Carla Andréa Brande - UFSCar/ Pref. Municipal
de Rio Claro - candbrande@ig.com.br
Introdução
A formação de professores é um tema que tem gerado
muita discussão e pesquisas, atualmente. Todos parecem concordar
que a formação docente é condição fundamental
para um ensino de qualidade nas escolas.
Ao se discutir essa questão, inevitavelmente, volta-se o olhar
para o papel que a formação inicial assume neste contexto.
Tida como condição necessária, mas não suficiente,
para conseguir melhores professores, a formação inicial
é capaz de proporcionar um bom suporte, preparando-os para atuar
na profissão.
IMBERNÓN (2000) acredita que a formação inicial deve
fornecer as bases para construir um conhecimento pedagógico especializado
(conhecimento prático, ligado à ação), além
de dotar o futuro professor “de uma bagagem sólida, nos âmbitos
científico, cultural, contextual, psicopedagógico e pessoal;
deve capacitá-lo a assumir a tarefa educativa em toda a sua complexidade
(...)” (p. 60).
Entretanto, MIZUKAMI et al. (2002), apresentando textos que tratam de
políticas públicas educacionais na América Latina,
mostram que a formação inicial vem sendo cada vez mais desqualificada
e substituída pela formação continuada.
A proposta mais comum para a formação de professores tem
sido a realização de cursos de capacitação,
treinamentos ou reciclagem, objetivando infundir nestes profissionais
os conhecimentos necessários para a modificação de
suas práticas pedagógicas. Este modelo de formação
docente considera fundamental o acúmulo de conhecimentos considerados
teóricos para sua posterior aplicação na atividade
prática (SCHÖN, apud MIZUKAMI et al., 2002). Essa concepção,
chamada de racionalidade técnica, considera que são os professores
que detêm o saber escolar, o qual deve ser transmitido aos alunos.
O professor é visto como um técnico especialista, cuja estratégia
de ensino é a aplicação rigorosa de regras derivadas
do conhecimento científico (MIZUKAMI et al., 2002).
Nos últimos tempos, uma nova concepção vem se desenvolvendo,
entendendo a formação como um continuum, pela qual o professor
vai construindo seu conhecimento profissional processualmente, por meio
da atividade reflexiva. Essa idéia de formação docente
como um processo que ocorre ao longo da vida encontra suporte no modelo
da racionalidade prática (ibid.).
Esta proposição de formação de professores
para a prática reflexiva tem sido bastante discutida, atualmente,
o que é confirmado por ANDRÉ et al. (1999) que, pela análise
de 70 trabalhos do GT Formação de Professores da Anped (Associação
Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação),
verificou que a formação continuada é concebida como
formação em serviço, enfatizando o papel do professor
como profissional e estimulando-o a desenvolver novos meios de realizar
seu trabalho pedagógico com base na reflexão sobre a própria
prática. Os textos analisados também reforçam que
a formação deve estender-se ao longo da carreira e deve
se desenvolver, preferencialmente, na instituição escolar.
A ênfase dada por todos esses autores ao papel do processo reflexivo
para a formação docente me remete a minha própria
experiência como professora das séries iniciais, enfrentando
dificuldades e desafios neste exercício de ensinar, quando procurava
refletir sobre minha prática, buscando melhorá-la.
Tendo trabalhado ao longo de cinco anos, como professora de 2ª série
do Ensino Fundamental, deparei-me com o desafio de continuar o processo
de alfabetização, iniciado pelas crianças no ano
anterior.
Em meu trabalho docente procurei colocar em prática conhecimentos
sobre a produção e o desenvolvimento de textos escritos
infantis. Entretanto, muitas questões traziam reflexões
e incertezas sobre o processo evolutivo da produção destes
textos. Isto motivou-me a elaborar um projeto de pesquisa para o Mestrado
em Educação que privilegiou a perspectiva textual, mediatizada
por práticas pedagógicas, buscando compreender como ocorre
a evolução da produção de textos escritos
por crianças.
Para a realização desta pesquisa optei por seguir a perspectiva
da etnografia colaborativa, entendida como “a partilha de um compromisso
com a meta de negociar a autoria do currículo, possibilitando o
estudo desse processo” (GITLIN, 1988, p. 33).
Embora algumas estratégias de coleta de dados sejam similares àquelas
usadas pelos etnógrafos, os propósitos são diferentes.
A pesquisadora observa, participa, entrevista os alunos sobre aspectos
da aula, com o objetivo de nortear suas decisões sobre o processo
ensino-aprendizagem. Isto se dá por meio de constantes diálogos
entre os membros do grupo de pesquisa. Nestas ocasiões, algumas
situações de sala-de-aula são discutidas. Dessa forma,
ao mesmo tempo em que se constrói um currículo, cria-se
a oportunidade de estudar tal processo, visto que os dois são interdependentes.
