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LÍNGUA
INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA ANÁLISE ATRAVÉS
DE DIÁRIOS
Paula Cristina Ameko- Faculdade de Ciências
e Tecnologia de Birigüi (FATEB)
1. Introdução
Nos últimos trinta anos, o Ensino de Línguas
Estrangeiras estourou no mundo todo e consequentemente, houve uma multiplicação
de cursos universitários, institutos de línguas e publicações
nessa área. Ainda que a Língua Inglesa tivesse pouca importância
cerca de 400 anos atrás, ela se tornou uma língua internacional
, espalhando sua dimensão para diversas áreas e ocupando
posições significativas no que concerne à ciência,
tecnologia, medicina, computadores, pesquisa, esportes, entretenimento.
A propagação do Inglês é singular em termos
de alcance geográfico e de profundidade de absorção
do idioma. Desse modo, as pessoas têm buscado o aprendizado da Língua
Inglesa com os objetivos de conseguir um trabalho melhor, aprimoramento
na vida profissional, aprender a cultura do país de origem ou mesmo
por prazer.
A partir dessa proliferação da Língua Inglesa no
mundo, pode-se confirmar a crença de que “aquele que não
domina o Inglês não progredirá”. Tal afirmação
leva a crer que quem não souber o idioma inglês, estará
fadado a não tomar parte dos avanços mundiais.
“English has also become a lingua franca to the point that any literate
educated person is in a very real sense depreived if he does not know
Enlish. Pverty, famine and disease are instantly recongized as the cruellest
and least excusable forms of deprivation. Linguistic deprivation is a
less easily noticed condition, but one nevertheless of great significance”
(Buchifield 1985:160) in Phillipson 1992:5
Uma das crenças no Ensino de Língua Inglesa é que
quanto mais cedo se ensinar Inglês, melhores serão os resultados,
de acordo com Phillipson (1992:201). Tal constatação provém
da convicção de que serão melhores as oportunidades
de trabalho futuro, sucesso em exames posteriores, viabilizando o que
a sociedade internacional tem a oferecer.
“In general, the earlier the child began to learn his second language,
the better, The ideal method would be for a child to learn his second
language as he learned his mother tongue.” (British Council )
Todavia, essa questão permite muitas opiniões divergentes,
assim como a idade ótima, ou seja, a idade “ideal”
para o aprendizado de uma Língua Estrangeira. Esse tipo de discussão
é bastante amplo, uma vez que nele está implicado o desenvolvimento
infantil (mental, social, afetivo, emocional).
“What counts more than chronological age is the development age:
this vary according to the individual and the help and encouragement he/
she has already received, either at home or in the nursery.” (Reilley
& Ward, 1997:3).
2. Objetivos
O presente artigo apresenta uma análise da minha
prática de ensino de Língua Inglesa para crianças
de 3 anos de idade. A escolha desse tema surgiu de uma necessidade ao
lidar com o ensino para alunos dessa faixa etária e o interesse
em aprimorar meus conhecimentos acerca desse assunto para aprimoramento
profissional.
No início de 2001, assumi quatro turmas de crianças em um
instituto de línguas no interior do Paraná e dentre elas,
um grupo da Educação Infantil, o qual denominarei “Tiny
Kids”. O enfoque deste trabalho será dado a essa turma por
seu meu único grupo não-alfabetizado.
A meu ver, muitos pais, preocupados em se mostrar atualizados quanto ao
“mundo moderno”, buscam matricular seus filhos o mais cedo
possível em institutos de línguas para antecipar um conhecimento
que se espera que, posteriormente, uma pessoa deva ter.
No entanto, o que ocorre é nem mesmo os pais que matriculam seus
filhos em escolas de idiomas ou escolas bilíngües conseguem
explicar a razão de a criança aprender um idioma tão
cedo.
Por se tratar de um assunto ainda bastante recente, pouco material teórico
foi encontrado sobre o ensino para crianças; o que mais se encontra
são materiais com sugestões de atividades para o ensino
de Língua Inglesa para jovens aprendizes do que explanação
teórica propriamente dita. Além disso, o paradoxo é
que muito do que é proposto para determinada faixa etária
é impraticável para aprendizes da idade a que se destinam.
Para efetuar tal estudo, foram realizadas leituras na área de ensino
reflexivo, de Ensino de Língua Estrangeira para crianças
e desenvolvimento infantil. Tais leituras se fizeram necessárias
no sentido de elucidar algumas questões da pesquisa. Optou-se pelo
ensino reflexivo por acreditar que a auto-análise é o meio
mais eficaz de se aprender sobre a prática. Com relação
ao ensino de Línguas Estrangeiras para crianças, buscou-se
respaldo teórico para essa nova “fatia no mercado”
de ensino de línguas e as leituras sobre desenvolvimento infantil
são para que se obtivesse conhecimento acerca do fico de estudo.
3. Contexto
A turma analisada em questão está inserida
no seguinte contexto de ensino: trata-se de um grupo de dez alunos que
vão à escola no período matutino, uma pré-escola
bilíngüe, onde se ensina o Português e Inglês.
