| |
FORMAS
DE APRENDER E DE ESTUDAR DE ESTUDANTE DE PEDAGOGIA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
Ivanilson Bezerra da Silva
Luiz Percival Leme Britto
RESUMO: O estudante de Ensino Superior possui várias
estratégias de aprendizagem no processo de formação
acadêmica. Porém, delimitou-se a atenção ao
uso da Biblioteca como uma das estratégias de construção
do conhecimento e como um espaço interdisciplinar capaz de contribuir
para uma prática educacional que valoriza o ensino-pesquisa. Neste
sentido, o presente artigo tem como preocupação central
analisar os modos como o estudante de Educa-ção Superior
usa a biblioteca e o efeito disto em sua formação. Os dados
foram estruturados conforme resultados do questionário aplicado
a alunos do 2o, 5o e 6o períodos do curso de Pe-dagogia da Universidade
de Sorocaba.
Introdução
O presente trabalho visa investigar como o estudante universitário
usa a Biblioteca e o efeito disto na sua formação, num contexto
de investigação sobre hábito de estudo. Esta com-preensão
nos remete para o universo bibliotecário, que se pressupõe,
é um lugar em que o estudante de Educação Superior
desenvolve práticas de estudo e de pesquisa.
A relevância do problema é evidenciada à medida que
se compreende que o conheci-mento não somente se constrói
no espaço interativo da sala de aula e pelo desenvolvimento de
uma práxis pedagógica centrada na ação discente,
mas também, dentro de outros espaços acadêmicos.
A matéria
central da desta pesquisa fundamenta-se em duas questões:
1a) Por que é difícil estabelecer um comportamento acadêmico-científico
adequado por parte da maioria dos estudantes, em particular em "universidades
periféricas"? e
2a) Quais são e de onde vem as dificuldades de estudar, ler e produzir
do estudante u-niversitário?
A primeira resposta, respondida apressadamente, seria a de que o estudante
divide seu tempo com outros afazeres, como, por exemplo, trabalho. Isto
não justificaria, em princípio, a falta de hábitos
acadêmicos que colaborassem para construção do seu
conhecimento e, conse-qüentemente, da sua maturação
acadêmico-científica. Porém, não se pode negar
que este ar-gumento constitui uma realidade para este segmento.
Quando à segunda questão, cabe notar que a função
precípua da Educação Superior se-ria a de formar
o estudante de tal como que, ao concluir seu curso, ele tenha uma experiência
acadêmica que o capacite para atuar critica e criativamente em seu
campo de interesse. Neste sentido, a sala de aula não é
o único espaço possível de construir o saber necessário.
Nossa preocupação centra-se em pesquisar em que medida a
Biblioteca atua como parte do universo acadêmico-científico
capaz de construir o saber, se utilizada e explorada adequadamente.
Referencial teórico
Parte-se do pressuposto que o conhecimento é construído
à medida que o sujeito inte-rage com o seu meio social e cultural.
O ser humano não está isolado de um contexto histórico
social. É parte integrante de um processo social. Sua relação
com o mundo é mediada. Vy-gotsky diferenciou dois elementos mediadores:
os instrumentos e o signos. A mediação é um processo
que o sujeito sofre em sua relação social, resultando da
maneira que internaliza o que ocorre no mundo à sua volta. Pode-se
afirmar que a relação do ser humano com o mundo é
uma relação mediada por sistemas simbólicos.
É através da relação interpessoal concreta
com outros homens que o indíviduo vai chegar a interiorizar as
formas culturalmente estabelecidas de funcionamento psicológico.
Portanto, a interação social, seja diretamente com outros
membros da cultura, seja através dos diversos elementos do ambiente
culturalmente estru-turado, fornece a matéria-prima para o desenvolvimento
psicológico do indiví-duo (Oliveira, 1997, p. 38).
Este processo não é passivo. É dinâmico e transformador.
Ao longo do seu desenvol-vimento, o sujeito internaliza formas sociais
e culturais fornecidas pelo mundo que o cerca. Britto, referindo-se do
pensamento de Vigotsky, afirma que
a aprendizagem é vista como um processo impregnado pelas formas
culturais e que tem lugar num contexto de relação e de comunicação
interpessoal. Ao dar destaque ao papel do outro como mediador entre o
sujeito que aprende e o objeto do conhecimento, Vygotsky salienta o papel
da escola – e, especificamente, do professor no processo de aprendizagem
e de desenvolvimento humano. A escola e ao professor, enquanto agentes
sociais, cabe o papel de criar condições para que se produza
uma interação construtiva entre aquele que aprende e o objeto
de conhecimento (2002:6)
O segundo referencial está fundamentado no pensamento do sociólogo
francês Pierre Bourdi-eu, no que tange a compreensão da sua
teoria a respeito do capital cultural herdado pelo estu-dante universitário
em seu contexto sócio-familiar. Para Bourdieu (2002, p.5), o sucesso
esco-lar do aluno não está relacionado a um hipotético
potencial inato, mas ao contexto histórico social em que ele se
formou, mais especificamente sua origem social. Conforme Bourdieu, o ser
humano é um ser social, por isso, o sucesso de uma pessoa no decurso
da sua formação intelectual não está somente
relacionado a sua capacidade individual, mas está mediada por sua
origem familiar, ou na linguagem de (Nogueira e Alice, 2002, p.7), por
“atores socialmen-te constituídos”. Até que
ponto a origem sócio-familiar determina o sucesso escolar de uma
pessoa? Qual é a influência da família na formação
do capital cultural de uma pessoa? Qual é a relação
de herança cultural com o conceito de capital cultural no pensamento
de Pierre Bourdieu?
A noção de capital cultural impôs-se, primeiramente,
como uma hipótese indis-pensável para dar conta da desigualdade
de desempenho escolar de crianças pro-venientes das diferentes
classes sociais, relacionando o "sucesso escolar", ou se-ja,
os benefícios específicos que as crianças das diferentes
classes e frações de classe podem obter no mercado escolar,
à distribuição do capital cultural entre as classes
de frações de classe (Bourdieu, 2002, p.73).
o capital cultural diz respeito à herança cultural legada
pela família, sociedade ou ou-tras instituições.
As pessoas desprovidas do capital cultural tendem a ser pessoas "menos
la-boriosas". Bourdieu notou diferença significativa nas oportunidades
de trabalho de tais pesso-as. Os privilegiados pelo capital cultural tiveram
fácil acessão profissional, comparativamente aos que não
tiveram esta oportunidades e se viram obrigados a submeter-se a trabalhar
em profissões pouco privilegiadas.
Na realidade, cada família transmite a seus filhos, mais por vias
indiretas que di-retas, um certo capital cultural e um certo ethos, sistema
de valores implícitos e profundamente interiorizados, que contribui
para definir, entre outras coisas, as atitudes face ao capital cultural
e à instituição escolar. A herança cultural,
que di-fere, sob dois aspectos, segundo as classes sociais, é a
responsável pela diferença inicial das crianças diante
da experiência escolar, conseqüentemente, pelas taxas de êxitos
(Bourdieu, 2002, p. 42).
