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  VIVÊNCIAS DE LEITURA E DE ESCRITA NO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Denise Gabriel Witzel (UNICENTRO-PR)

Primeiras palavras

Este trabalho se constitui de um relato de experiência e tem por objetivo divulgar uma atividade de leitura e de escrita realizada em 2003, na disciplina de Leitura e Produção de Textos, no curso de Comunicação Social da Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO – Pr. Sem a pretensão de oferecer algo inovador, intentamos, com esta exposição, tecer reflexões que podem contribuir para a superação das dificuldades que muitos alunos, dos diversos cursos, apresentam no momento em que são chamados a ler, interpretar ou escrever um texto no espaço universitário ou fora dele.

Da leitura do texto literário à produção de textos

São, sobretudo, as contribuições das teorias do texto e do discurso que respaldam e subsidiam nossa prática de leitura e produção textos no curso de Comunicação Social. Especificamente para a atividade de que trata este trabalho, mobilizamos os seguintes suportes teóricos: i) funções da linguagem (JAKOBSON, 2003); ii) tipos e gêneros textuais (KAUFMAN & RODRIGUEZ, 1995; MEURER & MOTTA-ROTH, 2002); iii) intertextualidade e polifonia (BAKHTIN, 1988; KRISTEVA, 1974; KOCH, 1997) iv) reprodução, paráfrase e criação (MESERANI, 2002).
Tal como muitos professores de língua portuguesa, partimos do princípio de que para aprimorar o desempenho escrito dos alunos, é necessário muita leitura. Contudo, sabemos que no processo de escolarização da maioria desses acadêmicos, há pouco espaço para se exercitar o gosto pela leitura, especialmente de certos tipos de textos – livros de literatura, seções de opiniões/artigos dos jornais, revistas informativas semanais, etc. Diante de estudantes universitários que raramente lêem e que precisam melhorar seu desempenho textual, até porque o domínio da escrita é parte fundamental na sua formação, propusemos uma atividade a partir da leitura de um livro literário com bastante expressão no cenário da literatura Universal: O estrangeiro, de Albert Camus.
Antes de avançarmos, é preciso esclarecer que o texto de Camus não foi tomado como um mero pretexto para as atividades textuais, pois entendemos que, a exemplo do que se fez durante muito tempo no ensino da língua portuguesa, o texto literário é pretexto quando é deturpado por estar “a serviço” do ensino, quer dizer, quando serve de modelo para o “bom uso” da linguagem por exemplo. Para nós, o texto literário, enquanto manifestação discursiva, deve figurar nas aulas de língua portuguesa juntamente com os demais textos (jornalísticos, publicitários, visual, etc.). A experiência tem demonstrado que, muitas vezes, o texto literário não desperta grande interesse quando do primeiro contato dos alunos. Contudo, após uma análise cuidadosa, é certo que esse tipo de texto provoca maior prazer do que outros mais óbvios, pois há um partilhamento de emoções estéticas que se revela a partir do momento em que os alunos começam a interagir com o texto. E isso certamente é uma estratégia para motivá-los a buscarem outros livros, a terem vontade de ler sempre mais, o que os leva à prática constante e prazerosa ao mesmo tempo em que os torna leitores atentos, críticos, ou nas palavras de Lajolo (2003), leitores maduros.
Além disso, concordamos com Louzana (1997, p.51) quando ela afirma que o trabalho com o texto literário “traz a consciência de que a escrita é um procedimento suscetível de produzir efeitos interessantes e poderosos”. É igualmente a partir da literatura que se pode “criar universos de referência imaginários, (...) dar vida às ficções, (...) dar sentido às palavras despidas de qualquer urgência e utilidade funcional”.
Sobre o autor de O Estrangeiro, vale lembrarmos que Camus, escritor franco-argelino, que nasceu na Argélia em 1913 e morreu em um acidente de carro na França em 1960, deixou profundas marcas no pensamento humano e foi excepcional na literatura. Ficou conhecido como o escritor do absurdo e da revolta. A sua definição de absurdo diz respeito ao confrontamento da irracionalidade do mundo com o desejo de clareza e racionalidade que se encontra no homem. Quanto ao conceito de revolta, está vinculado à busca inconsciente de uma moral.
O Estrangeiro, romance publicado em 1942, na França, conta a história de Mersault, personagem que leva uma vida de indiferença. O livro começa anunciando a morte de sua mãe que vivia em um asilo fora de Argel. Esse fato, bem como seu relacionamento com Marie ou com qualquer outro personagem da narrativa, não parece interessá-lo ou incomodá-lo. Acreditando estar sendo ameaçado, ele mata um árabe em uma praia deserta “porque fazia calor”, como ele mesmo afirma. Esse acontecimento transforma sua existência em um drama. É condenado à morte. As conseqüências de sua indiferença revelam-se nesse momento. Na verdade, ele é condenado, certamente, porque vivia à margem: negava a existência de Deus; não se importou com a morte da mãe; não se importava com nada nem ninguém, e não porque havia matado o árabe. Em suma: Mersault parece procurar a justificação de sua existência e não a encontra, convertendo-se assim num estranho, um estrangeiro para si mesmo.
Essa é, portanto, a história com a qual 36 acadêmicos tiveram contato. Vale mencionar que nenhum desses alunos havia ouvido falar em Camus, tampouco em O Estrangeiro. O primeiro passo, portanto, foi o estudo/a pesquisa sobre alguns elementos fundamentais a respeito do autor e da sua obra, para que eles pudessem interagir de modo mais confortável com o universo de Mersault. Eles, então, leram o livro e, na seqüência, tal como se espera de uma leitura dinâmica, desacomodaram-se, questionaram, criticaram, posicionaram-se, indignaram-se e divertiram-se. Suas impressões sobre o livro, sem a pretensão de uma análise literária, manifestaram-se na produção de uma pluralidade de gêneros textuais em um processo intertextual que reúne reprodução, paráfrase e criação (MESERANI, 2002).
A organização dos trabalhos foi respaldada pela sugestão de Kaufman e Rodriguez (1995). Essas autoras propõem uma classificação tipológica de vários textos que estão presentes na realidade social articulando-os a uma proposta didática. Os critérios que utilizaram para tal classificação consistem em reconhecer as funções da linguagem e as tramas que predominam na construção textual, quer dizer, de um lado, temos as funções da linguagem tais como as entende Jakobson, e de outro, as tramas narrativas, descritivas, argumentativas e conversacionais. Abaixo, apresentamos o quadro que as autoras propõem mantendo, exclusivamente, os gêneros textuais que foram exercitados nos trabalhos dos acadêmicos.

