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OS PROCESSOS DE NOMEAÇÕES PARA O SUJEITO IDOSO CONTEMPORÂNEO

Geralda Maria de Carvalho Zaidan - Universidade Estadual de Campinas (ILE)

A pesquisa reflete sobre as diferentes formas de poder nomear as pessoas com mais de sessenta anos de idade. Essas nomeações circulam em nossos meios de comunicação, tanto na mídia escrita quanto na televisiva, de modo que as formas de nomear esse sujeito trazem no ato da enunciação diferentes sentidos para as nomeações que (re)significam esse sujeito. A partir do aparato teórico da teoria da Semântica da Enunciação, a qual nos remete a diferentes formas de compreender o processo de (re)nomear que se desgarram das composições da sociabilidade para se (re)significar como naturais, que podem ser compreendidos no processo de constituição da identidade desse sujeito “idoso”.

“Fugaz é a juventude, um suspiro a maturidade, avança terrível a velhice e dura uma eternidade”
BELLEZA, Dario (1996).

Neste trabalho fazemos uma reflexão sobre os processos de nomeação que significam o sujeito a partir dos sessenta anos de idade em nossa sociedade. Observamos como as designações: Ancião, Velho, Idoso e 3ª Idade são representadas nas materialidades da mídia por diferentes sentidos. Entendemos que o sujeito significa em condições determinadas pela língua e pelo mundo, o que nos permite observar o modo que essa relação (re)significa os nomes acima e predicam este sujeito. Isso se dá na medida em que ele é significado-simbolizado pela linguagem e seus elementos históricos de constituição de sentidos.
Desta forma, a mídia está inserida no campo das tecnologias de comunicação, onde a ciência tem contribuído muito para sua evolução com o intuito de estar inserido em todas as camadas da sociedade, articulando relações sociais e influenciando conceitos. Assim, ao constituir os sentidos de suas informações, a mídia reformula o que vemos a todo o momento e desenvolve novas estratégias para atrair leitores e telespectadores para os acontecimentos cotidianos da nossa sociedade. Podemos dizer que o discurso da mídia está submetido ao jogo de relações de poder, de modo que ocorre apenas a ilusão da imparcialidade e da informatividade das reportagens. As circulações das notícias audiovisuais são compreendidas como gestos de interpretações marcadas pelo interdiscurso, que o veículo midiático produz na construção da sua imagem de imparcialidade, atuando na institucionalização social dos sentidos e com isso, promovendo consensos de que a notícia veiculada tem a aparente neutralidade.
De acordo com Mariani (1998), no discurso midiático já se tem uma memória da própria constituição histórica da imprensa agindo na produção das notícias. Esta memória é atravessada pela ética dos direitos humanos promovendo filiações nos processos de produção de sentidos das informações e, conseqüentemente, no modo como o mundo político é significado. É a partir disso que as notícias da mídia (escrita/televisiva) se reinscrevem, sob o efeito ideológico da evidência, da obviedade, na direção de sentidos desejados/determinados politicamente pela formação discursiva hegemônica.
Nesta medida, tomamos como suporte teórico a teoria da Semântica da Enunciação e a da Análise do Discurso dada a singularidade do objeto na construção da identidade do sujeito sob a ordem do repetível. Para Pêcheux (1997), o sujeito é tratado como forma-sujeito, i. é, produto das formações ideológicas materializadas nas formações discursivas que designam posições de sujeito determinadas sócio-histórico e ideologicamente.
A relação entre a ideologia e a língua enquanto historicidade discursiva nos permite observar a formação dos processos de significação do discurso e compreender que a linguagem se caracteriza pela incompletude constitutiva. Também, o caráter da pluralidade e da opacidade da linguagem remete ao interdiscurso , o que permite observar diferentes movimentos de sentidos e o funcionamento da memória.
Então, Pêcheux (1994:55-56) afirma que na discursividade da língua pode ocorrer uma tentativa de “mascarar” sentidos porque a linguagem não é “transparente”; ela camufla outros sentidos. E nessa tensão entre “mascarar” e “transparecer” acontece uma tentativa de apagamento de outros sentidos devido à evidência de uma superficialidade que parece não permitir outras interpretações. É necessário salientar que ao trabalhar com essa discursividade da língua, a memória é considerada como um acontecimento que funciona com o histórico e o lingüístico e, a todo o momento, os retomamos para a estabilização e a hegemonia dos sentidos.
