Dijnane Fernanda Vedovatto Iza (Bolsista CAPES/PPGE/
UFSCAR)
Maria Aparecida Mello (PPGE/DME – UFSCar)
Introdução
A história da origem das creches associada ao
longo tempo de permanência junto à promoção
social cristalizou uma visão de exclusividade do “cuidar”
no trabalho das pajens/professoras com crianças pequenas. Não
havia a perspectiva de educar as crianças e, na mesma proporção,
não havia a necessidade de (in) formar as profissionais em relação
à educação das crianças. Em decorrência
desse quadro, o trabalho dessas mulheres foi e, ainda é, desvalorizado,
uma vez que, é associado à classe trabalhadora e de baixa
renda, a qual necessita desse tipo de serviço gratuito para os
seus filhos. Além dos salários serem baixos, as condições
de trabalho dessas mulheres são inadequadas para o desenvolvimento
de atividades educacionais.
A partir da LDB (1996), a educação é um direito de
todas as crianças de 0 a 6 anos e não apenas daquelas, cujas
mães trabalham fora de casa. As creches passaram a pertencer à
Secretaria Municipal de Educação e Cultura e, com isso,
é evidenciada a preocupação em desenvolver um trabalho
educativo associado aos cuidados que as crianças pequenas necessitam.
Essa mudança facilitou uma parceria entre a Secretaria da Educação
e Cultura de São Carlos, o Departamento de Metodologia de Ensino
da Universidade Federal de São Carlos e o Departamento de Arquitetura
e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, com a
finalidade de desenvolver um diagnóstico das creches da cidade
de forma a levantar as condições pedagógicas, de
pessoal, de estrutura física, demanda para creches, entre outros;
visando propor melhorias para a qualidade das instituições
de Educação Infantil.
O presente trabalho é parte do projeto “Diagnóstico
das creches do Município de São Carlos” (1999) , cujo
objetivo principal é fortalecer uma linha de pesquisa para o desenvolvimento
de políticas públicas para a Educação Infantil,
por intermédio da construção de uma parceria com
o setor público, que facilite a implementação das
decisões estabelecidas pela equipe formada de professores de duas
universidades e de dirigentes municipais.
Nesse contexto, surgiram algumas questões que fundamentaram o presente
trabalho, são elas: em que momentos da rotina diária da
creche ocorrem atividades de movimento? Que atividades de movimentos as
crianças realizam espontaneamente (atividade livre)? Que atividades
de movimentos são propostas pelas professoras (atividade dirigida)?
Como essas atividades são propostas? Na rotina diária da
creche quais oportunidades são oferecidas às crianças
para se movimentar? As crianças têm acesso a espaços
diferentes e a materiais diversificados?
Para investigar tais questões utilizamos como referencial teórico
a abordagem Histórico-Cultural, defendida por Vigotski, que trabalha
o desenvolvimento humano na perspectiva da cultura e das interações
entre os indivíduos, destacando a importância da mediação
do adulto no desenvolvimento da criança.
O Desenvolvimento da Criança na Perspectiva Histórico-Cultural
A criança desde o seu nascimento é cercada
de experiências sociais, inicialmente com os familiares, depois
com adultos “estranhos”, com outras crianças, e na
medida em que ela interage com o mundo que a cerca apreende como é
o seu funcionamento, compreende os comportamentos que caracterizam a sociedade
em que vive.
Nesse sentido, as profissionais da Educação Infantil são
de extrema importância no processo de desenvolvimento das crianças
e na qualidade das relações que estabelece com elas. A criança
vai apreendendo as ações práticas, essenciais para
atuar na sociedade. As “ações de orientação”
preparam as “ações práticas”, de maneira
que diante de um determinado problema a criança avalia a situação,
articulando “ações internas” para responder
ao que lhe é apresentado. “(...) a criança assimila
novas ações internas, psíquicas, que lhe permitem
resolver problemas cada vez mais complexos e variados” (Mukhina,
1996, p.46).
Portanto, é imprescindível que a professora conheça
e considere o desenvolvimento da criança para que possa auxiliá-la
a apropriar-se de situações mais complexas a cada dia. No
entanto, o ensino deve guiar o desenvolvimento da criança, sem
prender-se exclusivamente a ele, ou seja, as atividades propostas à
criança devem ajudá-la a desenvolver novas habilidades.
Na perspectiva histórico-cultural, significa a professora trabalhar
na zona de desenvolvimento próximo da criança, que é
o aprender algo novo em função da colaboração
de alguém, mas esse aprender está diretamente ligado às
possibilidades da criança em aprender.
Vigotski (2001) alerta que trabalhar na zona de desenvolvimento próximo
da criança é mais importante do que no nível de desenvolvimento
atual, que significa aquilo que a criança já aprendeu, pois
a colaboração da professora na atividade que a criança,
ainda, não consegue resolver sozinha contribui para que ela mobilize
os seus conhecimentos, já efetivos, para apropriar-se de um novo.
