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A
EDUCAÇÃO NOS IMPRESSOS: UM OLHAR SOBRE A DIVERSIDADE EDUCACIONAL
NA REVISTA CIDADE NOVA.
Maria José Dantas
O revolucionário aparecimento da imprensa no século
XV desencadeou o surgimento de novas possibilidades de comunicação
entre os homens. Gutenberg idealizou a tipografia móvel, mas a
técnica foi se aperfeiçoando cada vez mais e os impressos
ganharam formas diversificadas: livros, jornais, revistas, etc.
A revista é um veículo de grande circulação
em nossa sociedade, nos diferentes lugares por onde passamos encontramos
exemplares de suas várias categorias: pedagógicas, científicas,
infantis, de variedades, etc.
Muitos são os estudos que estão enfatizando a história
desse veículo de comunicação. Atualmente vários
historiadores têm se voltado para análise das contribuições
de determinados jornais e revistas para a sociedade. A Nova História
Cultural, tem possibilitado ao pesquisador dessa área um aporte
teórico para as pesquisas em História da Educação,
bem como para o estudo dos impressos e isso tem levado muitos deles a
enveredar por este caminho, em busca de ampliar as fontes tradicionais
de pesquisa.
Eleger periódicos como objeto de estudo permite
que o historiador amplie suas fontes tradicionais e, assim, tenha acesso
aos dispositivos discursivos que configuram determinados campos do saber.
(BARREIRA, 2004:402).
Dentre os historiadores com trabalhos sobre os impressos podemos citar
alguns: Ana Luiza Martins (2001) analisou algumas categorias de revistas
que circularam em São Paulo no final do século XIX e início
do século XX, culminando na publicação do livro “Revistas
em Revista”: Imprensa e Práticas Culturais em Tempos de República,
São Paulo (1890-1922); Denice Bárbara Catani (2003) que
fez um estudo sobre a Revista de Ensino da Associação Beneficente
do Professorado Público de São Paulo; Luiz Carlos Barreira
(2001) que fez um estudo sobre “Escola, periodísmo e vida
urbana”: educação popular e imprensa operária
em São Paulo; Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (2003)
que analisa a Revista Renovação, uma revista feminina que
circulou em Aracaju na década de 30; Emanuela Silva Ribeiro (2003)
fez um estudo sobre a Revista Cidade Nova, abordando a maneira como essa
revista trata a questão política; José Antônio
Faro(2002) tem um estudo sobre “A Fraternidade na proposta da Revista
Cidade Nova e na percepção dos leitores”; Cláudio
Sampaio Barbosa, está com um estudo em andamento sobre A Intertextualidade
e o Dialogismo que ocorre entre a Revista Cidade Nova e o Movimento dos
Focolares ; dentre outros. Percebemos que alguns historiadores analisam
aspectos específicos ligados à educação, enquanto
outros elegem determinado periódico para o estudo de sua historicidade.
Muitas das revistas que conhecemos hoje foram lançadas após
a década de 1950. Uma delas é a Revista Cidade Nova, uma
publicação mensal vinculada ao Movimento dos Focolares.
Essa revista aborda vários assuntos das diferentes áreas
do conhecimento, com destaque especial para educação. Neste
trabalho pretendemos investigar a produção e circulação
desse impresso.
Como aporte teórico utilizarei os conceitos de apropriação
e representação do historiador francês Roger Chartier,
que se dedica ao estudo da História Cultural com destaque especial
para a história da leitura e dos objetos e práticas a ela
relacionados. Procurarei analisar a maneira como os leitores se apropriam
das informações e que representações fazem
da referida revista. A investigação pretende verificar que
critérios utiliza, em quais pressupostos se baseia e quais as suas
intenções ao enfatizar a educação.
Poderíamos questionar o porquê da escolha desse periódico
para esta análise se existe uma vasta imprensa pedagógica
que se debruça exclusivamente sobre as questões ligadas
à educação. Mas a investigação consiste
justamente em buscar a diferença, em estudar os objetivos desta
revista - ainda - não especializada ao tratar a educação.
