"A informação e a
comunidade escolar"
Marcelo Garcia Serpa
APEU
Senhoras e senhores
participantes do Seminário, boa tarde.
É com satisfação de
iniciante que me dirijo ao público presente a este Seminário para expor
algumas experiências positivas resultantes do trabalho de colocação da
informação nas salas de aula através do veículo jornal. Essas atividades
foram desenvolvidas em uma parceria harmoniosa entre escolas, comunidades e
profissionais de comunicação engajados na tarefa nobre de apoiar a valorização
do processo educacional, a formação de uma nova cidadania e a contribuição
da mídia impressa na formação de uma nova sociedade. O que iremos expor aqui
é realidade em alguns municípios catarinenses, das regiões de colonização
alemã, italiana e portuguesa, formadoras de uma brasilidade que nada fica a
dever aos outros estados-irmãos onde projetos de Jornal na Educação trilham
seus caminhos rumo a objetivos comuns, em cenários diferentes daquele no
qual trabalhamos hoje.
A primeira atividade
de porte implementada pelo projeto AN Escola em escolas públicas da região
norte do estado recebeu a denominação de conhecendo a nova escola
onde, em uma espécie de intercâmbio doméstico, alunos de uma escola do bairro
X visitavam durante um dia inteiro uma escola do bairro Y. Essa visita é
programada tomando por referencia a curiosidade demonstrada pelos alunos, através
da leitura do jornal, por características daquele bairro (Y) onde se localiza a
escola a ser visitada. As notícias sobre infra-estrutura, lazer, polícia, comércio,
clubes e outras informações do bairro são analisadas, discutidas e
assimiladas pelo grupo escolhido para realizar a visita. Da mesma forma isso
ocorre do outro lado, sincronizados em tempo e espaço na intenção
primeira de que as visitas cumpram responsabilidades e horários na íntegra,
possibilitando chances iguais de interação quanto ao aspecto social e pedagógico
das visitas.
Em março de 2003
realizamos a primeira atividade do tipo, com absoluto sucesso, tomando como
referências as escolas municipais de ensino fundamental Avelino Marcante
(zona rural de Joinville) e Hans Müller (Glória, bairro classe média local).
As surpresas começaram a acontecer logo nos primeiros contatos, na troca de
informações e nos comparativos realizados tomando por base as notícias dos
bairros veiculadas pelo jornal. Em relatos feitos por educadores que
acompanharam as visitas percebeu-se a riqueza de conhecimentos obtida não só
na troca de informações feita por alunos visitantes e anfitriões, mas
principalmente pela percepção da realidade observada no cotidiano da
comunidade onde a escola está localizada. A área rural do município é u}a
fonte inesgotável de surpresas para os alunos da área metropolitana da cidade-sede,
e muitos deles sequer tinham visto um novilho, uma cabra ou até mesmo uma
casinha típica da roça. Essa atividade se realiza até hoje, com periodicidade
trimestral, e tem contribuindo de maneira positiva na compreensão das matérias
do jornal que tratam de notícias locais, editorias de cidades e regional. Como
resultado maior, o jornal continua a possibilitar uma integração maior entre
comunidades do município, e uma troca constante de informações entre escolas,
educadores e educandos envolvidos no processo de colocar a informação como
ferramenta de apoio ao processo de ensino-aprendizagem.
A segunda atividade
trabalhada dentro da realidade de jornal na educação diz respeito ao processo
de integração universidade/escola, onde alunos de cursos como jornalismo,
pedagogia, letras, magistério e publicidade & propaganda, participam
ativamente do cotidiano escolar. O intervalo de atuação da universidade na
escola tem contemplado o ensino fundamental, da 4ª a 8ª séries, onde o
processo de desenvolvimento da leitura e compreensão de texto apresenta suas
fases mais críticas, mais importantes. Oficinas de comunicação, atividades de
formatação de jornais da escola, palestras sobre a importância da leitura,
formação de campanhas de incentivo ao hábito da leitura diária, todas essas
alternativas estão sendo efetivadas em escolas de ensino fundamental do município
e do estado, apoiadas por universidades de referência, como a Univille, a
Universidade Luterana e Associação Catarinense de Ensino. O resultado desse
trabalho tem sido observado por especialistas em educação das entidades
oficiais da área e apresentado índices expressivos de aproveitamento, não só
de educandos, mas também de educadores que, antes da ação, não tinham o hábito
de se atualizarem através da leitura informativa diária. Dessa forma, a
informação contribui com sua pluralidade no desenvolvimento de novos conceitos
de cidadania, oportunizando o surgimento de novas lideranças e proporcionando
uma perspectiva realista de um novo tempo.
A informação é
parte primordial integrante do processo educacional, que por sua vez assume
o papel de formatador de uma realidade social justa, coerente. Essa nova
comunidade que surge, a partir do conhecimento agregado à formação escolar,
irá ter papel relevante na formação de uma nova era de desenvolvimento, sem
chavões ou palavras de ordem, sem militâncias radicais ou processos dolorosos
de ajustes sócio-econômicos promovidos por entidades políticas desatentas. O
processo de formação do cidadão se vê, em uma proposta inovadora, norteado
por realidades colocadas ao acesso de todos os interessados em participar, sejam
empresas, universidades, orgãos públicos, organizações não governamentais
ou pessoas, como nós, que acreditam na força construtiva da educação e da
informação como ferramentas de paz e esperança, construindo a cada dia um
novo degrau para o futuro, para o amanhã tão esperado.
Finalizo agradecendo a
oportunidade que nos foi oferecida pela organização do Seminário, nos
colocando à disposição para qualquer pergunta sobre o assunto que as
senhoras e senhores do público tiverem vontade de fazer.
Muito obrigado e até
uma outra oportunidade.
(Marcelo Garcia Serpa
- dia 30/11/2004 - mesa redonda das 13h30m às 15h30m/sala 01 - APEU)