A criança quando recebe ajuda de outra pessoa amplia seu aprendizado,
mas é importante considerar as suas possibilidades, pois a criança
aprende com maior facilidade quando as tarefas exigidas estão mais
próximas ao que ela consegue fazer. Assim, a aprendizagem está
sempre à frente do desenvolvimento, uma vez que ela provoca o desenvolvimento
que se encontrava na “zona de desenvolvimento próximo”.
O educador tem que reconhecer essas possibilidades de aprendizagem da
criança para auxiliá-la na apropriação dos
conhecimentos. Por exemplo: com o passar do tempo, a criança aprende
a sustentar a cabeça, a sentar, engatinhar, andar, enfim adquire
conhecimento das formas de comportamento do ser humano. Mas isso só
é alcançado porque há a contribuição
do adulto que a incentiva a realizar esses movimentos (Mukhina, 1996).
Estimular a criança a deslocar-se, oferecer-lhe os objetos, instigar-lhe
a curiosidade e o interesse em explorar o que o adulto lhe apresenta,
são exemplos de ações simples que impulsionam as
aprendizagens e o desenvolvimento da criança.
Essas ações podem ser entendidas como “mediações”
que o adulto estabelece nas relações com a criança.
Mello (2001, p. 25, 26) esclarece este conceito da seguinte forma:
O Homem apropria-se de conhecimentos pela via das mediações,
as quais podem ser infinitas. Essas mediações modificam-se
à medida que o indivíduo se desenvolve e cria novas necessidades
para si (...). Durante a sua vida o homem, assimila as experiências
produzidas socialmente por intermédio da aquisição
de significados. A significação exerce, assim, a função
de mediadora na assimilação da experiência humana
pelo homem. A apropriação destes significados dependerá
do sentido subjetivo que cada indivíduo imprime a eles, sentido
esse que se cria na vida e na atividade social desse indivíduo.
Portanto, a criança apreende o mundo por meio das mediações
dos adultos, dos objetos e das outras crianças e, nesse processo,
os movimentos que a criança executa nas suas atividades são
fundamentais para o seu desenvolvimento. Assim é necessário
que a professora coloque à disposição da criança
diversos materiais, possibilite interações com outras crianças
e esteja atenta aos seus movimentos, pois ela adquire inúmeros
conhecimentos explorando não apenas o seu próprio corpo,
mas também o ambiente e os objetos que a cerca. A manipulação
dos objetos possibilita à criança apreender seus significados,
por exemplo, o copo é um recipiente para beber, ou a colher é
um instrumento para levar comida à boca. Embora esses objetos possam
ser usados para outras coisas, a criança sabe para quê serve
o copo ou a colher. Esses objetos são utilizados de uma determinada
maneira, e isso faz parte das regras do comportamento social. Desta forma,
ao conhecer a utilização dos objetos a criança está
compreendendo as regras sociais.
Essas experiências sociais que a criança vivencia proporcionam
a compreensão do funcionamento da sociedade, que será mais
tarde, no terceiro ano de vida, reproduzida por meio de jogos dramáticos,
que nascem para satisfazer a necessidade de convivência social das
crianças com os adultos.
A criança representa as ações dos adultos, reproduzindo
as regras dos comportamentos sociais, e, como complemento do jogo dramático
a criança utiliza objetos que não possui. “Dessa forma,
um bloco de madeira, um carretel ou uma pedra podem servir de sabão
para lavar a boneca” (Mukhina, 1996, p.116).
Inicialmente, a criança utiliza o objeto no jogo dramático
chamando-o pelo nome verdadeiro. Em um segundo momento ela chama o objeto
de acordo com o papel que ele desempenha no jogo. Para Mukhina (1996,
grifo da autora, p.117): “A criança na primeira infância
age inicialmente com o objeto e mais tarde compreende o significado do
objeto no jogo”.
Para a representação dos papéis sociais no jogo dramático,
a criança articula, entre outras coisas, a linguagem e os movimentos,
assim Galvão (2000, p.72) expõe:
Na infância é ainda mais pronunciado o papel
do movimento na percepção. A criança reage corporalmente
aos estímulos exteriores, adotando posturas ou expressões
isto é, atitudes, de acordo com as sensações experimentadas
em cada situação.
A criança representa com gestos e posturas a situação
imaginária, por exemplo;
Em uma situação de interação
entre mãe e filha, Satie diz para sua mãe que irá
fazer um bolo, pega um objeto similar a uma fôrma e alguns blocos
de montar. Os arruma dentro da “fôrma” e leva ao “forno”
aguarda por algum tempo e o retira. Ao fazer isso ela usa panos para pegar
a fôrma que está quente e coloca no chão. Chama a
sua mãe de filhinha, e diz que irá assoprar o bolo para
ela comer, pega um objeto (um pequeno dardo de plástico) e diz
que é a faca para cortar, entrega para sua mãe um pedaço
do bolo, representado por uma peça dos blocos que estão
na forma, e pede para que ela coma, dizendo para tomar cuidado porque
está quente e alerta que tem que assoprar (Observações
de D.F.V. Iza).
