Dois depoimentos, duas experiências e a certeza de um trabalho que dá certo!   menu

Cristiane Parente,  ANJ - www.anj.org.br


A noite do dia 21 de julho reservou aos participantes do IV Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal, que aconteceu em Campinas, nos dias 21 e 22 de julho, os depoimentos de Silvia Costa e Cecília Pavani, duas das coordenadoras mais respeitadas dos Programas Jornal e Educação da ANJ. Cecília Pavani, Fernando Bandini e Silvia Costa

As educadoras Silvia Costa e Cecília Pavani, coordenadoras de programas de Jornal e Educação da ANJ, referências e unanimidade quando o assunto é Jornal e Educação, encerraram o primeiro dia de atividades do IV Seminário Nacional - O Professor e a Leitura de Jornal, que aconteceu em Campinas, nos dias 21 e 22 de julho. A mediação ficou a cargo de Fernando Bandini, coordenador do Programa Jornal e Educação do Jornal de Jundiaí/SP.

São 16 anos coordenando o programa Jornal, Escola e Comunidade, da Tribuna, de Santos (SP) e 45 anos de convicção e trabalhos efetivos com jornal na sala de aula, passando por diversos momentos da educação brasileira e do jornalismo.

A experiência mostrou à educadora Silvia Costa que se antes a educação era presa à sala de aula, hoje o conceito se ampliou e já se fala até em cidades educadoras. Da mesma forma, o jornal visto antes apenas como um veículo de informação, acabou sendo reconhecido como um importante veículo educativo, podendo ser usado em todos os níveis de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Superior, em canteiro de obras, presídios e ambientes educativos diversos.

"Meu princípio maior é o da democratização da informação", diz Silvia, que defende a não didatização do jornal. "O foco não é a disciplina, mas o jornal e, com ele, a leitura de mundo e uma educação existencial, que prepare os alunos para as diversas situações da vida e que tem sido uma lacuna na escola", afirma. Ela também ressalta a importância dos educadores estarem sintonizados com os Pilares da Educação, da Unesco e com uma educação continuada, ao longo da vida.

Para Silvia, o jornal deve ser visto como um objeto de estudo e não somente complemento de disciplinas. "A própria produção de jornais por parte dos alunos não pode ser desconectada da leitura de mundo e feita de forma aleatória, sem um objetivo maior", alerta.

"Os programas de jornal e educação devem ser vistos como projetos de responsabilidade social das empresas jornalísticas. Uma maneira de empoderamento do leitor, de estímulo aos alunos e professores para serem cidadãos ativos, que possam pressionar jornalistas por matérias mais qualificadas, que possam influenciar os rumos da Educação", diz Silvia.

Ela considera que o Programa Jornal e Educação da ANJ pode ser um estimulador da leitura; um catalizador dos anseios e necessidades da educação; um mediador entre a mídia e a educação e um facilitador/propulsor de mudanças para a utilização do poder da mídia para o bem comum.

Dando sequência às palavras de Silvia Costa, a educadora Cecília Pavani, coordenadora do Correio Escola, do jornal Correio Popular de Campinas também há 16 anos, falou sobre o funcionamento do programa que tem estimulado alunos da cidade e da região a gostarem de ler. Mais do que isso, a entenderem, interpretarem o que lêem, se prepararem para a vida e serem mais autônomos.

O curso de 64 horas proporcionado pelo Correio Escola aos educadores que participam do programa já é reconhecido pelas secretarias municipais e estadual de Educação de São Paulo. A prova de um trabalho sério que tem auxiliado a formação de educadores em sua relação com a mídia e na orientação aos alunos.

Através de matérias, debates, aulas de animação e documentário, leitura de jornais e suplementos infantis, crianças têm se tornado produtoras de conteúdo e refletido a realidade em que vivem. Aprendem a criar pautas, escrever, argumentar e editar. Mandam para a seção de Opinião do jornal seu modo de olhar a vida transformado em pequenos e significativos textos.

Para Cecília, o trabalho com o jornal tem mobilizado estudantes e comunidade escolar, gerado ações transformadoras, campanhas de solidariedade criadas pelos próprios alunos, histórias de afeto e luta que vão sendo colecionadas por educadores e jornalistas ao longo do tempo.