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A
FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E A HOMOSSEXUALIDADE NA ESCOLA PÚBLICA
Patrícia Magri Granúzzio - Universidade
Metodista de Piracicaba - UNIMEP
Introdução
É fato que a sociedade brasileira por muito tempo
manteve-se praticamente míope diante de uma questão social
tão importante quanto esta, a de falar sobre sexualidade. Essa
miopia mantém-se, mais ainda, em quase todas as escolas, quando
a questão envolve o homossexualismo. Embora sejam responsáveis,
junto à família e à sociedade em geral, por formar
cidadãos que respeitem a diversidade e lutem pela igualdade de
direitos, escolas são locais de casos de intolerância que
incluem violência física e psicológica, no Brasil
e em muitos outros países do mundo.
Há, nas escolas públicas e nas escolas particulares, casos
de intolerâncias raciais, religiosas, sociais e de gênero,
entre outros. Na escola, em relação à questão
do homossexualismo, o preconceito encontrado vira discriminação.
Além da violência, há também casos de transferência,
de expulsão, de impedimento de matrícula e ofensa à
moralidade das crianças, adolescentes e até mesmo dos adultos.
O homossexualismo tornou-se um problema complexo a ser discutido por toda
a sociedade. Apesar de a maioria dos casos evidenciarem uma conexão
entre intolerância e ignorância, não basta dizer que
o problema nas escolas envolve pessoas ou comunidades "ignorantes",
de um lado, contra alunos ou vítimas indefesas, de outro. A questão
é cultural, enraizada em aspectos diversos, inclusive religiosos
(Helminiak, 1998). Na discussão da sexualidade humana devem estar
envolvidos professores, estudantes, família, comunidade em geral,
incluindo-se nesta comunidade os autores de livros didáticos e
de leitura, mídia e governantes.
Falar de sexualidade é, de acordo com Michel Foucault (1984), seguir
três eixos que a constituem: a formação dos saberes
que a ela se referem, os sistemas de poder que regulam sua prática
e as formas pelas quais os indivíduos podem e devem se reconhecer
como sujeitos dessa sexualidade.
O fato de que a sexualidade é uma questão cultural entrelaça-se
com os sistemas de poder que a regulam. A Igreja Católica é
um dos exemplos de como a moral sexual do cristianismo se opôs à
moral sexual do paganismo antigo. Assim, o homossexualismo que durante
muito tempo foi exaltado na Grécia e aceito em Roma tornou-se algo
pecaminoso, demoníaco, punível até mesmo com a morte.
No Brasil, a Igreja Católica, que desde o início da colonização
estabelecia o que os seus fiéis deveriam ler, escrever e em que
deveriam acreditar, ainda no século XX, juntamente com aqueles
que eram responsáveis pela edição e distribuição
de livros escolares, ocultaram fatos e costumes de nosso povo ora por
julgá-los impróprios à formação política
do país, ora por julgá-los imorais e obscenos. Geralmente,
somente em livros específicos sobre o comportamento e sobre sexualidade
humana é que podemos encontrar informações de que,
em nosso país, casos de homossexualismo podiam ser encontrados
nas raças branca, negra e indígena; em todas as classes
socioeconômicas e tanto entre homens quanto mulheres, como cita
Mott (1987):
Quando os portugueses desembarcaram na Terra de Santa Cruz, uma das “aberrações”
que mais chamou atenção dos colonizadores foi a presença
entre os indígenas, sobretudo nas aldeias dos Tupinambá,
de inúmeras mulheres ultramasculinizadas que em tudo copiavam a
maneira de ser dos homens: musculosas, manejavam corajosamente o arco
e a flecha, tinham outra mulher com quem viviam casadas, e segundo os
primeiros cronistas, “a maior injúria lhes podiam fazer era
chamá-las de mulher”. Tinham essas primeiras Amazonas até
nome próprio: “Cacoaimbeguira”.
Ainda no primeiro século de nossa história, quando a terrível
Inquisição mandou seus visitadores ao Brasil, uma dezena
de mulheres na Bahia e em Pernambuco foram denunciadas e castigadas por
terem praticado com outras mulheres o “abominável pecado
de sodomia, ajuntando seus vasos naturais, tendo deleitação...”
No século XVII elas eram chamadas “machão” (Mott,
1987, p.7).
