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ALUNO EM EAD - DIFERENTES MÍDIAS E DIFERENTES LEITURAS - UMA EXPERIÊNCIA
NA UNIRIO
Marcella
Suarez Di Santo (bolsista IC/UNIRIO);
Guaracira Gouvêa - orientadora;- Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro (UNIRIO).
O Sub-Projeto
Educação a Distância – um estudo sobre as características
e habilidades necessárias ao aluno de EaD, inserido na pesquisa
Formação de professores e Educação a Distância:
produção, utilização e avaliação
de materiais didáticos , tem como objetivo identificar características
e habilidades necessárias ao desenvolvimento do aluno de graduação
a partir dos diferentes tipos de leituras, feitas pelos estudantes de
uma disciplina optativa a distância, com relação aos
textos ofertados.
Os estudos sobre a educação a distância no Brasil
têm apontado que um dos objetivos dessa modalidade de educação
é o de suprir as necessidades deixadas pela educação
formal, por meio de práticas que buscam compensar a defasagem na
formação dos cidadãos, a fim de melhor inseri-los
no mercado de trabalho de forma acelerada. (BARRETO, 2000; BELLONI, 1999,
2002; CAPISANI, 2001; MORAN, 2002, 2003; PFROMM NETO, 2001; ESTEVES e
OLIVEIRA, 2001). Poucos estudos se preocupam com as condições
de produção dos materiais para a EaD, da mesma forma com
as habilidades e características necessárias ao aluno de
EaD.
Os programas de educação a distância cada vez mais
se apóiam em diversas tecnologias, como os recursos audiovisuais
e informática, por exemplo. É necessário que se pense
na elaboração destes materiais apoiados nas Tecnologias
de Informação e Comunicação – TIC, devido
a sua importância para o bom aproveitamento do aluno de EaD. “Os
professores autores precisam preocupar-se com a melhora das habilidades
para compreender, reter e recuperar a informação contida
nos textos, concomitantemente à sua elaboração.”(Fiorentini,
2002). E pensar também sobre a apropriação dos alunos
neste contexto educacional.
Baseado na literatura atual sobre as pesquisas em educação
a distância – EaD – no Brasil que, na maioria das vezes,
estão voltadas para a avaliação de programas governamentais
ou traçar a história e discutir políticas públicas
para essa modalidade de educação, nos propusemos a investigar
a apreensão dos alunos de diferentes linguagens, utilizadas nas
atividades desenvolvidas em educação a distância,
contribuindo assim para nosso melhor entendimento sobre esse tipo educação,
bem como levantar a discussão acerca das diversas formas de leitura
neste contexto.
A pesquisa se desenvolveu a partir da implantação de uma
disciplina obrigatória da grade curricular do curso de Pedagogia
da UNIRIO – Leitura e Produção de Imagens em Ciências
– durante o segundo semestre de 2004. A disciplina foi ofertada
com 80% de aulas presenciais e 20% a distância, onde os alunos tiveram
acesso a diversos tipos de mídias para desenvolver diferentes níveis
de leitura.
Para entendermos um pouco mais sobre educação a distância,
vamos apresentar historicamente como surgiu a sua prática no Brasil.
Breve História
da Educação a Distância no Brasil
A EaD começou no Brasil via radiodifusão, em 1923, com a
iniciativa de Edgard Roquete Pinto e um grupo de professores e intelectuais
que fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, transformada
em 1936 em Rádio Ministério da Educação e
Cultura (Rádio MEC). Esta estação de rádio,
de caráter essencialmente educativo e cultural, desempenhou um
papel pioneiro no campo de educação a distância.
Depois de quase quarenta anos de desenvolvimento de diferentes projetos
de educação a distância, apoiados em diferentes mídias,
inclusive a televisão, a primeira demonstração brasileira
de ensino a distância por meio de computador ocorreu em junho de
1971 no hotel Glória, no Rio de Janeiro, em uma conferência
de educação, e deu-se por meio de terminais de computador
instalados no hotel e ligados por linha telefônica à Escola
Politécnica da USP em São Paulo. Nesse momento, inicia-se
a o período do uso das denominadas tecnologias da informação
e comunicação – TIC.
No Brasil, até a promulgação da última LDB/1996,
não havia projetos em EaD no ensino formal, em qualquer nível,
no entanto, no exterior, tendo como marco inicial a experiência
inglesa da Universidade Aberta (Open University), o ensino superior a
distância viu-se em uma incrível expansão em vários
países. Este tipo de universidade não rompe com a universidade
tradicional, nem pretende substituí-la, mas sim pretende ser parte
de uma renovação metodológica, reforçando
assim o sistema educativo tradicional. (Pfromm Netto, 2001)
Hoje a educação a distância se expandiu e não
é difícil encontrarmos na Internet diversos tipos de cursos
a distância, apoiados em diferentes tecnologias da informação
e comunicação(TIC) que possuem linguagens e suportes específicos.
A nossa proposta é procurar saber como ocorre a apreensão
dos textos, veiculados nesses suportes, por alunos participantes do ensino
nessa modalidade. Para tanto, como essa apreensão se dá
por meio da leitura, procuramos entender um pouco mais sobre leitura tantos
em textos escritos, como em vídeos e em ambientes virtuais.
A pesquisa
No primeiro momento da investigação foram realizados estudos
bibliográficos com relação à educação
a distância, leitura, linguagens e mídias.
Em um segundo momento, constituiu-se o cenário da pesquisa - ambiente
de implantação de 20% a distância em uma disciplina
do curso de Pedagogia da UNIRIO. Durante a participação
nas atividades da disciplina os alunos puderam conhecer um pouco mais
sobre linguagem, mídias, leitura, a partir dos textos ofertados,
tanto escritos quanto imagéticos, ou textos imagéticos e
escritos em ambientes virtuais.