Um dos conceitos importantes para compreensão da teoria social
de Bourdieu é a idéia de reprodução. Ele compreendeu
que a sociedade, em toda sua estrutura e Instituições, repro-duzem
e reforçam a desigualdade social. O conceito de reprodução
está relacionado ao con-ceito de capital cultural, pois a medida
em que determinada família investe na formação cultu-ral
e intelectual do filho, ela contribui para seu capital cultural. Este
binômio está presente em todas as Instituições,
principalmente, na Universidade, a qual não se caracteriza por
ser um veículo de formação intelectual, é
sim um lugar de reprodução da desigualdade social.
Na sociologia de Bourdieu, o indivíduo, conforme a análise
de Cláudio Nogueira e Maria Alice Nogueira (2002, p.7): “é
um ator socialmente configurado em seus mínimos deta-lhes. Os gostos
mais íntimos, as preferências, as aptidões, as posturas
corporais, a entonação da voz, as aspirações
relativas ao futuro profissional, tudo seria socialmente constituído”
(p. 07).
Tal pensamento elucida que o sujeito, para Bourdieu, é constituído
não de forma sub-jetiva, mas de forma concreta no seu contexto
histórico. Nesta linha de pensamento, que a capacidade do estudante
de interagir no universo acadêmico depende em muito da capacidade
adquirida em seu contexto familiar. As aptidões familiares determinam
seu modus operandi e determinará o grau de sucesso em sua vida
acadêmica. O habitus familiar conduz o compor-tamento por todo o
processo de vida e em todas as relações sociais e estruturais,
ou seja, “a estrutura social se perpetua porque os próprios
indivíduos tenderiam a atualizá-la ao agir de acordo com
o conjunto de disposições típico da posição
estrutural na qual eles foram sociali-zados” (Nogueira:2002, p.8).
Para Bourdieu o capital cultural tem mais relevância no sucesso
acadêmico que o capi-tal econômico. O capital cultural, conforme
Cláudio e Nogueira (2002, p.8) é mais importante porque:
1) favorece o desempenho escolar na medida em que facilita a aprendizagem
dos con-teúdos e códigos escolares. 2) as referências
culturais, os conhecimentos considerados legíti-mos (cultos, apropriados)
e o domínio maior ou menor da língua culta, trazidos de
casa por certas crianças, facilitam o aprendizado escolar na medida
em que funcionam como uma pon-te entre o mundo familiar e a cultura escolar.
A educação escolar, no caso das crianças oriun-das
de meios culturalmente favorecidos, é uma espécie de continuação
da educação familiar, enquanto para as outras crianças
significa algo estranho, distante, ou mesmo ameaçador.
Nossa proposta de pesquisa fundamenta-se na seguinte questão: Como
o estudante u-niversitário usa a Biblioteca e o efeito que isto
tem em sua formação? Parte-se do pressuposto que: o comportamento
do estudante universitário no Universo da Biblioteca tem que trans-cender
a pesquisa obrigatória. A Biblioteca, neste sentido, deveria ser
compreendida como estratégia útil e necessária à
construção do conhecimento acadêmico. é justamente
nesta ques-tão que desenvolvemos nossa proposta de pesquisa: avaliar
como o estudante universitário usa a Biblioteca e o efeito dela
na sua formação.
O estudante da Educação Superior
Quando falamos do perfil do estudante universitário, pressupomos
que este seja um sujeito que reconhece e convive com os objetos e discursos
de escrita, uma vez que passou pelos vários níveis de escolarização.
Isto implica que ele deve ter adquirido de autonomia intelectual e capacidade
de se posicionar na história e no universo acadêmico. Por
isso, quan-do se pensa em letramento, entende-se, conforme Britto:
letramento entendido como o estado ou a condição de quem
interage com dife-rentes discursos, saberes e comportamentos articulados
em função da cultura es-crita . Quanto maior for o nível
de letramento, maiores serão, entre outras coisas, a freqüência
de manipulação de textos, escritos variados, a de realização
de lei-tura autônoma (sem a intervenção ou apoio de
outra pessoa), a interação com discursos menos contextualizados
ou mais autoreferidos, a convivência com do-mínios de raciocínio
abstrato, a produção de textos para registro, comunicação
ou planejamento, enfim, maiores serão a capacidade e as oportunidades
do sujei-to de realizar tarefas que exigem monitoração,
inferências diversas e ajustamento constante (2002, p.3).
Britto (2003, p.176) apresenta uma relevante análise a respeito
do estudante universi-tário e sua relação com os
objetos de cultura letrada, ou mais, especificamente com as “formas
de produção do conhecimento formal”.
Seu texto focaliza a queixa levantada pelos professores de que os estudantes
não sa-bem ler e escrever. O autor afirma que a falta de habilidade
intelectual do estudante universi-tário é fruto de um processo
em que as práticas educacionais ofereceram um mínimo de
le-tramento, suficiente para desenvolver algumas habilidades, mas insuficiente
para que possa desenvolver praticas culturais mais elaboradas e complexas.
Por isso, antes de analisar o por-quê do estudante universitário
ter dificuldade de escrever e ler, é necessário analisar
o proces-so de letramento que obteve, sua origem sócio-familiar
e, por último, suas habilidades e sua relação com
as formas culturais constituídas no universo acadêmico.
Ao usar a biblioteca, o estudante universitário tem, hipoteticamente,
acesso a uma forma de construção do conhecimento diferente
daquele que encontra no espaço-aula. A rela-ção que
estabelece com este sistema contribui para seu desenvolvimento. Porém,
o uso mera-mente periférico, trará pouco ou nenhum benefício.
Muito pelo contrário, solidificará a falta de habilidade
de usufruir de mecanismos formais da cultural universitária.
O que se postula é que estar na biblioteca não torna o estudante
um pesquisador. A diferença está em maneira de utilizar
os produtos culturais de forma crítica, autônoma e cria-tiva.
Subtende-se, assim, que o uso da Biblioteca pode ser um hábito
específico de estudo e produção de trabalho do aluno
universitário. Esta relação pode produzir um conhecimento
acadêmico criativo e crítico, pois leva-o a um universo cultural
interdisciplinar.
O docente universitário
É válido analisar o comportamento do estudante no que respeito
ao uso que faz da Bi-blioteca, visto que este, com freqüência
atribui seu fracasso escolar ao professor. Esta legiti-mação
está exemplificada em frases do tipo: “o professor não
incentiva!”; “O professor não tem didática!";
“O professor não compreende sua função!”
Seria o professor responsável pela falta de hábito de estudo
do aluno na Biblioteca, ou seria o aluno responsável pela sua falta
de iniciativa em usar a Biblioteca? O que está por trás
desta situação?
É inquestionável que o professor exerce grande influencia
na formação do comporta-mento do estudante. Sua postura
didática pode colaborar para que ele seja ou não um pesqui-sador,
pois a relação que estabelece no processo de ensino e aprendizagem
é um processo interativo, dinâmico e mediado.
O professor é um elemento importante na formação
da postura acadêmica. Porém, não é o único
responsável. O estudante é um sujeito social, que possui
características culturais e sociais próprias, adquiridas
ao longo do seu processo de desenvolvimento psico-social e de letramento.
Sua relação com agentes mediadores determina seu modo de
ser e seu viver aca-dêmico. Neste sentido, o pensamento de Vygostsky
e de Bourdieu elucida o comportamento do aluno no processo de aprendizagem.
Seria demasiado simplista atribuir as dificuldades de aprendizagem dos
alunos universitários à sua pouca escolarização.
