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UMA
LEITURA DE SAUDADE (1919) DE THALES CASTANHO DE ANDRADE
Cleila de Fátima Siqueira Stanislavski
- Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília - Universidade
Estadual Paulista - UNESP
INTRODUÇÃO
Para compreender melhor o aparecimento de uma literatura
infantil brasileira e os problemas envolvidos na sua constituição,
apresento neste texto um estudo sobre o livro Saudade (1919), do autor
Thales Castanho de Andrade e as principais idéias sobre sua utilização
na escola. Este livro pode ser considerado representante da transição
entre a fase final da literatura escolar e o início da literatura
infantil brasileira. Foi utilizado na atividade didática-escolar
das escolas primárias brasileiras no início do século
XX e enfatizava a vida rural no país.
Quanto ao método, utilizo neste trabalho procedimentos metodológicos
de pesquisa documental e bibliográfica, com contribuições
de fontes primárias e secundárias. Essa abordagem histórica
está centrada, sob a ótica metodológica, nas idéias
desenvolvidas por Roger Chartier numa abordagem identificada como “história
cultural”. Segundo Roger Chartier (1991) esta metodologia está
focada na compreensão, manipulação e estudo de textos,
impressos de formas variadas, em seu contexto histórico e social.
A FORMAÇÃO DA LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA
Na sociedade em que vivemos, a leitura é fundamental
no trabalho do professor para desenvolver em sala de aula o processo de
ensino-aprendizagem. Os textos de literatura infantil desempenham uma
função importante na formação das crianças,
e, de acordo com estudiosos do tema , deve ocupar um espaço privilegiado
no processo de ensino-aprendizagem especialmente no início da escolarização
de crianças.
De acordo com leituras e estudos preliminares que fiz de textos de alguns
estudiosos do tema, no entanto, é relativamente recente o reconhecimento
dessa função e importância da literatura infantil,
a produção de livros para esse público leitor e de
estudos sobre textos do gênero. Para o educador Lourenço
Filho (1943), desde os tempos mais remotos existia literatura infantil
na forma da tradição oral, embora não fosse denominada
como tal.
Segundo o historiador e escritor Leonardo Arroyo (1968, p. 26-28), a necessidade
de leituras destinadas às crianças, sejam elas educativas,
didáticas, informativas ou recreativas, é muito recente,
datando dos fins do século XVII, quando, principalmente nos países
europeus, procurou-se diversificar as tradicionais leituras de livros
com histórias de santos e das sagradas escrituras, buscando proporcionar
uma leitura adequada à idade e interesses intelectuais da infância.
Acrescentando às idéias de Lourenço Filho e Arroyo,
para as pesquisadoras Lajolo e Zilberman (1999), as primeiras obras de
literatura infantil européia apareceram na primeira metade do século
XVIII, que foi assinalado pela industrialização e pelo surgimento
de novas concepções de família, criança e
escola, surgindo no século XIX os contos de fadas e iniciando uma
definição dos livros que agradam mais às crianças.
Conforme as idéias de Lajolo e Zilberman (1999), no Brasil, a literatura
infantil tem início no século XIX com a mudança do
regime monárquico para o republicano, com a crescente urbanização
e com o aparecimento e implantação da imprensa editorial
de livros. As primeiras obras do gênero eram traduzidas ou adaptadas
de obras estrangeiras, modeladas à imagem nacional, como a natureza,
os costumes, a língua, a pátria e a sociedade brasileira,
e destinadas ao uso das escolas. Somente no início do século
XX surgem autores nacionais de literatura infantil, a partir da produção
de Monteiro Lobato e outros autores, como Viriato Correia e Thales Castanho
de Andrade, que, nas décadas de 1930, 1940 e 1950, revelam tendências
regionalistas, nacionalistas e rurais com ênfase na tradição
oral e popular, indicando uma integração entre a escola
e a literatura.
Considerando então a trajetória e constituição
de uma literatura infantil brasileira, há a necessidade de buscar
o conceito de literatura infantil que, segundo Arroyo (1968, p. 65), varia
muito no espaço e no tempo e tem ligações com a escola.
No caso brasileiro, especialmente a partir da proclamação
da República, o desenvolvimento da instrução pública,
a criação de escolas primárias e de formação
de professores e o uso de livros-texto na atividade didática, são
fatores que possibilitaram condições para o surgimento de
uma “literatura escolar”, constituída de livros traduzidos
e/ou produzidos por brasileiros, dedicados à infância, no
entanto, para o uso vinculado à escola, com finalidade de ensinar
valores morais e sociais, de forma agradável. Ainda segundo Arroyo
(1968), é dessa “literatura escolar” que se origina
a literatura infantil brasileira, a qual se desenvolve e se consolida
como gênero literário a partir da produção
de Monteiro Lobato, nos anos de 1920 e seguintes.
