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O
ENSINO DA LÍNGUA MATERNA E A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO
NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: REFLEXÕES SOBRE
AS PRÁTICAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL*
Ivanize
Ribeiro de Souza
Considerações
Iniciais
Este artigo
pretende refletir a respeito das características da produção
de textos escritos a partir da perspectiva interacionista segundo a qual
deve privilegiar a interação dos sujeitos através
do código escrito.
Em termos escolares, a adesão às práticas interacionistas
pressupõe a distinção entre a redação
e a produção textual, sendo a primeira compreendida como
uma prática tipicamente escolar, a partir da qual os alunos produzem
textos na escola e para a escola. Nesta prática, ocorre a total
desconsideração do interlocutor real, tendo como único,
o professor e como meta o exercício de regras gramaticais e a repetição
de estruturas textuais pré-estabelecidas, impedindo que o aluno
escritor seja sujeito do seu dizer.
Por sua vez, a produção textual se dá por meio de
condições de produção pré-definidas,
a partir das quais a interação é privilegiada através
do estabelecimento de um interlocutor e de objetivos claros para o texto
a ser produzido, de forma que o aluno se constitua como sujeito do ato
interlocutivo e tenha condições de definir as estratégias
do dizer a partir da qual seu texto ganhará forma e conteúdo,
deixando de ter como únicos interlocutores o professor e o sistema
escolar.
Considerando a urgente necessidade de implementação de práticas
reais de produção de texto nas instituições
escolares, este trabalho objetiva delinear os principais elementos que
caracterizam a produção textual, enquanto prática
interacionista, verificando a presença ou ausência dos mesmos
em uma proposta de produção textual contida no material
didático da educação de jovens e adultos no Estado
do Paraná, de modo a, levando em conta este diagnóstico,
fornecer subsídios para uma reflexão mais profunda por parte
dos profissionais envolvidos nesta modalidade de ensino, com vistas a
superação das eventuais deficiências e a implementação
de práticas pedagógicas que considerem a interação
como razão de ser da produção textual.
Para tanto, procedemos inicialmente uma breve revisão da literatura
de modo a estabelecermos os parâmetros teóricos nos quais
se fundamenta a análise proposta tendo como referência os
estudos de Bakhtin (1992), Geraldi (1991, 1996) e Sercundes (1997).
Em seguida, desenvolvemos uma breve descrição do objeto
a cuja análise nos propomos tendo em vista a situação
do mesmo no contexto da modalidade de ensino a que se destina. Posteriormente,
procedemos à análise da proposta mencionada a partir dos
pressupostos teóricos previamente definidos e nos encaminhamos
às considerações finais do trabalho.
1. Pressupostos
Teóricos
Os estudos
mais recentes a respeito da linguagem têm mostrado a existência
de três linhas metodológicas que norteiam o processo de produção
textual na escola: a escrita como dom, a escrita como conseqüência
e a escrita como trabalho.
A escrita como DOM é assim definida por Sercundes (1997:95): “é
necessário simplesmente ter um título, um tema e os alunos
escrevem, praticamente não há atividade prévia para
se iniciar um trabalho de produção”.
Como se percebe, essa concepção considera a escrita como
uma aptidão natural de alguns indivíduos. Nesta lógica,
o insucesso na escrita seria reflexo da falta natural de habilidade para
essa atividade. Não há, portanto, nesta perspectiva, a preocupação
com o papel da mediação a ser exercida pelo professor, pois,
sendo a escrita um dom, não há necessidade de que seja ensinada.
A tarefa do professor consiste em ensinar as normas gramaticais a fim
de garantir o cumprimento das regras formais do texto escrito.
A mudança de postura quanto ao processo de ensino da produção
textual na escola levou a inscrição desta prática
no contexto de outras atividades na qual ela se tornaria o produto final,
ou seja, a escrita torna-se CONSEQÜÊNCIA de outras atividades.
Sercundes (1997:95) destaca que a escrita como conseqüência
“tem como ponto de partida o saber oral que conduzirá a uma
escrita, a um registro muitas vezes homogeneizado desse saber, verificando-se
que este registro é conseqüência do trabalho realizado”.