AS REVISTAS PEDAGÓGICAS E A REVISTA CIDADE NOVA
Os meios de comunicação nos ajudam a participar
do que acontece dentro e fora do nosso espaço social. Mas em que
informação estamos verdadeiramente interessados? Que notícia
servirá para nos engrandecer como pessoa e ser social? “Informação,
direito de quem”? É a manchete publicada por uma revista
de circulação nacional, em novembro/2004. Dentre outras
coisas, ela trata do direito humano do indivíduo de ser informado,
porém, esta informação precisa ter qualidade, ser
recheada de valores morais, éticos e educativos.
Na sociedade atual onde convivemos com constantes mudanças e várias
inovações, é de grande importância que o ser
humano esteja inserido num contínuo processo de formação,
de atualização e busca do conhecimento.
Partindo desse pressuposto, salientamos que no campo educacional isso
deveria ter uma relevância maior, visto que o professor é
responsável por boa parte da formação do indivíduo.
A figura do mestre é sempre presente na vida de cada sujeito, pois
possibilita a formação pedagógica e acadêmica
nos mais variados campos do saber. Daí a importância de que
além de sua formação profissional ele esteja constantemente
bem informado com relação a tudo que diz respeito à
educação.
Existem várias maneiras de atualização neste sentido:
ler bons livros, participar de cursos ou outros eventos da área
e através da imprensa. Visando ser esse suporte ao professor, a
imprensa pedagógica tem crescido de maneira considerável
em nosso país. Muitos têm sido os periódicos que circulam
mensalmente nas bancas ou até mesmo que recebemos em nossas casas
via assinaturas.
A imprensa periódica é rica em elementos
que possibilitam novas leituras da História da Educação
e da história do ensino, trazendo contribuições fecundas
para interrogações e múltiplas perspectivas de análise.
(ASSUNÇÃO, 2003)
No âmbito geral revistas e jornais ganharam a credibilidade
e aceitação pública pela sua praticidade em informar.
Porém, segundo Martins, “enquanto o jornal pelo seu propósito
de informação imediata, caminhou para a veiculação
diária, a revista, de elaboração mais cuidada, aprofundando
temas, limitou-se à periodização semanal, quinzenal,
mensal, bimestral ou semestral, por vezes anual.” (2001:40)
Com relação às publicações de linha
pedagógica uma das mais conhecidas é a revista Nova Escola,
que em 2005 está chegando ao 20º ano de sua edição.
Existem também outras revistas brasileiras que têm o seu
conteúdo nessa área, são elas: Presença Pedagógica,
Revista do Professor, Educação, Pátio, Revista Criança:
do professor de Educação Infantil – uma revista publicada
pelo MEC, Revista de Educação AEC – ligada a Igreja,
publicada desde 1971 pela Associação de Educação
Católica do Brasil e tantas outras que circulam em menor escala,
ou até mesmo que já circularam em determinado período
da História ou mesmo algumas que são publicadas apenas à
nível estadual.
O caráter lúdico desse periódico,
de leitura amena e ligeira, explica a opção expressiva por
essa modalidade de suporte da leitura na produção da História
em suas múltiplas dimensões.(MARTINS, 2001:21)
Além desse referencial da imprensa pedagógica,
que em muitos casos se pauta na questão dos métodos de ensino,
sugestões de atividades e entrevistas com educadores, muitos outros
impressos trazem conteúdos interessantes e importantes relativos
ao processo educativo e à formação do indivíduo
como um todo. Dentre eles, a Revista Cidade Nova apresenta como objetivo
a pretensão de contribuir na formação de homens novos,
para tanto contempla em suas edições artigos para formação
espiritual, bem como artigos relacionados à cultura, economia,
esporte, política e educação.
Cidade Nova surgiu na Itália em 14 de julho de 1956 e atualmente
tem 35 edições espalhadas nos cinco continentes sendo publicada
em cerca de 22 línguas. Essa revista que não é especificamente
da linha pedagógica, tem uma atenção especial pelo
campo da educação, tendo já publicado dezenas de
artigos nessa área.
A edição brasileira de Cidade Nova possui uma tiragem média
de 30 mil exemplares, contudo não existe uma venda avulsa da revista
nas bancas de jornal. Ela trabalha com uma rede de promotores voluntários
que se empenham no contato pessoal para efetivarem as assinaturas. Essas
pessoas geralmente são membros ou simpatizantes do Movimento dos
Focolares que reconhecem nas publicações de Cidade Nova
uma expressão do Ideal que os fascinou e que eles querem levar
a todos.