Neste sentido, o docente tem um papel muito significativo. Ele está
constantemente com o aluno e participa de forma mais efetiva no processo
de ensino-aprendizagem. Sua mediação não somente
é importante, mas também necessária para que a construção
do conhecimento seja um processo dialético e social. Ele não
é aquele que simplesmente ensina, mas aquele que a medida que ensina,
a-prenda.
Precisamos de um professor com um papel orientador das atividades que
permi-tirão ao aluno aprender, que seja um elemento motivador e
incentivador do de-senvolvimento de seus alunos, que esteja atento para
mostrar os progressos de-les, bem como para corrigi-los quando necessário,
mas durante o curso, com tempo para que seus aprendizes aprendam nos próximos
encontros ou aulas que tiverem. Um professor que, com seus alunos, forme
um grupo de trabalho com objetivos comuns, que incentive a aprendizagem
de uns com os outros, estimule o trabalho em equipe, a busca de solução
para problemas em parceria, que seja um motivador para o aluno realizar
suas pesquisas e seus relatórios, que crie condições
contínuas de feedback entre aluno e professor. É importante
que o professor desenvolva uma atitude de parceria e co-responsabilidade
com os alu-nos, que planejem o curso juntos, usando técnicas em
sala de aula que facilitem a participação e considerando
os alunos como adultos que podem se co-responsabilizar por seu período
de formação profissional. (Masseto, 2003, 22).
Masseto ressalta a importância do professor no processo de ensino
e aprendizagem. O modelo atual de docência na Universidade pode
comprometer o aprendizado face às mutações que vem
passando a Educação Superior no Brasil, em função
dos ajustes mercadológicos e das políticas governamentais.
A biblioteca universitária
A Biblioteca constitui o maior espaço interdisciplinar da Universidade,
tendo um im-portante papel informacional (Campello, 2002, p.10). Não
estamos falando no livro somente como instrumento capaz de influenciar
a formação do estudante, mas de um conjunto inter-disciplinar
de informação no espaço da Biblioteca que pode trazer
benefícios para a formação acadêmica. O estudante
universitário pode usar este espaço interdisciplinar como
um meio de desenvolver suas habilidades intelectuais ou o seu amadurecimento
científico.
Destro (1994), ao estudar a biblioteca universitária desenvolveu
o seguinte tema: Bi-blioteca Universitária – um estudo sobre
seu papel na formação do aluno leitor. A autora realizou
sua pesquisa com estudantes da Universidade de São Francisco, avaliando
a situação do alunado em relação ao uso da
Biblioteca. Ela afirma que:
O professor deve mostrar o caminho para se chegar ao conhecimento, mas
os a-lunos devem procurar um meio para fazê-lo. Os alunos deveriam
ter consciência de que eles também são responsáveis
pela autoformação. Assim, cabe ao profes-sor orientar seus
alunos sobre a importância da auto-educação e que
esse é um processo que deve ocorrer durante toda a vida do aluno.
Mas o aluno só vivencia esse processo se tiver consciência
de que apenas o que ele aprende na universi-dade é muito pouco
em relação a tudo o que ainda precisa aprender e que esse
foi só o primeiro passo, uma mostra do que há sobre o conhecimento
no assunto na sua área (1994, p. 15)
A autora mantém uma postura tradicional, cometendo alguns erros
interpretativos sig-nificativos: atribui ao professor a responsabilidade
de ser o orientador para que o aluno de-senvolva o hábito de leitura;
não avalia as condições históricas, sociais
e culturais dos alunos; apesar de dizer que o universitário tem
que ter consciência da importância do estudo na vida universitária,
tendo o professor como seu grande estimulador, não reconhece que
tal debilida-de é fruto de uma situação do seu contexto
histórico; e propõe analisar a influência na Biblio-teca
na formação do aluno, porém o foco analítico
não é a Biblioteca, mas a postura do aluno como leitor.
Apesar deste posicionamento, afirma que ”a biblioteca é um
assunto relacionado à educação, à qualidade
de ensino e ao processo de ensino-aprendizagem" (1994, p. 21). Sem
dúvida, a Biblioteca está relacionado à educação
e ao processo e ensino e aprendizagem, e por esta razão, analisaremos
seu efeito na formação do estudante universitário.
No livro Letramamento no Brasil (Ribeiro 2003), Serra analisa as atuais
políticas go-vernamentais de incentivo a leitura. Para ela, tais
políticas surgem de sociedades organizadas que estão a serviço
do poder: “As políticas nunca são neutras. Embora,
teoricamente, repre-sentem o resultado de muitas participações,
na prática, expressam, principalmente, as inten-ções
e idéias dos grupos que detém a hegemonia política
e econômica” (Serra 2003, p. 67). Para esta autora, as políticas
educacionais fundamentam sua abordagem no campo das técnicas e
teorias pedagógicas, sem articular e integrar a educação
e a cultura. Isto representa uma deficiência na prática pedagógica
atual, pois educação e cultura deveriam estar intrinse-camente
ligadas. Serra defende que o livro é o principal referencial da
educação e, neste sen-tido, crítica as iniciativas
políticas que motivam a leitura, mas não dão subsídios
para que o estudante brasileiro, principalmente os da escola pública,
tenha acesso a Biblioteca. Algumas escolas brasileiras não possuem
Bibliotecas. Isto significa que a política de incentivo a leitura
é demagógica, pois “o Plano Nacional de Educação
não contemplou a obrigatoriedade de Bi-bliotecas nas escolas do
Ensino Fundamental. Somente a partir do 3o grau é que a obrigatori-edade
de biblioteca escolar aparece” (Serra 2003, p. 78).
Simbolicamente, há a compreensão do valor da biblioteca
na formação intelectual do aluno, porém está
compreensão pode estar somente no imaginário acadêmico,
visto que na prática, observe-se que o aluno universitário
não faz o uso ideal da biblioteca. Podemos atri-buir isto: à
falta de incentivo do professor no que tange o uso da biblioteca; à
falta de habili-dade do estudante universitário com as formas culturais
do universo acadêmico; à falta de habilidade cultural-acadêmica
originária do processo deficitário de letramento que o estudante
submeteu-se ao longo da sua formação; ou ao modelo de universidade
que está sendo implementado na atualidade. Pesquisar demanda tempo,
não somente habilidade. O modelo de universidade leva o estudante
a ter menos contato com os meios culturalmente constituí-dos, que
por sua vez, colaboram para a formação do aluno.
A Educação Superior hoje
Há muitos estudos sobre a Universidade analisando o caráter
mercantilista que ela vem adquirindo: Bittar (2002), Silva JR. E Squisardi
(2001); Catani (2002), Chauí (2001), Britto (2003), Castanho (2002).
Este caráter tem sido construído por causa das políticas
educacio-nais estabelecidas nos últimos anos. Segundo a maioria
dos estudos, a universidade vem dei-xando de ser uma agência de
construção crítica do saber, para ser uma agência
de produção de mão de obra qualificada para o mercado
econômico.
No início deste artigo destacamos o crescente e assustador números
de universidades privadas em nosso país. Catani e Oliveira (2002)
descrevem as políticas educacionais que estão por trás
desta metamorfose que a Universidade vem sofrendo.