Vê-se, desse modo, que a concepção de escrita como
conseqüência, configura-se pela existência de atividades
prévias que conduzem o aluno à produção de
texto no final de um processo. Esta atividade prévia assume várias
nuances: leituras, filmes, viagens, passeios, discussões em grupo.
A obrigação da ocorrência da produção
de textos como ponto culminante dessas práticas acaba fazendo,
inclusive, com que surja certa rejeição dos alunos em relação
às atividades prévias, pois os mesmos têm como pressuposto
que qualquer atividade termina, invariavelmente, com uma produção
escrita.
Por ser inclusive uma crença comum entre os próprios gestores
do sistema educacional, essa concepção é a que se
encontra mais intensamente presente nas escolas, extrapolando inclusive,
as aulas de língua portuguesa.
Uma terceira concepção, considerada a mais adequada pelos
estudiosos da linguagem, tem sido aquela que considera a escrita como
TRABALHO.
Sercundes (1997:96), afirma que nesta concepção “a
produção escrita é tida como uma contínua
construção de conhecimento, ponto de interação
entre professor/aluno, porque cada trabalho escrito serve como ponto de
partida para novas produções que sempre adquirem a possibilidade
de serem reescritas, de apresentarem uma terceira margem”.
Pode-se, portanto, notar que esta concepção de escrita é
correspondente a um contexto mais amplo em que a linguagem é vista
a partir de uma perspectiva interacionista. Bakhtin (1992:113), ao tratar
da interação verbal, destaca que “toda palavra comporta
duas faces. Ela é determinada tanto pelo fato de que procede de
alguém como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela
constitui justamente o produto da interação do locutor e
do ouvinte”.
Desse modo, a presença do interlocutor vem a constituir-se o grande
diferencial das práticas de linguagem, seja de natureza oral ou
escrita concebidas sob a ótica do interacionismo.
Geraldi (1993:160), partindo dessa mesma concepção traça
um quadro de condições necessárias à produção
de um texto:
a) se tenha o que dizer;
b) se tenha uma razão para dizer o que se tem a dizer;
c) se tenha para quem dizer o que se tem a dizer;
d) o locutor se constitua como tal, enquanto sujeito que diz o que diz
para quem diz.;
e) se escolham as estratégias para realizar (a), (b), (c) e (d).
Conforme temos procurado evidenciar a opção por uma prática
de produção de texto em que a escrita seja considerada como
trabalho, embora não prescinda de atividades prévias, exige
uma nova postura por parte do professor que deve buscar os mecanismos
que propiciem situações bastante próximas do real
para que assim, ocorram as condições de produção
já mencionadas, sem as quais os textos produzidos na escola estarão
sempre condenados ao artificialismo.
2 Caracterização
do Objeto de Análise
O objeto
de análise deste trabalho é a proposta de produção
textual contida no caderno quatro de Língua Portuguesa do Ensino
Médio semi-presencial para os CEEBJAs do Estado do Paraná.
A educação de jovens e adultos (EJA) constitui uma das tentativas
para implementar a escolaridade da população que deixou
de freqüentar a escola no período regular. Atualmente esse
atendimento é feito nos Centros Estaduais de Educação
Básica de Jovens e Adultos (CEEBJA) que substituíram a partir
da promulgação da Lei 9394/96 os antigos – Centros
de Estudos Supletivos (CES).
O atendimento realizado pelo CEEBJA ocorre na modalidade semi-presencial,
caracterizada por momentos presenciais com carga horária pré-fixada
para freqüência escolar e momentos não presenciais,
que se caracterizam por momentos independentes e orientados. A forma de
organização da Educação de Jovens e Adultos
(EJA) no Paraná, prevê para cada disciplina um guia de estudos.
Conforme informações fornecidas pelo Departamento de Educação
de Jovens e Adultos (DEJA), no segundo segmento do ensino fundamental
e ensino médio são adotados materiais produzidos pelos professores
da rede pública da Educação de Jovens e Adultos do
Estado do Paraná, de acordo com a instrução específica
expedida pelo mesmo órgão.
O referido material está organizado em seis volumes. Cada volume
está estruturado em três partes assim denominadas:
Parte 1 – Literatura brasileira
Parte 2 – Leitura e interpretação de texto
Parte 3 – Estudando a norma padrão.