Quando Satie diz que irá fazer um bolo, ela imita
o adulto nas ações que caracterizam essa cena, substitui
o bolo “verdadeiro” por algum outro objeto, faz o gesto de
abrir o forno, colocar o bolo, e fechá-lo, gesticula abrindo novamente
o forno para retirar o bolo, espera que esfrie, assoprando para comê-lo.
Há todo um ritual de movimentos, gestos, posturas, condutas, palavras
que simbolizam essa situação. Satie, como toda criança,
necessita coordená-los para que a situação imaginária
aconteça.
A partir dessas brincadeiras a criança expressa o que ela vivencia
junto aos adultos. Essa gama de movimentos experimentados por intermédio
da brincadeira contribui para o desenvolvimento da criança.
As atividades de Movimento na Educação Infantil
Concebemos o Movimento como uma ação educativa
utilizada pelas professoras que realizam a mediação entre
o conhecimento e a criança. Nesta perspectiva, o Movimento é
intencional, abrangendo e enfatizando as relações e valores
sociais.
O Movimento, aqui explicitado, não é apenas motor, mas se
relaciona com atividades de resolução de problemas, de questionamentos,
de criatividade, de compreensão e respeito a regras, de companheirismo,
enfim de elementos e valores sociais importantes para a vida da criança.
Para que tais valores sejam trabalhados com as crianças é
necessário que o profissional tenha clareza do seu trabalho; na
atividade de pular corda, por exemplo, a criança pode ser instigada
a vários questionamentos e valores como: em que momento ela deve
pular a corda, compreender o movimento da corda em relação
ao seu corpo, tomar consciência que pode obter sucesso ou não
na atividade, respeitar o erro ou acerto do colega, compreender que na
vida podemos ter vitórias e derrotas, respeitar honestamente as
regras inerentes à atividade, enfim essas são algumas, dentre
muitas, questões importantes a serem trabalhadas com a criança
pequena e que não estão restritas ao aspecto de movimentar
o corpo, no sentido estrito do ato motor (Mello, 2001).
No desenvolvimento de atividades de Movimento para as crianças
de 0 a 6 anos, deve se levar em consideração que a criança
é um ser inteiro, não pode se limitar apenas a padrões
motores pré-estabelecidos. Ao considerar apenas o aspecto motor,
o desenvolvimento da criança pode ser limitado. O trabalho com
atividades de Movimento pode ser ampliado de uma maneira que não
desconsidere o aspecto motor, mas também não se restrinja
a ele.
Cabe ao educador proporcionar à criança uma grande variedade
de atividades, de modo que ela possa vivenciar diferentes situações,
com materiais diversos, espaços diferenciados, etc, mas é
importante salientar que não basta apenas a diversidade das atividades,
dos materiais, ou dos espaços, é essencial que a qualidade
das relações entre crianças e adultos seja harmoniosa.
A mediação das professoras no desenvolvimento das atividades
de Movimento na Educação Infantil é de extrema importância
e por isso devem ser planejadas, visando o desenvolvimento das crianças
pequenas, de maneira que tragam efetivamente benefícios à
vida das crianças em sociedade.
Ao propor atividades de Movimento não as defendemos de forma isolada,
mas afirmamos a importância que têm no trabalho com as crianças
pequenas. Não vemos a atividade física apenas como promotora
de atividades que visam o desenvolvimento motor, ela pode e vai, além
disso, alcançando uma amplitude maior, a fim de proporcionar às
crianças questionamentos e valores sobre a sociedade na qual estão
inseridas, e isso depende, em grande parte, da mediação
que o adulto exerce com as crianças.
É importante que a professora tenha muita criatividade para atender
às motivações das crianças que são
muito dinâmicas e desejosas de brincadeiras e jogos variados. Mais
do que apenas apresentar as atividades, é interessante que o adulto
coloque para as crianças situações nas quais elas
sejam incitadas a resolver problemas durante a execução
dos movimentos, apropriando-se da melhor maneira para realizar as atividades.
É importante sempre respeitar o ritmo e a descoberta individual
de cada criança.
O aprendizado, deste modo, se torna significativo na medida em que a criança
explora as suas possibilidades de raciocínio, de movimentos, de
controle motor, enfim, de todos os aspectos coordenados que ela necessita
para resolver a situação em questão.
Direcionar os movimentos das crianças, tentando aperfeiçoá-los
pode ser um trabalho perdido, por tais movimentos não terem sentidos
para elas, as quais irão executá-los mecanicamente e, assim,
dificilmente serão apreendidos.
Ao contrário, o aspecto lúdico e a contextualização
das atividades são fundamentais para que a criança lhes
atribua algum sentido. Para isso, a professora pode utilizar histórias,
músicas, desenhos, etc.
Nessa perspectiva, as atividades de Movimento podem desenvolver as habilidades
de lateralidade, equilíbrio, noções de espaço
e tempo, dentro e fora, esquema corporal, tônus muscular, enfim,
uma infinidade delas que podem ser exploradas de inúmeras formas,
abordando aspectos como alto/baixo, espaço e tempo, ritmo, forte
e fraco, lento e rápido, entre outros; em atividades como: brincadeiras,
jogos, danças, dramatizações, e, ainda, por meio
de diversos materiais tais como: cordas, arcos, bolas, pneus, etc.