Ainda, para compreender o movimento dos sentidos das designações para o sujeito acima de sessenta anos, torna-se pertinente mobilizarmos os conceitos da teoria da Análise do Discurso. Para tanto, assinalamos de acordo com Orlandi (1996) que a produção de linguagem se faz na articulação de dois processos: o polissêmico na forma de haver uma multiplicidade de sentidos e o parafrástico nas diferentes formulações para o mesmo sentido. Como diz (ibidem) em termos discursivos teríamos na paráfrase a reiteração do mesmo e na polissemia a produção da diferença. Nesse sentido, a memória se constitui pela ideologia que coloca em jogo a relação entre a situação e os locutores e estes com a historicidade, com o interdiscurso permitindo a retomada de sentidos pré-existentes. (ibidem) ainda postula que:
É daí que se dá a necessidade de se pensar o gesto de interpretação como lugar da contradição: é o que permite o dizer do sujeito pela repetição, o efeito do já dito, e pelo deslocamento, historicização. A interpretação se faz assim entre a memória institucional, arquivo, é a possibilidade do sentido vir a ser outro, no movimento de efeitos da memória, interdiscurso. No domínio do arquivo a repetição contraditória entre o mesmo e o diferente.
Desta forma, a Análise do Discurso sustenta o sentido de se pensar a língua capaz de produzir jogos que afetam a repetição que não reproduz uma substituição do conteúdo e a discursividade como inscrição desses efeitos lingüísticos na história.
Para a Semântica da Enunciação a estrutura da linguagem se dá no espaço onde a palavra e as línguas regulam ou disputam um lugar atravessado pelo político, e esse atravessamento pelo político estabelece a divisão da língua, disputa dos falantes divididos pelo seu modo de pensar e pelo seu modo de dizer. Assim, o falante diz certas coisas e não outras e em certos lugares e não outros. Guimarães (2002: 14) afirma que ao falar o sujeito está afetado pelo interdiscurso, pela memória de sentidos, estruturado pelo acontecimento que faz a língua funcionar, portanto, falar é estar na memória.
Segundo Guimarães (1997/2000), os papéis sociais são tomados de formas diferentes pelos falantes na relação com a língua, decorrendo daí a sua divisão social, portanto, a língua não é variável, mas sim dividida por uma disputa política. Nesta medida, o autor afirma que ”enunciar é estar na língua em funcionamento”, ou seja, o dizer está no lugar de disputa ou obediência e exercendo uma relação de poder.
Para Ducrot (1998:418-426), o falante de uma língua sempre acredita que as coisas foram, são ou serão como ele as descreve instituindo o mundo como seu juiz, quer dizer, o autor considera que a palavra não significa nela mesma, pois o seu significado está voltado para o exterior porque o valor depende do mundo em que está inserida, de forma que (...) a palavra diz respeito a um objeto no exato momento em que o constitui. Ainda, o autor postula que no funcionamento da referência há duas relações diferentes para operar na relação de linguagem: a ordem e o desejo, de forma que o sentido e a referência funcionam diferentemente. O sentido dá pistas de coincidir com as coisas por elas designadas e o referente está de fora do plano lingüístico, auxiliando nas direções que possibilitam a acepção para o sentido. Então, o referente é constituído também pela linguagem e formado pelas várias construções de designações enunciadas.
A partir dessa posição sobre o sentido e o referente, procuramos compreender através dos recortes , o funcionamento das designações para os nomes: Ancião, Velho, Idoso e 3ª Idade, a relação dos sentidos com os objetos constituídos pela relação dos discursos que se confrontam. É através da relação de materialidades que a designação torna-se instável, entre a linguagem e o objeto, pois o cruzamento de discursos não é estável, é ao contrário, exposta à diferença. Para Zoppi-Fontana (1999), as designações são caracterizadas como relações semânticas instáveis produzidas pelo cruzamento de diferentes posições de sujeito, a partir das quais se instala um sentido apagando outros possíveis. Ou seja, ao enunciar, uma designação não está só classificando os objetos e seres, em nosso caso, os sujeitos com mais de 60 anos, mas fazendo uma alusão à história, à produção de sentidos determinados pelo funcionamento do interdiscurso que os significam como indivíduos ao ocuparem uma posição de sujeito no acontecimento. É nesse momento que instaura os conflitos entre o mesmo (sujeito com mais de 60 anos) e o diferente (Ancião, Idoso, Velho e Terceira Idade), pois são constitutivos da linguagem, de forma que alguns sentidos permanecem e outros silenciam.