É o diálogo com o “objeto de conhecimento”,
buscando o entendimento mútuo, que proporcionará o entendimento
daquilo que a pesquisadora procura conhecer. Entretanto, este diálogo
não ocorrerá se o papel da pesquisadora for entendido como
o daquele que deve compreender o objeto ou sujeito em estudo e se o papel
do objeto de estudo for o de se sujeitar a ser entendido pela pesquisadora.
O que se propõe é um diálogo que considere e critique
a visão de realidade tanto do sujeito quanto da pesquisadora, levando
à mudança e à consciência desta realidade (GITLIN,
1988).
Também CLARK et al. (apud MIZUKAMI et al., 2002) discutem o conceito
de colaboração, entendendo-o como diálogo, de forma
que professoras e pesquisadoras estabeleçam conversas e trocas
sobre o desenvolvimento profissional. Os autores localizam a pesquisa
colaborativa dentro da tradição da pesquisa-ação,
cuja abordagem não apenas gera nova teoria e conhecimento, como
também busca contemplar problemas do dia-a-dia da prática
escolar.
Embora o conceito de colaboração e de pesquisa colaborativa
varie em diferentes autores, uma característica é comum
a todos: a potencialidade para melhorar o desenvolvimento profissional
por meio de oportunidades para a reflexão sobre a prática,
críticas partilhadas e mudanças apoiadas (CLARK et al.,
apud MIZUKAMI et al., 2002).
Colaborar significa trabalhar junto, possibilitando a ajuda mútua.
A professora deve estar empenhada em refletir sobre sua prática
de forma consciente e deliberada, o que contribuirá para uma mudança
nas ações pedagógicas. Por seu lado, a pesquisadora
deve estar consciente de que a pesquisa revela apenas uma parcela de todo
o processo ensino-aprendizagem, tornando-se necessário compreender
os contextos sociais e ideológicos, nos quais a dinâmica
da sala de aula está inserida (GUIMARÃES DE MATTOS, 1995).
Dentro dessa visão, a pesquisadora deixa de ser uma observadora
passiva que procura entender o outro. Da mesma forma, o papel da professora
não é o de ser entendido pela pesquisadora. Assim, pode-se
dizer que a pesquisa colaborativa redimensiona os papéis de pesquisadora
– professora, pois, como nos diz MAGALHÃES (1994), “ambas
são vistas como co-participantes ativas e sujeitos no ato de construção
e transformação do conhecimento” (p. 72).
O objetivo da etnografia colaborativa é permitir às participantes
a negociação de seus conceitos e entendimentos sobre o tema
em estudo na construção do conhecimento, possibilitando
a reflexão durante e sobre suas ações diárias.
(ibid).
A colaboração representa um salto qualitativo na busca do
entendimento do significado da ação da outra. Pressupõe
uma negociação contínua e difícil dos diferentes
pontos de vista entre as participantes, buscando melhorar a educação
nas escolas.
O processo colaborativo de pesquisa caracteriza-se pela parceria, cujo
objetivo é a reflexão sistemática e deliberada sobre
os pontos que professora e pesquisadora entendem representar as dificuldades
do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula, buscando possíveis
formas de superação dessas dificuldades.
A pesquisa colaborativa contribui na elaboração mútua
dos objetivos, interpretações e relatórios, baseada
nas diferentes perspectivas da professora e pesquisadora. A relação
entre ambas torna-se, portanto, multifacetada (pois cada parceira contribui
com um conhecimento particular) e não hierárquica.
Entretanto, em vários momentos, a relação torna-se
tensa e a definição dos papéis (pesquisadora e professora)
fica acentuada, em virtude da suposição de que os representantes
da universidade têm o papel de vigiar e dirigir o trabalho docente.
A pesquisa colaborativa segue o princípio da ajuda e construção
mútua do trabalho docente, o que não impede que tensões
desse tipo ocorram durante o processo.
Essas dificuldades e tensões que ocorrem durante o processo de
colaboração foram estudadas por KNOWLES e COLE (1995), que
as caracterizaram como “incidentes críticos”. Os autores
entenderam que os incidentes críticos são pontos significantes
do dia-a-dia – confusões, contradições, complexidades
– que provocam profunda mudança e influência na prática
profissional.
A superação dessa relação tensa, desencadeada
pelos “incidentes críticos”, proporciona a ruptura
do distanciamento entre pesquisadora e professora, levando ao início
da colaboração ou ao melhor desenvolvimento deste processo.