A partir da implantação desta disciplina obtivemos um conjunto
de documentos que foram coletados e analisados. São eles: conjunto
de documentos referentes aos estudantes (1. questionário de caracterização
sócio-demográfica e cultural; 2. materiais escritos produzidos
a partir das atividades propostas; 3. arquivo das mensagens enviadas à
professora e à tutora da disciplina; 4. arquivo impresso com os
debates ocorridos nos grupos de discussão; 5. conjunto de informações
retiradas dos relatórios fornecidos pela plataforma escolhida)
e ainda as provas acerca dos conteúdos explorados, bem como as
avaliações dos alunos sobre as disciplinas.
Para cada documento foram criadas formas de organização
diferentes para facilitar a identificação das habilidades
e características necessárias ao aluno de EaD, como apresentamos
a seguir:
1. Questionário de caracterização sócio-demográfica
e cultural:
O questionário estava constituído de 75 questões,
elaboradas e discutidas com o grupo de professores e alunos da pesquisa.
Antes de ser aplicado entre os alunos das disciplinas envolvidas no projeto,
houve uma reunião para revisar e discutir as questões. Neste
momento o questionário sofreu alterações e passou
a ter 74 questões.
A disciplina Leitura e Produção de Imagens em Ciências,
citada anteriormente, ministrada por uma professora da UNIRIO, no segundo
semestre de 2004, tinha 29 alunos. Sendo que 25 alunos responderam ao
questionário em uma aula presencial, no mesmo dia de uma das provas.
Os alunos foram numerados de 01 a 25 e suas respostas foram transportadas
e organizadas com o auxílio de um programa específico para
banco de dados – SPSS – e para cada aluno foi utilizado um
código para facilitar a organização e análise
dos dados em programas deste tipo. Cada aluno era então reconhecido
a partir dos seguintes códigos:
- lpi = Leitura e Produção de Imagens em Ciências;
- 04 = ano de 2004;
- 2 = segundo semestre
- 01 = aluno número 01.
Portanto o primeiro aluno seria lpi04201, o segundo lpi04202 e assim sucessivamente
até o 25º aluno – lpi04225. Todos os alunos tiveram
suas respostas organizadas em planilhas do programa SPSS que serão
analisadas na próxima etapa da pesquisa.
2. Materiais
escritos produzidos a partir das atividades propostas:
Foi criada a disciplina dentro do ambiente Aulanet, que serve para disponibilizar
cursos a serem ofertados a distância e também disponibilizar
textos e imagens, e informações sobre a disciplina. Os alunos
se registraram na plataforma e o administrador do curso os autorizou.
Após a autorização, os alunos fizeram o pedido de
matrícula, que também foi autorizado pelo administrador
da plataforma. Então, ele teria acesso ao curso e poderia navegar
na plataforma. O registro dos alunos foi feito em uma aula presencial,
onde foi apresentado o ambiente no qual os estudantes navegariam. Esta
aula serviu para criar familiaridade com o ambiente e esclarecer as possíveis
dúvidas.
Para facilitar o conteúdo do curso e organizá-lo, tanto
para o aluno como para o professor, o aluno tinha um Controle Remoto com
as seguinte opções: Contato com Docentes; Mensagem p/ Participantes;
Lista de discussão; Conferências; Debate; Avisos; Plano de
Aulas; Tarefas; Bibliografia; Webliografia; Documentação;
Download; Questionário de Reação e Relatórios
de Participação. Assim que o aluno faz a sua identificação
(login), aparecem informações sobre a disciplina e todas
os opções do Controle Remoto. Abaixo estão destacadas
as mais relevantes para a pesquisa:
• Contato com Docentes – era uma opção que sempre
tinha erros, portanto não foi utilizada;
• Mensagem para Participantes – só era feita via correio
eletrônico, pois as mensagens instantâneas não funcionavam.
O sistema exibia sempre a informação de que todos os usuários
não estavam conectados, mesmo que estivessem.
• Conferência – uma das atividades foi feita através
de uma Conferência, que tem a mesma proposta dos fóruns de
discussão, onde um tema é abordado e cada um deixa a sua
opinião a respeito. A Conferência era o meio pelo qual os
alunos fariam uma das tarefas propostas para a parte a distância
da disciplina.
• Avisos – um dos espaços mais importantes para o momento
a distância. Nele havia o calendário da disciplina, bem como
instruções de navegação e instruções
da disciplina no momento a distância, como mostramos abaixo:
Lista de
Avisos da turma
Título: Aviso 1 Conteudista: G. G
Descrição: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
ESCOLA DE EDUCAÇÃO
DISCIPLINA: LEITURA E PRODUÇÃO DE IMAGEM
Instruções
para o período a distância
1. Acessar
a plataforma Aulanet: http://eadcch.unirio.br/aulanet2
2. Realizar login (nome e senha). Caso esqueça sua senha, envie
uma mensagem ao administrador ou um e-mail para disanto_m@yahoo.com.br.
3. Clicar na disciplina Leitura e Produção de Imagem. Quando
abrir o controle remoto, clicar em avisos e anotar os prazos dos trabalhos.
4. Clicar em plano de aulas para verificar a programação
desse período.
5. Clicar em tarefas (1, 2 e 3). As instruções e prazos
estão no quadro de avisos e se repetem nas tarefas.
6. Caso haja dificuldades de acesso à plataforma, envie um e-mail
para a tutora Marcella - disanto_m@yahoo.com.br.