Quadro 1: Classificação dos textos por função e trama

Função

Trama

Informativa

Expressiva

Literária

Apelativa

Descritiva

 

-          Definição

-          Relato de experiência

 

 

 

-          Aviso,

-          Folheto

-          Cartaz

-          Receita

-          Instrução

Argumentativa

-          Artigo de opinião

 

 

-          Folheto

-          Carta

-          Solicitação

Narrativa

-          Notícia

-          Biografia

-          Relato Histórico

- Carta

-          Poema

 

-          Aviso

-          História em quadrinhos

Conversacional

-          Reportagem

-          Entrevista

 

 

 

 

É evidente que outros quadros ou outras propostas poderiam ser utilizados. Escolhemos esse porque há nitidamente uma ressonância com os atuais estudos da lingüística textual e das áreas que convergem no estudo dos discursos. Ao propor uma articulação entre a trama e a função da linguagem, as autoras corroboram a premissa de que é impossível pensar em uma tipologia única, sistemática e explícita.
Com base nesse quadro e à luz da noção de que texto é muito mais do que concretização de regras sintático-semânticas, já que resulta de possibilidades de sentidos e de intenções com efeitos comunicativos, os alunos exercitaram o funcionamento textual-discursivo de todos esses textos ao mesmo tempo em que aprofundavam a leitura da obra indicada. O comando do trabalho orientava, ainda, para o fato de que o texto se situa na realidade histórica, é fruto de práticas sociais e interage intertextualmente com outros textos. Eis um ponto bastante importante para os propósitos deste trabalho: o fenômeno intertextual.
Koch (1997) sugere uma distinção entre intertextualidade em sentido amplo e intertextualidade em sentido restrito. A primeira se aproxima dos fundamentos da Análise do Discurso segundo a qual o texto possui caráter não acabado, porque há uma enormidade de sentidos possíveis que deriva da relação do texto com outros textos. É heterogêneo, pois há uma relação inevitável e necessária de seu interior com o seu exterior. E deste participam outros textos com os quais dialoga. Nessa linha de análise, a intertextualidade é fator necessário para o estabelecimento do sentido de um texto. Já a intertextualidade em sentido restrito diz respeito “à relação de um texto com outros textos previamente existentes, isto é, efetivamente produzidos” (KOCH, p.48).
Os textos dos alunos, apresentados logo à frente, foram produzidos dentro de uma rede de relações intertextuais explícitas. Meserani (2002) nos ajuda a melhor compreender o processo de produção desses textos, quando analisa três possibilidades de práticas intertextuais: a reprodução, a paráfrase e a criação. Resumidamente, podemos entender que a reprodução mantém igualdade com outro, quer dizer, trata-se da produção do mesmo, do idêntico ou muito semelhante. Os textos dessa categoria transformam o diálogo intertextual em eco, ou se quisermos, em efeito papagaio. A prática de se reproduzir um texto, ou parte deste, é muito comum em qualquer nível de ensino. Do fundamental ao superior, os alunos seguidamente reproduzem textos para mostrar compreensão e assimilação de conteúdos, no caso de provas e de exercícios, ou simplesmente para registrar uma aula.
Em que pese a esterilidade das atividades meramente reprodutivas, como a prática de se decorar ou memorizar textos para serem reproduzidos em avaliações, é importante ressaltar que, ao reproduzirmos um texto, há inevitavelmente deslocamentos de sentidos, pois mesmo quando nos propomos a citar literalmente o que o outro disse/escreveu, o novo contexto faz emergir outros sentidos, outras interpretações.
