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ENSINO
MÉDIO EM REDE
Maria
Aparecida Muccilo - DiretoriadDe Ensino Região Campinas Leste -
DELESTE
A relação
do ser humano com as máquinas nos faz refletir historicamente para
podermos compreender melhor algumas das dificuldades que encontramos hoje
no uso das tecnologias de informação e comunicação
- as TICs - na educação.
Essa reflexão perpassa pela análise das ideologias de formação
para o futuro do mercado. Perpassa também, pela metodologia de
ensino e aprendizagem centradas em técnicas para o simples uso
das tecnologias, entendidas ainda como ligadas à lógica
utilitarista-instrumental. Aprender a usar um computador, por exemplo,
não é garantia de que o seu uso se dará plenamente.
Ao contrário, o simples domínio da técnica não
possibilita o uso da tecnologia no seu sentido pleno: como uma máquina
de raciocinar que interage com o ser que a opera. Essa idéia requer
pensar no desenvolvimento de competências dos indivíduos
às novas tecnologias da comunicação e da informação.
“Sou medido pela minha conectividade. Minha paixão é
plantar sementes conceituais no substrato da Net e vê-las crescer;
olhar a Net atentamente numa atitude Zen à medida que novas formas
emergem, à medida que a energia criativa da conectividade gera
novas idéias, novas imagens, uma nova vida”. Emergência
(emergence) é o comportamento chave na Net. (Ascoot, 1997: 336)
O uso das chamadas tecnologias inteligentes na educação,
no entanto, configura-se, a meu ver, num movimento absolutamente oposto
em outras áreas do conhecimento. O nosso desafio é, portanto,
duplo. De um lado, não cabe à escola simplesmente aderir
às tecnologias e aos novos paradigmas do mundo contemporâneo
como se a ela não restasse outra opção. Ao contrário,
incorporar essas tecnologias é fundamental, inclusive, para uma
melhor compreensão do que elas estão significando no mundo
contemporâneo. De outro lado, o nosso desafio é pensar em
perspectivas pedagógicas que dêem conta dos desafios do mundo
contemporâneo, sendo que, sem dúvida, numa primeira aproximação,
não está reservado à escola a pura e simples função
de preparação para o mercado.
Precisamos pensar na dimensão social da ciência e da técnica
e, com isso, superar a concepção de sermos apenas consumidores
dessas tecnologias e sim entendê-las como fruto de uma produção
social. O uso que pode ser dado a essas tecnologias vai depender do tipo
de sociedade que temos e, principalmente, do tipo de sociedade que queremos.
A presença das TICs na escola pode representar um movimento ímpar,
uma vez que ao pensarmos na redução das distâncias
estamos pensando na possibilidade de construir o que Pierre Lévy
chama de Inteligente Coletivo. Escolas que tenham uma maior integração
com outras escolas e com o mundo contemporâneo. Escolas que tenham
dentro de suas propostas pedagógicas uma inserção
maior no mundo da mídia. Aqui também num duplo sentido:
de um lado, com a presença de programas, emissões, emissoras
e todas as fontes possíveis de informação. De outro,
como possibilidade de efetivamente produzir. Como a possibilidade de fazer
de cada espaço escolar um espaço de produção
coletiva e, principalmente, de emissão de significados.
Para o desenvolvimento de propostas e projetos com base numa outra perspectiva,
precisamos de uma escola centrada numa pedagogia que não seja a
da assimilação; uma pedagogia que busque, a construção
de um novo espaço educacional e comunicacional que tenha como base
as redes de relações. Sendo assim, passa-se a trabalhar,
sob o ponto de vista do conhecimento, com outra perspectiva.
Tem-se, portanto, uma rede de interação. Cada estudante
e cada professor passariam a ser elementos dessa rede, onde cada elemento
seria também uma rede.