A linha editorial da revista se pauta na dimensão
do homem na sua integralidade, por isso ela trata também de assuntos
relacionados à psicologia, fotografia, cinema, literatura, cultura,
arte e tem uma seção para entretenimento. Apresenta em suas
seções grandes temas como a paz, a justiça, a solidariedade,
a ecologia, questões internacionais e também temas ligados
às realidades do Brasil: problemas sociais, reforma agrária,
vida da Igreja etc. Também tem um destaque especial a formação
espiritual dos leitores.(FARO, 2002)
A revista é lida por adolescentes, jovens e adultos,
lavradores, empresários, políticos, profissionais liberais,
juizes, donas de casa, professores, comerciantes, sacerdotes, estudantes;
por membros de diversas Igrejas e religiões. Segundo Faro (2002)
“ela foi adotada também como material de formação
humana, ética e espiritual em diversas instituições
e empresas. A Ligare, uma empresa de telefonia de São Paulo, fez
a assinatura da revista para os seus 400 funcionários.”
Ao longo dos anos Cidade Nova vem dando passos amplos para sua modernização.
Em 20 de setembro de 1957, um folheto mimeografado trazia aos leitores
brasileiros, as matérias mais sugestivas de Città Nuova
. Em 1958, surgiu a edição em português que a princípio
era impressa na Itália, com 16 páginas. Em 1962, a revista
passa a ser impressa no Brasil e no ano seguinte tem sua primeira sede
num pequeno quarto em São Paulo. Aos poucos suas páginas
ganharam nova forma e aumentou o número de 16 para 34. Em outubro
de 1992, foi concretizado um sonho que também era uma exigência
dos leitores, foi publicado um número experimental introduzindo
cores na revista, no ano seguinte o colorido se tornou definitivo, contudo
permaneciam algumas seções em preto e branco, mas ainda
na década de noventa a revista tornou-se totalmente colorida, aumentando
também o número de páginas de 34 para 42 e posteriormente
para 50. Em 27 de junho de 1997, foi inaugurada a atual sede da editora
e revista Cidade Nova, localizada na Mariápolis Ginetta , no município
de Vargem Grande Paulista, a cinqüenta quilômetros de São
Paulo.
O atual logotipo de Cidade Nova foi idealizado pelo artista
plástico Marcelo Hardt, lembra uma faixa de papel, matéria-prima
dos produtos da editora. Pode-se também vislumbrar um CN estilizado.
Mas, sobretudo, o desenho representa o globo terrestre e, ao mesmo tempo,
uma faixa que abraça este globo, indicando o objetivo primeiro
de Cidade Nova: contribuir para a construção do Mundo Unido.
A estrela de quatro pontas ao centro é extraída da bandeira
do Movimento dos Focolares. Simboliza a luz da sua espiritualidade, a
espiritualidade da unidade. As quatro pontas, os quatro pontos cardeais,
evocam sua universalidade.(BRÜSCHKE, 1997)
Para publicação e edição de
suas matérias Cidade Nova conta com um Conselho de Redação
e cerca de 130 colaboradores espalhados por todo o Brasil, Europa, América
do Sul e Estados Unidos. Em geral são especialistas nos diversos
setores da vida social que aderiram ao espírito e ao estilo de
Cidade Nova. Pela própria experiência no Movimento dos Focolares
eles fazem uma leitura da realidade a partir da perspectiva do mundo unido.
A comunicação da redação com
os colaboradores se dá à medida que vão surgindo
as necessidades relacionadas à pauta de cada mês. E através
de um encontro anual realizado com todos os colaboradores na sede da revista.(FARO,
2002)
Para selecionar os assuntos pertinentes aos leitores de
Cidade Nova, “buscamos ler os fatos ocorridos no Brasil e no mundo
com a realidade e positivismo, excluindo o sensacionalismo. Nossa linha
editorial é baseada na espiritualidade da unidade, alicerce do
Movimento dos Focolares, do qual Cidade Nova é expressão.”
(VILLELA, 2003)
AS PERSPECTIVAS DE EDUCAÇÃO NA REVISTA CIDADE
NOVA
A proposta pedagógica do Movimento dos Focolares,
que a Revista Cidade Nova adere prontamente, consiste justamente na dimensão
de formar o indivíduo para a vida em sociedade, para ser construtor
de unidade no espaço onde está inserido, formar o homem-relação
com o outro.