Nas décadas de 1940 e 1960 houve um grande crescimento da produção
de literatura infantil, devido ao aumento do mercado consumidor, e da
dinamização da produção e circulação
de livros. Segundo estudiosos do tema, como Lajolo e Zilberman (1999,
p. 124) e Magnani (1998, p. 248) somente a partir dos anos de 1970 que
se tem, em nosso país, o início de uma produção
em massa de livros para crianças e jovens, e um aumento de número
de pesquisas e estudos acadêmicos sobre literatura infantil e juvenil
.
SOBRE A LEITURA ESCOLAR
Segundo Leonardo Arroyo (1988, p. 65), a literatura infantil
tem ligações com a escola, principalmente no caso brasileiro,
que a partir da criação de escolas primárias e de
formação de professores, e o uso de livros-texto na atividade
didática, possibilitaram o surgimento de uma “literatura
escolar”, constituída de livros traduzidos e/ou produzidos
por brasileiros para o público infantil e com uso vinculado à
escola, com finalidade de ensinar valores morais e sociais, de forma agradável.
Ainda segundo Arroyo (1988), é dessa “literatura escolar”
que se origina a literatura infantil brasileira, a qual se desenvolve
e se consolida como gênero literário a partir da produção
de Monteiro Lobato, nos anos de 1920 e seguintes.
A literatura escolar surgiu como reação às traduções
de livros vindos de outros países, e “caracterizou-se este
período por uma farta literatura dedicada à infância,
mas comprometida com o sistema pedagógico então vigorante,
sem o descompromisso da literatura infantil que a caracteriza hoje, no
campo da pura ficção” (ARROYO, 1968, p. 24). Deste
período é grande a quantidade de livros para as crianças
abordando temas patrióticos, aventuras, poesias, teatro, contos,
todos de autores nacionais, ao mesmo tempo que as editoras da época
começavam apresentar traduções dos clássicos
da literatura infantil.
O livro Saudade (1919) escrito por Thales Castanho de Andrade, segundo
Arroyo (1968) pode ser considerado representante do momento inicial de
formação da literatura infantil brasileira. Esse livro foi
escrito em um momento histórico em que, de acordo com Arroyo (1988),
inicia-se a publicação de uma “literatura escolar”;
dentre outras obras, segundo Lajolo e Zilberman (1999, p. 30), Saudade
estava disponível para a leitura da infância brasileira,
em particular das crianças que freqüentavam a escola.
O livro Saudade (1919) de Thales de Andrade é considerado por Leonardo
Arroyo (1988, p. 65) um livro clássico:
Desse prolífico período da literatura escolar,
enquanto reação brasileira às traduções
e originais portugueses, e que cobriu vários anos no panorama cultural
brasileiro e dentro do qual todo professor se sentiu na obrigação
de fazer pelo menos um livro – ao final de tanto papel gasto, de
tantas edições, de tanto esforço, restaram apenas
dois livros superiores: Através do Brasil, de Manuel Bonfim e Olavo
Bilac, Saudade, de Tales de Andrade. (ARROYO, 1988, p. 187)
No período da literatura escolar todo professor, segundo Arroyo
(1988), sentia-se na obrigação de escrever pelo menos um
livro, assim, Thales de Andrade escreveu Saudade (1919) que é considerado,
dentre outros livros escritos, como um livro superior. Os livros escritos
nesse período eram para uso didático e eram sobrecarregados
de idéias nacionalistas, as quais muitas vezes não condiziam
com os verdadeiros sentimentos que as pessoas tinham por sua pátria.
(ARROYO, 1988, p. 188).
Esta obra de Tales [sic] de Andrade, na verdade, em que
pesem suas excelentes qualidades literárias, inaugurava, na área
escolar, um esforço concentrado, aplaudido pelo Governo, de retorno
ao campo, à mentalidade de país essencialmente agrícola
(...) (ARROYO, 1988, p.188)
Segundo Arroyo (1988) o livro Saudade (1919) foi influente
no panorama da literatura infantil brasileira: “(...) é um
rasgo do gênio” (ARROYO, 1988, p. 191), pois nasceu e surpreendeu
muitos escritos na fase da literatura escolar. Muitos dos livros utilizados
nas leituras escolares começaram, inclusive, a invadir o campo
da ficção, dentre eles ficaram alguns livros que se destacaram,
como por exemplo, o Através do Brasil, de Manuel Bonfim e Olavo
Bilac, Saudade, de Thales de Andrade, ambos, contudo, com fundamentos
na realidade. (ARROYO, 1988, p. 163)
Um dos aspectos que diferenciava Saudade de outros livros, era a linguagem
que Thales de Andrade utilizava, sendo vista como “a língua
que todas as crianças deste país falam, que do Norte ao
Sul todos nós falamos [...]” (ARROYO, 1988, p.188), ou seja,
o livro mostra através de sua linguagem a realidade do país
na época em que foi escrito, de maneira reveladora, destacando
o espaço e as características ainda agrícolas que
havia na população. No livro de Thales Castanho de Andrade
via Monteiro Lobato a coragem de contrariar os “moldes estabelecidos
e aborrecidos” somada à sua originalidade e audácia
“pela língua em que está vazado”. (ARROYO, 1988,
p. 188)
Além do livro Saudade, outros livros apareciam com as mesmas características,
entre eles: Sombras que vivem escrito por João de Toledo, Coração
Brasileiro de Faria Neto, Campos e Arrebóis escrito por Túlio
Espíndola de Castro, e As Férias no Pontal de Rodolfo von
Ihering.
