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O
ENSINO E A AVALIAÇÃO DO APRENDIZADO DO SISTEMA DE NOTAÇÃO
ALFABÉTICA NUMA ESCOLARIZAÇÃO ORGANIZADA EM CICLOS
Solange Alves de Oliveira - Universidade Federal
de Pernambuco – U.F.PE
1. Introdução
A reorganização do ensino do sistema seriado para o sistema
de ciclos tem suscitado mudanças nas práticas de alfabetização
e de avaliação? Há preocupação, nessas
práticas, com o atendimento dos diversos ritmos de aprendizagem?
Como o professor tem se apropriado das prescrições oficiais
da proposta dos ciclos de aprendizagem da Prefeitura Municipal de Recife
(PCR)? Que “estratégias” têm ocorrido no rol
dessas mudanças e que “táticas” estariam presentes
nas práticas existentes no interior da escola e/ou da sala de aula
referentes a essas estratégias?
Estas foram algumas das questões que buscamos enfocar em nossas
análises à luz das teorias da transposição
didática (Chevallard, 1985) por se passar a considerar referenciais
teórico-metodológicos (como a proposta da PCR) que enfatizam
o aspecto da heterogeneidade, a reorganização das práticas,
de modo a adequá-las ao atendimento dos diversos ritmos de aprendizagem
dos aprendizes. A apropriação dos saberes pelos docentes
tendo como referência a proposta dos ciclos (Chartier, 1998) e a
fabricação do cotidiano escolar (Certeau, 1994; 1985), já
que esses sujeitos escolares, em função do que está
sendo proposto oficialmente, “fabricam táticas” no
interior da escola, e, sobretudo, na sala de aula, ante as “estratégias
impostas”, criando assim alternativas de “sobrevivência”,
em meio a esse processo.
Tivemos como objetivo analisar como estava ocorrendo a avaliação
da aprendizagem, na concepção do professor, frente à
proposta dos ciclos de aprendizagem em turmas de alfabetização
da Rede Municipal de Recife. Especificamente, analisar as concepções
das professoras acerca de seus encaminhamentos didáticos, enfocando
entre outros aspectos, o tratamento dado ao registro das atividades relativas
ao SNA e à heterogeneidade; bem como identificar os fatores que
facilitavam e/ou dificultavam a prática avaliativa do professor
referente ao aprendizado do SNA num regime de ciclos.
O interesse por investigar tal temática encontra respaldo nos pressupostos
da proposta (PCR, 2001), já que a mesma sinaliza, de imediato,
para uma ruptura com os antigos modelos de seriação e homogeneidade
- do ponto de vista da organização escolar e do processo
de ensino-aprendizagem - ainda presentes em algumas redes de ensino.
Esses modelos de seriação propõem, sobretudo, o nivelamento
dos alunos ao mesmo ponto de partida, esperando-se que tenham o mesmo
ponto de chegada no tocante à aprendizagem. Nesse caso, a proposta
dos ciclos de aprendizagem aponta para a necessidade urgente de substituir
esses modelos de ensino por um processo mais amplo de acompanhamento didático-pedagógico,
cujo objetivo seja o de valorizar o indivíduo, levando-se em conta
a heterogeneidade, enfim, o respeito ao ritmo de cada educando.
Na realidade, a proposta em questão, se constitui numa alternativa
presente na LDB (LEI 9394/96), cujo artigo 23 inclui a possibilidade da
organização dos sistemas de ensino em ciclos de aprendizagem.
No rol das mudanças que têm ocorrido no eixo do ensino de
língua, frisamos que é sobretudo na década de 80
que temos vivido, no cenário educacional, redefinições
nessa área. Posturas didáticas até então tidas
como “verdades absolutas”, no palco das discussões
passaram a ser questionadas e revistas.
De acordo com Ferreiro (1985), no que se refere à alfabetização,
é preciso promover uma mudança conceitual, mudando o eixo
do como se ensina para o como se aprende. Esse processo passa a ser investigado
pela autora, surgindo a teoria da psicogênese da língua escrita,
que vai mudar as concepções até então presentes
quanto ao ensino de língua (alfabetização) e, mais
detidamente, sobre o processo evolutivo que permeia a apropriação
do Sistema de Notação Alfabética pela criança.
Conseqüentemente, saberes produzidos na academia tentam mudar a visão
que o professor tinha sobre aquele objeto do conhecimento e seu aprendizado.
Mediante essas considerações relativas ao processo de alfabetização
(especificamente notação alfabética) e de avaliação
(experiência com os ciclos), é que se faz pertinente estudarmos
uma proposta que oficialmente aponta para mudanças na prática
de ensino e de avaliação, constituindo-se numa alternativa
oficial de promoção e não de exclusão escolar.
2. Marco teórico
2.1 – Transposição didática, Apropriação
e Fabricação do Cotidiano Escolar
A teoria da transposição didática trata especificamente
da transformação por que passa o saber, ou seja, do processo
de transposição de saberes ensinados na escola. No que se
refere à teoria, Yves Chevallard (1985, p. 45) destaca o seguinte:
um conteúdo do conhecimento, tendo sido designado como saber a
ensinar, sofre então um conjunto de transformações
adaptativas que vão torná-lo apto a tomar lugar entre os
‘objetos de ensino’. O ‘trabalho’ que, de um objeto
de saber a ensinar faz um objeto de ensino, é chamado de transposição
didática.
Desse modo, a transposição didática pode ser analisada
a partir de três tipos de saberes: o saber científico, o
saber a ensinar e o saber efetivamente ensinado. O primeiro está
ligado à produção acadêmica, embora Pais (1999,
p. 21) destaque que nem toda produção acadêmica possa
representar um saber científico. O saber a ensinar trata-se de
um saber ligado a uma forma didática que serve para apresentar
o saber ao aluno. Este saber se limita mais aos livros didáticos,
programas, propostas curriculares e outros materiais de apoio. O saber
efetivamente ensinado é, em princípio, aquele registrado
no diário de aula do professor (pode-se chegar a informações
bem distantes do saber científico). Também não há
garantia de que o resultado da aprendizagem corresponda exatamente ao
saber ensinado.
De acordo com Chartier (2000), as mudanças nas práticas
de ensino podem ocorrer nas definições dos conteúdos
a serem ensinados, que constituiriam as mudanças de natureza didática,
ou dizem respeito a mudanças relacionadas à organização
do trabalho pedagógico (material pedagógico, avaliação,
organização dos alunos na classe, etc.) que se caracterizariam
como mudanças pedagógicas.