Assim, podemos perceber que institucionalmente temos uma quebra entre
as tradicionais divisões entre teoria e prática, conhecimento
básico e aplicado, pensamento e ação, trabalho e
lazer, entre outros. O conhecimento passa, então, a ser trabalhado
como um espaço acontecimental, na singularidade do que acontece,
com sentido e, ao mesmo tempo, ao nível da linguagem, num outro
espaço, o das proposições, das interações
humanas. A aprendizagem seria dada pela interpenetração
desses espaços através da intensidade e do sentido. Nessa
perspectiva, temos o fortalecimento de cada criança, cada jovem,
cada professor, enfim de cada cidadão envolvido com o processo
escolar, enquanto produtor de cultura e conhecimento.
A escola passa a se constituir num espaço aberto de interações
não-lineares, e, ao contrário da perspectiva dominante.
da institucional e individual para a coletiva articulada.
Proporcionando assim, a elaboração de uma matriz curricular
que possa desencadear ações no sentido de promover a discussão
sobre as especificidades curriculares do Ensino Médio; aprofundar
a capacidade dos assistentes técnico- pedagógicos e dos
professores coordenadores de diagnosticar a realidade escolar, analisar
criticamente a proposta pedagógica das escolas, orientar professores
e planejar propostas de intervenção, tendo em vista o planejamento
escolar, sobretudo no que diz respeito ao trabalho com compreensão
e produção de textos; propiciar subsídios para que
os professores possam diagnosticar a realidade de suas escolas, avaliar
seu projeto político pedagógico e os programas curriculares
de áreas, tendo em vista o planejamento escolar, sobretudo no que
diz respeito ao trabalho com compreensão e produção
de textos. Ao mesmo tempo desenvolver competências leitoras e escritoras
dos agentes educacionais de Ensino Médio e fornecer subsídios
para que os professores possam também desenvolver essas competências
em seus alunos.
Promovendo a integração entre os professores das áreas,
a partir de uma perspectiva interdisciplinar de discussão sobre
projeto político pedagógico; fortalecer as equipes escolares
para dar suporte a mudanças na prática, proporcionar aos
agentes educacionais o conhecimento e a utilização de novas
tecnologias.
A formação deve envolver diferentes agentes educacionais:
Diretores, Professor Coordenadores Pedagógicos, Professores e agentes
educacionais da Diretoria de Ensino Campinas Leste através de Assistentes
Técnicos Pedagógicos e Supervisores.
O programa de formação deve subsidiar o professor na elaboração
do projeto político pedagógico de sua escola e as diretrizes
gerais previstas em documentos oficiais, possa proceder a avaliação
diagnóstica dos alunos, para servir de parâmetro para seu
planejamento diário, assim como , em conjunto com seus pares, elaborar
programações de áreas e/ou planos de ensino e desenvolver
projetos e atividades que garantam a aprendizagem dos alunos e o desenvolvimento
das competências definidas.
O Programa está organizado em temas, referentes aos fundamentos
do currículo da escola média. A cada tema estão associados
dois conjuntos de atividades denominados Vivências Formativas e
Vivências Educadoras. Em articulação com essas atividades,
propõe-se uma discussão sobre a capacidade leitora e escritora
do aluno do Ensino Médio e sobre as formas pelas quais é
possível desenvolvê-la na prática docente, em todas
as áreas curriculares.
As ações formadoras têm o objetivo de formar os Assistentes
Técnicos Pedagógicos (ATPs) para que eles possam vir a ser
mediadores de ambientes virtuais de colaboração. Além
de contribuir para a formação de comunidades de aprendizagens,
tal mediação é um importante instrumento para o acompanhamento
do desenvolvimento do projeto, uma vez que se torna fundamental a criação
de espaços de troca que possam (re) orientar de forma ágil
o processo de formação em curso. As ações
de vivência têm o objetivo de levar o ATP a refletir sobre
seu papel de gestor, fornecendo subsídios para que ele seja capaz
de aprofundar sua capacidade de diagnosticar a realidade escolar e planejar
em conjunto com as equipes escolares propostas de intervenção,
em especial o trabalho com compreensão e produção
de textos; fornecendo subsídios para que ele possa atuar como formador
junto aos professores coordenadores (PC), por meio do estabelecimento
de parcerias para o acompanhamento do trabalho desenvolvido pelos professores
nas escolas. Essa formação se dará por meio das seguintes
modalidades de atividades: teleconferências; ?videoconferências
e ?ações presenciais nos ambientes da Rede do Saber: essas
horas serão autogeridas pelos próprios ATPs e visam desdobrar
os temas trabalhados nas videoconferências: abrangem momentos de
discussão de textos, análises metodológicas, encaminhamentos
que dêem suporte para que os professores possam planejar projetos,
elaborar e/ou analisar/escolher atividades pertinentes questionamentos
para reflexão docente, aprofundamentos, sistematizações.