Além do fato de muitas vezes silenciar a respeito da sexualidade
ou da homossexualidade humana, a escola, por vezes, perpetua a discriminação
através de discursos intolerantes por parte de educadores. Ao silenciar
diante de ofensas ou agressões, a escola dá aval para que
a criança ou jovem pratique a intolerância; ao fazer “piadinhas”
ou comentários irônicos, o educador contribui para que as
ofensas, as inclusões inadequadas, discriminações,
rejeições, assédios ou violências físicas
continuem. A questão da sexualidade é muito séria,
os adolescentes se encontram em idade de formação e construção
de identidade e sofrem conflitos variados, muitas vezes sentem-se angustiados
e ficam isolados em seu mundo interior, toda essa problemática
interfere na aprendizagem, no desenvolvimento e na formação
como cidadão.
Para exemplificar isso, Mott (1987) apresenta o seguinte depoimento de
uma jovem de 21 anos:
“Minha
família descobriu que eu era lésbica quando tive problemas
na escola. Eu me apaixonei pela diretora, para quem mandava cartas e telefonava.
Ela me encaminhou para a psicanálise e fiquei em tratamento durante
um ano e meio, mais ou menos. Tinha 12 anos na época e minha família
então começou a me forçar a namorar, dizendo que
eu era normal. Arrumei um namorado que tinha moto. Quando ele comprou
um carro, desisti, com medo que ele tentasse alguma coisa. Tive mais problemas
na escola, pois todo mundo ficou sabendo do caso com a diretora. Continuaram
a pressionar e aí tentei suicídio. Fracassada a tentativa,
decidi que se eu era assim, a família deveria me aceitar ou, caso
contrário, que me colocassem para fora. Eles me aceitaram e hoje
ninguém toca muito no assunto. A pressão diminuiu, mas ainda
existe, por isso penso em sair de casa, mas não tenho condições
financeiras no momento” (Mott, 1987, p. 62).
Ainda hoje
é comum ouvir pais e mães declararem sem rodeios: “Prefiro
ter um filho ladrão do que um viado!” ou “Prefiro ter
uma filha puta do que sapatão” . Alguns são ainda
mais radicais, afirmando que seria melhor que os filhos morressem do que
se tornassem gays. A intolerância à homossexualidade –
cientificamente chamada de “homofobia” - atinge dimensões
chocantes e requintes de crueldade em nosso país, fruto de uma
ideologia machista e heterossexista. Para muitos, o homossexualismo é
uma anomalia, um desvio de conduta a ser tratado com psicólogos
ou psiquiatras, uma doença que pode ser curada (Masters e Johnson,
1979). Quando uma família suspeita que uma filha revela tendências
homossexuais, todos os recursos são acionados a fim de corrigir
e curar a indesejada “anormalidade”. Broncas, surras, castigo,
humilhações, tratamentos médicos, internações
– vale tudo na luta para não se manchar a honra da família.
Até mutilações fazem parte desta sinistra “cura”
(Oraison, 1997). Eis o depoimento de uma professora de educação
física de São Paulo, que também consta do livro de
Mott (1987):
“No
ano passado meus pais fizeram tudo para eu assinar uma autorização
em que concordava ser operada da cabeça. Lobotomia. Trata-se da
remoção total, pura e simplesmente, de uma partezinha do
cérebro responsável pela capacidade que a gente tem de sentir
as coisas eroticamente. Quer dizer, se eles me operam, eu paro mesmo de
sentir atração por qualquer coisa! Para os meus pais, para
os psiquiatras, para um monte de gente, o que eu sinto é uma coisa
horrenda, nojenta. Quase ninguém, quando fala das lésbicas,
fala em amor. E é amor que eu sinto pela Zumba, minha namorada...”
(Mott, 1987, p.65)
Foucault
(1988), em sua História da Sexualidade afirma que ainda hoje vivemos
num mundo em que nossa sexualidade é contida, muda e hipócrita.
Isso acontece na escola pública, que tem aberto espaço para
ações de diversos grupos de certo modo relacionados à
questão do homossexualismo, mas essas ações limitam-se
a diferentes cursos de prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis (DST), especialmente da AIDS. Há, no interior
das escolas, palestras, aulas, vídeos, debates e tantos outros
eventos informando sobre os aspectos fisiológicos, entretanto,
raramente encontramos profissionais abordando aspectos psicológicos,
éticos, cujas ações estejam centradas nas mudanças
de visões, posturas, hábitos, crenças e respeito
às diferenças. Na escola, a sexualidade ainda é,
de certo modo, um tabu. Apesar de constar nos Temas Transversais que:
Os professores
necessitam entrar em contato com suas próprias dificuldades diante
do tema, com questões teóricas, leituras e discussões
referentes à sexualidade e suas diferentes abordagens; preparar-se
para a intervenção prática junto aos alunos e ter
acesso a um espaço grupal de produção de conhecimento
a partir dessa prática, se possível contando com assessoria
especializada. (Brasil, 1998, p.303),
as orientações
constantes na própria publicação limitam-se a discutir
doenças e manifestações sexuais entre as crianças
e jovens de ambos os gêneros, mas sempre numa perspectiva heterossexual.