No início do processo de colaboração, as parceiras
da pesquisa não têm a dimensão do conhecimento que
a outra possui, o que acaba por produzir certa insegurança entre
o par. Essa insegurança é desfeita quando cada parceira
do processo tem a garantia de possuir um saber que a outra não
domina (REYES et al., 2001).
Assim, pode-se dizer que:
“para que a colaboração se efetive, é necessário
que os parceiros respeitem os saberes um do outro e discutam em profundidade
as teorias em que se apóiam para interpretar os fenômenos
ocorridos em sala de aula. Dessa forma, há a reelaboração
dos saberes em jogo, propiciando a formação profissional
de ambos” (REYES et al., 2001, p. 6).
MIZUKAMI et al. (2002) apresentam uma ferramenta de aprendizagem e de
desenvolvimento profissional da docência que possibilita o trabalho
colaborativo. As experiências de ensino e aprendizagem, entendidas
como situações nas quais as professoras, reunidas com seus
pares, partilham experiências, visões, interpretações,
conhecimentos, analisam problemas e propõem soluções.
De acordo com as autoras, por meio destas experiências de ensino
e aprendizagem, as professoras podem explorar diferentes conhecimentos:
o conhecimento pedagógico geral, o qual envolve conhecimentos sobre
ensino, aprendizagem e estudantes, além de manejo de classe e conhecimentos
sobre como os alunos aprendem e a forma como tal aprendizagem pode ser
desenvolvida pelo ensino; o conhecimento específico da área,
que inclui o domínio dos conceitos básicos de uma área
de conhecimento; o conhecimento sobre fins e metas da educação,
referindo-se às concepções básicas da professora
a respeito dos propósitos de ensinar uma matéria específica
e do que é importante ensinar para os alunos; conhecimento curricular
e conhecimento sobre os alunos, os quais envolvem o conhecimento das compreensões
dos estudantes, além de pré-concepções e concepções
alternativas sobre tópicos específicos da matéria;
e o conhecimento pedagógico do conteúdo, cujo núcleo
é o conhecimento de processos de transposição dos
saberes escolares em saberes ensinados e aprendidos (ibid.).
Após pesquisa que realizaram, as autoras concluíram que
as experiências de ensino e aprendizagem se revelaram estratégias
importantes para o desenvolvimento profissional da docência, oferecendo
às professoras situações concretas nas quais seus
diferentes tipos de conhecimentos foram acionados e relacionados.
Considerando as idéias de formação como um continuum
e o trabalho colaborativo como possibilitador do desenvolvimento profissional,
a escola como local de trabalho assume importância considerável
para a efetivação desse processo. Dessa forma, essa pesquisa
entende que a formação da professora que está em
serviço é feita na escola, de maneira a possibilitar-lhe
uma reflexão constante sobre sua atuação e os problemas
enfrentados em sua atividade prática, concordando com KRAMER (2001),
quando diz que:
“O caminho para a formação dos professores alfabetizadores,
já em serviço, não é o da implementação
de pacotes pedagógicos pré-elaborados por órgãos
centrais, nem a proposição de um novo método redentor
de alfabetização. Uma via possível seria a promoção
na escola da reflexão sistemática dos professores sobre
a sua prática a partir da qual conteúdos e atitudes referentes
ao processo de construção da alfabetização
seriam trabalhados” (p. 70).
Como pode-se observar, essa vertente da formação de professoras
como um processo de desenvolvimento ao longo da vida profissional pressupõe
a reflexão como o elemento capaz de propiciar os novos sentidos
e significados para a prática pedagógica.
O conceito de reflexão tem sido bastante difundido por vários
autores (SCHÖN, 1995, PÉREZ GOMEZ, 1995, ZEICHNER, 1993, IMBÉRNON,
2000) que discutem o tema. Segundo PÉREZ GOMEZ (1995), “a
reflexão implica a imersão consciente do homem no mundo
de sua experiência, um mundo carregado de conotações,
valores, intercâmbios simbólicos, correspondências
afetivas, interesses sociais e cenários políticos”
(p. 103). SCHÖN (1995), em particular, inclui no conceito de reflexão
três outros: o conhecimento-na-ação, a reflexão-na-ação
e a reflexão-sobre-a-ação e sobre a reflexão-na-ação.