No que se refere à fabricação das práticas
cotidianas, conforme Certeau (1994), considera o singular, o popular,
a “sucata”; pressupostos fundamentais para entendermos a dinâmica
da apropriação. Numa instituição como a escola,
esse processo não ocorre de forma linear, mas há uma cultura
que lhe é própria; portanto, a escola “fabrica”
formas próprias de utilização do espaço a
partir de suas “táticas”. Em função dessa
margem de “manobra,” as “estratégias” podem
ser modificadas. Trataremos, um pouco mais adiante, desses conceitos introduzidos
por Certeau (1994).
Como elementos essenciais dessas práticas cotidianas, as estratégias,
conforme Certeau (1985, p. 15), se constituem enquanto “cálculo
ou a manipulação de relações de força
que se tornam possíveis a partir do momento em que um sujeito de
vontade ou poder é isolável e tem um lugar de poder ou saber
(próprio)”. A tática “é a ação
calculada ou a manipulação da relação de força
quando não se tem um lugar ‘próprio’, ou melhor,
quando estamos dentro do campo do outro”. De acordo com o autor
(1985), quando não estamos no nosso terreno, aproveitamos a conjuntura,
as circunstâncias, para dar um “golpe”.
A partir dos elementos destacados nas teorias, encontramos pontos que
se entrecruzam no que se refere à temática apontada na introdução
desse trabalho, o que nos permitiu apreender melhor a dinâmica de
operacionalização do fazer docente no eixo de alfabetização
num regime ciclado como o da Rede Municipal de Recife.
Destacaremos, a seguir, alguns aspectos dos ciclos de aprendizagem como
uma alternativa oficial para enfrentar o problema do fracasso escolar
tão presente no sistema seriado.
2.2. – A avaliação da aprendizagem
escolar e a proposta dos ciclos de aprendizagem
Na história educacional brasileira ainda temos acompanhado a permanência
de elevados índices de reprovação e evasão
escolares. Pensando nessa escola seletiva/excludente, nos remetemos inevitavelmente
à escolarização por série, que tem reinado
em nossos sistemas de ensino. No que se refere a este modelo de escola,
Krug (2002, p. 52) traz o dado do site do INEP 1998, de que 11,1% dos
alunos são excluídos do sistema escolar anualmente. Não
podemos deixar de destacar os dados atuais do índice de retenção
na 1ª série fornecidos pelo mesmo site de que a reprovação
chegava a 31,6% na 1ª série e 20,2% na 2ª série
em 2001. Segundo o censo escolar fornecido pelo INEP, de cada 10 alunos
do ensino fundamental, dois repetiram a série cursada entre 2001
e 2002. No período anterior a esses anos, a taxa de reprovação
era de 21,7%.
Mediante essa realidade, algumas medidas têm sido tomadas como alternativas
que objetivam, pelo menos do ponto de vista oficial, a superação
gradativa desse quadro lastimável do fracasso escolar. Uma dessas
medidas é a promoção automática. Esta medida
é amplamente criticada quanto à sua eficácia no ensino
e na aprendizagem, mas que merece profunda atenção por todos
os que estão envolvidos no processo educativo, já que a
mesma oficialmente se apresenta como uma proposta de superação
do fracasso escolar, sobretudo com a eliminação da reprovação
nas séries iniciais.
Mainardes (2001, p. 39) traçou, em linhas gerais, um quadro de
como se deu o processo de implantação da promoção
automática no Brasil. Como já destacado, foi na década
de 50 que se iniciaram as primeiras discussões sobre sua viabilidade.
Em seguida, no período de 1968 a 1984, ocorreram as primeiras experiências
de implantação nos estados de São Paulo, Santa Catarina
e Rio de Janeiro. De 1984 a 1990 houve uma revisão e mudanças
dessa proposta, combinando-a com as primeiras experiências de organização
da escolaridade em ciclos (Ciclo Básico de Alfabetização
em São Paulo, 1984; Minas Gerais, 1985; Recife, 1986; Paraná
e Goiás, 1988). A partir dos anos 90, a idéia da escolaridade
em ciclos foi incorporada aos ideários pedagógicos e reafirmada
na nova LDB, que instituiu a possibilidade do desdobramento do ensino
fundamental em ciclos e o regime de progressão continuada.
Como já fora destacado, além da promoção automática,
o ciclo básico de alfabetização também fez
parte dessas medidas alternativas. A partir da década de 80, diversos
estados e municípios implantaram Ciclos Básicos de Alfabetização
(CBA). No bojo do compromisso com a mudança no setor educacional,
que surgia como medida democratizante, os ciclos de alfabetização
(1984 – São Paulo; 1985 – Minas Gerais; 1986 - Recife
e 1988 – Paraná e Goiás), eliminaram a reprovação
no final da 1ª série e mudaram o enfoque da avaliação,
propondo, em alguns locais, estudos complementares para os alunos com
dificuldades na apropriação dos conteúdos (MAINARDES,
2001, p. 45). Com isso, “o Ciclo Básico de Alfabetização
marcou uma ruptura com a idéia da simples promoção
automática, subsidiando a possibilidade da implantação
do ensino por ciclos nas demais séries do ensino fundamental”
(MAINARDES, 2001, p. 45).
Merece destaque ainda, a proposta do CBA na rede pública municipal
de Recife, implantada no período de 1986 a 1988 (PCR/SEC, 1986).
Em consonância com os princípios da proposta de São
Paulo, a proposta de Recife visava promover o sucesso escolar das crianças
que fracassavam, uma vez que o quadro de fracasso aqui também era
alarmante, sobretudo na 1ª série.
A disseminação da experiência com ciclos nos nossos
sistemas de ensino extrapolou o âmbito específico de cada
proposta (municipal ou estadual) para uma instância maior, que é
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96),
a qual em seu artigo 23 abriu a possibilidade da escolarização
básica se organizar em ciclos.
A partir de 2001 (PCR, 2001) a Secretaria Municipal de Recife fez a escolha
então, pela substituição do ensino fundamental em
séries por sua estruturação em quatro ciclos, o primeiro
com duração de três anos e os subseqüentes com
dois anos.
As medidas descritas até então possuem pressupostos que
comungam com uma avaliação que promova o aluno em seu processo
de escolarização, respeitando seu ritmo, portanto, procurando
adequar o currículo ao seu nível de desenvolvimento. Nessa
esteira de mudanças teórico-metodológicas, destacaremos
a seguir algumas contribuições presentes na teoria da psicogênese
da língua escrita, nos estudos sobre consciência fonológica
e no letramento; pressupostos relevantes para discutirmos a alfabetização.
2.3 – Transposição didática
no campo da alfabetização: influências de perspectivas
teóricas
2.3.1. – A Alfabetização: teoria da psicogênese
da língua escrita x trabalhos de reflexão fonológica
Dentre as contribuições na área de
língua, especificamente no que concerne ao processo de alfabetização,
merece destaque o trabalho de Emília Ferreiro e seus colaboradores,
quanto aos aspectos que fundamentam o processo de aquisição
da língua escrita pela criança; e junto a esses, o papel
da escola e do professor enquanto mediadores dessa (re)construção.
