada no centro da cidade. Entre os dias 14 a 24 de setembro de 1967 foi realizada em homenagem ao autor, a Semana Thales de Andrade.
Thales Castanho de Andrade recebeu outras honrarias como: Luiz Marrone esculpiu a cabeça do escritor que está sob um pedestal na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, na Prefeitura de São Paulo; há uma placa de bronze na Escola da Saudade, e outra placa na casa em que Thales morou em Porto Ferreira, com a seguinte frase: “Nesta casa em 1918, foi escrito o Saudade pelo Prof. Thales de Andrade. Homenagem do Leitores desse livro.”
O autor recebeu vários diplomas: de Amigo do Livro, da Câmara Brasileira do Livro, de Evangelho do Ruralismo, do Centro do Professorado Paulista, de Pioneiro do Ruralismo Bandeirante, da Escola Prática de Agricultura de Ribeirão Preto, da Semana dos Insetos, da Revista Chácaras e Quintais, de Honra ao Mérito, do Grupo Escolar Dr. Guimarães Júnior de Ribeirão Preto, um cartão de prata das crianças de Santo André com a dedicatória “À Maior Criança do Brasil”.
Também recebeu várias moções de congratulações e aplausos pelo seu trabalho em favor da educação, entre elas do Senado da República e da Congregação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz pelo seu livro Saudade, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo pelo livro Irmão Café, e da Câmara Municipal de Piracicaba pelo livro Campo e Cidade.
Os livros de Thales Castanho de Andrade inspiraram músicas como a Marcha Thales de Andrade do compositor Benedito Leite, Hino Rumo ao Campo do maestro Fabiano Lozano, Coração do maestro Vicente Aricó, Sombra Bendita do maestro Piragien, Cantiga Serrana de Erotides de Campos, a valsa A Filha da Floresta de Benedito Dutra Teixeira, a valsa Saudade de Waldemar Castellar de Barros, Sobre as Ondas do Piracicaba do maestro Belencase e a Festa do Trigo do Prof. Faustino de Oliveira. E também poesias: Rumo ao Campo, de Elias de Mello Ayres; Boa Noite Thales, de Carlos Mauro Algodoal; o soneto Saudade, de Júlio Soares Diehl; Queremos Encanto e Verdade, de Manuel Rodrigues Lourenço; Escolinha Rural, de Zenaide Pitta; Ao Mestre, de Vírginia Del Nero; Elogio à Floresta, de Dulce Carneiro; Saudação, de Corrêa Júnior; Gente de Casa, de Moacyr Campos; Traços, do Prof. Quissak; Escola Rural, de Túlio de Castro; e Saudade, de Antonio Salvador Sobrinho.
Atualmente existe uma escola de Ensino Fundamental em Piracicaba que recebeu o nome do autor.
No dia 2 de outubro de 1977, domingo, às 12 horas e 15 minutos, na sua residência em São Paulo/SP, morreu Thales Castanho de Andrade aos 87 anos de idade. Seu corpo foi levado para a Biblioteca Municipal Mário de Andrade por ordem do Governador do Estado para ser velado, e foi sepultado em Piracicaba.
Segundo Carradore (2004, p. 83), Thales também recebeu homenagens póstumas. Em 1990 foi comemorado o centenário de nascimento de Thales Castanho de Andrade com várias solenidades na cidade de Piracicaba. A Associação Amigos de Thales Castanho de Andrade relançou em 1999 o livro El Rei Dom Sapo, em 2001, o Fim do Mundo, e em 18 de setembro de 2003, mais uma edição do livro A Filha da Floresta.

LIVROS DO AUTOR THALES CASTANHO DE ANDRADE

Segue abaixo a relação da obra de Thales de Andrade até então encontrada. Os livros estão agrupados conforme sua utilização e designação.
Na série Leitura Escolar, aparece o nome do curso onde eram utilizados, o nome da editora. Logo após o nome de cada livro, é colocada, quando existente, a informação: em que série foram utilizados ou qual o tipo de livro e as edições que alguns livros alcançaram.