Segundo Lubich:
O Movimento dos Focolares e a sua história podem ser vistos como
um grande e extraordinário acontecimento educacional. Nele estão
presentes todos os fatores da educação, sendo também
evidente a presença de uma teoria da educação, de
uma pedagogia bem delineada que fundamenta o nosso modo de agir educacional.(2000:275)
A Revista Cidade Nova teve sua origem no âmbito
católico, pois é uma expressão de um dos movimentos
atuantes na igreja, contudo é nítido o vínculo pedagógico
existente desde o seu surgimento, já que a fundadora do Movimento,
Chiara Lubich era na época professora primária.
São muitos os impressos católicos que circulam em nossa
sociedade, principalmente após o Concílio Vaticano II. Vendo
a enorme importância da educação na vida humana e
sua crescente influência no desenvolvimento social, a Igreja ampliou
as possibilidades do pensar a educação. Na escola a criança
adquire uma visão de mundo ampla, prossegue em seu processo de
socialização e adquire a prática da leitura e da
escrita. Mas, quando se pensa na educação, deve-se voltar
o olhar para todas as direções, analisar todas as possibilidades
educativas, inclusive aquelas ligadas à religiosidade.
A unicidade da Palavra de Deus é que ela é
Palavra de Vida, que se torna experiência num mundo, inclusive o
pedagógico, muitas vezes maculado de verbalismo. (LUBICH, 2000:277)
A educação para o Movimento dos Focolares
é “o itinerário que o sujeito educando percorre, com
a ajuda do educador em direção a um dever ser, uma finalidade
considerada válida para o homem e para a humanidade.”(2000:275)
Esse agir pedagógico além de inspirado nos valores evangélicos
tem muito do sócio-interacionismo de Vygotsky que parte do princípio
de que o conhecimento é também adquirido a partir das relações
inter-pessoais, não é o aluno apenas que produz a própria
aprendizagem, mas também aquele que aprende com o outro e com o
que seu grupo social produz.
Cidade Nova publicou o primeiro artigo sobre educação em
1986 e tem publicado uma média de dois artigos por ano, sobre a
temática educacional, além de várias respostas a
perguntas feitas por leitores, relacionadas ao campo pedagógico.
Para se ter uma idéia dos temas abordados por Cidade Nova fizemos
a leitura de 4 artigos. No quadro a seguir poderemos observar o título
de cada artigo, nome do autor, número da edição e
uma pequena síntese.
QUADRO I – ARTIGOS SOBRE EDUCAÇÃO
DA REVISTA CIDADE NOVA (1999-2004)
| EDIÇÃO |
AUTOR |
TÍTULO |
SÍNTESE |
| Ano
XLI nº 6 Junho de 1999, p. 18-19. |
Jaime
Luccas |
Escola
crise e desafios |
O
texto fala sobre as práticas educativas do passado, enfatizando
as necessidades da escola atual, visto que com as grandes mudanças
sociais, temas antes ignorados invadem a sala de aula, exigindo
do professor e da escola respostas e posicionamentos. |
| Ano
XLII nº 10 Outubro de 2000, p. 8-9. |
Samuel
de Souza Neto |
Direito
social ou mercadoria? |
O
autor faz uma análise do sistema público de ensino, onde o Estado
investe cada vez menos e o ensino público e gratuito está ameaçado,
principalmente no nível superior. Também aborda a questão das escolas
particulares, enfatizando que a educação está virando um negócio
milionário. |
| Ano
XLIII nº 7 Julho de 2001, p. 31. |
Jesús
Garcia |
É
preciso identificar as motivações |
Segundo
o autor a palavra motivação aplicada ao estudo está relacionada
aos objetivos a que um aluno deve aspirar. A maioria dos especialistas
concordam que ao concentrar a atenção na personalidade global da
criança e não apenas no sucesso escolar, se pode incidir verdadeiramente
na motivação. |
| Ano
XLIII nº 10 Outubro de 2001, p. 40-1. |
Vânia
Carvalho de Araújo |
Sementes
de uma nova educação |
A
autora apresenta uma proposta educacional baseada em valores evangélicos.