Leonardo Arroyo (1988, p. 189) aponta críticas feitas por Monteiro
Lobato ao livro Saudade (1919) de Thales de Andrade: “ é
um livro para a infância das escolas que cai em nossos meios pedagógicos
com o fulgor e o estrondo de um raio”; e por Sud Mennucci que o
consagrou como “padrão da nossa literatura didática”.
Assim Saudade (1919), escrito por Thales de Andrade, é considerado
um dos três grandes livros da literatura escolar brasileira, entre
outros dois: Através do Brasil escrito por Manuel Bonfim e Olavo
Bilac, e Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato.
O NACIONALISMO E O RURALISMO
No campo educacional brasileiro, após a Proclamação
da República e o desenvolvimento da instrução pública,
no início do século XX, foi sendo introduzida nas escolas
uma nova concepção de ensino chamada de Escola Nova. Conhecida
e difundida mundialmente, a Escola Nova refere-se ao conjunto de princípios
que buscavam rever as formas tradicionais do ensino, com base numa nova
compreensão das necessidades da infância e da sociedade em
reação à função da escola, para reajustar
a educação de modo geral aos novos fins e objetivos da realidade
social.
Com as novas mudanças ocorrendo no âmbito escolar advindo
dos pressupostos de uma nova concepção de ensino aparece
o fenômeno do nacionalismo e do ruralismo no âmbito social,
que são refletidos no campo educacional.
O fenômeno do nacionalismo que se estruturava sob a forma de uma
corrente de idéias sistematizada num amplo movimento político-social
e que se baseava no fenômeno de exaltação do homem
e das coisas brasileiras, também penetrou no pensamento sobre educação,
mas não com tanta intensidade, o fenômeno do ruralismo, que
influenciou parcialmente a legislação e as práticas
escolares, e que se constituía numa ideologia de desenvolvimento.
(NAGLE, 1976, p. 231)
Muitos aspectos do fenômeno ruralismo e do nacionalismo cruzaram-se,
ocorrendo principalmente quando o nacionalismo tratava da exaltação
da “terra” e da gente brasileira. Assim “terra”
se traduziu em “ produtos da terra” e tornou-se sinônimo
de “agricultura”.
É por esse caminho que a ruralização
do ensino significou, na década de vinte, a colaboração
da escola na tarefa de formar a mentalidade de acordo com as características
da ideologia do “Brasil-país-essencialmente-agrícola”,
o que importava, também, em operar como instrumento de fixação
do homem no campo. (NAGLE, 1976, p . 234)
Alguns livros de leitura deixaram transparecer um comprometimento
com o ruralismo e o nacionalismo, como o livro Saudade, de Thales Castanho
de Andrade:
Saudade é um romance para crianças. (...)
É história de uma família que abandonou a vida da
fazenda pela da cidade e que, reconhecendo as vantagens daquela em face
dos prejuízos desta, retorna ao campo e prospera admiravelmente.
Tem, pois, intuitos mais elevados que o simples ensino da leitura. Incute,
na criança, o amor pelo cultivo da terra, de que tanto carecemos.
(NAGLE, 1976, p. 360)
No estado de São Paulo, o livro Saudade, que sendo
uma obra didática para o ensino da leitura, estava comprometido
com o processo de ruralização de ensino.
SOBRE O AUTOR THALES CASTANHO DE ANDRADE
Thales Castanho de Andrade nasceu em Piracicaba, Estado
de São Paulo, no dia 15 de agosto de 1890. Filho de um industrial
dono de fábrica de bebidas, José Miguel de Andrade e de
sua esposa Castorina Castanho de Andrade. Seus avós paternos eram
Antônio Pinto de Andrade, natural de Itaquiri, Rio Claro, Estado
de São Paulo, e Luisa Maria Andrade, natural de São Pedro,
Estado de São Paulo, e os avós maternos eram Augusto César
de Arruda Castanho e Theodora Marins Bonilha, naturais de Capivari.
Foi batizado na Matriz de Santo Antonio pelo padre Franscico Galvão
Pais de Barros, e em 1912 casou-se nesta mesma igreja com Maria Garcia
de Toledo, sua colega, amiga e conterrânea e o celebrante foi o
Padre Manuel da Rosa.
Thales Castanho de Andrade estudou no curso denominado na época
de Pré-primário, no Kindergarten do Colégio Americano,
hoje Colégio Piracicabano, e o curso Primário no primeiro
Grupo Escolar “Barão de Rio Branco” de Piracicaba,
e no Grupo Moraes Barros, hoje Escola Estadual Barão do Rio Branco
e Escola Estadual Moraes Barros. Fez o curso normal na antiga Escola Complementar,
posteriormente chamada Escola Normal Primária de Piracicaba e atualmente,
Escola Estadual Sud Mennucci.
