O PAPEL DA HIPÉRBOLE NA CONSTRUÇÃO ARGUMENTATIVA DAS
COLUNAS POLÍTICAS DO JORNAL.
CANÔNICO, Joana D'arc de Oliveira - (UERJ)
Nosso
trabalho se propõe a analisar o papel desempenhado pela hipérbole na construção
do discurso argumentativo das colunas políticas do jornal.. O objetivo é demonstrar
que esta figura de pensamento representa verdadeira aliada do colunista em seu
diálogo com o leitor.
Cabe-nos,
primeiramente, relembrar alguns conceitos fundamentais com os quais iremos trabalhar
no decorrer desta apresentação, como , por exemplo, a noção de texto, a
distinção entre dissertação e argumentação, informação e opinião,. Faremos ,
ainda, breves considerações sobre a
linguagem jornalística e a antiga discussão sobre o uso das figuras de
linguagem ( ornamento ou retórica ?) na construção de texto.
Para que
possamos perceber e distinguir nas palavras a ordenação lógica que nos levará a
compreensão de um determinado conteúdo, vários fatores devem ser considerados:
1- Todo
texto é o resultado de uma ação refletida,
um discurso premeditado e consciente de seu autor (mesmo aqueles que se mostram
despretensiosos); 2- todo texto traz consigo a relação com determinado contexto
, ou seja, aborda uma temática pressupondo
um entendimento prévio que escritor/leitor têm da realidade que os cerca; somente
a partir deste conhecimento mútuo é possível haver um diálogo entre aquele que
escreve e seu receptor. Assim, a primeira condição para que se estabeleça a interação
entre as partes do discurso, é o conhecimento mútuo da situação abordada . No
texto de que trataremos, perceberemos que sem as informações necessárias, sem a
sintonia com os acontecimentos em diversas áreas (econômica, política,
cultural) o aglomerado de palavras, embora com todo o mecanismo estrutural que
lhe delega categoria de texto, não faz nenhum sentido, visto que sua temática é
contextual e, até certo ponto, delimitada num tempo (presente e passado
recente) e lugar (as citações referem-se a fatos do Brasil).
Outro
fator a se considerar é a própria construção do texto. A escolha do léxico desempenha
um papel fundamental neste processo, pois a seleção vocabular determina, muitas
vezes, a própria visão do autor e o estilo de sua linguagem : mais irônica,
mais crítica, mais direta. Todas estas nuances podem ser analisadas a partir de
um vocábulo em detrimento de outro. Não só a seleção dos termos, mas também a
insistência em certas classes de palavras, dão ao assunto exposto matizes
semânticas peculiares, que nos mostram por trás das palavras, as intenções do
seu criador. A ordem das palavras na oração é outro aspecto importante quando
se pretende fazer uma leitura fiel das
idéias veiculadas em um texto, pois sabemos que o destaque, a ênfase a determinado
pensamento são conseguidos na escrita , muitas vezes, pela posição das palavras
na estrutura oracional.
Didaticamente convencionou-se denominar de
narração, descrição ou dissertação as modalidades que se apresentam aos
propósitos da redação. Cada uma com suas características distintas e que, no
entanto, podem compartilhar um mesmo texto . O jornal, por sua diversidade,
utiliza-se das três modalidades citadas; a coluna política encaixa-se na
categoria da dissertação.
Alguns
autores costumam distinguir dissertação de argumentação. GARCIA (1988)
considera dissertação a "exposição" ou "explanação" de
idéias , donde se supõe um enunciador imparcial que apenas cumpre o papel de
relator dos fatos, numa linguagem direta e objetiva que prima pela
neutralidade. Quanto a argumentação , o autor salienta que "visa sobretudo
a convencer, persuadir ou influenciar o leitor ou ouvinte"(p.330). KOCH
(1996), ao considerar que "a neutralidade é apenas um mito", não vê
diferenças entre as classificações. Para ela o "ato de argumentar, isto é,
de orientar o discurso no sentido de determinadas conclusões, constitui o ato
lingüístico fundamental" (p.19). Deste modo, dissertação e argumentação
são fenômenos que se interrelacionam; o que difere é o grau de pessoalidade que
prevalece e que pode ser depreendido por determinadas "marcas" que o
enunciador insere em seu discurso. De acordo com essas verdadeiras "
pistas", considera-se o texto mais opinativo ou informativo, cada um com
sua especificidade, operando com destaque em uma função da linguagem.