Esta escola está localizada em um prédio anexo a um instituto
de línguas, que já existe há cerca de 40 anos. A
escola de Educação Infantil existe há 20 anos e atualmente,
possui mais alunos do que o instituto de línguas.
As aulas de Língua Inglesa têm duração de quarenta
e cinco minutos, duas vezes por semana; sendo que uma das aulas é
realizada na sala de multimídia; onde a professora utiliza CD-ROMs
infantis em Inglês para que os alunos tenham contato com a língua
de forma informatizada e lúdica.
Uma dificuldade apontada é quanto ao material didático a
ser utilizado com essa turma. Infelizmente, não foi encontrado
nenhum material apropriado para crianças dessa faixa etária,
tanto nas editoras nacionais quanto internacionais. O único material
sugerido por uma editora internacional não se adequa à realidade
brasileira, uma vez que os alunos não são capazes de realizar
a maioria das atividades propostas no material.
Pode-se afirmar que as aulas de Língua Inglesa para o Tiny Kids
se dão através de muitas músicas e atividades com
movimentos, vídeos (desenhos educativos em Inglês), leitura
de estórias e algumas atividades de coordenação motora,
sugestão da coordenadora pedagógica, que também leciona
para duas turmas de Tiny no período vespertino.
Outro fator relevante notado é que pelo fato de se iniciar o aprendizado
de Língua Inglesa cada vez mais cedo, as escolas não demonstram
estar ainda totalmente preparadas para atender a todas as necessidades.
Ou seja, acaba-se "deixando o ensino de Língua Inglesa a desejar",
uma vez que os profissionais habilitados para lecionar crianças
da Educação Infantil não estão habilitados
para lecionar Língua e vice-versa; ou seja, um dos dois profissionais
acaca por assumir uma turma em que ele adapta o ensino ao grupo.
Neste caso, trata-se de uma profissional da área de Letras que
atua na Educação Infantil sem que haja uma formação
específica para lecionar nesse nível de ensino. Desta forma,
o professor tende a planejar e desenvolver suas atividades a partir de
suas próprias experiências e adequá-las à faixa
etária e nível. Nesse sentido, o trabalho do professor torna-se
intuitivo, já que trata-se do primeiro ano que a escola trabalha
com o ensino de Língua Inglesa para alunos de 3 anos. Até
então, o Inglês era iniciado a partir dos 4 anos e meio de
idade.
Além disso, a própria coordenadora da escola já havia
assumido "estar em uma fase de experiência para ver se realmente
dá certo ensinar Inglês para crianças tão pequenas
assim."
4. Justificativa
Ao refletir sobre qual tema escolher e discorrer a monografia
de Especialização em Língua Inglesa, a primeira idéia
em mente foi "Como ensinar LI para crianças não-alfabetizadas?"
Porém, constatei que esse tipo que questão não implicaria
em nenhuma discussão profunda, tratando-se de uma "low-yield
question" (Underhill, 1993); isto é, esse tipo de questão
explica a experiência do professor em termos do que ele já
conhece e sabe; enxerga os problemas a partir de uma visão externa
da sala-de-aula; deixa preconceitos escondidos; não conduz a novos
territórios e é extinto pela resposta; ou seja, seriam como
"receitas" de como fazer algo ou como agir em determinadas situações,
seriam passos a serem seguidos em dados momentos.
Esse tipo de procedimento certamente não é viável,
uma vez que o contexto de uma sala-de-aula difere muito de outra, os alunos
são diferentes, o professor é outro e o que pode funcionar
para um turma em um contexto, pode não funcionar em outra turma;
não se deve buscar "soluções prontas" para
cada situação em sala.
A partir disso, percebi que estava pressupondo que os meus alunos seriam
melhores se eles fossem alfabetizados, que eu estava desejando que eles
fossem diferentes e não como eles realmente são. Tais conclusões
provavelmente são conseqüência da minha inexperiência
como professor de educação infantil.
Espera-se que essa pesquisa possa contribuir com outros professores que
também passam ou venham a passar pela mesma situação
na qual me encontro ou com aqueles que tenham interesse pelo assunto,
seja pelo ângulo da Educação Infantil, seja pelo Ensino
de Língua Inglesa.
5. Metodologia
Para guiar a pesquisa, foram utilizados diários
e observações de aula por outra professora. A escolha de
diários como recurso se deve ao fato de eles envolverem a escrita,
que segundo Butler-Wall (1979:6) in Richards & Nunan (1990:224), é
o melhor meio de observação:
"Probably the best means of observation is to record our practice.
This may be done by audio or visual means (tape-recording a lesson, using
photographs, etc), but the best means would seem to involve some form
of writing. In writing, we begin not only to observe, but we take the
first steo in reflecting on and about our practice."
De acordo com a definição de Aurélio (2000), diário
seria a obra em que se registram, diária ou quase diariamente,
acontecimentos, confissões. No campo educacional, tal palavra designa
muito mais do que anotações sobre acontecimentos, trata-se
também de um instrumento de reflexão crítica do professor
ou uma ferramenta potente para a preparação do professor.
