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  BIBLIOTECA ESCOLAR: A BUSCA DA DINAMIZAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DESTE ESPAÇO

Gláucia Maindra da Silva
Patrícia Constâncio Werner

1. INTRODUÇÃO

O papel social da biblioteca escolar é participar ativamente do processo educacional dos alunos. Suas atribuições são escolares e gira em torno de proporcionar o acesso ao conhecimento através de uma gama de serviços. Existem diversas atividades que englobam os serviços oferecidos pela biblioteca escolar, o profissional atuante nesta área deve ser criativo e proporcionar aos seus usuários momentos de lazer, de auxílio ao preparo de materiais que facilitem a vida do usuário na realização da recuperação da informação, entre outros.

Pode-se afirmar que a promoção do convívio entre as pessoas, o estímulo à pesquisa e ao estudo são funções e razão de uma biblioteca escolar existir. Mas, frente a estas não é demais afirmar que o estímulo à leitura está no topo das responsabilidades da biblioteca escolar. O bibliotecário ao dinamizar atividades através da leitura, reflete na biblioteca escolar perspectivas sobre os parâmetros educacionais vigentes. Neste momento, a interação do bibliotecário com outros funcionários da instituição, é base para a construção de um planejamento pedagógico que envolva esta comunidade na melhoria do trabalho desenvolvido, visando o desenvolver da comunidade envolvida.

A política de seleção e aquisição do acervo da biblioteca deve estabelecer critérios que permitam ao profissional trabalhar as necessidades dos usuários para não obter materiais desnecessários. Além de fornecer suporte para a realização de pesquisas tanto aos alunos, quanto aos profissionais educadores, ou servidores desta unidade de informação. Para tanto, seu acervo deve ser composto para complementar o ensino, despertando o interesse pela pesquisa, fundamentalmente deve incorporar-se ao acervo obras que despertem o interesse pela leitura. Dentre a diversidade de materiais deve persistir: coleção de referência, livros, gibis, jogos, mapas, vídeos (fita-cassete ou DVD), CD-ROMS, entre outros. Todos estes suportes de textos carecem de um olhar atento no sentido de se definir o lugar que ocuparão na biblioteca escolar e a maneira que estarão dispostos. Este olhar é fundamental para que o leitor seja convidado a interagir com o material que foi a razão dele procurar a biblioteca, mas também, deste mesmo leitor interagir com outros diferentes suportes. Assim dispô-los de uma maneira atrativa e adequada pode ser um procedimento que garanta a biblioteca escolar o exercício do seu papel a partir de sua organização física.

Dependendo do perfil do profissional responsável pela biblioteca, do seu modo de agir junto ao usuário, este órgão poderá vir a exercer a função de simples auxílio didático ou, poderá se tornar parte integrante no desenvolvimento intelectual de seus usuários. Pensar a Biblioteca escolar nesses moldes seria menos complexo se suas funções fossem realmente exercidas por profissionais que se percebessem inseridos no contexto determinante da educação. No Brasil, aos poucos se tenta alterar o histórico que assombra este modelo vigorante.

A Biblioteca Escolar no Brasil, salvo algumas práticas e políticas isoladas, reflete o retrato do descaso com a educação, promovida a depósito de livros didáticos. Na sua grande maioria está regida por profissionais readaptados , sem expectativas para a promoção dos serviços que devem ser prestados aos usuários para que percebam a biblioteca escolar como pulmão da escola.

A fim de contribuir com a quebra deste paradigma oportunizou-se a capacitação destes profissionais readaptados em nove escolas da Rede Municipal de Ensino de Blumenau (projeto piloto). Com este relato, soma-se a troca de experiências das atividades de desenvolvidas desde 2001, quando se iniciou o Projeto Piloto de Bibliotecas Escolares e estende-se até o momento. O presente projeto tem como objetivos: a) desenvolver atividades de leitura através da capacitação dos profissionais atuantes na biblioteca escolar; b) atividades de seleção do acervo; c) atividades de organização; d) e práticas de disseminação da informação.