O texto
opinativo manifesta o ponto de vista de quem escreve. Através de uma "tese"(CITELLI,
1994:29) ou "proposição"(GARCIA, 1988:381) o enunciador apresenta o
tema que deseja levar ao conhecimento
do enunciatário. Sobre esse tema incidirão argumentos defensáveis que visam a
convencer o leitor sobre o parecer do argumentador. A formulação dos argumentos
é o momento crucial do texto opinativo, "é aí que a coerência do
raciocínio mais se impõe"(GARCIA, 1988:380); nela destaca-se a capacidade
lingüística do enunciador para dar relevo ao que escreve, explícita ou implicitamente.
Neste tipo de texto, certas expressões denotam a pessoalidade existente. São
elementos perceptíveis que demonstram a inserção do emissor no ato elocutório.
Há, porém,
meios não aparentes em que repousam o parecer sobre o assunto abordado. São
sutis colocações ou preferências léxicas que encombrem o verdadeiro sentido que
se quer veicular. Um destes mecanismos é conseguido com a utilização das
figuras de pensamento, valioso auxiliar na construção dos argumentos , no diálogo
escritor/leitor.
Por estas
razões o texto opinativo apela para a função expressiva da linguagem, cujo
objetivo é colocar em evidência as idéias do emissor no discurso intratextual
com o receptor ."Neles há a presença do destinador, seus juízos, sentimentos-
textos críticos, subjetivos, impressionistas "(VANOYE, 1998:80). As
figuras de pensamento oferecem-se como ferramentas imprescindíveis a esse
contexto.
O jornal é
um veículo de comunicação, cujo objetivo é transmitir informações escritas ao
maior número possível de leitores. O contato jornal/leitor é mediado pela
língua, que viabiliza o diálogo com pessoas tão diversas nos interesses quanto
na cultura. Ele, porém, tem um compromisso com a ideologia. Segundo LAGE (1990)
"não se faz jornalismo fora da sociedade e do tempo histórico"(p.42).
Neste sentido, reflete os valores culturais próprios de uma época. A língua
passa a ser, assim, o suporte para a
transmissão de idéias. Como satisfazer públicos tão distintos e cumprir a
função a que se destina? Buscando subterfúgios abalizados pela própria língua,
subvertendo o código, selecionando vocábulos, privilegiando construções e todos
os recursos que se encontram a disposição de quem tem "engenho e
arte".
A coluna
política é o espaço reservado no jornal para a discussão sobre assuntos de
interesse nacional. O padrão lingüístico empregado pelo colunista segue, fundamentalmente,
o do restante do jornal ; o que difere é o tom de intimidade estabelecido por
considerar-se um público mais direcionado. O que caracteriza este tipo de texto
é a cumplicidade buscada pelas partes do ato comunicativo. O escritor cria um
envolvimento com o leitor pelas idéias que defende. Este busca, na coluna,
respostas para seus questionamentos. Cria-se, assim, um acordo tácito que
favorece o emissor na apresentação dos argumentos.
A leitura
das colunas políticas mostrou-nos que a utilização da linguagem figurada é um
expediente amplamente utilizado pelos colunistas, em forma de figuras, as mais
abundantes, ou em expressões cristalizadas. Percebemos que a utilização de imagens
diminui a fronteira entre os participantes da interlocução, pois ao atribuírem
um sentido aos enunciados, deixam a sensação de tratar-se de uma língua viva,
que ativa situações do dia-a-dia, onde o conhecimento da realidade é
compartilhado por enunciador/enunciatário.