O conhecimento-na-ação caracteriza-se pelo conhecimento
técnico ou de solução de problemas que orienta a
atividade humana e manifesta-se no saber fazer. A reflexão-na-ação
refere-se ao processo de diálogo com a situação problemática,
levando a uma intervenção concreta. Esse conhecimento sofre
influência das pressões espaciais, temporais, psicológicas
e sociais do ambiente em que ocorre. Assim, a professora que se encontra
envolvida na situação problemática, pretendendo modificá-la,
é afetivamente sensível aos obstáculos e resistências
a sua intervenção. A reflexão-sobre-a-ação
e sobre a reflexão-na-ação é a reflexão
crítica que o indivíduo realiza posteriormente sobre as
características e processos de sua ação. Dessa forma,
a reflexão sobre a ação é o elemento essencial
do processo de aprendizagem permanente da professora (PÉREZ GOMÉZ,
1995).
A aplicação do conceito de reflexão às situações
de ensino originou o termo prático reflexivo. Segundo ZEICHNER
(1993), a professora que realiza uma prática de ensino reflexivo
volta sua atenção tanto para dentro desta, como para fora,
para as condições nas quais se situa. Outra característica
da prática reflexiva é sua tendência democrática
e emancipatória, pois, comprometida com a reflexão enquanto
prática social (e não como uma atividade privada) contribui
para que as professoras apóiem e sustentem o crescimento umas das
outras, visando à mudança institucional e social.
Considerando essas referências teóricas sobre a formação
docente, aceito a pesquisa colaborativa como meio de obtenção
de dados para o estudo proposto e como forma de intervenção
nos processos de ensino e aprendizagem, de forma que os conhecimentos
em jogo sejam construídos e reconstruídos colaborativamente
entre as participantes – professora e pesquisadora.
A coleta e a análise dos dados
Esta pesquisa realizou-se em uma classe de 2ª série do Ensino
Fundamental em uma escola da periferia de São Carlos, estado de
São Paulo, durante o ano letivo de 2001. Como observadora-participante,
atuei em parceria com a professora em atividades diárias de sala
de aula, além de estar presente nas reuniões de Horário
de Trabalho Pedagógico Coletivo – HTPC – e em reuniões
de pais. Foram 212 horas de observação – participação,
realizadas duas vezes por semana, distribuídas em 47 dias letivos.
A escolha desta classe para a realização da pesquisa foi
propiciada pelo fato de ser este o primeiro ano que a professora trabalhava
com uma 2ª série. Esta estava sentindo-se insegura e incerta
sobre como dar continuidade ao trabalho de alfabetização
daqueles alunos e comentou este fato com algumas professoras da Universidade.
Meu projeto de trabalho com produção de texto encaixava-se
nas necessidades apresentadas pela professora, além do fato de
esta já ter experiência e conhecimento teórico sobre
pesquisa colaborativa. Essas variáveis indicavam que a realização
da pesquisa nesta classe seria bastante viável, já que possibilitava
o desdobramento de duas questões: a professora poderia contribuir
para minha formação como pesquisadora, por meio da reflexão
e discussão a partir de seus conhecimentos sobre pesquisa colaborativa
e eu propiciaria subsídios para repensar o ensino da língua
escrita, especialmente nas questões voltadas à produção
de texto. Dessa forma, pudemos estabelecer um contato e a solicitação
para a realização da pesquisa foi aceita, o que deu início
ao trabalho de colaboração entre mim e a professora da sala.
Na ocasião da coleta de dados, a referida professora possuía
Licenciatura em Pedagogia e o título de Mestre em Educação.
Sua dissertação de Mestrado teve como tema central uma proposta
de formação continuada de professores na perspectiva da
colaboração e parceria entre uma pesquisadora e uma professora
alfabetizadora. Além disso, durante o ano de 2001, era aluna de
doutorado do Programa de Pós – Graduação em
Educação, na UFSCar.
Apresentei à professora a proposta de trabalhar
com produção de textos, procurando desenvolver nos alunos
maiores habilidades e competências ao escreverem suas histórias.
Tentando ser coerente com as propostas de formação de professores,
que buscam tornar a professora reflexiva sobre sua prática, escolhi
trabalhar com a etnografia colaborativa. Foi do trabalho que a própria
professora realizou quando era pesquisadora – colaboradora (VIEIRA,
1996) em uma sala de alfabetização que extraí os
princípios para o desenvolvimento de nossa colaboração:
“humildade, estabelecimento de confiança, disponibilidade
para aprender, disponibilidade para dividir espaço e compartilhar
papéis, observação da prática para ampliação
dos conhecimentos teóricos, observação de questões
teóricas para o desenvolvimento da prática, conquista da
autonomia” (ibid., p. 102).