Nesse mesmo trabalho, Ferreiro se refere a dois tratamentos diferenciados
quanto ao processo de aquisição da escrita. Este pode ser
considerado como uma “notação da linguagem oral”
ou como “um código de transcrição gráfica
das unidades sonoras”. A diferença fundamental entre essas
duas formas de conceber a escrita alfabética é que, no caso
da “codificação”, tanto os elementos como as
relações do sistema alfabético já estariam
predeterminados para o aprendiz. Já no caso de considerar-se a
escrita alfabética como um sistema notacional, nem os elementos
nem as relações entre eles estariam predeterminados para
o sujeito aprendiz (FERREIRO, 1985, p. 10).
No caso da invenção da escrita, podemos afirmar que esta
se constituiu num processo histórico de construção
de um sistema de notação, não um processo de codificação.
Poderíamos pensar que o processo de apreensão, hoje, desse
sistema, fosse a mera apropriação de um código. Mas,
ao contrário disso, tanto no caso do sistema de notação
dos números quanto no do alfabeto, as principais dificuldades encontradas
pelas crianças são de ordem conceitual, similares às
da construção do sistema: em ambos os casos, as crianças
reinventam esses sistemas (FERREIRO, 1985, p. 16).
Outra linha de teorização, no que se refere ao aprendizado
do sistema de escrita, são os trabalhos sobre consciência.
Destacamos desde já, que a mesma é caracterizada pela habilidade
do ser humano refletir conscientemente sobre os sons da fala.
É preciso salientar que a consciência fonológica não
se constitui numa habilidade unitária, mas compõe “uma
constelação de habilidades heterogêneas cujos componentes
têm diferentes propriedades e desenvolvem-se em diferentes tempos”
(GOUGH, LARSON e YOPP, 1996 apud FREITAS, 2004, p. 179). Isto quer dizer
que os estudiosos dessa área comungam da idéia de que existem
diferentes níveis que compõem as habilidades fonológicas.
Freitas aborda nesse trabalho três níveis: o nível
da sílaba, o das unidades intra-silábicas e o nível
dos fonemas. Do primeiro nível, as crianças demonstram se
apropriar com mais facilidade, nos fornecendo portanto, um forte indicador
da presença dessa habilidade fonológica desde cedo.
As duas vertentes teóricas psicogênese da língua escrita
e os estudos sobre consciência fonológica parecem trilhar
caminhos distintos quanto à aquisição da escrita.
Segundo a psicogênese da escrita (Ferreiro e colaboradores) a escrita
é um sistema notacional e, como tal, impõe ao aprendiz um
trabalho conceitual e não memorístico; por isso, não
pode ser concebida como uma conseqüência da apreensão
das habilidades metafonológicas. Por outro lado, muitos estudiosos
da consciência fonológica defendem a premissa de que a aquisição
da escrita é sim uma conseqüência da competência
com habilidades fonológicas.
Buscando um ponto de interseção, Morais (2004) enfatiza
que no processo de evolução da escrita a criança
entra, em certo momento, na “fonetização” (cf.
FERREIRO & TEBEROSKY, 1979) no qual certamente precisa dispor de habilidades
metalingüísticas para analisar segmentos internos das palavras,
a fim de elaborar hipóteses silábicas e alfabéticas
de escrita. Do mesmo modo, aponta que não devemos considerar que
o desenvolvimento de habilidades de reflexão fonológica
garantiria – por si só e sem influência da notação
escrita – a compreensão do SNA e o aprendizado das correspondências
fonográficas (MORAIS, 2004, p. 3). Paralelamente, este autor observa
que os partidários da “consciência fonológica”
acabam promovendo a retomada de antigos métodos de alfabetização
(como o fônico), cuja eficácia hoje é plenamente questionável,
e negligenciam o papel social da escola em inserir, desde cedo, o aprendiz
no mundo das práticas letradas, para que domine os conhecimentos
e habilidades necessários à leitura e produção
dos gêneros escritos.
Sobre a diferenciação entre alfabetização
e letramento, Soares (1998) aponta que a primeira “refere-se à
aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades
para leitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem. O segundo,
por sua vez, focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição
da escrita”. O letramento tem por objeto investigar não somente
quem é alfabetizado, mas também quem não é
alfabetizado, e, nesse sentido, desliga-se de verificar o individual e
centra-se no social (SOARES, 1998, p. 9-10).
Como os professores da rede municipal de Recife, que passaram a trabalhar
num regime de ciclos, têm se apropriado dessas inovações,
ao atender alunos que chegam à escola com diferentes conhecimentos
tanto no âmbito do letramento, como a respeito da notação
alfabética? A fim de retomarmos esta questão geral, anunciaremos
em seguida nossos procedimentos metodológicos e alguns de nossos
resultados.
3. METODOLOGIA
Entrevistamos professoras de três escolas da rede municipal de Recife.
Empregamos entrevistas focais com três professoras de cada instituição,
dos três anos do ciclo I. O objetivo foi desencadear uma discussão
coletiva acerca das práticas de sala de aula, a partir do processo
de implantação da proposta dos ciclos na rede, e a repercussão
no ensino e na avaliação do Sistema de Notação
Alfabética.
Utilizamos para analisar nossos dados, a análise de conteúdo
temática, (BARDIN, 1977) que “consiste numa metodologia de
dados qualitativos. A descrição, categorização
e interpretação são etapas essenciais dessa metodologia
de análise”.
|
Escola
A
|
Escola
B |
Escola
C |
| 1º
Ciclo |
| 1º ano |
2º ano |
3º ano |
1º ano |
2º ano |
3º ano |
1º ano |
2º ano |
3º ano |
| Professora Taís |
Professora Eliane |
Professora Leila |
Professora Andréa |
Professora Luíza |
Professora Mirele |
Professora Neves |
Professora Nélia |
Professora Mariana |
4. Alguns
Resultados
4.1. Encaminhamentos
didáticos adotados na área de língua portuguesa no
1º ciclo
No que se
refere às formas de ensino de língua portuguesa no 1º
ciclo, sete das nove professoras afirmaram priorizar o ensino com textos,
“partir sempre de um texto” e, dentro desse trabalho, algumas
destacavam os diversos gêneros textuais (todas as mestras da escola
B, Eliane e Leila - 2º e 3º anos - da escola A, Nélia
e Mariana - 2º e 3º anos - da escola C). Esse dado destaca a
relevância atribuída ao texto nas aulas de língua,
o qual teria passado a assumir um espaço privilegiado no encaminhamento
didático das docentes. Ao perguntar sobre as formas de ensino em
língua portuguesa, a professora abaixo explicitou:
É
leitura de textos, não é? Diariamente eu tenho essa atividade.