2. METODOLOGIA

Após conclusão de estudos em nível de mestrado desenvolvido nesta mesma rede de ensino constatou-se a necessidade de elaborar um estudo de viabilidade para trabalhar ações relacionadas a seleção do acervo de literatura infantil e a promoção da leitura nas bibliotecas escolares da Rede Municipal de Ensino de Blumenau. Desenvolver um trabalho que atendesse a todas as escolas seria inviável pra um projeto que se pretendia PILOTO. Neste sentido foi necessário estabelecer alguns critérios.

Os critérios aplicados às 50 escolas vinculadas a SEMED para selecionar quais ingressariam no Projeto foram: a disponibilidade do espaço físico exclusivo para a biblioteca; acervo de literatura infantil; um funcionário responsável pela biblioteca.

Das 50 escolas analisadas, 38 possuíam espaço físico, das 38 escolas, apenas 32 possuíam um profissional responsável pela biblioteca, destas 20 apoiaram a formação/capacitação do(s) responsável(is) pela biblioteca no ano de 2001. Dentre os profissionais responsáveis pelas bibliotecas que ingressaram no projeto estão: professores pós-graduados, professores, atendentes de creche, recreadores, operadores administrativos, auxiliares administrativos, estagiários e bolsistas.

Em 2004 das 20 escolas, permaneceram no projeto apenas 9, são elas: EBM Fernando Ostermann; EBM General Lúcio Esteves; EBM Profª Alice Thiele; EBM Profª Júlia Strzalkowska; EBM Profª Nemésia Margarida; EBM Quintino Bocaiúva; EBM Tiradentes; EBM Visconde De Taunay; EBM Dr. Gustavo Richard (antes GEM Dr. Gustavo Richard);

Um dos principais motivos para a saída destas escolas do Projeto, é o fato de que não existe uma regulamentação no município que efetive os profissionais readaptados nas bibliotecas escolares, a cada ano alguns destes profissionais são remanejados da biblioteca, através da solicitação do próprio profissional, por solicitação das escolas, ou por solicitação da Secretaria Municipal de Educação.

A não identificação com o trabalho por parte de alguns dos profissionais contribuiu para a redução do grupo. Poucos foram os que se distanciaram por motivo de saúde, mas ainda assim estes continuaram as atividades de leitura nas bibliotecas.

Nos primeiros dois anos do Projeto foram realizadas formações a cerca da literatura infantil, através da análise do seu contexto, do seu histórico, seus gêneros, sua função, sua qualidade e formações com bibliotecários para ministrar cursos básicos sobre organização de bibliotecas escolares.

Nesta etapa, os Agentes de Biblioteca realizavam freqüentemente atividades de leitura na biblioteca, troca do livro de literatura infantil através do uso de cartão da biblioteca ou através de livros de empréstimo e auxílio à pesquisa escolar. Importante especificar aqui que as crianças escolhem livremente as obras que despertam seu interesse. A maioria das escolas inseridas no projeto, utiliza das estratégias citadas acima para atrair leitores freqüentes à biblioteca.

Após, este estágio o grupo sentiu necessidade de instruir-se quanto a organização técnica do acervo das obras de literatura infantil e tornar a recuperação da informação mais agradável ao leitor. Foi sugerida então, a contratação de um Bibliotecário para coordenar tais atividades. Desde abril de 2003, três bibliotecárias

já coordenaram o grupo.