Residiu em Rio das Pedras, Capivari, Piracicaba e São Paulo, e
possivelmente em Porto Ferreira, pois nessa cidade há uma placa
na casa onde ele escreveu o livro Saudade.
Quando rapaz trabalhou como tipógrafo na Gazeta de Piracicaba e
também aprendeu com o pai a fabricar licores, refrigerantes, vinagres,
enlatados, doces e caramelos. Obteve carta de habilitação
para dirigir carro de tração animal através de um
exame realizado em praça pública. Assim, foi vendedor de
bebidas na cidade, percorrendo de trem e a cavalo as cidades de Capivari,
Rio das Pedras, São Pedro, Torrinha e Santa Bárbara. Foi
industrial de fábrica de bebidas e inventor do refrigerante com
o nome Cotubaína.
Iniciou sua carreira no Magistério em Jaú, na Escola Rural
de Banharão, posteriormente chamada de Escola da Saudade, e que
hoje está abandonada. Foi professor adjunto do Grupo Escolar de
Porto Ferreira, adjunto do Grupo Escolar Modelo anexo à Normal
Oficial de Piracicaba, professor de História da Civilização
e do Brasil e diretor dessa escola. Lecionou também História
da América, História Geral, Direito Geral, Pedagogia, Psicologia
e Prática de Ensino. Foi inspetor e assistente técnico de
ensino rural nomeado no ano de 1943, diretor geral do Departamento de
Educação do Estado de São Paulo – nomeado em
16 de setembro de 1947 - e Secretário da Educação
do Estado aposentando-se com mais de 47 anos de serviço ao Estado.
Também lecionou Filosofia, História da Civilização
e do Brasil no Ginásio Piracicabano e na Escola de Comércio
Cristóvão Colombo, que eram escolas de ensino privado.
Colaborou com os jornais, a Gazeta de Piracicaba, Jornal de Piracicaba,
Folha Ferreirense e Diário Carioca, e com revistas Vida Moderna,
Revista da Educação da Escola Normal de Piracicaba e A Cigarra.
Thales Castanho de Andrade foi eleito vereador da Câmara de Piracicaba
entre os anos de 1920-1922, e o seu primeiro Projeto de Lei propunha a
criação de um parque infantil, causando espanto e risos
entre os seus colegas vereadores. Em 1932 foi integrante do M.M.D.C. como
voluntário, e serviu no Batalhão dos Professores, durante
o Período da Revolução Constitucionalista de 1932
(CARRADORE, 2004, p. 33), participando, também, do Partido Republicano
Paulista e depois do Partido Constitucionalista.
Thales Castanho de Andrade (CARRADORE, 2004, p. 33) destacou-se na educação,
e participou de entidades de classe, esportivas e culturais. Foi presidente
do XV de Novembro de Piracicaba , do Centro do Professorado Piracicabano,
do Grêmio Normalista de Bola ao Cesto. Participou ativamente nos
Congressos Normalistas de Educação Rural em Campinas, Piracicaba
e Casa Branca. Pertenceu à Academia Piracicabana de Letras, União
Brasileira de Escritores e foi sócio honorário do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo.
Participante da vida rural de sua época foi iniciador dos clubes
de horticultura com o apoio da Sociedade Amigos de Alberto Tôrres,
participando, também, do 1º Congresso Normalista de Ensino
Rural realizado em Campinas. Foi fundador da instituição
nacional dos Clubes Agrícolas Escolares e promotor da primeira
Festa do Milho, da Uva, do Pêssego e do Vinho.
Thales Castanho de Andrade foi criador do Método Brasileiro da
Alfabetização pela Imagem – a figura ensina, destacado
através da cartilha Ler e Brincando. Enquanto foi Secretário
da Educação do Estado de São Paulo, criou os cursos
de Alfabetização de Adulto.
Thales Castanho de Andrade ingressou no Magistério em 08/02/1912
e aposentou-se em 07/03/1955. Trabalhou 43 anos e para completar o tempo
para aposentar-se foram considerados como prêmios o Ano da Gripe,
Revolução Constitucionalista e Tempo em Dobro. Foram 8 anos
no Ensino Primário nas escolas: Grupo Escolar Modelo de Piracicaba,
Grupo Escolar Porto Ferreira e Escola Isolada de Banharão em Jaú;
23 anos lecionando no Ensino Secundário e Normal; 4 anos e meio
de Assistente Técnico do Ensino Rural; 7 anos e meio como Diretor
Geral do Departamento de Educação.
Segundo Carradore (2004, p. 13), Thales Castanho de Andrade foi um “notável
educador, pioneiro e expoente da literatura infanto-juvenil brasileira,
sendo a educação e a literatura marcos na vida do autor.
Foi reconhecido e premiado como educador, literato, folclorista, sociólogo
e pioneiro na luta ecológica em defesa da natureza.