Análise dos Processos de designações:
Então, como diz Orlandi (2001) formular é “dar corpo às palavras” e na produção dos sentidos faz com que compreendemos o funcionamento da “materialidade” da linguagem, e a interpretação (id:1998:18) é o vestígio do possível, o lugar próprio da ideologia materializado pela história. Nesse sentido podemos compreender que o discurso midiático traz a ilusão da imparcialidade que foram constituídas para sustentar a imagem de apenas informar e o efeito imaginário que afeta o leitor/ouvinte são as instituições funcionando harmonicamente na sociedade e aos expectadores/leitores cabe seguir o papel que a mídia impõe. Para compreender os efeitos de sentidos e os lugares de produção desses nomes, recortamos enunciados veiculados pela mídia televisiva e pela imprensa para demonstrar que o ato de designar aparentemente se apresenta com naturalidade dentro do contexto recortado, pois se tem a impressão que o sujeito social, ou seja, a sociedade em comum é quem determina essa escolha, pois ao nomear alguma coisa no mundo, está-se de certa maneira classificando distintamente o mundo, a partir da relação do homem com a língua. Bobbio (1996) afirma que: nomem omen – o nome é um presságio. Guimarães (2002) afirma que o nome é fundamentalmente a representação do lugar político-religioso e esta determinação individualiza, particulariza o que se descreve e, é assim que a expressão é um nome.
Nesta perspectiva, analisamos o funcionamento semântico-enunciativo da designação: Ancião, em dois diferentes acontecimentos, não temos o intuito de analisar as imagens postas visto que trazemo-las na intenção de ilustrar este trabalho sobre as diferentes designações para o sujeito acima de 60 anos de idade.

 

A revista VEJA divulgou o processo de eleição para o novo Papa, intitulada como: O desafio de eleger um novo papa com carisma, força moral e sabedoria. Quem?
No primeiro recorte, remetemos a uma das maiores divulgações da mídia sobre o processo de nomeação do Papa (Joseph Ratzinger), sucessor de João Paulo II. No mês de abril, do corrente ano, o mundo ouviu informações sobre como um nome pode representar uma autoridade mundial da instituição Católica. Assim, o fato de receber outro nome significa, além da referência que o nome próprio produz, também carrega diferentes sentidos.
A primeira apresentação do Papa à comunidade católica ocorreu na sede da Igreja Basílica de São Pedro, no Vaticano. Neste momento, o mundo conheceu seu novo líder católico e o nome que recebeu para representar esta nova posição-sujeito. A escolha do novo nome próprio do Papa é um fator muito importante para a comunidade Católica, pois explicita os fundamentos da administração do novo papado.
O Papa Joseph Ratzinger , de 78 anos de idade, renomeado por Bento XVI, ao se apresentar para a comunidade católica, anuncia a escolha de seu novo nome em homenagem a outro Papa antecessor, Bento Quinze (XV), o qual havia trabalhado por grandes causas, como foi o de pacificador da 1ª Guerra Mundial em 1917 e para a fundação da Ordem Monástica dos Beneditinos, no século V. Assim, o nome de Bento XVI traz, juntamente com a sua representação, sentidos históricos que resgatam um passado da Igreja Católica. Ou seja, esta nomeação funciona rememorando as irrenunciáveis raízes cristãs de sua cultura e civilização.
O Papa, falou dos valores que levou em consideração ao assumir esse nome próprio. Por ser o padroeiro da Europa, o Santo Bento simbolizou “um chamado às inalienáveis raízes cristãs” da civilização européia, pois, reverenciado na Baviera pela progressiva expansão da Ordem Beneditina que ele fundou. Além disso, exerceu uma enorme influência na difusão do cristianismo pelo continente. Assim como, uma homenagem à união deste continente, Bento XVI disse que trabalhará pela paz e harmonia entre os povos do mundo.