Durante o período da primeira bibliotecária foi realizado a primeira seleção de acervo e criação do layout do novo espaço da biblioteca da Escola Básica Municipal Visconde de Taunay e alteração do layout da Escola Básica Municipal Dr. Gustavo Richard. Na transição de um ano para o outro, durante dois meses, o grupo se encontrou semanalmente sem a coordenação do bibliotecário, até a contratação da segunda bibliotecária . Mais dois meses se passaram. Em julho de 2004 é contratada a terceira bibliotecária O primeiro contato desta com o grupo ocorreu em agosto de 2004. Os encontros semanais, ora realizados no Centro Municipal de Estudos Pedagógicos com atividades teóricas e práticas, ora realizados de forma itinerante em cada semana encontros em uma das escolas participantes do projeto. É um momento de troca entre os agentes das experiências realizadas nas bibliotecas escolares, e também um momento de fortalecimento do grupo na divulgação de suas ações. As atividades sempre realizadas as quintas-feiras são especificamente relatadas a seguir.

2.1 Descrição das atividades

2.1.1 Alteração do layout das bibliotecas

As escolas que participam do projeto não possuem o modelo ideal de espaço físico adequado às necessidades de uma biblioteca escolar. Refere-se aqui a um sonho de um amplo espaço destinado a leitura, a pesquisa, aos audiovisuais, as atividades técnicas (seleção, aquisição, processamento técnico), um espaço livre para o fluxo de usuários nas estantes e para a disposição do mobiliário é até o momento um ideal para as escolas públicas da Rede Municipal de Educação de Blumenau. Mas, infelizmente esta é a nossa realidade e realidade das escolas públicas de boa parte de todo o Brasil. Mediante esta realidade é que foi necessário pautar o trabalho.

A inquietação por um espaço mais agradável fez com que até o momento 6 escolas alterassem o layout das bibliotecas a fim priorizar

[...] o conforto do usuário e o aproveitamento racional do espaço. Bibliotecas em edifício próprio são casos raros. Algumas salas destinadas à biblioteca em edifícios de organizações diversas já uma situação bastante satisfatória. Nesse caso, seria muito mais simples a planificação funcional do espaço, pois o arquiteto, com o bibliotecário, já teria considerado todas as exigências da biblioteca, e poderia realizar o melhor dentro das inevitáveis restrições da área a ela atribuída. (PRADO, 1992, p.129)

Em geral será a bibliotecária que tomará frente na escolha da disposição dos móveis, pois até o momento não realizou-se parceria com arquitetos. Coube aos agentes e a bibliotecária a alteração do layout das bibliotecas e a definição dos critérios de acordo a necessidade de cada escola e mediante realidade sócio-econômica particular de cada instituição.

No geral os setores estavam organizados por áreas temáticas, não havia uma ordenação de acordo com algum sistema de classificação, a sinalização também estava prejudicada, assim como a ordenação das obras nas estantes. O livros relacionados a educação ou os que, por solicitação dos professores não ficassem disponíveis aos alunos, na maioria das escolas estavam em armários fechados. Com a seleção e o redimensionamento do acervo disponível, este passou a ser único, permitindo ao aluno usufruir de todo o acervo.

Não obstante, em alguns casos a iluminação da biblioteca era prejudicada pela disposição das estantes no ambiente. Com a alteração do layout os ambientes ficaram mais arejados e melhor iluminados.

O número de obras que foram selecionadas para descarte e doação possibilitou o acervo das escolas crescerem. Também foram incluídas novas estantes, que em alguns casos possibilitaram a reserva de espaço na disposição das obras.

A decoração destinada ao quanto da leitura na biblioteca tornou o ambiente agradável, chamando a atenção principalmente o público infantil. A comunidade escolar surge com maior freqüência, descaracterizando o estereótipo de que as bibliotecas escolares estão destinadas a depósitos de livro didático.

A sinalização do acervo de acordo com a Classificação Decimal de Dewey – CDD tem possibilitado aos usuários compreender melhor a organização do conhecimento dentro da biblioteca escolar, tornando mais autônomo na busca da informação.