Consta dos Temas Transversais que sexualidade e construção
de identidade estão relacionados.
Ferrari (2004) comenta que “na medida em que a sexualidade foi sendo
responsável pela definição das identidades, a intimidade,
o desejo e o sexo tornaram-se práticas sociais que servem para
criar as diferenças, e não somente as semelhanças”.
Foucault (1988) defende que a identidade não é algo dado,
mas está em permanente construção e realiza-se nos
variados espaços públicos por onde os indivíduos
circulam, negociam e renegociam com os outros.
As diferenças precisam ser respeitadas e renegociadas, mas a escola
pode estar simplesmente ajudando a formar pessoas intolerantes que saem
pelas ruas matando nordestinos, negros ou homossexuais. Acreditando que
os educadores devem mudar seu olhar preconceituoso em relação
às orientações sexuais e que na escola não
cabe discriminação, julgamento e inclusões inadequadas,
pois é um espaço comum, democrático e formativo,
apresento aqui alguns resultados de uma pesquisa realizada em 2004 em
escolas públicas da rede estadual de ensino de Piracicaba (SP).
Tal pesquisa serviu como uma aproximação do tema para a
elaboração do meu projeto de pesquisa para o mestrado. O
objetivo principal dessa pesquisa foi identificar e analisar a percepção
que os professores e gestores têm de alunos classificados por eles
como homossexuais.
Formação
de professores
Os estudos
sobre a formação docente têm adquirido uma grande
importância nas últimas décadas no Brasil e no exterior
e apontam para a necessidade de repensar a qualificação
dos professores na perspectiva do seu desenvolvimento profissional. Atualmente,
ao discutirmos algum problema relacionado com a educação,
chegamos costumeiramente à questão da formação
de professores. Seja qual for o problema — rendimento, disciplina,
interesse, conteúdo, currículo, projeto pedagógico,
administração escolar, cidadania ou outro — a formação
de professores será invariavelmente apontada como eixo norteador
para a busca da solução.
As discussões giram em torno de uma formação que
nos prepare para as muitas mudanças que acontecem por todo o nosso
país, quer nos costumes, na tecnologia, no mercado de trabalho,
ou seja, uma formação que nos prepare para aprender a enfrentar
os desafios de trabalhar numa sociedade capitalista moderna. Um número
cada vez maior de professores vem manifestando interesse em atualizar
a sua formação profissional, mas sabemos que apesar do empenho
de muitos docentes, ainda estamos longe de uma situação
que seja capaz de modificar significativamente a qualidade da educação.
Questionar a formação do professor inclui discutir como
se deu a formação inicial e como se dá sua formação
contínua, é discutir também se o interesse nessa
formação contínua é baseada apenas em interesses
de progressão funcional ou também está vinculada
à preocupação de construir um mundo melhor para vivermos.
É discutir se o professor tornou-se um cidadão crítico,
consciente e participativo na construção de uma sociedade
mais igualitária.
Há autores alertando para o fato de que os estudos sobre a formação
do professor ainda persistem numa dissociação entre a formação
e a prática cotidiana, que não enfatizam a questão
dos saberes que são mobilizados na prática, ou seja, os
saberes da experiência. Recomendam que a fragmentação
entre os diferentes saberes deve ser superada, considerando a prática
social como objetivo central, possibilitando, assim, uma re-significação
dos saberes na formação dos professores.
Ao pensarmos em um modelo de professor, devemos levar em consideração
o contexto no qual se constroem e se aplicam os saberes docentes, isto
é, as condições históricas e sociais nas quais
se exerce a profissão; condições que servem de base
para a prática docente. Este professor possui, em virtude de sua
experiência de vida pessoal, saberes próprios que são
influenciados por questões culturais e pessoais.