Textos diversos, né? A diversidade textual é muito importante,
a partir do... do que eles observam na rua, né? Outdoor, receitas,
bulas de remédio, é... agora mesmo nós estamos trabalhando
pra Feira de Ciências. Então a produção de
receitas, com plantas medicinais, maneiras de fazer, ingredientes, modos
de usar, né? Então eles vão interagindo dessa forma
com a diversidade textual. Tudo o que eles observam, tudo, teve letras,
vamos ler: gibis, trazem pra sala de aula, reportagem de jornal (...)”
(PROFESSORA MIRELE, 3º Ano, Escola B).
Essa opção
de recorrer aos textos, respaldar o trabalho a partir de textos, tal como
atestado anteriormente, apareceu mais nos segundos e terceiros anos. Ocorreu
apenas um caso no primeiro ano (Andréa, escola B), o que parece
revelar que, nos primeiros anos, as professoras não priorizavam
essa unidade lingüística. É provável que isto
se devesse a expectativas que as professoras dos primeiros anos teriam
acerca de um ensino que priorizasse a apropriação do Sistema
de Notação Alfabética (SNA).
Apesar do texto ter sido uma prioridade na prática das professoras,
conforme seus depoimentos, o trabalho com produção de textos,
especificamente, ocorreu como encaminhamento mais sistemático apenas
na prática de quatro professoras (as três dos terceiros anos
e uma do segundo, Luíza, escola B). Talvez isto ocorresse em função
do que se esperava, do que se planejava para o universo de alunos naquele
ano-ciclo, no que antes equivalia à segunda série no sistema
seriado, ou seja, que o educando lesse e produzisse textos. Notamos que
as professoras dos primeiros anos afirmavam partir do texto, mas com o
propósito de explorar unidades menores (palavras, letras...).
Com esse dado, ressaltamos que os professores, a partir do que vem sendo
discutido acerca de alfabetização e letramento, pareciam
vir investindo mais nas práticas de leitura e escrita. Foi notório
pelos depoimentos, que era uma temática que vinha sendo apropriada
gradativamente pelas mestras.
Em relação ao ensino voltado à leitura/interpretação,
houve apenas quatro menções, das quais apenas uma se dava
no primeiro ano (professora Taís, 1º ano, escola A), duas
no 2º ano (professoras Luíza, escola B e Nélia, escola
C) e uma do 3º ano (Mariana, escola C). Esse caso de leitura, no
primeiro ano, revelava uma peculiaridade que não pode deixar de
ser mencionada: a professora respaldava seu ensino com os padrões
silábicos; ela mesma elaborava o que denominava de “fichas
de leitura”, utilizava gravuras, vários tipos de letras e
sílabas, para que os alunos treinassem e lessem. Segundo a professora,
era preciso “garantir a leitura do jeito que se escreve” para
facilitar a compreensão, já que a língua portuguesa
tem muitas “cascas de banana”. Como o “partir do texto”
só ocorria em um primeiro ano (Escola B), o trabalho com compreensão/interpretação
de textos parecia só ocorrer naquela turma (de primeiro ano, escola
A), e naqueles moldes.
Paralelamente ao “ensino com o texto”, as mestras referiram-se
a práticas com o alfabeto (cinco, todas da escola A e duas da escola
B, Andréa - 1º ano - e Luíza - 2º ano). Só
ocorreu um caso no primeiro ano em que essa alternativa não foi
mencionada (Escola C, professora Neves). O curioso é que, nessa
mesma escola, houve ausência total dessa alternativa de ensino.
Ao explicitarem suas formas de ensino, as mestras mencionaram também
expectativas em relação aos conteúdos e/ou competências
trabalhadas. Interpretamos que isto certamente ocorreu por estarem se
apropriando dos pressupostos do ciclo em suas práticas.
Explicitaremos, a seguir, os conhecimentos na área de língua
que os alunos deveriam construir, segundo aquelas professoras do 1º
ciclo.
4.2.–
Conhecimentos a serem construídos pelo aluno na área de
língua no 1º ciclo
Em se tratando dos conhecimentos a serem construídos no 1º
ciclo, na área de língua, apareceu como prioridade, na fala
das professoras, a “leitura”: sete das nove professoras afirmaram
ter como meta desenvolver a leitura dos alunos, sobretudo porque era uma
competência presente no “livro de competências”
que foi distribuído pela rede para as professoras. Com exceção
da escola C (apenas a professora Neves, 1º ano), as professoras das
outras escolas afirmaram priorizar como meta “a leitura”,
em suas práticas.
“O
fundamental é eles ler (sic). Fundamental, fundamental é
ler. Pra eles é... é imprescindível ler, porque ele
lendo, ele vai responder suas questões, ele vai poder fazer sua
tarefa, ele vai poder entender o que tá fazendo e se ele não
conseguir ler, ele ir pra 2ª série sem ler... Ele pode até
ir... sem escrever direito. Eu tenho um aluno pré-silábico
na... assim a hipótese dele pode ter, até estar silábica,
ainda... na escrita, mas a leitura ele tem que ter, a leitura é
imprescindível, pra poder até ele compreender o que tá
acontecendo dentro daquela sala, porque muita coisa a professora vai jogar
pra eles, não que ela vai querer, mas muita coisa ela vai ter que
dar e vai esperar dele que ele, no mínimo, saiba, né? É...
é... essa comunicação. E depois ele vai desenrolando,
quando ele tiver no... no 3º ano ele vai desenrolar a escrita. Até
naturalmente pela quantidade de leitura que ele entende, ele vai desenvolver
mais (...) Assim, na minha opinião, é imprescindível
que o menino, quando for sair daqui, ele saia lendo e o que o sistema
de escrita, o sistema de escrita fica, como assim... uma conseqüência
mesmo” PROFESSORA LUÍZA, 2º ano Ciclo I, escola B).
Na mesma
direção, oito professoras explicitaram como conhecimento
a ser construído, “a escrita”, atividades que priorizassem
“esse aspecto”. Tal como no quadro anterior, com exceção
da professora Mariana, da escola C,- que frisava o tempo todo que sua
turma estava bem adiantada, por isso a ênfase era em produção
de textos, gramática - todas as outras mestras destacaram a relevância
de se “investir na escrita”, como um conhecimento prioritário
a ser construído.
Apesar da relevância atribuída à escrita, algumas
professoras (como Luíza) deixaram claro que a escrita “viria
como uma conseqüência”. O desenvolvimento da leitura
garantiria a apropriação da escrita pelos aprendizes. Havia,
ainda, uma expectativa de que a professora do ano seguinte desse conta
dessa “tarefa”, já que o primeiro ciclo é considerado
“um ciclo de alfabetização”. Portanto, caberia
a todas alfabetizar e/ou letrar.