Dessa forma, iniciei o trabalho de coleta de dados com a observação
sistemática da classe, procurando conhecer os alunos e o trabalho
já realizado pela professora. Estas observações eram
registradas em diário de campo, durante a própria aula,
ou, quando isso não era possível, devido à realização
de atividades com os alunos, as registrava no período imediatamente
posterior à aula. No início da observação,
procurei interferir o menos possível no trabalho da professora,
temendo reforçar a idéia comum nas escolas de que o papel
da pesquisadora é o de vigiar e dirigir o trabalho docente. Sentava
no fundo da sala, observava e fazia anotações sobre o andamento
da aula. Pouco a pouco, fui me oferecendo para auxiliar a professora na
realização das atividades e, logo após, comecei a
participar das reuniões de Horário de Trabalho Pedagógico
Coletivo - HTPC, onde foi possível efetivar o trabalho de colaboração
voltado para a produção de textos.
Durante essas reuniões, líamos e conversávamos sobre
os textos que os alunos produziam, discutíamos sobre o encaminhamento
das aulas e analisávamos práticas de intervenção
pedagógica que objetivaram a aquisição de maior competência
na escrita de textos, pelos alunos da classe estudada. Na reunião
que realizamos em nove de maio de 2001, perguntei à professora
como poderíamos começar o trabalho de intervenção
pedagógica junto aos textos dos alunos, auxiliando-os a construírem
maiores habilidades na escrita destes. Ela disse-me que gostaria de saber
o que fazer com os textos que as crianças produziam, até
que ponto as crianças de 2ª série deveriam chegar.
A partir desta questão, apontei os vários elementos que
deveriam ser explorados neste trabalho de intervenção: pontuação,
paragrafação, ortografia. Já tendo notado que os
alunos apresentavam dificuldades em pontuar adequadamente os textos, especialmente
quanto ao uso do travessão nos diálogos, sugeri a realização
de uma atividade de gravação de uma entrevista, onde um
aluno assumiria o papel de entrevistador e outro, de um personagem famoso
a ser entrevistado e sua transcrição escrita, explorando
os elementos de pontuação. A professora concordou com a
sugestão e pediu-me para conduzir a atividade planejada.
Também estudamos textos que sugeri e que subsidiaram o trabalho
pedagógico voltado para a produção de textos, indicando
categorias de análise dos textos produzidos pelos alunos. Em vários
encontros, lemos os textos escritos pelas crianças, verificando
as dificuldades apresentadas pelos alunos e as evoluções
já ocorridas, de maneira a nortear o trabalho de intervenção
pedagógica a ser seguido. Em reunião realizada em vinte
e nove de maio de 2001, propus outra estratégia de trabalho com
os textos: reunir os alunos em grupos de cinco alunos por vez, para que
realizassem a reescrita de seus textos, sob a orientação
da professora ou da pesquisadora. A professora pediu-me para trabalhar
com as crianças essa reescrita, para que ela pudesse “aprender”.
Ao longo do ano letivo, eu e a professora pensamos e elaboramos inúmeras
atividades que buscavam auxiliar esses alunos a construir novas hipóteses
sobre a escrita.
O estabelecimento e o desenvolvimento da colaboração
entre professora e pesquisadora
Em minhas primeiras “visitas” à classe, procurei interferir
o menos possível no trabalho da professora, sentando-me no fundo
da sala e observando o andamento das atividades, a fim de conhecer os
alunos e o trabalho realizado por ela.
Pouco a pouco, fui me oferecendo para auxiliar a professora na realização
das atividades, mas nunca tomando minhas próprias decisões
e, sim, seguindo suas orientações. Entendia que nosso relacionamento
ainda era muito frágil e que a proposição de minha
parte para a mudança de algumas atividades didáticas representaria
o fortalecimento da idéia de que o papel da pesquisadora é
o de vigiar e dirigir o trabalho docente.
De sua parte, a professora também vivia um momento de tensão;
sentia-se pressionada com minha entrada em sua sala de aula:
Foi uma entrada brusca na minha rotina de trabalho. Senti meus movimentos
na sala de aula se limitarem. Cheguei a pensar que uma pesquisa colaborativa
poderia ser comparada a uma situação doméstica: uma
empregada que mora na casa em que trabalha; certamente ajuda a colocar
a casa em ordem, mas nos tira a liberdade. Desejava meus momentos de individualidade
com os alunos (Professora-colaboradora).
Essa tensão causada pela minha presença na sala atingiu
seu pico máximo no dia em que todas as atividades planejadas pela
professora já tinham sido trabalhadas antes do recreio dos alunos
e nada mais estava programado para o restante do período. A professora
relatou que se estivesse sozinha teria pensado em alguma atividade para
desenvolver com as crianças, mas minha presença a inibia.