7. Ao receber o e-mail a tutora enviará os avisos e as tarefas.
8. Após cumpridas as tarefas, enviá-las pela plataforma.
Caso não consiga, envie para o e-mail da tutora - disanto_m@yahoo.com.br.
9. Antes de realizar qualquer tarefa, envie uma mensagem para a tutora
certificando que estão navegando na plataforma sem problemas (até
26/11).
Título: Aviso 2 Conteudista: G. G
Descrição: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
ESCOLA DE EDUCAÇÃO
DISCIPLINA: LEITURA E PRODUÇÃO DE IMAGEM
Instruções
Gerais
As cópias
dos textos para serem lidos estão na pasta de LPI (Leitura e Produção
de Imagem) - 2004/2.
Algumas atividades serão feitas em duplas, outras em grupo de quatro
os quais estão explicitados no mural de avisos com os respectivos
nomes e e-mails.
Os prazos de entrega das atividades estão indicados no quadro de
avisos e no início da descrição de cada atividade.
Os vídeos das atividades podem ser assistidos ou reassistidos em
horário a ser marcado com a tutora.
Durante o período a distância vocês obrigatoriamente
deverão entregar as três (3) atividades propostas, nos devidos
prazos, encaminhadas por e-mail via plataforma e por fora da plataforma
para o e-mail da tutora (disanto_m@yahoo.com.br).
Nos momentos em que a plataforma não funcionar, encaminhe suas
mensagens por fora da plataforma.
Título: Calendário LPI Conteudista: G. G.
Descrição: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
ESCOLA DE EDUCAÇÃO
DISCIPLINA: LEITURA E PRODUÇÃO DE IMAGEM
Sugestão
de organização de calendário da disciplina Leitura
e Produção de Imagem
com o momento de inserção da parte a distância
Novembro
08/11 (segunda-feira) – Prova
10/11 (quarta-feira) – Linguagem do vídeo/ ver vídeo
e discutir
15/11 (segunda-feira) – Feriado
17/11 (quarta-feira) - Projeção de novos vídeos -
instruções para a parte EAD
22/11 (segunda-feira) - Leitura do texto A hegemonia da imagem eletrônica
– EAD
24/11 (quarta-feira) - Produção da atividade 1- EAD
29/11 (segunda-feira) - Os gêneros televisuais e o diálogo
e As vozes do telejornal /ver gêneros televisivos - EAD
Dezembro
01/12 (quarta-feira) - Produção da atividade 2 – EAD
05/12 (domingo) – Disponibilizar na Conferência a atividade
3
06/12 (segunda-feira) - Aula presencial
08/12 (quarta-feira) - Sites da atividade 3/Prova de Ciência da
Comunicação
13/12 (segunda-feira) – Presencial/Questionário
15/12 (quarta-feira) - Aula presencial/Questionário de Reação
(EAD)
• Plano
de Aulas – era uma descrição de cada conteúdo.
• Tarefas – era a opção que apresentava as atividades
e os prazos de entrega de cada atividade. Abaixo estão as tarefas
a serem executadas no momento a distância:
Tarefa 1:
AULA 1 A
DISTÂNCIA - TAREFA 1
Prazo para
encaminhar para a tutora até 28/11
1.1) Leia
o texto: A hegemonia da imagem eletrônica de Arlindo Machado.
1.2) A partir desta leitura, escolha três idéias desenvolvidas
nesse texto e elabore comentários tendo como referência as
idéias escolhidas e o vídeo que assistimos no dia 10/11,
A velha a fiar.
1.3) Caso sinta necessidade você pode reassistir o vídeo
no dia 26/11. OBS: Para tanto é necessário procurara a tutora
na sala 403, das 19h às 20h e 30 minutos.
1.4) Depois de produzir o seu texto, envie-o para seu (sua) colega de
dupla e construam uma síntese comunicando-se por e-mail via plataforma.
OBS: É necessário que esta síntese seja feita totalmente
via Internet - a dupla não deve se encontrar presencialmente para
fazer a síntese.
1.5) Um dos componentes da dupla deverá encaminhar - até
o dia 28/11 - para a tutora (e-mail: disanto_m@yahoo.com.br) via plataforma:
a) o texto individual de cada componente da dupla;
b) o texto síntese produzido via e-mail.
1.6) Caso tenham dúvidas, perguntem a tutora por meio de mensagens
eletrônicas (e-mail), via plataforma.
Tarefa 2:
Aula 2 –
Tarefa 2
Prazo para encaminhamento para a tutora 03/12
2.1) Leiam
os textos: Os gêneros televisuais e o diálogo, e As vozes
do telejornal, ambos de Arlindo Machado.
2.2) Escolham dois gêneros televisivos (jornal, documentário,
novela, programa de variedades, programas humorísticos, entre outros)
para assistir.
2.3) Elabore um trabalho comentando os programas televisivos escolhidos
tendo como referência as idéias desenvolvidas nos textos.
2.4) Vocês devem realizar essa atividade em grupo de quatro, isto
é:
a)escolher os mesmos programas que todos deverão assistir;
b)elaborar um fichamento individual dos textos citados no item 2.1;
c)construir um texto coletivo com seus colegas de grupo por e-mail;
d)cada integrante do grupo terá uma cor que será indicada
na lista de discentes da plataforma. Esta cor servirá para a construção
do texto coletivo;
e)O grupo deverá escolher a ordem para os integrantes (quem será
o 1º, 2º, 3º e 4º a participar do texto coletivo);
f)A atividade será divida em dois momentos, referentes aos dois
gêneros escolhidos.
