Seminário em Campinas estimula debates sobre a relação mídia-educação   menu

Cristiane Parente,  ANJ - www.anj.org.br


Com a participação de educadores e jornalistas de várias cidades brasileiras, entre eles coordenadores e assistentes de Programas de Jornal e Educação da ANJ, o IV Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal estimulou debates e troca de experiências sobre a relação mídia-educação nos dias 21 e 22 em Campinas/SP. Coordenadoras de PJE/ANJ também puderam apresentar seus programas.

O IV Seminário Nacional O professor e a Leitura de Jornal, que aconteceu nos dias 21 e 22 de julho na Unicamp, em Campinas/SP, e foi promovido pela Unicamp, Grupo RAC e Associação de Leitura do Brasil (ALB) reuniu educadores e jornalistas de várias regiões brasileiras que assistiram a palestras, mesas-redondas e puderam participar de oficinas e lançamento de livros na área (ver outras matérias).

O seminário começou com poesia. (Re)citando o poema Linha Reta, de Álvaro de Campos, a educadora Carmen Lozza, do grupo de consultoria Leitores e Leitura e coordenadora pedagógica do programa Quem lê jornal sabe mais, do O Globo/Extra, contou sua trajetória de aproximação com a área de jornal e educação, além de rememorar lembranças afetivas de leitura, músicas e histórias que fizeram parte de sua vida.

Carmen ressaltou que apesar de não existir um mundo 100% dividido em explorados e exploradores, bons e maus, devemos ter em mente que princípios são inegociáveis e a formação continuada dos professores deve ser considerada fundamental em qualquer projeto de leitura, que por sinal, deve ser o foco dos programas de Jornal e Educação.

Na palestra Jornalismo impresso e telejornalismo; usos educacionais, o jornalista Marcelo Pereira, do Grupo RAC, defendeu que o jornalismo deve ser focado no cidadão e no seu dia a dia. Um jornalismo de serviço e, ao mesmo tempo, que possa oferecer reportagens contextualizadas, profundas, um jornalismo com pauta social, que ajude alunos e professores a conhecerem sua realidade e buscarem soluções para ela.

Além de um jornalismo voltado para a sua comunidade, o jornalista e professor da PUC de Campinas, Rogério Bazi, também levantou a necessidade do exercício do olhar crítico diante da TV e das notícias na sala de aula em um país onde 163 milhões de pessoas possuem TV. Um número 32% maior do que aqueles que possuem rede de esgoto.

Bazi ressaltou ainda que os jornalistas enxergam através óculos próprios e que os educadores precisam contrapor esse olhar e/ou ampliá-lo: “Deve-se primeiro entender o fazer jornalístico, perceber porque determinada matéria foi feita com uma e não outra fonte, qual o lugar que ela ocupa no telejornal , o interesse da rede de comunicação a qual pertence...para depois trabalhar o telejornalismo com os alunos e estimular o debate, afinal, as notícias produzem efeitos de sentido e precisamos nos perguntar que efeitos são esses.”

Além da mesa de Rogério Bazzi e Marcelo Pereira, com mediação de Heitor Gribl, da ALB, os educadores puderam conferir ainda "Jornalismo Literário e Jornalismo Científico - Usos Educacionais", com Celso Falaschi (Assoc. Brasileira de Jornalismo Literário) e Graça Caldas (Assoc. Brasileira de Jornalismo Cietífico e UMESP), com mediação de Geraldo Arantes (IEL/Unicamp) e "Revistas Femininas e Fotonovelas - Usos educacionais", com Rosyane Rodrigues (Univ. da Amazônia) e Isabel Silva Sampaio (Universidade São Francisco), com moderação de Gabriela Rigotti (Faculdade de Educação/Unicamp).

Coordenadoras de PJE apresentam seus projetosNa tarde do primeiro dia do evento (21/07) as coordenadoras de PJE Luciane de Alcântara, do Jornal A Tarde (BA) e Regina Garcia e Priscilla Melo, do Correio de Uberlândia, apresentaram seus programas de jornal e educação em uma das mais concorridas sessões de comunicações do seminário.

Priscilla e Regina apresentaram o projeto ALGAR Lê, desenvolvido pelo Instituto Algar em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Ele consiste na capacitação de professores para trabalhar o conteúdo do jornal Correio de Uberlândia na sala de aula e na distribuição gratuita de exemplares. Atualmente, 20 escolas municipais de Uberlândia são atendidas pelo ALGAR Lê, beneficiando cerca de 8 mil estudantes de Ensino Fundamental.

Segundo as coordenadoras, a essência do trabalho é a utilização do jornal como ferramenta pedagógica, uma vez que estimula a leitura, a discussão e a interpretação de diferentes assuntos, que podem ou não estar relacionados a conteúdos programáticos. Para Priscilla e Regina todas as atividades contribuem para a conquista do estímulo a leitura crítica nas escolas e também no seio familiar, uma vez que crianças e adolescentes levam o jornal para casa, em sistema de rodízio.

Já Luciane de Alcântara compartilhou a experiência do Programa de Jornal e Educação: A TARDE Educação – Escola e Comunidade junto a 429 instituições localizadas na capital baiana e rede metropolitana. Em 2007, inclusive, a ação desenvolvida pelo programa foi legitimada como política pública, através do Decreto n° 17.339, assinado pelo Prefeito do Município de Salvador.

Segundo Luciane, o programa busca estimular o desenvolvimento de uma educação interativa, observando as múltiplas linguagens da comunicação com enfoque na formação social e integral do sujeito, a partir do seu contexto e colaborando na aquisição de competências crítica e ética de alunos e professores, através do uso sistemático do jornal na sala de aula. Ela destaca que o programa trabalha com o conceito de leitura de mundo e que os professores apontam nos relatórios e fichas de avaliação o crescimento dos estudantes no interesse pela leitura, na produção e interpretação textual; no raciocínio lógico-matemático; na participação nas aulas, além de melhoras quanto ao relacionamento interpessoal.

A voz da experiênciaO primeiro dia do evento terminou com a mesa-redonda "Jornal na sala de aula: ouvindo a voz da experiência" que teve os depoimentos das coordenadoras de PJE/ANJ Silvia Costa, do jornal A Tribuna (Santos/SP) e Cecília Pavani, do jornal Correio Popular (Campinas/SP), um dos anfitriões do evento.

Logo após, às 1930min, houve o lançamento do livro "O jornal na vida do professor e no trabalho docente", que teve a organização do professor Ezequiel Theodoro da Silva, da Unicamp, com artigos de Amarildo Carnicel, Juvenal Zanchetta, Marcel Cheida, Mario Sérgio Cortella, Saraí Schmidt e Carmen Sanches Sampaio.

Obs: Ver matéria sobre a mesa "Jornal na sala de aula: ouvindo a voz da experiência" e sobre o lançamento do livro.

Coordenadores de PJE presentes ao IV Seminário Nacional O professor e a leitura de jornal

Heide Miranda e Cibele Dias (Diário da Região/SP);
Helena Gozzano (Jornal Cruzeiro do Sul/SP);
Daise Antonietta da Silva (Diário de Suzano/SP);
Carmen Lozza (O Globo/Extra);
Cilvia (Gazeta do Povo/PR) (Obs: É Cilvia com C mesmo);
Silvia Costa (A Tribuna/SP);
Luciane Alcântara (A Tarde/BA);
Regina Garcia e Priscilla Melo (Correio de Uberlândia);
Fernando Bandini (Jornal de Jundiaí/SP);
Maria Emília (O Dia/RJ);
Cecília Pavani, Ângela Junquer e Elizena Cortez (Correio Popular/SP).