Entre os procedimentos sugeridos por Richards e Lockhart (1994), inclui-se
o uso de diários, entre relatórios, gravações
para auxiliar professores a investigar o ensino na sala-de-aula. A preferência
por este instrumento em detrimento de outros se deve ao fato de ser um
registro escrito e sendo assim, permite um distanciamento que serve à
reflexão crítica das ações realizadas por
alguém.
Machado (1988 apud Librali 1999), explica que o uso de diários
se deu a partir do século XIX e era ligado a contradições
sociais da época entre ideais de liberdade e igualdade e as reais
condições do dia-a-dia dos indivíduos; ou seja, era
uma forma de expressar os conflitos interiores na forma escrita.
A autora aponta inúmeras vantagens da utilização
desse instrumento de reflexão na formação contínua
de educadores, mostra questões recorrentes e importantes às
análises dos praticantes. E através das releituras, apresenta
padrões constantes que num primeiro olhar, passam imperceptíveis
e ajuda o participante a entrar em contato e manter contato com seu auto-desenvolvimento,
oferece a oportunidade ao participante de se expressar de forma dinâmica
e pessoal.
Por essas razões, que se deu a escolha dessa ferramenta para analisar
as evidências de aprendizagem da turma de Tiny Kids, uma vez que,
ao escrever após a aula, acaba-se por retratar o que aconteceu
durante a lição: os aspectos negativos e positivos, o que
poderia ser mudado e como poderia ter abordado.
Além disso, a utilização de diários é
interessante no sentido de viabilizar uma reflexão do papel e postura
do professor em sala-de-aula e possibilitar uma forma de o professor expressar
livremente os sentimentos em relação à sua prática
de ensino. Muitas questões e críticas também podem
vir à tona ao reler as anotações e o que pode não
estar evidente no início pode ficar claro à medida em que
as ocorrências e sentimentos se acumulam em dado período.
6. O processo reflexivo e seus procedimentos
Apesar de o termo reflexão ser recente na formação
de professores de Língua Estrangeira, suas origens remontam a Dewey
apud Ortenzi (1997), que no princípio do século fez distinção
entre o ser humano que é reflexivo e o que age na rotina.
A palavra reflexão vem do Latim "reflectere", que significa
virar ou voltar para trás (re). Originalmente, o termo era usado
na Óptica para refletir a luz contra uma superfície de água,
espelho ou similar.
No entanto, a reflexão é usada no sentido metafórico
no contexto humano: pode significar meditação, pensamento,
consideração atenta, ponderação, volta da
consciência sobre si mesmo para analisar seu próprio conteúdo
por meio de entendimento da razão, de acordo com Aurélio
(2000). Nesse caso, reflexão significa que algum tópico
é explorado por um longo período de tempo para obter um
melhor e mais profundo entendimento do assunto.
Sobre essa perspectiva, pode-se entender que é possível
refletir sobre qualquer assunto considerado relevante para o pesquisador
e quando se reflete sobre a própria atividade, pode-se ter como
objetivo planejamento de uma aula, avaliação. entre outros.
Richards & Nunan (1990) argumentam que a reflexão não
é apenas um ato individual e psicológico, é uma ação
orientada, embebida histórica e socialmente para se localizar na
história de uma situação, para participar de uma
atividade social e tomar parte nas questões. Através do
material colhido, pode-se transformar as relações sociais
que caracterizam o trabalho do professor e a sua situação
de trabalho.
Os autores defendem que o professor criticamente reflexivo é aquele
que busca técnicas instrucionais sozinha e transforma questões
de "como fazer" em questões de "o que e por que
fazer", o que confere maior poder ao seu ensino, uma vez que aquelas
têm seu valor utilitário limitado. Underhill (1993) compartilha
da mesma opinião, defendendo que esse tipo de questão explica
a experiência do professor em termos do que ele já sabe e
conhece, deixa preconceitos escondidos e não conduz a novos territórios.
Já as questões de "o que" e "por que fazer"
consideram técnicas instrucionais e se estendem à produção
educacional, pois conferem poder ao ensino, possibilitando ao professor
o exercício de controle de sala-de-aula. A esse processo de controle
denominamos ensino crítico reflexivo.
Pode-se entender então que tornar-se crítico reflexivo significa
possibilitar o professor enxergar as ações com relação
ao contexto histórico, social e cultural em que o ensino está
inserido e também significa que os professores devem se engajar
em investigação sobre as origens e conseqüências
do ensino para visualizar os fatores que impedem mudanças e melhorias.