“A
minha preocupação, a minha preocupação é
ele aprender a ler e escrever, sabe? Eu não quero saber se ele
já sabe o que é substantivo próprio, o que é
substantivo comum, sabe? O que é dígrafo, o que é
isso, essas nomenclaturas pra mim não importa. É ler e escrever,
sabe? Bem! Saber ler um texto, saber interpretar, sabe? Saber escrever
um bilhete, saber fazer uma coisa, entendeu? Ter a competência de
fazer!” (PROFESSORA ELIANE, 2º ano Ciclo I, escola A).
A “escrita”
foi um aspecto bastante mencionado pelas mestras, mas com um tom muito
nebuloso: ora significava a produção textual, ora as atividades
de escrita alfabética. No caso da professora acima, por exemplo,
“o escrever” a que se referia era a produção
de texto. O que era, na realidade, essa “escrita” a que as
professoras se referiam com muita freqüência? Pareciam estar
repetindo um discurso presente na proposta pedagógica da rede municipal,
e que revelava uma não-explicitação objetiva do que
seria essa “escrita”.
4.3. As formas
de avaliar no 1º ciclo na área de língua portuguesa
Ao discutirmos o tema avaliação, registramos seis casos
em que as mestras afirmaram avaliar “por meio da observação”
e/ou da “análise das produções escritas dos
educandos” (2º ano, escola A, 1º e 2º anos, escola
B e todas as professoras da escola C).
“A minha forma de avaliar é processual. Todo dia eu tô
avaliando, todo dia como eu lhe disse. Com... pra ter um, um registro
assim, pra me servir de roteiro, o que é que eu faço? A
cada dois ou três meses eu faço um ditado, né? Ditado
ou uma produção qualquer escrita e dali eu vou analisando
os níveis deles, mas eles nem sabem que tão sendo avaliados,
só pra que eu me direcione mais, pra fazer as tarefas, que eu ti...
eu fazia assim” (...) (PROFESSORA ANDRÉA, 1º Ano, Escola
B).
Acreditamos que as práticas de ensino passavam por um processo
de transição em que “novos pressupostos metodológicos”
eram vivenciados concomitantemente com as práticas anteriormente
instaladas, visto que o processo de apropriação é
gradativo e não implica numa adesão total à proposta,
no caso os ciclos de aprendizagem (ALBUQUERQUE, 2002). Os processos de
“apropriação” e “fabricação”
coincidem com o fato de cinco professoras terem afirmado ser fundamental
a comparação da evolução do aluno na construção
do conhecimento. Entretanto, ainda presenciamos exemplos de comparação
do aluno com outro colega de sala. Eis um depoimento:
“Evolui, mas é um processo tão lento que me angustia,
sabe? Que ele evolui, evolui, sem dúvida, né? Mas assim...
é tão pouco. Eu acho que Williane que tava num nível
muito... de garatuja mesmo, quando entrou na sala de aula, de garatuja
de escrita, de tudo... nem do quadro ela tirava, ela já evoluiu
mais rápido do que Kleiton. Quer dizer, aí não é
querendo, assim, comparar um aluno pelo outro, mas a gente não
consegue deixar de fazer essa comparação, né? Essa
correlação entre eles, né? (...)” (PROFESSORA
LUÍZA, 2º Ano, Escola B).
Mesmo não estando em consonância com as prescrições
oficiais, houve a preocupação de algumas docentes em destacar
o uso de algo que também oferecesse segurança, talvez até
mais, que são as provas e testes. Quatro delas afirmaram desenvolver
tal prática (as três dos terceiros anos e a do 2º ano,
escola C), embora esta coexistisse com outros encaminhamentos (como avaliar
de forma “ampla”, “contínua”). Tal procedimento
não apareceu nos primeiros anos, o que nos permite inferir que
as professoras não o quiseram explicitar, ou não o faziam
porque no 1º ano (alfabetização), mesmo no antigo sistema
seriado, o aluno não seria retido. Foi o caso da professora Taís
(1º ano, Escola A) a qual afirmou ser importante a nota, apesar de
“não ser tudo”, mas lembrou que em seu ano-ciclo, “não
era permitido”. Mesmo não afirmando explicitamente realizar
provas e testes, atribuía notas nas “fichas de leitura”
que ela mesma elaborava. Segundo afirmaram, recorriam àqueles instrumentos
também por cobrança de pais e alunos pelo uso da “prova
oficial”. Apreendamos esse aspecto no depoimento a seguir:
“Trabalho com observação, né? De desempenho,
é a participação deles em sala de aula. Eu não,
eu não gosto de prova, eu não gosto nem desse nome, sabe?
De vez em quando eu... eles... por eles me colocarem isso, eles me põem...
‘a gente quer fazer prova no papel. Eu sei que a senhora... mas
a gente quer fazer prova no papel’. Eles cobram, os pais cobram
bastante, querem ver aquela fichinha com aquele... com aquela capinha:
pronto, final de ano, com Papai Noel pintado na frente. Os pais cobram
muito (...) E... é isso, eu não trabalho com prova, detesto,
detesto esse nome. Faço documentada, faço no papel porque
eles cobram. Porque a avaliação acho que é diária
(...)” (PROFESSORA MARIANA, 3º ano, escola C).
As professoras
afirmaram ainda, criar formas de agrupamentos e/ou separar os alunos por
níveis com diferentes finalidades (para que não filassem,
a fim de auxiliar no aprendizado e na avaliação) (1º
ano, Escola A), (1º e 2º anos, Escola B), (2º e 3º
Anos, Escola C).
Inserindo-se no rol das mudanças decorrentes da implantação
dos ciclos, o registro também se constituiu em fonte de nosso interesse.
Explicitaremos, a seguir, as concepções das mestras acerca
do mesmo.
4.4 O registro
da evolução dos alunos no 1º ciclo, na área
de língua portuguesa
Ao perguntarmos
às professoras o que priorizavam “no registro”, afirmaram
que o registro na caderneta era fundamental. Todas afirmaram ser relevante
esse procedimento, com exceção das professoras Luíza
(2º ano, escola B) e Mirele (3º ano, Escola B), não que
não considerassem importante, mas na ocasião não
mencionaram. Cinco mestras estabeleciam esse procedimento (de registrar
logo no diário), porque muitas vezes não tinham tempo de
registrar “no caderno” e depois “passar para o diário
de classe” Eliane e Leila (Escola A), Andréa (Escola B),
além de Nélia e Maria (Escola C). No caso da professora
Eliane, o registro era nos “pensamentos”: acreditava muito
mais na eficácia de sua observação que no “relatório”
(que seria o registro individual de desempenho do aprendiz, perfil da
turma, etc presente no diário de classe); por isso sugeriu uma
“ficha” ou um “modelo” de avaliação
para que o trabalho fosse mais objetivo.