Embora a
abundância de figuras se evidenciem nos textos analisados, nosso interesse
prende-se, particularmente, às construções cujas estruturas sejam o resultado
da atividade mental do escritor, aquelas
elaboradas e empregadas com objetivo definido: tocar o leitor,
envolvendo-o , convidando-o a fazer a leitura segundo o ponto de vista de quem
escreve, emprestando ao contexto a dinamicidade que caracteriza o diálogo entre
interlocutores presentes , concretizadas em forma de hipérboles.
Do
pensamento (abstração) à folha de papel (concretização), percebe-se criteriosa
e premeditada organização que contempla não só o vocábulo isolado (léxico), mas
também o encadeamento dos elementos na construção dos períodos (sintaxe), cujos
reflexos serão percebidos na significação textual (semântica). Procuraremos analisar
todas as etapas da construção do discurso da coluna política, demonstrando que
as hipérboles desempenham papel fundamental na construção do diálogo colunista/leitor,
agindo como elemento facilitador, que desencadeia no destinatário as referências
necessárias para se efetivar a comunicação. Para melhor efeito didático,
desestruturaremos e examinaremos o texto da coluna política em seus vários
segmentos, atentando para as construções oracionais, preferência lexical e
ordenação vocabular, na cadeia do discurso.
Analisaremos
as várias partes constitutivas do referido texto, investigando a presença da
aludida figura. Demonstraremos que a utilização deste recurso modifica o
caráter meramente informativo do texto jornalístico, posto que ao ser empregada
funciona como elemento de persuasão, fugindo ao conceito de ornato com que é
empregada no texto literário. Iniciaremos nossa investigação pelo elemento norteador
do texto da coluna política; a tese, posto concentrar-se nela a idéia principal
que desencadeará os argumentos subseqüentes. Analisada a tese, passaremos aos
argumentos que servirão de respaldo ao discurso do enunciador. Se a tese traduz
a necessidade de produzir o texto, dividir com o público uma opinião acerca de
um tema, depende dos argumentos o sucesso ou fracasso do texto. Pela
perspicácia na construção argumentativa, o colunista fará o público partidário
de suas opiniões. Sendo assim, a construção da argumentação parte do esforço
concentrado do enunciador para produzir um texto que responda às expectativas
do enunciatário, que o envolva sem que ele perceba.. Neste sentido, a hipérbole
oferece-se como modo de dizer satisfatório ao discurso da coluna política, pois
constitui forma condensada e expressiva de transmissão de pensamento, contemplando
as necessidades da coluna jornalística (sintética, breve) e as expressivas (simbólicas,
dinâmicas).Antes de iniciarmos nosso estudo, faremos um breve comentário sobre
a hipérbole.
Por
hipérbole se entende a palavra ou construção que se aplica ao exagero, à
extensão de sentido de um pensamento traduzido em vocábulos. O uso desta figura
demonstra claramente a intensidade de sentimento que provoca. Como produto do
pensamento, ela traduz a inquietação de espírito de seu produtor; verbalizada,
carrega uma carga de emoção a ser compartilhada com o outro.
É comum
querermos nossa opinião, nossa impressão da realidade aceitas; quanto mais elementos
possuirmos para fazer do nosso ouvinte aliado das nossas convicções, defensor
dos nossos pontos de vista, mais chances de sucesso teremos com nosso texto.
Não poupamos esforços para atingir nossos objetivos. Tudo é válido para
convencer o interlocutor, até mesmo mexer com sua emoção. A hipérbole,
dependendo do contexto onde se insere e da temática que discute, traduz e
provoca sentimentos de indignação, de estupefação ou de descrédito. Afinal,
como demonstra DUBOIS é "uma figura de retórica e seu nível de atuação
tanto pode ser lexemático ou sintágmático"(1993:323). Na análise dos
exemplos recolhidos, esta figura aparece em construções simples e complexas, às
vezes em comparações, com enfáticos, constituídas por prefixos ou sufixos;
porém, sempre com a intenção de realçar um pensamento, de envolver com propósito
definido: convencer.