A importância do/a educador/a como mediador(a) no processo de desenvolvimento
das crianças é incontestável, por isso há
a necessidade de ter conhecimentos claros e específicos para a
realização do trabalho educativo intencional junto às
crianças pequenas (Mello, 2001).
Essa mediação acontece diariamente com as crianças
pequenas, assim, tendo como pressuposto que esta fase da vida da criança
é de fundamental importância para a aquisição
de diferentes aprendizagens, o objetivo deste trabalho foi identificar
atividades de Movimento e de Não-Movimento desenvolvidas com as
crianças na instituição pesquisada; como elas são
realizadas; quem as desenvolve e em que momento da rotina diária
da creche elas ocorrem.
Procedimentos Metodológicos
Desenvolvemos um protocolo de observação
das atividades da rotina diária da creche pesquisada, para investigar
como as atividades de Movimento eram trabalhadas com as crianças
de 0 a 6 anos, para isso utilizamos a abordagem histórico-cultural
cujo pressuposto é a mediação entre as crianças
e destas com a professora.
Utilizamos vídeo-gravações, efetuadas no período
da manhã e tarde, três vezes por semana, durante dois meses,
em diferentes horários, situações e faixas etárias
das crianças, de maneira que pudessem garantir grande variedade
de informações.
As filmagens referem-se a oito pajens/professoras responsáveis
pelas seguintes faixas etárias: 0 a 2 anos (berçário),
2 a 3 anos (infantil I), 4, 5 e 6 anos (infantil II). No total foram gravadas
doze fitas de vídeo de trinta minutos.
A creche pesquisada foi criada na década de 80 e atende o total
de 122 crianças, são 62 crianças em período
integral e 60 em meio período, sendo que 57 crianças tem
idade de 4 a 6 anos e permanecem o período vespertino na Escola
Municipal de Educação Infantil (EMEI) e o outro período
nessa creche. São nove educadoras distribuídas da seguinte
forma: três profissionais para o berçário, três
para o grupo de crianças de 2 a 3 anos (infantil I), e três
para o grupo de 4, 5 e 6 anos (infantil II), sendo uma professora para
cada faixa etária.
Para organizar os dados gravados em doze fitas de vídeo, foi necessário
assistir às vídeo-gravações, identificando
as atividades desenvolvidas pelas professoras, tais como: alimentação,
descanso, atividade dirigida, etc.
Assim, elaboramos um Protocolo para as filmagens, no qual foram registrados
aspectos relativos à organização da creche. Para
tal consideramos os seguintes aspectos: o tipo de atividade desenvolvida;
o tempo de duração da atividade, o espaço utilizado,
a seqüência dos acontecimentos em que a professora realizou
a atividade e o envolvimento das crianças; ações
que retratam como a professora desenvolveu a atividade e organizou o espaço.
Esses elementos nortearam a análise das fitas de vídeo.
Dentro da rotina diária, o foco central de investigação
deste trabalho foi discutir o desenvolvimento das atividades de Movimento
e de limitação do Movimento, que chamamos de Não-Movimento,
promovidas pelas professoras para as crianças pequenas. Assim identificamos,
nos protocolos, as informações acerca da questão
Movimento e Não-Movimento na rotina da creche.
Movimento e Não-Movimento Na Creche
As professoras têm trabalho durante todo o tempo
em que permanecem na creche e esse trabalho se refere exclusivamente a
alimentar, garantir a higiene (banho, troca) e o descanso das crianças.
Embora essas questões sejam relevantes e de extrema importância
para o bem estar das crianças, as professoras não oferecem
outras atividades e, isso, provavelmente, se deve à falta de organização
do tempo que dispõem.
Algumas professoras comentaram que havia um número excessivo de
crianças e que se sentiam muito sobrecarregadas. No entanto, ao
analisar o número de crianças na creche temos: 4 meses a
2 anos – 20 crianças/3professoras; 2 a 4 anos – 55
crianças /4 professoras; 4 anos – 25 crianças/1 professora;
5 anos – 25 crianças/1 professora; 6 anos – 19 crianças/1professora.
Podemos perceber que não há número além daquele
recomendado pelo documento “Subsídios para Credenciamento
e Funcionamento de Instituições de Educação
Infantil” (1998, artigo 9º) :
“Os parâmetros para a organização
de grupos decorrerão das especificidades da proposta pedagógica,
recomendada a seguinte relação professor/criança
(p. 36): crianças de 0 a 1 ano - 06 crianças/01 professor;
crianças de 1 a 2 anos - 08 crianças/01 professor; crianças
de 2 a 3 anos - 12 a 15 crianças/01 professor; crianças
de 3 a 6 anos - 20 a 25 crianças/01 professor”.
Assim, o que parece ser evidente é a necessidade de uma outra organização
que seja mais eficiente no atendimento das crianças. Uma organização
que leve em consideração uma melhor qualidade do trabalho
das profissionais, tanto nas condições de trabalho delas
quanto no atendimento às crianças pequenas.