Houve quem mencionasse registrar primeiro no caderno para em seguida levar
ao diário (duas professoras do 1º e do 2º anos, das escolas
B e C Leila, Escola A). Sobre esse assunto, a professora abaixo afirmou:
“Olhe,
eu (registro) tudo o que eles tão fazendo, é porque... infelizmente
eu não trouxe o meu caderno hoje. Mas tudo o que eles tão
fazendo, eu tô botando: Vanessa tá assim, tá precisando
melhorar nisso. Ela tá lendo muito devagar. Ou então fulano,
kleiton, precisa de ajuda. Kleiton não, meu Kleiton ainda não...
não está conseguindo (...)” (PROFESSORA LUÍZA,
2º Ano, Escola B).
Discutimos
se o registro estava ajudando no processo de aprendizagem dos educandos.
As professoras (Taís e Leila 1º e 3º anos, escola A;
Andréa, 1º Ano, Escola B), afirmaram que o mesmo não
ajudava. Sobre esse assunto a professora abaixo destacou:
“Não!
Não ajuda em nada, continua a mesma coisa. É... eu não
acho que ajude em nada, porque o professor não tem... eu consigo
que eles ficam até quietos. Eu consigo parar e registrar rápido
e geral, mas o professor que tem 10, 11 cadernetas, com 35 alunos, 40
numa sala de aula, ele não faz. Então, não ajuda
em nada, só atrapalha (...)” (PROFESSORA TAÍS, 1º
Ano, Escola A).
Por outro
lado, o registro ajudava na observação que era feita pelo
professor. Esse foi o argumento de Leila e Eliane (escola A). Por quê?
Porque era possível, através do registro, se ter um “retorno
individual”, “fazer um acompanhamento, lembrar dos encaminhamentos
trabalhados” (Leila, escola A; Luíza e Mirele, escola B).
Concordando com o registro, Mirele apontou:
“Sim.
Porque vai dando aquela... vai dando o retorno pra gente, né? Tem
um grupo que está nessa fase, precisa fazer atividades que enriqueça,
que avance, né? Pra atingir. Eu acho que ajuda muito. O registro,
né? Porque perde, porque fica aquela história: eu não
sei como é que tá fulano, esse aqui eu acho que é
mais ou menos. E o registro é muito gratificante, porque é
um processo mesmo, né? O acompanhamento pra ver, saiu nesse nível.
Agora já é assim, antes ele não fazia desse jeito,
já está registrando, já vai adiante, o texto tá
mais rico, né? Tá mais coeso, está mais, né?”
(PROFESSORA MIRELE, 3º Ano, Escola B).
A heterogeneidade na sala de aula estava, do ponto de vista oficial, sendo
priorizada a partir do regime ciclado na PCR. Abordaremos, a seguir, como
as professoras estavam compreendendo e lidando com tal fenômeno.
4.5 A heterogeneidade
no 1º ciclo na área de língua: como as professoras
a compreendiam?
Ao abordar
a heterogeneidade na sala de aula, as professoras atribuíram a
mesma a diversos fatores, mais precisamente a aspectos individuais dos
aprendizes e/ou extra-escolares. Curioso que não se referiram às
suas práticas de ensino ou a questões da própria
instituição escolar.
Um dos aspectos que mais contribuiria para a heterogeneidade na sala de
aula, conforme apontado pelas mestras, seria a “ausência de
um ambiente alfabetizador/letrado em casa”. Com exceção
da professora Taís (1º ano, escola A), a qual não mencionou
explicitamente esse aspecto, todas as professoras ressaltaram esse fator.
Destacaremos abaixo o depoimento da professora Mirele (3º ano, Escola
B):
“Pois
é, eu acho assim, também, que a falta de um ambiente alfabetizador
em casa, né? O que eles têm, conseguem de material escrito
em casa são os rótulos das embalagens, não é?
Que a gente pede também, trabalha com esse material, logo no início,
cartaz de rótulos, porque é o que chega letrado em casa
(...) Se tivesse um ambiente alfabetizador em casa e tivesse material,
recurso, né? Tivesse livro, jornal, revistas. Eu acho que eles
são capazes. Agora falta esse recurso que interfere, né?”
Por outro
lado, as professoras reconheciam que cada aluno tinha um ritmo (isto seria
um processo natural). Isto era a concepção de todas as professoras
dos primeiros anos e das professoras dos segundos anos das escolas B e
C. Eis um depoimento que ilustra essa concepção:
“É,
cada um tem um ritmo. Isso depende de cada aluno, depende de cada um.
Uns são mais distraídos, outros são mais... uns são
mais distraídos, os outros, né? Mais ligados. Os outros
são naturalmente mais espertos. Os outros são mais... mais
imaturos, é o natural deles. É... eu acho que é natural”
(PROFESSORA TAÍS, 1º ano, Escola A).
Essa heterogeneidade
também estaria vinculada, essencialmente, às oportunidades
que o aprendiz teve, à história de vida; enfim, sua origem
determinaria seu rendimento em sala de aula e, posteriormente, e/ou concomitantemente,
as oportunidades sociais. Foi o que apontaram as professoras Eliane e
Leila (escola A), Andréa e Mirele (escola B) e Mariana (escola
C).
Segundo a maioria das mestras, atrelada à história de vida,
à origem social, a questão financeira não poderia
deixar de influenciar no rendimento do aprendiz, na heterogeneidade existente
na sala de aula. Luíza e Mirele (2º e 3º anos, escola
B) destacaram as dificuldades presentes nos “lares pobres”,
no que se refere ao poder aquisitivo e no interesse de adquirir materiais
impressos como livros, revistas, jornais, materiais estes que conferem
um status, ou seja, essa aquisição de bens simbólicos
que a alguém permite ser inserido num “espaço social”,
que não necessariamente lhe pertence:
“Olhe,
passa tudo, na situação deles é... financeira. A
questão de ter em casa o ambiente próprio de leitura, que
ajuda muito. Você vê uma criança que em casa a condição
é melhor, que a mãe compra um livrinho de história,
porque tem um dinheirinho folgado pra comprar um livrinho de história,
que a mão tem mais, um pouquinho mais de recurso, o aprendizado
dele é um. E aquela mãe que é mais carente, aí
dificulta mais o... a criança a entrar no mundo das letras, né?
A entrar no letramento. É... também tem a questão
é... é da compreensão. Às vezes uma criança
é mais rápida, tem um insight mais rápido, né?
(...)” (PROFESSORA LUÍZA, 2º ano, escola B).