As figuras
de pensamento de um modo geral, são sempre estudadas com propósito literário,
como ornamentos que dão expressividade aos textos, sem no entanto se levar em
conta sua característica fundamental, com que já eram entendidas desde os
tempos da retórica clássica:, sua importância como elemento persuasivo, posto
que partem da organização mental do escritor, com objetivo de atingir o leitor.
Selecionamos
para nossa exposição duas colunas políticas, do colunista. Márcio Moreira
Alves, do jornal O Globo , onde demonstraremos a importância da hipérbole, na
construção do diálogo com o leitor.
Na coluna
RETRATOS DE ROUBO, onde o colunista se propõe a demonstrar as inúmeras irregularidades
cometidas pelas autoridades políticas, a relevância do ponto de vista que se
irá defender fica mais explícita quanto mais ele demonstrar a dimensão real do seu alcance. Por esta
razão, intensificar o sentido das expressões é artifício introdutório que
provoca impacto no espírito do receptor, convidando-o para a leitura da coluna.
Atentemos para a tese que será
discutida pelo colunista, no desenvolvimento textual:
"Os escândalos se acumulam em tal quantidade que
tenho de fazer anotações para não esquecer nenhuma roubalheira."
No exemplo
de que estamos tratando, o efeito hiperbólico de sentido é conseguido, num
plano maior, através da oração consecutiva, que congrega a idéia de causa e conseqüência,
elemento importante para o ponto de vista que o autor se propõe a defender. Não
bastasse a construção, os vocábulos selecionados ampliam o sentido hiperbólico
da passagem ( escândalos/acumulam/quantidade/roubalheira)
e acionam no destinatário sentimentos de indignação, mecanismo que desarma-o,
suscitando-lhe interesse pelo fato.
A construção
da argumentação se inicia com um recurso bastante produtivo, posto que demonstra
clareza e organização: a enumeração dos fatos para posteriormente comentá-los
minuciosamente. O tom hiperbólico iniciado na apresentação, continua nos argumentos,
para torná-los convincentes. Observemos atentamente cada um deles:
"Há o megaescândalo do BC, as roubalheiras nas
obras da Justiça do Trabalho, o loteamento para vereadores das administrações
regionais de São Paulo, a tentativa de suborno do governador Garotinho... as
CPIs estaduais sobre dinheiro de campanha em Goiás..."
Ao
enumerar os pontos que pretende discutir, o articulista reordena na mente do
leitor fatos cotidianos já divulgados sobre os quais tem um ponto de vista
formado e deseja comunicá-lo ao leitor. O que chama a atenção nesta ordenação,
porém, é a escolha das palavras. A presença de vocábulos como escândalo,
roubalheira, desperta no espírito do leitor, sentimento de revolta provocado
pelo próprio sentido das palavras. LAPA adverte-nos para o valor sentimental de
certos vocábulos, cuja função é tocar nossos sentidos, utilizados quando se
quer interferir na vontade do interlocutor. BRETON diz mais, salienta que tal
recurso objetiva a "manipulação
dos afetos", quando se quer fazer valer um ponto de vista.
Não
bastassem os vocábulos por si só depreciativos, o colunista emprega ainda um
prefixo (mega) para demonstrar a
proporção do escândalo, e um sufixo (eira)
em roubalheira, com o mesmo objetivo. O emprego da hipérbole neste contexto é
"importante manifestação da
subjetividade do falante, pois "violenta a realidade, exagerando as
idéias" (SANT'ANNA,1997:217), permitindo a Márcio Moreira Alves a
construção da argumentação.
Os
argumentos que se seguem são, pela ordem enumerados pelo colunista, pontilhados por vocabulário de campo semântico
pejorativo e, sempre que necessário, enfatizados com expressões que denotam
exagero. No primeiro exemplo observa ele que "o caso entre o Banco Central e BM&F é negociata"; para
demonstrar que bancos estrangeiros ganharam com a subida do dólar, empregou uma
hipérbole por meio de comparação, dizendo que :"perto disso os negócios da China e Panamá são um troco de
mendigo".