A revista BRASIL CRISTÃO , desenvolveu a Campanha da Fraternidade da Igreja católica de 2003, e teve como tema: “Fraternidade e Pessoas Idosas - Vida, Dignidade e Esperança”. Esta campanha categoriza as pessoas na faixa etária acima de 60 anos de idade como “idosas ”.
O segundo recorte faz parte desta revista que desenvolveu a matéria: “O que fazer com os idosos?” , nomeia este sujeito com mais de 60 anos, como Ancião e faz referência a uma parábola do sábio Salomão que era generoso e sábio com aqueles que convivia, sempre tomava conselhos com os mais velhos para se dirigir ao povo e demonstrar sua capacidade de justiça. Com a sua morte, seu filho Roboão herdou o posto para conduzir aquele povo. No poder, Roboão quis reformular a administração que era praticada aumentando as taxas dos impostos, os quais tornaram pesados os jugos daquela sociedade. Ao tornar público essa decisão, Roboão criticou a administração de seu pai e disse que ele seria mais severo. Com isso, ocorreu a primeira grande divisão do povo de Deus que se enfraqueceu e tempos depois foi completamente dizimado, porque não mais obedeciam a Roboão.
A Igreja Católica, através dessa parábola, faz circular sentidos entre os interlocutores de que o Ancião é o sujeito detentor de grande sabedoria, de pessoas honradas, de grandes capacidades de reflexões e de conselhos, pois experiência e sabedoria só se conseguem com o tempo. À medida em as pessoas envelhecem, elas passam a ocupar na sociedade o lugar que lhes compete, contribuindo para uma sociedade mais justa. Neste sentido, as Igrejas em geral, recorrem às pessoas mais velhas para fazerem parte do ritual da celebração de maneira que a representação do lugar social do Ancião ultrapassa os sentidos de sabedoria adquiridos com o tempo e passa a funcionar como símbolo de Deus. Assim, os sentidos para o sujeito Ancião se sustentam no esteriótipo do ser simbólico representante dessa voz celestial, o qual é sedimentado através do senso comum que é determinado pela ideologia do ser (abençoado por Deus). Desse modo, vemos que o assujeitamento é constituído historicamente e, é pela língua que o sujeito Ancião aceita a interpelação do aparelho disciplinar da Igreja e do Estado para que os sentidos se desloquem e se movimentem ideologicamente passando a ter significados diferentemente.
Assim, os sentidos além de serem social e familiar apresentam-se ao senso comum de uma certa comunidade lingüística como uma etiqueta rotulada ao objeto, Fournier (2001:112) diz que:

“O rótulo é colocado na via a ser identificada. É a relação de co-presença entre o objeto nomeado e o rótulo, que produz a função denominativa da seqüência discursiva que figura como rótulo. Dessa forma o odônimo só é determinado como tal dentro e por meio da sua figuração neste dispositivo complexo, heterogêneo, que consiste na contigüidade entre um segmento discursivo e o espaço nomeado”.