O atual processo de reconfiguração da educação
superior no Brasil baseia-se em uma política de diversificação
e diferenciação que associa flexibilidade, competi-tividade
e avaliação, objetivando uma expansão acelerada do
sistema. Isso signi-fica, em outras palavras, que o novo modelo de expansão
caracteriza-se, sobretu-do, pela diferenciação do perfil
das Ieis e pela diversificação e flexibilização
da oferta, o que tende a se aprofundar, nos próximos anos, em razão
das políticas de ajustamento do sistema ao crescimento da demanda
e ao atendimento das exi-gências do mercado (2002, p. 49).
Frente ao modelo de acumulação flexível do capital,
as políticas educacionais exigem que a Educação Superior
se enquadre no modelo mercadológico. Neste sentido, a educação
passa a ser um produto sistema capitalista existente, preocupada em produzir
mão de obra e auferir rendabilidade.
A Universidade pode ser um veículo que colabore na construção
do conhecimento do estudante. Pode motivar a pesquisa, desenvolvendo aquilo
que os pesquisadores vem cha-mando de ensino-pesquisa (Castanho, Balzan,
Lima, Veiga 2002). Para isso, não basta a inici-ativa de motivar
o estudante a ser um pesquisador. Faz-se necessário analisar este
tem esta habilidade, observando se ele desenvolveu esta habilidade no
decorrer do seu processo de letramento. O pensador italiano Antonio Gramsci
propõe uma visão muito relevante a respeito da educação:
Assim, escola criadora não significa escola de inventores e descobridores;
ela in-dica uma fase e um método de investigação
e de conhecimento, e não um 'pro-grama' predeterminado que obrigue
à inovação e à originalidade a todo custo.
Indica que a aprendizagem ocorre notadamente graças a um esforço
espontâneo e autônomo do discente, e no qual o professor exerce
apenas uma função de guia amigável, como ocorre ou
deveria ocorrer na universidade. Descobrir por si mesmo uma verdade, sem
sugestões e ajudas exteriores, é criação (mesmo
que a verdade seja velha) e demonstra a posse do método; indica
que, de qualquer mo-do, entrou-se na fase da maturidade intelectual na
qual se pode descobrir verda-des novas... Por isso, nesta fase, a atividade
escolar fundamental se desenvolverá nos seminários, nas
bibliotecas, nos laboratórios experimentais, é nela que
serão recolhidas as indicações orgânicas para
orientação profissional (1985, p. 125).
Gramsci (1985) desenvolveu seu pensamento de acordo com a análise
feita nas cama-das sociais do seu tempo. É um pensador extremamente
crítico a respeito da educação. Ela não pode
ser uma instituição que mantenha as estruturas alienantes
e dominadoras do poder. A grande contribuição da educação
seria formar pessoas capazes de percorrer o próprio cami-nho da
descoberta científica, ou seja, seria a construção
da autonomia intelectual do estudante universitário. Pressupõe-se
que a Universidade seja um instrumento exeqüível no processo
de autonomia intelectual e maturidade científica.
Na universidade, o aluno está inserido num contexto formativo que
não se reduz à sala de aula. Seria de esperar que ele tivesse
várias oportunidades intelectuais e culturais fora do espaço-aula,
tendo contato com atividades formativas tais como: estudo em grupo, pesquisa
científica, palestras, semana cultural, teatro, orientações
acadêmicas, biblioteca, internet, ati-vidades políticas e
outras.
Veiga (2000, p. 184),.ao comentar a aula, traz a seguinte idéia:
O professor fundamenta seu processo de ensino em projeto de pesquisas
elabo-rados e executados por alunos de graduação e pós-graduação.
Esse é, sem dúvi-da, um procedimento não usual na
universidade podendo ser considerado uma al-ternativa propulsionadora
da qualidade na produção do conhecimento.
Veiga afirma que a pesquisa não é um procedimento usual
na universidade. Também aponta o caráter inovador deste
procedimento e, mais do que isto, insiste no fato de que a pes-quisa é
uma ferramenta exeqüível na construção do conhecimento
e da autonomia do aluno universitário.
No entanto, a maior parte da construção do conhecimento
do aluno está associado à sala de aula. Esta não
é a única responsável por construir o conhecimento
do aluno, embora, seja de muita relevância. Isto denuncia o caráter
antagônico e, porque não dizer, incongruente da proposta
atual de universidade, que, apesar de todo o discurso moderno, demonstra
uma práxis pedagógica conservadora, comprometida com o que
está instituído.
Por estas e outras razões, a Universidade tem papel relevante na
construção do conhe-cimento e na formação
cultural do aluno. Ela não se restringe à sala de aula.
Ela vai além des-te micro-universo cultural e de formação
intelectual. O problema é que quase sempre, o aluno restringe sua
vida acadêmica à sala de aula. Seu comportamento não
vai além daquilo que é exigido pelo professor. Há
professores e não são poucos, que limitam e restringem o
aluno a ousar outros vôos no universo acadêmico, pois estes
passam a maior parte do seu tempo den-tro da sala de aula.
A pesquisa
Tem-se em mente que uma pesquisa neste sentido poderia ser feita em vários
tipos de universidades, tais como universidade confessional, universidade
comunitária, universidade pública (regionais e nacionais),
universidades particulares, e outras. porém, limitamo-nos, neste
primeiro momento, a pesquisar o curso de Pedagogia da Universidade de
Sorocaba, que trata-se de uma Universidade comunitária, de caráter
regional.
Tal pesquisa foi desenvolvida com estudantes da Universidade de Sorocaba
do curso de Pedagogia do 2º Período, 5º Período
e 6º Período, totalizando 45 alunos, sendo que 27 de-les pertencem
ao 2º período, 9 alunos pertencem ao 5º e 9 deles pertencem
ao 6º período. Os alunos do 2º período estudam
de manhã. Os dos 5º e 6º período estudam à
tarde. Os alunos do 5º e 6º período formam uma só
turma.
Para fazer o levantamento empírico, foram aplicados dois questionários.
O primeiro objetivou caracterizar o perfil do estudante universitário
em seu contexto familiar, econômico e social. O segundo buscou caracterizar
seu comportamento no uso da biblioteca. O questio-nário foi aplicado
com a aquiescência dos professores. Foi feita uma explicação
das perguntas contidas no questionário. Porém, mesmo realizando
este procedimento houve respostas preju-dicadas pela incompreensão
ou por não estarem suficientemente claras.
Análise do questionário
Os dados obtidos foram através da aplicação de um
questionário contendo 15 ques-tões. Esta parte do trabalho
está estruturada da seguinte maneira. Na primeira parte, temos
o objetivo de caracterizar o perfil do estudante universitário:
estado civil, renda familiar, grau de escolaridade dos pais e o grau de
escolaridade deles. Na segunda parte, o objetivo é mos-trar os
dados obtidos da relação aluno/biblioteca.
A maioria dos estudantes são casados. 99% são mulheres,
característica própria do curso de Pedagogia. A renda familiar
gira em torno de 6 a 10 salários mínimos. Apenas 3,5% dos
alunos do 2o período afirmam ganhar mais de 20 salários
mínimos. 50% dos alunos do 5o período afirmam ganhar de
11 a 20 salários. Isto mostra que os estudantes analisados enqua-dram
num grupo social de classe média baixa.