Segundo o mesmo autor, Thales Castanho de Andrade foi um dos pioneiros
do modernismo e seus livros referiam-se à interpretação
da realidade brasileira pois tratava de assuntos do campo, do folclore
e da história nacional, sendo marcados pela intencionalidade ecológica,
e todos os seus livros são marcados pela intencionalidade ecológica
regionalista.
Thales Castanho de Andrade considerava, segundo o autor, a amizade entre
os maiores bens da terra, e disse em uma das ocasiões que estiveram
juntos “A amizade não se adquire, senão pelo amor!”
(CARRADORE, 2004, p. 3).
Além de exercer o magistério em escolas da zona urbana,
o autor também foi professor de escolas em zona rural, as quais
lhe permitiram a proximidade com questões de ordem agrária
e rural, possibilitando, mais tarde, o aparecimento do seu livro Saudade.
Ele utilizou a sua convivência e aproximação com as
pessoas e o cotidiano rural para escrever o livro Saudade, no qual mostrava
a realidade com muita clareza e assim satisfazia os seus leitores.
Thales de Andrade publicou Saudade com muito sucesso no país, e
despertou muitas críticas a respeito do seu livro, influenciando
mesmo Monteiro Lobato, atualmente considerado uma das celebridades na
literatura infantil brasileira. Segundo Arroyo (1988), Thales de Andrade,
com Saudade, marcou e delimitou a fase da literatura escolar, especialmente
porque seu livro promoveu uma nova visão de como escrever a literatura
infantil, enfatizando a vida rural do país.
Segundo Carradore (2004, p. 69), Thales Castanho de Andrade recebeu muitas
homenagens, sendo que muitas delas enquanto era vivo. Algumas delas, citadas
abaixo, estão descritas pela ordem das datas em que ocorreram:
Em 24 de junho de 1967, durante o Bicentenário de Piracicaba, o
prefeito da cidade, Luciano Guidotti, sancionou a Lei 1.486, de autoria
do vereador Elias Jorge, aprovando que fosse erguida a Herma Thales Castanho
de Andrade, na praça Jorge Tibiriçá. Atualmente a
herma do autor está sob a seguinte frase: “A Thales Castanho
de Andrade / A maior criança-grande do Brasil.”
No dia 15 de julho de 1967, às 10 horas, na livraria Pilão
de propriedade de João Chiarini , Thales concedeu uma manhã
de autógrafos em todos os seus livros já editados.
No dia 22 de julho de 1967, com a presença de Thales, às
20:30 horas, no Salão Nobre do Instituto Educacional Piracicabano
aconteceu o Recital de Canções em Homenagem à Thales
de Andrade, com a participação de Otávio Righetto,
Alcides Zagatto e Antonio Carlos Coimbra.
No dia 23 de agosto de 1967, às 15 horas, foi inaugurada a exposição
Vida e Obra de Thales de Andrade na Galeria Lúcia Cristina, localizada
no centro da cidade. Entre os dias 14 a 24 de setembro de 1967 foi realizada
em homenagem ao autor, a Semana Thales de Andrade.
Thales Castanho de Andrade recebeu outras honrarias como: Luiz Marrone
esculpiu a cabeça do escritor que está sob um pedestal na
Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, na Prefeitura de São Paulo;
há uma placa de bronze na Escola da Saudade, e outra placa na casa
em que Thales morou em Porto Ferreira, com a seguinte frase: “Nesta
casa em 1918, foi escrito o Saudade pelo Prof. Thales de Andrade. Homenagem
do Leitores desse livro.”
O autor recebeu vários diplomas: de Amigo do Livro, da Câmara
Brasileira do Livro, de Evangelho do Ruralismo, do Centro do Professorado
Paulista, de Pioneiro do Ruralismo Bandeirante, da Escola Prática
de Agricultura de Ribeirão Preto, da Semana dos Insetos, da Revista
Chácaras e Quintais, de Honra ao Mérito, do Grupo Escolar
Dr. Guimarães Júnior de Ribeirão Preto, um cartão
de prata das crianças de Santo André com a dedicatória
“À Maior Criança do Brasil”.
Também recebeu várias moções de congratulações
e aplausos pelo seu trabalho em favor da educação, entre
elas do Senado da República e da Congregação da Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz pelo seu livro Saudade, da Assembléia
Legislativa do Estado de São Paulo pelo livro Irmão Café,
e da Câmara Municipal de Piracicaba pelo livro Campo e Cidade.
Os livros de Thales Castanho de Andrade inspiraram músicas como
a Marcha Thales de Andrade do compositor Benedito Leite, Hino Rumo ao
Campo do maestro Fabiano Lozano, Coração do maestro Vicente
Aricó, Sombra Bendita do maestro Piragien, Cantiga Serrana de Erotides
de Campos, a valsa A Filha da Floresta de Benedito Dutra Teixeira, a valsa
Saudade de Waldemar Castellar de Barros, Sobre as Ondas do Piracicaba
do maestro Belencase e a Festa do Trigo do Prof. Faustino de Oliveira.