No caso específico do caderno quatro, no qual está situado
o objeto de análise deste trabalho, a parte 1 é composta
de três unidades intituladas respectivamente Realismo, Naturalismo
e Parnasianismo. A parte 2 denomina-se Texto Publicitário e a parte
3, flexão dos Verbos Irregulares.
A proposta de produção de texto, a cuja análise nos
propomos está contemplada na parte 2 do referido caderno e envolve,
portanto, o Texto Publicitário.
Embora no índice do caderno esta parte seja denominada de Leitura
e Interpretação de Texto, em seu interior, na página
trinta, a denominação apresentada é Leitura e Produção
de texto.
Esta unidade se inicia com um texto informativo que procura caracterizar
o texto publicitário em seus diferentes aspectos, enfatizando a
sua estrutura. A seguir é apresentado um texto publicitário
comentado onde são aplicados os conceitos estruturais descritos
no texto informativo a que já nos referimos. Posteriormente, é
proposta uma atividade em que o aluno deve inicialmente responder algumas
perguntas sobre a estrutura de um outro texto publicitário apresentado.
Por fim, com o título Produzindo o Seu Próprio Texto, a
unidade a respeito do texto publicitário é encerrada com
duas propostas de produção do texto.
A primeira proposta, conforme ilustração, apresenta a figura
de um refrigerador seguido do seguinte comando: “Produza um texto
publicitário para o refrigerador acima. Destaque suas vantagens,
use uma `frase chamariz` para atrair a leitora/consumidora, pois seu público
alvo deverá ser a dona de casa”.
A segunda proposta apresenta a figura de uma jovem bem vestida seguida
do seguinte comando: “Produza um texto publicitário para
a roupa que a garota está usando. Observe que o público-alvo
é a jovem moderninha, classe média. Invente a marca da roupa
e crie um slogan para ela. Faça um texto criativo, usando o vocabulário
da juventude atual”.
Após a apresentação das propostas, o material disponibiliza
para o aluno um espaço denominado rascunho composto por uma linha
antecedida pela palavra Título e vinte e seis linhas numeradas
à esquerda. Na página seguinte, consta a expressão
“Versão definitiva” seguida novamente pelo espaço
destinado ao título e trinta linhas igualmente numeradas.
3 Análise
do Objeto de Estudo
Em se tratando
da primeira proposta de produção textual podemos afirmar
que, com relação à primeira condição
de produção proposta por Geraldi, o material didático
não fornece informações que possibilitem ao produtor
(aluno) demonstrar as vantagens do produto anunciado, haja visto que apresenta
apenas uma imagem em tom cinza, sem nenhuma menção sobre
tamanho, capacidade, consumo de energia. Isso entra em contradição
com o exemplo apresentado na página 34, em que o texto apresenta
ao consumidor várias informações que justificariam
a compra do produto. Este fato impede que a proposta de produção
se aproxime das situações reais de comunicação,
pois todos os dados terão que sair da imaginação
do aluno.
No que se refere à segunda condição de produção,
estabelecida pelo autor citado, a proposta do material apresenta como
interlocutor a dona de casa. Devemos ressaltar que o interlocutor indicado
pelo material, torna-se bastante vago, dada a diversidade de perfis da
dona de casa em nossa sociedade.
Por outro lado, sabemos que a definição do perfil do consumidor
é crucial para que o texto publicitário atinja seu objetivo,
isto é, a aquisição do produto pelo consumidor. Neste
caso, devido à forma genérica com que o interlocutor é
definido, torna-se difícil o exercício da comunicação
de uma forma interacionista, na qual o outro é constitutivo do
ato da linguagem.
Levando em conta a terceira condição de produção,
podemos notar que esta é uma das condições de produção
de texto definida por Geraldi considerada pelo material, pois o comando
deixa claro que o texto terá por finalidade atrair o leitor-consumidor
para adquirir o produto (geladeira). Fato que é inerente a todo
texto publicitário. Porém, neste caso, ter para que dizer
não é suficiente dada a interdependência das condições
de produção textual.
Considerando ainda quarta condição definida pelo mesmo autor,
o produtor do texto não se constitui enquanto sujeito do seu dizer,
pois o cumprimento dessa condição depende de se ter clareza
do interlocutor, fato que o comando não possibilita, não
tem informações sobre o que vai dizer, além de não
ter razões relevantes para dizer o que vai dizer.