2.5) Programa de televisão 1
a) Para construir o texto (de 600 a 1000 palavras = clicar em Ferramentas
e contar palavras... no Word). O 1º integrante escreverá um
comentário utilizando a fonte da respectiva cor indicada na plataforma
(item 2.5 a) – relacionando as idéias desenvolvidas nos textos
lidos e a análise de um dos programas televisivos assistido. Posteriormente
enviará este texto para o 2º integrante que utilizará
sua cor para modificar o texto do primeiro. Para tanto, o 2º integrante
deverá seguir os seguintes passos:
a1) quando quiser excluir algo que o integrante anterior escreveu, deverá
colocar a palavra, frase ou expressão entre colchetes da sua cor.
a2) caso queira acrescentar algo ao texto, deverá escrever o que
deseja utilizando sua respectiva cor indicada na lista de alunos na plataforma;
a3) passar a limpo o texto apagando somente o que foi excluído
(que estava entre colchetes da sua cor);
a4) enviar o mesmo arquivo recebido do aluno 1 (o texto original, o texto
modificado com suas intervenções e o texto passado a limpo)
para o aluno 3.
b) O estudante 3 ao receber o arquivo do integrante 2 deverá trabalhar
no mesmo arquivo, realizando as intervenções no texto passado
a limpo pelo aluno 2. Deve também passar seu texto a limpo e enviar
o arquivo completo ao aluno 4.
c) O aluno 4, em posse do arquivo completo, deverá realizar intervenções
no texto passado a limpo do aluno 3. Deverá passar a limpo seu
texto, que representa a versão final (fonte preta). Este arquivo
completo ? com todas as intervenções e os textos de todos
os alunos, inclusive a versão final – será enviado
por este aluno para a tutora.
2.6) Programa de televisão 2
a) Deve-se escolher uma outra ordenação dos alunos - diferente
da primeira escolhida - e construir um trabalho sobre o segundo programa
televisivo escolhido e os textos lidos. Desta vez, não poderão
excluir ou modificar o texto de nenhum aluno em nenhum momento –
inclusive erros de Português. A atividade ocorrerá da seguinte
forma:
a1) O aluno 1 deverá gerar um texto com sua cor e encaminhar ao
aluno 2;
a2) O aluno 2 deverá acrescentar algo de forma a dar continuidade
às idéias iniciadas pelo aluno 1;
a3) Os alunos 3 e 4 farão o mesmo processo até gerarem um
texto entre 1000 e 2000 palavras, mantendo suas respectivas cores e textos
em um mesmo artigo.
Atenção:
1. Utilizem sempre o mesmo arquivo para escrever o texto.
2. O aluno só poderá escrever (mexer) no texto uma única
vez. O caminho do arquivo será:
aluno 1 - aluno 2 - aluno 3 - aluno 4 – tutora (disanto_m@yahoo.com.br).
Tarefa 3:
Atividade
3 Prazo de encaminhamento 05/12
3.1) Estão
disponíveis, no conteúdo do plano de aula 3, um conjunto
de imagens para serem lidas.
3.2) Descreva o que você pensa que estas imagens representam e justifique
suas escolhas a partir de sua história de leituras.
3.3) Disponibilize a sua opinião no item Conferência no Controle
Remoto da plataforma Aulanet.
3.4) No dia 08/12 estarão disponíveis as fontes de onde
foram retiradas as imagens. Retorne à plataforma e registre uma
nova mensagem na Conferência.
• Bibliografia
– era uma das opções e correspondia a Bibliografia
trabalhada durante a disciplina de Leitura e Produção de
Imagens em Ciências.
• Webliografia – continha três endereços com
textos que poderiam auxiliar os alunos na execução das tarefas,
bem como as fontes das imagens utilizadas na tarefa 3, citada anteriormente,
e encontram-se nos endereços abaixo:
http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT803818-3567,00.html
http://eol.jsc.nasa.gov/sseop/EFS/photoinfo.pl?PHOTO=ISS003-E-6816
• Download – nesta opção havia somente os arquivos
das imagens e o exemplo da atividade 2, pois optamos por não disponibilizar
os textos na Internet e sim na xerox da Universidade por ser mais prático
e econômico para aluno, além de facilitar seu estudo.
• Questionário de Reação – esta opção
não foi utilizada, pois tem uma estrutura muito fechada e impediu
que pudéssemos disponibilizar um questionário aberto ou
a avaliação de final de curso e da parte a distância
proposta e organizada pelo grupo de pesquisa em reuniões. Optamos
por enviar, via correio eletrônico, a análise a ser respondida
e entregue pessoalmente – para os que não quisessem se identificar
– ou pelo mesmo meio – Internet.
• Relatórios de Participação – é
um recurso do sistema em que o professor pode acompanhar a participação
dos alunos em cada tópico específico e essa participação
pode influenciar no desempenho do aluno durante a disciplina. Algumas
informações específicas do Relatório não
foram geradas pela plataforma devido aos problemas que encontravam-se
nela.
3. Arquivo
das mensagens enviadas à professora e à tutora da disciplina:
Em reunião de pesquisa, foi combinado que eu seria a tutora da
disciplina, ou seja, aquela responsável por receber os e-mails
dos alunos e respondê-los. Essas mensagens foram arquivadas em pastas
dentro de uma conta de e-mail gratuita da Internet e em arquivos de Word.
Optei por diferenciar os e-mails recebidos de acordo com as tarefas e
com as dúvidas.
Assim, foram criadas as pastas Tarefa 1, Tarefa 2, Tarefa 3, Fichamentos,
Avaliação, Dúvidas Operacionais referentes à
Disciplina, Dúvidas sobre a Leitura da Tarefa, Dúvidas e
Problemas com o Ambiente Aulanet, além de Comentários. É
importante lembrar que a maioria das tarefas foi recebida por e-mail devido
a problemas com o ambiente, que estava sempre lento impedindo os alunos
de acessarem e colocarem seus trabalhos. Por isso, optamos pela organização
e recebimento dos trabalhos em uma conta de e-mail gratuita fora do ambiente.