Nesse sentido, o nome comum determina uma classe de objetos porque além de referir, também descreve, e isto o diferencia de nome próprio que aponta para um objeto único no mundo e que não tem referência.Então, a Semântica da Enunciação, nos remete à diferentes formas de compreender o processo dessas designações que se desgarram das composições da sociabilidade para se (re)significar como natural, as quais podem ser apenas modificadas politicamente e compreendidas na multiplicidade de sentidos da identidade desse sujeito com mais de 60 anos.
Visto isso, dizemos que o funcionamento enunciativo do nome próprio tem sua condição determinada pela posição-sujeito que se inscreve no acontecimento de linguagem e que determina e assegura (re)nomeações cristalizadas pela grande mídia. Ou seja, o processo de nomeação mostra, especificamente, que os funcionamentos discursivos dos nomes próprios têm sua condição determinada pela posição sujeito que determina e assegura um lugar de enunciação no processo da nomeação.
Desse modo, a (re) nomeação de Josef Ratzinger por Bento XVI é um acontecimento que não constitui legitimidade jurídica porque é sobre o nome de Estado (Josef Ratzinger) que recai essas responsabilidades e a Igreja católica reafirma o nome próprio (de Josef Ratzinger) que o Estado constituiu através do ritual de batismo, de modo que ocorre a confirmação do nome próprio e não um novo processo de nomeação. Então, a designação de Bento XVI é legitimada pelo Conclave produzindo efeitos de sentidos de santidade, autoridade, respeito, reverenciação que se dá através do efeito de memória, ou seja, significa universalmente a maior autoridade da Igreja Católica. Essa designação, no contexto religioso e social, tem como efeito de pré-construído que, segundo Pêcheux (1997:99) “consiste no fato de que nenhuma determinação pode ser aplicada ao nome próprio, pela excelente razão de que o nome próprio é resultante da operação de determinação”. Com isso, podemos compreender como o nome e a (re)nomeação são determinados pela instância política, social e econômica que dissimula o funcionamento do aparelho do Estado.
Podemos dizer ainda que no funcionamento das designações há uma contradição entre Bento XVI e Ancião. A designação de Bento XVI traz efeitos de sentidos estabilizados e de forma positiva, pois é um sujeito preparado e formado para o posto e a designação de Ancião traz sentidos de autoridade constituídos no ambiente religioso, seja pelo poder de acumular saberes e conhecimentos, como forma de dominação através da fé, das relações de forças sócio-histórica e ideológicas, ou seja, neste caso, pelas enunciações das designações para o Ancião apontarem para uma discursividade bíblica que produz a ilusão da estabilidade referencial, isto é, produz a ilusão de um único sentido para o sujeito com mais de 60 anos (Ancião) nessa relação referencial. Assim, o funcionamento discursivo nos possibilita retornar a partir de outro lugar, em nosso caso, o lugar religioso de que o sujeito Ancião não é descartável, portanto se o for, o representante de Deus não tem valor para a sociedade contemporânea ?
No acontecimento enunciativo da designação Ancião, ela se constitui nas relações de poder, pois ao observarmos o enunciado da capa da revista Brasil Cristão – Será que eles são descartáveis? Há sentidos constitutivos de que a determinação para o Ancião se apresenta como opacas pelo processo de nomeação, ou seja, a sua não transparência. Em outras palavras, o que individualiza é o que traz a posição do enunciado. Aqui o enunciado sintetiza exemplarmente o confronto entre a dimensão do acontecimento e a memória que necessariamente comparece para que o acontecimento seja tanto de linguagem e de sentidos. Pois, o enunciado da capa da revista Brasil Cristão evidencia essa dimensão do acontecimento de forma pejorativa porque os Anciãos continuam sendo os velhos que a sociedade não quer, pois eles não servem para nada, por isso eles são descartáveis.

A revista ISTO É veiculou a matéria: "A Sociedade não está preparada para lidar com a população que mais cresce no país". O recorte 3 nos informa que:
(...) as relações entre as gerações não são fáceis em nenhum lugar do mundo, nem hoje nem em tempo algum. De uma geração para outra, costumes e valores mudam. Há sempre conflitos, independentemente de classe social. O que nos faz pensar que o tratamento dado hoje aos idosos é pior que há 40 ou 50 anos? (...) a idéia de que os velhos deveriam ser e eram respeitados e até reverenciados pôr sua sabedoria. Em culturas de menor complexidade, nas quais a transmissão de conhecimentos se dava de forma oral, havia valorização dos mais velhos, porque eles detinham o conhecimento e isso lhes dava poder.

Algumas décadas atrás, as reações das sociedades em relação ao tempo eram mais calmas e lentas, o que não ocorre nos dias atuais. Naquela época, o velho era considerado o guardião da sabedoria, da tradição. Mas, o progresso é tão vertiginoso e irreversível que a elasticidade mental do velho fica cada vez mais distante em relação aos conhecimentos, científicos e tecnológicos, com isso contribui cada vez mais para uma realidade irremediável, a exclusão técno-científico.
Assim, as designações deste recorte nos remetem a Guimarães (1995:103) quando afirma que a designação de uma expressão lingüística se apresenta como se fosse única e, na verdade significa que suas relações interdiscursivas são constitutivas enquanto designação. O ato de designar alguém, aparentemente, se apresenta a partir de uma absoluta naturalidade, pois tem-se a impressão de que o desejo de uma pessoa ou grupo social é que determina essa escolha. Então, ao nomear alguma coisa no mundo é estar, em certo sentido, classificando distintamente o mundo. Assim, as nomeações "velho, idoso" neste recorte acima, trazem sentidos pejorativos, de inutilidade para os sujeitos de sessenta anos de idade porque eles não conseguem acompanhar a evolução da sociedade.

Ainda na revista ISTO É afirma que: “(...) nas sociedades contemporâneas, o conceito continua o mesmo: Mas a ânsia pelo novo e pela rapidez de informação relega ao desprezo as pessoas que não compartilham desse mundo de consumo rápido. Isto é, o velho ”.
Nesse sentido podemos observar que o velho significa como alguém isolado e discriminado do meio social, sem interesse pela vida e sem ocupação. Eles toleram os limites que lhes são impostos, aceitando-os como algo cristalizado pela sociedade, pois são determinados por sentidos pejorativos que se significam como efeito de evidência.