2.1.2 Avaliação, seleção e descarte do acervo

Vergueiro (1997, p. 8) coloca dois pontos básicos para discutir a questão do bibliotecário como selecionador:

1) o bibliotecário conhece, ou deveria conhecer, o acervo sob sua responsabilidade, sabendo melhor do que ninguém em que aspectos ele está fraco, em que aspectos ele está forte, em que aspectos ele atingiu um estágio ideal de desenvolvimento;

2) o bibliotecário conhece, ou deveria conhecer, o usuário cujas necessidades informacionais tem por obrigação procurar atender, sabendo avaliar objetivamente suas demandas e diferenciando as que têm características mais duradouras, ligadas a necessidades reais, das que são ditadas por tendências esporádicas, influência dos meios de comunicação de massa ou modismos.

Não existe no Município de Blumenau uma lei/ decreto/ resolução/ portaria que permita e/ou regulamente os procedimentos destinados às bibliotecas escolares para o descarte do acervo. No entanto, as bibliotecas escolares na sua maioria não possuem livro de registro para controle das obras que pertencem ao acervo. Portanto, todos os acervos das bibliotecas participantes do projeto antes de iniciarem o registro das obras passam por uma seleção de acervo.

Os critérios para a seleção, para fins de aquisição e avaliação do acervo, são embasados na experiência dos responsáveis pelas bibliotecas, quando estes já atuam a certo período na escola, pois conhecem o acervo e as necessidades informacionais dos usuários.

Outras influências nos critérios foram baseadas na experiência da Reestruturação da Biblioteca da E. E. Básica Dom Jaime de Barros Câmara (localizada no Ribeirão da Ilha em Florianópolis) realizada na disciplina de Bibliotecas Escolares (CIN 5312), ministrada pela professora Clarice Fortkamp Caldin, no semestre 2002/2, no ano de 2003.

Foram definidos alguns critérios básicos, são eles: boas condições de uso (sem cupins, sem grandes rasuras, entre outros que prejudiquem a compreensão do conteúdo) e documentos anteriores a 1972, nos quais a correção ortográfica interfira na utilização da obra.

Nas escolas em que existiam um livro de registro, mesmo fora dos padrões, foi separado o material descartado para posterior baixa no livro de registro. Os materiais direcionados para doação ficam guardados em caixas de papelão, outros são picotados para vender ao reciclável.

Entre os livros para doação, estão em porcentagem considerável os livros didáticos superiores a cinco anos de uso e os livros de literatura infantil que não conferem aos critérios de qualidade.

No decorrer da seleção, as obras já foram classificadas de acordo com o terceiro sumário da CDD. Até o momento algo novo para os agentes, pois até então trabalhavam apenas com a classificação 028.5 referente a literatura infanto-juvenil.

Permaneceram dicionários e enciclopédias posteriores a 1971 (quando houve a última reforma ortográfica no Brasil), em condições de uso (sem cupins, sem grandes rasuras, entre outros que prejudiquem a compreensão do conteúdo). Na seleção das enciclopédias priorizou-se as edições completas, e as edições incompletas quando a falta de volumes não interferir na recuperação da informação. Em alguns casos esta foi a alternativa, pois não dispomos de um acervo atualizado e satisfatório.

As obras de literatura infantil, infanto-juvenil, e gibis foram selecionadas de acordo com os critérios básicos, como autoria, título, editora, local de publicação, ano de publicação, em alguns casos a qualidade do texto literário.

Quanto aos periódicos (revistas e jornais), apenas duas das escolas em que foi realizada a seleção até o momento possuem assinatura de periódicos. Estes foram divididos por assunto.

Folhetos, folders, informativos, boletins, entre outros, ficam separado por assunto em pastas ou caixas.

O acervo de material didático, além dos critérios básicos incorporou apenas o material publicado nos últimos cinco anos. No geral este é o material que as escolas mais recebem doações. O material didático das áreas de português (400), inglês (420), matemática (510), física (530), química (540), biologia (570), história (900), e geografia (910), foram inseridos nas respectivas classes gerais.