Barlett apud Richards & Lockhart (1994) propõe
um ciclo de atividades para o processo reflexivo, composto de mapeamento,
informação, contestação, avaliação
e ação, definindo cada etapa da seguinte maneira:
Mapeamento: nessa fase estão envolvidos a observação
e a coleta de evidências sobre o próprio ensino, que tanto
pode ser gravado por áudio ou vídeo; mas o melhor meio deve
envolver alguma forma de escrita, uma vez que, quando se escreve, começa-se
a refletir na e sobre a prática. Nesse primeiro elemento do ciclo,
a ênfase é nas observações individuais, mantendo
um diário e preza-se a descrição da rotina, ações
conscientes em sala, conversas com alunos, incidentes críticos
em sala; eventos fora de sala que influenciam o ensino. Em seqüência
deve-se focalizar um problema específico que pode ser melhorado
e identificar um aspecto do tópico. O propósito dessa fase
é elevar a consciência do professor sobre o ensino através
da escrita.
Informação: após haver mapeado idéias e imagens
sobre o ensino e conteúdo, deve-se exaurir as possibilidades e
oportunidades para refletir. Rever as gravações, adicionar
e buscar significados, podendo ocorrer depois de seqüência
de aulas ou depois de cada aula. Além disso, pode ser realizado
apenas pelo professor ou envolver discussão com outros. Essa fase
no ensino reflexivo começa pela busca por princípios que
permeiam o ensino, busca por razões que são a base da nossa
teoria de ensino.
Contestação: essa fase envolve contestar as próprias
idéias e as estruturas que as colocam no lugar. É alcançado
mais efetivamente quando os entendimentos e razões são divididos
com os colegas. Confrontar as idéias e talvez começar a
questionar o sistema complexo de razões para as ações
de ensino, é a fase de busca por inconsistências e contradições
no que somos e como pensamos.
Avaliação: leva à busca por diferentes formas de
ação; começa a ligar as dimensões do pensamento
de reflexão com a busca de ensino com o nosso entendimento. Por
exemplo: Quais seriam as conseqüências para o aprendizado se
eu mudasse...?
Ação: última fase do processo reflexivo, mas não
a fase final, contínua relação dialética entre
as fases precedentes e a idéia de agir com novas formas de ensino.
Rearranjar a prática de ensino depois de mapear, buscar razões,
levá-las à crítica e levantar alternativas de cursos
de ação a seguir.
A figura abaixo representa esses elementos propostos por Barlett:
MAPEAMENTO
AÇÃO
CONTESTAÇÃO
AVALIAÇÃO
7. Análise de dados
Optei por verificar e estudar sobre as evidências
de aprendizagem por alunos de 3 anos pelo fato de que a idade dos aprendizes
ser bastante precoce, a minha falta de experiência como professora
desse nível de ensino e o interesse em aprimorar minha prática
docente, ainda que tenha encontrado muitas dificuldades.
Algumas perguntas passaram a ecoar em minha mente, como O que eu faço
como professora?
Quais evidências de aprendizagem são detectadas?
O que eu entendo por aprendizagem?
Como os alunos demonstram aprendizado da língua?
O que posso fazer para implementar essa aprendizagem?
Qual o propósito das atividades que emprego?
Para verificação dessa análise, foram verificados
37 diários reflexivos da turma de Tiny Kids, coletados entre maio
e outubro deste ano. Buscou-se categorizar os conteúdos encontrados
a fim de obter mais informações sobre a prática para
que haja uma reflexão sobre ela. Foram identificados 10 conteúdos
mais recorrentes, a seguir em ordem decrescente de recorrência:
I) o uso da Língua Inglesa
II) o planejamento
III) a aprendizagem
IV) o ensino
V) o papel do professor
VI) a preparação
VII) o comportamento
VIII) a participação
IX) a tomada de decisão
X) a interação
I) Para o uso da Lïngua Inglesa, subcategorizou-se entre o uso pela
professora e principalmente, pelos alunos:
No que diz respeito ao uso pelo professor, foi definida a informação
de imposição de respeito e ordem, quando a professora utiliza
a língua alvo para demonstrar autoridade perante os alunos.
"Eu dei uma bronca pela indisciplina e falei tudo em Inglês.
A maioria ficou quieta, talvez pela entonação da minha voz
ou pela expressão facial." (diário 25)
Além disso, nota-se a percepção da compreensão
pelos alunos, quando a professora reflete sobre o uso da língua
em sala.
"Notei que quando eu falo em Inglês, eles entendem, mesmo sem
saber o que eu falei. Eles absorvem pelo contexto, completamente diferente
dos maiores e dos adultos para quem ensino, que querem saber o significado
de cada palavra e o porquê do uso desta em detrimento de outra."
(diário 29)
Com relação ao uso de Língua Inglesa pelos alunos,
foram detectadas informações adversas, como a comparação
com a língua materna, que é quando os alunos ainda demonstram
necessidade de confirmação do equivalente em Português
ou não demonstram compreensão.
"Dois aluninhos chegaram a se zangar comigo dizendo que 'fish' era
peixe; expliquei que em Inglês se dizia fish, mas não sei
se eles entenderam." (diário 12)
"Às vezes me pergunto se a minha função ali
realmente faz sentido.. eles mal estão aprendendo a falar a LM
e eu falando algo que para eles está errado...algo que eles acabaram
de aprender na LM" (diário 19)
Outra informação obtida foi a de reconhecimento de vocabulário,
ou seja, quando os alunos identificam determinada figura e logo associam
com o equivalente em Inglês:
"Quando coloquei o CD-Rom e apareceu um animal, aluna L falou espontaneamente:
'Hello, ursinho!', seguida de uns dois coleguinhas." (diário
3)
"Enquanto eu mostrava umas figuras, a aluna L notou um pequeno cachorro
e se dirigiu à turma: 'olha o dog, gente!'