LEITURA ESCOLAR – Curso primário – Companhia Editora Nacional
1. Ler Brincando – Cartilha – 64 edições;
2. Espelho – 1º ano - 21 edições;
3. Alegria - 1º ano - 13 edições;
4. Vida na Roça - 2º ano - 30 edições;
5. Trabalho - 2º ano - 44 edições;
6. Na Oficina - 2º ano - 1 edição;
7. Saudade – 3º ano - 66 edições;
8. Campo e Cidade.

Os livros de contos infantis faziam parte da Série Encanto e Verdade e foram editados pela Companhia Melhoramentos de São Paulo. Logo após o nome de cada livro é colocada, quando existente, a informação: do que tratava cada história e a data a ser comemorada, e as edições que alguns livros alcançaram.

CONTOS INFANTIS – Série Encanto e Verdade – Companhia Melhoramentos de São Paulo
1. A Filha da Floresta - História contra a devastação das matas e incentivo ao reflorestamento - 12 edições;
2. El-Rei Dom Sapo - História em defesa dos animais úteis à lavoura - 10 edições;
3. Bem-te-vi Feiticeiro - História de proteção as aves e a festa das aves - 9 edições;
4. Dona Içá Rainha – História de combate a saúva - 8 edições;
5. Bela, a Verdureira - História de incentivo a horticultura de quintal; clubes agrícolas escolares - 8 edições;
6. Árvores Milagrosas - História de incentivo à pomicultura - 6 edições;
7. Pequeno Mágico – História da importância da agricultura - 3 edições;
8. Totó Mau – História sobre a proteção aos menores órfãos, riquezas do Brasil, sertão, obra de Rondon, Dia do Índio - 2 edições;
9. Fim do Mundo - História sobre o flagelo da destruição da flora e da fauna pelo homem - 4 edições;
10. Caminho do Céu – Apresentava duas versões: História sobre a aliança do homem com todos os elementos naturais úteis a sua vida; a luta e vitória do bem contra o mal, e o Cristianismo - 6 edições;
11. Sono do Monstro – História sobre pacifismo, a paz pela escola, confraternização dos povos - 6 edições;
12. A Rainha dos Reis – Apresenta duas versões: História e importância do constitucionalismo, 24 de fevereiro - 5 edições;
13. Praga e Feitiço – História sobre suplício e glória de Tiradentes - 3 edições;
14. Capitão Feliz - História sobre intencionalidade luso-cabrálica do descobrimento do Brasil; 22 de abril o Dia da Raça - 6 edições;
15. A Fonte Milagrosa - História sobre os milagres do trabalho; 1º de maio - 6 edições;
16. A Bruxa Branca – História sobre libelo contra os escravocratas e elogio aos abolicionistas; igualdade das raças; 13 de Maio - 3 edições;
17. Castelo Maldito - História contra o absolutismo e o despotismo; 14 de Julho - 4 edições;
18. Grito Milagroso – História sobre o príncipe Dom Pedro e a Independência do Brasil; 7 de Setembro o Dia da Pátria - 4 edições;
19. Gigante das Ondas – História sobre a obra divinatória de Colombo; 12 de outubro o Dia da América - 4 edições;
20. Morto e Vivo – História sobre o culto aos mortos; 2 de Novembro o Dia de Finados - 1 edição;
21. A Cadeira Encantada – História sobre democracia e república presidencialista; 15 de novembro - 1 edição ;
22. Mistério das Cores – História sobre a instituição das cores nacionais brasileiras; 19 de novembro o Dia da Bandeira - 1 edição;
23. A Estrela Mágica – História sobre Natal e a redenção das crianças; 25 de Dezembro - 1 edição;
24. Melhor Presente - 1 edição;
25. Como Nasceu a Cidade Maravilhosa – História sobre o culto ao fundador e aos benfeitores do Rio de Janeiro - 2 edições;
26. Flor de Ipê – História sobre a bondade e a inteligência da mulher, e em destaque a flor símbolo brasileira.

Os romances juvenis tratavam do sertanismo e indianismo no Brasil, a obra de Rondon e seus precursores, lendas indígenas e interiorização da civilização no Brasil. Não se tem informação sobre editoras, apenas a edição e os exemplares alcançados do único livro editado.