As obras ficam dispostas nas estantes da esquerda para direita, de cima para baixo. No próximo item fica explicito como foi subdividida a classificação do acervo e pode-se acompanhar intensamente esta estruturação.

2.1.3 Registro do acervo

Após a seleção e classificação do acervo, o material separado para doação e descarte passa pelo processo de baixa no “Livro de registro” (quando este existe). Três escolas que já realizaram a seleção do acervo já (re)iniciaram o livro de registro dentro dos padrões expostos.

Segundo Pereira (2002, p.1),

O registro é uma atividade de caráter absolutamente administrativo. Através dele é feito o controle de todo o material que é incorporado ao acervo de uma Biblioteca/ Unidade de Informação, possibilitando a sua contabilização.

O registro permite saber: a) total de obras e volumes que a biblioteca/unidade de informação possui; b) quantos volumes foram incorporados ao acervo em determinado período; c) histórico da aquisição - procedência, custo, etc.

De acordo com Pereira (2002, p.1) “[...] a organização deverá ser feita em ordem numérica crescente. O controle da numeração deverá ser rigoroso para que não ocorram duplicações de um mesmo número, ou mesmo a ausência de números preenchidos.“

Não havendo defeitos de impressão, encadernação, etc. as obras são carimbadas nas páginas de acordo com o seguinte critério: carimbo com o nome da escola (folha de rosto); registro (verso da folha de rosto); nome da Biblioteca (páginas segredo, cabeça, pé, corte do livro).

2.1.4 Classificação do acervo de acordo com o terceiro sumário da CDD

Segundo Merril (apud LITTON, 1975, p. 3) classificação é:

a arte de designar, para os livros, um lugar determinado num sistema de classificação no qual são agrupados, de acordo com suas semelhanças ou relações, os diversos temas da pesquisa humana, ou as descrições da vida humana em seus diversos aspectos.

Classificar é definir através de forma numérica, única e generalizada a localização do documento, para os agentes a classificação é algo novo, eles realizam apenas a confecção da etiqueta que é colocada na lombada dos livros de literatura infantil. As atividades de seleção que envolvem a classificação das obras dentro das 10 grandes áreas do conhecimento da CDD são sempre acompanhadas pela bibliotecária.

Posteriormente, quando da realização do registro e preparo para circulação da literatura infantil e infanto-juvenil será possível definir outras atividades de classificação para o acervo. Até o momento, as obras estão separadas dentro das 10 grandes áreas da CDD .

2.1.5 Recuperação da informação e preparo para circulação

A recuperação da informação se dá através da sinalização nas estantes, não existe sistema manual ou automatizado nas escolas para recuperar a informação. Apenas para a literatura infantil existe um número de chamada para recuperar essa informação no acervo, mas essa tarefa se da direto na estante, pois não existe um catálogo para consulta, esta realidade envolve todas as bibliotecas do projeto.

As informações referentes ao preparo para circulação da obra refere-se a confecção de etiqueta na lombada do livro com a classificação CDD (028.5 – literatura infanto-juvenil) e notação de autor, etiqueta colorida de acordo com a inicial do sobrenome do autor (definida através da tabela de Cutter-Sanbor)

Se os usuários não forem orientados em como proceder para encontrar a informação se tornarão extremamente dependentes do agente de biblioteca. Esta orientação de como usar o acervo ainda acontece precariamente. Este ponto esta melhor especificado no item a seguir.

2.1.6 Atendimento aos usuários

O “indivíduo” responsável pelo Serviço de Referência deve questionar/ dialogar com usuário a fim de investigar quais são suas reais necessidades informacionais, para desta forma suprir sua busca.

A democratização da informação requer, necessariamente, além do conhecimento e da integração da biblioteca com a comunidade a quem deve servir, a disseminação e o acesso dos usuários às informações presentes ou não no acervo da biblioteca (ALMEIDA JUNIOR, 1997 P. 59).

