O Professor e a Leitura do Jornal                      menu

Ezequiel Theodoro da Silva, Correio Popular, Campinas, 04/07/2008, p. A3

Nos dias 21 e 22 de julho próximo realiza-se na Unicamp o IV Seminário Nacional “O Professor e a Leitura do Jornal”, numa promoção da Associação de Leitura do Brasil, Faculdade de Educação da Unicamp e Rede Anhangüera de Comunicação. A importância e a magnitude desse evento leva-me a enfatizar, nesta reflexão, a necessidade das práticas de leitura na vida e no trabalho dos professores de todos os níveis de ensino.

O conhecimento caminha pelas trilhas da escrita (manuscrita, impressa e/ou virtual). A escrita circula em diferentes suportes (papel, CD, tela do computador, etc) e é organizada, historicamente, em diferentes gêneros. Para ensinar e promover o conhecimento, o professor deve não apenas saber os meandros da relação entre a linguagem escrita e o saber sistematizado, mas também possuir um manejo das suas diversas configurações da linguagem em termos de sua produção e recepção. E mais: como é, por dever de ofício, um formador de leitores em situações escolares, deve exalar entusiasmo por tudo aquilo que irradie textos e, portanto, idéias para serem pensadas.

Ainda que a escola tradicionalmente privilegie determinados suportes e gêneros (livro didático, manuais, etc em abordagem expositiva, por exemplo), não há como negar que dia ela sofre fortes influências dos meios que fazem circular as informações em sociedade, dentre os quais o rádio, a televisão, o jornal e a Internet. Desconsiderar essa realidade é perder de vista a imersão nos mídia a que estão sujeitos as crianças e os jovens hoje em dia. Portanto, o enriquecimento curricular necessariamente passa pela incorporação e uso eficiente de uma diversidade de suportes e signos. Em outras palavras, apenas o livro didático nos parece pouco – para não dizer “insuficiente” – para atender, atualmente, as necessidades da transmissão e produção de conhecimentos que se assentam nos espaços escolares.

No que ser refere à necessidade de diálogo com as diversas configurações textuais para o cumprimento de múltiplas finalidades da nossa existência, a interação com o veículo “jornal” é de suma importância para os cidadãos. O jornal soma em si um mosaico de gêneros de escrita para efeito da apresentação de notícias (renovadas dia-a-dia), defesa de pontos de vista, produção de denúncias, amplificação da literatura e da ciência, análise de fatos sociais e assim por diante. Portanto, colocar-se como um leitor de jornal é, de certa maneira, “degustar” cotidianamente um leque diversificado de perspectivas sobre o mundo, refinando o olhar pessoal através do universo de “olhos” que se juntam na composição dos matutinos. Como já dizia Arthur Baer, “O jornal é uma biblioteca circulante com alta pressão sanguínea!”

Durante dois dias inteirinhos, os participantes do seminário referido na abertura desta reflexão vão ter a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre a interface do jornal com outros meios de comunicação. E entrará em cena, na forma de temário, a questão da formação básica e continuada dos professores brasileiros – uma formação que foi empobrecida e precarizada pelos recorrentes descuidos das autoridades governamentais. Portanto, trata-se de oportunidade ímpar para que os professores e futuros professores encontrem mais e melhores subsídios para manejar pedagogicamente a utilização do jornal no transcorrer dos cursos que planejam e implementam em diferentes escolas e níveis do ensino. Além disso, pelo que se sabe, esse é o único evento científico nacional que trata especificamente das questões sobre o uso do jornal na educação.

Foram inscritas 70 (setenta) comunicações no evento – uma prova de que vem aumentando o número de estudos, experiências e investigações sobre o tema. Palestras, debates, oficinas e lançamentos de novos livros assinalam que os dias 21 e 22 de julho serão produtivos e inesquecíveis. Fica o convite para que os educadores da nossa região se inscrevam no evento e inscrevendo-se no evento se inscrevam também na memória dos seus estudantes por proporcionar cursos mais significativos e vibrantes para eles.