Poucos alunos conseguiram anexar seus arquivos na página por diversos
fatores. Um deles eram os constantes problemas com a plataforma.
4. Arquivo
impresso com os debates ocorridos nos grupos de discussão:
O material que coletamos são as respostas dos alunos na Conferência
na Tarefa 3, que também foi transportada para arquivos do Word,
e ainda encontra-se disponível na página.
5. Conjunto
de informações retiradas dos relatórios fornecidos
pela plataforma escolhida:
Essa opção que a plataforma nos fornece, a respeito do acesso
dos alunos e da participação da disciplina, bem como execução
das tarefas. Pudemos perceber que há alunos que não tiveram
participação alguma no ambiente, ou seja, fez as tarefas
fora do ambiente ou nem as fez. A tabela com as atividades será
apresentada mais a frente.
O segundo
momento da pesquisa, a análise destes documentos, a partir da literatura
existente sobre o desenvolvimento dos estudantes em EaD e sobre leitura
para identificarmos as habilidades dos estudantes e apreensão destes
a partir do material ofertado, a fim de estimular o desenvolvimento dessas
habilidades, será mais claramente expressa no tópico Resultados.
Quanto ao terceiro momento da pesquisa, a elaboraração de
um conjunto de parâmetros que caracterize o desenvolvimento de um
aluno em EaD, tanto a partir de suas habilidades identificadas quanto
a partir da consideração dessas habilidades na produção
dos materiais em EaD, será o objetivo da próxima pesquisa
e terá como base a análise feita nesta etapa.
O foco de nossa análise é nos tipos de leitura dos alunos.
E nesta relação deles com a leitura, pretenderemos por meio
de nossa análise dos documentos obtidos, destacar os marcadores
da linguagem que estes alunos consideram. Como lêem as atividades
propostas? E em ambientes virtuais, como isso pode ser percebido?
É importante salientar que nós não estávamos
somente avaliando o cumprimento correto das tarefas, mas buscamos considerar
a identificação por parte dos estudantes dos marcadores
de cada tipo de linguagem do ponto de vista léxico e sintático.
Para isso buscamos entender um pouco mais de leitura e destacamos alguns
pontos a partir de nosso estudo.
A Leitura
A leitura é vista como uma prática social e está
associada ao aparelho literário e ao processo literário.
Segundo Orlandi (1988) a leitura, vista em sua acepção mais
ampla, pode ser entendida como “atribuição de sentidos”.
Segundo a autora, ler não é só ler o texto escrito,
mas ler o mundo: figuras, gestos, cenas, acontecimentos, mensagens de
cultura de massa, etc. Toda leitura é direcionada por condicionamentos
culturais. (Figueiredo, 1994). Portanto, a leitura pode ser entendida
como ato de compreender diferentes fenômenos naturais e sociais
expressos por diferentes linguagens.
A leitura está diretamente relacionada aos objetivos da leitura,
que vão da busca de informações pontuais à
busca de aprofundamento em determinados conteúdos e métodos.
E os resultados desta leitura também estão relacionados
ao ambiente e às condições sociais em que se dá
a leitura.
Os objetivos da leitura variam historicamente. Antes do século
XVIII, a leitura autorizada e representada era aquela em que o leitor
lia sentado dentro de um gabinete, mesmo que não fosse assim que
os leitores da época atuavam. Mas assim era reconhecida. E o livro
era e ainda é tido como uma autoridade do saber que carrega.
“A leitura, segundo Chartier (2000), existe nas relações
de apropriação, nas diferenças de uso partilhado,
no uso que os leitores dela fazem. Há diversos tipos de leitores
e tipos de leituras e não nos cabe aqui citá-los, mas podemos
notar que as características destes leitores indicam as competências
existentes em cada um.
“A leitura se realiza a partir do diálogo do leitor com o
objeto lido – seja escrito, sonoro, seja um gesto, seja uma imagem,
um acontecimento. Esse diálogo é referenciado por um tempo
e um espaço, uma situação”.(Martins; 2003;
p.33) Ela sintetiza a leitura em duas caracterizações:
1- Como decodificação mecânica de signos lingüísticos
por meio de aprendizado estabelecido a partir do condicionamento, estímulo
e respostas.
2- Como processo de compreensão abrangente, cuja dinâmica
envolve componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos,
neurológicos, tanto quanto culturais, econômicos e políticos”.
Para ela, há três níveis básicos de leitura:
sensorial, emocional e racional. Esses três níveis são
inter-relacionados e cada um deles compreende a um modo de aproximação
do objeto lido, porém há uma tendência de a leitura
sensorial anteceder a leitura emocional e a emocional anteceder a leitura
racional.
A leitura sensorial está relacionada ao imediato. A leitura emocional
lida com sentimentos, portanto se dá no âmbito do subjetivismo,
não se apóia na objetividade. A criança, segundo
Martins, pode ter muito mais disponibilidade para este tipo de leitura,
devido ao fato de tudo ser novo para ela, e ela é mais receptiva
a manifestar emoções que o adulto.
A leitura intelectual enfatiza o intelectualismo; o leitor vê o
texto sem contato emocional e sem envolvimento pessoal. “Ele endossa
um modo de ler preexistente, condicionado por uma ideologia”.(Martins,
2003, p.35).
Ainda, segundo Martins (2003), a leitura racional acrescenta à
sensorial e à emocional, pois estabelece uma ponte entre o leitor
e o conhecimento, a reflexão, a reordenação do mundo
objetivo, possibilitando-o, no ato de ler, atribuir significado ao texto.
