JORNAL ESCOLAR: FUNDAMENTOS & EXPERIÊNCIAS

 

 

 

Profª Drª Marisa Del Cioppo Elias [1]

 

 

O desenvolvimento tecnológico da sociedade atual possibilita realizações que, há pouco mais de 50 anos, faziam parte do mundo da ficção – viagens espaciais, discagem telefônica entre continentes – não só de telefones fixos, mas, de celulares -, retirada de dinheiro fora do horário bancário, pagamentos eletrônicos etc. Muitas vezes nem sequer nos damos conta dos benefícios que esses progressos da tecnologia trazem, pois eles já fazem parte do nosso cotidiano. Ler um jornal (do país ou do estrangeiro), uma revista ou um livro, assistir a um programa de TV, pagar uma conta pela Internet. Não é à toa que se diz que estamos vivendo a sociedade da informação e do conhecimento.

 

Cada vez mais a linguagem cultural inclui o uso de diferentes recursos tecnológicos para produzir processos comunicativos. A tecnologia da comunicação (enquanto recurso tecnológico) permite o transito de informações, possibilitando novas formas de conhecimento. Entre elas podemos citar as revistas, os jornais, os livros, os CD-ROM[2], com o mesmo formato de um CD de música, programas de radio e TV, home-pages[3], sites[4], correio eletrônico.

 

Cada vez mais a linguagem cultural inclui o uso de diferentes recursos tecnológicos para produzir processos comunicativos. A tecnologia da comunicação (enquanto recurso tecnológico) permite o transito de informações, possibilitando novas formas de conhecimento. Entre elas podemos citar as revistas, os jornais, os livros, os CD-ROM[5], com o mesmo formato de um CD de música, programas de radio e TV, home-pages[6], sites[7], correio eletrônico.

 

Essas mudanças nos processos de comunicação e produção geram mudanças na percepção de mundo e valores e, conseqüentemente, nas formas de atuação social. As informações estão disponíveis em grande quantidade, embora sabemos que, ter informação não significa necessariamente ter conhecimento.

 

A tecnologia encurtou distâncias, aproximou culturas, ampliou possibilidades de comunicação, mas, trouxe também, centralização na produção do conhecimento e do capital, e o seu acesso ainda fica restrito a uma parcela da população planetária.

A informação é importante, mas, de nada vale se não a analisamos e relacionamos a outras informações de forma crítica e contextuada. Além disso, apesar da multiplicação desenfreada das informações (processo irreversível), a capacidade de assimilação humana continua a mesma, tanto do ponto de vista físico como psicológico. Por outro lado, esse excesso de informações, nem sempre vem acompanhado da necessária qualidade.

 

Certamente cabe à educação poder contribuir para uma melhor formação cultural e competência dos educandos, na medida em que puder acompanhar esses processos de mudança e oferecer uma formação adequada às novas necessidades da vida moderna.

 

As demandas da sociedade atual exigem que a escola trabalhe no sentido da formação de cidadãos críticos e reflexivos, que possam exercer sua cidadania, cooperação, solidariedade e tolerância. Para isso a escola precisa integrar a cultura tecnológica extra-escolar dos alunos e professores ao seu cotidiano, de uso dos instrumentos de cultura. Não basta, por exemplo, municiar as escolas de computadores. É necessário que qualquer tecnologia seja acompanhada de informações e orientações sobre seu uso, assim como os manuais que acompanham os aparelhos eletrônicos ou maquinaria diversa. E, devemos levar em consideração que o nosso professor também está se iniciando no uso das novas tecnologias e precisa aprender a dominá-la, o que pode perfeitamente acontecer junto com a aprendizagem do aluno.

 

A partir da constatação dessa realidade, cabe dizer que o maior problema não se restringe à falta de acesso dos alunos e professores aos meios de comunicação, e, sim, à capacidade crítica e procedimental para lidar com a variedade e quantidade de informações do cotidiano. Entre os meios de comunicação de mais fácil acesso está o jornal, por possuir informação abundante e variada. Por meio dele os alunos podem entrar em contato com diferentes assuntos: política, economia, religião, cultura, esporte, pesquisa, literatura, acontecimentos nacionais e internacionais, uma vez que pode ser fonte enriquecedora e revitalizadora do conteúdo curricular.