Apesar de
haver uma convergência, entre as professoras, em reconhecer as necessidades
individuais dos aprendizes em sala de aula, com o depoimento acima exposto,
percebemos que o tratamento didático, a responsabilidade com um
ensino que favorecesse o letramento gradativo dos alunos foi substituída
pela responsabilização de fatores extra-escolares como:
ambiente alfabetizador (poder aquisitivo mínimo), e, nesse caso
implicitamente, o acompanhamento dos pais. O não-acompanhamento
dos pais, na visão das professoras, repercutiria no rendimento
e, não poderia deixar de ser, no fracasso dos alunos. Diante desse
contexto nos perguntamos: como fica então a situação
dos alunos, cujos pais são analfabetos? Se não cabe especialmente
à escola a tarefa de realizar práticas de leitura e produções
textuais com o intuito de inserir o aluno no processo de letramento, a
quem caberia então? Em meio a tudo isso, o que as professoras estavam
realizando em sala para lidar com a heterogeneidade?
Segundo as professoras, com exceção de Neves, era preciso
diversificar as atividades a fim de atender às necessidades de
todos os aprendizes:
“Eu
faço milagre, porque veja só: primeira coisa que eu faço:
eu faço assim como eu lhe disse: eu divi... eu preparo atividades
que eu di... eu fiz isso ontem já: nível silábico,
nível pré-silábico pra que fique mais ou menos, porque
não fica, porque um que tá no nível alfabético,
pode tá alfabético e ortograficamente caminhando e outro
pode não estar. Mas esse já vai, já vai fazer a interação
com o outro. E também preparo atividades que trabalha (sic)com
todo grupo... todo grupo... quantidade única, todo o grupo, porque
no tempo que eu tô trabalhando com eles todos, a... a aprendizagem
de um... como é que eu posso dizer? A interação entre
eles vai um completando o outro, entendesse? É a única forma,
porque eu não... não, eu trabalho assim” (PROFESSORA
ANDRÉA, 1º ano, escola B).
As atividades
eram elaboradas de acordo com o diagnóstico feito, assim como a
organização dos alunos em grupos e/ou duplas seguiam o mesmo
critério. Havia também, conforme seis professoras, o propósito
de deixar que os alunos interagissem entre si, na tentativa de facilitar
a aprendizagem dos mesmos (professoras Taís e Eliane, 1º e
2º anos, escola A; Andréa, 1º ano, escola B e todas as
professoras da escola C). Encontravam, no entanto, certas dificuldades
em persuadir certas crianças a interagir com os colegas do grupo
para o qual foram designados.
Era preciso, conforme as professoras, oportunizar o acesso a materiais
(impressos), já que o aluno não dispunha em seu ambiente
familiar, a fim de suprir essa lacuna existente no processo de formação
escolar. É interessante que as professoras (Leila e Andréa)
destacaram esse aspecto, visto que em outro momento estas e outras professoras
afirmaram a responsabilidade exclusiva da família, bem como do
meio social do aprendiz. Esse dado nos permite inferir que elas estavam
reconhecendo tal procedimento como tarefa da escola e que, com isso, se
buscava garantir ao aluno uma aprendizagem significativa e exitosa.
Como estava se dando a passagem entre os anos do ciclo I e como as professoras
estavam reagindo a essa mudança? É sobre esse aspecto que
iremos nos deter.
4.6 Passagem
entre os anos do ciclo I
Uma das
características dos ciclos de aprendizagem é a passagem
automática. Centrando-nos no interior do 1º ciclo da PCR,
três anos, apreendemos, na ocasião da pesquisa, que o aluno
passava para o ano seguinte independentemente de ter construído
as competências esperadas para o seu ano-ciclo. O curioso foi que
algumas professoras destacaram que a retenção era possível
no último ano do ciclo I, mas tal afirmação ficou
meio dúbia, já que do ponto de vista oficial, a passagem
era automática.
A não-concordância com a promoção automática
foi unânime nas três escolas. Foi considerada algo extremamente
complicado, diante da realidade de salas superlotadas, ausência
de material, e, sobretudo de orientações mais precisas quanto
à operacionalização da proposta. As professoras apontaram
nesse processo, a “imaturidade da criança para passar automaticamente”,
a matrícula no meio do ano letivo que dificultava o rendimento
do aluno, bem como a garantia das competências esperadas em cada
ano do ciclo. Nesse último caso as professoras teriam que desenvolver
um ensino extremamente diferenciado.
Diante das “estratégias” presentes na proposta (Certeau,
1985), apreendemos, nas diversas entrevistas, diversas “táticas”
que são peculiares a cada escola, mas também comuns às
mesmas. Uma delas foi a prática do “rodízio”,
mencionado por Eliane e Leila (escola A), ou seja, mesmo que “estrategicamente”
o aluno tivesse que passar de forma automática, as docentes “taticamente”
registravam o nome do aluno no ano-ciclo seguinte, mas, na prática,
ele permanecia no ano-ciclo em que era para ser retido.
“Até
que a gente tava se atacando, né? A falta de reprovação.
Porque, como é que o aluno não pode ser reprovado? Quer
dizer que o aluno passou o ano, a gente fez de tudo, fez isso, fez aquilo,
faltou, 80% dos dias, a gente vai poder é reprovar esse aluno?
Então a gente tinha mil dúvidas, né? Aí não?
Apesar do ciclo, se são três anos no ciclo, num ciclo. então
pode fazer esse rodízio, né? Menino vai ter três anos
pra aprender, né? Passando por outras pessoas, outras metodologias,
por outras formas, né?” (PROFESSORA ELIANE, 2º ano,
escola A).
Além
do “rodízio”, a preocupação com a promoção
automática era tão evidente, que as professoras referiram-se
às faltas como uma alternativa para reter o aprendiz quando ele
não tivesse condições de ser promovido. Foi o que
destacou a mestra Taís (1º ano, escola A):
“À
tarde os meus alunos que lêem, os meus alunos que têm... eu
tenho um que tá com 62 faltas esse ano. Ele não escreve
nem o nome dele, ele vai passar para a 2ª série, se não
for reprovado por falta. Eu vivo dan... querendo um jeito dele re... pra
faltar mais. Não, não é 60, ele tá com 51
ou 52 (faltas). Ele... eu querendo que ele falte mais, tentando criar
situação pra ele faltar mais, se chegar atrasado, volta.
Fico... que ele é muito de chegar atrasado, mesmo. Fico criando
situação pra ele chegar no limite de ser reprovado por falta.
Porque se ele não for reprovado por falta, ele desse jeito, ele
vai pra 2ª série. não tem... não tem jeito,
não. Isso aí é totalmente louco. Eu acho isso muito
louco”.
Subjacente à não-concordância com a promoção
automática, estava o não-acesso objetivo aos registros,
a não-clareza sobre como proceder com aqueles alunos que ainda
apresentavam dificuldades extremas para o ano-ciclo de atuação,
a não-definição clara das competências por
ano-ciclo, e aí, cabe ressaltar novamente, que a proposta curricular,
segundo as professoras, estava “muito vaga”. Mencionavam uma
falta de condições para avaliar, já que havia um
sentimento de perda de poder com a não-reprovação.