Dentre os textos selecionados e apresentados na seqüência, há um exemplo de reprodução que merece alguma observação. Trata-se da história em quadrinho (texto 2). Observemos que o aluno reproduziu fielmente uma das passagens mais tensas do romance. O fato de ter escolhido esta, e não outra passagem, já marca a subjetividade e, portanto, altera o sentido. Além disso, há uma mudança na linguagem, da verbal para a não-verbal. Toda a descrição do momento do assassinato do árabe, ao mesmo tempo em que reproduz o texto original, deslocam-se sentidos, o que nos permite dizer que é o igual e o diferente ao mesmo tempo.
A paráfrase, por sua vez, pode ser entendida como uma estratégia que se remete a um texto anteriormente produzido para reafirmá-lo, esclarecê-lo. Deixando de lado uma enormidade de aspectos que envolvem os desdobramentos parafrásicos, destacamos unicamente o fato de que “em razão de seu caráter de esclarecimento de um texto, a paráfrase aproxima-se da tradução e da interpretação”, conforme argumenta Meserani (2002, p .98). Esse movimento interpretativo pode ocorrer de duas formas. A primeira o autor chama de paráfrase reprodutiva:

A paráfrase reprodutiva é a que traduz em outras palavras um outro texto, de modo quase literal. Dentro de limites bastante estreitos, ela serve para reiterar, insistir, fixar, evitar ruídos redundantemente, explicar, precisar, expandir ou sintetizar uma mensagem – no todo ou parcialmente. Trabalha basicamente no eixo de substituições semânticas, da sinonímia. (op.cit. p.100)

A segunda forma de paráfrase apontada por esse autor é a paráfrase criativa. Esta diz respeito ao texto que “ultrapassa os limites da simples reafirmação ou resumo do texto original, da repetição do significado dentro do eixo sinonímico, da simples tradução literal”. Quer dizer:

A paráfrase criativa costuma servir-se do texto original como um pretexto, como um motivo ou um tema. Um estilo, um tom retórico, a estrutura de um gênero, a ressonância de uma frase ... tudo pode ser deslocado, reformulado, restituído. Provocação mais forte ocorre quando o texto original passa a se constituir em um mote a ser desenvolvido semântica e formalmente. (op.cit. p.109)

A terceira e última categoria de intertextualidade é a criação. São criativos, no entendimento de Meserani (op.cit), os textos que em sua originalidade se sobrepõem à média de textos da mesma natureza e gênero. Ao tratar especificamente da redação escolar, esse autor afirma que ela é criativa quando se percebe um desvio radical em relação aos modelos escolares. O autor lembra também que, ao lado da originalidade desses textos, é preciso que ele seja eficaz, pois um texto pode surpreender por inovar, mas não ser eficaz com relação à sua intenção e proposta.
Quando propusemos aos alunos a leitura de O Estrangeiro e a posterior produção de vários gêneros textuais intertextualmente afinados com a obra, intentávamos levá-los a criarem textos que se aproximassem da paráfrase ou mesmo da criação, pois na tentativa de ultrapassar os limites das reproduções, cópias, convidamos os alunos a exercitarem suas potencialidades de criar. Não se tratava de um tema a ser desenvolvido, tampouco de um texto que fosse apenas suporte de idéias para a construção de um mesmo assunto. Entendíamos que tal estratégia poderia ser estimulante e que esse convite para um mergulho no texto de Camus contribuiria para promover um encontro entre o aluno e o prazer de ler/escrever.
Para que possamos visualizar os resultados obtidos com a proposta aqui relatada, reproduzimos onze exemplos selecionados. O que mais chama a atenção nessas produções são, sem dúvida, os efeitos criativos, o envolvimento e a leitura competente, revelados por meio de palavras e de imagens.

