A
APRENDIZAGEM DA LEITURA DO JORNAL
Januária
Cristina Alves Folha
de São Paulo
Sempre
que vou falar sobre a questão dos jornais na sala de aula, começo
contando um pouco da minha história porque é ela que explica o
porquê de eu ter me tornado uma jornalista e também, anos depois, ter m
especializado na área da educação. Hoje,
eu também me incluo no rol dos educadores mesmo porque eu acabei me
apaixonando pela educação. Eu
sou paulistana, mas fui criada em Pernambuco. Meus pais são
pernambucanos. E o jornal teve uma importância fundamental para mim. Eu
comecei a pensar em ser jornalista porque, um dia, minha mãe, que é uma
super-leitora de jornal, descobriu que existia um jornal em Pernambuco
que publicava histórias de crianças. Era um suplemento infantil do Diário
de Pernambuco que se chamava "Júnior". Eu tinha 10 anos na época, gostava
de ler, de escrever, e então ela me disse: “Filha, pega uma dessas
historinhas que você escreve no seu caderno, eu te ajudo a bater na máquina
e a gente manda pro jornal. E vamos ver se eles publicam”. Nossa! Aquilo
nos tomou uma semana (minha e da minha mãe), pois eu não sabia
datilografar, mas minha mãe me ajudou no trabalho. E assim, dali a 15
dias, qual não foi a minha alegria ao ver a minha história publicada no
jornal. Chamava-se "A História da Cachorrinha". Aquilo
mudou a minha vida porque, quando eu vi a história publicada, eu disse:
“Nossa mãe, que coisa fantástica! Eu nem vou saber quantas pessoas vão
ler a minha historinha agora. Eu quero continuar a escrever assim para o
resto da minha vida”. Eu levei o texto para escola e tive um
outro incentivo muito grande da minha professora, que o colocou no mural
da escola. A partir daí, a classe começou um jornal mural na escola. O
fato de ver a minha história publicada no jornal mudou muita coisa na
minha vida. Terminei
a faculdade, voltei para São Paulo para fazer mestrado
na
ECA-USP e o meu tema foi o
jornal infantil enquanto canal de expressão e participação. Comecei fazendo
experiências com crianças e jovens no que se refere à feitura do
jornal, leitura do jornal, à reflexão crítica desse fazer e desse ler.
Em seguida, comecei a escrever livros para crianças - hoje já são 20
livros publicados. Criei um jornal para criança, que depois acabou não
dando muito certo; foi o primeiro jornal vendido em banca no país e
acabou não vingando porque descobrimos que não é fácil criar o hábito
da criança ir à banca para comprar o seu jornal. Enfim, esta vem sendo a
minha trajetória com o jornal e mais especificamente com o jornal em sala
de aula há mais de vinte anos. Eu
cheguei na Folha de São Paulo em 1994, quando o programa já tinha sido
criado pela Flávia Aidar, que infelizmente não pode estar junto comigo
neste seminário e enviou um grande um abraço para os participantes. Ela
foi a pessoa que concebeu e idealizou o Programa Folha Educação.
Em 1993, Flávia criou o programa; em 1994, cheguei com a minha tese de
mestrado mão, dizendo que eu tinha um trabalho voltado para a leitura do
jornal por crianças e que gostaria, como jornalista e como educadora, de
contribuir no programa recém-lançado. Passei então, a fazer parte da
equipe do Folha Educação como colaboradora. Alguns
anos depois, entrei para o Conselho do Programa Folha Educação e hoje
sou a editora do Jornal Folha Educação, destinado a professores do
ensino fundamental e médio. Esse jornal, publicado quatro vezes por ano, busca
subsidiar o professor no seu trabalho com o jornal em sala de aula. Eu não
atuo dentro da Folha, sou colaboradora free-lancer. Creio que é importante relatar
como a Folha pensa esse programa e como essa empresa jornalística vê o
seu papel na disseminação dos hábitos de leitura do jornal. A
Folha de São Paulo montou esse programa na esteira dos jornais americanos.