Em relação à escolaridade dos pais, obtivemos os
seguintes resultados, apresentados nas tabelas III e IV. 7% dos alunos
do 2o período afirmam que seus pais fizeram pós-graduação.
Em relação aos pais dos alunos do 5o período, 14,2%
afirmam que seus pais têm pós-graduação. Em
relação aos pais dos alunos do 5o período 37,5% não
foram à escola e 37,5% completaram a 4a série do ensino
fundamental. O índice de pais que cursaram ensino superior é
baixo nas três turmas analisadas. no 2o período, 13% apenas
cursaram o ensino su-perior. No 5o período, 12,5% fizeram o curso
superior. Na turma do 6º período, não há apon-tamentos.
Uma fato nos chama atenção. No 6o período 14,2% de
pais fizeram pós-graduação. Um fator relevante à
presente pesquisa é que os pais das três turmas apresentam
baixa escola-ridade.
Vejamos os dados concernentes ao grau de escolaridade das mães,
conforme tabela IV. No 2o período apenas 3,5% das mães não
foram à escola; no 5o período 25%. No 2o período,
20 % não completaram a 4a série do ensino fundamental. No
5o período, 12,5% não completa-ram este nível de
ensino e 28,5% do 6o período não completaram. Apenas 23%
das mães dos alunos do 2o período completaram o ensino médio,
contra 28,5% das mães dos alunos do 6o o período.
O que se observa é que o grau de escolaridade dos pais dos alunos
analisados é baixo. Isto impõe duas considerações:
a realidade histórico-cultural dos alunos universitários
anali-sados é fator determinante nas habilidades culturais e acadêmicas
deles; e os alunos oriundos de contexto histórico-familiar de baixa
escolaridade demonstram mais dificuldades no proces-so de ensino-aprendizagem.
Hipoteticamente, quanto maior a escolaridade de uma pessoa, mais habilidades
soci-ais, pessoais, culturais e acadêmicas ela terá. A comparação
do nível de escolaridade dos pais com os o nível de escolaridade
dos alunos analisados representa um salto gigantesco. De certa forma,
tais alunos, oriundos de contexto familiar de baixa escolaridade, representam
uma par-cela significativa à analise neste artigo.
Sendo baixa a escolaridade dos pais, pressupõe-se que eles pouco
investiram na for-mação cultural dos seus filhos. É
possível afirmar que, segundo (Bourdieu, 1998), quanto mais escolaridade
uma pessoa tem, maior serão suas habilidades com os bens culturais.
Isto significa dizer que a escolaridade é fator determinante nos
hábitos culturais de qualquer pes-soa. Em outras palavras, quanto
mais maturidade intelectual uma pessoa tiver, sua geração
terá mais oportunidades de compreender a importância dos
bens culturais.
Vejamos em seguida a origem acadêmica dos estudantes analisados,
conforme tabela V e VI. Observa-se pelos dados obtidos que a maioria dos
alunos analisados, em média geral 80%, é oriunda da escola
pública. A formação acadêmica influencia em
muito as habilidades dos alunos. É de esperar que quanto maior
o acesso aos processos de formação cultural, quan-to maior
a alfabetização e o letramento da pessoa, maior será
sua capacidade de se inserir nu-ma sociedade cultural e socialmente letrada.
É certo que as escolas privadas, por atender clientela hipoteticamente
diferenciada e com maiores recursos procuram maneiras de oferecer um ensino
de melhor “qualidade”, dado caráter extremamente competitivo
do capitalismo contemporâneo. Em contrapartida, as esco-las públicas,
que dependem exclusivamente das iniciativas governamentais, estão
produzindo alunos numa situação de plena desigualdade, ainda
que se reconheça o esforço de muitos edu-cadores em praticarem
uma educação de “qualidade”. Chamamos esta desigualdade
de desi-gualdade cultural.
Com este perfil dos alunos analisados, passemos para o segundo aspecto
da pesquisa, que se refere ao uso que estudante universitário faz
da Biblioteca. Esta segunda parte tem como obje-tivo caracterizar a postura
do estudante universitário diante da biblioteca. Atualmente, a
ques-tão em torno da leitura tem sido muito discutida. Galvão
(2003), em estudo comparativo de escolaridade e alfabetismo entre gerações
distintas. revela que 63% dos entrevistados tiveram pais que não
liam e 72% mães que não liam.
Constata-se, desse modo, um grau de reprodução no que se
refere aos usos da leitura e da escrita, entre as diferentes gerações:
quanto maior o nível de alfabe-tismo do entrevistado, mas provavelmente
teve pais e mães que sabiam ler – e ler bem. (Galvão
2003:128).
É inquestionável que existe relação muito
forte entre o grau de escolaridade dos pais com o grau de escolaridade
dos alunos analisados. Neste sentido, a atual pesquisa corrobora com os
estudos em torno do assunto. Batista afirma que:
É que sendo as famílias dos docentes pouco dotadas de capital
cultural, particu-larmente pouco dotadas dessas competências, disposições
e crenças que consti-tuem um leitor, não podem elas mesmas
transmiti-las a seus membros. (Batista 1998, p. 35).
Pode-se dizer que as estratégias familiares para a reprodução
do capital cultural não acontece, ou acontece menos intensamente,
nas famílias de pouco capital cultural. Cabe per-guntar: A relação
aluno/biblioteca seria norteada pela sua herança cultural?
Os dados obtidos mostram que o aluno universitário freqüenta
a biblioteca. No 2o pe-ríodo, 70% afirmam que usam a biblioteca
com freqüência. Dos alunos do 5o período, 75% afirmam
que usam a biblioteca com freqüência. Em relação
ao 6o período, 52,2% utilizam a biblioteca com freqüência.
Em comparação aos outros períodos, o 6o período
demonstrou que sua freqüência à biblioteca é
inferior, um resultado no mínimo estranho, já que era de
esperar que quanto maior for escolaridade do estudante, maior seria sua
participação nos mecanismos capazes de ajudá-lo em
sua formação.
A questão número IV objetivou analisar como o aluno universitário
vai à biblioteca: sozinho ou em grupo. Do 2o período, 53,3%
afirmaram que vão sozinhos à Biblioteca e 30% vão
em grupo. Do 5o período, 62,5% dos alunos afirmaram que vão
sozinhos à biblioteca e 25% vão em grupo. Do 6o período,
71,4% afirmaram que vão sozinhos à biblioteca. Se fizer-mos
uma comparação com a tabela 6, observa-se que a freqüência
dos alunos analisados à biblioteca está relacionada ao próprio
horário de estudo. Apenas 10,2% dos alunos do 2o perí-odo
afirmaram que utilizam a biblioteca à noite, ou seja, fora do horário
de sala de aula. A biblioteca é utilizada durante o período
de estudo. Parece que existe da parte do professor a preocupação
em utilizar os recursos da Biblioteca como estratégia de ensino.
Este dado sugere também que a relação do estudante
com a universidade tende a se limitar ao tempo de aula, sem outras vivências
acadêmicas, à exceção daqueles que fazem estágio
ou iniciação científi-ca.
Os estudantes analisados demonstraram que o estudo individual é
um hábito mais fre-qüente no contexto universitário.