 

Embora a invenção da imprensa date do século XV, os primeiros jornais periódicos surgiram um século e meio após a criação de Gutemberg e eram mais voltados para questões econômicas, seguidas do enfoque político. Com a substituição das prensas manuais pelas máquinas, já na segunda metade do século XIX (Revolução Industrial), o jornal tornou-se de menos custo e suas seções mais diversificadas.

 

O uso do jornal na sala de aula, não é, pois novo. Já era empregado por alguns educadores no início do século passado, como o jornal da Escola Decroly, na Bélgica, que data de 1920. Outro é o jornal escolar impresso, da época, bastante original, era o jornal editado pelos alunos da Escola Freinet, baseado no texto livre e impresso no limógrafo ou imprensa escolar.

 

Freinet sugeria o uso de jornal (mural, escrito ou falado) como substituto dos manuais didáticos, da lição de casa imposta pelo adulto, antevendo as vantagens de seu uso para abordar a realidade e os programas escolares. Ele permitia aos alunos se apoderassem de diferentes formas de linguagem e dos diferentes gêneros do discurso.

 

Na Escola Freinet, os jornais não são imitações nem substitutos dos jornais de adultos. São produções originais, como dissemos, cujo conteúdo atende aos verdadeiros interesses das crianças, tal como são expressos nos textos livres, trazendo como conteúdos elementos da vida, de exteriorização do pensamento. Sua originalidade e importância consistem numa seleção de textos realizados e impressos diariamente pelas crianças e agrupados mês a mês, numa encadernação especial para os assinantes e correspondentes.

 

O professor não intervém diretamente na organização e na escolha dos textos a serem impressos, uma vez que essa escolha é feita através de votação entre os alunos. É uma realização que interessa a crianças, pais e educadores. O melhor exercício de redação, de ortografia e de gramática vivos. Dizia Freinet (1974: 85):

 

 o jornal escolar é um inquérito permanente que nos coloca a escuta do mundo e é uma janela ampla aberta sobre o trabalho e a vida. (...) É o arquivo vivo da aula”.

 

Freinet nos colocou no caminho de uma nova fórmula de escola, a escola do trabalho que apresenta uma proposta metodológica valorizando o trabalho do ponto de vista individual, do social e humano. Utilizando o texto livre e o jornal, alimentamos e exploramos a necessidade que a criança tem de exteriorizar seu pensamento. O jornal escolar é o protótipo desse trabalho novo. Para se dedicar a ele a criança deixa de ter necessidade do estimulante das notas, do lucro material ou da atração do jogo. A iniciativa do jornal basta-se a si próprio porque contém em si as virtudes mais importantes da educação moderna.

 

VALORIZAÇÃO DA CULTURA DA INFÂNCIA

 

Por intermédio do jornal escolar, a criança é bem sucedida: triunfa com o seu texto que é divulgado na comunidade e, através do espaço: triunfa com a sua gravura e desenhos que dão beleza a uma obra coletiva. A prática do jornal contribui para os comportamentos sociais, afetivos e cognitivos da escola, criança e professor. Ainda hoje o meio escolar é diferente do meio familiar e social da criança.

 

Um jornal não vive só dos episódios acontecidos no dia anterior, mas também, da discussão, do debate e da análise de fatos e/ou situações que estão acontecendo, já aconteceram ou que possam acontecer. Dependendo da finalidade temos um determinado tipo de texto. Existem muitos tipos de jornais, cada um destinado a um público diferente, com intenções também diferentes.

 

 

 

 

VANTAGENS DO JORNAL ESCOLAR

 

1.      O jornal é um instrumento cooperativo e socializante. É um trabalho que exige uma organização específica do grupo-classe, em equipes, um trabalho cooperativo. Exige que cada um seja responsável. Substitui as lições individuais. O material de composição e de tiragem é, por natureza, coletivo. A produção individual será realizada tecnicamente por um pequeno grupo de trabalho e, a crítica coletiva será levada em conta pela classe. O trabalho de cada aluno faz parte de um todo que necessita de atenção, aplicação e perfeição. A própria distribuição do jornal é feita por alunos. Uma linha mal composta compromete toda a página. Em todas as fases do processo o aluno assume responsabilidades sociais.