ROMANCE JUVENIL
Itaí, o Menino das Selvas - 1 edição – 11 mil exemplares;
Itaí, na Cidade Maravilhosa – no prelo;
Itaí, entre os Cariocas - no prelo;
Itaí, no Palácio do Catete – escrito;
Itaí, no Palácio da Alvorada – em preparo;
Itaí e Ibaê, entre as Estrelas - em preparo.

Os livros da série em quadrinhos fazem parte da Série Café, e tem-se a informação apenas do que tratava cada história, as edições que alcançaram e os exemplares editados.

SÉRIE EM QUADRINHOS – Série Café
O Irmão Café – História em defesa da policultura e poliprodução - 2 edições – 30 mil exemplares;
Cafezal assim, sim! - História em defesa da cultura racional dos cafezais – 1 edição – 11 mil exemplares.

Existem três livros do autor que não estão entre as relações de livros descritas anteriormente. São livros utilizados em campanhas nacionais.

OUTRAS OBRAS
1. Ensinando a Constituição – Livro utilizado na Campanha de Assistência ao Estudante do Departamento Nacional de Educação do Ministério da Educação e Cultura;
2. A Senhora Pernilongo - Livro utilizado na Campanha contra a febre amarela – publicado em capítulos pelo Diário Carioca;
3. Irmãos.

Os livros escritos por Thales Castanho de Andrade abordavam assuntos sobre a natureza, datas comemorativas e fatos importantes que aconteceram no país. Há dois livros que tratavam de campanhas nacionais.
A partir dos assuntos abordados nos livros é evidente a ligação e preocupação do autor com o meio ambiente e sua conservação, a agricultura e os aspectos envolvidos, os indígenas, órfão, riquezas do Brasil, flora e fauna, bem e mal, cristianismo, paz na escola e nos povos, formas de governo, datas importantes e comemorativas no Brasil.
O autor escreveu seis livros sobre um menino chamado Itaí e os vários lugares que esteve: na selva, na cidade maravilhosa, entre os cariocas, no Palácio do Catete e no Palácio da Alvorada e entre as estrelas. Desses livros somente um foi publicado e os outros ficaram em fase de em fase de conclusão.