Eu confirmei e perguntei a cor do cachorro em Inglês e ela ficou
indecisa: 'color?'
Continuei em Inglês- Yes, color: blue, white//
Aluna L: Ah, é yellow!" (diário 28)
Pode-se dizer que a repetição é outra informação
obtida através do uso da língia alvo:
"Em uma atividade de colorir, o aluno B me pede ajuda... Eu perguntei:
- To help you?
O aluno J acha graça e repete: - To help you?- risos " (diário
29)
II) Passando para o item planejamento, notou-se várias
informações relevantes para esse conteúdo, entre
as quais:
? seleção de atividades que tenham curta duração:
uma vez que o período de atenção dos alunos é
curto, notou-se que as atividades também deveriam ser curtas para
que eles não se cansassem com muita facilidade e mantivessem o
interesse nas tarefas.
"Hoje passei um vídeo sobre família
para as crianças, mas não consegui passar os 20 minutos.
As crianças não estavam mais prestando atenção
e eles começaram a correr." (diário 2)
? falta de planejamento: quando a professora passa a repensar
sobre alguns aspectos que até então passavam despercebidos
sobre a sua prática:
"Estava pensando na conversa que tive com a orientadora quando ela
me perguntou se eu fazia plano de aula e só então percebi
que a única turma que eu não planejo aula é essa
e vi que não estava levando o ensino para esse grupo tão
a sério. Lembrei-me também que na reunião de professores,
a coordenadora nos deu um modelo de plano de aula para preenchermos, mas
não entregou suficiente para a turma de Tiny para nenhuma professora,
que segundo ela, não era necessário. Por que temos essa
idéia de que essa não é uma turma como as outras?"
(diário 14)
? definição dos interesses dos alunos: muitas
vezes, torna-se difícil selecionar atividades que sejam interessantes
aos alunos e quando se descobre uma outra afinidade, busca-se explorá-la.
"Li uma estória e foi só nesse momento que consegui
chamar a atenção deles; eles me fizeram um monte de perguntas
e eu só respondi em LI para fazê-los se acostumarem."
(diário 11)
? falta de organização quanto ao espaço
físico
"Eles não prestaram atenção
quando eu estava mostrando umas figuras, Começaram a querer correr.
A professora A comentou que de manhã têm poucas turmas e
por isso, a escola se torna grande para eles. Eles acabam não tendo
um lugar fixo. Realmente, se tivéssemos uma salinha só para
eles, eu não teria tanto trabalho em conter a indisciplina ou levá-los
de uma sala a outra." (diário 12)
? reação dos alunos às atividades
propostas: esse item está relacionado à escolha de atividades
e ocorre de, muitas vezes, os alunos não reagirem conforme às
expectativas; sejam elas superiores ou inferiores.
"A coordenadora me pediu que ensinasse uma musiquinha
nova, mas ninguém gostou ou cantou" (diário 17)
III) No conteúdo de aprendizagem, foram encontradas
várias informações principais, como:
? uso de comandos, em que os alunos já demonstram ter assimilado
várias frases ditas em sala e sua adequação com o
uso:
"A
aluna L parece já ter assimilado os principais comandos: ela se
dirige aos coleguinhas: sit down, pay attention, be quiet..." (diário
4)
? a demonstração
de assimilação de vocabulário: em que os alunos reconhecem
palavras ou expressões espontaneamente:
"A
mãe da aluna L veio falar comigo que a filha fica cantando em casa
em Inglês e que dias atrás, viu a filha brincar com a boneca
dela e dizer: 'sit down' (diário 20)
"A
mãe do J veio conversar comigo na exposição dos trabalhinhos.
Depois de ter escrito no mês anterior que o filho não aprendia
nada, ela me disse que percebeu que quando ela pergunta muito, ele não
diz nada, principalmemte na frente dos amigos, mas às vezes, ele
mesmo vai falar como se diz determinado objeto em Inglês, conta..."
(diário 20)
? a desassociação
da aprendizagem com disciplina: quando os alunos estão agitados,
geralmente se acredita que eles não estão ouvindo o que
está sendo feito, o que é uma concepção errônea.
"Mostrei
um brinquedo no computador e disse: it's green!' e eles nem pareceram
dar importância. Quando repetimos e o brinquedo apareceu novamente,
eles falaram com convicção: 'it's green'. O engraçado
é que ele nem parecem prestar atenção no que eu estou
falando, parecem dispersos." (diário 25)
? a repetição
do conteúdo: alguns alunos tendem a reproduzir o que é dito
pela professora em sala, o que é mais comum nessa categoria de
aprendizagem.