Apesar de representar uma estratégia acadêmica, o estudo
individual priva o aluno universitário de manter uma relação
dialógica mais intensa no pro-cesso de ensino-aprendizagem com
os demais
A tabela VII revela o tempo de uso da biblioteca. Dos alunos do 2o período,
23,5% a-firmam que usam a biblioteca durante 30 minutos, 43,5% afirmam
que a utilizam mais de uma hora. Dos alunos do 5o período, 37,5%
utilizam a biblioteca mais de uma hora, enquanto que 26,5% dos alunos
do 6o período utilizam mais de uma hora. Observa-se com estes dados
que os alunos do 2o período têm freqüência maior
e utilizam por mais tempo a biblioteca. A tabela V demonstra que 62,5%
dos universitários do 5o período freqüentam mais de
uma vez na se-mana a biblioteca. Em relação ao 6o período,
a pesquisa revelou que 28,6% freqüentam a bi-blioteca mais de uma
vez na semana. Outro dado interessante é que 30% dos estudantes
do 2o período afirmam que vão à biblioteca somente
quando solicitados.
Alguma coisa está errada em relação ao uso, se compararmos
a tabela V com a tabela VII. Pode-se pressupor pelo menos três possibilidades:
os 5o e 6o períodos utilizam a bibliote-ca apenas para retirar
livros; os 5o e 6o período utilizam a biblioteca apenas para fazer
consul-tas bibliográficas; 3) os estudantes não têm
verdadeira compreensão da importância da biblio-teca para
sua formação acadêmica e intelectual, uma vez que
a maior parte afirma que a bibli-oteca é um veículo capaz
de ajudá-la em sua formação, conforme se verifica
na tabela X.
Pode-se postular, por esta análise, que, apesar da importância
biblioteca na sua forma-ção, o uso que o estudante faz dela
está aquém de capacitá-lo, uma vez que sua freqüência
parece estar meramente relacionada a consultas bibliográficas ou
a empréstimos de livros para fotocópias. Isto sugere que
é consistente a tese de que a cultura acadêmica se sustenta
em uti-lizar a fotocópia de partes de livros para realização
de trabalhos ou de estudos direcionados por professores. Esta cultura
da não aquisição de livros pode ser alimentada pelos
próprios professores, que selecionam textos de diversos livros
com a finalidade de expor sua disciplina, o que implicaria uma metodologia
praticista e disciplinar.
Dos alunos do 6o período, conforme tabela V, 28,6% afirmam que
usam a biblioteca raramente, 14,2% afirmam que utilizam a biblioteca somente
quando solicitados, e 28,6% afirmam usar a biblioteca uma vez na semana.
São índices muito baixos para o nível de esco-laridade.
Em relação ao que o estudante lê na biblioteca, o
suporte livro foi o mais destacado: 66,5% dos alunos do 2o período
afirmam que lêem livros, do 5o período 87,5% e do 6o perío-do
57,1%. A pergunta da tabela XII revelou que os alunos não conseguiram
mencionar os últimos livros que leram da biblioteca, visto que
46,5% dos estudantes do 2o período afirma-ram que emprestam de
1 a 5 livros por semestre. Dos estudantes do 5o período, 25% afirma-ram
que emprestam de 1 a 5 livros por semestre. Em relação aos
alunos do 6o período, 42,8 afirmaram que emprestam de 1 a 5 livros
por semestre. Co mo, então, não foram capazes de mencionar
os últimos livros lidos, conforme solicitado no questionário?
A pesquisa procurou analisar como aluno universitário avalia os
recursos oferecidos pela Biblioteca. Dos estudantes do 2º período,
47% afirmaram que os recursos oferecidos pela biblioteca são ótimos;
25% dos estudantes do 5o período fizeram a mesma afirmação,
contra 28,6% dos do 6o período. Porém, a maioria do 5o período
e do 6o período afirmam que os re-cursos oferecidos são
razoáveis, conforme tabela XIV.
A tabela IX aponta um dado interessante a respeito do valor que estudante
dá à biblio-teca: 63,4% dos alunos do 2o período
afirmam que a biblioteca é indispensável, do 5o período
75%, em contrapartida apenas 28,6% dos alunos do 6o período afirmam
que a biblioteca é indispensável, sendo que 57,1% destes
alunos afirmam apenas que é necessária. Este dado é
intrigante se levarmos em consideração a idéia de
que quanto mais avançado em seus estudos acadêmicos, maiores
seriam as habilidades de construção do conhecimento, o que
incluiria um uso mais diversificado de bibliografia e, conseqüentemente,
maior uso da Biblioteca. No entanto, os alunos do 6o período, conforme
não parecem dar valor à Biblioteca. Isto sugere uma postura
acadêmica aquém da que se esperaria de universitários
prestes a terminar a gra-duação.
Para que fins o estudante universitário utiliza a biblioteca? Sobre
esta questão (tabela VIII), 25,9% dos alunos dos 2o período
apontaram a necessidade intelectual como maior mo-tivação
para utilização da Biblioteca e 33,3% dos alunos apontaram
o trabalho de conclusão de curso como último recurso para
utilização da biblioteca, sendo que 40,9% do total dos alu-nos
do 2o período, não responderam adequadamente a esta pergunta.
Dos alunos do 5o período, 22,2% apontaram a tarefa escolar individual
como a princi-pal motivação para o uso da biblioteca e 33,3%
apontaram o trabalho de conclusão de curso como menor motivação
para o uso da biblioteca, sendo que 55,5% não responderam apropria-damente
à questão. Dos alunos do 6o período 22,2% apontaram
a tarefa escolar individual e 33,4% apontaram o trabalho em grupo como
principal meio de utilização da biblioteca, e 44,4% dos
alunos não souberam responder.
Das três turmas, o que mais ficou evidente foi a dificuldade em
responder as questões colocadas, mesmo tendo as perguntas sido
previamente lidas e explicadas pelo pesquisador. Podemos levantar duas
hipóteses: o grau de dificuldade ou interesse dos estudantes entrevis-tados
em responder questões mais complexas; ou a dificuldade pode estar
associada a ansie-dade em responder as questões, pois muitos se
sentiam incomodados com seu conteúdo.
Se compararmos os três períodos, observa-se que os alunos
do 2o período estão mais motivados em utilizar a biblioteca,
para a construção do conhecimento, do que os estudantes
dos 5o e 6o períodos, já que as respostas dadas por estes,
estão associadas a obrigatoriedade do uso da biblioteca, para execução
de trabalhos acadêmicos individuais e em grupos. A questão
é: por que os alunos mais próximos de completar seu período
de formação não desenvolvem uma compreensão
mais exeqüível da biblioteca? Isto pode revelar um comportamento
acadê-mico anormal. Afinal, por que tais estudantes apresentam um
comportamento diferente do que se esperaria, visto que o uso da biblioteca
apontado por eles está associado à obrigatoriedade curricular:
estudo em grupo e tarefa individual?
Por último, vejamos a concepção que o estudante universitário
tem da Biblioteca, ta-bela XVI. Dos alunos do 2º período,
33,3% apontaram a biblioteca como um lugar de pesqui-sa; 22,2% apontaram
a biblioteca como local de formação intelectual e 44,5%
não souberam responder a questão.