Além desta proposta de leitura exploraremos outras que serviram
para a análise das tarefas a partir dos objetivos propostos para
a pesquisa e que estão construidas teoricamente na seção
de resultados.
Resultados
e Análises
Em relação à implantação da disciplina
podemos citar alguns aspectos observados:
• O fato de o número de alunos a completar todas as tarefas
propostas no momento a distância da disciplina foi bem menor do
que o esperado.
• Muitos alunos tinham dificuldades com o acesso a Internet.
• Alguns alunos tinham um ótimo acesso, mas a plataforma
tinha problemas que dificultavam sua navegação. Então
eles enviavam seus trabalhos por e-mail.
• Foram muitos os problemas técnicos encontrados com a plataforma
e isso dificultou a implantação do momento a distância
da disciplina.
Estes são os tópicos iniciais a serem explorados. Para entendermos
bem a leitura dos estudantes no momento a distância da disciplina,
bem como caracterizá-los, elaboramos o perfil dos estudantes com
os quais trabalhamos, a partir da análise de um questionário
de caracterização sócio-cultural e demográfica.
Para a coleta de informações que influenciem a análise
neste momento, foram selecionadas questões do questionário
referentes à leitura dos alunos e à familiaridade destes
com computadores e ambientes virtuais.
Com base no levantamento realizado, pudemos notar que o grupo, de uma
maneira geral, tem familiaridade com computador e com ambientes virtuais
facilitando assim a execução da disciplina a distância
por meio destes ambientes. Esses estudantes buscam informações
em diferentes mídias, mas lêem prioritariamente os textos
indicados nas aulas.
Como estamos falando de Educação a Distância, mediada
por diversos meios, é necessária a familiaridade do aluno
com os meios utilizados na disciplina – neste caso, vídeo,
ambiente virtual, material impresso, etc. E para que o aluno tenha um
bom desempenho em EaD partimos do pressuposto de que é necessário
o aluno realizar uma boa leitura das mídias envolvidas neste contexto
educacional.
Primeiramente iremos mapear as atividades calculando os dados estatísticos.
Vejamos o quadro abaixo:
| |
Alunos |
Tarefa
1 |
Tarefa
2 |
Tarefa
3 |
Questionário
de Perfil |
| 1 |
A.F.C. |
X |
X |
X |
X |
| 2 |
A.S.F.S. |
X |
X |
X |
X |
| 3 |
A.V.M. |
X |
X |
X |
X |
| 4 |
B.M.S. |
X |
X |
X |
X |
| 5 |
D.M.M. |
X |
|
X |
X |
| 6 |
D.O.O. |
|
X |
X |
X |
| 7 |
F.R.S.L. |
|
|
X |
X |
| 8 |
F.A.B. |
X |
X |
X |
X |
| 9 |
F.M.C.S. |
X |
X |
X |
X |
| 10 |
F.F.D. |
X |
X |
X |
X |
| 11 |
G.M. |
X |
X |
X |
X |
| 12 |
G.F. |
X |
|
X |
X |
| 13 |
I.C.M. |
X |
X |
X |
X |
| 14 |
I.M.S. |
X |
X |
X |
|
| 15 |
J.M.R.S.L. |
X |
X |
X |
|
| 16 |
J.B.F.P.L. |
|
X |
X |
X |
| 17 |
K.G. |
X |
X |
X |
X |
| 18 |
M.F.C.A. |
X |
X |
X |
X |
| 19 |
P.C. |
X |
X |
X |
X |
| 20 |
R.L.B. |
X |
X |
|
X |
| 21 |
R.C.S. |
X |
X |
X |
X |
| 22 |
R.S.P. |
X |
X |
X |
|
| 23 |
R.P. |
X |
|
X |
X |
| 24 |
V.C. |
X |
X |
X |
X |
| 25 |
V.F.S. |
X |
X |
X |
X |
| 26 |
V.M. |
X |
|
X |
X |
Como podemos
perceber, a desistência foi aumentando à medida que iam terminando
as aulas. As últimas atividades tiveram menos alunos e as atividades
que eram em grupo acabaram sendo individuais por haver problemas com os
horários dos alunos e também devido à dificuldade
de acesso dos alunos à Internet e aos erros da plataforma que impediam
que eles se comunicassem por ela e fizessem as atividades de acordo com
o que foi pedido.
Queremos identificar as características desses alunos. Inicialmente
entendemos que o aluno necessita, para um bom desenvolvimento em EaD ou
em qualquer formato de aprendizagem que envolve níveis diferenciados
de leitura, fazer uma boa leitura. E uma das premissas desse trabalho
é que para que ocorra uma boa leitura – aquela em que o estudante
a desenvolve em diferentes níveis – são necessárias
a intertextualidade de Orlandi (1988) ou a interlocução
de Bakhtin (1995) com textos, teorias, experiências próprias
do aluno e com o autor não presente.
A interlocução que pretendemos utilizar para este momento
é a do aluno com o “outro” – o texto, o autor,
suas experiências prévias, suas leituras anteriores, etc.
(Bakhtin, 1995). É a partir dessa interlocução que
os alunos serão capazes de discutir, criticar, completar, ou seja,
dialogar com o outro envolvido no processo, e levantar novos questionamentos,
nova discussão a partir da apreensão do texto.