Uma autora brasileira que também tem se dedicado a discutir a formação
dos professores é Maria Isabel Cunha (1982). Para ela, usar narrativas
como instrumento de formação de professores tem sido um
expediente bem sucedido. Não basta dizer que o professor tem de
ensinar partindo das experiências do aluno se os programas que pensam
sua formação não os colocarem, também, como
sujeitos de sua própria história. Através da narrativa
ele vai descobrindo os significados que tem atribuído aos fatos
que viveu e, assim, vai reconstruindo a compreensão que tem de
si mesmo. Cunha apresenta aspectos importantes a serem observados pelo
profissional da educação: quando ultrapassamos concepções
fragmentárias, individualistas e neoliberais, buscamos outro tipo
de formação; uma formação continuada que entende
como eixo central da discussão da qualidade da educação
brasileira, a pesquisa em educação, a valorização
do conhecimento do professor, a pesquisa pelo educador e em um processo
interativo/reflexivo, buscando sempre a autonomia tanto do professor quanto
do aluno.
Falar de qualidade da educação atualmente também
inclui falar de sexualidade humana, inclusões inadequadas, fracasso
escolar, reflexão da prática docente.
A sexualidade
humana e os professores
Muitas de
nossas crianças e jovens continuam a aprender, e a ensinar umas
às outras, temas considerados tabus, dentre eles a masturbação,
virgindade, primeira relação sexual e até mesmo o
homossexualismo. As escolas apresentam certas resistências em introduzir
assuntos referentes à educação sexual. Essa resistência
mantém-se, mais ainda, em quase todas as escolas, quando a questão
envolve o homossexualismo.
Elaborados por uma equipe de educadores e pesquisadores e distribuídos
pela Secretaria de Educação Fundamental do Ministério
da Educação e do Desporto a partir de 1997, os Parâmetros
Curriculares Nacionais, tanto os que se destinam ao Ciclo I (1ª a
4ª série) quanto os que se destinam ao Ciclo II (5ª a
8ª série), nos volumes que se referem a Ciências Naturais
ou a Pluralidade Cultural e Orientação Sexual omitem referências
à homossexualidade humana. Os Parâmetros Curriculares Nacionais
são publicações distribuídas para quase todas
as escolas públicas e objetivam orientar os professores no desenvolvimento
dos conteúdos curriculares e apresentam temas transversais que
estão vinculados ao cotidiano da maioria da população.
Além do currículo composto pelas disciplinas tradicionais,
os PCN apresentam os temas transversais que seriam contextualizados à
realidade social de cada comunidade.
Nos PCN de 1ª a 4ª série a sexualidade infantil continua
não sendo objeto de estudo, assim como Rousseau em pleno século
XVIII, para a escola, a criança dos dois sexos são praticamente
iguais, são crianças apenas. A parte que trata das ciências
naturais aborda temas como higiene e saúde; a parte que trata da
orientação sexual aborda aspectos do sistema reprodutor.
Em nenhum momento a orientação sexual dos adultos é
colocada em questão, como se sexualidade fizesse parte de um outro
mundo.
Relacionando formação inicial ou até mesmo formação
continuada que se desenvolve no Brasil com a questão da sexualidade,
mantém-se a dúvida se o professor estaria habilitado e/ou
apto a discutir e preparar uma série de atividades transversais
organizadas e direcionadas para uma determinada meta. Tome-se, por exemplo,
o tema ‘Orientação Sexual’. Para trabalhá-lo
de modo a atender as orientações oficiais, o professor abordaria
fundamentos éticos, religiosos, jurídicos, históricos,
sociológicos, antropológicos, psicológicos e pedagógicos;
consideraria a linguagem e suas representações ampliando
a compreensão da complexidade do país.
Seguindo as idéias de Foucault, Camargo e Ribeiro (1999) ao discutirem
a sexualidade como um tema transversal, afirmam que falar sobre sexo com
crianças, adolescentes, homens, mulheres constitui-se hoje uma
forma de controle de comportamento.
O professor de educação infantil vai guiando, mesmo que
inconscientemente, as normas de condutas das crianças e essas,
sem um desenvolvido grau de criticidade, vão aceitando valores
e padrões instituídos pela sociedade. Quando mais jovens
e/ou adolescentes, esquecem o modo que adquiriram tais valores e passam
a aceitá-los como verdades puras, de difícil modificação
(Moreno, 1999, p.68). De certo modo, isso justificaria a violência
encontrada nas escolas contra os jovens que se desviam da sexualidade
vista como normal.
Muitos de nossos jovens, e até mesmo adultos, acreditam apenas
na oposição homem-mulher, qualquer conduta que fuja a essa
categorização cultural resulta em preconceito, discriminação
e violência. A violência é um tema rotineiro nas escolas
brasileiras, não apenas no dia-a-dia de alunos e professores, mas
encontrada no próprio currículo. A afetividade, a diversidade
cultural e comportamental, os direitos e deveres dos cidadãos geralmente
encontram-se ausentes das leituras e discussões, mas as guerras,
conflitos, abusos de poder suscitam estudos, pesquisas e até mesmo
avaliações.