2.      O jornal é um meio de integração.  Enquanto veículo de informação, o jornal integra as famílias e a escola. Todos os meses o jornal leva às famílias o olhar original da criança sobre a vida da comunidade. Se ele for objeto de intercâmbio e de crítica, as técnicas de impressão e o conteúdo serão melhorados, novas pistas de trabalho poderão aparecer e uma correspondência poderá se estabelecer.

3.      O jornal é um testemunho da criatividade. Fornece elementos para a criança refletir/pensar sobre o mundo que a rodeia, aproximando-se dos interesses dos adultos, criando, com isso, uma situação de intercâmbio muito positiva. A leitura de notícias provoca nas crianças uma necessidade de ampliar seus conhecimentos (históricos, geográficos, sociais, matemáticos...) sobre temas que intervém direta ou indiretamente nas informações veiculadas, fomentando a curiosidade.                          Aproxima a criança do mundo que a rodeia através da interpretação e compreensão das notícias veiculadas, permitindo que estas exponham sua opinião, se defina e tome posição diante dos fatos que acontecem ao seu redor.

4.      O jornal contribui para a cidadania. Ao se planejar e compor página por página de um jornal, a criança aprende como se faz uma pesquisa, discute assuntos e temas de seu interesse; ao conduzir uma reportagem fundamenta sua opinião em fatos reais, analisa diversas interpretações sobre um mesmo fato e entra em contato com um modelo de língua padrão bastante próximo ao usado no dia-a-dia.  Os alunos produzem realmente textos variados do ponto de vista histórico e científico. Através da preparação individual e coletiva, dos votos regulares que escolhem os textos que serão impressos necessitam uma organização cooperativa. Pela redação e divulgação, o aluno vai sendo preparado enquanto futuro cidadão.

5.      O jornal é um instrumento de trocas. A situação de confecção de um jornal cria no grupo um clima bastante intenso de troca de informações e discussões que gera um grande entrelaçamento de conhecimentos. A própria estrutura do jornal, as seções específicas que, utilizando diversas técnicas de expressão, desde as que retratam uma partida de futebol, comentários sobre personagens da política ou do cinema, sobre o tempo, até as seções de divertimentos, de crítica de filmes ou novela de TV etc, além da tarefa de paginar, escolher o lugar das fotografias, a montagem e a colocação dos títulos – evidenciam o trabalho coletivo.

6.      O jornal é um instrumento de expressão livre:       

·        Por seu conteúdo: textos livres, desenhos livres, relatórios de enquetes ou pesquisas, textos coletivos sobre a vida da classe, jogos etc;

·        Pela utilização experimental do material de impressão e duplicação;

·        Pelas pesquisas de apresentação, diagramação e técnicas de ilustração;

·        Pelo emprego de caracteres tipográficos que dão um “status” oficial ao pensamento da criança.

7.      O jornal prioriza as várias linguagens: É importante recurso pedagógico para aprender e exercitar o texto verbal nas suas diferentes características e funções. Utiliza a linguagem escrita e a comunicação visual, num registro diário e dinâmico da realidade, atendendo às diferentes necessidades do homem quanto a sua sintonia com o mundo. Mesmo priorizando a linguagem para transmitir a informação, prioriza a linguagem sem excluir as outras funções nas diferentes abordagens da realidade atual: propaganda, quadrinhos, crônicas, poesia...

8.      O jornal é um instrumento de representação da realidade. Registra as transformações realizadas pelo homem, que faz a sua história através do tempo, desenvolvendo sua consciência crítica e o seu posicionamento como cidadão. Devido à natureza transdisciplinar da matéria jornalística, o jornal representa a realidade de maneira abrangente.

9.      O jornal favorece o desenvolvimento de habilidades. Ao contribuir para o desenvolvimento das capacidades de observação, classificação, análise e conclusão, habilidades que, utilizadas com maior ou menor desenvoltura pelos elementos do grupo, possibilitam uma exploração mais completa, interativa e reflexiva da matéria jornalística, leva à compreensão de que, como qualquer outro produto, ele é feito por pessoas e tem como matéria prima os fatos e os acontecimentos do dia-a-dia que se transformam em notícias.

