Coordenadoras escrevem sobre seminário em Campinas     menu

Vários Autores - Edição: Cristiane Parente,  ANJ - www.anj.org.br


Durante o IV Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal, cerca de 14 coordenadores e assistentes de programas de jornal e a educação da ANJ estiveram presentes. Confira os depoimentos de Helena Gozanno, Cilvia Moraes e Luciane Alcântara.


Usos educacionais do Jornalismo Literário e do Jornalismo Científico Cilvia Moraes (Jornal Gazeta do Povo/PR)

Na palestra “Jornalismo Literário e Jornalismo Científico: usos educacionais” Celso Falaschi, da Associação Brasileira de Jornalismo Literário, destacou a importância de usar o jornal para formar um público leitor e, principalmente, um público pensante.

Depois de apresentar os tipos de jornalismo (informativo, interpretativo, opinativo, investigativo e literário) esclareceu que crítica de livros, reportagens sobre livros e escritores, ou ainda notícias sobre escritores não são jornalismo literário. O termo, na verdade, se refere ao jornalismo narrativo, que emprega recursos literários para tratar de assuntos do cotidiano, ou seja, assuntos que devem estar nos meios de comunicação.

Para Falaschi, o que diferencia o Jornalismo Literário dos outros tipos de jornalismo é a imersão do repórter na realidade narrada, a criatividade no ato da escrita, a digressão (não no sentido de divagação, mas no sentido de contextualização) e a humanização. O estilo permite o uso de figuras de linguagem, a presença da voz autoral, fazer projeções e aprofundamento e inclui ainda: narração, cenários, perfis psicológicos e físicos, diálogos – não apenas declarações textuais –, eventualmente suspense e/ou humor.

Segundo Falaschi, pesquisas nos EUA comprovam que narrativas aumentam o interesse do leitor, motivam redações e acabam ajudando a vender jornais. “O objetivo do Jornalismo Literário é envolver o leitor”, ressalta.

Graça Caldas, da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, iniciou sua fala fazendo uma aproximação do jornalismo literário e do jornalismo científico. A professora da UMESP também enfatizou que não existe “fato” relatado, e sim versões relatadas.

Para Caldas, a leitura de jornal para usos pedagógicos (disciplinas), deve ser o ponto de partida para a produção de um jornal na escola, para que o aluno possa construir a sua visão do mundo e dar sua voz à notícia. Ela ressaltou ainda que o trabalho do professor não é só fazer com que o aluno aprenda a ler, mas ler, pensar e fazer. “O educador deve ter a visão crítica de que a ciência também está vendendo”, alertou a professora, que também destacou que ensinar não se reduz a treinar o aluno para o desempenho de destrezas: “Ao contrário, devemos ensinar o educando a refletir sobre o que é relatado e que a publicidade não pode se sobrepor jamais aos direitos do cidadão”.

Dias de aprendizadoHelena Gozzano - Jornal Cruzeiro do Sul

De todos os ensinamentos do 4º Seminário Nacional "O Professor e a Leitura de Jornal", realizado em Campinas, os mais importantes pra mim foram:

1. O jornal precisa se humanizar. É impressionante o número de manchetes e títulos que colocam seres inanimados como agentes:
- A Receita Federal vai restituir...
- O caminhão bateu...
- Serviço dos correios vai subir...
Os professores alegam que gostariam de ver mais vezes os títulos envolvendo o ser humano como agente, por exemplo:
- Quem for mandar correspondência, vai pagar mais caro
- Motorista perde a direção e colide

2. É preciso fazer gestões para que a questão do jornal e a educação, caminhando juntos, se torne política pública, como é na França e na Argentina, por exemplo.

3. Os professores, de modo geral, estimulam a leitura crítica dos jornais: desconfiar do que se lê, decifrar o que se divulga, verificar padrões de manipulação (ocultação, fragmentação, inversão, indução...)

4. Não se faz jornal PARA uso na Educação, daí a necessidade dos professores "prepararem" o jornal para a sala de aula. Entretanto, assim como a Educação, os jornais podem contribuir para a formação da cidadania.

Notas de um seminário _ Pontos para reflexãoLuciane Alcântara - Jornal A Tarde (BA)


Jornal na Educação: O QUE DÁ CERTO O QUE DÁ ERRADO? Palestra de Carmen Lozza

• Nem tudo é do mesmo jeito, da mesma forma sempre.
• É preciso estudar sempre.
• Na França os PJEs constituem uma política pública, sendo obrigatório que cada escola tenha acesso a, pelo menos, dois jornais.

• CONTRADIÇÕES:
o Para o PROGRAMA – jornal é um objeto de estudo.
o Para o PROFESSOR – o jornal é um objeto didático.

• Muitas vezes mora dentro de nós mesmos o limite de nossa ação.
• Segundo pesquisa realizada em 2004 pela ANJ, a leitura estava presente nos PJEs do Brasil. Nessa pesquisa foi verificado que qualquer ação de jornal na escola era considerada PJE. Daí surge a necessidade de criar parâmetros.