Desse modo, podemos perceber que a aproximação com o real
na situação de comunicação está comprometida
pela falta dos elementos que permitam ao sujeito do dizer constituir-se
como tal. Por conseguinte, não é possível ao aluno
produtor definir as estratégias do dizer, sem que ocorram as outras
condições. Dentre estas condições, podemos
apontar que a falta do interlocutor objetivamente definido é o
grande empecilho para que o sujeito produtor selecione as estratégias
do seu dizer.
Deve-se mencionar, contudo, a tentativa do material em sugerir ao aluno
algumas estratégias no nível discursivo, tais como a criação
de um slogan e a apresentação das vantagens do produto.
No que se refere às estratégias estruturais a proposta parece
esperar que o aluno já as domine, em função dos textos
e exercícios desenvolvidos nas atividades que antecedem a produção.
No entanto, pela ausência dos elementos já mencionados, é
mais provável que o aluno reproduza os modelos apresentados no
início da unidade.
Considerando a segunda proposta de produção textual contida
no material por nós analisado, em relação às
condições necessárias à produção
textual apontadas por Geraldi, podemos ver uma situação,
bastante semelhante à anterior:
Quanto à primeira condição, ter o que dizer, a proposta
pede para que o aluno anuncie a roupa que a jovem apresentada na ilustração
está usando. Há um princípio de se oferecer elementos
para o cumprimento dessa condição, entretanto, da mesma
forma que ocorre com a primeira proposta, as informações
não são suficientes para instrumentalizar o aluno quanto
ao conteúdo de seu texto, em virtude da ausência de cores
e pelo fato da foto apresentar a jovem apenas em posição
frontal, impedindo a percepção de outros detalhes que poderiam
subsidiar os argumentos do produtor desse tipo de texto.
Na segunda condição, ter uma razão para dizer o que
se tem a dizer, repete-se a situação ocorrida na primeira
proposta. Faltam mecanismos que aproximem da realidade o processo de comunicação
proposto, de modo que o aluno-produtor encontre razões relevantes
para dizer o que lhe é solicitado.
No que se refere à terceira condição, se tenha para
quem dizer o que se tem a dizer, é possível perceber maior
clareza na definição do interlocutor. Apesar de a descrição
apresentada corresponder ao padrão geral da mídia, ela por
vezes está distante da realidade do indivíduo atendido pelo
CEEBJA, o que pode impedir que este sujeito produtor se constitua como
interlocutor dessa jovem moderninha de classe média. Além
disso, o impedimento para a constituição da subjetividade,
quarta condição apresentada por Geraldi, é acentuada
pela ausência ou insuficiência das demais condições
a que já nos referimos.
Em se tratando da quinta condição de produção
apontada pelo mesmo autor, escolham-se as estratégias do dizer,
o processo fica comprometido mais uma vez pela insuficiência das
demais condições de produção. Também
nessa proposta, há sugestões por parte do material a respeito
de possíveis estratégias de ordem discursiva, como criação
do slogan, a invenção da marca da roupa, deixando de mencionar
aspectos estruturais parecendo, conforma já afirmamos, esperar
que isso já esteja instaurado pelas atividades prévias,
culminando mais uma vez na reprodução.
Outro elemento desconsiderado por ambas as propostas, refere-se ao portador
do texto a ser produzido. Inicialmente é preciso destacar que não
é definido o meio de circulação do texto, seja ele
jornal, revista, encarte, panfleto, outdoors, ou ainda, televisão,
internet.
É desconsiderada também, no momento da produção,
a forma de organização do texto e a qualidade do material
necessário à sua circulação. Embora nas atividades
de suposta leitura sejam apresentadas propagandas reais com perfeita associação
entre imagem e texto e layout apropriado, no momento em que se solicita
ao aluno que produza seu próprio texto lhe são fornecidas
linhas numeradas e, inclusive, uma destinada ao título, encartadas
na página seguinte à 2ª figura. Temos por sabido que
nenhum texto publicitário circula em nossa sociedade em portadores
desse tipo. O que relega a produção do aluno ao mero cumprimento
do dever escolar.