E também poesias: Rumo ao Campo, de Elias de Mello Ayres; Boa Noite
Thales, de Carlos Mauro Algodoal; o soneto Saudade, de Júlio Soares
Diehl; Queremos Encanto e Verdade, de Manuel Rodrigues Lourenço;
Escolinha Rural, de Zenaide Pitta; Ao Mestre, de Vírginia Del Nero;
Elogio à Floresta, de Dulce Carneiro; Saudação, de
Corrêa Júnior; Gente de Casa, de Moacyr Campos; Traços,
do Prof. Quissak; Escola Rural, de Túlio de Castro; e Saudade,
de Antonio Salvador Sobrinho.
Atualmente existe uma escola de Ensino Fundamental em Piracicaba que recebeu
o nome do autor.
No dia 2 de outubro de 1977, domingo, às 12 horas e 15 minutos,
na sua residência em São Paulo/SP, morreu Thales Castanho
de Andrade aos 87 anos de idade. Seu corpo foi levado para a Biblioteca
Municipal Mário de Andrade por ordem do Governador do Estado para
ser velado, e foi sepultado em Piracicaba.
Segundo Carradore (2004, p. 83), Thales também recebeu homenagens
póstumas. Em 1990 foi comemorado o centenário de nascimento
de Thales Castanho de Andrade com várias solenidades na cidade
de Piracicaba. A Associação Amigos de Thales Castanho de
Andrade relançou em 1999 o livro El Rei Dom Sapo, em 2001, o Fim
do Mundo, e em 18 de setembro de 2003, mais uma edição do
livro A Filha da Floresta.
LIVROS DO AUTOR THALES CASTANHO DE ANDRADE
Segue abaixo a relação da obra de Thales
de Andrade até então encontrada. Os livros estão
agrupados conforme sua utilização e designação.
Na série Leitura Escolar, aparece o nome do curso onde eram utilizados,
o nome da editora. Logo após o nome de cada livro, é colocada,
quando existente, a informação: em que série foram
utilizados ou qual o tipo de livro e as edições que alguns
livros alcançaram.
LEITURA ESCOLAR – Curso primário –
Companhia Editora Nacional
1. Ler Brincando – Cartilha – 64 edições;
2. Espelho – 1º ano - 21 edições;
3. Alegria - 1º ano - 13 edições;
4. Vida na Roça - 2º ano - 30 edições;
5. Trabalho - 2º ano - 44 edições;
6. Na Oficina - 2º ano - 1 edição;
7. Saudade – 3º ano - 66 edições;
8. Campo e Cidade.
Os livros de contos infantis faziam parte da Série
Encanto e Verdade e foram editados pela Companhia Melhoramentos de São
Paulo. Logo após o nome de cada livro é colocada, quando
existente, a informação: do que tratava cada história
e a data a ser comemorada, e as edições que alguns livros
alcançaram.
CONTOS INFANTIS – Série Encanto e Verdade
– Companhia Melhoramentos de São Paulo
1. A Filha da Floresta - História contra a devastação
das matas e incentivo ao reflorestamento - 12 edições;
2. El-Rei Dom Sapo - História em defesa dos animais úteis
à lavoura - 10 edições;
3. Bem-te-vi Feiticeiro - História de proteção as
aves e a festa das aves - 9 edições;
4. Dona Içá Rainha – História de combate a
saúva - 8 edições;
5. Bela, a Verdureira - História de incentivo a horticultura de
quintal; clubes agrícolas escolares - 8 edições;
6. Árvores Milagrosas - História de incentivo à pomicultura
- 6 edições;
7. Pequeno Mágico – História da importância
da agricultura - 3 edições;
8. Totó Mau – História sobre a proteção
aos menores órfãos, riquezas do Brasil, sertão, obra
de Rondon, Dia do Índio - 2 edições;
9. Fim do Mundo - História sobre o flagelo da destruição
da flora e da fauna pelo homem - 4 edições;
10. Caminho do Céu – Apresentava duas versões: História
sobre a aliança do homem com todos os elementos naturais úteis
a sua vida; a luta e vitória do bem contra o mal, e o Cristianismo
- 6 edições;
11. Sono do Monstro – História sobre pacifismo, a paz pela
escola, confraternização dos povos - 6 edições;
12. A Rainha dos Reis – Apresenta duas versões: História
e importância do constitucionalismo, 24 de fevereiro - 5 edições;
13. Praga e Feitiço – História sobre suplício
e glória de Tiradentes - 3 edições;
14. Capitão Feliz - História sobre intencionalidade luso-cabrálica
do descobrimento do Brasil; 22 de abril o Dia da Raça - 6 edições;
15. A Fonte Milagrosa - História sobre os milagres do trabalho;
1º de maio - 6 edições;
16. A Bruxa Branca – História sobre libelo contra os escravocratas
e elogio aos abolicionistas; igualdade das raças; 13 de Maio -
3 edições;
17. Castelo Maldito - História contra o absolutismo e o despotismo;
14 de Julho - 4 edições;
18. Grito Milagroso – História sobre o príncipe Dom
Pedro e a Independência do Brasil; 7 de Setembro o Dia da Pátria
- 4 edições;
19. Gigante das Ondas – História sobre a obra divinatória
de Colombo; 12 de outubro o Dia da América - 4 edições;
20. Morto e Vivo – História sobre o culto aos mortos; 2 de
Novembro o Dia de Finados - 1 edição;
21. A Cadeira Encantada – História sobre democracia e república
presidencialista; 15 de novembro - 1 edição ;
22. Mistério das Cores – História sobre a instituição
das cores nacionais brasileiras; 19 de novembro o Dia da Bandeira - 1
edição;
23. A Estrela Mágica – História sobre Natal e a redenção
das crianças; 25 de Dezembro - 1 edição;
24. Melhor Presente - 1 edição;
25. Como Nasceu a Cidade Maravilhosa – História sobre o culto
ao fundador e aos benfeitores do Rio de Janeiro - 2 edições;
26. Flor de Ipê – História sobre a bondade e a inteligência
da mulher, e em destaque a flor símbolo brasileira.