Manipulação de idéias, pensamentos e imaginação
não é algo novo, faz parte do ser humano. Moreno afirma
que agimos e movemo-nos não de acordo com a realidade, mas de acordo
com nossa imagem do mundo. Cada pessoa não constrói essa
imagem por si mesma, a partir da observação de alguns fatos
concretos e reais, e sim, na maioria dos casos, a partir do que os outros
lhe dizem a respeito desses fatos, ou seja, a partir dos julgamentos que
os demais emitem sobre a realidade.(...) Tudo que fazemos, como nos comportamos,
a forma de pensar, falar, sentir, fantasiar e até sonhar, sofre
influencia da imagem que temos de nós mesmos (Moreno, 1999, p.13
e 28).
Se nos livros distribuídos antes da divulgação dos
PCN havia a omissão quanto a questões do homossexualismo
humano, o mesmo continua acontecendo.O aluno que apresenta uma orientação
sexual que difere da heterossexual nunca se verá nos livros didáticos,
não encontrará neles um modelo que o retrate ou respeite
seu modo de vida. Há muito tempo que o livro didático é
criticado pelo seu conteúdo, pelo uso indevido e por propagar somente
a ideologia da classe dominante, disseminando muitas vezes diversos preconceitos.
Porém, é sabido que os textos, exercícios e propostas
de pesquisas contidos nele, se bem selecionados e trabalhados adequadamente,
podem não somente formar leitores, mas também formar leitores
críticos, reflexivos e criativos, cidadãos com condições
de respeitarem as diversidades e proporem modificações sociais.
Pela escola passam todas as idéias que uma sociedade quer transmitir
a seus cidadãos para conservar tudo aquilo em que eles acreditam
ou que uma boa parcela quer que se acredite. Um bom exemplo de que nossa
forma de pensar está diretamente condicionada pela sociedade a
que pertencemos, tanto pela cultura quanto por sua história, é
o fato de que muitos ainda acreditam que a homossexualidade é um
defeito apresentado por algum cromossomo ou ainda que pais problemáticos
induziriam, involuntariamente, alguém em sua orientação
sexual. Por mais absurda que possa ser uma idéia, sendo bem manipulada
e comprovada ‘cientificamente’, ela pode se perpetuar durante
décadas.
Obviamente, não se pode mudar a sociedade pela escola, mas na escola
poderiam ser trabalhadas alternativas ou novas possibilidades para abrir
caminhos e mostrar que há escolhas diversas para os seres humanos,
que há condutas humanas variadas e que não estão
determinadas apenas pelo sexo com o qual nascemos. A sociedade escolhe
determinadas condutas que vão se formando e a escola, por seu caráter
de instituição normativa, vai transmitindo-as ao longo de
sua história, ficando estabelecidas como normas ou modelos de conduta.
Os comportamentos masculinos diferem dos femininos.
Entretanto, há algo que foge a essa educação, ela
não é tão eficiente, pois há os diferentes,
os homossexuais, cujo comportamento não se enquadra nem no masculino
nem no feminino.
O fato de que o professor, seja pela sua formação inicial,
seja pela formação continuada, não intervém
nas atitudes discriminatórias diante dos alunos homossexuais significa
apoiar o modelo existente, ou seja, homofóbico. O fato de que a
escola normalmente só trabalha com um modelo limita o grau de liberdade
de seus alunos, afinal, diante de apenas duas possibilidades, masculino
ou feminino, só resta a eles aceitarem ou recusarem. Essa recusa
ou aceitação interfere na própria identidade pessoal.
Não cabe à escola produzir novas verdades sobre a sexualidade
humana, mas sim desconstruir as verdades absolutas sobre o sexo, discutir
sobre os novos caminhos abertos para aquilo que não é novo,
mas que é pouco discutido dentro da formação docente.
É, como diz Foucault, questionar o sagrado, o estabelecido pela
sociedade como algo natural.
Mesmo estando no século XXI, “ainda prevalece nas escolas,
em relação às crianças, a individualização
e o isolamento, a divisão por sexo, idade, capacidade intelectual,
enquanto o professor continua sendo encarado como o centro de todo o processo
educativo. Há uma busca do controle do comportamento e do planejamento
máximo do ambiente como estratégia de ensino, em uma procura
incessante da eficácia pedagógica” (Camargo e Ribeiro,
1999, p.27).