Atividades de Movimento
As atividades sistematizadas de Movimento, que estamos
considerando aqui, são as promovidas pelas professoras com a intenção
de trabalhar atividades de Movimento com as crianças, tais como
brincadeiras dirigidas, danças, dramatização, etc.
Essa intencionalidade pressupõe a sistematização
das atividades, cujos conteúdos privilegiem elementos que contribuam
para o desenvolvimento da criança, como por exemplo: lateralidade,
equilíbrio, coordenação motora, noções
de espaço e tempo, noções que a criança tem
sobre a sua imagem do corpo, da expressão corporal, de controle
tônico, entre outros; Além da intencionalidade e sistematização
das atividades é imprescindível levar em consideração
as peculiaridades das crianças pequenas, abordando esses elementos
de forma lúdica.
Para selecionar os episódios de Movimento, utilizamos como critério
os momentos em que as professoras demonstravam a intenção
de promover atividades com Movimentos, a seguir apresentamos e analisamos
os dados com episódios da rotina da creche que indicam essas atividades.
Movimentos das crianças em função da música
(crianças de 2 a 3 anos).
Depois do almoço as professoras levaram as crianças em uma
sala e colocaram uma música. Tentaram desenvolver uma atividade
de roda com elas, mas, algumas não se interessaram pela atividade
e foram mexer no rádio. A professora saiu da roda para tirar as
crianças de perto dele, quando retornou, a atividade não
teve continuidade, pois as crianças estavam dispersas com os brinquedos,
a bola e a música que tocava na sala.
Algumas crianças fizeram uma roda, sozinhas, na qual cantavam e
dançavam, realizavam movimentos diversos girando, andando, correndo,
saltando, dançando, marchando, batendo palmas, etc. As professoras
ficavam tirando as crianças que estavam mexendo ou querendo mexer
no rádio.
Podemos perceber no episódio relatado acima que
a música incentivou as crianças a se organizarem e realizarem
uma roda sem a orientação da professora, talvez com base
em experiências anteriores, nas quais as músicas eram trabalhadas
em roda. Este tipo de atividade livre é importante para as crianças,
entretanto, ela precisa ser mesclada, no plano de aula, com atividades
mais intencionais, as quais a professora pode utilizar-se da música
para ajudar a criança a desenvolver movimentos e habilidades que
ainda não estão desenvolvidos nela. É interessante
notar que a professora não se preocupou em desenvolver a atividade,
mas sim em proteger o rádio das crianças.
O fato das professoras não utilizarem estratégias que instigassem
nas crianças a motivação em realizar a atividade
de roda resultou na desistência das crianças pela atividade.
As crianças perderam, portanto, a oportunidade de explorar melhor
seus movimentos, desenvolver outras habilidades, fazer relações
entre objetos, pessoas, acontecimentos, etc. A falta dessas estratégias
limitou as crianças a realizarem movimentos já conhecidos.
Na rotina para as crianças de 4 meses a 2 anos não houve
nenhuma atividade de Movimento, promovida de maneira sistemática
pelas professoras, ou seja, as crianças se movimentavam espontaneamente
sem a mediação delas. As professoras utilizavam a maior
parte do tempo, cumprindo a rotina de cuidados com a higiene e alimentação
da criança, talvez isso as impedisse de otimizar o tempo e as atividades.
Ofereciam brinquedos, que ficavam guardados em cima do armário,
em um determinado momento da rotina, mas não procuravam desenvolver
nenhum trabalho com eles.
A ênfase nas atividades de cuidado, sempre realizadas pelas professoras,
não incentiva nas crianças práticas mais autônomas,
principalmente, naquelas crianças mais velhas e que já podem
ser estimuladas a comer sozinhas, tomar banho, com a supervisão
da professora, etc. Além disso, a falta de acesso das crianças
aos brinquedos, as impede de desenvolver habilidades de escolha, de iniciativa,
entre outras.
A criança de 4 meses tem movimentos que expressam o que ela sente,
pois é a maneira que tem de se comunicar, já que ainda não
domina a fala. Esses movimentos espontâneos podem ser ampliados
pela professora. Para clarear essa idéia relatamos um exemplo abaixo:
A mãe mostra um brinquedo de borracha ao bebê de 4 meses,
ele observa e tenta pegá-lo com o movimento dos braços em
direção ao brinquedo mas com as mãos fechadas, a
mãe abre as mãos do bebê para que ele possa pegar
o brinquedo, ela faz isso algumas vezes quando o bebê tenta pegar
o brinquedo com as mãos fechadas, e logo o bebê entende que
deve abrir as mãos para pegar o brinquedo. Até que ele adquire
o conhecimento de que deve levar as mãos abertas até o brinquedo
e depois fechá-la para segurá-lo. (Observações
de D.F.V. Iza).
Nesse exemplo fica claro como a mãe ampliou o
conhecimento do bebê por meio de sua mediação, para
que isso ocorresse foi necessário que ela voltasse sua atenção
ao bebê, oferecendo-lhe algo novo, no caso o brinquedo.