"Eles
repetiam o que os animais do CD diziam e batiam palmas quando alguma música
era apresentada."(diário 3)
? a superação
das expectativas: ao mesmo tempo em que às vezes ocorre o sentimento
de frustração com relação à aprendizagem
dos alunos, às vezes eles nos surpreendem ao demonstrar o quanto
já aprenderam.
"A aluna LT, L e R assimilaram o joguinho super rápido. Ainda
que eu tenha explicado tudo em Inglês. Fiquei muito surpresa, porque
imaginei que tivesse que repetir várias vezes, falar em Português."
(diário 5)
"Levei
um brinquedo em que as crianças tinham que montar uma pilhinha
de blocos de acordo com o número; achei que fosse difícil,
mas tentei. Ele se mostraram muito felizes e torciam para serem chamados
nos números mais altos." (diário 10)
? concepção errônea de aprendizagem pelos pais: os
pais, muitas vezes, acabam cobrando e esperando muito dos filhos, espera-se
que aos três anos, as crianças estejam fluentes no idioma,
o que de fato não ocorre.
"Os
pais parecem não se dar conta de que a aprendizagem ocorre naturalmente,
sem cobranças ou respostas instantâneas e é difícil
fazer os pais compreenderem tal fato."(diário 19)
Com relação
às expectativas, elas dizem respeito às da professora, quando
há um desabafo, narrando os episódios ocorridos, que geralmente
diferiam do esperado.
Notou-se que nesse conteúdo, a escolha de atividades que estejam
de acordo com a faixa etária e os interesses é fundamental,
pois quando não são condizentes, implicam na não-realização
dos objetivos.
"Hoje
levei um trabalhinho em que os alunos deveriam colorir o papai e a mamãe,
continuando o trabalho com o tema da família, mas só a aluna
J conseguiu fazer; os demais me devolveram em branco ou amassados."
(diário 5)
"Hoje
eu pensei que a aula fosse ser um 'sucesso', mas tanto a outra professora
que me observa quanto eu ficamos decepcionadas com o meu grupo. Como a
temática do bimestre é Animais, levei uma série de
miniaturas em uma sacola para mostrar aos alunos. A professora tinha feito
o mesmo com outra turma dela e foi muito bom, segundo ela. Pedi que os
alunos se sentassem e comecei a mostrar bichinho por bichinho e dizendo
o nome em Inglês. Eles ficaram tão eufóricos, tão
eufóricos que queriam avançar na minha sacola. Consegui
contê-los por um tempo e fui passando de mão em mão
e perguntando 'what's this', 'what color is it?' e eles respondiam, só
que em Português. Digo, alguns deles, porque a maioria queria apenas
brincar com os bichinhos. Começaram a querer brigar entre si porque
queriam ver as miniaturas da sacola primeiro." (diário 15)
IV) Consoante
ao ensino, pode-se dizer que seriam as atitudes da professora com relação
à sua prática e como a professora concebe o ensino. Dentro
dessa categoria, encontrou-se cinco informações distintas:
? o ensino não se dá apenas no aspecto formal: isso significa
que ele é espontâneo, que nem sempre o que aprende facilmente
é aquilo que se ensina formalmente:
"Quando
quero que eles fiquem quietos, costumo contar até 3 em Inglês.
Agora eles mesmo já contam comigo e depois obedecem. O mais interessante
é que os números ainda não foram 'apresentados' à
turma." (diário 4)
? atenção
dos alunos através da seleção das atividades: os
alunos se mostram mais concentrados e prestativos quando a atividade proposta
lhes interessa; por isso, a escolha do que vai ser trabalhado deve ser
criteriosa.
"Li
uma estória e foi só nesse momento que consegui chamar a
atenção deles." (diário 5)
? tentativa
de variar as técnicas de ensino: a partir de leituras e pesquisas
realizadas, tentou-se adaptar e por em prática algumas técnicas
de ensino, bem como atividades:
"Contei
uma estória e tentei fazer uma dinâmica que eu li num dos
livros que eu comprei sobre ensino para crianças; eu tentei seguir
o que eles propõem e aparentemente deu certo. Os alunos gostaram
da atividade, mesmo que eu tenha falado a maior parte do tempo em Inglês."
(diário 8)
? ansiedade
da professora e dos alunos: o fator emocional é muito importante
no ensino-aprendizagem e muitas vezes, ignorado, o que impede de refletir
sobre vários aspectos da prática.
"Hoje
eu comecei a reparar como as professoras da Educação Infantil
age com os alunos e percebi que eles estão sempre falando baixo,
calma... e as crianças também. Parecia que eu estava visualizando
o que os livros que eu venho lendo dizem. Talvez eu esteja indo para as
aulas ansiosa demais e torna-se visível aos alunos; eles ficam
agitados também e mais difícil de controlar. Torna-se um
círculo vicioso: eu entro ansiosa, os alunos ficam mais agitados
do que realmente são, eu fico impaciente e assim, a aula não
progride." (aula 16)
V) O papel
do professor é uma categoria que está presente em vários
diários, mas que apresenta sempre a mesma informação;
ou seja, denota insatisfação com algumas funções
designadas ao professor da Educação Infantil. Constata-se
que a professora se mostra frustrada em trabalhar com essa turma, talvez
pela inexperiência, talvez pela não-identificação
com a tarefa de ensinar para essa faixa etária.