Esta situação perturbadora para a professora se desenrolou
satisfatoriamente quando, na classe, surgiu a questão de qual aluno
se encontrava no meio da lista de nomes, para que começassem a
escolha de livros de leitura, que levariam no fim de semana, por este
aluno. As crianças levaram algum tempo resolvendo este problema
(fazendo contas, discutindo em grupos), o que amenizou a dificuldade de
falta de atividades planejadas.
A tensão vivenciada pela professora desfez-se quando relatei a
esta que minha experiência profissional limitava-se a crianças
já alfabetizadas e que, ao pensarmos em atividades pedagógicas
voltadas para o desenvolvimento dos níveis de escrita pré-silábico
e silábico, precisaríamos dos conhecimentos que a professora
já possuía sobre esta questão.
Esta situação vivida por mim e pela professora caracterizou-se
em um incidente crítico (KNOWLES e COLE, 1995), que oportunizou
a ruptura do distanciamento entre mim – pesquisadora – e a
professora colaboradora.
A partir deste momento, nosso relacionamento se fortaleceu e passamos
a discutir juntas as atividades pedagógicas voltadas para o desenvolvimento
da produção de texto infantil, que uma ou outra sugeria.
Em um de nossos encontros para o planejamento destas atividades, ocorrido
em 9 de maio de 2001, em reunião de HTPC, a professora expôs
sua inquietação: “Até que ponto as crianças
de 2ª série devem chegar com relação à
leitura e à escrita?”. Diante desta questão, muitas
perspectivas se abriam para nós e apontei algumas como: o desenvolvimento
da pontuação dos textos, do conceito de paragrafação,
a sistematização das regras ortográficas. A professora
concordou que deveríamos orientar os processos de ensino para estas
questões.
Tendo nosso caminho traçado, passamos a planejar atividades que
buscaram atingir esses objetivos que nos propusemos. A atividade de gravação
de uma entrevista, onde um aluno assumiu o papel de entrevistador e outro
de um personagem famoso a ser entrevistado, e, posteriormente, a realização
da transcrição escrita desta, foram exemplos de atividades
que discutimos e planejamos com o objetivo de explorar os elementos de
pontuação necessários a este tipo de texto. A realização
desta atividade ficou sob minha responsabilidade, pois a professora disse
que queria aprender comigo.
Ao pedir-me que demonstrasse a ela como fazer, a professora não
estava querendo copiar ou fazer igual. SCHÖN (1995) nos alerta para
o fato de que a imitação tem sido considerada como um aspecto
negativo. Entretanto, este autor lembra o valor da imitação
reflexiva, considerando-a mais do que uma mímica mecânica,
e sim, uma forma de atividade criativa. Na imitação reflexiva,
“quando vos imito, tento construir o que entendo como essencial
nas vossas ações e testar a minha construção
ao desempenhar eu próprio a ação” (p. 90).
Ela mesma já havia passado por esta experiência quando realizou
sua pesquisa de Mestrado e a professora colaboradora com a qual trabalhava
pediu-lhe que conduzisse a atividade de produção de texto
coletivo, pois sentia necessidade de ver como fazia. Esses fatos reforçam
a idéia de que a construção contínua de saberes
não ocorre de forma isolada e sim, na parceria entre as pessoas,
onde cada um oferece o que sabe (MIZUKAMI et al., 2002).
Posteriormente, quando fomos discutir o encaminhamento da atividade, a
professora relatou que a atividade tinha sido bem sistematizada, diferente
do modo como fazia. Denominou a aula conduzida por mim como “experimentativa-demonstrativa-expositiva”.
A explicação que deu para esta denominação
foi a seguinte:
Você fez o experimento da entrevista, da situação
de entrevista, depois você fazia a demonstração de
como era e explicava porque estava fazendo. Você fez tudo organizado.
(Professora colaboradora)
A professora entendia que o jeito de conduzir sua aula era diferente:
Eu acho que eu não fico perguntando muito daquele jeito. Eu acho
que isso é legal para eles perceberem mesmo, mas eu acabei criando
um jeito deles (...). (Professora-colaboradora)
Entretanto, no final do ano letivo, quando tivemos a oportunidade de discutir
e refletir sobre o trabalho realizado, a professora considerou que há
necessidade de sistematizar o conhecimento com os alunos, de forma a garantir
que todos os alunos da classe reflitam sobre tal conhecimento.
Eu acho que eles aprendem com o uso real. Nas situações
reais, eles aprendem, mas eu acho que tem que ter um momento que você
tem que ser diretiva para sistematizar esse conhecimento. Eu acho que
isso eu aprendi com você. Eu ia deixando as coisas, vou falando
... mas aí muitas coisas eles aprendem, alguns não, ...
alguns são mais sensíveis para as coisas, outros não.