10.  O jornal é um instrumento de valoração e democracia. Por socializar informações, divulgar notícias e anúncios, denunciar irregularidades, fazer reivindicações, é instrumento de abertura, na escola e no exterior. O aluno ocupa parte do seu tempo livre, empenhando-se na pesquisa e na montagem de seus escritos, revelando suas capacidades.  Traz para a classe a própria dinâmica que se estabelece numa editora de jornal – é uma imitação dos jornais reais. A publicação de um texto confere ao aluno um real valor. Ele se sente feliz por ter conseguido produzir algo digno de publicação e que os outros irão ler. Isto o estimula a continuar a produzir artigos porque sabe que serão lidos e conhecidos e lhes dá uma dimensão e uma importância maior aos olhos dos colegas e demais leitores.

11.   O jornal é um excelente material de leitura e escrita. Permite que se desenvolvam atividades de leitura e escrita, tais como se apresentam na sociedade, possibilitando o trabalho com diferentes modalidades de textos. Os alunos aprendem a reconhecer e a utilizar diferentes formas de organização textual, bem como recursos lingüísticos próprios de cada modalidade.

Através do trabalho com textos jornalísticos, discutem assuntos e temas de seu interesse, fundamentam sua opinião em fatos reais, analisam diversas interpretações sobre um mesmo fato e entra em contato com um modelo de língua padrão bastante próximo da usada no dia-a-dia.

 

 

SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O USO DO JORNAL EM SALA DE AULA

 

I -  Língua Portuguesa

            Objetivos:

1.      Identificar o jornal como um dos portadores de textos, percebendo a diferença entre eles;

2.      Identificar os diferentes tipos de textos de acordo com sua finalidade;

3.      Identificar, nos diferentes textos, as estruturas próprias do discurso escrito;

4.      Discutir sobre assuntos e temas atuais, relacionados aos interesses dos alunos;

5.      Identificar as diversas interpretações de um mesmo assunto ou fato;

6.      Produzir textos utilizando as estruturas do discurso escrito;

7.      Produzir textos com clareza e coerência, utilizando os recursos básicos de coesão (conjunções, advérbios, preposições etc).

 

O uso do jornal na sala de aula além de permitir o estabelecimento de relações com o mundo, através das informações veiculadas, das análises apresentadas etc, também possibilita o desenvolvimento de atividades relacionadas a diferentes interpretações de um mesmo assunto, o estudo de recursos expressivos próprios da linguagem jornalística e a análise crítica dos acontecimentos.

 

Atividade: Uso do jornal na sala de leitura

  1. Comparar diferentes jornais impressos

1.1.  Ler uma notícia em diferentes jornais

1.2.  Analisar diferenças e pontos em comum entre os textos lidos, levantar e diferenciar objetividades e subjetividades, formulação clara ou confusa, plasticidade do texto quanto à visualização e/ou ilustração.

1.3.  Escrever e ilustrar em grupos um “acontecimento” da semana selecionado pela maioria que depois de visto e lido por todos, terá um deles selecionado para fazer parte do jornal mural da sala de leitura.

 

  1. Elaboração de manchetes ou chamadas

2.1.  Ler as manchetes de diferentes jornais que se referem a um mesmo acontecimento.

2.2.  Analisar as diferenças e pontos em comum (quanto à forma e ao conteúdo).

2.3.  Escrever em grupos manchetes ou chamadas para algum acontecimento escolhido pela classe. Ler, comentar e eleger os melhores.

 

  1. Trabalho com a publicidade contida nos jornais

3.1.  Ler as publicidades contidas nos jornais (leitura do verbal e do não verbal pelos alunos).

3.2.  Analisar as várias formas e a relação da intenção de convencimento do texto de publicidade com a necessidade maior ou menos do leitor quanto ao produto vendido pela mesma.

3.3.  Escrever com palavras e/ou imagem, propagandas sobre produtos que sejam eleitos pelos grupos. Mostrar, comentar e expor as propagandas (fala, criação e escrita dos alunos). Obs: atentar para a propaganda indireta: descontos, liquidações, cupons de descontos, encartes de dicionários, livros, etc.

 

  1. Trabalho com anúncios classificados

“Os verdadeiros poetas

não lêem outros poetas

Os verdadeiros poetas

Lêem os pequenos

Anúncios de jornal.