A Flávia pesquisou trinta e dois programas de jornais de mundo e concebeu
pedagogicamente o Folha Educação de modo bem diverso dos americanos -
pois e estes, é bom lembrar, começaram o trabalho com um objetivo nada cristão,
mas muito mercadológico, pensando sempre em quem vai consumir o jornal no
dia de amanhã.O que aproxima o Folha Educação dos seus similares
americanos é unicamente o fato de le estar ligado ao Marketing da
empresa. Aliás, foi o Marketing quem percebeu que uma das formas de se
alcançar este objetivo é arregimentar
o professor para estimular esse tipo específico de leitura e, conseqüentemente,
o uso do jornal em sala de aula. O
The New York Times foi quem começou esse trabalho nos Estados Unidos.
Aqui no Brasil quem começou foi o Zero Hora, de Porto Alegre. Na seqüência
vieram o Globo, a Folha de São Paulo, etc. Hoje a maioria dos grandes jornais
brasileiros já possui esse programa, uns com mais intensidade e outros
com menos. De qualquer forma, é importante observar que o jornal precisa
fazer alguma coisa para garantir os seus leitores futuros. Em
1993, a Flávia Aidar - que é educadora, professora de História, tendo
dado aula por muitos anos - foi chamada para conceber e estruturar este programa.
A Flávia e a Folha
pensaram o Folha Educação para que este fosse um programa que tomasse o
professor como um facilitador da aprendizagem do aluno, levando em
consideração o pressuposto de que o professor tem que conhecer o jornal,
estar familiarizado com ele, saber como ele funciona, como se estrutura;
ser ele, o professor, um apaixonado leitor de jornal para poder navegar
dentro desse mar com absoluta tranqüilidade e, ao mesmo tempo, para
passar essa paixão aos seus alunos. Portanto, o professor foi pensado
como um propositor de territórios, ou seja, aquele que vai ajudar o aluno
a navegar, fazendo com que ele descubra as diversas alternativas e conheça
o jornal para poder se apropriar dele. Levando
em conta que estamos hoje vivendo a sociedade do conhecimento, a era da
informação, costumamos sempre dizer que é impressionante o volume de
informações ao qual estamos submetidos diariamente. Sabemos, hoje em
dia, que uma edição de domingo do The New York Times corresponde
à quantidade de informação que um homem na Idade Média
conseguia acumular na sua vida inteira. Estamos vivendo numa sociedade em
que uma das angústias (inclusive a capa da Revista Veja desta semana fala
sobre isso) é exatamente a de não conseguir dar conta de processar tantas
informações, de selecionar tantas informações. Eu
me lembro de ter lido um artigo do Bill Gates no qual ele dizia que hoje o
acesso à informação não é mais problema. Ele acredita que todos nós,
em muito pouco tempo, teremos acesso a toda e qualquer informação. A
questão vai ser qual a informação que nos interessa. Surge daí o
problema relacionado à seleção de informações. A questão do jornal
passa por aí também. Para prepararmos a leitura do jornal, precisamos falar de critérios
de seleção, de criticidade em sala de aula. Quando do planejamento do
Folha Educação, pensamos em subsidiar o professor com esse tipo de
reflexão. Queremos que haja muitos leitores sempre, mas queremos que
esses leitores sejam qualificados, críticos. Senão, de nada adiantará o
desafio de produzir esse tipo de programa.
O
programa da Folha foi montado por uma equipe de educadores que pensou no
ensino fundamental e ensino médio, orientando o seu trabalho para a
instrumentalização do professor em trabalhar com o jornal numa
perspectiva multidisciplinar, transdisciplinar. Isto porque
acreditamos que o jornal não se preste apenas para as aulas de
História ou de Português, mas para qualquer disciplina, em qualquer
idade e em qualquer série. Inicialmente,
em alguns dos encontros que coordenamos, os professores diziam que é
muito difícil trabalhar com o jornal com crianças que não sabem ler.