Dos alunos do 5º período, tivemos os seguintes dados: 33,3%
afirmam que a biblioteca é um espaço de pesquisa e 11,2%
afirmam que a biblioteca é um espaço de estudo, 55,5% não
responderam adequadamente à pergunta. Dos alunos do 6o período,
33,3% afirmaram que a biblioteca é um lugar de pesquisa, 22,3%
afirmam que a biblioteca é um lugar de leitura e 44% não
souberam responder.
Para um razoável número de estudantes dos três períodos,
a biblioteca é um lugar de pesquisa. A concepção
que têm da biblioteca é correta enquanto construção
teórica, porém errônea em sua práxis, conforme
se verifica pelas demais respostas (pesquisa, aqui, deve ser busca de
texto para empréstimo). A porcentagem maior está atrelada
aos estudantes que não souberam responder as questões, o
que subentende que tais alunos não têm facilidade para lidar
com questões mais complexas.
O questionário tinha uma questão referente a importância
da biblioteca na formação acadêmica. Sobre este aspecto
separamos três narrativas. Elas representam três visões
diferen-tes a respeito da biblioteca.
Análise de três depoimentos sobre a importância da
biblioteca
Neste tópico, procederemos a análise de algumas narrativas
dos alunos acerca da im-portância da biblioteca na sua formação
acadêmica. Podemos partir do pressuposto que existe um comportamento
do aluno universitário em relação ao uso que faz
da biblioteca. Em geral ficou evidente que os alunos compreendem a importância
da biblioteca na sua formação.
O primeiro caso permite que construamos a cosmovisão do aluno a
respeito da sua compreensão da biblioteca:
Para ter acesso a livros, pois não disponho recursos econômicos
para adquiri-los”. (Paula)
Esta é, sem dúvida, a realidade de muitos estudantes universitários
de universidades periféricas e de cursos de menor prestígio..
O uso da biblioteca por este aluno está associado a sua condição
econômica. Paula é casada e possui renda familiar de 5 salários
mínimos; seu pai completou a 8ª série e sua mãe
completou o ensino médio. Afirma que o ensino funda-mental foi
cursado em escola pública e o ensino médio em escola particular.
Afirmar também possuir 50 livros, algo bastante relevante neste
universo, ainda que demasiado limitado em outros. Quanto ao tempo de uso
da biblioteca, afirmou que utiliza para seleção do material
desejado. Sobre os fins que utiliza a biblioteca apontou o empréstimo
de livros como sendo mais importante para sua vida acadêmica. Afirma,
finalmente, que a biblioteca é um lugar de pesquisa.
Podemos a partir disto, frisar que Paula possui uma compreensão
limitada da Bibliote-ca. Seu comportamento acadêmico no espaço
da biblioteca está relacionado a empréstimos de livros,
devido sua dificuldade econômica. Outro fator relevante do questionário
de Paula é o tempo de uso da Biblioteca: não permanece mais
do que o suficiente para a retirada do livro. Possivelmente, um livro
esteja relacionado à disciplina cursada.
No segundo caso, temos o seguinte depoimento:
Quando necessário, pois procuro selecionar livros para a minha
biblioteca par-ticular”. (Marlene)
Marlene é casada e afirma ter renda familiar de 6 a 10 salários
mínimos. Seu pai fez pós-graduação e sua mãe
completou a 4a série. Cursou o ensino fundamental em escola parti-cular
e o ensino médio em escola pública. Seu uso da biblioteca
está relacionado a seu período de permanência na Universidade.
Afirma que permanece aproximadamente durante 30 minu-tos na biblioteca.
O que uma pessoa faz em 30 minutos numa biblioteca? Seria este tempo o
suficiente para elaboração de um trabalho individual ou
em grupo? Ela afirma que tem 30 livros em casa, número relativamente
pequeno para um estudante universitário..
Marlene afirma também que a biblioteca é um veículo
capaz de ajudá-la em sua for-mação acadêmica.
Diz possui o hábito de adquirir livros para a formação
da sua própria bibli-oteca.
No terceiro caso, temos o seguinte relato:
Não pelo simples uso, mas pela necessidade de conhecimento pessoal.
(Gabrie-la)
Gabriela afirma que tem renda familiar de 11 a 20 salários mínimos.
Seus pais inicia-ram, mas não completaram o curso superior. Afirmou
que estudou predominantemente em escola pública, tanto no ensino
fundamenta como no médio. Afirma também possuir um acer-vo
de 50 livros. Utiliza a biblioteca no período da tarde, ou seja,
no mesmo período em que estuda. Seu tempo de permanência
na biblioteca é de 3 horas, o que parece não ser real, pois
utiliza a biblioteca no mesmo período que estuda. Para ela a biblioteca
é um veículo capaz de ajudá-la em sua formação
acadêmica. Demonstra uma pessoa com uma concepção
acadêmica amadurecida.
Os que se pode concluir dos três casos? 1o) Deve observar que o
capital econômico e cultural influenciam a concepção
do aluno universitário quanto ao uso da biblioteca, 2o) a relação
dos alunos com os bens de consumo culturais determinam seu modus operandis
na universidade. 3o) Os alunos quanto mais escolarizados, melhor sabem
utilizar as estratégias de construção do seu conhecimento.
No entanto, podemos afirmar que os alunos analisados, apesar de compreenderem
a importância da biblioteca em sua formação acadêmica,
não utilizam a biblioteca como estra-tégia de construção
do saber. Seu uso está relacionado a exigência acadêmica,
assumindo, desta forma, característica meramente curricular.
Considerações finais
Há muitos dados significativos que precisam ser analisados no questionário
aplicados aos alunos universitários. Podemos colocar algumas considerações
sobre os dados analisados até o presente momento.
A universidade é um universo acadêmico que possibilita várias
formas de construção do conhecimento. A biblioteca, dentro
deste universo, é uma estratégia usada pelos estudantes
na elaboração dos trabalhos acadêmicos, lugar de pesquisa
escolar (entenda-se realização de tarefa estabelecida pelo
docente), lugar de estudo em grupo, lugar onde se adquire conheci-mento.
Como tal, teria grande influência na formação intelectual
do estudante universitário, possibilitando-o construir uma postura
crítica diante da sua realidade histórica-social.
Na medida que se aprofunda a análise, observa-se que os alunos
que compõe a univer-sidade, apesar de reconhecerem o valor da biblioteca,
sua compreensão pode facilmente se enquadrar no senso comum ou
simplesmente no valor simbólico dela, não no modo como a
utilizam. Seu uso está relacionado ao tempo de formação
acadêmica, podendo demonstrar o fato de que a ela é usada
por mera obrigação acadêmica curricular.
Fica claro em nossa pesquisa que o processo de maturidade acadêmica
determina a re-lação que o aluno estabelece com os agentes
de formação cultural. É evidente também que
o aluno em contato com o academicismo acaba desenvolvendo potencialidades
que não foram desenvolvidas previamente, possivelmente pela falta
de herança cultural desenvolvido no con-texto familiar.
O professor, como um mediador do conhecimento, é um dos principais
elementos na Universidade por motivar o uso da biblioteca. Isto pode ser
feito no que se tem discutido atu-almente como processo de ensino-pesquisa.
Este procedimento didático leva o aluno universi-tário a
desenvolver sua autonomia e o pensamento crítico.