Além do Movimento, o toque na criança e a conversa são
importantes ações do adulto para que a criança estabeleça
vínculos com ele e, por meio desta relação ela possa
conhecer o mundo.
Outro aspecto a destacar para essa faixa etária de 4 meses a 2
anos é o grande intervalo de idade entre as crianças em
uma mesma sala na creche. As crianças de 1 a 2 anos têm necessidades
de movimento diferenciadas das crianças menores. Talvez, este modo
de organizar as salas com as crianças, dificulte a organização
do trabalho das professoras, na perspectiva de relacionar o cuidado e
a educação.
Com as crianças maiores aparece a tentativa das professoras de
trabalhar as atividades de movimento de forma intencional, conforme o
episódio a seguir:
Corre Cutia (crianças de 2 a 3 anos)
A professora pediu que todas as crianças se sentassem em roda e
perguntou quem sabia brincar de corre cutia. Em seguida, começou
a caminhar em volta da roda, cantando a música “corre cutia
na casa da tia, corre cipó na casa da vó, chupa cana com
um dente só”. Algumas crianças começaram a
correr atrás da professora, quando outra professora interveio,
dizendo que era apenas uma criança que deveria correr. A atividade
não teve continuidade.
Nessa atividade as crianças não entenderam
a brincadeira, uma vez que as professoras não ensinaram a elas.
As crianças observavam as professoras, meio apáticas, sem
motivação pela atividade. Embora essas professoras tenham
tido a boa intenção em desenvolver alguma atividade com
as crianças, não obtiveram êxito na sua realização,
provavelmente, em função de não terem adequado a
atividade às possibilidades das crianças naquele momento.
A dificuldade das profissionais em relação às atividades
de Movimento é recorrente, pois algumas professoras têm formação
que não compreende as atividades de Movimento e outras nem têm
a formação inicial do magistério.
É importante que a criança seja incentivada a realizar movimentos
diversos, e cabe à professora, como mediadora no processo educativo,
ajudá-la a apreender novos conhecimentos.
Atividades de Não-Movimento
As atividades de Não-Movimento, que nos referimos,
não significa a falta de movimento ou o ato de ficar parado sem
se mexer, mas sim, as situações em que as crianças
se encontram em determinados momentos de limitação de movimentos,
impostos pelo tipo de atividade que as professoras propõem. Apesar
dessa restrição, as crianças extrapolam e criam outras
maneiras de se movimentar dentro daquela atividade.
Os critérios que utilizamos para classificar os dados referentes
às atividades de Não-Movimento foram os momentos em que
as crianças tiveram que ficar presas a uma determinada situação,
quietas e caladas a pedido da professora.
Em muitos momentos na instituição pesquisada constatamos
o grande empenho das professoras em fazer com que as crianças permanecessem
sentadas ou paradas e sem produzir muito barulho. As crianças obedeciam
às professoras, por um tempo pequeno, e, depois tentavam romper
o imobilismo imposto a elas, de várias maneiras, como, por exemplo,
não dormindo na hora determinada pela professora, levantando da
cadeira na hora da refeição, etc.
Essa necessidade de movimento na criança entra em conflito com
as exigências das atividades que a professora propõe. O controle
dos movimentos para a realização das atividades é
um processo de aprendizagem que leva tempo. A criança pequena se
utiliza, principalmente, de gestos para poder se expressar e “a
redução da motricidade exterior e o ajustamento progressivo
do movimento ao mundo físico está ligada também à
possibilidade de controle voluntário sobre o ato motor” (Galvão,
2000). Esse processo é gradativo e lento e depende não apenas
do desenvolvimento das crianças, mas, principalmente, do tipo de
intervenções educativas que as professoras realizam com
elas. Portanto, é fundamental que o/a profissional ajude a criança
a aprender o controle próprio de suas ações, incentivando-a
a conhecer seu corpo, suas possibilidades de realizar movimentos para
se expressar, se relacionar, se concentrar, etc.
O desenvolvimento da criança tem que ser levado em conta para que
as professoras possam promover atividades que sejam convenientes à
idade, e o controle que a criança tem sobre seus movimentos está
sendo construído em um processo de descobertas.
As tarefas devem ser variadas, sendo necessário sempre instigar
a criança a aprender algum conhecimento novo. Sobre isso Mukhina
(1996) sugere as “tarefas de estudo” como uma ferramenta que
responde à curiosidade da criança e ao seu interesse em
conhecer.
Instigar o aprender na criança deve ser mais importante do que
mantê-la quieta e em silêncio para ouvir. As educadoras têm
a tarefa de mediar o conhecimento e não limitar ou restringir as
atividades em práticas mecânicas e sem sentido. O conhecimento
não está diretamente relacionado ao Não-Movimento,
mas sim, a como ele é proporcionado às crianças,
pelas educadoras.
As professoras parecem relacionar a habilidade de atenção
com o Não-Movimento, ou seja, para que a criança aprenda
existe a idéia de que ela deva, necessariamente, estar sentada
olhando para a professora e qualquer movimento fora disso pode ser um
sinal de desatenção, culminando em uma repreensão.
