Wilson Queiroz - Educador Étnico da SME
- Campinas e Aluno do GEPEC - MIPID – Memória e Identidade:
Promoção da Igualdade na Diversidade
“A primeira grande virtude porque veio antes de
todas as outras, é exatamente a virtude da coerência, é
diminuir a distância entre o que você diz, o que você
faz e o que você pensa.”(Paulo Freire)
A Secretaria Municipal de Campinas, através do
Departamento Pedagógico, viabilizando suas ações
com o objetivo de ampliar as ações afirmativas positivas,
institui o Programa Memória e Identidade: promoção
da igualdade na diversidade – MIPID , que tem como um dos objetivos
ampliar a formação dos educadores da Rede Municipal de Ensino,
para o cumprimento da lei 10639/03 e atendendo as suas Diretrizes Curriculares.
Lembrando que o Brasil, historicamente teve postura permissiva
diante a discriminação e do racismo, em relação
ao negro e afro-descendentes. É possível citar o decreto
1331, de 17 de fevereiro de 1.834, que não permitia a admissão
de escravos nas escolas públicas do país.
Buscando a partir da Constituição de 1988, efetivar um estado
democrático e de direito, com ênfase na cidadania e na dignidade
da pessoa humana e, portanto a educação constitui-se num
mecanismo de transformação de um povo e é papel da
escola de maneira democrática e comprometida estimular a formação
de valores, hábitos e comportamentos que respeitem as diferenças
e as características próprias de grupos e minorias. Sendo
assim, a educação é essencial no processo de formação
de qualquer sociedade e possibilita a ampliação da cidadania
de um povo.
A partir de janeiro de 2003, a lei 10639/03 do Ministério da Educação
altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
– LDB, Lei 9394/96, com isso visa resgatar a contribuição
dos negros na formação social, política e histórica
do Brasil.
O objetivo desses atos é promover alteração positiva
na realidade vivenciada pela população negra e trilhar ruma
a uma sociedade democrática, justa e igualitária; assim
como, possibilitar aos negros reconhecerem-se e se perceberem como agentes
transformadores da sociedade.
A fim de alcançar uma educação de qualidade torna-se
necessário escolas instalada e equipadas adequadamente, profissionais
qualificados e com formação para lidar com questões
de discriminações, relações entre grupos étnicos,
políticas pedagógicas e institucionais que possibilitem
a superação do senso comum das práticas pedagógicas.
Para o êxito da proposta a escola e seus profissionais
não podem improvisar. É preciso superar a mentalidade racista
e discriminadora, superaro etnocentrismo europeu e desalienar os processos
pedagógicos.
Vale destacar, dentre outras, algumas das ações
que vem sendo desenvolvidas:
? Parcerias viabilizando formação de educadores;
? Montagem e disponibilidade de biblioteca;
? Seleção de educadores étnicos;
? Acompanhamento de atividades;
? Disponibilidade de materiais diversos;
? Participação de Feiras, Fóruns, Congressos;
? Participação em Concursos;
? Criação de Programas de Capoeira na Escola;
? Aquisição de Bibliografias;
? Visita ao Museu Afro-Brasil;
? Montagem de Exposição;
? Elaboração do Vídeo Vista Minha Pela;
? Levantamento de Dados e Práticas Positivas;
? Criação de Bonecas étnicas;
? Promoção de Cursos de Formação de Capoeiristas;
? Divulgação de trabalhos significativos;
As Oficinas de Formação (ou Grupos de Trabalho) têm
estudado e desenvolvido pedagogias de relações étnico-raciais
conforme sugere a SEPPIR, a partir de grupo de educadores que se reúnem
semanalmente para implementar ações pedagógicas positivas
a partir das percepções dos educadores e educandos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. SECRETARIA DE ESTADO
DOS DIREITOS HUMANOS. Guia de direitos do brasileiro afro-descendente.
Direito e Legislação anti-racista. Sérgio Martins.
2ª ed. Brasília: 2001.
GOMES, Nilma Lino, GONÇALVES, Petronilha Beatriz. (org.) Experiências
étnico-culturais para a formação de professores.
Autêntica, Belo Horizonte: 2003.
BENTO, Maria Aparecida Silva. Cidadania em preto e branco. Ática.
São Paulo.