A universidade vem passando por um processo de transformação,
adquirindo um mo-delo competitivo, no sentido de prioritariamente formar
sua “clientela” para o mercado de trabalho. As políticas
governamentais acabam impondo um modo de ser da universidade, des-caracterizando-a
como lugar de pesquisa, criticidade, criatividade, autonomia. Isto acaba
afe-tando o comportamento acadêmico dos alunos, que, por si mesmos,
não desenvolveram du-rante sua trajetória de escolarização
alguns hábitos de estudos relevantes para sua formação,
por exemplo: ler, escrever, pesquisar, elaborar textos acadêmicos.
É dentro desta conjuntura acadêmica que o estudante vem sendo
educado. Por isso, não basta uma mudança no sentido de motivar
os alunos a pesquisar ou desenvolver aquilo que se chama ensino-pesquisa.
Faz-se necessário uma mudança radical na própria
universida-de, no modelo curricular, na sua organização,
na sua política acadêmica, no contexto formati-vo acadêmico,
nas manifestações sociais e culturais da Universidade.
O estudante universitário como ser socialmente constituído
é carregado de valores i-deológicos que foram internalizados
em sua vida através da sua relação com o mundo. Nas
palavras de Britto:
o modo de ser e de pensar que o estudante traz é, por si só,
marca de subjetivida-de e, como tal, deve ser reconhecida como legítima.
Sujeito imerso numa reali-dade social concreta, ele tem sua linguagem,
cultura e concepções de mundo car-regadas de valores ideológicos
e fortemente marcadas por suas experiências (Britto, 2003, p. 194).
Este estudante possui características próprias formadas
em seu contexto social. Neste sentido, pode se dizer que suas dificuldades
em desenvolver estratégias de aprendizagem es-tão relacionadas
a sua herança familiar, herdada no decorrer do seu desenvolvimento.
Pesqui-sas recentes têm revelado que alunos oriundos de famílias
pobres têm mais dificuldades em desenvolver os mecanismos de construção
do conhecimento.
Portanto, cabe a cada educador e a universidade a responsabilidade de
desenvolver uma educação democrática, comprometida
com a vida e para a vida, capaz de fomentar o pen-samento crítico,
desenvolver a autonomia, despertar a criatividade, gerar transformação
pes-soal e social.. E, num projeto desta natureza, a biblioteca deve ser
mais que lugar de estudo ou de oferta dos livros adotados nas disciplinas
dos diferentes cursos.
REFERÊNCIAS
BALZAN, Newton César. Indissociabilidades ensino-aprendizagem como
princípio me-todológico. In.:
Pedagogia Universitária – A aula em Foco. Campinas: Papirus,
2002, p. 115-136.
BATISTA, Antonio Augusto Gomes. Os professores são “não
leitores”. In.: Leituras do Pro-fessor. Campinas: Mercado de Letras:
ALB, 1998. p. 23-60.
BITTAR, Mariluce. Educação Superior – o “vale
tudo” na mercantilização do ensino. In.: Quaestio.
Revista de estudos da educação. V. 1, n. 1. Sorocaba,SP:
UNISO, 1999.
BRITTO, Luiz Percival Leme & TOREZAM, Ana Maria. Projeto de Pesquisa:
Estratégias de Aprendizagem em atividades de Estudo por Estudantes
Universitários. Uniso: Sorocaba. 2002. P. 14
____________, Língua e Ideologia. In.: Revista de Estudos Universitários.
V.28, nº 1. Universidade de Sorocaba: Uniso, 2002.
____________, et. All. A expansão do mestrado e novo perfil do
mestrando. In.: Quaesti-o: Revista de Estudos de Educação.
Ano 1 - nº 1. Universidade de Sorocaba, 1999.
______________, Contra o Consenso: cultura escrita, educação
e participação. Campi-nas-SP: Mercado das Letras, 2003.
______________, Leitor Interditado. In.: Leituras do Professor. Campinas:
Mercado de Le-tras: ALB, 1998. p. 61-78.
BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação. Petrópolis:
Vozes. 1998. 251p.
CAMPELLO, Bernadete Santos, et alli. A Biblioteca Escolar: Temas para
uma prática pedagógica. Belo Horizonte: Autêntica,
2002. 60p.
CATANI, Afrânio Mendes e OLIVEIRA, João Ferreira. Educação
Superior no BRASIL: Reestruturação e metamorfose das Universidades
Públicas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.
CASTANHO, Maria Eugênia L.M (Org), et. Alli. Pedagogia Universitária:
A aula em Fo-co. Campinas: Papirus, 2002. 248p.
CHAUÍ, Marilene. Escritos sobre a Universidade. São Paulo:
Editora da Unesp. 2001.
DEMO, Pedro. Saber Pensar. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire.
2000.
GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Leitura: algo que se transmite entre
as gerações? In: letramento no Brasil. Global: 2003
GRAMSCI, Antonio. Os intelectuais e a Organização da Cultura.
5 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1985. 244p.
GÓES, M.C. R & SMOLKA, Ana Luiza. A linguagem e o outro no
espaço escolar: Vi-gotsky e a contrução do conhecimento.
Campinas: 1993. 175p.
KLEIMAN, A. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização
na escola. In.: Os significados do Letramento: uma nova perspectiva sobre
a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras: 1995.
LIMA, Maria de Lourdes Rocha. A aula universitária: Uma vivência
de múltiplos olhares sobre o conhecimento em situações
interativas de ensino e pesquisa. In.: Pedagogia Uni-versitária:
A Aula em foco. Campinas: Papirus, 2000, p. 151-160.
MAGALDI, Ana Paula. Biblioteca Universitária: Um estudo sobre seu
papel na formação do aluno leitor. Tese de Mestrado. Universidade
Paulista, 1994.
MARINHO, Marildes & Silva, Ceris S. R. Leituras do Professor. Campinas:
Mercado de Letras: ALB. 1998. 184p.
MASSETO, Marcos T. Docência Universitária. Campinas-SP: Papirus,
2003.
NOGUEIRA, Maria Alice. Favorecimento Econômico e Excelência
Escolar: um mito em questão. In.: Revista: Sociologia da Educação
– n. 14
NOGUEIRA, Cláudio Marques Martins e NOGUEIRA, Maria Alice. A sociologia
da educa-ção de Pierre Bourdieu: limites e contribuições.
Educ. Soc. abr. 2002, vol.23, n.78
OLIVEIRA, Marta Kohl. Vigotsky. Aprendizado e desenvolvimento - Um processo
sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1997.111p.
RIBEIRO, Vera Masagão, et alli. Lentramento no Brasil: Reflexões
a partir do INAF. São Paulo: Global. 2003.
SERRA, Elizabeth D’Angelo. Políticas de promoção
de leitura. In.: Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2003.
p. 65-85.
Silva, JR.; SGuISSARDI, V. AS Novas faces da educação superior
no Brasil – Referencia de Estasdo e mudança na produção.
São Paulo: Cortez, 2001.
SOARES, Magda. Letramento: Um tema em três Gêneros. Belo Horizonte:
Autêntica, 2002. 128p.
VELLOSO, Jacques., et alli. Universidade Pública, Política,
Desempenho, Perspectiva. Campinas: Papirus, 1991.
VEIGA, Ilma Passos A, et alli. A Aula Universitária e Inovação.
In.: Pedagogia Universitá-ria: A aula em Foco. Campinas: Papirus:
2000, p. 161-191.
|
|