O atendimento aos usuários nas bibliotecas escolares do projeto ainda caminha para um trabalho mais especifico com a pesquisa escolar. Na orientação para elaboração dos trabalho escolares a EBM Gal. Lúcio Esteves já iniciou atividades de orientação a pesquisa com resultados satisfatórios à comunidade escolar.

No geral todos os agentes desenvolvem algum trabalho de leitura com as crianças, e alguns participam ativamente na elaboração dos planos de aula, estando em contato direto com os professores e orientadores pedagógicos, contribuindo com ações positivas sobre a função da biblioteca escolar.

2.2 Análise crítica das atividades

Mesmo com todo trabalho já desenvolvido é necessário ampliar horizontes para estes profissionais que atuam nas bibliotecas escolares. As atividades relacionadas ainda necessitam de estudos aprofundados para melhor compreender cada etapa descrita até então, para que as atividades em grupo não se tornem repetitivas e desgastantes.

No que concerne o processamento técnico, falta agilizar o registro das obras, preparar o acervo para circulação, pois não se dispõe de ficha de empréstimo padronizado, tão pouco, um cadastro de usuários condizentes com os padrões estabelecidos, muito menos um sistema de recuperação da informação.

Com o intuito de recuperar a informação em tempo reduzido e possibilitar melhores condições de pesquisa aos usuários é necessário destinar horas semanais para o preparo da sinalização e orientação do acervo. Deve haver um equilíbrio entre as atividades. O tempo de atendimento aos usuários não pode ser reduzido em virtude das atividades técnicas.

Existem inúmeras atividades dentro da biblioteca escolar a serem realizadas como, por exemplo: a elaboração da Disposição Interna das Bibliotecas; o Regulamento das Bibliotecas; a Interferência do Agente de Biblioteca no Projeto Político Pedagógico (PPP) da Escola. No entanto, é sabido que independente desta organização, a escola encontra-se lá juntamente com seus usuários, acervo e cotidiano e precisa bem ou mal ser otimizada.

E para tal, torna-se necessárias alternativas junto a biblioteca pública, uma vontade política do executivo municipal, e/ou criar uma rede de bibliotecas escolares que viabilize a parte técnica do acervo, reservando ao agente de biblioteca tempo maior para dedicar-se as atividades de leitura e pesquisa.

O ideal seria a criação do cargo de bibliotecário para atuarem nas bibliotecas escolares, mas esta etapa está em processo de especulação, o que se vê na prática são alternativas, como esta exposta, com o custo menor para o sistema, que em muitos casos compromete o desenvolvimento intelectual das crianças.

3. A VALIDADE DO PROJETO E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante conscientizar que a biblioteca escolar no Brasil tem passado por oscilações desde a criação do curso de Biblioteconomia, regulamentado em 30 de junho 1962, pela Lei Nº 4.084. Conforme pode-se respaldar, segundo França (2003) em que

a importância da biblioteca escolar a partir das diretrizes estabelecidas pela Lei nº 9.394 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), de 20 de dezembro de 1996, das Diretrizes Curriculares da Educação Básica e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), no que diz respeito aos mecanismos que a escola, em seu cotidiano, deve criar para que os estudantes da educação básica desencadeiem práticas de leitura e escrita.

Silva (apud SILVA, 1995, p. 49), esclarece o histórico da leitura no Brasil, quando afirma que

qualquer retrospectiva histórica voltada a análise da presença da leitura em nossa sociedade, vai sempre redundar em aspectos de privilégio de classe e, portanto, em injustiça social. Quero dizer com isto que o acesso à leitura e aos livros nunca conseguiu ser democratizado em nosso meio. A tão propalada ‘crise da leitura' não é uma doença destas últimas décadas e nem deste século: ela vem sendo reproduzida desde o período colonial, juntamente com a reprodução do analfabetismo, com a falta de bibliotecas e com a inexistência de políticas concretas para a popularização do livro.