Segundo ela a pedagogia da unidade proposta pelo Movimento dos Focolares,
tem produzido importantes experiências no campo da educação em diversas
partes do Brasil. |
Fonte: Coleção
da Revista Cidade Nova – arquivo particular da autora
Dos quatro artigos analisados, três abordam questões pedagógicas,
sem nenhum vínculo religioso. Os autores apresentam os desafios
do professor em sala de aula, procurando adaptar-se às mudanças
que acontecem na sociedade; a necessidade de motivar o aluno para a aprendizagem
e o quadro lastimável da educação pública
brasileira. Apenas um artigo volta-se para a religiosidade apresentando
a proposta educativa do Movimento dos Focolares. A autora deste último
artigo mostra testemunhos de locais onde a referida proposta é
colocada em prática, bem como fala sobre congressos com educadores
que trabalham com essa prática. O fato de ilustrar os artigos com
experiências é uma constante em Cidade Nova, que sempre se
preocupa em apresentar os testemunhos de que é possível
realizar a transformação da realidade existente, por mais
difícil que seja.
Uma outra questão relevante é que a revista não é
sensacionalista, ela fala da realidade, como ela é, sem enfeites.
Os autores visam possibilitar ao leitor uma leitura prazerosa, apresentando
sugestões e incentivos, motivando o leitor muitas vezes a sair
de sua trincheira de acomodação e ser um protagonista de
mudanças no ambiente onde vive e trabalha.
Mas o que estes artigos representam para o leitor? Qual a impressão
e que efeito essas reportagens trazem para a vida dele? Para tentar verificar
essas questões, nada melhor do que o próprio leitor para
tecer sua impressão. E ele faz isso através de cartas, que
são publicadas mensalmente na revista. Desde o seu surgimento,
uma característica muito peculiar a Cidade Nova é a participação
do leitor em cada número. Eles se tornam verdadeiros colaboradores,
na medida em que com seus anseios, suas perguntas, dúvidas ou mesmo
críticas, ajudam a elaborar a cada mês as edições
da revista.
Procurando verificar a apropriação e representação
dos leitores à cerca da leitura de Cidade Nova, escolhemos algumas
dessas cartas, com comentários sobre artigos publicados antes ou
de artigos atuais e algumas até tecendo críticas.
Sobre Educação:
“Parabenizo
a equipe de Cidade Nova que, com muita propriedade e seriedade, tem tratado
temas relevantes e atuais que evidenciam a realidade nacional e mundial,
e nos convidam a refletir em questões tais como: a situação
de extrema miséria a que se encontra relegada a educação
brasileira. (...) O excelente texto proporciona uma leitura clara e objetiva
a respeito da educação brasileira, fazendo importantes denúncias
e apontando perspectivas que precisam urgentemente estar na ordem do dia.
É preciso colocar a Educação como prioridade nacional.”
Télbia Onete B. Queiroz – Belém (PA) Cidade Nova,
ano XXXVI, nº 5, p. 35, Maio de 1995.
“Foi com indescritível interesse que li, na edição
de setembro desta revista, o depoimento Actipan, uma escola de igualdade,
uma experiência educacional realizada numa comunidade pobre do México,
em que a interação e o cuidado mútuo transformaram
dificuldades em sucesso. É espetacular descobrir um projeto desta
natureza no campo educacional. Uma escola preocupada com a formação
de valores, organizando uma integração da comunidade, com
o objetivo de promover a dignidade humana, desperta em nós educadores,
uma grande motivação para transformar também os nossos
espaços de educação. (...)”
Selmara C. Santos – Psicóloga Educacional – Varginha
(MG) Cidade Nova, ano XLVII, nº 1 e 2, p. 4, Janeiro e Fevereiro
de 2005.
“Depois que li o artigo sobre a escola Roger Cunha na revista Cidade
Nova, confesso que cheguei até a me emocionar, sinto cada vez mais
que o trabalho que realizamos aqui não é simplesmente uma
rotina que acontece durante o dia e sim algo de novo que nasce, cresce
e permanece para sempre. Assim estou convicta de que, se estou mergulhada
nessa aventura, devo continuar com toda dedicação, fazendo
com amor, sendo uma contribuinte na formação de ‘homens
novos’ e de bem.”
Vânia Teixeira – uma das professoras do projeto. Cidade Nova,
ano XLVII, nº 5 p. 5, Maio de 2005.
“Sou assinante há alguns anos e, como educadora, já
trabalho com a Revista Cidade Nova levando-a à sala de aula para
que os alunos possam desfrutar dos artigos construtivos que a mesma apresenta.