A revista Aterceiraidade aborda especificamente questões que dizem respeito à faixa etária que chamamos metalinguagem de "terceira idade" como, por exemplo, as formas de inserção e esclarecimentos para esse sujeito nas várias possibilidades de continuar incluído socialmente. No recorte 4, a administração regional do SESC de São Paulo esclarece que:
O Plano de Ação Internacional de Madrid sobre o Envelhecimento em 2002, destaca como objetivo que os idosos possam desfrutar plenamente de seus direitos humanos, envelheçam de forma segura e fora do alcance da pobreza, participem integralmente da vida econômica, política e social, e tenham a possibilidade de realização em idade avançada
A partir dos meados dos anos 80, diversas iniciativas se proliferaram no sentido de tratar esses sujeitos, considerados como: os sujeitos da "terceira idade", que são (re)significados pela grande mídia (escrita/televisiva) como novo velho e significados como inclusos socialmente, como ativos, detentores de poder aquisitivo, etc.
Aqui, não será considerado como recorte, mas de forma elucidativa, as propagandas veiculadas nas emissoras de televisão, como: Rede Globo, SBT e Bandeirantes apresentam atualmente, propagandas de bancos que oferecem créditos sem burocracias, como exemplo: empréstimos de dinheiro para essa faixa etária com condições de taxas de juros e pagamento diferenciados dos demais. Também, as propagandas de produtos de beleza que prometem a eterna juventude, define um novo mercado de consumo. Conforme a socióloga, Debert (1999:213). “ O consumidor na Terceira Idade: Um mercado Adolescente”, da CBBA/Propeg, concluído e, 1989, considera que:
(...) pesquisas em vários países surpreendem ao apontar para este enorme mercado do sênior citizen, seu elevado poder de compra e potencial como consumidores. O senior citizen norte americano é caracterizado como “uma pessoa com muito tempo livre, sem algumas das despesas essenciais básicas e com rendimento seguro, ou seja, um consumidor alvo”.
Ainda a socióloga, Debert (1999:138),define estes sujeitos como:
“Terceira Idade” é uma expressão que, recentemente, popularizou-se com muita rapidez no vocabulário brasileiro. Mais do que referência a uma idade cronológica, é uma forma de tratamento das pessoas de mais idade, que ainda adquiriu conotação depreciativa. A expressão originou-se na França – país onde os primeiros gerontólogos brasileiros foram formados (Stucchi, 1994) –com a implantação, nos anos 70, das “Universités du Troisième Age”. Da mesma forma, a expressão “third age”, de acordo com Laslett (1987), foi incorporados ao vocabulário anglo-saxão com a criação das “Universities of thr Third Age” em Cambridge, na Inglaterra, no verão de 1981 e, é hoje de uso corrente entre os pesquisadores de língua inglesa.

A revista CLAUDIA traz uma das chamadas na capa intitulada como: O novo velho. Assim , no recorte 5, abordamos esta reportagem desenvolvida pela revista sobre O novo velho. É produtivo, exige respeito e vive a vida com intensidade. Uma turma que não para de crescer. Susana de 78 anos diz:
Sou assistente social e professora-doutora em gerontologia, da PUC de São Paulo, ainda atuante na área da educação, afirma que os avós das gerações anteriores tinham lugar reservado na cabeceira da mesa, transmitiam sabedoria e eram reverenciados pelos seus feitos do passado. Nas famílias modernas,onde os costumes são diferentes e a agitação permeia as relações, os velhos deixaram de ser referência e se submeteram á solidão, pois é um desafio encontrar o seu espaço, fazendo com que busquem alternativas .