 

Os textos dos alunos

1. Artigo de opinião

2. História em Quadrinhos

Camus desperta o Mersault de cada um de nós

 

Um homem recebe um telegrama que informa sobre a morte de sua mãe, que estava em um asilo. Em todo o funeral, o homem não demonstra nenhum sentimento, nem uma lágrima. Isto pode ter sido a diferença entre sua vida e sua morte.

Este homem é Mersault, e a história se passa no livro “O Estrangeiro”, de Albert Camus. Lançado em 1942, o livro é uma obra prima do existencialismo, onde o autor mostra todo o niilismo que lhe é característico. Conhecer esse ponto de vista, que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados, e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência, é essencial para que a assimilação da obra não seja deturpada.

Mersault é uma figura singular, que desperta paixões acerca de sua personalidade. Sua aparente indiferença frente aos mais diversos acontecimentos da vida pode fazer com que ele seja visto como um doente, um desequilibrado. Ledo engano. Ninguém é mais centrado que ele.  Quando, no livro, é perguntado se não poderia dizer que havia controlado os sentimentos naturais no dia em que enterrou sua mãe, ele refuta a sugestão, dizendo que aquilo não era verdade. Nesse ponto, Camus dá um tapa na cara de quem se sujeita a mascarar seus sentimentos, a maquiar suas intenções para obter algum benefício, qualquer que seja.

Esse é o estrangeiro. Esse homem que foge aos padrões, que aceita morrer, mas não aceita mentir. Esse homem que é visto como uma ameaça para a sociedade, que preza a aparência e despreza o conteúdo. A uma primeira vista irritante, o livro requer uma segunda leitura, mais calma, mais consciente. Somente assim é possível compreender o que Mersault representa e, até mesmo, aceitar o Mersault que existe em cada um de nós. Latente em alguns, adormecido em outros, desperto em poucos.

O livro é excelente, mas sua leitura requer um pouco mais do que a simples decodificação das palavras. A experiência de conhecer uma história como o “Estrangeiro” é única e leva o leitor atento a rever alguns conceitos tidos como naturais pela sociedade. O realismo da narrativa, os detalhes são um caso à parte. Quem não sentir o suor escorrendo pela testa, quem não tiver a vista ofuscada pelo reflexo do sol na faca do árabe e distorcida pelo calor que sobe da areia da praia, naquele domingo, não leu o livro.


 

 

3. Charge

4. Biografia

 

Mersault nasceu em 25 de fevereiro de 1933, na Argélia. Filho único. Seus pais se divorciaram quando possuía nove (09) anos. (...)

Após a conclusão do curso de graduação retornou à Argélia, seu país natal, onde trabalhou em diferentes empresas. Ainda quando estudava na França mandou a mãe para um asilo, devido às dificuldades econômicas que o rodeavam.

Mersault teve uma vida relativamente tranqüila, até assassinar um árabe. O crime o levou a ser condenado À morte em sua cidade natal, aos sete dias do mês de novembro de 1968, com 35 anos de idade.

Mersault permanece na história como alguém atípico:ateu, frio, calado, sem amor e sem ódio transparentes.

5. Notícia


 

6. Reportagem

7. Poemas

 

 

Calor nas têmporas

 

Sentimentos estranhos ...

Se é que eles existem

As têmporas quentes

Refrescadas na liberdade do mar.

 

Comportamentos estranhos ...

Sem estes não existem

As têmporas quentes

Culpadas pela sua culpa e azar.

 

O amor duvidoso

Entre um beijo gostoso

Torna-se passageiro.

 

Um ato curioso

O tornou criminoso

Foi condenado O Estrangeiro

Mersault

 

E agora Mersault?

O calor irritou,

O gatilho puxou,

O árabe caiu,

A prisão chegou,

E agora Mersault?

E agora você?

Você que é sem nome

Que é indiferente aos outros

Você que é taciturno

Que ama, ou não ama?

E agora Mersault?

 

Está sem Marie,

Está sem palavras,

Está sem carinho,

Já não pode beber,

Já não pode fumar,

Viver já não pode

A noite esfriou

O sol veio,

Tudo acabou,

Tudo fugiu, Tudo mofou, e agora Mersault?

Se você se emocionasse,

Se você cresse,

Se você chorasse,

E se compadecesse

Se você vivesse

Se você amasse,

Se você morresse...