A democratização da leitura não tem sido prioridade no Brasil, nem em si a educação. A validade deste projeto leva a outra realidade sobre a unidade escolar. Com a inexistência de bibliotecas escolares atuantes e, por sua vez, profissionais atuantes, a interação e a participação deste profissional na constituição do Projeto Político-pedagógico Escolar tem sido nula de modo geral em todos os lugares. De acordo o Manifesto da Biblioteca Escolar (Disponível em: http://www.dapp.min-edu.pt/rbe/documentos/manifestobeunesco.doc. Acesso em: 10 dez 2004)

Num meio cada vez mais dominado pelas redes de informação, os bibliotecários escolares devem possuir competências para planear e ensinar diferentes técnicas no tratamento da informação tanto a professores como a alunos. Devem, por conseguinte, prosseguir a sua formação e desenvolvimento profissionais.

Portanto, o trabalho nas bibliotecas da Rede Municipal de Ensino de Blumenau está apenas esquentando os motores para dar a largada.

Profissionais mobilizados em busca de um “novo” perfil bibliotecário para atuar nas bibliotecas escolares e (re)conquistar seu espaço, tem sido constante nestes últimos tempos que buscam despertar aos usuários, a importância de restaurar as bibliotecas escolares e, assim, o prazer da leitura na comunidade escolar.

No entanto, é imprescindível que o desenvolvimento de atividades em torno das bibliotecas escolares e da leitura, nos moldes deste projeto, continuem e se propaguem, permitindo manter os resultados já alcançados.

Resultados estes, que são: professores freqüentam a biblioteca e solicitam material para elaboração das suas propostas; demais funcionários (professores, estagiários, direção e até os de serviços gerais, não deixando de citar os pais) que passam a inseri-la no seu cotidiano e, em especial, os alunos não esquecem o horário de atendimento, o de ir à biblioteca, o de construir, o de ler.

Apesar do pouco tempo e do muito que se tem a fazer em bibliotecas escolares, foi possível constatar a necessidade da participação do responsável pela biblioteca no processo de construção do planejamento mensal das aulas, pois é extremamente importante conhecer seus usuários, suas necessidades e especificidades, não basta aplicar uma leitura sem pesquisar a temática fluente que possa satisfazer o mesmo. Primordial um tempo mais vasto para planejar as leituras e a interação com os usuários a fim de intensificar os benefícios aos educandos.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA JUNIOR, Oswaldo Francisco de. Bibliotecas públicas e bibliotecas alternativas. Londrina: Ed. UEL, 1997. 171 p.

FRANÇA, Viviane Fernandes. Uma Biblioteca Escolar Diferente: Um Espaço de Informação e Cultura que não se esquece. Disponível em: http://www.cfb.org.br/html/saladeleitura_06.asp . Acesso em: 08 dez. 2003.

LITTON, Gaston. Classificação e catalogação. São Paulo: McGraw-Hill, 1975.

GRUPO DE BIBLIOTECÁRIOS DA ÁREA ESCOLAR. Manifesto UNESCO/IFLA para biblioteca escolar. Disponível em: http://www.gbaesc.kit.net. Acesso em: 13 maio 2004.

PEREIRA, Magda Chagas. Registro ou tombamento. 2002. 3 f. Notas de aula. Apostila.

PEREIRA, Magda Chagas. Tipos de bibliotecas. 2002. 7 f. Notas de aula. Apostila.

PRADO, Heloísa de Almeida. Organização e administração de bibliotecas. 2. ed. ver.São Paulo: T. A. Queirós, 1992.

SILVA, Waldeck Carneiro da. Miséria da biblioteca escolar. São Paulo: Cortez, 1995. 118p.

VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação: princípios e técnicas. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de Lemos Livros, 1997. 125p.

 

 
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