"O
que dificulta bastante o meu trabalho é que quando um quer beber
água ou ir ao banheiro, todos querem ir também. Além
disso, eu tenho que acabar levando-os ao banheiro quando vamos ao computador
porque ali é de adulto e não do tamanho deles. Esse é
um aspecto que eu jamais imaginei ter que fazer em sala; eu não
achei que tivesse que realizar tal função." (diário
1)
VI) Verifica-se
também que a preparação é um item a ser categorizado
nos diários de aula, o que pode ser entendido como a formação
do professor que atua na área de Ensino de Língua Inglesa
para crianças. Entre as informações colhidas, pode-se
assinalar as seguintes:
? o despreparo
durante a faculdade: discute-se nesse item que o profissional que leciona
Inglês para a Educação Infantil não tem formação
para atuar nessa área; e aquele preparado para atuar nesse setor
da Educação não tem formação para lecionar
Inglês. Portanto, se não há profissional habilitado
academicamente para atuar no ensino de Inglês para crianças,
o que ocorre é uma 'adaptação' do profissional contratado.
"O que
eu fico pensando é que eu entrei tão repentinamente na escola,
no lugar de uma professora que estava se mudando, que talvez eu não
tenha me preparado nem psicologicamente para lecionar para essa turma;
quer dizer, eu nem pensei que ensinar para a Educação Infantil
envolvesse aspectos que eu nunca havia me defrontado em academias de línguas
ou até mesmos nos estágios que realizei. Aliás, que
tipo de profissional deve atuar nessa área, se as professoras da
pré-escola não têm formação em língua
estrangeira?" (diário 13)
? a organização
prévia espacial: percebeu-se que se o local estiver devidamente
preparado para 'acolher' os alunos, eles acabam mais disciplinados em
sala.
"Comecei
a deixar a sala do computador toda organizada antes de eu começar
a aula; com o CD já dentro do computador, os banquinhos posicionados
em semi-círculo... Parece que deu resultado; eles estavam mais
comportadinhos e eu nem perdi muito tempo para organizá-los. (diário
25)
VII) No
que tange ao comportamento, pode-se dizer que ele pode apontar o período
de concentração do grupo ou o interesse pelas atividades
propostas.
"O
aluno B estava mais inquieto que de costume e não parava na sala,
brigava com os demais alunos... Ele não estava se concentrando
em nada..." (diário 1)
"Foi aula no computador e eles estavam muito elétricos; o
tempo todo eu tinha que explicar que eles não podiam mexer no computador
sem que eu pedisse antes." (diário 12)
VIII) A
participação em sala é uma categoria que aponta o
interesse nas atividades, assim como o comportamento
"Cantamos algumas musiquinhas e brincamos com blocos de madeira para
praticar os números; fui chamando um por vez para colocá-los
no lugar. Eles adoraram, principalmente quando eu batia palmas, dizendo
'very good'. A aluna L é muito participativa, canta entusiasticamente"(diário
8)
IX) Com
relação à tomada de decisão, ela é
válida no sentido de apontar que nem sempre o que se planeja é
realizável em determinada situação; às vezes
torna-se necessário uma mudança de planos para se adaptar
ao "clima" na sala de aula.
"Só
consegui mostrar 3 bichinhos e passei para a atividade seguinte: pintar
uns animais com giz de cera...pena que não consegui trabalhar com
os bichinhos.." (diário 15)
X) O próximo
item é o da interação professores-pais, que diz respeito
à forma como os pais vêem o ensino para essas crianças
e as suas altas expectativas. Nesse plano, os pais demonstram dificuldade
de evidenciar a aprendizagem.
"Fiquei
muito chateada porque uma das avaliações bimestrais voltou
com reclamações. Era da mãe de J que se queixava
dizendo que ela não aprendeu nada em Inglês. Que quando ela
pergunta o que a filha aprendeu, a menina não responde nada. Acho
engraçado como os pais acham que uma menina de 3 anos possa explicar
o que aprendeu."(diário 4)
8. Considerações
finais
Após
a leitura e análise dos diários coletados, pode-se afirmar
que forma detectados muitos aspectos que não estavam claramente
definidos na minha reflexão, como o uso da Língua Inglesa
pelos alunos com o intuito de impor respeito perante os colegas, o reconhecimento
de vocabulário e seleção de atividades foram alguns
fos itens que chamaram a atenção depois de analisados.
Foi apenas após a coleta de dados e a sistematização
em categorias que se notou que alguns alunos faziam uso do Inglês
para demonstrar autoridade diante dos amigos, uma imitação
da professora. Tal atitude é totalmente admissível e bastante
comum nas crianças dessa faixa etária.
Quanto ao reconhecimento de vocabulários, surpreende a quantidade
de evidências, uma vez que durante a coleta de dados, tal constatação
ainda não é realizada, o que é extremamente satisfatório.