A formação se dá com trabalho pessoal : atividades
previamente programadas que envolvem a discussão de textos, análise
de relatórios dos PCs e dos professores sobre as atividades desenvolvidas,
elaboração de comentários sobre os relatórios,
preparação de pautas e atividades. A participação
em ambientes web: as horas coordenadas por especialistas destinam-se a
possibilitar ao ATP a utilização dos ambientes virtuais
de colaboração e a mediação, por meio deles,
das ações que desenvolverá, junto aos PC; horas de
interação com especialistas e com os PC para discutir temas,
solucionar dúvidas, realizar atividades de pesquisa na Internet.
Dentre as várias opções que temos, uma delas é
modernizar as técnicas tradicionais de regência em sala de
aula, transformando as aulas de desinteressantes e enfadonhas em atraentes
e dinâmicas, capazes de estimular a construção do
saber, valorizando o trabalho dos docentes e a auto-estima dos alunos,
oferecendo-lhes oportunidades de pesquisa em livros, enciclopédias,
internet e instituições, multiplicando suas possibilidades
de desenvolver habilidades e competências diversas, oportunizando-lhes
estabelecer a relação entre os conteúdos escolares
e as modernas tecnologias, estimulando o espírito de pesquisa e
a busca pelo conhecimento.
Os trabalhos apresentados pela unidades escolares e pelos ATPs demonstra
uma mudança de postura, projetos políticos pedagógicos
construídos conforme a clientela, maior relacionamento entre professor
e aluno . Trabalhos interdisciplinares promovidos pelos professores e
a inserção do aluno do Ensino Médio no mercado de
trabalho globalizado. Observamos que a pesquisa aparece em todos os movimentos
das unidades escolares. Temos hoje professor e alunos leitores.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
As contribuições
para a inserção do homem no mundo do trabalho, no qual são
construídas as bases materiais de uma existência digna e
autônoma e as garantias para uma vivência educativa, interdisciplinar,
contextualizada, reflexiva e crítica, capaz de gerar uma postura
humanizadora, participativa e eticamente comprometida com o emergir de
uma sociedade autônoma e mais justa para todos devem construir metas
do sistema escolar esse Projeto buscou possibilitar ao aluno o desenvolvimento
de competências e habilidades diversas, oportunizando relacionar
os conteúdos escolares com as modernas tecnologias, estimulando
o espírito de pesquisa e a busca pelo conhecimento.
Tornar o processo de ensino e aprendizagem mais dinâmico, interessante
e produtivo para os alunos e oferecer sugestões para a solução
dos problemas diagnosticados e o aperfeiçoamento do trabalho pedagógico.
Instrumentalizando o professor e os ATPs obteve-se o uso das TICs e a
quebra de paradigmas com o objetivo de refletir e transformar as práticas
pedagógicas
RESUMO
O ENSINO
MÉDIO EM REDE, Programa de Formação de Professores
da Rede Estadual de Ensino propicia a elaboração de diagnóstico
enfocando a realidade escolar numa análise crítica à
proposta pedagógica da escola, intervindo, sobretudo, no que diz
respeito à compreensão e produção de texto.
Possibilitando aos agentes educacionais o conhecimento das TICs por meio
do uso de diversas mídias interativas, discutindo seus usos na
continuidade de sua própria formação e na prática
educativa, desenvolvendo competências leitoras e escritoras dos
agentes educativos e alunos.
Essa ação atinge 687 Professores, 57 Professores Coordenadores
Pedagógicos e 5 Assistentes Técnicos Pedagógicos
e 1 Gestor Pedagógico da Diretoria de Ensino Região Campinas
Leste.
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www.fundacaovanzolini.sp.gov.br |
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