Na pesquisa realizada, aspectos interessantes e comuns entre as escolas
foram levantados. As escolas pesquisadas são chamadas aqui de Afrodite,
Édipo e Safo.
Um aspecto importante é que a burocracia interna tem tratamento
preferencial em relação a discussões pedagógicas,
ou seja, assuntos diretamente ligados ao processo ensino-aprendizagem.
Procurando entender como se dá a reação dos professores
diante dos casos de transferências, de expulsão, de impedimento
de matrículas e ofensas à moralidade das crianças,
adolescentes e até mesmo dos adultos, pude constatar que muitos
professores se eximem de grandes responsabilidades, adotando medidas consideradas
mais fáceis e de ordem disciplinar.
Por estar diretamente ligada à prática esportiva e trabalhar
a corporeidade, as aulas de Educação Física, apesar
de acontecerem dentro da instituição escolar, desenvolvem
atividades que proporcionam comportamentos menos rígidos do que
os praticados em outras disciplinas dentro das salas de aula. Dessa forma,
os alunos se sentem mais livres para criar e estabelecer relações
entre si e o professor. São nas aulas de educação
física que muitos casos de comportamentos tidos como homossexuais
são encontrados ou vistos.
Foi durante as aulas de Educação Física que o comportamento
de uma aluna começou a incomodar os professores da escola Afrodite.
Por meio do depoimento da professora Beth, encontramos um exemplo de que
muitas vezes a escola opta pelo caminho mais curto.
A escola Afrodite está localizada em uma área central da
cidade, possui 1.200 alunos cursando o ensino fundamental e o ensino médio.
Beth, uma professora recém formada em História, relatou
que ao iniciar suas aulas em uma classe de 7ª série chamou
por diversas vezes a atenção de um aluno que não
parava sentado, brincava e incomodava os demais.
Alertada pelos demais alunos que não se tratava de um aluno, mas
de uma menina, Beth comenta que fez um ‘discurso’ sobre o
respeito às diferenças de comportamento de cada um e que
traços delicados em um homem era natural. Finalmente descobriu
que era realmente uma menina. A professora contou que ao longo do ano
a menina se desenvolveu biologicamente, mas seu comportamento continuou
a incomodar o corpo docente e começava a ser percebido e comentado
pela comunidade: A menina jogava futebol com os meninos na quadra da escola
e se recusava a jogar com as meninas, era uma boa atacante e as meninas
jogavam de forma bem fraca para seu futebol. Seu comportamento masculino
saiu das quadras e continuou nas outras aulas.
Ao final do ano, devido a todos os comentários e a falta de saber
o que fazer com aquela aluna que incomodava e perturbava o bom andamento
da escola, a família foi chamada e orientada a transferi-la para
uma escola mais próxima de sua casa.
Segundo Kenneth
M. Zeichner (1993) “os professores responsáveis perguntam-se
porque estão a fazer o que fazem, de um modo que ultrapassa as
questões de utilidade imediata (por exemplo: dá resultado?)
e os leva a pensarem de que maneira está a dar resultado e para
quem”. Na sua opinião, “esta atitude de responsabilidade
implica que cada um reflita sobre, pelo menos, três tipos de conseqüências
do seu ensino: conseqüências pessoais – os efeitos do
seu ensino nos auto-conceitos dos alunos; conseqüências acadêmicas
– os efeitos do seu ensino no desenvolvimento intelectual do aluno;
conseqüências sociais e políticas – os efeitos
do seu ensino na vida do aluno. A reflexão implica um exame destas
questões, e de muitas mais, e não apenas saber se se atingiram
os objetivos e metas que cada um estabeleceu no inicio de uma aula. A
atitude de responsabilidade também implica que se reflita sobre
as conseqüências inesperadas do ensino, porque este, mesmo
nas melhores condições tem sempre conseqüências
tanto inesperadas como esperadas. Os professores reflexivos avaliam o
seu ensino por meio da pergunta ‘Gosto dos resultados?’ e
não simplesmente ‘Atingi os meus objetivos?” (Zeichner,
1993, p.19).
Estariam
os professores da Escola Afrodite preocupados com os resultados, teriam
eles gostados da transferência da aluna em questão? Dentre
os sete professores questionados a esse respeito, um não opinou,
cinco acharam que foi a melhor decisão da escola e um professor,
declaradamente homossexual, disse que o corpo docente deveria ter se reunido
e analisado com mais vagar o caso da transferência junto com a direção
e coordenação da escola.