Poema “Comunhão”- Mario Quintana - Livro “Poesias” – Editora Globo – 1962

   4.1. Ler os anúncios classificados atentando para o código específico (abreviações, siglas etc,), a objetividade ligada ao preço (por palavras, por espaços pré-determinados) e/ou à função (negócio, relação empregador/empregado), se contrapondo a subjetividade e/ou tamanho relacionados a outra função (relacionamento pessoal, fé etc.).

4.2. Analisar e classificar os diferentes tipos de anúncio, classificado e suas diferentes funções e linguagens.

4.3. Os alunos escrevem em grupo texto para anúncios classificados de um mesmo “produto”. Ler, comparar e publicar os eleitos.

 

  1. Comparar a linguagem jornalística em diversos veículos de comunicação: imprensa escrita (jornal, revista), imprensa falada (rádio) e televisiva:

5.1.  “Ler” um acontecimento nos diversos veículos.

5.2.  Analisar as características próprias de cada meio, o que há em comum, o porque das diferenças e o que há de específico em cada linguagem.

5.3.   “Escrever” para a linguagem do rádio ou da televisão uma notícia do jornal lido pelo grupo.  Teatralizar um jornal radiofônico ou televisivo (os alunos falam, escrevem, representam).

 

  1. Trabalho com a linguagem não verbal ou plástica:

6.1.  Ler os textos verbais, os gráficos, os plásticos etc.

6.2.  Analisar o que é comum a todas as linguagens e o que é específico de cada uma.

6.3.  Escrever, ou melhor, transcrever um texto verbal para um plástico (desenho, foto, quadrinho, charge) ou vice-versa, em grupo (os alunos falam, escrevem, desenham, fazem montagem, gráficos etc).

 

  1. Trabalho com editorial:

7.1.  Ler o editorial de diversos jornais observando bem a 'fala entrelinhas' que caracteriza todo texto de opinião e de tendência filosófico – partidária emitido em primeira pessoa.

7.2.  Analisar essas opiniões e tentar levantar os pontos divergentes que caracterizam, como única, cada linha editorial.

7.3.  Escrever nos moldes de um editorial, o ponto de vista do grupo a respeito de um acontecimento levantado pelo grupo maior (classe).

 

  1. Utilização de cadernos semanais

8.1.  Ler o jornal (o mesmo) de uma semana, atentando para os diversos cadernos especiais que o compõe semanalmente ( infantil, literário, informática, financeiro, agrícola, etc...).

8.2.  Analisar em grupo a especificidade de linguagem e conteúdo de cada um.

8.3.  Escrever em grupo, tentando restringir o assunto quanto ao conteúdo e a forma do caderno examinado pelo grupo, num universo próximo do aluno, como, por exemplo, o seu grupo familiar ou escolar.

 

  1. A notícia na história (o registro jornalístico como registro da história)

9.1.  Ler na seção AGENDA a notícia de 50 ou 100 anos atrás.

9.2.  Analisar a historia daquele tempo a partir da notícia e sua ligação com a história da atualidade, atentando, também, para as peculiaridades da escrita de então.

9.3.  Escrever uma notícia 'de época', a partir de um fato histórico escolhido pelo grupo, procurando adequá-la nos moldes lingüísticos da época.

 

As sugestões de trabalho aqui apresentadas são só exemplos de quão rico e inspirador de atividades criativas e lúdicas pode ser o trabalho com a leitura de jornal. Cabe ao professor como mediador do processo de aquisição do conhecimento adequar as atividades ao nível dos alunos a partir de procedimentos levando-os sempre na busca de uma autonomia de leitura e de produção de qualquer texto, jornalístico ou não.

 

Matemática

 

Objetivos

  1. Possibilitar a leitura matemática da realidade;
  2. Propor questões ou problemas mais significativos, próximos à realidade do aluno.

 

Atividade: O jornal e a linguagem matemática

 

As informações contidas em grande parte das notícias podem subsidiar o trabalho de construção de tabelas e gráficos, como:

·        Estados brasileiros e sua população;

·        População alfabetizada por Estado;

·        Renda “per capita”;

·        Tabelas dos campeonatos de futebol; tabelas de previsão do tempo (em SP e no mundo);

·        Nível de emprego ou desemprego;livros mais vendidos; filmes mais assistidos.