(...) Desejo a todos os que fazem Cidade Nova, que continuem transmitindo
conteúdos de alto nível e construtivos. E obrigada por serem
capazes de mostrar a ética jornalística que todos os meios
de comunicação tanto precisam e que são necessários
para nossa formação.”
Rita Aguiar – Igarapé-Mirim (PA) Cidade Nova, ano XL, nº
6, p. 4-5, Junho de 1998.
Críticas:
“Tenho
escutado algumas críticas em relação à revista,
como sendo ainda muito pouco universal, uma vez que ‘tem cara de
Igreja Católica’ e que talvez por isso deixa de alcançar
um maior número de pessoas que até compartilham os ideais
de justiça, de fraternidade, de solidariedade, de dignidade da
pessoa humana, mas são contrárias ‘a qualquer coisa
que cheire a religião’. O que vocês têm a dizer
sobre isso?”
Meirelayne – Salvador (BA) Cidade Nova, ano XLVII, nº 1 e 2,
p. 4, Janeiro e Fevereiro de 2005.
Como fonte
de pesquisa:
“Primeiramente
os parabenizo pelo excelente trabalho que vocês realizam. A Cidade
Nova é uma revista de ótima qualidade. Utilizei vários
números como bibliografia da minha monografia de conclusão
de curso. (...)”
Cláudia Herrero Martins. Cidade Nova, ano XLVII, nº 5 p. 5,
Maio de 2005.
“Cidade Nova contribui dia a dia para nossa formação
humana e cristã incentivando a consciência crítica,
capaz de nos transformar de meros espectadores em atores que, no anonimato
de nossas vidas, contribuímos para a realização de
um mundo melhor.”
Nisen de Maria – Taubaté (SP) Cidade Nova, ano XLI, nº
5, p. 5, Maio de 1999.
“Em
primeiro lugar gostaria de parabenizá-los pela excelente revista
do mês de novembro, vocês se superaram em qualidade e conteúdo.
(...) Esses exemplos que a grande mídia não divulga é
que nos deixam com fé na humanidade. Vocês são um
belo canal de Deus para a divulgação de notícias
positivas, sem fugir da realidade. É essa a característica
que torna Cidade Nova diferente: um verdadeiro instrumento na construção
do mundo unido. (...)
Sidney Augusto Gama Amazonas – Santarém (PA) Cidade Nova,
ano XLIII, nº 12, p. 4-5, Dezembro de 2001.
Questionamentos:
“A Igreja Católica tem o dogma da infalibilidade do papa.
Por quê? Isto quer dizer que o papa nunca erra? Qual a razão
que leva a afirmar que ele é infalível, se é uma
pessoa humana?
Gerson dos Santos – Joinville (SC) Cidade Nova, ano XLI, nº
5, p. 4, Maio de 1999.
Estas são
apenas algumas das cartas publicadas, mas existem muitas outras. Percebemos
que os leitores têm muita confiança na Revista. Muitos escrevem
falando sobre situações delicadas, que precisam da orientação
de um especialista, outros escrevem para desabafar, para contar suas experiências,
muitas delas ligadas ao campo educativo e outros querem agradecer a Cidade
Nova pela ajuda que recebem com a leitura de seus artigos. Encontramos
esse tipo de relacionamento entre leitor e redator no trabalho de Margareth
Park (1999) que pesquisou a História e leituras dos Almanaques
no Brasil, a autora analisou várias cartas que os leitores dos
almanaques mandavam e verificou que os leitores acreditavam que suas solicitações
seriam atendidas, que alguém responderia sua pergunta ou mesmo
teria como a realização de um sonho, sua carta publicada
no almanaque.
Com relação aos conceitos que pretendemos identificar, de
acordo com as cartas lidas percebemos que os leitores se apropriam dos
conteúdos à sua maneira: após a leitura de um artigo,
o leitor se sente importante por se ver na história e tende a desempenhar
seu papel de educador cada vez melhor. Outros, com os exemplos, sentem-se
motivados a repensar sua prática educativa. Sem falar daqueles
que fazem apenas uma leitura rápida em uma sala de consultório
médico ou em bibliotecas escolares, ou aqueles que têm o
contato com a revista através da leitura dos artigos em sala de
aula. Nestes casos é difícil verificar a maneira como se
apropriam e que representação fazem da revista.