Almeida, apoiada em Bakhtin, diz em seu texto que toda enunciação
verbal só adquire sentido e só é lida a partir de
outros textos com os quais ele dialoga. “Nesse sentido, a leitura
pode ser vista como uma atividade dialógica intertextual, que conduz
à elaboração de redes de conhecimento, através
da incorporação de vozes”. (2001, p.123). É
a partir das leituras anteriores, sejam elas de quaisquer gêneros
ou tipos, é que o leitor fará as interações
com as novas leituras, e através da interação irá
dialogar com o novo texto. Neste processo dialógico, ele constrói
diversas interlocuções que o possibilita formar novos conceitos,
levantar novas questões a partir das já apreendidas e elaborar
uma rede de conhecimentos entre tudo o que já era por ele compreendido
e todo o novo conhecimento adquirido. É esta a interlocução
desejada durante a execução das atividades no momento a
distância.
A partir das considerações sobre leitura descritas, analisamos
as enunciações presentes nas tarefas executadas a distância.
A tarefa 1 era para ser realizada em dupla via e-mail entre os alunos.
Alguns tiveram dificuldades e a realizaram sozinha. Outros realizaram
a tarefa conforme o informado. Quanto à tarefa 2, era para ser
feita em grupo e tinha a característica de aprendizagem cooperativa.
Os estudantes deveriam estabelecer uma ordem entre si, escolherem uma
cor e cada aluno descreveria com sua cor, fazendo alterações
com sua cor, até que chegasse a um texto final construído
coletivamente. Estas atividades que envolvem a interlocução
deseja para sua execução está apoiada na concepção
de aprendizagem cooperativa.
“A aprendizagem cooperativa é uma técnica ou uma proposta
pedagógica na qual os estudantes ajudam-se no processo de aprendizagem,
atuando como parceiros entre si e com o professor, com o objetivo de adquirir
conhecimento sobre um dado objeto. A cooperação como apoio
ao processo de aprendizagem enfatiza a participação ativa
e a interação tanto dos alunos como dos professores. O conhecimento
é considerado um construtor social, e desta forma o processo educativo
acaba sendo beneficiado pela participação social em ambientes
que propiciem a interação, a colaboração e
a avaliação”. (CAMPOS, SANTORO, BORGES E SANTOS; 2003).
A partir então da idéia de aprendizagem cooperativa, tínhamos
por intenção a ampliação dos conhecimentos
dos estudantes de forma que interagissem entre si e se ajudassem para
construírem novos conhecimentos. O ambiente virtual serviria como
o meio para essa interação e através dele seriam
expostas as opiniões dos alunos, bem como a interlocução
entre os alunos, os textos impressos e as atividades por eles executadas.
Os ambientes educativos, de uma forma geral, tendem a controlar a polissemia
dos estudantes. Tendem a ser monofônicos, quando a intenção
é que sejam polifônicos, já que puderam fazer a interlocução
e aprender muito mais o conteúdo estudado. Uma característica
importante da EaD é autonomia do aluno e seu nível de organização,
já que seu estudo é individualizado, não tem a intervenção
de um professor presencial. Ele se comunica com os meios e, no caso da
nossa pesquisa, com seus colegas, com o texto impresso e com o vídeo.
Quando o aluno se mostra interlocutor no ato de realizar as atividades,
ele se mostra capaz e domina um conhecimento, dialoga com o outro ou os
outros todos envolvidos. Torna-se, portanto, capaz de realizar um estudo
autônomo identificando, assim, uma das características para
o estudo a distância, além das habilidades necessárias
que pretendemos detectar e desenvolver. Então, a interlocução
implica na autonomia do aluno em EaD.
Voltando a Bakhtin, vamos entender como ocorre a interação
dos estudantes em EaD. Esta interação pode ser estudada
de diversas formas: a interação deles com os meios, a interação
com o material impresso, com os colegas, com textos estudados anteriormente,
com outras experiências que possam ajudá-lo, etc.
A partir das atividades dos alunos pudemos perceber algumas características
que analisaremos segundo os seguinte critérios, a partir da construção
da interlocução dos alunos:
§ Alunos que construíram uma interlocução com
todos os “outros”;
§ Alunos que construíram alguma interlocução;
§ Alunos que não conseguiram dialogar.
Para estudar a interação dos alunos com todos os “outros”
pelo viés da leitura e a partir das atividades executadas, durante
o momento a distância da disciplina, fizemos um quadro para ilustrar
as interlocuções ocorridas durante a construção
da Tarefa 1. Segue abaixo o quadro que facilita o entendimento e a classificação
das categorias a serem analisadas:

Entendemos
que o aluno que não percebe como a tarefa deve ser feita, ele acaba
não a cumprindo da forma esperada. Para qualquer formato de aprendizagem,
o aluno precisa ter competências de leitura. Porém em EaD
isto fica muito claro principalmente na execução das tarefas.
A partir do ponto de vista de Bakhtin de interação, interlocução
e sob nossa perspectiva de leitura, podemos dizer que quando o aluno consegue
dialogar com o texto, com o vídeo e com seu colega para produzir
um texto onde ele expresse essa interlocução, então
ele tem autonomia de estudar sozinho, como ocorre na EaD. O aluno que
não consegue dialogar com o texto e o vídeo, por exemplo,
para produzir um novo texto a partir dessa interação, não
possui autonomia.
A partir desses modelos de classificação e critérios
de análise propostos, podemos fazer uma tabela explicando a quantidade
de alunos que conseguiu executar a tarefa com as características
que encontramos:
|
Tarefas
/ Níveis de Interlocução |
1 |
2 |
3 |
| Tarefa
1 |
12 |
7 |
4 |
| Tarefa
2 |
17 |
3 |
2 |
| Tarefa
3 |
23 |
2 |
0 |
Legenda:
1 = Alunos que construíram interlocuções (texto-vídeo-seu
texto-texto do colega).