Os romances juvenis tratavam do sertanismo e indianismo
no Brasil, a obra de Rondon e seus precursores, lendas indígenas
e interiorização da civilização no Brasil.
Não se tem informação sobre editoras, apenas a edição
e os exemplares alcançados do único livro editado.
ROMANCE JUVENIL
Itaí, o Menino das Selvas - 1 edição – 11 mil
exemplares;
Itaí, na Cidade Maravilhosa – no prelo;
Itaí, entre os Cariocas - no prelo;
Itaí, no Palácio do Catete – escrito;
Itaí, no Palácio da Alvorada – em preparo;
Itaí e Ibaê, entre as Estrelas - em preparo.
Os livros da série em quadrinhos fazem parte da
Série Café, e tem-se a informação apenas do
que tratava cada história, as edições que alcançaram
e os exemplares editados.
SÉRIE EM QUADRINHOS – Série Café
O Irmão Café – História em defesa da policultura
e poliprodução - 2 edições – 30 mil
exemplares;
Cafezal assim, sim! - História em defesa da cultura racional dos
cafezais – 1 edição – 11 mil exemplares.
Existem três livros do autor que não estão
entre as relações de livros descritas anteriormente. São
livros utilizados em campanhas nacionais.
OUTRAS OBRAS
1. Ensinando a Constituição – Livro utilizado na Campanha
de Assistência ao Estudante do Departamento Nacional de Educação
do Ministério da Educação e Cultura;
2. A Senhora Pernilongo - Livro utilizado na Campanha contra a febre amarela
– publicado em capítulos pelo Diário Carioca;
3. Irmãos.
Os livros escritos por Thales Castanho de Andrade abordavam
assuntos sobre a natureza, datas comemorativas e fatos importantes que
aconteceram no país. Há dois livros que tratavam de campanhas
nacionais.
A partir dos assuntos abordados nos livros é evidente a ligação
e preocupação do autor com o meio ambiente e sua conservação,
a agricultura e os aspectos envolvidos, os indígenas, órfão,
riquezas do Brasil, flora e fauna, bem e mal, cristianismo, paz na escola
e nos povos, formas de governo, datas importantes e comemorativas no Brasil.
O autor escreveu seis livros sobre um menino chamado Itaí e os
vários lugares que esteve: na selva, na cidade maravilhosa, entre
os cariocas, no Palácio do Catete e no Palácio da Alvorada
e entre as estrelas. Desses livros somente um foi publicado e os outros
ficaram em fase de em fase de conclusão.
ASPECTOS GERAIS SOBRE O LIVRO SAUDADE
Thales Castanho de Andrade esteve ligado com as questões
que envolviam a vida rural e agrícola. Assim, quando foi professor
de uma escola rural pôde ter mais contato contribuindo com observações
e elementos para o surgimento do seu livro Saudade. Segundo Arroyo (1988),
em um depoimento, Thales Castanho de Andrade conta que Saudade (1919)
foi escrito em quarenta manhãs.
Saudade (1919) nasceu como um pequeno artigo com o título de “Instrução
e Agricultura” publicado em 1911, no Jornal O Monitor, da Escola
Complementar de Piracicaba. Teve sua primeira edição impressa
em Piracicaba, no ano de 1919, sendo que, para Lajolo e Zilberman (1999,
p. 30) com este romance, Thales Castanho de Andrade encerra esse primeiro
período da literatura infantil brasileira.
A primeira edição de Saudade foi feita pelo Governo do Estado
de São Paulo através da Secretaria da Agricultura, totalizando
15 mil exemplares. A segunda edição foi feita, alguns meses
depois, pelo Jornal de Piracicaba, totalizando uma tiragem de 20 mil exemplares,
e da terceira à 13ª, os livros saíram com uma chancela
da Gráfica Editora Monteiro Lobato, e depois sob a égide
da Companhia Editora Nacional (ARROYO, 1988, p. 191).