Se você não for bem explícita no que está dizendo,
eles não vão perceber. Então, eu acho que você
tem que trabalhar com as situações reais, mas tem que sistematizar,
sim. Eu acho que essa diretividade é importante. Você mostrava
lá isso para mim. (Professora-colaboradora)
Como já apontava FRANCHI (1989), a discussão sobre questões
pedagógicas indicava para uma depreciação de um processo
diretivo e normativo de ensino, considerando métodos, técnicas,
exercícios e o próprio papel do professor como antidemocráticos
e autoritários. Para esta autora, discutir uma proposta de alfabetização
“... não é uma questão de técnica, de
procedimentos ou de estratégia, mas de método, no sentido
mais forte desse termo: envolve concepções próprias
do exercício da linguagem e do exercício pedagógico,
envolve pressupostos e princípios gerais de natureza filosófica
e sociológica, envolve atitudes em relação ao processo
e aos participantes dele. Em vez de promover ao estatuto de métodos
meras táticas e técnicas (globais, de sentenciação,
de palavração etc.), revejo-as e revejo procedimentos e
estratégias na realidade do dia – a – dia, que não
é estática e dada: é criada, numa aprendizagem recíproca,
pelos participantes do processo – professores e alunos” (p.
14).
Todas essas considerações que realizamos sobre a prática
pedagógica que desenvolvemos representou um momento de reflexão
sobre a ação quando pudemos aplicar os instrumentos conceituais
e as estratégias de análise no sentido da compreensão
e da reconstrução de nossa prática (PÉREZ
GOMEZ, 1995).
Assim como na pesquisa desenvolvida por VIEIRA (1996), este trabalho também
indicou que o processo de colaboração contribuiu para o
estabelecimento do exercício de observação da prática,
propiciando mecanismos de reflexão que levaram a professora a reestruturar
seus conceitos sobre o processo de ensino-aprendizagem.
Algumas reflexões sobre a prática
O processo de colaboração vivenciado por mim e pela professora
proporcionou vários momentos de reflexão sobre nossa prática,
como os que relato a seguir.
Durante uma atividade de transcrição de uma entrevista com
um aluno, escrevi a seguinte frase (resposta do aluno à pergunta
feita pela professora: “Marcos, por que você faltou?”):
“Porque fui tirar sangue. Quando cheguei em casa minha barriga começou
a doer”.
Ao escrever esta frase, colocando um ponto final e depois começando
outra frase na mesma linha, os alunos corrigiram-me, dizendo que devia
mudar de linha e pôr parágrafo, por causa do ponto final.
A professora, então, explicou-lhes que podiam usar o ponto final
e continuar na mesma linha, pois eram frases diferentes que precisavam
ser separadas.
Em várias outras atividades, tive a oportunidade de explicar aos
alunos sobre o uso do ponto final no meio do parágrafo e não
o fiz por acreditar que as crianças aprenderiam sozinhas sobre
este sinal de pontuação. Meu pressuposto era de que as crianças
não estavam amadurecidas para entender tal conceito. A professora,
com sua intervenção sobre os alunos, mostrou-me a importância
de se interferir sobre os conhecimentos ainda em desenvolvimento nos alunos.
Nesse sentido, confirma-se o que diz GUIMARÃES DE MATTOS (1995)
a respeito da colaboração entre a professora-pesquisadora
e a pesquisadora-professora:
“(...) a colaboração pode ser condição
essencial para o sucesso da prática profissional de professores,
alunos e pesquisadores. A atitude colaborativa parece ser uma condição
necessária se a prática pedagógica for aprimorada
de forma fundamental e duradoura” (p. 302).
Por outro lado, GARCIA (2002) apontou certa limitação do
processo colaborativo, na pesquisa em que realizou. Atribuiu tal limitação
ao fato de que não possuía os conceitos mais elaborados
sobre pesquisa colaborativa e também sobre as questões de
ensino e aprendizagem da língua. O mesmo não ocorreu na
presente pesquisa, uma vez que estes momentos de incerteza sobre questões
de ensino e aprendizagem da língua, tanto de minha parte quanto
da professora, e dúvidas sobre o desenvolvimento da pesquisa colaborativa,
que apresentei ao longo do caminho, foram superados pelo estabelecimento
do diálogo constante ente nós.
O diálogo, entendido como um meio para refletir sobre a visão
de realidade que possuem tanto a pesquisadora como a professora (GITLIN,
1988), caracterizou-se num elemento fundamental no processo de colaboração
ocorrido entre mim e a professora, fazendo com que ambas atualizássemos
nossos conhecimentos, enriquecendo nossa prática pedagógica.