2 = Alunos que construíram pouca interlocução (texto-vídeo-seu
texto); (texto-vídeo-texto do colega); (texto-vídeo); (texto-seu
texto-texto do colega); (vídeo-seu texto-texto do colega); etc.
3 = Alunos que não conseguiram dialogar (quem produziu seu texto
sozinho; só a síntese a partir do texto do colega).
Podemos observar que na tarefa 3 a maioria dos estudantes fez uma leitura
onde construíram interlocuções. Na tarefa 1 houve
um equilíbrio maior nesta quantidade – 12 alunos fizeram
a interlocução com todos os textos envolvidos e todos os
meios, além da intelocução com seus colegas, 7 fizeram
uma interlocução média, ou somente a partir do vídeo,
ou só o texto, ou só vídeo e texto, e 4 fizeram a
atividade sozinhos, o que nos mostra que não houve diálogo
com seus colegas e com os textos dos colegas. A interação
ficou somente entre ele, o texto e o vídeo. A tarefa 2 também
teve um equilíbrio maior. Poucos alunos fizeram a tarefa sozinhos.
A maioria interagiu entre si e com os meios. A tarefa 3, devido ao seu
menor nível de complexidade, foi a que a maioria dos estudantes
fez todas as interlocuções propostas.
Todos os fatores citados anteriormente e as dificuldades encontradas podem
influenciar no desenvolvimento das habilidades e competências dos
estudantes no que diz respeito a EAD. Portanto, podemos apontar que a
dificuldade de interação com as TIC pode dificultar o nosso
estudo no que diz respeito a identificação das habilidades
e competências.
Um estudo sobre a apreensão e apropriação de estudantes
dos materiais ofertados nesta disciplina no momento a distância,
bem como as habilidades necessárias para a apreensão destes
materiais pelos alunos, são de suma importância para que
possamos contribuir para aprofundar nosso entendimento sobre EAD, principalmente
no que se refere à adoção de estratégias didáticas,
baseadas nas Tecnologias de Informação e Comunicação.
Algumas das categorias de leitura citadas enriquecem o estudo neste contexto
e nos permitem um aprofundamento maior para a próxima etapa da
pesquisa, que é a elaboração de parâmetros
a partir das características e habilidades identificadas nesta
etapa.
Bibliografia
ALMEIDA, Ana Lúcia de Campos. O professor-leitor,
sua identidade e sua práxis. In: KLEIMAN, Ângela B.
(Org.) A formação do professor: perspectivas da lingüística
Aplicada. SP: Mercado de Letras, 2001.
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo:
Editora Hucitec 2004. (11ª. Ed.)
BARRETO, Raquel,G. (org.). Tecnologias educacionais e educação
a distância: avaliando políticas e práticas. Rio de
Janeiro: Quartet, 2001.
BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. Campinas:
Autores Associados, 1999.
___________________. (org.) A formação na sociedade do espetáculo.
São Paulo: Edições Loyola, 2002.
___________________. Ensaio sobre a educação a distância
no Brasil. Educação & Sociedade. Campinas: Autores Associados,
Ano XXIII, nº 78, Abril/2002.
CAMPOS, Fernanda C. A.; SANTORO, Flávia Maria; BORGES, Marcos R.
S.; SANTOS, Neide. Cooperação e aprendizagem on-line. Rio
de Janeiro: DP&A, 2003.
CAPISANI, Dulcimira. (Org.) Educação e arte no mundo digital.
Campo Grande, MS: AEAD/UFMS, 2000.
CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São
Paulo: Editora Unesp, 2004.
ESTEVES, Antonia, P. OLIVEIRA,Gabriela, D. (org.). Educação
a Distância: experiências universitárias. Rio de janeiro:
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro de Tecnologia Educacional,
2001.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Editora
Brasiliense, 2003. Coleção Primeiros Passos – 74 (10ª
reimpr. Da 19. Ed. De 1994.)
MORAN, José Manuel. O que é um bom curso a distância?
Texto publicado no boletim do Programa Salto para o Futuro da TV Escola
sobre educação a distância em 2002 e disponível
no endereço: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/ead/eadtxt1c.htm
___________________. O que é educação a distância.
Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm
___________________. Contribuições para uma Pedagogia da
educação on-line. Artigo publico no livro organizado por
SILVA, Marco. Educação on-line: teorias, práticas,
legislação, formação corporativa. São
Paulo: Loyola, 2003. p. 39-50.
PFROMM NETTO, Samuel. Telas que ensinam: mídia e aprendizado do
cinema ao computador. Campinas, São Paulo: Editora Alínea,
2001.
Webliografia
http://www.eca.usp.br/prof/moran/
http://www.cederj.rj.gov.br/cecierj/
www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/ead/ead0.htm
http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT803818-3567,00.html
http://eol.jsc.nasa.gov/sseop/EFS/photoinfo.pl?PHOTO=ISS003-E-6816.
Observações
adicionais
No dia em que houve o cadastro dos alunos no ambiente Aulanet precisamos
utilizar o laboratório de informática para que todos os
problemas fossem solucionados com a nossa presença, já que
há uma quantidade de alunos que não têm familiaridade
com a mídia utilizada. Para isto, utilizamos o laboratório
de informática do prédio do CCET, já que o prédio
do CCH não possui laboratório próprio. Quando um
aluno tinha dificuldades ou não tinha acesso a Internet ou não
possuía um computar também foi disponibilizado um computados
da sala de mestrado e a tutora – eu – era a responsável
por este aluno.
A pesquisa tem o apoio do CNPq por meio de recursos financeiros para a
sua realização e apoio da UNIRIO por meio de uma bolsa de
Iniciação Científica. O Projeto tem a participação
de dois professores pesquisadores da UFRJ. |
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