Mesmo que, de maneira geral o diário tenha sido um grande espaço
de desabafo com relação à turma, às expectativas
da professora, à inexperiência, o resultado que foi registrado
foi extremamente positivo, já que possibilitou o conhecimento do
trabalho que estava sendo realizado com esse grupo de alunos, que se não
fosse o registro sistemático, não seria possível
obtê-lo.
Retomando o ciclo proposto por Barlett, pode-se dizer que as fases contempladas
nessa pesquisa seriam assim descritas:
Mapeamento: observação e coleta de evidências de aprendizagem
de Inglês por crianças de 3 anos através de diários
reflexivos redigidos após cada uma das 37 aulas registradas entre
maio e outubro. Nessa fase, a leitura teórica ainda estava em andamento,
sendo que poderia ter obtido maiores resultados se o registro nos diários
fosse mais sistemático.
Informação: essa fase foi realizada compartilhando idéias
com a coordenadora da escola, que observou 15 aulas dessa turma e também
com a orientadora da monografia de Especialização. À
medida em que os dados eram coletados e as leituras eram realizadas, havia
a busca por princípios que permeiam o ensino.
Contestação: essa fase corresponde ao período em
que algumas suposições são contrariadas, como a questão
da demonstração que a aprendizagem não está
intrinsicamente relacionada à disciplina da turma, que mesmo "brincando"
ou conversando com os coleguinhas, existe a aprendizagem, diferindo dos
aspectos formais utilizados em outros grupos de alunos. Além disso,
o uso de comandos em sala também passa a ser evidenciado com mais
freqüência a partir do enfoque dessa pesquisa.
Avaliação: pode-se dizer que a avaliação acontece
a partir do momento em que há a tomada de consciência dos
objetivos do ensino de Inglês nessa faixa etária (experimentação
da língua em uso em uma dosagem adequada de exposição:
pouca e freqüente e a qualidade dessa exposição também
é muito importante). Isso só passou a ficar claro após
discussão com a direção da escola e a análise
dos diários, que apresentou dados que apontaram evidências
de aprendizagem que eram questionadas anteriormente e também sugeriram
algumas mudanças para esse grupo, como o planejamento das aulas,
organização espacial da sala, observação das
professoras da Educação Infantil, entre outras.
Ação: essa última fase ainda apresenta deficiências,
uma vez que a pesquisa foi concluída em dezembro, coincidindo com
o término das aulas para esse grupo em específico. Algumas
alternativas levantadas com relação ao ensino/aprendizagem
de Língua Inglesa para crianças de 3 anos foram:
- preparo prévio para assumir turmas nessa faixa de ensino e/ou
estudos sobre desenvolvimento infantil,
- reconhecimento das turmas Inglês na Educação Infantil
que merecem atenção e planejamento tanto quanto as turmas
regulares do instituto de línguas, uma vez que nem mesmo a coordenação
inclui as turmas de Tiny Kids para distribuição dos quadros
de planejamentos mensais.
- seleção mais criteriosa da atividades de ensino para esse
grupo,
- reduzir a ansiedade da professora-pesquisadora para lecionar para esse
grupo em específico, uma vez que esse sentimento contagia os alunos
também de forma negativa.
Esse estudo foi extremamente válido no sentido de enfatizar a formação
contínua do professor, principalmente por se tratar de um estudo
reflexivo, que proporcionou a exploração das informações
obtidas através dos diários. Com essa pesquisa, muitas questões
recorrentes foram apontadas, como o uso da Língua Inglesa pela
professora e pelos alunos, o planejamento, a interação professor-aluno,
interação professor-pais, a tomada de decisão, a
aprendizagem, entre outros.
Ainda que o Ensino de Língua Inglesa para crianças seja
uma ramificação recente no Ensino de Línguas, trata-se
de uma área muito interessante e importante a ser investigado e
que merece destaque por parte dos pesquisadores para que o ensino deixe
de ser intuitivo e passe a ser encarado seriamente. A partir dessa pesquisa,
pode-se pensar em um plano de ação em que o professor estaria
articulando as experiências com as informações obtidas
e acarretando uma melhoria no campo profissional e pessoal da educadora.
Referências
Bibliográficas
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dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
2000.
LIBERALLI, Fernanda C. O diário com ferramenta para reflexão
crítica. Tese de Doutorado. São Paulo, PUC< 1999.
ORTENZI, Denise I.B.G A prática da reflexão num curso de
formação de professores de Língua Estrangeira. Campinas:
Unicamp, 1997.
PHILLIPSON, Robert.Linguistic Imperialism. Oxford Applied Linguistics.
Hong Kong: Oxford, 1992.
RICHARDS, J. & NUNAN, David. Second Language Teacher Education. Cambridge
Language Teaching Library. Cambridge, 1990.
RICHARDS, J & LOCKHART, C. Reflective Teaching in Second Language
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UNDERHILL, A. Awareness: the instrument and the aim of Experimental research.
In J. Edge & Richards. Teachers Develop Teachers Research. Oxford:
Heinemann, 1993. |
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