Deve-se também destacar que apesar do espaço destinado ao
rascunho, o mesmo não é pensado a partir da necessidade
da reelaboração do texto, mas como forma de reproduzir as
práticas presentes nos concursos vestibulares, fator que se acentua
pela presença das linhas numeradas. Além disso, não
há previsão de atividades de intervenção por
parte do professor para se chegar à versão definitiva a
ser transcrita na página subseqüente.
Por tudo que observamos, fica evidente que a concepção de
escrita presente nas propostas de produção analisadas encontra-se
distante daquela que considera a escrita como trabalho, visto não
atenderem integralmente às condições imprescindíveis
a esse tipo de produção, conforme postula Geraldi, sendo
por isso marcada pela ausência dos processos que envolvem a contínua
construção do conhecimento; a interação entre
professor e aluno; abertura para novas produções; a revisão
e a reescrita como fases necessárias à construção
do texto.
Sendo assim, tais propostas evidenciam a concepção de escrita
como conseqüência, pois ao propor o estudo de texto publicitário,
após exaustivas atividades que destacam a estrutura de tais textos,
propõe-se dos alunos que reproduzam tais esquemas na produção
de novos textos, deixando de priorizar a interação, elemento
primordial no uso da linguagem.
Considerações
Finais
Ao longo
deste trabalho, a partir do estudo realizado a respeito da concepção
de escrita e de alguns pressupostos para a implementação
da escrita como trabalho no ambiente escolar, procuramos diagnosticar
a presença ou ausência desses elementos em propostas de produção
de textos veiculadas no material para EJA no estado do Paraná.
Tendo em vista a urgente necessidade de que as concepções
interacionistas sejam priorizadas às aulas de língua materna,
lançamos mão das reflexões de Geraldi a respeito
das condições essenciais para a produção de
texto, segundo o enfoque já mencionado.
A partir do estudo dos pressupostos teóricos aos quais já
nos referimos e da análise do material que já descrevemos
foi possível constatar que, embora toda a unidade de ensino da
qual foi retirado o material de análise aborde textos de circulação
social, os mesmos são apresentados de uma forma didatizada, isto
é, como pretexto para o exercício da metalinguagem.
No que tange à produção de textos, nosso objeto de
análise, percebemos que em função desta didatização
são deixados de lado os elementos essenciais para a produção
de textos em termos interacionistas. Em virtude desse fato, o professor
torna-se o único interlocutor do aluno fazendo com que se produzam
simulacros de textos sociais, pois em função de sua abordagem
meramente didática, jamais exercerá as funções
que o texto publicitário assume na sociedade em que circula, constituindo-se
em mais um dos textos escolares.
A situação anteriormente apresentada nos permite afirmar,
conforme já destacamos, que a concepção de escrita
presente no material analisado afasta-se do ideal de escrita como trabalho,
constituindo-se, apesar de algumas tentativas em contrário, em
mais uma manifestação da escrita como conseqüência.
Essa concepção, como sabemos, marca a superação
da escrita como dom, porém, ainda não se adequa às
concepções interacionistas da linguagem.
Preocupa-nos, desse modo, o fato de um material de publicação
recente e que estará sendo usado nas escolas já mencionadas
ao longo de todo este ano letivo veicule propostas dessa natureza. Assim,
caso não haja por parte do professor uma análise criteriosa
do referido material de modo a propor estratégias de superação
das incoerências já discutidas, a educação
de jovens e adultos estará somando esforços na formação
de alunos reprodutores, cujo único papel é repetir o que
lhes foi ensinado.
Referências
Bibliográficas
BAKHTIN,
M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 6ª Ed. São Paulo: Hucitec,
1992.
ESTADO DO PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação.
Língua Portuguesa – Ensino Médio, caderno 4.
Curitiba: Departamento de Educação de Jovens e Adultos,
2004.
GERALDI, J. W. Portos de Passagem. 2ª Ed. São Paulo: Martins
Fontes, 1993.
SERCUNDES, M. M. I. As práticas de sala de aula. In: GERALDI, J.
W., CITELLI B. Aprender e Ensinar com Textos de Alunos,. vol 1. São
Paulo: Cortez. 1997. |
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