Jornalismo Literário e Jornalismo Científico Palestra de Graça Costa e Celso Luiz Falaschi

Celso Luiz Falaci (Primeira Parte)
• Jornalismo literário não é jornalismo que trata de literatura.
• O jornalismo informativo informa o que acontece de forma objetiva, factual.
• O jornalismo interpretativo interpreta sob a visão de especialistas a realidade.
• O jornalismo opinativo constitui a seção do jornal destinada à emissão de opinião – editorial, artigo, crônica, colunas assinadas, críticas, caricatura e charge.
• O jornalismo literário é um jornalismo narrativo, que emprega os recursos da literatura para tratar de assuntos da vida real, isto é, aqueles assuntos que devem estar nos meios de comunicação.
• Ele não tem nada a ver com narrativas de ficção, comuns na literatura.
• Trata-se de resgate da tradição humana de contação de histórias pelo jornalismo.
• DIFERENÇA DE JORNALISMO LITERÁRIO E OUTRAS MODALIDADES DE JORNALISMO:
o Imersão do repórter na realidade.
o Criatividade no ato de escrever.
o Humanização – tratar o ser.
o Estilo – aprofundamento, projeções, figuras de linguagem, voz autoral.
o Se é JN inclui narração, cenários, perfis psicológicos e físicos, diálogos e não apenas declarações, humor.
• OBJETIVOS:
o Envolver o leitor, provocar deleite, fruição.
• Pesquisas realizadas nos EUA apontam que as narrativas literárias despertam o interesse do leitor e aumentam a tiragem do jornal, além de trazer a motivação às redações.
• Pesquisas no Brasil revelam que a tiragem o Correio Braziliense e do Zero Hora crescem 2% ao ano em contramão à circulação de outros jornais no Brasil. Esse crescimento é atribuído ao Jornalismo Literário (JL).
• O JL aproxima as notícias da vida do leitor. Toca a emoção do leitor.

Graça Costa (Segunda Parte)
• Jornalismo cientifico (JC) – na verdade a leitura do jornal parte do pressuposto de que não existe fato relatado e sim versões de um fato, ou seja, determinado a partir da visão de mundo do jornalista.
• JC é a possibilidade de fazer uma cobertura com método.
• FUNÇÕES DO JC:
o Informativo.
o Educativa.
o Social.
o Cultural.
o Econômica.
o Político-ideológica.
• Indústria cultural:
o Educadores.
o Mídia e educação.
• PAPEL DO PROFESSOR NA LEITURA CRÍTICA:
o Criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção.
o Diferença entre aprendizagem e manipulação.

Ouvindo a voz da experiência Palestra de Silvia Costa e Cecília Pavani

Silvia Costa (Primeira Parte)
• O Jornal e Educação no século XXI – expansão do conceito.
o Ampliação do foco de abrangência (o jornal é um instrumento de educação onde quer que ele esteja).
o O PJE é uma oportunidade de democratização da informação.
o Ampliação dos níveis de ensino – pós-graduação, superior, médio, fundamental e infantil. A gente deve começar o quanto antes a empatia da criança com jornal.
• Despolarização da disciplina:
o Leitura de mundo.
o Educação existencial (preparação para o enfrentamento da vida).
o Multidisciplinaridade.
o Pilares da educação.
o Educação continuada.
o Responsabilidade social.
• Disciplina recurso para leitura de mundo e analise crítica da realidade.
• Desvio: priorizar o jornal como objeto estudo e análise crítica da realidade.
• O JE é um veiculo para conscientização da responsabilidade e empoderamento do leitor através do acesso a informação.

Cecília Pavani (Segunda Parte)
• Objetivo central do CORREIO ESCOLA: gostar de ler, compreendendo. O professor precisa inserir no seu planejamento a leitura do jornal impresso.
• Ter clareza do objetivo.
• Contextualizar a leitura do jornal com o conteúdo programático.
• O professor precisa estudar o jornal.
• O professor tem a necessidade de passar para os alunos que o mundo nos chega editado, redesenhado por uma série de mediações.

Jornais e formação continuada de professores Palestra de Juvenal Zanchetta

• O jornal é o meio reservado às elites, que têm uma grande força no cenário pós-moderno.
• O jornal tem uma função social próxima a da escola: antecipar problemas, formar o cidadão (civilizamento).
• Ajuda a escola a sair de si mesma. A escola lida com o saber mediato. O jornal ajuda a escola olhar um pouco para fora e olhar a si mesma.
• A cultura escolar não transmite saber cientifico e sim saber escolar.
• O espírito investigativo, ajuda a transformar a fofoca num fato.
• Não é um meio pronto para a escola. O jornal é feito para leitores, levando em conta o circuito publicitário, é feito para participar da arena política e para os próprios jornalistas que constroem a pauta.
• Trata-se de um meio frio, inacabado para a escola.
• O melhor lugar para formar professores para trabalhar com jornal não é a faculdade. Não há tempo para isso nesse espaço. O jornal entra nesse espaço como ilustração, sem aprofundamento.
• O texto de imprensa se vale na atualidade e precisa ser tratado na atualidade.
• Os alunos de hoje têm uma série de conhecimentos e habilidades que pressupõe do professor uma habilidade de mediação e agilidade.
• O espaço político da educação continuada é a espaço da troca da produção. A finalidade da educação não é transmitir conhecimento e sim formar o cidadão.
• SUGESTÕES:
o Ir além dos PCN’s porque eles não prevêem conflitos, política... Os PCN’s não deixam fazer política.
o Circuitos de informação e conhecimento. Ter nos momentos de formação continuada momentos de construção de materiais didáticos. Eles devem ser compartilhados com todos.
o Criar os jornais dentro da escola, além de sistemas que façam esses jornais serem vistos, avaliados e premiados pelos jornais.
o Saber que qualquer matéria tem a dualidade bem X mal.
o Fazer o diagrama.
o Fazer o lide das matérias subordinadas.
o Fazer paródia.
o Fazer um estudo, pesquisa sobre o tema da matéria e criar dossiês.
o Como trazer uma publicidade oficial para o espaço reflexivo/escola?
 Leitura sensorial.
 Plano emocional.
 Plano racional (reflexivo).
 Plano argumentativo.
 Plano discursivo.
 Atividade de consolidação – construção do título.