Segundo Sartre, a velhice é irrealizável, é uma situação composta de aspectos percebidos pelo outro e, como tal, reificados que transcendem nossa consciência. Pois a sociedade rejeita o velho, não oferece nenhuma sobrevivência à sua obra. É a sua condição social e financeira que constitui uma defesa contra o outro, de forma que o poder aquisitivo o defende da desvalorização de sua pessoa, caso contrário, é um sujeito que sobrevive à margem da sociedade. Então, questionamos se a atual sociedade perceberá esse sujeito, e se uma nova constituição corrigirá as falhas da velha, no sentido que estes sujeitos com mais de 60 anos sejam respeitados, tanto pela sua condição física, intelectual, social e pela idade. Pois, a realidade do sistema contemporâneo não aceita as limitações desses sujeitos que estão mais lentos, por exemplo, com dificuldades de transportes, locomoção nos grandes centros urbanos, o grande fluxo de pessoas circulando pelas ruas ao mesmo tempo, a agilidade dos semáforos, etc., são práticas sociais que não incluem as limitações destes sujeitos.
Conforme a reportagem da Revista CLAUDIA, no recorte 6, observamos que a sociedade contemporânea está revendo seus estereótipos associados ao envelhecimento e construindo uma nova imagem de forma que esses sujeitos possam ser reconhecidos como um ser autônomo e capaz de exercer sua cidadania.
(...) Frederico Paulo, 66 anos, desfilou na São Paulo Fashion Week de julho de 2004, atiçando a platéia com alegria e sensualidade contagiantes. Na reportagem para a revista, ele disse que (...) alguém na minha idade não pode jamais vestir o pijama, foi a alternativa que o aposentado bancário encontrou para se tornar modelo publicitário .
Nos recortes 5 e 6 observamos uma deriva de sentidos para pessoas com mais de sessenta anos. Pois, ao (re)significar esse sujeito nos enunciados dos recortes acima, podemos constatar que pelo processo designativo há um movimento de sentidos que resignifica estes sujeitos de modos diferentes pôr serem inclusos socialmente e ao mesmo tempo apontados para a estabilização de um lugar único de significação, isto é, um lugar de consenso social para estes sujeitos se significarem como os novos velhos. Portanto, o discurso midiático da visibilidade para as práticas interdiscursivas, de modo que podemos observar a determinação da (re)formulação que permite a repetição ou o apagamento pelo esquecimento da memória do dizer e também, contribui para estabilização de sentidos como prática social que repete uma certa ideologia que se deixa atravessar pelas muitas vozes divergentes que são também constitutivas da história, bem como uma desestabilização dos mecanismos tradicionais da sociedade capitalista. Na afirmação teórica da determinação dos funcionamentos enunciativos pelo interdiscurso, levam a estabelecer uma relação necessária de um lugar de enunciação com as posições de sujeito que o definem e das quais é uma dimensão constitutiva.
Nesta medida questionamos se os nomes não classificam, ou eles significam de forma diferente? Ou melhor, podemos considerar que o sujeito com mais de 60 anos, designado nesta análise se significa nesta prática discursiva como (re)dividido na relação com o nome e mundo, numa relação instável, onde os sentidos são determinados pelas condições de sua produção, no interdiscurso que cruza diversas posições ocupadas pelo sujeito, segundo as formações discursivas das quais se falam.
Assim, podemos dizer que no funcionamento de linguagem há um discurso circular que traz diferentes sentidos para o novo velho. Ou seja, a mídia reconhece este sujeito com mais de 60 anos como Novo porque é bonito e está na moda. O Novo (idoso) é aceito pela sociedade porque ele é Novo e atuante, portanto, este sujeito desconstroe os sentidos pejorativos que o significaram anteriormente, pois, nesta análise, o Idoso e o Ancião são inclusos socialmente. Mas, ao analisarmos os sentidos para essa nomeação (Novo-Velho, Idoso) podemos compreender que a mídia nos provoca uma ilusão de que este sujeito com mais de 60 anos é incluso pelo fato dele participar da sociedade, então ele é Novo. Mas, no momento em que nomeia o Novo como Novo-Velho , esta nomeação traz todos os sentidos pejorativos que a sociedade lhes imputa porque ele é Velho, isto é, são Novos-Velhos.
Segundo Guimarães (2002:12) as (re) escriturações podem ser compreendidas como “aquilo que faz diferença na ordem da linguagem, pois não é o sujeito que temporaliza e sim o acontecimento”. Então, todo acontecimento de linguagem é um novo redizer. Nesse sentido podemos compreender que as predicações para o sujeito acima de 60 anos de idade são determinações que pelas relações de linguagem se constituem como anáfora, catáfora, sinonímia, substituição, repetição entre outros como lugar de redizer o mesmo, mas de modo diferente, pois todo dizer é um (re) dizer do mesmo. Desta forma, neste recorte do novo- velho há uma contradição porque os sentidos históricos nos remetem a uma memória que já tem sentidos pejorativos para este sujeito, mesmo ele sendo o novo-velho.