Demonstrando sua preocupação com o fato de que algumas crianças
ainda não segmentavam seus textos em parágrafos e apresentavam
dificuldades em pontuá-los, a professora contou-me sobre o que
estava pensando fazer para auxiliar estes alunos nesta questão:
“Acho que vou trazer uns textos pequenos para eles copiarem, para
fixar a estrutura de parágrafo e pontuação”
(Professora-colaboradora).
Seguindo o princípio do diálogo, como forma de estabelecer
a necessária interação entre nós, sugeri à
professora que em vez de trazer o texto pronto para os alunos copiarem,
ela poderia dividir um pequeno texto (já conhecido pelos alunos)
em partes, para que os alunos ordenassem os fatos na devida seqüência
temporal e, então, o copiassem. Assim, transformávamos uma
simples atividade de cópia em uma oportunidade para os alunos agirem
e refletirem sobre a ordenação de fatos em um texto escrito.
A professora logo concordou com a idéia: “É, assim
é melhor”.
Dessa forma, o diálogo e a cooperação para a troca
de idéias proporcionavam o avanço no entendimento das questões
sobre o ensino da língua, por meio da reelaboração
do conhecimento pedagógico do conteúdo (SCHULMAN apud MIZUKAMI
et al., 2002), construído a partir da própria experiência
pedagógica e da reflexão sobre esta. É esta contínua
elaboração do conhecimento pedagógico do conteúdo,
o caminho para a aprendizagem e desenvolvimento profissional de professores.
O processo colaborativo, ocorrido entre nós, propiciou maior segurança
para a realização da atividade pedagógica da professora,
ao apontar caminhos indicativos do desenvolvimento dos alunos. Em entrevista
realizada no final do ano letivo, a professora confirmou esse fato:
Eu acho que foi ótimo você ter participado, me deu bastante
segurança. Na 1ª série, a primeira vez que eu dei aula,
fiquei muito insegura. Hoje, eu acho que o ano que vem vai ser muito diferente
desta 1ª série. Sabe por quê? Porque eu já estou
pensando na 2ª. Eu trabalhei com a 1ª e só sabia até
onde eu ia chegar na 1ª. E agora eu já posso pensar na 1ª
e o que vai acontecer na 2ª (Professora colaboradora).
A contribuição da pesquisa colaborativa também se
revelou no fato de proporcionar suporte e auxílio nos momentos
de indecisão quanto às questões de ensino, por meio
da reflexão conjunta entre professora e pesquisadora. Uma fala
da professora revela essa contribuição:
Mas eu acho que foi importante em alguns momentos, quando eu estava perdida,
sabia que eu podia contar com você. Eu falava: “Ah, eu não
estou sabendo o que fazer agora”. Aí, você podia pensar
junto (Professora-colaboradora).
Diante do exposto, pode-se afirmar a grande contribuição
da pesquisa colaborativa para o desenvolvimento profissional tanto de
professoras quanto de pesquisadoras. Por meio do diálogo e da reflexão
mútua, os conhecimentos pedagógicos de professoras e pesquisadoras
são reformulados e ampliados, enriquecidos ainda mais, pelo suporte
teórico e prático vivenciado pela colaboração.
Esse ambiente de colaboração propiciou a
realização de um trabalho que buscou desenvolver nos alunos
maiores habilidades na escrita de textos, de forma a ajudá-los
a avançar em suas hipóteses sobre a escrita, ao mesmo tempo
em que adquiriam competências relacionadas ao uso de parágrafos,
de pontuação adequada e à melhor escolha discursiva
para o texto a ser produzido. Esse contexto permitiu a investigação
sobre a evolução da produção escrita infantil,
além da reflexão sobre a prática pedagógica
da pesquisadora e da professora.
Dessa forma, a pesquisa colaborativa contribuiu, neste caso, para o desenvolvimento
profissional da professora e da pesquisadora, além de auxiliar
na construção de um caminho pedagógico que levou
ao desenvolvimento da produção de texto infantil.
Um último aspecto que gostaria de destacar a partir desta pesquisa
refere-se, então, a essa dupla face da pesquisa colaborativa: permitir
a elaboração de um conhecimento compartilhado, ao mesmo
tempo em que engendra processos de formação profissional.
A colaboração pressupõe a compreensão da outra
como parceira, trocas de experiências, um ambiente de sinceridade
e momentos de reflexão sobre a prática (REYES et al., 2001),
o que não se consegue num período curto de tempo, e sim,
num longo processo de conhecimento e convivência.
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