 

Esse trabalho encaminha para discussões referentes à estatística, estimativas, relações de inclusão, medidas, seqüência e outros.

 

Ciências

 

Objetivos

  1. Fornecer elementos para a compreensão do mundo e suas transformações;
  2. Identificar os vários componentes do ambiente, diferentes características e propriedades;
  3. Compreender as interações entre os componentes do ambiente e os processos de transformação na dinâmica ambiental;
  4. Perceber a interação entre o ser humano e o ambiente;
  5. Perceber as informações científicas como um meio para a promoção da saúde individual e coletiva;
  6. Relacionar os avanços tecnológicos às necessidades do ser humano.

 

Atividade: O jornal e o conhecimento científico

 

O trabalho com texto jornalístico sob a perspectiva do ensino de Ciências pode levar às seguintes atividades:

·        Pesquisar os conceitos científicos presentes no texto;

·        Selecionar no texto notícias sobre fenômenos ambientais e buscar suas explicações científicas;

·        Discutir questões referentes às profilaxias na área de saúde.

 

Dentre os vários textos jornalísticos que o professor pode usar em sala de aula, ainda sugiro, a título de exemplo, aqueles que abordam a temática ambiental, tais como: efeito estufa, chuva ácida, agrotóxicos, reciclagem do lixo, dengue, despoluição do rio Tietê, desmatamento, queimadas, entre outros.

 

História

 

Objetivos

1.      Conhecer a sua e outras realidades;

2.      Comparar o modo de ser e viver das pessoas em diferentes épocas, possibilitando a identificação das mudanças e permanências, semelhanças e diferenças, importantes para compreensão de como se realiza o processo histórico;

3.      Perceber que existem múltiplas visões sobre um mesmo evento, não havendo, portanto, uma única forma de interpretação;

4.      Acompanhar a trama dos acontecimentos, estimulando a investigação e o questionamento sobre os temas abordados;

5.      Compreender o dinamismo do conhecimento histórico, demonstrando que as verdades não são únicas e inquestionáveis;

6.      Conhecer a opinião pública dos vários segmentos da sociedade, grupos, entidades, etc;

7.      Contatar aspectos de diferentes culturas, levando a compreensão de que não existe um modo único de viver e pensar, não havendo cultura melhor ou pior, mas diferentes.

 

Atividade: O jornal e o conhecimento histórico

 

O texto jornalístico favorece a construção de noções, conceitos e categorias próprias do conhecimento histórico. A seleção, organização e discussão de artigos pertinentes aos temas em estudo contribuem para a ampliação do universo do conhecimento sobre os mesmos além de sua investigação e questionamento, estimulando o desenvolvimento do espírito crítico e criativo do aluno. Neste trabalho poderão ser desenvolvidas as seguintes atividades:

·        Localizar a fonte e autoria do artigo;

·        Situar no espaço e no tempo os assuntos tratados no artigo;

·        Identificar o(s) assunto(s) focalizado(s);

·        Estabelecer relações entre o(s) tema tratado(s)  e a experiência do aluno;

·        Identificar possíveis soluções;

·        Coletar outros artigos de jornais para discussão em classe;

·        Destacar as dúvidas do vocabulário utilizado (Administração regional, licitação pública, arqueologia etc);

·        Explorar a questão da origem dos recursos para a execução das obras;

·        Identificar aqueles que participam do evento;

·        Reconhecer o papel de cada segmento.

 

Geografia

 

Objetivos

 

  1. Favorecer a compreensão das formas de organização do espaço no atendimento às necessidades dos seres humanos;
  2. Conhecer a relação sociedade/natureza que se realiza pela intermediação do trabalho;
  3. Propiciar o reconhecimento das diversidades regionais, estabelecidas pela vegetação, fauna, clima e da interação da ação humana com o ambiente.

 

Atividades: O papel do jornal no ensino de geografia

 

Os jornais de bairro, da região e os de maior circulação podem ser utilizados principalmente para ampliar as informações a respeito do espaço geográfico. A leitura do jornal possibilita alguns encaminhamentos que podem contribuir para o desenvolvimento do ensino de Geografia através da exploração de conceitos próprios do conhecimento geográfico (espaço, tempo, relações sociais).