Logo, na análise das designações, compreendemos que o nome constrói uma identidade que não se apreende, mas determina, (ibidem:30), “estas posições se constituem em processos de memória afetada pelo inconsciente e pela ideologia”. Sendo assim, a ilusão da identidade da unidade sujeito, neste caso, o sujeito com mais de 60 anos, é parte do imaginário que constrói certas identidades e negam outras. Ou seja, a designação é determinada discursivamente a partir das relações sociais que significam os sujeitos idosos diferentemente. Vale lembrar que (Id.) a política dos sentidos está na língua a partir da constituição de sentidos das enunciações. Pois bem, esses efeitos na constituição das designações feitas sobre o idoso desconstroem a ilusão produzida nas diversas comunicações (publicações escritas e discursivas) que a mídia faz ao se institucionalizar também, no sentido de demonstrar que no seu funcionamento produz a ilusão e assegura o diferente significar o mesmo.
Como explica Mariani (1998), somos levados a desconstruir a ilusão de imparcialidade da mídia, pois tanto o sujeito produtor da comunicação audiovisual como o sujeito receptor se esquece de que ambos são afetados pela ideologia, pois a prática discursiva midiática ao se institucionalizar faz o mesmo parecer diferente, pois está inscrita no campo histórico-social das relações de forças em luta pela hegemonia na produção de sentidos.
Neste jogo da representação dos valores de idades para os sujeitos, temos a díade do jovem-velho, “o jovem” denota o lado positivo do inteiro, “o velho” traz sentidos de negativo e do não inteiro. O jovem Adão contrapõe-se ao Velho Homem (Deus). A confirmação do Novo Testamento sobre o Velho Testamento. A Nova Ordem a ser restaurada contrapõe-se à Velha Ordem que deverá ser sepultada sob seus escombros. A jovem Europa dos povos contra a Velha Europa dos príncipes. A Nova Classe Burguesa substituirá a Velha Classe da Aristocracia, assim como a Nova Classe do Proletariado derrubará a Velha Classe da Burguesia.
Por fim, as atuais discursividades que significa a terceira idade como o "novo velho", sujeito ativo, irrompem os sentidos pejorativos cristalizados até então. Assim, constituem um acontecimento discursivo, visto que a história brasileira dos movimentos sociais, políticos, econômicos e culturais enfatizava a juventude, a velocidade das máquinas e, conseqüentemente ocorrendo um apagamento que negava o velho. Na sociedade atual, estes sentidos se irrompem, pois os velhos serão a maioria. De fato, estamos às vésperas de um novo acontecimento impulsionado por uma modificação demográfica, pois a população dentro de poucos anos, pela primeira vez na história, será em sua maioria composta pela terceira idade. E com isso os pais, filhos, avós, e alguns casos, até bisavós conviverão no mesmo ambiente, pelo menos podemos supor no contexto brasileiro, isso porque com o aumento da expectativa de vida, várias gerações viverão simultaneamente.
Então, nessa conjuntura social no futuro, teremos uma nova exclusão de modo que os novos velhos serão os incluídos socialmente por serem participativos e haverá também, os velhos-velhos, os quais não serão capazes de acompanhar o que veicula na sociedade do momento, de forma que serão exclusos socialmente. Nesse processo de lugares de significações (Zoppi-Fontana, 1997:4) afirma que: “ (...) permite ao sujeito se situar no mundo porque se situa no mundo das significações, reconhecido num lugar da memória” .
Podemos compreender que no próprio funcionamento da linguagem ocorre uma nova exclusão porque o velho não irá deixar de ser velho em nenhum momento, apenas há no processo de linguagem a ilusão de (re) significá-lo diferentemente .
Enfim, podemos compreender que a mídia tem um papel muito importante na sociedade, pois contribui para mudanças de acordo com o interesse do Estado nas questões de Políticas Sociais e Mercadológicas, evidenciando a atuação das relações poder, as quais vão contribuindo para um mundo contemporâneo diferente, isto é, no sentido de que a consciência social pode mudar e legitimar conceitos de valores estigmatizados em nossa memória histórica e no meio social, de modo que as discursividades veiculadas na mídia de forma geral, se significarão por meio das evidências ideológicas materializadas pelas relações políticas que a linguagem midiática produz, a qual não é apenas de informação, mas de ter um papel central na construção de valores das relações sociais.

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