Des-loucar-se

Des-loucar-se

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“Todo livro reclama uma vida. Uma vida que diz dos mil gestos que envolvem o tornar-se digno do chamado a escrever. Que diz da necessidade de exercitarmos a escrita como arte de pedir licença para escutar uma vida em nascença constante, fugidia, desloucada. E se as faíscas lançadas atiçam desejos além de nós – “… Como escrever se entregando às forças frágeis e inumanas que habitam a cidade? Como escrever por dentro da chuva, do vento…” (Textualidades babélicas e Tecendo, 2016) – é porque escrever é um gesto de irromper-se e deixar-se habitar pela turbulência e instabilidade constante dos mundos (…). Escrever não como quem explora as oportunidades, mas como quem responde a um chamado cósmico e sabe que há uma dimensão ética em sermos dignos do que nos acontece. Um chamado cósmico não pede soluções – como se a nós coubesse somente o gesto de dar respostas aos problemas já postos – mas sim honrar o problema: a saber, aqui, o de escrever(-se). O chamado não termina com o livro, pois há que se seguir abrindo uma escuta para pluridirecionalidade do chamado, porque se trata de um convite a uma escuta de si, uma escuta da cidade, do corpo, da Terra, uma escuta da vontade de vida que está tristemente subjugada pelas “nossas” intencionalidades reelaboradas incessantemente pelo capitalismo. Não se pode “perder a chamada” – “Não podia perder tempo, era hora de brilhar!” – e, para isso, é preciso seguir “desloucando-se”, “perder o controle”, “sabotar tempos”, jogar “Tudo ao mar”. Deixar-se ali onde “areias do vento, esfregam em olhos”, onde “O ar ria” e “Venta. Verde e cinza”. Para, só assim, “experimentar a condição vulnerável de nossos corpos”, perceber “o lençol como espaço nômade”, atingir “as intimidades dos seres”, alegrar-se com as “cidades que eu costurei entre nuvens”, sentir que “são as imagens que dançam e se encontram”. E alguém pode perguntar: “Então vai ser como sonhar?”, “e todos os sons juntos falavam ao mesmo tempo”: “Uí-ó Trrrrrrrééééééé”, será como “uma entrega para os mundos”, “Podia ser muitas coisas. Podia criar muitas coisas”, “Os caminhos eu guardo comigo”, “Não pude evitar as mudanças!”.

E “nós”?
(ar)ris
cam
(n) inhos
ou outros
pousos”

 

do prefácio de Susana Oliveira Dias

Informação adicional

Peso 485 kg
Dimensões 30 x 1 x 21 cm
Organizador

Leandro Belinaso Guimarães, Davi de Codes, Eduardo Silveira, Elisa Helena Tonon, Gizelle Kaminski Corso, Juliana Cristina Pereira

Editora

Cimacom, Labjor, SBU, Unicamp

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