Portanto, as mestras concordaram que seria preciso, diante da nova realidade
do sistema municipal de ensino de Recife, um trabalho articulado entre
os agentes escolares.
Mediante esse breve quadro que relatamos anteriormente, retomaremos alguns
aspectos relevantes nas considerações finais, destacadas
a seguir.
5. Algumas
Considerações...
Nosso principal
interesse foi compreender um pouco como estava sendo operacionalizado
o ensino a partir das mudanças decorrentes da proposta dos ciclos
de aprendizagem da Prefeitura de Recife, tomando como eixo principal a
avaliação do aprendizado do sistema de notação
alfabética no ciclo I.
Como um caminho para a legitimação da proposta dos ciclos
na PCR, foi elaborado um documento contendo os princípios norteadores,
os pressupostos político-ideológicos, as competências
a serem desenvolvidas com os alunos. Esse se constituiu, certamente, num
documento-referência à prática dos professores em
sala de aula. Constatamos isso claramente no registro realizado no diário
de classe das mestras que participaram da pesquisa (três professoras
de cada escola, dos três anos do ciclo I).
Acreditamos que, em função do que estava exposto naquele
documento, as professoras atribuíram à escrita um sentido
muito amplo e pouco preciso. Ora referiam-se à escrita como produção
de texto, ora como o processo de apropriação do sistema
de notação alfabética, variando conforme a metodologia
de cada mestra, bem como do ano-ciclo em que atuavam.
Outro dado interessante foi o fato de encontrarmos quem mencionasse conceber
a escrita como conseqüência da leitura. Ao mesmo tempo em que
traçavam atividades, encaminhamentos para os aprendizes se apropriarem
do SNA, interpretavam que a escrita viria “com o desenvolvimento
da leitura”. Essa preocupação em estabelecer uma diferença
temporal no ensino da leitura e escrita, segundo Ferreiro (1985), está
intimamente ligada ao modo de conceber a escrita. Retomamos a distinção
que a autora fez em relação à escrita como apropriação
de um código de transcrição e a escrita como apropriação
de um sistema notacional. Se optamos pela primeira concepção,
podemos dissociar o ensino da leitura e da escrita, enquanto aquisição
de duas técnicas diferentes, embora complementares. Mas essa
diferenciação carece totalmente de sentido quando sabemos
que, para a criança, trata-se de compreender a estrutura do sistema
de escrita, e que, para conseguir compreender o nosso sistema, realiza
tanto atividades de interpretação como de produção
(FERREIRO, 1985, p. 35-36).
A explicitação dos conhecimentos a serem construídos
em cada ano-ciclo também se constituiu num caleidoscópio
de opiniões pouco precisas e oscilantes. Pareceu-nos notória
a transposição do que havia na proposta (competências)
e, com isso, a indefinição das mesmas para cada ano do ciclo,
já que o documento oficial não fazia menção
aos conteúdos e/ou competências a serem enfatizados por ano-ciclo.
Como apreendemos há pouco, a forma como o documento estava organizado
refletiu nitidamente nas práticas de registro das mestras. Embora
as professoras recorressem aos poucos itens elencados na proposta, não
demonstravam muita clareza sobre os mesmos no registro e na avaliação
das competências.
Sobre esse assunto Leal (2003, p. 20) enfatiza que “é de
fundamental importância a seleção consciente do que
devemos ensinar”. A partir dessa posição, ressalta
a autora, podemos organizar melhor o tempo escolar e as formas de avaliação
que iremos adotar. Inserindo-se nesse contexto, evidentemente, a clareza
dos critérios de avaliação para o professor e também
para o aluno.
No que se refere especificamente à prática avaliativa, vimos
que as professoras revelaram estar preocupadas com o acompanhamento processual
do desempenho dos alunos. Notamos, no entanto, que essa adesão
ao avaliar “continuamente”, “processualmente”,
estava situada num plano ideológico, se constituía mais
numa visão “utópica” de avaliação,
visto que as formas de operacionalização da mesma pareciam
não assumir uma concretude no cotidiano da sala de aula, nem nas
formas de registro. Nesse sentido, Hadji (2001, p. 22) ressalta que a
avaliação formativa não se constitui num modelo diretamente
operatório, portanto, sempre terá uma dimensão utópica.
Nesse sentido, entendemos que se faz urgente a preocupação
daqueles que organizam o saber a ensinar com a avaliação
da aprendizagem tendo em vista os objetos do saber, a fim de ultrapassar
essa visão “ampla”, “utópica” da
avaliação.
Como já destacamos, as professoras se mostraram extremamente preocupadas
com a promoção automática, sobretudo por conta do
estado de “maturidade” do educando que, na opinião
delas, parecia não ser levado em consideração pela
rede (CORRÊA & SANTOS, 1986).
Enfatizamos, ainda, que apesar das professoras concordarem em assumir
a heterogeneidade das aprendizagens (atendendo, com isso, às necessidades
do alunado); não deixaram de enfatizar que existiam casos em que
“realmente não se podia fazer muita coisa”. Além
disso, apontavam fatores extra-escolares como sendo os fatores que acarretariam
o fracasso escolar (à ausência de um ambiente alfabetizador
no lar, à origem social do aluno, ao poder aquisitivo, etc).
Ainda sobre a prática avaliativa, destacamos que as professoras,
por algumas razões, ainda recorriam às provas: os pais ou
mesmo os alunos cobravam. Segundo elas, era possível conciliar
a realização de provas com a avaliação contínua.
Evidencia-se, nesse caso, o que Albuquerque (2002) ressalta acerca do
processo de apropriação: esse não se constituiria
numa transposição literal do que fora prescrito oficialmente,
mas é caracterizado, sobretudo, por um processo de (re)construção,
(re)significação do oficial.
As concepções acerca do registro foram as mais diversas.
Houve quem afirmasse “registrar nos pensamentos” ao longo
do ano, procedimento mais eficaz que o registro escrito (Professora Eliane,
2º ano, escola A). Por outro lado, a professora Luíza (2º
ano, escola B) afirmou que o registro ajudava no atendimento à
diversidade. Segundo ela, por meio do dossiê que se fazia do aprendiz,
o professor tinha de fato um acompanhamento gradativo dos progressos e
dificuldades do educando frente à construção do conhecimento.
Com tudo isso, não acreditamos que as professoras estavam “resistindo
às mudanças”, é tanto que se mostraram favoráveis
a iniciativas de formação que viessem priorizar a discussão
da proposta, inserindo-se, nesse contexto, as possibilidades de operacionalização
em sala de aula. Não é à toa que frisamos a necessidade
de considerar as especificidades desse cotidiano no momento das formulações
no âmbito didático-pedagógico. Caso contrário,
o distanciamento decorrente do saber a ensinar e o saber efetivamente
ensinado continuará sendo alarmante, como constatamos na pesquisa.
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