Mas hoje já temos relatos magníficos de trabalhos com o jornal inclusive
na pré-escola. Desde muito pequenas as crianças constroem o seu jornal, distribuem,
fazem trocas, fazem jornal mural. Sabemos que o jornal - por suas características
- se presta a esse tipo de trabalho. O que parece faltar ao professor é
uma orientação e uma troca de idéias mais freqüentes. Quando
a Folha construiu o programa, pensou em fazer alguns encontros para
facilitar a troca de experiências entre os professores e para que os
questionamentos pudessem aparecer. É interessante o jornal ter pensado no
professor em primeiro plano. Porque será que o jornal não fez um
programa direto para o aluno? A
Flávia Aidar responde muito categoricamente que ela não acredita em
programas feitos diretamente para o aluno porque é o professor quem atua
como mediador do conhecimento. O professor é um propositor de territórios
e é nele que temos que investir. Além disso, o seu poder de multiplicação
é muito grande – uma vez apropriada essa ferramenta (jornal), o
professor a leva para onde for, mesmo quando muda de escola ou de cidade.
“Marketeiramente” falando, o jornal, enquanto empresa, foi
muito sábio em ter investido no professor em primeiro lugar.
A própria concepção do Programa implicava a elaboração de material de apoio pedagógico para o qual a Flávia convidou um grupo de seis especialistas nas diversas áreas do conhecimento para produzir os Cadernos Folha Educação. Foram elaborados então dois cadernos: um de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental, com sugestões de atividades pensadas para cada dupla de séries; e um outro, de 5ª à 8ª, organizado nos mesmos moldes. Na seqüência veio um caderno especial sobre Hemeroteca para dar suporte ao trabalho do professore e interligar a biblioteca à sala de aula. Toda a estrutura do Programa da Folha já estava pronta quando este foi lançado em 93, ou seja: os materiais para os professores, a logística de distribuição dos jornais, o treinamento dos entregadores de jornais, os formulários que identificavam os lotes de sete jornais de cada dia da semana que eram entregues nas escola, o próprio processo de convocação dos professores que terminava num treinamento, Este treinamento constava de uma apresentação da Flávia sobre a linguagem jornalística, uma visita à redação da Folha, uma oficina de produção de jornais que eu dava, uma oficina sobre Hemeroteca e, ao final ,era apresentada uma peça teatral escrita especialmente para o programa chamada "De Olho na Folha", do Zecarlos de Andrade. Basicamente, o Programa Folha Educação funciona assim até hoje. Em 1997 houve o lançamento do Jornal Folha Educação que ajudou a compor os materiais pedagógicos oferecidos pelo Programa. E
como
é que funciona o nosso programa? Os professores se inscrevem, via
telefone, fax ou e-mail, para um treinamento que acontece duas vezes por
ano. Por que não acontece mais vezes? Porque a Folha não tem estrutura
para atender a imensa quantidade de pedidos para esse programa específico.
A própria empresa terá que estudar de que forma vai ampliar o atual
atendimento. Normalmente, atendemos, por grupo, de 80 a 100 pessoas. Os
professores vêm, fazem um dia de treinamento séde na Folha ou num auditório
próximo e depois retornam para as suas escolas. O
contexto do programa Folha Educação é apresentado aos professores nesse
curso. Obviamente, é um trabalho de síntese, mas pretendemos que o
professor saiba o que é um jornal. Nesse momento, percebemos
que existem muitos preconceitos com relação à leitura do jornal, além
de um desconhecimento sobre o seu funcionamento. Assim, desmistificamos
alguns dos jargões jornalísticos porque muitas vezes o professor pega o
material, vê escrito ali “olho”, “manchete”, etc e não sabe o
que significam essas palavras. Procuramos destrinchar esse “jornalistês”
e descrever como é o caminho da produção da notícia. É
importante enfatizar que não existe uma notícia isenta, não existe uma
foto isenta. Enquanto empresa jornalística, convidamos alguns repórteres
fotográficos para dizerem como funciona no dia-a-dia do jornal, de que
maneira que são feitas as reportagens, que tipo de pressão o jornalista
sofre, que tipo de pressão a própria empresa jornalística sofre para
que o jornal saia no dia e nos conformes.
Realizamos
esse dia de atividades e o professor leva para a escola os cadernos contendo propostas
para atividades nas áreas de
Ciências, Matemática, língua estrangeira, etc. Procuramos contemplar
todas as disciplinas com sugestões de atividades utilizando o jornal.