Segundo Carradore (2004, p. 15), o livro Saudade, escrito em 1918 e editado
em 1919, alcançou a 90º edição, totalizando
mais de um milhão de exemplares, adotado para leitura nas escolas
brasileiras. No entanto, segundo informações obtidas na
Companhia Editora Nacional, que publica o livro, sabe-se que a última
edição aconteceu no ano de 2002, sendo a 66ª edição.
Saudade (1919) foi um livro que, na sua época, foi utilizado na
atividade didática escolar e possibilitava uma leitura real da
situação das pessoas daquela época, contrariando
outros livros que traziam visões ilusórias sobre o cotidiano
e a vida das pessoas. Segundo a Companhia Editora Nacional, o livro fez
parte da Coleção Infantil e também foi indicado como
leitura didática escolar.
A Companhia Editora Nacional é uma das mais importantes editoras
do país, pelo seu porte de produção, fundo editorial
que adquiriu e fez publicar. Foi responsável por editar coleções
de livros como, Biblioteca Pedagógica Brasileira, publicada entre
1931 e 1960, por autores de renome como Fernando Azevedo e Anísio
Teixeira, e também por traduções de obras do francês,
inglês, russo, entre outras línguas, desde sua fundação
em 1925.
Esta editora surgiu depois da falência da Editora Monteiro Lobato
e Cia em 1925, recomeçando com os fundos editoriais da antiga editora,
dando continuidade aos padrões de edição estabelecidos
por ela. A Companhia Editora Nacional, desde seu primeiro ano, produziu
livros escolares, de literatura e poesia, diversificando a partir desse
mercado consumidor outros tipos de obras, porém se transformou
na maior editora do Brasil por meio dos livros escolares.
Segundo Toledo (2004), seu “arquivo morto” é precário,
não há uma organização de conteúdos,
datas e procedência, dificultando a pesquisa na documentação,
onde estão guardados documentos importantes para a história
dos livros no Brasil, sendo que já foi encontrado pela equipe organizadora
do arquivo, documentos referentes aos contratos de direitos autorais de
Fernando de Azevedo, Almeida Jr., Thales de Andrade, entre outros importantes
autores.
Dentre o livros que Thales Castanho de Andrade escreveu nenhum alcançou
o mesmo êxito de Saudade, que continha histórias interessantes
com senso de comunicação e simplicidade, e gerou muitas
críticas a seu favor (ARROYO, 1988, p. 191). No 30º aniversário
de Saudade, o livro recebeu o título de Evangelho do Ruralismo
e Thales Castanho de Andrade, o de Evangelista (CARRADORE, 2004, p. 24).
Segundo a Companhia Editora Nacional, constam em seus registros apenas
informações a partir da 56ª edição do
livro Saudade, publicado no ano de 1966.
No quadro abaixo segue a relação das edições
do livro Saudade a partir da 56ª edição:
| EDIÇÃO |
ANO |
TIRAGEM |
| 56ª |
1966 |
5.047 |
| 57ª |
1967 |
10.051 |
| 58ª |
1967 |
10.051 |
| 59ª |
1967 |
- |
| 60ª |
1969 |
10.066 |
| 61ª |
1969 |
10.250 |
| 62ª |
1971 |
5.000 |
| 63ª |
1974 |
6.002 |
| 64ª |
1977 |
19.125 |
| 65ª |
1982 |
7.491 |
| 66ª |
2002 |
- |
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Considerando
o exposto, até o momento posso concluir que o livro Saudade (1919)
de Thales Castanho de Andrade marcou e delimitou a fase de transição
da literatura escolar para a literatura infantil, enfatizando a vida rural
do país à sua época e sendo utilizado na atividade
didática-escolar.
O livro Saudade, publicado em 1919, e escrito por um autor nacional de
literatura infantil, revelou tendências regionalistas, nacionalistas
e rurais com ênfase na tradição oral e popular, indicando
uma integração entre a escola e a literatura.
A utilização de livros-texto na atividade didática
possibilitou o surgimento de uma “literatura escolar”, que
era constituída de livros traduzidos e/ou produzidos por brasileiros,
dedicados à infância, para o uso vinculado apenas à
escola, com finalidade de ensinar valores morais e sociais, de forma agradável,
e dessa “literatura escolar” que se origina a literatura infantil
brasileira.
REFERÊNCIAS
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ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura. 2 ed. São
Paulo: Contexto, 1991.
______. A literatura Infantil na Escola. 3 ed. São Paulo: Global,
1983.
INSTITUIÇÕES,
ACERVOS E SITES CONSULTADOS
• Biblioteca
da FFC-UNESP/Marília
• Biblioteca Municipal de Piracicaba
• Museu Histórico e Pedagógico “Prudente de
Moraes” – Piracicaba/SP
• Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba/SP
• Academia Piracicabana de Letras
• www.biblioteca.ufrgs.br/
• www.unicamp.br
• www.dedalus.usp.br
• www.cgb.unesp.br
• www.crmariocovas.sp.gov.br
• www.anped.org.br
• www.ibep-nacional.com.br
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