ASPECTOS GERAIS SOBRE O LIVRO SAUDADE

Thales Castanho de Andrade esteve ligado com as questões que envolviam a vida rural e agrícola. Assim, quando foi professor de uma escola rural pôde ter mais contato contribuindo com observações e elementos para o surgimento do seu livro Saudade. Segundo Arroyo (1988), em um depoimento, Thales Castanho de Andrade conta que Saudade (1919) foi escrito em quarenta manhãs.
Saudade (1919) nasceu como um pequeno artigo com o título de “Instrução e Agricultura” publicado em 1911, no Jornal O Monitor, da Escola Complementar de Piracicaba. Teve sua primeira edição impressa em Piracicaba, no ano de 1919, sendo que, para Lajolo e Zilberman (1999, p. 30) com este romance, Thales Castanho de Andrade encerra esse primeiro período da literatura infantil brasileira.
A primeira edição de Saudade foi feita pelo Governo do Estado de São Paulo através da Secretaria da Agricultura, totalizando 15 mil exemplares. A segunda edição foi feita, alguns meses depois, pelo Jornal de Piracicaba, totalizando uma tiragem de 20 mil exemplares, e da terceira à 13ª, os livros saíram com uma chancela da Gráfica Editora Monteiro Lobato, e depois sob a égide da Companhia Editora Nacional (ARROYO, 1988, p. 191).
Segundo Carradore (2004, p. 15), o livro Saudade, escrito em 1918 e editado em 1919, alcançou a 90º edição, totalizando mais de um milhão de exemplares, adotado para leitura nas escolas brasileiras. No entanto, segundo informações obtidas na Companhia Editora Nacional, que publica o livro, sabe-se que a última edição aconteceu no ano de 2002, sendo a 66ª edição.
Saudade (1919) foi um livro que, na sua época, foi utilizado na atividade didática escolar e possibilitava uma leitura real da situação das pessoas daquela época, contrariando outros livros que traziam visões ilusórias sobre o cotidiano e a vida das pessoas. Segundo a Companhia Editora Nacional, o livro fez parte da Coleção Infantil e também foi indicado como leitura didática escolar.
A Companhia Editora Nacional é uma das mais importantes editoras do país, pelo seu porte de produção, fundo editorial que adquiriu e fez publicar. Foi responsável por editar coleções de livros como, Biblioteca Pedagógica Brasileira, publicada entre 1931 e 1960, por autores de renome como Fernando Azevedo e Anísio Teixeira, e também por traduções de obras do francês, inglês, russo, entre outras línguas, desde sua fundação em 1925.
Esta editora surgiu depois da falência da Editora Monteiro Lobato e Cia em 1925, recomeçando com os fundos editoriais da antiga editora, dando continuidade aos padrões de edição estabelecidos por ela. A Companhia Editora Nacional, desde seu primeiro ano, produziu livros escolares, de literatura e poesia, diversificando a partir desse mercado consumidor outros tipos de obras, porém se transformou na maior editora do Brasil por meio dos livros escolares.
Segundo Toledo (2004), seu “arquivo morto” é precário, não há uma organização de conteúdos, datas e procedência, dificultando a pesquisa na documentação, onde estão guardados documentos importantes para a história dos livros no Brasil, sendo que já foi encontrado pela equipe organizadora do arquivo, documentos referentes aos contratos de direitos autorais de Fernando de Azevedo, Almeida Jr., Thales de Andrade, entre outros importantes autores.
Dentre o livros que Thales Castanho de Andrade escreveu nenhum alcançou o mesmo êxito de Saudade, que continha histórias interessantes com senso de comunicação e simplicidade, e gerou muitas críticas a seu favor (ARROYO, 1988, p. 191). No 30º aniversário de Saudade, o livro recebeu o título de Evangelho do Ruralismo e Thales Castanho de Andrade, o de Evangelista (CARRADORE, 2004, p. 24).
Segundo a Companhia Editora Nacional, constam em seus registros apenas informações a partir da 56ª edição do livro Saudade, publicado no ano de 1966.
No quadro abaixo segue a relação das edições do livro Saudade a partir da 56ª edição:

EDIÇÃO

ANO

TIRAGEM

56ª

1966

5.047

57ª

1967

10.051

58ª

1967

10.051

59ª

1967

-

60ª

1969

10.066

61ª

1969

10.250

62ª

1971

5.000

63ª

1974

6.002

64ª

1977

19.125

65ª

1982

7.491

66ª

2002

-

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando o exposto, até o momento posso concluir que o livro Saudade (1919) de Thales Castanho de Andrade marcou e delimitou a fase de transição da literatura escolar para a literatura infantil, enfatizando a vida rural do país à sua época e sendo utilizado na atividade didática-escolar.
O livro Saudade, publicado em 1919, e escrito por um autor nacional de literatura infantil, revelou tendências regionalistas, nacionalistas e rurais com ênfase na tradição oral e popular, indicando uma integração entre a escola e a literatura.
A utilização de livros-texto na atividade didática possibilitou o surgimento de uma “literatura escolar”, que era constituída de livros traduzidos e/ou produzidos por brasileiros, dedicados à infância, para o uso vinculado apenas à escola, com finalidade de ensinar valores morais e sociais, de forma agradável, e dessa “literatura escolar” que se origina a literatura infantil brasileira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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INSTITUIÇÕES, ACERVOS E SITES CONSULTADOS

• Biblioteca da FFC-UNESP/Marília

• Biblioteca Municipal de Piracicaba

• Museu Histórico e Pedagógico “Prudente de Moraes” – Piracicaba/SP

• Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba/SP

• Academia Piracicabana de Letras

• www.biblioteca.ufrgs.br/

• www.unicamp.br

• www.dedalus.usp.br

• www.cgb.unesp.br

• www.crmariocovas.sp.gov.br

• www.anped.org.br

• www.ibep-nacional.com.br

 
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