Os
próximos pontos a argumentar são "os escândalos provincianos" e cita o caso do "Juiz Nicolau
dos Santos", segundo ele, o que "esqueceu de declarar o apartamento de 800 mil dólares que comprou... e
que não explica como foram gastos 132 milhões do T.R.T." e vai
lembrando a lista de "descaradas
roubalheiras na Amazônia"; bem como "as revelações estarrecedoras" sobre o "loteamento" das administrações regionais, acrescentando que
"políticos ficaram imensamente ricos
no exercício da vida pública."
Para
concluir o texto e demonstrar o caráter (ou falta de) das personagens citadas o
articulista utiliza-se mais uma vez a hipérbole comparativa: "Ademar de Barros, Newton Cardoso, Orestes
Quércia, pelo jeito, são santos de altar. P.C.Farias um anjo que está no
céu". Ao elevar à condição de santos nomes cujas vidas públicas
denotam o contrário, Márcio acentua o ( mau) caráter dos políticos em questão.
A próxima
coluna que comentaremos intitula-se FAZENDO CONTAS , cuja tese é " Ninguém mais acredita nos números do governo". Se
considerarmos que "uma palavra ao lançar no nosso espírito uma imagem tem
ação desencadeadora na direção desejada por aquele que a lança"(BRETON,
1999:96) , entenderemos a extensão de sentido que a palavra ninguém assume
nesta tese . Ela condensa em sua significação tanto a idéia de negação quanto
de totalidade. A exemplos desta ordem ILARI e GEALDI denominam
"generalização de uma negação"(1995:12). Ao observarmos o período que
se segue no parágrafo, compreenderemos melhor
o fenômeno: "Até a velhinha
de Taubaté comprou de uma vizinha sacoleira uma máquina de calcular, confidenciou-me
o Veríssimo".
Nesta
seqüência em que se refere a uma personagem criada e nacionalmente evidenciada
por Veríssimo, como último baluarte da ingenuidade brasileira, o colunista usa
a palavra "até" iniciando
oração, recurso empregado "como parte de um discurso em que o locutor
tenta persuadir seus ouvintes de uma tese qualquer"(ILARI e GERALDI,
1995:79). No caso para provar a veracidade da afirmativa da tese proposta.. Do
fragmento destaca-se, ainda , a
presença da palavra "mais",
que reafirma o sentido hiperbólico.
Apresentada
a tese, o colunista defende-a e justifica-a com os seguintes argumentos:
"É que os erros têm sido tantos, os dados
oficiais tão constantemente desmentidos que todos trataram de buscar suas
próprias contas, usando as fontes que conseguem obter."
Utilizando-se
de partícula intensificadora (tão) e
pronomes indefinidos (tantos/todos)
ele nos dá a idéia da abrangência da expressão. Ao mesmo tempo que os erros têm
sido tantos, indefinidamente, todos, indistintamente, trataram de se precaver.
É
interessante observar o uso dos indefinidos neste parágrafo e analisá-los sob o
seguinte ângulo: ninguém e todos, na verdade definem o que está sendo dito,
pois o sentido generalizador dos termos não deixa dúvidas quanto ao
significado, apenas não particularizam, mas elucidam pela generalização.
Diferente, por exemplo, do uso de indefinidos como alguns, alguém, que
possibilitam as perguntas: quem? Quantos? Todos e ninguém já trazem consigo a
idéia de totalidade, não deixando, no entanto, de ser hiperbólicos.
Após esta
introdução, o colunista arrola fatos que atestam a veracidade do que afirmou;
utilizando "argumentos de autoridade", aponta as causas pelas quais
ninguém mais acredita nos números do governo. Embora os dados apresentados
retratem uma realidade, não deixa de se tratar de dados vultosos que despertam
o interesse do leitor.
Esperamos
ter, nesta breve exposição, despertado o interesse do ouvinte sobre um aspecto
relegado a segundo plano, mas que no entanto é de suma importância para o ensino
das figuras de pensamento: seu potencial retórico, na construção de textos argumentativos.
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