Vejamos no seguinte episódio:
O brinquedo tênis (crianças de 2 a 3 anos).
As crianças estavam brincando com algumas bolinhas de argila dentro
da sala de aula. Elas ficavam sentadas nas cadeiras. Não podiam
se levantar porque a professora pediu que fosse assim. Havia nesse grupo
uma criança que estava utilizando o próprio tênis
como brinquedo, colocando as bolinhas dentro. Quando a professora viu
a criança brincando, tirou o tênis das mãos dela e
colocou-o no pé.
Parece haver uma intensa e cansativa luta contra o Não-Movimento
por parte das crianças que são ativas, ansiosas por brincar,
pular, gritar, conversar, cantar, etc. A professora parece querer contê-las,
tentando, na maioria das vezes, fazer com que fiquem quietas, de preferência
caladas, realizando as atividades de uma única maneira, estabelecida
pela professora. Assim, a professora perde a chance de conhecer o pensamento
e a brincadeira da criança no momento em que retira o tênis
com que ela estava brincando, impedindo-a de continuar a testar, analisar,
comparar, etc; habilidades importantes para o seu desenvolvimento.
As professoras acabam tendo grande desgaste em fazer com que as crianças
fiquem quietas e caladas, além disso, acarreta um prejuízo
para a criança, pois a creche passa a ter o significado de um lugar
onde ela deve conter-se sempre, ficar em silêncio, obedecer sempre
sem questionar, sem valer as suas idéias, gostos, reflexões,
Perdem a professora em se desgastar e as crianças em não
terem oportunidades de aprender novos conhecimentos de maneira prazerosa,
como podemos observar no episódio abaixo:
A longa espera pelos pais (crianças de 2 a 3 anos).
Terminando o jantar as crianças voltam para a sala para aguardar
os pais. As professoras entregam as chupetas e pedem para que todas as
crianças fiquem sentadas encostadas no paredão (nome dado
pelas professoras). As professoras ficam sentadas, cada uma em uma extremidade,
vigiando as crianças. Essa é a hora de esperar a chegada
dos pais que começa aproximadamente às 16:00h e termina
às 17:00h. As crianças se movimentam, tentando sair da posição
encostada na parede, mas as professoras voltam a pedir para que não
se levantem. Uma das professoras estava com uma bola no colo e ao jogá-la
para cima caiu em frente de uma criança que a pegou para brincar,
imediatamente, a professora tirou-a da criança e guardou-a.
Quando as crianças saíam do paredão, uma das professoras
dizia que iria contar até três para que encostassem novamente
na parede. As crianças obedeciam contrariadas e aborrecidas com
a situação. .
Este episódio revela a pobreza de interação e mediação
da professora com as crianças. Qual o significado para as crianças
de ficarem encostadas na parede, enquanto a professora tem uma bola em
suas mãos? Nesse momento de espera, mais uma vez as crianças
têm que se conter e obedecer às ordens da professora, que
não aparentou nenhuma preocupação em oferecer qualquer
atividade ou brinquedos para as crianças, enquanto aguardavam a
chegada dos pais.
As professoras poderiam deixar as crianças brincando no parque,
ou oferecer brinquedos para que elas brincassem livremente, mas parece
que a preocupação é controlá-las com atividades
paradas. Esperar encostadas na parede é algo que parece representar
esse domínio das professoras sobre as crianças.
Mesmo que as crianças permanecessem em sala para aguardar a chegada
dos pais, as professoras poderiam oferecer um espaço diferenciado
com maiores possibilidades de interação, e também
permitir que as crianças se movimentassem e falassem para que essa
interação pudesse ocorrer.
Sobre isso Galvão (1996, p. 45, 46) aponta que;
No nosso entender, apropriar-se da influência do
espaço sobre a dinâmica das interações significa
concebê-lo como organizador da atividade do grupo, visando o favorecimento
da atividade autônoma de seus elementos. Ocupar a sala com objetos
que funcionem como sugestão para a atividade instrumental ou expressiva
nos parece o ponto principal. Livro, brinquedos, jogos de regra, jogos
de construção ou até mesmo cartazes com o registro
de situações vividas ou temas estudados pelo grupo são
algumas possibilidades. Entre o controle total e a ausência de direção
por parte da professora, pode situar-se a regência exercida pelo
espaço e seus objetos, parâmetro exterior que auxilia o controle
autônomo do comportamento.
Não podemos desconsiderar, neste episódio,
o fato das professoras de creche terem uma jornada diária de trabalho
muito longa, o que pode justificar o cansaço delas no final do
dia e a necessidade de controlar as crianças. Entretanto, a forma
de controle que utilizam é mais estafante do que se deixassem as
crianças livres para brincar entre si neste longo tempo de espera
dos pais.
Nos momentos em que as crianças têm oportunidade de brincar
livremente, ainda é evidenciado o controle das professoras sobre
os movimentos das crianças, conforme relatamos a seguir:
Escorregador (crianças de 2 a 3 anos).