A partir do texto jornalístico poderão ser desenvolvidas as seguintes atividades:

Além da notícia, pode-se eleger mapas, gráficos, tabelas, etc. para atividades diversas. Por exemplo: se forem selecionados mapas de previsão de tempo, o aluno poderá codificar os símbolos utilizados pela linguagem da climatologia.

 

O jornal e suas metamorfoses

 

“Um senhor pega um bonde depois de comprar o jornal e põe-no debaixo do braço. Meia hora depois desce com o mesmo jornal debaixo do mesmo braço.

Mas já não é o mesmo jornal, agora é um monte de folhas impressas que o senhor abandona num banco da praça.

Mal fica sozinho na praça, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Depois, leva-o para casa e no caminho aproveita-o para embrulhar um molho de acelga, que é para que servem os jornais depois destas excitantes metamorfoses”.

                                                                       Júlio Cortazar

 

 

 

Bibliografia Consultada

ELIAS, Marisa Del Cioppo (Org.) Pedagogia Freinet: teoria e prática. Papirus; Campinas, São Paulo; 1996.
ELIAS, Marisa Del Cioppo.
“A atualidade da proposta Freinet: interdisciplinaridade e alfabetização”. In: REVISTA - BOLETIM Nº 1. Re-significando a prática pedagógica. SMEC – Erechim, Ano 1 nº 1 – dez 95, p.27- 38.

ELIAS, Marisa Del Cioppo. “A contribuição da pedagogia Freinet no ensino superior”. In: MORAIS, M.F.(org.). FREINET e a escola do futuro; Recife; Bagaço;1997; p.181- 188.

ELIAS, Marisa Del Cioppo. “As contribuições da Pedagogia Freinet para a globalização”. In: Revista EDUCAÇÃO: Vida e trabalho; Erechim, RS; URI (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões);Julho, 1999;p.23-41.

ELIAS, Marisa Del Cioppo. Célestin Freinet: Uma pedagogia de atividade e cooperação. Petrópolis, Rio de Janeiro; Vozes; 1997.

FREINET, Célestin. A educação do Trabalho. São Paulo, Martins Fontes, 1998.

FREINET, Célestin. A leitura pela imprensa na escola. Dinalivro; Lisboa, Portugal; S/D.

FREINET, Célestin. O Texto livre. Dinalivro; Lisboa, Portugal; S/D.

FREINET, Célestin. Œuvres Pédagogiques. Tome 1 e 2. Éditions du Seuil, 1994. Édition établie par Madeleine Freinet.

FREINET, Célestin. Pedagogia do Bom Senso. Martins Fontes; São Paulo; 1985.

FREINET, Célestin. Técnicas de Educação: As técnicas Freinet da Escola Moderna. Estampa; Lisboa, Portugal; 1975.

FREINET, Célestin. Técnicas de Educação: O Jornal Escolar. Estampa; Lisboa, Portugal; 1974.

OLIVEIRA, Anne M.M. Célestin FREINET: raízes sociais e políticas de uma proposta pedagógica. Papéis e Cópias de Botafogo e Escola de Professores; Rio de Janeiro; 1995.

PENTEADO, J. Arruda. A Pedagogia Freinet e a teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. São Paulo, Revista NEXOS, 1998.

SAMPAIO, Rosa M. W. F. Freinet: Evolução histórica e atualidades. São Paulo; Scipione; 1989.

 

 



[1] Professora Titular da PUC/SP e Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes.
[2] O CD-ROM ou Compact Disc – Ready only memory (memória apenas para leitura) é um dispositivo que tem a capacidade de armazenar grandes quantidades de textos, imagens, sons e dados diversos.
[3] Home-page é um documento que utiliza a linguagem de hipertexto, constituindo-se uma página de um sistema denominado WEB.
[4] Site –lugar de um programa de navegaçãoi ou computador, onde se tem acesso a informações.
[5]
O CD-ROM ou Compact Disc – Ready only memory (memória apenas para leitura) é um dispositivo que tem a capacidade de armazenar grandes quantidades de textos, imagens, sons e dados diversos.
[6] Home-page é um documento que utiliza a linguagem de hipertexto, constituindo-se uma página de um sistema denominado WEB.
[7] Site –lugar de um programa de navegaçãoi ou computador, onde se tem acesso a informações.