Pelas entrevistas e observações, pude constatar que os diretores
das escolas pesquisadas muitas vezes privilegiam o trabalho administrativo
em detrimento de ações pedagógicas e políticas
no sentido de conduzir os problemas encontrados para uma discussão
coletiva e para uma reflexão sobre as práticas escolares.
O silêncio diante da sexualidade humana é visto como normal
dentro dessas escolas. Não faz parte das reflexões pedagógicas.
Vejamos o que aconteceu na Escola Édipo, relatado pela coordenadora
pedagógica, denominada aqui como Maria.
Um dia, fui procurada por uma professora que estava preocupada com duas
alunas, uma menor e a outra maior, ambas cursavam a mesma classe de 8ª
série. A professora dizia que as meninas estavam namorando. Questionei
a professora sobre o que havia de mal nisso, uma vez que havia na escola
vários casais heteros e que a escola não havia ligado para
nenhuma das famílias e que a melhor medida a ser tomada seria a
de proibir o namoro de todos dentro da Unidade Escolar. A professora se
mostrou surpresa, afirmou que havia bastante distinção entre
casais heteros e homos. Pedi, então, que a professora relatasse
onde tinha visto as meninas trocando carícias ou beijos; a professora
afirmou não ter visto nada de efetivo, mas que todos os alunos
estavam comentando. Além disso, elas sentavam juntas, em dupla
e uma delas tinha o estereótipo masculino. Após dois dias,
precisei participar de um curso na cidade de Serra Negra (SP). Quando
voltei, soube que a professora tinha levado o caso à direção
da escola. Como a diretora é evangélica praticante e vê
a homossexualidade como coisa pervertida, doença, influência
de forças negativas, achou por bem transferir de escola uma das
alunas. Depois de terem sido expostas diante de todos os
alunos, ambas as alunas foram transferidas da escola. Sei, através
de uma outra aluna que estuda nessa escola aqui, que uma das meninas está
atualmente sem estudar.
Nos reportando às palavras de Zeichner, vemos que a coordenadora
Maria procurou refletir sobre as conseqüências das ações
dos professores na vida dos alunos, mas essa reflexão foi isolada
e individual, não envolveu o corpo docente da escola. Os resultados
obtidos com a transferência das alunas, inclusive o fato de uma
não estar estudando atualmente, parecem ter sido satisfatórios
para os professores da classe/série. Ao serem questionados sobre
isso, apenas a coordenadora mostrou-se frustrada com os resultados, os
demais professores disseram não haver outra solução
para esse problema.
O professor Luiz Mott, da Universidade Federal da Bahia, levanta a questão
de que
“hoje
tem índios de cabeleira comprida fazendo universidade em Brasília,
negros há mais de século ocupam lugares de destaque na inteligentzia
brasileira, inclusive na universidade, mulheres idem. Pergunto: quantos
professores e professoras, seja em escolas primárias, seja nas
universidades, quanto podem dizer publicamente que são homossexuais,
sem perder seus empregos? E por quê não? Porque nossa sociedade
heterossexista e homofóbica teme que esses mestres digam a verdade
científica em suas salas de aula, a saber, ‘que todas as
expressões sexuais, desde que respeitem a liberdade alheia, são
igualmente válidas, legítimas e saudáveis’,
conforme dizem os antropólogos brasileiros (...)” (Mott,
1985, p.117).
Os professores,
conforme seus depoimentos, também são discriminados dentro
das escolas. Essa homofobia foi encontrada na escola Safo. Lúcia,
professora de Física e autodefinida homossexual, relata que, logo
no início do ano de 2004, ao se apresentar na escola, foi chamada
pela coordenadora que lhe pediu para que não misturasse a vida
particular com questões profissionais. Como foi pega de surpresa,
Lúcia afirma que só lhe restou responder com a cabeça
de forma afirmativa. A professora Lúcia relatou que, após
um mês, descobriu que comentava-se na escola sobre uma possível
experiência homoerótica da diretora.
Interessante observar no caso da professora Lúcia é que
a coordenadora a chamou antes mesmo de ‘comportamentos diferentes’
serem presenciados. Mais irônico ainda é ter constatado,
por meio das entrevistas, que houve, nessa mesma escola, outro caso de
‘desvio de comportamento’.
Uma aluna da sétima série do ensino fundamental que não
aceitava ser chamada pelo próprio nome e adotou para si mesma um
nome masculino. Nas aulas de Educação Física seus
gestos não eram nada delicados e ela, quando participava de jogos,
passava sua mão nos genitais das outras meninas. Pelo depoimento
de professores, a direção e coordenação recomendaram
que a família encaminhasse a aluna para uma terapia e que, se possível,
a transferisse de escola.