Uma criança estava tentando subir na escada do escorregador, que
é um pouco grande e, por isso, estava com uma certa dificuldade.
A professora ao vê-la naquela situação, deu-lhe a
mão, dizendo-lhe para que descesse da escada porque poderia cair.
Ajudou a criança a sair, incentivando-a a desistir da ação.
Uma outra criança estava esperando a sua vez, ficou observando
e depois de tentar subir o primeiro degrau acabou desistindo também.
Esta é uma situação em que a professora
incentiva o Não-Movimento, alegando que a criança pode se
machucar. Parece que as professoras observam apenas o fato das crianças
poderem se machucar e não vislumbram as possibilidades de ampliarem
o repertório de movimentos das crianças, que é muito
importante para que elas conheçam o próprio corpo, os seus
limites e possibilidades, que enfrentem desafios, etc.
Filgueiras (1998, p. 162) encontra situação semelhante em
sua pesquisa e apresenta da seguinte maneira;
Sob os olhares preocupados das professoras, os meninos
escalavam o “morro” e escorregavam. Embaixo, havia uma região
cimentada. As professoras restringiam a brincadeira para evitar que as
crianças rolassem e batessem a cabeça, outra justificativa
era a possibilidade de encontrar cacos de vidro ou insetos. Outra vez
nos deparamos com o fato que recursos e limitações dependem
da leitura dos atores sociais, ou seja, dos recursos simbólicos.
Para um professor de educação física entusiasmado
o talude significaria um recurso para propor atividades de escalar.
A idéia de preservar a criança é
importante para as professoras, no entanto, é preciso ver além,
na direção do desenvolvimento da criança e, ao invés
de incentivá-la a desistir da ação, poderia ajudá-la
a completá-la. Isso é trabalhar na zona de desenvolvimento
próximo da criança, pois o que ela aprende com ajuda do
outro a levará a ganhar autonomia mais tarde.
Considerações Finais
Procuramos nesta pesquisa, identificar e analisar o trabalho
com as atividades de Movimento desenvolvido pelas profissionais de Educação
Infantil na rotina diária da instituição pesquisada,
com a finalidade de conhecer de que maneira elas promovem tais atividades.
A existência de atividades de Movimento para as crianças
pequenas é de fundamental importância para o desenvolvimento
delas, tanto as atividades dirigidas, previamente planejadas, com objetivos
claros, como a liberdade de movimentos na creche.
As professoras da creche têm experiência de trabalho com as
crianças, mas falta-lhes o conhecimento de como trabalhar atividades
educativas, como as de Movimento. Também, é muito forte
a idéia de manter nas crianças o Não-Movimento. Parece
haver a idéia de que o aprendizado dá-se a partir do controle
sobre as crianças. O Não-Movimento, ou seja, a idéia
que as educadoras têm em manter as crianças quietas e caladas
poderia ser discutido de maneira mais ampla, pois revela como as professoras
vêem a educação das crianças pequenas. É
necessário (in)formar as profissionais da Educação
Infantil sobre o desenvolvimento da criança pequena de modo que
haja um encadeamento da sua prática com seus conhecimentos sobre
a criança, considerando suas características e instigando
suas potencialidades.
A creche deve ser vista como o lugar onde se cuida e educa as crianças.
Entretanto, não deve ser concebida numa visão escolástica,
com tudo o que a escola tem de nefasto e massificante.
O conflito ocorre quando se constata a falta de preparação
das professoras para realizar atividades diversas, utilizando vários
recursos que proporcionem além dos cuidados, a educação
às crianças.
Para que as educadoras realizem seu trabalho é importante que aprendam
mais sobre a sua função na Educação Infantil,
que investiguem quais os recursos disponíveis e de que forma eles
podem ser utilizados, quais os objetivos das atividades que serão
realizadas, assim como, observem se são adequadas à faixa
etária das crianças em questão, enfim, elas necessitam
ter momentos de reflexão sobre a sua prática.
Um problema nos trabalhos desenvolvidos com crianças de 0 a 6 anos
é a especificidade que muitas vezes não é levada
em consideração, a particularidade em desenvolver um trabalho
educativo junto às crianças pequenas, exige uma formação
abrangente e pormenorizada nas questões referentes à Educação
Infantil.
O papel das profissionais que atuam na Educação Infantil
é de extrema importância, pois têm que responder às
exigências das crianças pequenas sem cair no extremo assistencialista
ou escolarizante.
Neste momento, é fundamental que as profissionais percebam a importância
do seu trabalho, agora como professoras e que o desenvolvimento de atividades
variadas com as crianças poderá lhes proporcionar, um aprendizado
significativo. Conscientes de seu papel, a busca de uma formação
apropriada pode trazer muitos benefícios a elas e, principalmente,
à vida das crianças.
Assim, é fundamental que as professoras tenham formação
(inicial e continuada) específica para a Educação
Infantil, de forma a contribuir para o trabalho com crianças pequenas,
refletindo sempre sobre sua prática, de modo a produzir melhorias
no seu trabalho, garantindo maior qualidade na Educação
Infantil.
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