Quanto à representação, ainda de acordo com as cartas
lidas, percebe-se que para uns a revista é uma colaboradora, para
outros é uma fonte de pesquisa, é divulgadora de notícias
positivas, mas também existem aqueles que a vêm como pouco
universal, por estar ligada à Igreja Católica.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Os artigos
de Cidade Nova impulsionam os leitores, educadores, pais, alunos, políticos
e a sociedade como um todo, a buscar soluções, a ver o positivo
nas situações. Roberto Civita, presidente do Grupo Abril,
em recente entrevista ressaltou: “Sem se tornar chata ou dogmática,
e lembrando sempre que uma de suas principais funções é
tornar o importante interessante, a imprensa – e os meios de informação
em geral – deve ser uma força que ajude a compreender o mundo,
construir uma sociedade melhor, defender a comunidade e ajudar os seus
leitores, telespectadores, internautas e ouvintes a viver melhor.”
A Revista Cidade Nova procura ser este canal de diálogo entre os
homens. Fruto disso é que pelos seus relevantes trabalhos em prol
da dignidade humana recebeu em maio deste ano a Menção Especial
do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. Segundo o
editorial da Revista de Junho/2005 “a referência ‘ao
conjunto da obra’ na justificativa desse reconhecimento revela que
ele é dirigido a todos aqueles que fazem com que a nossa revista
possa ser aquilo que deve ser: um veículo de difusão da
cultura da fraternidade.” Também o Movimento dos Focolares,
por todas as contribuições no campo educacional, já
recebeu alguns títulos de reconhecimento. Chiara que era uma simples
professora primária, com o desejo de fazer o curso de Filosofia,
mas que por conta da segunda guerra mundial não conseguiu, em 1986
recebeu o Prêmio Unesco de Educação à Paz e
em 2000 recebeu um doutorado Honoris causa em Pedagogia pela Universidade
de Washington.
Por todas essas evidências podemos perceber que existe uma preocupação
de cunho pedagógico nos membros do movimento e conseqüentemente
em Cidade Nova. Sabemos que a maioria dos impressos católicos têm
como meta formar mentalidades. Também em Cidade Nova é possível
perceber essa preocupação, de formar uma mentalidade positiva,
na dimensão de viver bem cada momento, com um desejo de unidade,
fraternidade e solidariedade. Ou seja, transmitir valores para a motivação
e facilitação da vida na sociedade.
A partir da História Cultural pretendo aprofundar o estudo sobre
os processos de circulação e apropriação dos
temas educacionais no período estudado.
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OUTRAS FONTES:
www.cidadenova.org.br
www.focolare.org
CARTAS PUBLICADAS:
AGUIAR, Rita.
Carta Publicada na seção Diálogo com o Leitor. Cidade
Nova, ano XL, nº 6, p. 4-5, Junho de 1998.
AMAZONAS, Sidney Augusto Cama. Carta Publicada na seção
Diálogo com o Leitor. Cidade Nova, ano XLIII, nº 12, p. 4-5,
Dezembro de 2001.
MARIA, Nilsen de. Carta publicada na seção Diálogo
com o leitor. Cidade Nova, ano XLI, nº 5, p. 5, Maio de 1999.
MARTINS, Cláudia Herrero. Carta Publicada na seção
Diálogo com o Leitor. Cidade Nova, ano XLVII, nº 5 p. 5, Maio
de 2005.
MEIRELAYNE. Carta publicada na seção Diálogo com
o leitor. Cidade Nova, ano XLVII, nº 1 e 2, p. 4, Janeiro e Fevereiro
de 2005.
QUEIROZ, Télbia Onete B. Carta Publicada na seção
Cartas. Cidade Nova, ano XXXVI, nº 5, p. 35, Maio de 1995.
SANTOS, Gerson dos. Carta Publicada na seção Diálogo
com o Leitor/Fé e Vida. Cidade Nova, ano XLI, nº 5, p. 4,
Maio de 1999.
SANTOS, Selmara C. Carta Publicada na seção Diálogo
com o Leitor. Cidade Nova, ano XLVII, nº 1 e 2, p. 4, Janeiro e Fevereiro
de 2005.
TEIXEIRA, Vânia. Carta Publicada na seção Diálogo
com o Leitor. Cidade Nova, ano XLVII, nº 5 p. 5, Maio de 2005.
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