Segundo a diretora, chamada aqui de Maura, essa aluna não aceita
seu corpo e nem seu nome. O seu comportamento incomoda alguns professores
e funcionários, causam problemas para a direção e
coordenação que têm que ficar no meio das reclamações
e problemas de convivência. As outras crianças parecem, de
certa forma, conviverem bem com a questão, talvez pela convivência
no dia-a-dia ou por morarem próximos.
Maura afirma que a menina é sempre muito irreverente e que, na
maioria das vezes, agride para se proteger ou para causar polêmicas.
A diretora contou que durante uma das aulas de Ciências, quando
a professora, uma evangélica, ensinava sobre reprodução
humana, essa aluna afirmou que ela produzia esperma como os homens. Demonstrando
desconhecer seu papel enquanto professor nessa atual e complexa sociedade,
a professora não tentou abordar ou questionar a menina do como
isso ocorria ou explicar para todos os alunos sobre espermatozóides
e óvulos, neste momento ela recorreu a sua religião. Segundo
relatos de alunos, a professora teria adotado um comportamento típico
de certos rituais religiosos que pretendem afastar o mal, ou “espíritos
maléficos”. Diante dessa atitude, a menina teria levantado
e começado a agredir verbalmente a professora com palavrões.
Isso causou um grande problema, a direção e coordenação
tiveram que chamar todos os pais dessa classe para uma reunião
e esclarecer o que havia ocorrido.
Como ressaltam Camargo e Ribeiro, “os currículos dos cursos
de formação de professores e professoras deveriam conter
falas e vivências sobre a sexualidade humana, despertando as possibilidades
do corpo e das emoções. Conhecer a sexualidade não
significa aprender a estrutura dos genitais. Educação Sexual
centrada na genitália advém de uma educação
que disciplina, organiza e concentra o prazer nos genitais; assim procedendo,
anestesia o resto do corpo” (Camargo e Ribeiro, 1999, p.50).
Considerações finais
A escola
por receber crianças e jovens em processo de formação
de identidade deveria tratar a sexualidade com mais profundidade e não
apenas como um ‘apêndice’do currículo. Entretanto,
não há, atualmente, nenhum programa oficial que discuta
e subsidie os professores na discussão da sexualidade humana enquanto
comportamento, há apenas ações pontuais de grupos
militantes ou de organizações não-governamentais.
Assim como em muitas escolas, as ações, na maioria das vezes,
limitam-se a expulsar os problemas para fora de suas unidades. Um aspecto
marcante foi ter verificado que nessas escolas pesquisadas não
houve registros sobre os reais motivos das transferências e das
advertências dadas ao comportamento dos alunos.
Trabalhar a sexualidade humana na escola pública é realmente
complexo, entretanto, o educador não pode se isentar dessa responsabilidade,
não porque tenha sido uma temática estabelecida nos Parâmetros
Curriculares Nacionais, mas porque se refere a uma discussão que
permeia todos os segmentos da sociedade brasileira.
Um dos papéis atuais da escola é fornecer aos educadores
subsídios para que eles trabalhem os assuntos ligados à
sexualidade, com ética e sem imposição de valores
absolutos. Desse modo, é importante que os cursos de formação
não trabalhem a sexualidade de forma dicotomizada e passem a abordar
corpo e mente de forma mais coesa. Pensando em como devem proceder os
professores diante da complexidade humana recorro a um artigo do professor
Moacir Gadotti, Boniteza de um sonho ensinar-e-aprender com sentido:
A resposta talvez possa ser encontrada numa mensagem deixada por um prisioneiro
de campo de concentração nazista na qual, depois de viver
todos os horrores da Guerra – “crianças envenenadas
por médicos diplomados; recém-nascidos mortos por enfermeiras
treinadas; mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados
de colégios e universidades” – ele pede aos professores
que “ajudem seus alunos a tornarem-se humanos”, simplesmente
humanos. E termina: “ler, escrever e aritmética só
são importantes para fazer nossas crianças mais humanas”.
Ressalto aqui que essa pesquisa precisa ser aprofundada, não houve
uma discussão teórica consistente e não foram ouvidos
nem os representantes dos órgãos oficiais na cidade nem
coordenadores ou docentes de cursos de formação de professores.
A pesquisa foi apenas uma primeira aproximação do tema que
será investigado no programa de mestrado.
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de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
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Documentos
Oficiais
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394
de 20 de dezembro de 1996.
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