Depois, em suas escolas, esses professores vão passar a receber, durante um
semestre, exemplares da Folha de São Paulo quase sempre entregues com um
ou dois dias de atraso. Sempre nos perguntam: Porque não doam às escolas
o jornal do dia? Esta é uma outra batalha que a empresa jornalística tem
que empreender porque o que doamos para as escolas é o encalhe, aquilo
que sobra. O ideal seria que chegasse na escola o jornal do dia.
Mas, se por um lado criticamos o encalhe por outro consideramos que
o fato do jornal chegar com um ou dois dias de atraso não faz dele um
instrumento menos atraente ou mais pobre em termos de utilização. Ou
seja: pensamos o encalhe, com atraso de dois dias, como um instrumento
possível de outros usos que não aquele da notícia fresquinha; enfim,
achamos que é possível trabalhar com a notícia independente de ela ser
do mesmo dia. Como
já disse, o jornal Folha Educação, criado em 1987, veio a suprir essa necessidade do
professor de trocar informações a fim de refletir sobre temas
atuais. Existia uma lacuna naquela época, pois o professor que vinha para
o “reencontro” (sobre isto eu falo na na seqüência) trazia com ele
uma série dúvidas. Ele queria conversar sobre os trabalho realizado em
sua escola e às vezes se queixava de se sentir muito sozinho.
Com a criação do jornal Folha Educação, instituímos temas para
discussão e aprofundamento, por exemplo: o jornal na educação infantil,
o jornal nas eleições, etc. Convidamos
especialistas para escrever artigos, refletir sobre esses temas e depois
propomos atividades a partir desses temas. Esse esquema de trabalho tem
dado muito certo - o jornal
hoje circula em toda a rede estadual e municipal de ensino de São Paulo.
O retorno tem sido muito bom até o presente momento. Alguns professores
nos enviam as suas experiências a partir do uso do jornal em sala de aula
ou a partir da sua presença no programa. De maneira geral, temos
procurado publicar as experiências consideradas mais interessantes. O
nosso próximo passo será, talvez, transformar o Folha Educação numa
revista. Convém
destacar a dificuldade do jornal em conseguir anunciantes e empresas que
queiram financiar esse tipo de programa. O Folha Educação é ligado ao
setor de marketing da Folha de São Paulo e mesmo assim existem muitas
dificuldades para encontrar parceiros. O programa não gera nenhum lucro
imediato para a empresa. Continuando
a exposição, depois da primeira fase do trabalho, chamamos os
professores de volta no
semestre seguinte para o “reencontro”. A idéia é ouvir do professor
se aquilo que foi visto e trabalhado anteriormente se tudo aquilo se
aplica em sala de aula, se não se
aplica, como é que foi, que outras idéias ele teve, como realizou seu
trabalho,etc. Dividimos os
professores em grupos para a partilha de experiências. Também convidamos
outros profissionais para contribuírem com sua experiência – exemplo:
aqueles que trabalharam com charges ou cartoons vão trabalhar com um
profissional da área que irá ajudá-los a refletir melhor sobre sua
prática. Tentamos contemplar toda a linguagem jornalística
porque, ao contrário do que se pensa, a linguagem jornalística não
significa somente o texto claro, objetivo e conciso, mas sim todos os
elementos que compõem o jornal: fotos, legendas, tabelas, gráficos,
charges e assim por diante. Daí a iniciativa de chamarmos os
profissionais de todas essas áreas para deixarem bem claro que o projeto
trabalha a partir do pressuposto de que o professor deve conhecer a
linguagem jornalística a fim de se apropriar da leitura do jornal. Terminado
o “reencontro”, pedimos às escolas que mantenham um canal de comunicação
com a coordenação do programa (e-mail, fax, telefone, etc). Vimos
recebendo um número significativo de relatos de experiências e
insistimos para que a escola registre essas experiências através de
fotografias e anotações diárias - a idéia é de, no futuro,
compilarmos todas as experiências e, quem sabe, devolvermos tudo
para os professores de modo a expandir ainda mais os seus conhecimentos
nessa área. Ainda
não temos o Folha Educação on line pela dificuldade de haver um
tutor que responda as questões dos professores. Há uns 15 dias atrás,
conversando com a professora Guiomar Namo de Mello, da Fundação Victor
Civita, ela dizia que acredita em programas de disseminação de
conhecimento na esfera do magistério desde que eles sejam auto-geridos
pelo próprio professor. Com base nessa idéia, estamos tentando organizar
um programa no sentido de que o professor seja também o gestor do seu próprio
conhecimento. Essa é uma questão interessante e veio de encontro à idéia
da Folha de implementar, oportunamente, uma operação on line para
os professores participantes. Em linhas gerais, é assim que funciona o Folha Educação. Temos recebido solicitações de fora de São Paulo. Percebemos que ainda falta muito para que o professor se aproprie de fato dessa ferramenta e assim passe a trabalhar normalmente com o jornal. Parece que, depois da chegada dos novos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), o professor se transformou num angustiado em decorrência das novas tecnologias. Ouvimos alguns exclamarem:“Tenho que trabalhar com televisão. Tenho que trabalhar com Internet, com o jornal!”. E muitas vezes eles não sabem por onde começar! Assim, ele acaba ficando muito perdido nesse redemoinho de solicitações.