E você morre,

Você é fraco, Mersault!

 

Sozinho na praça

Qual solitário,

Sem teogonia,

Sem praia nua

Para se deitar

Sem um cavalo

Que fuja a galope

Você caminha, Mersault!

Mersault, para onde?

 

 

8. Receitas

9. Instruções

Estrangeiro Passo a passo

 

Desenvolva um personagem de personalidade forte e de uma estranha e marcante indiferença sentimental. Adicione à sua personalidade todas as características que puder, desde que sejam pouco convencionais. Anti-sociabilidade a gosto. Adicione uma dose de melancolia e uma pitada de esquisitices. Reserve.

Ao preparo anterior, misture outros personagens, cada qual com suas características bem determinadas: pessoas comuns, mas de personalidades ímpares. Não esquecer de adicionar uma Marie (caso contrário, o resultado não terá a consistência esperada). Coloque tudo isso numa época de intensas atribulações, numa nação africana que outrora fora dominada pelos franceses. Ao personagem principal, dê sentimentos estranhos e que sua forma de expressá-los também seja estranha. Combine isso com situações em que ele necessite expressar seus sentimentos (pode-se utilizar o enterro da própria mãe). Insira um caso amoroso e ao final, some ao conteúdo um assassinato, uma condenação e uma pena (conforme a ocasião, pode-se optar por uma execução em praça pública).

Servir gelado.

Rendimento: uma porção generosa e intrigante de Albert Camus ( e um protagonista aparentemente oriundo de qualquer outro planeta, que não o nosso).

 

 

v      primeiro procure saber mais sobre a vida de Albert Camus para poder sentir sua alma presente no livro;

 

v      procure algumas resenhas críticas sobre O estrangeiro, mas não faça de nenhuma sua própria opinião;

 

v      busque um lugar calmo, arejado e sem muita iluminação., pois você poderá sentir o calor que a obra exala;

 

v      deixe de lado os conceitos e pré-conceitos ditados pela sociedade;

 

v      leia atentamente cada frase, preste atenção a cada vírgula, pois cada detalhe da obra é importante para a sua compreensão em absoluto;

 

v      sinta a alma do protagonista, Mersault e mergulhe em seus pensamentos. Provavelmente você se sentirá uma nova pessoa, em busca de novos sentidos.

 

10. Folhetos

11.Cartaz

Últimas palavras

É voz corrente o fato de que os acadêmicos, não raro, apresentam inúmeros problemas oriundos do baixo nível de conhecimentos e da ausência dos pré-requisitos necessários para acompanhar a graduação. Em se tratando, especificamente, da questão da língua portuguesa, são reincidentes as críticas a respeito da falta de domínio das possibilidades da língua, já que o que se vê são muitos alunos que lêem e escrevem, mas não possuem competência textual e não conseguem interpretar textos com autonomia e segurança. A proposta de leitura e de produção que relatamos neste trabalho surgiu da certeza de que, para além da constatação, é importante propor ações que estimulem os acadêmicos a lidarem com destreza, adequação, tranqüilidade e de forma crítica com os diversos tipos de textos.
Assim, ao tentarmos aproximar língua e literatura numa mesma prática de linguagem, procuramos deixar claro que é urgente romper com a leitura mecânica, linear para que se possa exercitar uma leitura significativa, importante, na qual o aluno é ao mesmo tempo sujeito do texto que lê e que escreve.

Referências Bibliográficas

BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1988.

JAKOBSON R. Lingüística e Comunicação. São Paulo: Cultrix, 2003.

KAUFMAN, A. M. & RODRIGUEZ, M. E. Escola, Leitura e Produção de Textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

KOCH, I. G.V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.

KRISTEVA, J. Introdução à semanálise. São Paulo: Perspectiva, 1974.

LAJOLO, M. A leitura. Disponível em: http:www.unicamp.Br/iel/memória/.

LOUZADA. M.S.O. A interação língua e literatura na perspectiva dos currículos. In: GREGOLIN, M.R.F.V. & LEONEL, M.C.M. (Orgs.). O que quer e o que pode esta língua? Brasil/Portugal: o ensino de língua portuguesa e de suas literaturas. Araraquara, SP: Cursos de Pós-Graduação em Letras, FCL-UNESP-Ar, 1997. p.45-65

MESERANI, S. O Intertexto Escolar: sobre leitura, aula e redação. São Paulo: Cortez, 2002.

MEURER, J.L. & MOTTA-ROTH, D. Gêneros textuais e práticas discursivas: subsídios para o ensino da linguagem. Bauru, SP: EDUSC, 2002.

 
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