Sugerimos,
então,
que um trabalho com leitura de jornal comece com cada professor em
particular, acalmando a sua angústia e esclarecendo que ele não precisa
ler o jornal de domingo de cabo a rabo, ou seja, que podemos selecionar as
informações. Mais especificamente, procuramos fazer com que o professor
perceba que, se começarmos a ser leitores assíduos de jornal, poderemos
conhecê-lo melhor e fazê-lo trabalhar a nosso
favor. Falando como jornalista, é importante lembrar que 30% do
que está escrito no jornal não é para ser lido mesmo, ou seja,
escrevemos um tanto de notícias que não são feitas para serem
consumidas.. Dizemos aos professores que eles não devem se angustiar: eles não têm que ler tudo, não têm que dar conta de tudo. Nós insistimos, isto sim, para sejam observadores atentos da realidade, aprendam a comparar o que ouvem no rádio com o que lêem no jornal, com o que vêem na televisão. Esse exercício de análise e comparação é muito rico. E o mesmo tem que acontecer junto aos alunos para que não se transformem em meros cumpridores de tarefas, tentando devorar tudo o que existe no jornal. Muitas vezes é mais interessante ler unicamente um artigo do articulista em quem confiamos, daquela pessoa que sabemos ter uma visão um pouco mais abrangente deste mundo, exercitando, assim, o nosso senso de observação da realidade. Esta recomendação é muito significativa mesmo porque já existem angústias demais no Brasil e no mundo.
A tarefa de educar
é importantíssima - vemos o educador como aquele que dirige o olhar do
aluno para a realidade. Trata-se de uma tarefa muito importante e é difícil
mostrar as várias realidades que são possíveis de serem vistas. É
preciso muita calma e tranqüilidade para assumir esse papel de ensino e
orientação. Se o aluno tiver no professor uma pessoa com quem tenha
prazer de aprender e descobrir, aí sim ele deixa de ser um simples aluno para se
transformar num estudante, num verdadeiro aprendiz. Tenho
dois filhos pequenos: um está com 7 meses e o outro está com dois anos e
meio. Recentemente, eu tive uma experiência muito gratificante quando da
procura de uma escola para matricular o meu pequeno. Tive que aprender um
pouco sobre como funciona a educação infantil, como que se pensa a educação
infantil. Eu me lembro de uma coordenadora pedagógica que muito me
emocionou, ao dizer: “Olha, Januária, eu penso que a função da escola
é primeiro passar para o aluno que é bom aprender, que é gostoso
aprender, é gostoso perguntar, é gostoso ter dúvida -
isso move a gente, impulsiona a gente pra frente. E a segunda coisa
é educar para as diferenças porque dentro da escola a gente tem de tudo:
pensamentos diferentes, posturas diferentes e a gente tem que ensinar os
nossos alunos que é também gostoso conviver com o diferente.” O
jornal é um instrumento muito valioso. O jornal também tem vida, tem de
tudo, ainda que a natureza dessa vida seja apenas editada; mas ele tem
muita Vida. E eu espero que os participantes do seminário possam ter uma
prática prazerosa, movimentando suas vidas com o jornal nas suas escolas. (REVISTO POR EZEQUIEL THEODORO DA SILVA)
(SEGUNDA
REVISÃO DA PRÓPRIA AUTORA - NOVEMBRO DE 2002)
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